domingo, junho 19, 2022

O AMOR DO AMOR...

 



Dá-me os teus olhos, oh meu amor, que neste mar infinito eu me quero aventurar.

Enche-me de astros o Silêncio deste Mar, oh minha Lira-Mãe das esferas que rolam, dos Sóis de manto doirado e dos olhos que te rasgam na imensa face do firmamento!

 Fecha agora os teus olhos oh meu Amor, e deixa-me ver o teu Nascimento…

 Adormeceram as águas, fizeram silêncio as almas, e, sobre as ondas do grande Mar do silêncio, caminha para nós a serena Aparição da tua figura.(…)

E, como sobre uma multidão que espera a manhã para transpor o rio que os há-de salvar do inimigo, flutua de asas abertas o seu próprio sonho de resgate, assim, sobre o mundo e as almas, o grande lenço branco da despedida se fez asa, protecção, carinho, sonho, êxtase, e é o manto que te cobre, e às almas, oh minha virgem, minha Senhora da Aparecida!(…)

Oh amor do meu Exílio, meu estranho amor, de onde vens tu meteoro das almas, que elas, à tua passagem, reacendem-se em lembranças e são mais puras, mais brandas, mais líquidas e dadivosas, espraiadas duma humildade sem fim?

(…)

LEONARDO COIMBRA

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