quinta-feira, setembro 17, 2020

PRINCIPIOS, FEMININO E MASCULINO


 

 

"O primeiro estágio do "retorno do feminino" é redescobrir essas qualidades femininas frequentemente reprimidas, distorcidas ou rejeitadas por nossa cultura patriarcal dominante. Chegamos a reconhecer como elas são centrais para qualquer trabalho de transformação, para o trabalho de renascimento que por sua própria natureza pertence ao feminino. Compreender a sabedoria e a natureza transformadora do feminino (em homens e mulheres) é essencial se quisermos nos mover individual e colectivamente para fora da terra devastada criada pela consciência e valores masculinos, se quisermos despertar para uma consciência mais profunda e natural de nossa própria natureza, bem como a de toda a vida. Por exemplo, podemos mais uma vez aprender a ouvir a Terra, sentir seus ritmos e batimentos cardíacos e voltar à "grande conversa" com o mundo natural. O feminino pode nos dar as ferramentas de que precisamos para começar o trabalho de transformação individual e global."

Adaptado de um novo prefácio de The Return of the Feminine and World Soul, de Llewellyn Vaughan-Lee

 

MULHERES CONSCIENTES DE SI

 

Creio que as mulheres conscientes de si, que fizeram um trabalho profundo consigo mesmas, e que se mantem fiéis ao Principio Feminino, aquelas que não se promoveram à custa do seu corpo nem da sua beleza ou sexo, em busca de dividendos, nem puseram o dinheiro e o seu ego acima dos valores comuns da Deusa e da Mulher, valores de união e sororidade, possam manter uma verticalidade e inteireza no seu conjunto e espero que não deixem que uma causa como o FEMININO SAGRADO se transforme numa bandeira de arremesso, uma banalidade comercial, ou uma forma de iludir e enganar as mulheres menos conscientes que se buscam valorizar e são desviadas para a promessa de uma união feliz com o masculino sagrado...criando novos mitos amorosos, praticas fraudulentas, repetindo os mesmos erros. Elas não só se desviam a si mesmas dos caminhos iniciáticos femininos como estão desviando as mulheres do trabalho de desbravar o seu caminho interior da mulher selvagem, sim, "Mulheres que correm com lobos" (e não com homens...) juntando-se ao homem que ela quer resgatar e que julga iniciar ou curar... Mas sem que ela própria se tenha resgatado e ser consciente de si ela não vai saber ajudar sem projectar também a sua ferida, a sua dependência ou carência. Mesmo lendo um bom autor sobre o feminino sagrado, e lendo o que ele diz tal como: "Compreender a sabedoria e a natureza transformadora do feminino (em homens e mulheres) " eu não sei se concordo inteiramente com ele nesse sentido, o de se trabalhar o feminino e o masculino um no outro, porque eles homens e mesmo a grande maioria das mulheres e apesar do  autor citado ser alguém integro, ignora a cisão da mulher e que a mulher não estando na posse do seu verdadeiro feminino à partida - uma vez que apenas exercita o seu hemisfério direito, o masculino  - tem de primeiro integrá-lo e esse é um trabalho individual e solitário e não a fazer em conjunto com o homem e é ai que reside a maior confusão das mulheres e homens que apelam a fusão do masculino e do feminino ou de se trabalhar em conjunto... Além disso penso que à mulher dos dias de hoje, isto em primeira instância, já não cabe ser essa metade apenas, complemento de um par romantizado ao longo dos tempos, e a não ser que ela mesma seja inteira e fiel a si mesma como ente, a partir de uma individualidade separada do par e se sinta autonoma, ela não vai poder ajudar o homem nem as outras mulheres. Inutil pensar que o homem a vai ajudar a ela no processo da sua descoberta interior... quando foi ele quem mais a afastou de si para o poder servir a ele... Assim, o par amoroso, tal como a busca do amor do outro, nada tem a ver com o processo de descoberta da mulher selvagem, porque além de ser um aspecto instintivo e de cariz obviamente sexual, faz parte da sujeição da mulher ao macho, que como escolha de vida, pode ser um designio seu, ou um objectivo de vida de uma mulher que quer servir o Pai e o filho. Mas esse não é o objectivo do feminino sagrado, nem do caminho da mulher em si na conquista da sua autonomia do macho e do patriarcado que a manteve prisioneira há centenas de anos, forçando-a a serví-lo de todas as maneiras e mesmo recentemente, depois do propalado feminismo e dita emancipação, a mulher nesses planos - emocional e sexual - não se libertou do seu jugo, apenas teve algumas vantagens financeiras com as quais afinal acabou por beneficiar os homens igualmente... A divisão - cisão - interior da mulher criada pelo patriarcado, que gera a sua fragmentação emocional e psiquica, que se reflecte na sua disputa psicologica e afectiva com a mãe pelo pai ou contra a outra mulher rival, leva-a de forma inconsciente a uma luta acerrima e permanente contra as outras mulheres embora possa estar muitas vezes disfarçada de "amizade" ou simpatia, mas onde existe sedução e controlo, dominio da outra através do jogo passional mesmo que não implique uma sexualidade explicita. Esta sedução exibição de si - sou a maior e a melhor, a que seduz e controla - continua a ser em muitas mulheres uma forma de defesa da sua ferida que projectam de forma insidiosa nas outras mulheres. É tipico da psique ferida, cair nestas armadilhas e elas são muitas... por isso alerto para que todas nós não esqueçamos qual é o nosso trabalho e o nosso propósito como Mulheres. Para que como diz Clarissa Pinkola Estees, não ferirmos @s outr@s no ponto em que nós mesmas estamos feridas... Não há duvida que antes de querer curar @ outr@ ou usar um Dom, temos de nos curar a nós mesmas primeiro e por isso ser consciente dos nossos movimentos atávicos padronizados e inconscientes é fundamental e sem um trabalho psicologico básico, tudo é ambiguo e duvidoso... SER MULHER hoje em dia requer uma independência cabal de todos esses jogos viciados da psique cindida da mulher e portanto fazer o seu caminho de encontro consigo mesma requer um grande recuo e sabedoria da alma... grande honestidade e sinceridade consigo própria, algo que só uma grande maturidade nos pode dar.

rosa leonor pedro

quarta-feira, setembro 16, 2020

Encontro Online "Lilith - A Mulher Primordial" com Joana Saahirah & Rosa...

UM PEQUENO ENSAIO: A DOR DOS HOMENS



 MUITAS AMIGAS INSISTEM PARA EU ESCREVER SOBRE OS HOMENS…


Bom, em primeiro lugar eu não posso discorrer sobre os homens em termos da sua natureza masculina e psiquica. Teria de ser homem para o fazer. Assim como estou farta de que sejam homens a escrever sobre as mulheres e acho erróneo, eu não iria escrever sobre o masculino em si. Mesmo admitindo o principio dos dois em Um, que todo o ser humano é composto de uma parte feminina e masculina (hemisfério esquerdo e hemisfério direito respectivamente ), eu não confundo "alhos com bugalhos"… sendo este um outro assunto bem mais vasto e complexo, que concerne a alquimia. 
Contudo poderei vir a escrever sobre como a cisão da mulher se reflecte no homem e do sofrimento que dai lhe advém, seja como marido, seja como filho ou mesmo pai, sendo esse facto uma espécie de ciclo vicioso: o homem Pater divide a mulher em duas espécies desde os primórdios do cristianismo e todo o homem à partida  foi obrigado a escolher entre uma mulher séria para casar e constituir família e a relegar a mulher livre e sensual e desassombrada, a mulher solteira e independente, para o campo da prostituição, mesmo que ela tivesse meios de subsistência, era sempre apelidada de rameira - puta vadia ou cabra. Uma mulher livre e bonita é sempre suspeita...
Ora acontece que essa mulher assim assumida e se for bonita ainda mais perigosa parece aos olhos do homem, pois parece que nascer mulher e bela é trágico, uma má sina  - é sem duvida uma ameaça para o pai ou marido ou irmão ou filho - o medo de ser conectado como o famoso "filho da puta e o cornudo" - e por isso este é o pior dos perigos para o homem e portanto uma mulher a abater... que é o que ele faz quando a mulher o abandona ou o trai…

Sim,  o homem não se livra facilmente da sua atracção pela mulher sensual e livre que o seduz e magnetiza...mas ele opta sempre - para casar - pela rapariga séria e insipida e bem comportada que não é nem bonita nem sensual porque lhe dá mais garantias de não ser afectado por esse drama. E assim nasce o pior das ofensas a qualquer homem que se despreza - "Puta que o pariu…filho de uma grande put… vai para a put que te pariu, ou ainda pior...vai para o "buraco" da tua mãe"- este é o tratamento infame que os homens se dão uns aos outros… e a Mulher Mãe…
Esta é uma história muito dolorosa para homens sensíveis e amantes da Mulher...homens que amam as suas mães...que conhecem o seu sofrimento; vejo como filhos hoje em dia sofrem com os divórcios das mães  com medo que pensem que as mães são put… e enfim, todo este peso acrescido ao peso de uma falsa masculinidade e a impossibilidade de manifestarem emoções, é realmente um drama masculino, para não falar da "dor de corno"...
Sem duvida que os homens tem todas essas feridas com a mãe...e há mães odiosas toxicas e narcisistas e incapazes de amor - claro que há e ai voltamos ao mesmo e a necessidade de valorizar e libertar a mulher desses estigmas restituindo-lhe toda a sua dignidade o que não é possível sem uma verdadeira consciência de si e do seu feminino sagrado. Todo um percurso que as mulheres tem de fazer indo ao mais fundo da sua psique e perceber o que ainda tem de andar antes de poderem curar o homem e esperar dele o par ideal, por mais que sonham e o desejem. Isso não vai acontecer antes que as mulheres despertem verdadeiramente para si e sejam unas e mulheres inteiras. Não é a Deusa que as vai curar...são elas mesmas e por esforço próprio que tem de se curar a si mesmas e deixar de projectar as suas feridas nas outras mulheres com quem rivalizam o tempo todo, mesmo diante da deusa… em defesa do seu culto...ou lutando por se serem as melhores as mais fiéis...etc.
Quanto aos homens que sentem a sua alma e vivem neste sistema eles devem abrir Portas e serem os guardiões em lugares em que as mulheres sofrem e onde deviam ser respeitadas. Em casa e na família, nos empregos. ...serem eles dentro do Sistema vigente a fazer a sua defesa e não virem-se refugiar no colo das boas mães e da Deusa...se são guerreiros, lutem pela mulher digna sendo um homem digno. Sendo um homem consciente também.

rosa leonor pedro

terça-feira, setembro 15, 2020

CONVITE ABERTO

Convido-te para o Evento Online GRATUITO "Lilith - A Mulher Primordial" organizado por mim, Joana Saahirah, com uma convidada muito especial, a Rosa Leonor Pedro, autora do livro "Lilith - A Mulher Primordial", uma mulher comprometida com o empoderamento feminino.
Sem papas na língua e com conhecimento de causa, falaremos sobre o arquétipo de Lilith e o que ele significa na nossa vida.
Que significa ser uma Mulher Inteira? Que tipo de rEvolução Lilith nos convida a fazer? Que acontece quando as Mulheres despertam e assumem a sua identidade e poder pessoais?
Estaremos preparad@s para suplantar a cisão antiga - e bafienta - entre a Santa e a Pecadora, a Boa Menina e a Má Menina, a Fada e a Bruxa? Estará o mundo preparado para Mulheres livres, selvagens, completas?
Junta-te a nós para um evento inesquecível, polémico e potencialmente transformador.

ENCONTRO ON LINE COM JOANA SAAHIRAH

https://www.joanasaahirah.com/EventoOnlineLilithAMulherPrimordial?fbclid=IwAR3Vr8Pv6R2TS-ig_m1XybNZOzRItTVgC-TbRQiuQn39G0cSrQrL-k5-W8k

BASTA ABRIR O LINK

 

Que acontece quando te inscreves no nosso evento?

 
Ganhas acesso ao Evento que acontece online e ao vivo no dia 19 de Setembro das 18h às 19.30h (hora local de Lisboa, Portugal);
Recebes Materiais Bónus relativos a Lilith que só partilharemos com os nossos participantes registados;
Tens acesso à gravação do evento depois de este ter acontecido.
 
~VAGAS LIMITADAS ~


Há muito tempo que não escrevo directamente para as mulheres que me seguem e leem há quase vinte anos…

Por isso hoje resolvi fazê-lo para assim poder saber quem ainda continua a vir aqui e a ler-me...Lamentavelmente quase ninguém comenta ou dá sinal de vida. Toda a gente se virou para o FACEBOOK e o INSTAGRAM que é mais fácil e mais fútil e também bem mais estupido … e cada dia mais entupido de banalidade e lutas mesquinhas entre pessoas estéreis,  sempre em conflito umas com as outras. Agora mais do que nunca ...face à Pandemia… Um sinal dos tempos, do controlo politico  e da estupidez humana.
Neste momento o facebook censura e corta tudo o que seja diferente da politica que eles  defendem e bloqueiam as pessoas que de algum modo se diferenciam no que dizem e porque não são seguidoras do "politicamente correcto" normas de censura e controlo do pensamento etc.
Penso que está na altura de voltar aos Blogues… e dizer as coisas que sentimos sem censura ainda que por aqui a um certo nível também haja condicionantes e eu nem sei quais são. De momento ainda não sofri nenhuma censura…
Mas escrevo esta nota às minhas leitoras para saber se o que eu escrevo ainda voz faz sentido e saber quantas de vocês estará presente…
Aguardo uma nota ou comentário breve com muito empenho…


rosa leonor pedro

A minha foto com o Alexandre Gabriel - editor da Zéfiro - aquando da apresentação no dia 4 de setembro do meu livro Lilith a Mulher Primordial - e que foi um sucesso de vendas...

A MULHER MODERNA




A MULHER MODERNA: "encontra-se desde o princípio sem uma forma própria de existir"

É Esta negação de si mesma enquanto mulher integral que esta interiorizada em níveis tão profundos...da sua psique...que impede a mulher de se realizar na sua plenitude.
Não, à mulher de hoje não basta seguir a Deusa ou "integrar" o seu lado masculino para realizar a dinâmica dos dois em um (Yin e yang) porque a mulher moderna está amputada de uma parte de si mesma, o feminino essencial, porque ela usa exclusivamente o ego masculino e parte desde logo inferiorizada na sua relação com o homem seja em que caminho for. rlp

Por isso “É necessário reconstruir a contradição homem-mulher a partir da negação do corpo da mulher, e portanto aquilo que na Psicanálise tradicional aparece como enfermidade, neurose, desadaptação, etc. converte-se numa contradição material.
A mulher encontra-se desde o princípio sem uma forma própria de existir, como se o existir da mulher já se encontrasse numa forma de existência (mulher, mãe, filha, etc.) que a negam enquanto mulher. Ser mãe significa existir e usar o corpo em função do homem, e por isso uma vez mais carecer de sentido e de valor do próprio corpo e da própria existência a todos os níveis.

Esta negação de si mesma esta interiorizada em níveis tão profundos que é como se as mulheres, ao longo de toda a sua história, não tivessem feito mais do que repetir esta história de autodestruição. Por consequência, o discurso sobre a violência masculina, sobre o vexame, a dominação, sobre os privilégios, etc. continuará sendo um discurso abstracto se não tivermos em conta o aspecto interiorizado desta mesma violência, a violência como auto-negação, negação duma existência própria. A negação de si mesma é posta em marcha a partir do nascimento, a partir da primeira relação com a mãe, onde esta já não se encontra presente como mulher com o seu corpo de mulher, estando ali como mulher do homem e para o homem. (…)
O facto da menina viver a relação com a pessoa do seu sexo apenas através do homem, com essa espécie de filtro que existe entre ela e a mãe, é a razão mais profunda da divisão que encontramos entre uma mulher e outra mulher; nós as mulheres estamos divididas na nossa história desde sempre, não apenas porque cada uma de nós está unida socialmente ao marido, às e aos filh@s – este é apenas o aspecto visível da separação – a divisão dá-se a um nível mais profundo, ao não conseguirmos olhar-nos uma à outra, ao não sermos capazes de contemplar o nosso corpo sem termos sempre presente o olhar do homem. (…)
Num artigo em “L’Erba Voglio”… insistia na relação interrompida com a mãe, ou no mínimo deformada desde o começo precisamente porque a mãe não é a mulher, apenas “a mãe”, ou seja, a mulher do homem. Do facto de que a mulher não encontra na relação com a mãe o reconhecimento da sua própria sexualidade, do seu próprio corpo, procede depois toda a história sucessiva da relação com o homem como relação onde a negação de tudo aquilo que tu és, da tua sexualidade, da tua forma de vida, já se produziu.”

Lea Melandri, La Infamia Originaria (excertos),
citada por Cacilda Rodrigañez Bustos em El Assalto al Hades

segunda-feira, setembro 14, 2020

A MULHER A CRIADORA DAS ALMAS...



A CISÃO DA MULHER - UMA DIVISÃO VIVIDA AO LONGO DE UMA VIDA...QUE A IMPEDE DE ACEDER AS SUAS MEMÓRIAS.

Na minha escrita eu procuro apenas trazer à mulher uma consciência de si que ela não tem e que se perdeu nos confins do tempo através dessa saga milenar de luta do homem contra a natureza e a mulher pelo medo de ser submerso pelas forças instintivas da Natureza. Trata-se de resgatar a consciência do seu ser em profundidade, a parte que a sociedade patriarcal de facto conseguiu suprimir ao alienar essa mulher primordial, tornando-a um ser metade de si mesma. Este aspecto que eu foco da divisão da mulher  nada tem a ver com a dualidade na manifestação, nem com a dualidade do ser humano, mas com a cisão da mulher dentro de si mesma. Isso acontece porque a mulher na sociedade ocidental, pela força e influência dos arquétipos ainda em vigor, tendo a Virgem de um lado e a Pecadora do outro, ela própria está dividida em dois estereótipos ou mais que a dilacera e a impedem de ser ela mesma e o pior é que nem ela mesma tem consciência disso e é por essa razão que assistimos a tamanhas discrepâncias na sociedade de hoje em relação ao ser mulher e a própria mulher aceita submissamente toda essa divisão; ELA não compreende o seu conflito, julgando que ela é sempre a senhora, a santa e a boa e a outra é que é a prostituta e a culpada, a má da fita.
 
As mulheres esqueceram que elas eram  aquela que sabe, "a guardiã da alma. Sem ela perdemos a nossa forma. Sem uma linha directa com ela, diz-se que os seres humanos ficam desalmados o que a sua alma está perdida. Ela dá forma à casa da alma e constrói mais com as suas próprias mãos. (...) Ela é a criadora de almas, de lobos, a guardiã do lado selvagem…"*

 Tudo o que pretendo é que a mulher perceba a sua divisão interna que a impede de aceder a essa Mulher que sabe desse poder intrínseco lá no fundo das suas entranhas e que esqueceu a sua voz do utero. É preciso que a mulher acorde  e que tudo faça para integrar essas duas mulheres divididas que consiste em não separar o seu lado maternal do seu lado sensual. A mulher civilizada e a mulher selvagem. Por isso temos de olhar e ver o que está por detrás dessa história, algo muito mais atávico e remoto e que se baseia no medo da Mulher da morte e na incógnita da vida e do mistério da Natureza que o homem não conhece e a qual a mulher está indissociavelmente ligada…

Porque só Ela tem o poder de dar vida… e o homem escolhe o poder da morte...nem todos é certo, mas esta é a História do Homem.

rlp

 
 
*mulheres que correm com lobos - clariça pinkola estees



 

SALVA A MÃE E A MULHER


É PRECISO SALVAR A MATERNIDADE – E A MULHER



“…dada a influência determinante da minha mãe em mim,... sou uma pessoa marcada pelo signo materno. Tenho um apreço muito especial pela maternidade. Só que à mulher não compete apenas uma maternidade de tip
o fisiológico. Cabe-lhe ultrapassar este aspecto na medida em que pode conquistar uma sabedoria de tipo maternal para intervir no mundo e orientá-lo. Um mundo onde só o homem tem a palavra, palavra essa que é a origem de tantos desmandos, guerras, conflitos e soluções precárias de character económico e social.




 Estruturalmente, a mulher é avessa, alérgica à ideia de guerra e de conflito. A sua própria experiência maternal a predispose contra a guerra. Dá vida mas não gosta de contribuir para a sua destruição. É por uma actuação pacífica.

Este é um dos pontos fulcrais. É necessário que a sua emancipação obedeça desde já a uma orientação intelectual no sentido da pacificação do mundo.”








NATÁLIA CORREIA, in “Entrevistas a Natália Correia, Parceria A.M.Pereira, 2004

MATAR A MÃE


"Foi como Mãe que a mulher se tornou ameaçadora; é na maternidade que ela deve ser transfigurada, domesticada." Simone Beauvoir


Eles, o patriarcado e a nova ordem mundial atacam mais uma vez as mulheres e as Mães...
Ferir e matar a identidade da Mulher mãe é destituir a humanidade de Mãe - é MATAR A MÃE…
É DESTINAR A HUMANIDADE À ORFANDADE...A MISÉRIA E À ALIENAÇÃO DAS ORIGENS E MEMÓRIAS CELULARES.
Negar a Mulher como mãe da humanidade do homem e da mulher como entes vivos em prol de seres híbridos e construídos culturalmente por uma agende de género, uma ideologia de morte de identidade humana em nome de minorias sofisticadas que nada tem de natural é um grave atentada a nossa verdade. A androginia nada tem a ver com esses monstros criados pela ciência e muito menos a liberdade do SER VIVO - a Natureza está a ser  esquartejada como já fizeram com os animais e com toda a vida na terra, agora é a vez de esquartejarem e abolirem o ser humano em si, negando a criança e a mãe…


ESTA É A BERRAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO MEDICA BRITÂNICA, MAS ELA ESTÁ A SER IMPLEMENTADA NAS ESCOLAS E  EM TODOS OS PAISES DA EUROPA...

"Em seu mais novo guia de comunicação, a Associação Médica Britânica recomenda que seja utilizada “linguagem inclusiva” no local de trabalho, evitando utilizar o termo “mãe expectante” para se referir a uma grávida e substituindo-o por “pessoa grávida” para respeitar transsexuais. O manual acrescenta: “A ampla maioria das pessoas que ficam grávidas ou deram à luz se identificam como mulheres. Mas devemos incluir transsexuais que podem ter uma gravidez usando o termo ‘pessoas grávidas’ ao invés de ‘mãe expectante'”. O guia também recomenda evitar o uso dos termos “nascido homem” e “nascido mulher” na na medida em que esses termos “são redutivos e simplificam algo complexo”. De acordo com o documento, “a escolha dos termos apropriados é uma importante contribuição para celebrar a diversidade”.


" Bem-vindas ao FIM DO MUNDO!"

Sara Correia: Agora são pessoas grávidas, não mulheres grávidas, para não ferir a perversa e bizarra agenda da igualdade de género. "E homem e mulher são termos "redutivos e simplificam algo complexo". Que mundo doente! Também acho horrível usar-se sistematicamente, como leio por aí, as palavras "progenitora e progenitor". Eu sei que as palavras se aplicam, mas parecem-me desumanizadas, meros procriadores.

Isabella Garnesche: Só por aí se vê a qualidade da justiça. É kafkiano, seguem uma lógica abqusurrealiza qualquer tentativa de vivermos uma vida real, genuína. Não há um pingo de humanidade em tudo isto, pelo que só me resta concluir que esta sociedade foi pensada por uma mente não humana. Para mim, o patriarcado é não humano, totalmente baseado no hemisfério esquerdo. Somos números.

domingo, setembro 13, 2020

EXCERTOS DO LIVRO LILITHE A MULHER PRIMORDIAL


O QUE É SER MULHER?

...Já todas nos apercebemos que o caminho espiritual que se diz ser comum a todo o ser humano e dito normativamente do Homem, não inclui de facto a mulher como um ser individual, nem na sua nomenclatura, mas sempre e ainda como mãe pura e sacrificada ao filho e ao pai ou então a pecadora, extraviada; ela é tradicionalmente oculta (e devia tapar o rosto na igreja cristã)e sem direito ao púlpito ou a oficiar rituais...A ela ficava e fica ainda entregue a limpeza ou os serviços de caridade...mas o espantoso hoje é que as mulheres continuam a seguir esses modelos e pautam-se por eles sem se diferenciarem das suas antepassadas submissas e ignoradas, pelos homens em geral e pelo clero e quando não (as insubmissas) perseguidas ou dizimadas, ou queimadas nas fogueiras como na inquisição...
Acontece porém que aqui e ali começam já a surgir pequenos focos de insurreição feminina e que nada têm a ver com as antigas manifestações das feministas, nem das Femens ou das Marchas das Vadias - que mais não são do que focos de revolta e ignorância desse feminino sagrado e por isso destroem imagens de nossas senhoras e santas - mas sim de uma nova consciência do feminino sagrado, ancestral e original, o da verdadeira essência do feminino, em que a mulher se apercebe de que afinal ela é um individuo completo antes do mais e como tal não tem que ser aglutinada ao homem, nem depender dele para nada e nem precisa de copiar as suas práticas nem a sua linguagem, porque ela não é "igual" ao homem. Aí há quem defenda - ainda e quase sempre os homens - que a espiritualidade não se refere a sexos e que é igual para todos/as mas isso não é de todo verdade e cada vez mais isso se torna evidente para algumas mulheres…
 

A TRAIÇÃO DA MULHER A SI MESMA


A traição da mulher a si mesma reside na sua incapacidade de se ver inteira no verso e no reverso da medalha e desse modo ela não sabe interagir com a sua outra parte, a outra mulher que ela combate fora e sente como rival, mas que afinal coexiste dentro dela e da qual não tem consciência SEQUER. A mulher moderna e que se julga emancipada não chega nunca a integrar a sua Sombra, que inclusive nega, ao eleger o "positivo", seja por pura negação d...e si e do seu lado instintivo, seja em perseguição do modelo do homem, de deus e da LUZ ou de ascender ...
Essa negação de si e do seu ser mais profundo relacionado com a sombra e as profundezas da sua psique, gera grandes conflitos (e doenças) dentro de si e nos seus relacionamentos com as outras mulheres porque projecta os seus conflitos e dramas invariavelmente para o exterior, quando na verdade só o deve ao ter sido alienada da sua própria fonte de saber e culpado sempre muito particularmente a outras mulheres (as mães e as filhas) dos seus "defeitos e incapacidades", dos seus desequilíbrios emocionais, das suas paranoias histerismos culpas e medos…
 

O PROBLEMA DAS MULHERES

O problema das mulheres nunca é seu...ele anda sempre a volta dos homens e da sexualidade, do seu corpo de “desejo” (ou não) e das suas relações, e logo a seguir vem a rivalidade com as outras mulheres e pouca ou nenhuma importância se dão a si mesmas enquanto indivíduos com vida própria, conscientes de si como seres auto-suficientes, que não são...e aqui é que está a grande ferida e este é que é o nó da questão que as mulheres têm cada uma de per se resolver.
 


Enquanto a Mulher não se vir como um Ente com existência própria e sentir que ela vale por si mesma, independentemente de ser filha do pai, amante, mãe ou esposa...escritora ou terapeuta, etc. ELA não vai se realizar nunca. Esse é o ponto fulcral de toda a questão! E lamento muito que as mulheres em geral lhe dêem tão pouca importância e continuem a viver em função da família e das religiões, da profissão, do voluntariado, dedicadas aos cães e aos gatos (e eu adoro animais co...m sabem) e dos outros seres, podem ser extraterrestres ou mestres ascenços e missões do espaço... sem considerar a sua própria existência como máxima importância...por si e para si.
Eu não estou "contra" os homens, de maneira nenhuma, nem das relações sexuais...apenas dou prioridade à mulher em si mesma, como um todo e não mais a mulher dividida entre a sua alma à deriva, um corpo objecto de desejo, submetido à ordem e sujeito ao prazer do “outro” e uma mente subjugada...e as emoções em confusão…


Eu aposto na descoberta da Mulher integral pelo seu SER INTERIOR, e na fusão das duas mulheres em si para e a conquista da Mulher Absoluta!
Nada mais nem nada menos do que isso…

ROSA LEONOR PEDRO


sexta-feira, setembro 11, 2020

A ALIENAÇÃO HUMANA



UMA REALIDADE QUE ESCAMOTEAMOS…
Homens e mulheres são diferentes...

SIM, …" hoje vive-se uma realidade fast-food, tudo é superfície, aparências, funcionalidades rápidas e que satisfaçam as necessidades urgentes.
Este fim-de-semana, um amigo disse-me que frequenta um círculo masculino, ou do dito sagrado masculino, julgo eu. Diz-me que se ajudam e aconselham. E eu pergunto-lhe se é um encontro para aconselhamento! Diz-me que falam das relações que cada um vive, e aconselham-se caso alguém necessite de uma orientação, de um saber como agir, estar. Já não falo de ser, porque isso coloco num patamar mais elevado, que julgo que a conversa não chega aí. Pergunto-lhe se não há temas mais profundos a abordar? Diz-me que sim. Não lhe perguntei quais. Disse-me que nesse dia, quando entrava num espaço com uma amiga, entrou primeiro abrindo-lhe a porta. E que ela se retraíra, fazendo uma expressão que indicava não ser necessário, sabia bem abrir a porta. Ele diz-me que realmente não é necessário, as mulheres são iguais aos homens, isso é uma atitude do velho patriarcado, que vê a mulher como ser frágil. Digo-lhe que as mulheres não são iguais aos homens, e que esse acto eu entendo somente como um gesto de cortesia. Nada mais. Enfim, mas hoje discute-se e foca-se sobre estes simples gestos como sendo reflexo da igualdade ou não entre géneros. Que superficialidade e engano!

E a superficialidade tende ao equívoco, ao erro, a uma imagem pequena sobre nós mesmos e à forma como compreendemos o mundo, as relações, o outro. Não me espanta o que descreve sobre essas histórias e temas no sagrado feminino, com o homem feminino e consciente elevado a príncipe encantado da Nova Era.

Tenho a mulher como mais inteligente e sagaz que o homem, mas quando se trata de relações românticos, as mulheres perdem o seu discernimento, acreditam no que querem acreditar não naquilo que a realidade lhes diz.

Falar de forma profunda e íntegra sobre o sagrado feminino é exigir um conhecimento que a maioria das mulheres que organizam esses encontros não tem e que a maioria do seu público não exige, porque as mulheres querem soluções para a vida prática: arranjar um homem, sentirem-se realizadas nessa relação, terem uma família feliz.... Mas isto é vivência mundana, quotidiana... compreensivelmente desejada, mas que não contém em si mesmo, por natureza e em potência, uma força que nos move para dentro, que nos coloque em comunhão com a nossa essência, que nos eleve a uma consciência integrada e sábia.

Eu tenho os homens em péssima conta. Mas há homens decentes. Por diversas vezes, já disse o que acho das relações hoje em dia - conveniências, necessidades, comodidades, conformismos. Mas o que é verdade é que todos aspiram a ter alguém, preferindo mesmo uma relação medíocre a estarem sozinhos. Numa relação medíocre (a esmagadora maioria) esse desejo espelha-nos. Espelha a inconsciência, o desamor, a fragilidade, a insegurança, o medo...

Hoje vive-se sempre em função de alguma coisa, de algum objectivo, sempre externo a nós. Porque isso a que reflecte, mensura, o nível de felicidade. Pura ilusão! As pessoas só entendem e admitem a felicidade na medida em que a vêem manifesta. Mesmo sabendo, num processo intelectual, que a felicidade (enfim, para designar contentamento) é um estado de Ser.

E portanto hoje o sagrado feminino, apresentado como outro serviço, tem que responder a necessidades práticas, apresentando o seu conteúdo numa forma atractiva, esperançosa e bela... com uma visão quase celestial de felicidade. Tudo um vazio supérfluo, enganoso, em que as pessoas se deixam ir na enxurrada, porque também está na moda. E hoje não se pode falar da sombra que cada um tem, não!... Porque todos são só luz e amor. Pois sim!"

Sara Correia

quinta-feira, setembro 10, 2020

PORQUE NÃO SE AMA A MULHER?

  A TERRIVEL SUPERFICIALIDADE DAS MULHERES AFASTA-AS DA SUA ESSÊNCIA DE VIDENTES…
 
Ser "vidente", fazer-se "vidente" de todas as maneiras, para chegar a ser conhecedor de si mesmo, da "alma universal". Na alma reside o mistério. E vale a pena pagar todos os preços, mesmo o do crime, mesmo o da loucura, para se chegar a ele. Desvendar o mistério é chegar ao "desconhecido", e poder contemplá-lo e exprimi-lo é a suprema realização. O além ("là-bas") é o verdadeiro domínio do poeta, e a formalização dos conteúdos desse além a sua verdadeira missão." (...)
 
Y.K:Centeno
 
 
Porque fogem as mulheres do Seu SER?
 
Tudo o que seja trabalhos de nível dito espiritual, religiosos, patriarcal, xamânico, tântrico, cultural ou artístico, tudo o que sejam as expressões lúdicas do seu ser em expansão, dentro do Sistema ou armadilhado por ele, elas aderem com uma certa facilidade…mas quando se trata de aprofundarem uma consciência do seu próprio ser, o lado oculto e da parte essencial de si mesmas, a parte mais difícil e controversa que é a mulher dividida ao longo de séculos em estereótipos, essa parte elas não ousam enfrentar, e assim recuam e mantêm-se apenas na superfície de um entendimento qualquer, fútil ou sofisticado, sobre a Deusa ou sobre as deusas na mulher.
 
Há porém um conhecimento de si que precisa de um maior aprofundamento e que significa ir muito para além de se frequentarem cursos de sacerdotisas, da Wicca, rituais, workshops, ou irem a um Festival da Deusa, ou mesmo conhecerem os seus poderes e dons, serem médiuns ou curadoras. E esse trabalho que é fundamental como é o enfrentarem o seu abismo pessoal, a sua psique, para irem ao mais fundo do seu Labirinto, olharem-se no espelho e verem-se do outro lado, o verso e o reverso de si…e então amarem-se como são…aceitarem-se como são pois só a partir daí começar  o trabalho de escavação psíquica… isso elas regra geral não fazem e por isso se voltam para o Mito do herói ou do guerreiro, do salvador...
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Mas aí elas regridem e temem e hesitam, e recuam … e partem em busca do homem curado...e do par ideal, vão curar as feridas do masculino sem curar as suas, e voltam ao par e ao mito romântico, embora com novas faces...associando-se assim  ao que chamam o masculino sagrado, focando-se no par e de novo se prontificam a sacrificar ao sexo e ao amor a dois… para preencher o grande vazio da sua existência fragmentada.
É impossível chegar a esse fundo de nós mesmas sem ir ao fundo da nossa Psique, resgatar o outro lado de nós...o lado oculto e o denigrido,  o lado apagado e  rejeitado da Mulher seja pela religião seja pela história e a cultura dos homens!
 
"A aprendizagem da realidade sem rosto é dolorosa, assusta (porque destrói o ego) mas é uma aprendizagem que se faz" - Jung
 
Sem dúvida que se trata do mais difícil em nós é muito doloroso: no caso da mulher particularmente ela é um ser demasiado ferido e precisa essencialmente curar-se a si própria antes de querer curar ou ajudar quem quer que seja…e enquanto a mulher exercer o seu Dom - e este é o ponto da minha questão a questão para mim crucial neste tempo de transição de paradigma - que a mulher integre as duas mulheres em si cindidas pelo patriarcado…porque fazer trabalhos os mais incríveis e variados que sejam, sem integrar as duas mulheres cindidas pela religião, que as separe e divide em estereótipos, ela não pode integrar mais nada de forma saudável, porque o medo e o antagonismo entre a “outra” mulher sombra que a ameaça…não permitirá criar essa irmandade sonhada e tão desejada. Há sempre um dia em que a mulher se torna inimiga da outra mulher…mesmo que não o ouse dizer ou mesmo ter disso consciência, ela vai sempre odiar a mulher que, quando menos esperar, a espelhe na sua sombra a mais dolorosa…e quanto mais fugir dela mais ela a perseguirá, mais a fará sofrer e as suas irmãs…
 
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ESCRITO EM 2012 (revisto)
 rlp

quarta-feira, setembro 09, 2020

O NOVO MITO ROMÂNTICO




“As mulheres que não assumem a sua raiva não são seguras, não oferecem segurança a ninguém.” Katinka Soetens

Para mim quando se fala da Mulher e do Feminino Sagrado trata-se de trabalhar a Essência feminina e o feminino em si, o feminino sombra e oculto por décadas e décadas e deixar vir a tona os nossos complexos e medos e dores e frustrações de mulheres reprimidas e exploradas pelo patriarcado. Um longo caminho a percorrer e que ainda não foi feito E isso nada tem a ver com o masculino em si ou o nosso masculino, já de si muito desenvolvido na mulher. Não esqueçamos que a grande maioria das mulheres usa apenas um ego masculino, uma ideologia masculina, quando não mesmo um corpo objecto masculino...a fingir de fêmea, vestindo-se de acordo com os ditames da moda e que os travestis adoram.
Continuo a escrever para mulheres sós que queiram fazer o seu caminho e não para mulheres que sonham com o par ideal e que fabricam esse homem agora à imagem da mulher que os homens fabricaram há séculos!
Na verdade, ao fim de tantos anos de luta, de trabalho árduo, apostada na mulher e focada numa consciência efectiva da mulher real... sinto-me profundamente cansada e desiludida com as mulheres ao ver como  quase todas as mulheres do dito "sagrado feminino" se converteram ao passado ou estão a converter e a colocar a tónica no sagrado masculino e precisamente as mulheres que se intitulam "DESPERTAS" E CONSCIENTES E SACERDOTISAS DA DEUSA...o que fazem agora ...é contar histórias maravilhosas sobre uma Deusa no altar e uma mulher ideal, cheia de novos predicados e qualidades cristãs - uma mulher sensual mas dócil, cheia de dons, curadora ou xamã -  que é posta na montra dos sites e dos meios virtuais para se venderem ao homem ideal que elas propagam e que nunca deixaram de sonhar. E  enquanto isso vão  fabricando novos homens segundo o novo modelo new age …ah fortes belos e femininos… com músculos e cabelos longos…

Sim elas estão todas agora a conceber, a parir um homem ideal...Não o filho ideal mas um homem sonhado e não há uma única mulher que agora não defenda o convertido herói macho e violento em  guerreiro bondoso, em um homem compreensivo e rendido à mulher deusa… (e que só mata ou caça aos domingos para exercitar os músculos) ...ou então idolatram o xamã, o amante da mulher sábia e deusa e a sacerdotisa, mas mais não  fazem do que  o elogio de um  homem especial e desperto, resgatado pela deusa, mas a sua imagem  e isso é agora permanente nos seus discursos e vídeos assim como se difunde uma imagem da própria mulher INVENTADA que nada tem a ver com a mulher real dos nossos dias também...com essa mulher paradoxal, com essa mulher emotiva ou explosiva e contida que todas somos e que sofremos a anulação do nosso ser e que vivemos um dia a dia cheio de contradições e de erros e isso nos dá raiva porque essa mentira de sermos idealizadas nos custou muito caro durante séculos e por isso esta repetição do mesmo padrão (modificado é certo) cansa-me e entristece-me, deixa-me agoniada.

E eu penso como é que caímos todas de novo no conto do vigário e andamos todas a sonhar com esse novo Príncipe Nova Era cheio de luz e muito feminino... o homem "curado" muito pacifico e amante etc. Tudo isto me agonia...já não são só os romances de cordel para costureiras e cabeleireiras e empregadinhas de shopping nem os sado-masoquistas cinza, mas uma espécie de criação de um oásis paradisíaco de um feminino transcendente e belo onde voltamos todas a ser muito felizes e maravilhosas "donas de casa" e do lar - neste caso donas de uma cabana a beira do Lago e numa casa na Floresta com uma cerca cheia de flores radiantes - e mães excelentes e companheiras muito amadas e respeitadas pelos ditos homens acordados e despertos para a Deusa e para as suas mulheres maravilhosas que lhes abrem a alma e os abraçam com enlevo e as levam para um novo Paraíso na terra…
Nada de Evas nem de Lilths, nada de raiva, mas apenas doces e belas mulheres… fadas de serviço, "prostitutas sagradas"???

Sim, estou cansada e sinto-me impotente para poder alertar para este logro em que quase todas as mulheres caíram - com excepção de muito poucas - pois todas embalaram na imagem idolatrada da Deusa e de uma mulher maravilhosa sabotando o seu caminho solitário - incapazes de prosseguir sós em busca de si mesmas e de uma verdade que as salve dessa dependência secular ao sexo e aos filhos … Não, agora somos todas maravilhosas mulheres submissas e sacerdotisas cheias de luz, puras e belas...de olhos em alvo e nada de sombras ou de defeitos ou fraquezas e cobardias...somos as novas amantes cheias de qualidades divinas com homens divinos aos nossos pés... enfim, ascendidas?
Todas a passar-se para a 5ª DIMENSÃO?

Só me apetecia dizer uma grande asneira, soltar uns palavrões fortes, mas como sou uma senhora de idade fico no meu "azedume" e falta de fé... Seja eu a Velha Bruxa amarga e azeda que come criancinhas! Mas prefiro ser a Bruxa má da historia do que uma destas mulheres que se traíram não só a si mesmas como as causas que defendiam e abortaram um propósito sem chegar ao seu destino... tudo pelo "amor" de um homem... para não dizer outra coisa!

(Eu gosto dos homens sim, homens naturais e viris (não machões complexados e egoicos) e saudáveis que não se encostam às mulheres, mas lutam por si e por elas dentro do Sistema para o mudar e para serem dignos da sua masculinidade e não estes anjos sem asas e só músculos. Seja como for, o casal e o amor não tem nada a ver com a identidade do homem e da mulher em si. É preciso pois que cada um dos seres, homem ou mulher  seja livres e se assuma inteir@ e não uma metade de ninguém…para que enfim possamos viver livres a nossa humanidade em equanimidade e não depender de um falso amor e de um mero instinto reprodutor de acasalamento obrigatório.

rosa leonor pedro