sábado, setembro 18, 2021

MULHERES QUE LEEM LILITH



Há um ano atrás fui à Feira do Livro assistir ao lançamento de "Lilith - A Mulher primordial", escrito pela querida Rosa Leonor Pedro , o qual contou com a excelente participação da minha querida Joana Saahirah !

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A Joana, depois, ainda organizou um fantástico webinar com.a Rosa sobre o tema do livro!
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Intelectualmente posso não ter concordado com tudo o que li, mas comprendi muito do que se passava na minha vida, nos relacionamentos com homens e mulheres, e senti um grande alívio por saber que não estava maluca!
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Mas só na meditação desta manhã integrei, no sentir da experiência da minha própria vida, esta divisão ancestral entre a santa virgem Maria e a prostituta, que os homens fizeram da mulher!
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Só hoje me percebi mesmo como mulher inteira e completa que sou e vi que, nos relacionamentos amorosos que tive na vida, sempre fui dividida pelo homem e isso desfez a minha auto-estima!
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Foi por isso que voltei da Holanda com o rabinho entre as pernas, porque o meu ex-futuro marido preferia a pornografia que via no telemóvel e a prostituição legal, a fazer amor comigo que era uma mulher com mais libido que ele!
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Sou só uma gota no oceano no meio de tantas mulheres divididas que se sentem ameaçadas umas pelas outras, como eu me sentia, a achar que há algo errado consigo próprias!
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Ontem vi um vídeo de uma mulher dividida, defensora do patriarcado, que apelava à modéstia das mulheres na forma de vestir porque o corpo era para mostrar ao marido! Estava tão cega quanto as que precisam de se afirmar pelo sexo e mostrar demais!
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Vim ao mundo à frente do meu tempo, completamente desajustada, mas agora vivo em paz com isso! Que essa consciência sirva para acordar outras mulheres e me conectar com as pioneiras antes de mim como a Rosa e a Joana!
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Leiam o livro!
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Yolanda Rebelo
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3 MULHERES E UM SECULO...


 
MULHERES INDEJÁVEIS 


"As vezes, chegava a pensar que ser mulher implicava ter uma espécie de mascara que se punha no rosto logo a nascença para que nunca tivessem de se revelar inteiramente aos outros. Uma máscara que lhes permitia passar pela vida camufladas."

Olga Tukarczuk Premio Nobel de 2018
in CASA DE DIA CASA DE NOITE


Maria Lacerda de Mour
 
ESCRITORA BRASILEIRA

[…] "Levará ainda tantos séculos a perceber que as religiões organizadas, política e economicamente, não são senão instrumentos de exploração dos ignorantes, dos desfibrados, dos ambiciosos, dos moluscos, dos que carecem de espinha dorsal… Ninguém cresce na sua individualidade através da consciência ou, talvez, da inconsciência de outrém. Não é demais repetir que a atual organização social baseia-se na ignorância de uns, no servilismo da maioria, na astúcia de outros, no comodismo de muitos, na exploração dos espertos, na felicidade dos “proxenetas” e “souteneur “, desse cafetismo, desse regime de concorrência, em que se compra e vende tudo, inclusive o Amor e a Consciência – as mais altas manifestações do que é nobre e belo e grande, do que tumultua na vibração interior da nossa vida profunda."

 "SOU INDEJÁVEL"

…] É a razão por que não posso aceitar nem o feminismo de votos e muito menos o feminismo de caridades. E enquanto isso a mulher se esquece de reivindicar o direito de ser dona de seu próprio corpo, o direito da posse de si mesma. Sou “indesejável”, estou com os individualistas livres, os que sonham mais alto, uma sociedade onde haja pão para todas as bocas, onde se aproveitem todas as energias humanas, onde se possa cantar um hino à alegria de viver na expansão de todas as forças interiores, num sentido mais alto – para uma limitação cada vez mais ampla da sociedade sobre o indivíduo. Que representa uma “creche”, um hospital ou o direito de voto ante a vastidão dos nossos sonhos de redenção humana pela própria humanidade? É subir mais alto o coração e o cérebro, ver horizontes mais dilatados -além do sectarismo religioso ou da superstição social governamental. Isso é feminismo? Dêem o nome que quiserem, pouco importa: o que esse feminismo (não me agrada a expressão tão estreita para ideal tão amplo) reivindica é o “Direito Humano”, o Direito Individual, acima de qualquer outro direito, além dos direitos limitados ao parlamentarismo, além dos direitos de classe.”
 

Maria Lacerda de Moura
Nascimento em 16 de Maio de 1887 Minas Gerais
Falecimento em Março de 1945 (57 anos) Rio de Janei
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NATÁLIA CORREIA - UMA MULHER VISIONÁRIA

"Os neoliberais vão tentar destruir os sistemas sociais existentes, sobretudo os dirigidos aos idosos. Só me espanta que perante esta realidade ainda haja pessoas a pôr gente neste desgraçado mundo e votos neste reaccionário centrão".

"Há a cultura, a fé, o amor, a solidariedade. Que será, porém, de Portugal quando deixar de ter dirigentes que acreditem nestes valores?"

"As primeiras décadas do próximo milénio serão terríveis. Miséria, fome, corrupção, desemprego, violência, abater-se-ão aqui por muito tempo. A Comunidade Europeia vai ser um logro. O Serviço Nacional de Saúde, a maior conquista do 25 de Abril, e Estado Social e a independência nacional sofrerão gravíssimas rupturas. Abandonados, os idosos vão definhar, morrer, por falta de assistência e de comida. Espoliada, a classe média declinará, só haverá muito ricos e muito pobres. A indiferença que se observa ante, por exemplo, o desmoronar das cidades e o incêndio das florestas é uma antecipação disso, de outras derrocadas a vir".

Natália Correia

Nascido(a): 13/09/1923 · Ponta Delgada, Portugal
Falecido(a): 16/03/1993 · Lisboa, Portugal


segunda-feira, setembro 13, 2021

A CURTO E A LONGO PRAZO...



OS MORTOS VIVOS...

Não é só o neo liberalismo que nos impede de pensar...também os neo-espirituais.. RLP

"Todos os dias desaparecem espécies animais e vegetais, idiomas, ofícios. Os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Cada dia há uma minoria que sabe mais e uma minoria que sabe menos. A ignorância expande-se de forma aterradora. Temos um gravíssimo problema na redistribuição da riqueza. A exploração chegou a requintes diabólicos. As multinacionais dominam o mundo. Não sei se são as sombras ou as imagens que nos ocultam a realidade. Podemos discutir sobre o tema infinitamente, o certo é que perdemos capacidade crítica para analisar o que se passa no mundo. Daí que pareça que estamos encerrados na caverna de Platão. Abandonamos a nossa responsabilidade de pensar, de actuar. Convertemo-nos em seres inertes sem a capacidade de indignação, de inconformismo e de protesto que nos caracterizou durante muitos anos. Estamos a chegar ao fim de uma civilização e não gosto da que se anuncia. O neo-liberalismo, em minha opinião, é um novo totalitarismo disfarçado de democracia, da qual não mantém mais que as aparências." - JOSÉ SARAMAGO


"Requiem pela Europa.

NÃO EXISTE, nunca existiu NENHUMA UNIÃO, tal como nunca existiu nenhuma “EUROPA” que não fosse um mero conceito geográfico.
Apenas existem colonos e colonizados dentro de um espaço que se pretendia de manipulação “globalizada”, e que hoje sofre da expansão da sua enfermidade.
Quando Passos Coelho disse aos portugueses que teríamos que empobrecer, estava absolutamente certo.
E estava absolutamente certo dentro do contexto de um país falido, economicamente primitivo, encravado à força num sistema monetário inadequado, em grande parte responsável por bárbaras e devastadoras políticas de governação associadas a uma liberalização criminosa do sistema bancário.
Um cocktail demoníaco que apenas encontrava match na corrupta Grécia.
Assim, e contrariamente ao exemplo da Polónia, Portugal amarrado ao Euro e cativo de uma dívida pública estratosférica, grande parte dela na posse de Bancos falidos, pouco mais podia fazer do que abraçar a guilhotina do imperialismo global do neoliberalismo.
O que equivale a dizer que teria que ocupar o seu lugar, segundo a "diferenciação social" imposta aos países não "capitalistas", os quais (tal qual acontecia na expansão colonialista do sec. XIX) servem de manancial de recursos e/ou mão de obra barata.
E era a isto que Passos Coelho se referia. O que nem sequer faz dele um visionário.
De facto, antes um conformado seguidor da normalização em curso.
Vejamos:
A dependência económica de uns países perante outros, existente desde há muito, estava, até recentemente, escondida pela dependência política colonial clássica e tradicional, que postula o seguinte:
Uma nação “NOMINALMENTE INDEPENDENTE” está DEPENDENTE economicamente quando as suas empresas mais importantes são controladas por um país estrangeiro.
Ou seja:
OFICIALMENTE, o o seu governo toma as decisões no interesse nacional.
PRATICAMENTE, contudo, se são grupos estrangeiros quem controla as maiores concentrações de poder económico, terão certamente uma influência poderosa nas decisões do governo.
A ISTO chama-se GLOBALIZAÇÃO ECONÓMICA.
A globalização económica está a realçar uma linha de fractura profunda entre Grupos que têm competências e mobilidade para progredirem em mercados globais e aqueles que as não possuem.
Vive-se uma época onde são evidentes a expansão e a prosperidade mas, ao mesmo tempo, também a pobreza, a destruição ecológica e a degenerescência cultural que caracterizam a vida quotidiana da maior parte da humanidade, pois o fosso entre países ricos e países pobres aumentou.
O neoliberalismo ( forma de ditadura encapotada no liberalismo clássico) veio agravar ainda mais este problema.
Donde,
O colonialismo e o imperialismo não se desvaneceram com a quebra dos laços políticos entre colonizados e colonizadores.
Longe disso!
As nações continuam presas na rede da dependência económica e financeira que constitui o núcleo central daqueles dois conceitos e que dificulta seriamente o seu desenvolvimento, não se antevendo uma saída para esta ordem internacional no médio prazo que não passe por um rompimento brusco e tempestuoso dessa rede de dependência.
Algo que PARE com o colonialismo chinês, o qual representa o gradiente MAIS PERFEITO do neoliberalismo totalitário, ao combinar poder financeiro estatal com a expansão comercial de Mercado.
E, TAL, é coisa que a “Europa” não está preparada para fazer. Nem pode! Pois que a sua monstruosa faceta colonizadora abriu uma ferida profunda nos países sujeitos à “Austeridade” pela qual entrou e se fixou o vírus amarelo, o qual ameaça progredir na razão directa da fraqueza compungente da “liderança” europeia e do desespero ganancioso dos regimes socialistas dos seus governos."
- Maria Manuela


ANJO OU DEMÓNIO

 



O COMETA

 Sem mais nem menos, ocorreu-me uma poderosa ideia bizarra: a de que somos seres humanos por esquecimento e desatenção e que, em verdade, a única e verdadeira realidade é sermos criaturas apanhadas numa grande batalha cósmica que talvez dure há séculos e que não se se sabe se ou quando acabará. Tudo o que vemos não passa de reflexos dessa realidade que se assoma no sangrento nascer da Lua, nos incêndios e nos vendavais, na queda das folhas congeladas de Outubro, no voo de pânico da borboleta, na pulsação irregular do tempo que prolonga as noites infinitamente e se detém abruptamente ao meio-dia. Eu sou, portanto, um anjo ou um demónio enviado para a confusão de uma vida com uma missão que se cumpre a si própria ou que eu de todo esqueci. Este esquecimento faz parte de uma guerra, é a arma do outro lado, que me atingiu e me feriu, deixando-.me a sangrar e temporariamente fora de jogo. Por conseguinte, não sei quão poderosa ou fraca eu sou, não me conheço a mim mesma, porque não me recordo de nada e, por isso, também não ouso encontrar em mim essa fraqueza ou esse poder. É um sentimento extraordinário – saber que algures no fundo somos alguém completamente diferente que sempre imagináramos. Mas tal não traz inquietação e, sim, alivio, porquanto aquela fadiga, que estava presente a cada momento da vida, cessa.

Passado pouco tempo, aquele sentimento poderoso apagou-se, levou sumiço perante imagens concretas: a porta aberta do vestíbulo, as cadelas adormecidas, os operários que vieram de madrugada e ergueram um muro de pedra.

 

In CASA DE DIA CASA DE NOITE

OLGA TOKARCZUK - PREMIO NOBEL DA LITERATURA

UMA NOTA BREVE...

 


A ARROGÂNCIA SOCIAL E INTELECTUAL DOS ESTRANGEIRADOS...

 Há muitos anos que observo a arrogância complacente dos estrangeirados em Portugal em relação aos portugueses genuínos, falo do que ca vivem, a quem tratam com desdém disfarçado. Por estrangeirados tomo os filhos e netos de estrangeiros que ficaram a viver em Portugal por décadas  e que são nomes sonantes por serem estrangeiros, que nos atiram a cara como uma espécie de cartão de identidade vip e vivem num pedestal a olhar de cima os     autóctones. É ver os empregados e gente simples a trata-los com todas as mesuras e salamaleques. Sim, ainda. Onde quer que eles estejam. Eles estão dispersos  em cidades e tem funções e actividades diversificadas, mas são mais notados no campo intelectual quando ligados a arte ao jornalismo ou aos livros editoras etc. . O seu nome de família serve-lhes de passaporte de influências dado o provincianismo português e a velha submissão ao estrangeiro, nomeadamente, ingleses franceses ou alemães, que se associam as elites locais e nacionais, digo aos ricos em geral, e são sempre tratados como superiores. E sentem-se nesse direito por mais imbecis ou cretinos que sejam. E o nosso escol literário e artístico dá-lhes toda a influência… e importância enquanto desprezam o português verdadeiro, digo o genuino.

É de reparar que alguns nomes sonantes da nossa praça -  não os digo, mas há muitos e muitos titulos - e que apareceram com sucesso nos jornais e televisões, eram filhos ora de mãe inglesa ou de pai alemão ou netos de estrangeiros influentes… e isso perdura nos nossos dias. Valem-se sempre das suas origens estrangeiras e o papalvo do português seja ele qual for – mesmo doutor-engenheiro – continuam a bajular esses estrangeirados (alguns já portuguesíssimos) tal como os nossos políticos servem o estrangeiro,  e já serviam os mais privilegiados, banqueiros e poderosos …enquanto  o povinho, mesmo os mais letrados ou cultos,  ficam sempre como boi a olhar para o palácio, como se todos esses estrangeirados que nos tratam com a tal complacência e até bonomia – ai estes portugueses coitados – mas que se servem de nós e vivem a nossa conta e da nossa saloiice há séculos,  acabam rindo devido a esse deslumbramento aos estrangeiros de que F. Pessoa falava, e em negação de si mesmos e das suas raízes e origens. Muitos aproveitam-se a armam-se em “doutores” também e riem-se desse nosso complexo, e de tudo fazer para inglês ver…  quando se estivessem na sua terra… lá em França na Bélgica, em Inglaterra  ou na Alemanha NÃO ERAM NINGUÉM.

Tudo isto devido a nossa insignificância cultural e provincianismo  secular. Só o que é estrangeiro é que é bom e tudo o que é português não presta a anão ser que o estrangeiro lhe dê o aval... acontece com os intelectuais, filosofos, escritores e actores e cantores ou até futebolistas... como se nós portugueses por nós mesmo não tivéssemos existência!

rlp

DIZ FERNANDO PESSOA: "Para o provincianismo há só uma terapêutica: é o saber que ele existe. O provincianismo vive da inconsciência; de nos supormos civilizados quando o não somos, de nos supormos civilizados precisamente pelas qualidades por que o não somos. O princípio da cura está na consciência da doença, o da verdade no conhecimento do erro. Quando um doido sabe que está doido, já não está doido. Estamos perto de acordar, disse Novalis, quando sonhamos que sonhamos."


Fernando Pessoa, in 'Portugal entre Passado e Futuro'

domingo, setembro 12, 2021

Reinventando o Amor"

Mona Chollet: "O modelo atual de amor hétero só funciona quando as mulheres fecham a boca"
Artigo reservado para assinantes. Após o sucesso de seu ensaio feminista "Bruxas", a jornalista continua sua introspecção, desta vez sobre relacionamentos heterossexuais, em "Reinventando o Amor". Evocando modelos educacionais de gênero, flerte ou violência doméstica, ela pede uma mudança na relação de dominação dentro do casal.



Mona Chollet, Paris, 24 de agosto. (Rachael Woodson/Libertação)por Cécile Daumas e Johanna Luyssen
publicado em 9 de setembro de 2021 às 20:35

Pode-se ser feminista e amar a masculinidade selvagem de Harrison Ford em Indiana Jones? Eles foram moldados por comédias românticas e analisam hoje o "peso do patriarcado nas relações heterossexuais"? Ser um grande amante na tradição romântica e absolutista do romance sentimental (Bovary, Belle du Seigneur...) e nos perguntar por que nossos modelos amorosos ainda dependem da inferioridade das mulheres? Em seus livros, a jornalista e ensaísta Mona Chollet sempre começa de sua própria, com suas próprias perguntas e sua consciência a baixas temperaturas das desigualdades de gênero. Esse método de dúvida permanente explica, em parte, o considerável sucesso da Sorcières,seu ensaio feminista lançado na esteira de #MeToo, em 2018. Vendido mais de 250.000 exemplares até hoje, este livro geracional tornou-se o vade-mecum da mobilização #Metoo, a entrada no feminismo para muitas meninas e meninos. Neste livro, ela analisou, à luz mítica das bruxas, o "poder invicto das mulheres", em particular através das figuras de mulheres sem filhos ou idosos.

O corpo de referência ainda é o do homem. As mulheres são o "corpo secundário", o "corpo problemático".


Entrevista

Mona Chollet: "É difícil não ver a caça às bruxas como um fenômeno de intenso ódio misógino"Desde o Renascimento, dezenas de milhares de mulheres foram massacradas. Historiadores há muito negligenciaram esse verdadeiro feminicídio. Em seu último livro, Mona Chollet agora detecta vestígios desse ódio irracional.



Execução de bruxas na Inglaterra (gravura; coloração posterior) pela escola de inglês do século XVII, coleção privada de Stapleton. (Foto Bridgeman Imagens) por Catherine Calvet e Anaïs Moran
publicado em 23 de setembro de 2018 às 17:06

O termo "bruxas" ainda é usado hoje para caricaturar mulheres de poder, mulheres envelhecidas ou simplesmente mulheres livres. Em seu último ensaio, Witches. O poder invicto das mulheres (Zonas - La Découverte), Mona Chollet, jornalista do Le Monde diplomatique e autora da excelente Beleza e Lar Fatal, se pergunta o que resta hoje das grandes caças às bruxas, ou seja, o massacre de dezenas de milhares de mulheres na Europa entre os séculosXVI eXVII. Em particular, ela encontra o traço dessa misoginia, odiada feminilidade desses períodos sombrios do passado, no olhar de hoje focado em mulheres solteiras e sem filhos, sobre os idosos. Muito incisiva em seus tweets e em seu blog "La Méridienne", Mona Chollet fala sobre seu assunto com calma e contenção. E finalmente convence: a bruxa é uma figura mais fascinante e estimulante do que repulsiva.
Em seu livro, você mostra as grandes caças às bruxas de uma forma diferente: elas não datam da Idade Média, mas da época do Renascimento...

É incrível descobrir que esses eventos ocorreram durante um período que coincide com a construção de nossa "sociedade iluminada" da qual estamos muito orgulhosos. Essas perseguições e assassinatos não se encaixam no quadro que forjamos para nós mesmos, neste tipo de narrativa que estamos acostumados a contar a nós mesmos, de uma progressão da escuridão da Idade Média em direção ao Iluminismo.

A história das bruxas levou muito tempo para ser "de gênero"...

Por muito tempo, a natureza misógina da caça às bruxas não tem sido um assunto digno de interesse dos historiadores. Quando alguns deles começaram a se interessar por esses eventos através do prisma do gênero, foi com um olhar condescendente para as vítimas. Eles têm alimentado preconceitos muito desfavoráveis contra essas mulheres, considerando-as "loucas" ou "antipáticas"... O historiador americano Erik Midelfort recomenda em seu trabalho estudar por que esse grupo de mulheres"se colocou"naquela época "em uma situação de bode expiatório".


Seu colega francês Guy Bechtel faz, em seu livro A Bruxa e o Ocidente, todo um desenvolvimento sobre a intensidade da misoginia na época imediatamente anterior ao início da caça às bruxas, para, no entanto, acabar afirmando que as caça às bruxas não têm nenhuma relação com a misoginia. A negação realmente vai longe.

Este período de caça às bruxas é uma história que é colocada à distância, porque é difícil, perturbadora. É difícil não ver isso como um fenômeno de ódio misógino particularmente intenso, que resultou em assassinato em massa e tortura. Felizmente, intelectuais, como a filósofa Silvia Federici ou a historiadora americana Anne L. Barstow, deixaram claro que este é um fenômeno misógino.

Qual é o perfil dessas mulheres acusadas de serem "más"?

Mulheres fortes, insolentes e independentes. Viúvas ou sem cônjuges, fugindo de qualquer autoridade masculina, são super-representadas entre as vítimas... Às vezes, um simples comportamento "depravado" era suficiente para ser acusado. A resposta ruim ao marido, falando mal ao vizinho, o espectro de comportamentos que poderia atrair uma acusação era muito amplo. Sem mencionar, é claro, todas as manipulações, como homens que acusaram mulheres de bruxaria para não serem acusadas de estupro.
De acordo com você, mulheres solteiras ou envelhecidas ainda são vítimas dessa desaprovação hoje. Para quê?

Imagens pouco lisonjeiras ainda grudam na pele. As próprias mulheres acabam internalizando-as. Muitos solteiros têm uma imagem degradada de si mesmos. É difícil lutar contra esses estereótipos, ninguém quer ser identificado com uma velha garota gato! Esta dissuasão maçante, mas eficaz baseada em zombaria parece aparentemente inofensiva, mas é realmente bastante desagradável. Uma reprovação do egoísmo e desvio bastante profundo.

Mulheres do poder, como Hillary Clinton ou Margaret Thatcher, são acusadas por algumas de serem as "novas" bruxas.

Sim, eles não são atacados como políticos, mas como mulheres. Mulheres velhas, além disso. Um colunista conservador disse uma vez sobre Hillary Clinton:"Mas quem quer ver uma mulher envelhecer diante de seus olhos dia após dia por quatro anos?" Esta observação é muito reveladora: vimos Barack Obama branquear diante de nossos olhos por oito anos, e todos acharam muito elegante, ele mesmo brincou sobre isso, nunca foi um viés atacá-lo.
Donald Trump está revitalizando esses discursos sobre bruxas?

Ele até ousou falar de uma caça às bruxas para defender homens acusados de assédio sexual, uma terrível reversão de símbolos. As forças conservadoras estão mais uma vez tendo uma grande influência no poder: há ataques aos direitos das mulheres, ao direito ao aborto, e há cada vez mais tentativas de controlar o corpo das mulheres. Este debate tem uma forte ressonância com o tempo da caça às bruxas, uma vez que eles eram curandeiros, mas também abortistas, e o sábado foi considerado a festa da esterilidade. Donald Trump incorpora algo tão arcaico que, do outro lado, para se opor a ele, as mulheres tomam símbolos igualmente arcaicos. Como aqueles ativistas que, aos pés da Trump Tower, fazem um cerimonial neopaano anti-Trump uma vez por mês...

Você também toma como exemplo todas essas mulheres mortas pelo parceiro ou pelo ex...

Antes, era o Estado que punia mulheres que eram muito independentes, mesmo que começasse com uma denúncia. Agora, a violência contra o desejo de liberdade das mulheres é de alguma forma privatizada. Um homem amarrou a ex-mulher em uma linha férrea antes do trem passar. Algumas mulheres são imoladas, queimadas vivas: a pira não está longe. Essas formas de violência contra o desejo de liberdade das mulheres foram de alguma forma privatizadas, são feitas fora do Estado. Felizmente, as reações são cada vez mais numerosas. Assim que há um julgamento, as penas muito leves ou o uso do conceito de "crime passional" despertam indignação. Começa-se a lutar contra a complacência de toda uma sociedade em relação a esses crimes de mulheres. Mas continuamos a ler em relatórios de julgamento erros muito significativos de formulação: falar sobre a vítima dizendo "sua esposa" quando o casal está divorciado há muito tempo, por exemplo. Como se o casamento não pudesse ser desfeito.
Você também descobre estereótipos de bruxas no campo da medicina.

Bruxas eram muitas vezes curandeiras. Eles tinham o conhecimento e a responsabilidade de curar. Mais tarde, as parteiras foram perseguidas pelos médicos. Inventaram novas ferramentas, como fórceps e espéculos: alegaram não precisar mais das parteiras que acusaram de serem "impuras", a acusação de impureza não estar muito longe. Esta é uma grande ironia quando sabemos que os cirurgiões muito tarde lavaram as mãos antes de dar à luz, transmitindo infecções fatais para muitas mulheres. Os mandarins estabeleceram uma medicina quase militar, um medicamento de poder. Nosso sistema ainda separa esses dois aspectos, o do conhecimento e do cuidado: por um lado, há médicos e ciências, e, por outro, enfermeiros que são principalmente enfermeiros. Reconectar a medicina com o cuidado, estabelecer o diagnóstico com o cuidado diário, tornaria nossa medicina mais humana.

Este remédio de duas cabeças também é uma tomada de poder dos corpos das mulheres?

Não só o parto foi super medicalizado, mas as histórias de violência ginecológica e obstétrica estão apenas começando a ser contadas. Eles são o sintoma de um problema real na relação com o paciente. A manifestação de uma medicina dominadora, conquistadora e agressiva, uma medicina profundamente masculina. O corpo de referência ainda é o do homem. As mulheres são o "corpo secundário", o "corpo problemático". Eles também são suspeitos de exagerar, de serem fabuladores, de somatizar, sua palavra é levada menos a sério.
A bruxa também não é a figura daquele que desafia a racionalidade e o progresso, ainda em grande parte encarnado pelos homens?

A própria noção de progresso deve ser questionada. As perspectivas ambientais são um sinal de que temos uma relação problemática com o mundo ao nosso redor. Ainda estamos em dominação, domínio absoluto. Se o sistema atual, que é mais do que capitalista – essa dominação e exploração do capitalismo pré-existente da natureza – se esse sistema nos leva direto para a parede, devemos nos perguntar o que é realmente racional. Esta figura da bruxa que agora está de volta em vigor pode nos permitir lançar luz sobre os aspectos problemáticos de nossa história moderna questionando as categorias do racional e do irracional. Focando-nos na história das bruxas, chegamos, finalmente, a um questionamento filosófico muito mais amplo.

uma viagem evolutiva



"Agora eu sei que os seres humanos são criaturas de consciência envolvidas numa viagem evolutiva da consciência, seres desconhecidos de si mesmos, cheios de incríveis recursos que nunca serão por si usados. "

"Tensegridade", de Carlos Castaneda

quinta-feira, setembro 09, 2021

ELES SABEM O QUE FAZEM...



DIA 7 DE SETEMBRO




Hoje foi Lua nova em Virgem.
E considero que temos uma oportunidade de escolha; entre fazer o certo, o conveniente e o pedido vai uma grande diferença.
Vivemos tempos assépticos, usamos a mesma máscara horas a fio, entramos numa loja e olhe não se esqueça do gel. Ah e já agora façam uma lista de tudo o que podemos melhorar, de tudo o que estamos a aprender com isto; oh virgem santíssima ajudai-me, principalmente na paciência.
Estou na sala de espera do aeroporto cadeira sim cadeira não por causa do bicho, mas entro no avião e fico apertada entre 2 desconhecidos. O ar está com pressão positiva. Se passo por uma velhinha na rua, e estou sem mascarilha e passo demasiado perto levo logo um olhar reprovador!
Aí aí aí. Que medo. Ainda levo com a bengala.
Que parvoeira este mundo que vivemos. Vamos todos para o trabalho com o açaime mas na hora do almoço vamos almoçar com os colegas e já está tudo bem. Como é para comer, vá lá, esquece lá isso.
Entretanto tudo aquilo que fizeste bem… também… esquece lá isso.
Vivemos o pior da energia virginiana, aí seus pecadores, estou desconfiada que isto é tudo castigo. Não!?
Cambada de incompetentes. Mandrionas!
Vivam os serviçais. Vivam os lambe-botas. Ajoelhai e orai.
E pelos vossos pecados rezem 10 pais nossos e 10 avés-marias. O patriarcado até relincha!
Estais perdoados.
Tanta pobreza de espírito.
Amai-vos uns aos outros.
Esquecemos!?
O que vale é que isto é tudo a brincar.
Só pode.
Estou a alucinar.
Estou a sonhar.
Tanta lição aprendida.
E o que aprendi eu?
Principalmente que há tanto para desaprender.
Pureza. Elevação. Ainda é possível senhor. Ainda é possível mestres.
Eu acredito.
Perdoai-lhes. Eles sabem o que fazem mas perdoai-lhe na mesma. Porque eu só quero o meu coração leve
Ps. Adoro a virgem de capa vermelha…

Mel star astrologie 

QUANDO TUDO PARECE NORMAL...





para todos os que vivem cheios de certezas (mesmo, e principalmente, as alimentadas - irracionalmente - pelos medos),
enquanto os Nódulos transitam por Gémeos/Sagitário (até ao fim deste ano),
é uma curiosidade, interesse e pergunta que eu tenho:
o que é que (te) aconteceria se, e quando,
por um acaso - é só um "supônhamos" -
por exemplo, por acaso, faz de conta
que tinhas sido enganado por todo um sistema ao qual deste crédito e no qual fizeste fé.
É uma curiosidade que eu tenho:
bad boy, bad boy,
what you gonna do
se por acaso acontecer (e) descobrires
que foste enganado, manipulado, abusado, violado, detido, drogado, enquanto te faziam sentir seres o maior
só para seres cúmplice fascinado e iludido
da maior operação de manipulação levada a cabo no mundo até hoje?
I'm just asking:
o que é que (te) aconteceria se, e quando,
faz de conta - por um acaso, e como numa qualquer teoriazita da conspiração -
descobrisses que foste enganado e a tal ponto
que até és capaz de ter injectado e aos teus filhos
veneno que a ti tirará anos de vida e a eles, se calhar,
a possibilidade de te darem netos, a Ti e ao planeta?
o que é que (te) aconteceria se acordasses de um transe, sonho ou pesadelo,
e de repente descobrisses que tinhas sido enganado pelo teu próprio juízo, por teres confiado em quem não devias?
é só uma pesquisa.
o que é que te aconteceria?
é para escrever uma ficção sobre os anos 2022/24...  uno michaels