sexta-feira, maio 06, 2022

O VAZIO DA MÃE...



O VAZIO DA MÃE... é incomensurável, a ferida é tão grande e tão vasta que a mulher perante o seu vazio esconde e recalca todo o amor frustrado pela mãe...e odeia, e é desse fundo que ela odeia ou ama em excesso os filhos e o amante...
Por outro lado é por causa desse vazio que a mulher mostra tão puco interesse em si própria; isso revela-se nos espaços que a mulher frequenta, e não só ao não estamos presentes, simulando um aoutra que não somos ou apenas de maneira a fugirmos de nós. A dor do vazio é imensa...

Este é um texto clarissimo e que nos fala dessa dor e desse vazio 

"A falta de reconhecimento dos nossos desejos é uma falta de reconhecimento da nossa existência, posto que 242 que é o nosso impulso vital não encontra resposta. E isto produz-se depois do nosso nascimento no qual sofremos muito e nos sentimos morrer. Todo ele produz um sentimento de que a nossa existência está seriamente ameaçada. A Falta Básica, no âmbito mais profundo da nossa psique, guarda essa angústia existencial, a angústia do questionamento da existência.
O vazio da mãe, como vemos neste livro, é o vazio que fica na mulher que foi excluída, proibida, enviada para os infernos; um vazio cheio de medos e de angústia, porque a mulher desnaturada não é capaz de reconhecer e de saciar os desejos do seu bebe e de lhe impulsionar a sua vitalidade.
A reivindicação da condição da mulher é a reivindicação de um outro mundo. Por isso a mãe, a maternidade, a mutterlich e a Muttertum são incompatíveis com a família e com o trabalho assalariado; nós, as mulheres, somos, na verdade incompatíveis com ela, com o Estado e com o Capital. Somos o real-impossível.
Quando formos capazes de ver o que foi destruído dentro de nós mesmas, a nossa sexualidade que perdemos, e por outro lado o vazio, essa falta interior, o sofrimento que a nossa anulação desencadeia, seremos a maior força revolucionária jamais vista ou imaginada, impulsionadas por um caudal infinito de energia libidinal liberta."
(in REFLEXIONES SOBRE LA VIOLENCIA INTERIORIZADA EN LAS MUJERES)
Casilda Rodrigáñez Bustos.


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