O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

sábado, setembro 08, 2007

A UNICA ROSA

Todas as rosas são a mesma rosa,
amor!, a única rosa;
e tudo está contido nela,
breve imagem do mundo,
amor!, a única rosa.

JUAN RAMÓN JIMÉNEZ (1881-1959

os midea - uma nova inquisição

PORQUE SÃO AS MULHERES
A ATIRAR A PRIMEIRA PEDRA?

Esta mulher, Kate McCann, está pronta a ser "queimada" nas fogueiras dos mideas...Basta ter sido arguida para os tablóides nacionais e as televisões antecipadamente destruirem a imagem da que até há dias era uma pobre mãe desfeita em dor...
Não digo que não possa haver culpa por negligência ou crime involuntário e até ocultação de cadáver, pode bem ser essa a versão do caso, mas o que importa aqui é como a mulher passa a ser logo uma criminosa e a ser apoupada pela turba que persegue as vítimas como abutres, pronta a fazer justiça pelas suas bocas vis...

Não defendo um crime como impune, mas se é caso de haver uma morte por negligência, fossem quais fossem as circunstâncias, calculo o sofrimento e o drama desta mulher...

Mas são as próprias mulheres implacáveis que atacam as mulheres em primeiro lugar e é isso que me choca...como são sempre as mulheres a denunciar as outras ou como foram outrora as mulheres quem primeiro denunciavam as bruxas para serem queimadas nas fogueiras... ELAS NÃO QUEREM SABER O QUE REALMENTE SE PASSA, QUEREM DESTRUIR APENAS A OUTRA MULHER...
Ontem como hoje é tudo igual face ao drama e ignorância das mulheres. Há diferenças subtis...diferença nos modos de tortura, com ferros ou pública, e como diz a Juliana, todas as mulheres sofrem ainda na pele a difamação e exclusão, o desprezo intelectual...

Juliana disse...


"O pior de tudo é que existe ainda hoje uma fogueira queimando as mulheres mais livres, as não-santas, não-submissas... A fogueira continua ardendo e queimando as mulheres de todas as idades, raças, credos, profissoes, classe social... A fogueira do preconceito, da exclusão social, da discriminação, das oportunidades, da justiça social... da impunidade das violências, das mortes e das agressões, da ditadura da beleza, da magreza, do desprezo intelectual... A fogueira das competições, das guerras entre mães e filhas, entre sogras e noras, entre as esposas e as putas...

O fogo patriarcal anda aceso e muito... e todas nós saímos chamuscadas... Qual a mulher que não sente o calor das chamas no seu dia-a-dia sempre que tenta ser diferente do padrão patriarcal?Aff... tá calor aqui... rs... "

A LINGUAGEM DOS PATRIARCAS



"Homem" e "mulher" são conceitos políticos de oposição, e a cópula que dialecticamente os une é, simultâneamente, aquela que irá abolir os homens e mulheres8. É a luta de classes entre mulheres e homens que abolirá os homens e as mulheres9. Não há nada de ontológico no conceito de diferença. É a única maneira como os senhores interpretam uma situação histórica de domínio. A função da diferença é a de ocultar a todos os níveis os conflitos de interesse, incluindo os conflitos ideológicos. Por outras palavras, para nós, isto significa que não podem mais existir mulheres e homens, e que enquanto classes e categorias de pensamento ou linguagem eles têm de desaparecer, política, económica, ideologicamente. Se nós, lésbicas e homossexuais, continuarmos a falar de nós próprias(os) e a conceber-nos como mulheres e como homens, estamos a ser instrumentais na manutenção da heterossexualidade. Tenho a certeza que uma transformação económica e política não irá desdramatizar estas categorias da linguagem. Podemos redimir escravo? Podemos redimir escarumba? Em que medida é a mulher diferente? Continuaremos a escrever branco, senhor, homem? A transformação das relações económicas não será suficiente. Temos de produzir uma transformação política dos conceitos chave, isto é dos conceitos que nos são estratégicos. Porque há uma outra ordem de materialidade, a da linguagem, e a linguagem é trabalhada de dentro por estes conceitos estratégicos. A linguagem é, ao mesmo tempo, intimamente ligada ao campo político, onde tudo o que concerne a linguagem, a ciência e o pensamento se refere à pessoa enquanto subjectividade e à sua relação com a sociedade10. E não podemos deixar estas coisas no poder do pensamento hetero ou do pensamento de dominação."(...)




O que é a mulher? Pânico, alarme geral para uma defesa activa. Francamente, este é um problema que as lésbicas não têm por causa de uma mudança de perspectiva, e seria incorrecto dizer que as lésbicas se associam, fazem amor, vivem com mulheres, pois "mulher" tem significado apenas em sistemas de pensamento heterossexuais e em sistemas económicos heterossexuais. As lésbicas não são mulheres. "

(Monique Wittig, The Straight Mind and other Essays, Boston: Beacon, 1992)




Apesar de estar só em parte de acordo com a autora não acho que seja a sexualidade que determina a linguagem, e a haver uma linguagem universal referente à espécie humana será certamente referente ao SER em si e não ao seu papel sexual. Todos os homens são homens independentemente da sua "escolha" sexual, todas as mulheres são mulheres incluindo as lésbicas...

O facto de a espécie humana se ter dividido em dois sexos (ou mais) sendo um preponderante e um deles sofrer a anulação da sua identidade, e a linguagem expressar essa dominação, quando essa supremacia do masculino terminar haverá que referir-se ao Ser Humano não como Homem nem como Mulher...

Não vamos inverter de novo as dominações, mas, quando nos referirmos ao ser humano em geral, desde já escolher um termo neutro quanto a definição de género.

MULHERES LIVRES


Houve um tempo em que tu não eras escrava...lembra-te disso. Um tempo em que caminhavas sozinha, cheia de riso em que te banhavas nua no mar...Podes ter perdido a memória desse tempo, mas procura lembrar-te...Podes dizer que não há palavras que descrevam esse tempo, podes dizes que ele não existe. Mas recorda. Faz um esforço para o relembrares, ou, se não conseguires, inventa-o!"


"Les Guerrilleres" de Monique Wittig

NO MASCULINO...
"Houve um tempo em que tu não eras um escravo; lembra-te disso.Um tempo em que caminhavas sozinho, cheio de riso em que te banhavas seminu no mar. Podes ter perdido a memória desse tempo. Mas procura relembrar-te...podes dizer que não há palavras que descrevam esse tempo, podes dizer que ele não existe. Mas recorda. Faz um esforço para o relembrares, ou, se não conseguires, inventa-o! "
Monique Wittig (tradução de Vera Faria)
LIDO E TIRADO DE in http://saberdesi.blogspot.com/


Cara Luiza Frazão:

Queria só alertá-la de que o excerto de Monique Wittig refere-se à mulher escrava e não ao homem. ...Alem disso é uma traição tremenda ao espírito da autora...Todo o texto se refere essencialmente à liberdade da mulher e da sua expressão; inclusive esta autora cria uma linguagem toda no feminino e é uma acérrima feminista, por isso achei estranho haver uma tradução no masculino. Desculpe a chamada de atenção mas faz toda a diferença, embora o homem também seja um escravo, faz da mulher sua escrava...

Como o próprio título do livro indica "As guerrilheiras" trata de mulheres e não de homens...Compreendo que seja nobre dar um sentido universal ao texto mas é a Mulher que precisa tomar consciência de uma liberdade que perdeu...

ESTE PEQUENO EXCERTO TRADUZIDO NO MASCULINO EM VEZ DE TAL COMO NO ORIGINAL SER NO FEMININO, FAZ TODA A DIFERENÇA, UMA DIFERENÇA GRITANTE POIS O HOMEM FOI SEMPRE LIVRE DE SE BANHAR NU NO MAR OU DE CAMINHAR SOZINHO
"Les Guerrilleres"

quinta-feira, setembro 06, 2007

MULHERES DEUSAS E ROSAS...


Quando tu vens.
Quando tu entras baixam todas as vozes,
Ninguém sabe quando entraste,
Senão de repente, vendo que tudo se recolhe,
Que tudo perde as arestas e as cores,
E que no alto céu ainda claramente azul
Já crescente nítido, ou círculo branco, ou mera luz nova que vem,
A lua começa a ser real.
FERNANDO PESSOA

BASTET- DEUSA DO EROTISMO

hOJE NÃO TENHO TEMPO PARA RESPONDER AOS VOSSOS COMENTÁRIOS, MAS SÁBADO VOLTAREI AQUI PARA O FAZER ...

QUERIA AGRADECER ANTES DE MAIS OS VOSSOS PARABÊNS E DIZER-VOS QUE ME OFERECERAM UMA ESCULTURA IMPONENTE DA DEUSA GATA BASTIT...COMO SE EU TIVESSE ADIVINHADO...
BOM, NÃO DIGAM A NINGUÉM QUE EU SOU BRUXA...MAS O FACTO É QUE TIVE ESTA PROMONIÇÃO...

MAS O IMPORTANTE É QUE NÃO ESQUEÇAMOS UM SÓ DIA QUE PASSA QUE:

"CABE ÀS MULHERES REDESCOBRIR O FEMININO, DAR À LUZ UMA ALMA NOVA, CAPAZ DE ASSUMIR A SUA DIMENSÃO CÓSMICA" Antónia de Sousa

O DESPERTAR DA MULHER INTERIOR


A MULHER COMO GUARDIÃ DA DEUSA E DA NATUREZA MÃE

“As mulheres julgam muitas vezes que elas não servem senão para gerar filhos e que nesses corpos se vêm fixar as almas. Mas não! As mulheres são desde toda a eternidade a Matrizes e o Sustento de muitas outras coisas. Elas são antes de tudo o mais, as reveladoras do Conhecimento. O Princípio Feminino e o poder da Mulher vem agora para quebrar as cadeias de todas as rotinas e tiranias. Esse poder fala da “curiosidade imaginativa” sagrada e cria assim um espaço em constante expansão na Consciência da Humanidade. É aí que se encontra o verdadeiro papel da Matriz. Ela gera e alimenta “outra coisa” de “doutra maneira” e é essencial e necessária para a Vida concluir a sua obra.”



E O GRANDE PAPEL A DESEMPENHAR PELA MULHER.


“É por isso que eu vos digo, é preciso que a mulher veja a Mulher QUE ELA É em si mesma e que o homem a aceite nele próprio. O acordar deste mundo exige essa mutação! O Fogo feminino é um fogo da Terra, e reparem, se temos necessidade do Ar que vem do Céu, o inverso não se pode negar. Todos os que sabem ou entendem o que eu digo, vêem que o Céu e a Terra se atraem um ao outro, que não existem independentes um do outro. Por isso é preciso que os homens aceitem este ensinamento e que as mulheres não temam mais desvelar a sua função...e só então o mundo entrará em metamorfose”.


A TRANSFORMAÇÃO QUE O MUNDO PRECISA:

O FOGO FEMININO. O FOGO QUE LIMPA...


(...) “Que a vossa humanidade tenha balançado entre monarquias e ditaduras e depois repúblicas não muda nada no mundo pois o vento que sopra as suas velas não é senão expressão de relações de força e de domínio. A incessante luta interior em que se debatem as vossas almas entre o dominador ou o dominado é uma limitação, é a verdadeira pobreza de que tem de se libertar. O Fogo Feminino que está hoje em dia A COMEÇAR A DESPERTAR tem como Missão por fim a esse combate interior. Ele tem como função reinventar o Homem e a Mulher neste mundo, de revelar outra imagem, outro ser mais completo, mais solar, mais cristão no sentido universal do termo.”


In VISIONS ESSÉNIENNES Daniel Meurois-Givaudan

terça-feira, setembro 04, 2007

Lilith Bastit


Amanhã, mais precisamente esta noite, faço anos...
Mais de meio século...
E esta é a minha prenda, a minha deusa gata...
Que ela vos abençoe a todas, amigas e irmãs nesta terra!

Igaci disse...

"Mas essa misoginia vem de longe, com os judeus que propagaram o culto ao deus-pai único, com os gregos que eram altamente misóginos e influenciaram os romanos que tornaram o cristianismo a religião oficial do ocidente. Não daria pra ser diferente com uma origem dessas.

Essa harmonia de que Agostinho fala é meio homossexual. Os gregos afirmavam que só o amor entre iguais era válido, referindo-se ao amor entre homens, que eles consideravam superiores por serem mais fortes e supostamente mais inteligentes. É claro que era um homossexualismo sublimado por conta do judaísmo abominar essa prática e os cristãos terem absorvido isso na nova religião. E por conta dessa 'amizade' tão harmoniosa entre iguais só restava mesmo á mulher o papel do demônio nessa história. "
Um abraço, Igaci

A MULHER É MÁGICA POR NATUREZA

"As mulheres a quererem ascender na hierarquia da Igreja Católica são como os negros a quererem aderir ao KU KLUX KLAN"... Luz...

(...) "Embora este presente texto, não tenha como finalidade expôr longamente sobre a história da bruxaria em Portugal, gostaríamos de salientar um aspecto que julgamos fundamental, para os que estudam este tema, e que é a distinção problemática entre os conceitos de bruxaria e feitiçaria. Ao falarmos de bruxaria e feitiçaria, somos obviamente levados a falar em Magia. Mas a que tipo de magia nos referimos? Habitualmente fala-se em: “magia branca” e “magia negra”, isto é, aquela que é benéfica e a que é malefica. Tem-se por isso em conta, nesta definição de magia, o intuito da operante em fazer o bem ou o mal.
Contudo, esta definição colorida, parece-nos demasiado obsoleta e ineficaz para a compreensão da diferenciação entre a feitiçaria e bruxaria – pois se a utilizássemos, mais tarde ou mais cedo, seriamos confrontados com um novo problema: qual das realidades aliaríamos a “magia branca” ou a “magia negra”? Será que a principal diferença entre bruxaria e feitiçaria, se encontra no facto, da feiticeira só usar um tipo de magia e a bruxa outro tipo, sendo que, pelo carácter demonológico da bruxa, esta apenas utilizaria a “magia negra”, segundo tal distinção? Mais tarde ou mais cedo, compreenderíamos que um dos principais obstáculos na saga da diferenciação entre a feiticeira e a bruxa, se encontra no facto, da feiticeira poder ser tanto benéfica como maléfica, sendo que neste segundo ponto, se encontra demasiadamente próxima da bruxa.

Preferimos então, seguir outro tipo de diferenciação magica: “magia natural” e “magia demonológica/diabólica”. Sendo que, num primeiro momento, a cisão entre a ideia de Religião e Magia se dá com os primeiros escritores cristãos e devido a necessidade de diferenciarem o Cristianismo Primitivo do Paganismo Clássico. Assim o Cristianismo, apareceria como a verdadeira religião enquanto o Paganismo seria uma falsa religião, baseada na magia que obviamente seria de origem demoníaca. Alguns dos principais autores cristãos à revelarem-se contra o Paganismo e a fundamentarem esta cisão, serão: Taciano (séc. II), Clemente de Alexandria (c. 150. – c.215), Orígenes (c. 182. –c.254) e Tertuliano. (excerto) (...) Ardath Lilith

Ler o texto em: http://stellatus.wordpress.com/2006/10/28/bruxas-e-feiticeiras/

Obrigada Marian...Eu pessoalmente também prefiro as feiticeiras ou mesmo as sacerdotisas; sei que as suas funções tal como a da Bruxa seriam destintas entre si, mas na verdade e fora dos contextos filosóficos ou metafísicos e da própria história contada pelos santos agostinho e cirilos e outros misóginos, que contribuiram grandemente para a destruição da mulher, a mim interessa-me a mulher que foi dinigrida ao longo dos séculos, perseguida e torturada pelos padres da Igreja de Roma antes de tudo.

A questão sempre foi uma só: a Mulher é Mágica, toda a Mulher que se encontre e vivencie e integre as duas mulheres cindidas pela fé do homens... desde que vivam essa dimensão do sagrado que o feminino e a Deusa lhe conferem.

Todos os tratados e estudos feitos hoje em dia com base na história dos homens, mesmo feito por mulheres, pouco relevo têm para mim enquanto a Mulher não integrar esses dois aspectos de si mesma que se manifestam em duas mulheres opostas que se odeiam e digladiam entre si como a santa e a puta...

Foi contra a Mulher Mágica e o seu Dom inato que os padres do deserto sempre lutaram e é por isso ainda hoje que as mulheres são violadas e mortas por dá cá aquela palha...