terça-feira, fevereiro 18, 2020

HOMENS FEMINISTAS? NÃO...



- Homens podem ser feministas?
- Não, isso é impossível.

No patamar social em que estamos o feminismo ainda é uma luta para acabar com os privilégios masculinos, nem chegamos aos direitos, estamos nos privilégios. E que homem quer abrir mão dos seus privilégios? Nenhum.
Não existe a menor possibilidade de um homem ser feminista, porque nenhum deles vai renunciar a séculos de privilégios. 
- Iara Dupont
PORQUE NÃO ACREDITO EM HOMENS FEMINISTAS...


Não, não acredito em homens feministas e muito menos em MULHERES TRANS... a razão disso é que esses homens por mais que se pintem e vistam de mulheres façam operações e se emasculem NUNCA SERÃO MULHERES. Podem até por um útero artificial ou implantar ovários, mamas e tirar todos os pelos, mas nunca serão mulheres e por isso não tem que fazer parte de grupos de feministas a não ser como uma vertente do machismo, mas biológica e hormonalmente, serão sempre homens e dotados das caracterisiticas do ser macho. Podem mimetizar as mulheres, copiar os seus gestos que tanto os homens ridicularizam e que fazem parte de estereótipos que nunca serão femininos, mas apenas ridículos. Não, não é essa suposta feminização do homem que faz dele uma mulher como a MULHER não é esse boneco de silicone e articulado tipo boneca insuflada que os homens criaram e que eles copiam desde a mais sofisticada imagem de mulher vampe ícone do cinema ou da musica à mais desgraçada e colorida das prostitutas. Nunca um TRANS. copiou ou imitou a mulher vulgar a mulher comum e sem artifícios, mas sim e sempre o modelo do cinema e da pornografia, o modelo eleito pelos machos que fantasiam e se fantasiam de mulheres. É preciso perceber que estes movimentos dirigidos por teóricos da ideologia de género ou das vertentes bi e homossexual que querem a todo o custo ser algo que não são e que se aproveitam de ideias e conceitos e modas sem fundamento cientifico e biológico para subverter os Princípios Masculino e Feminino. Porque não é só o feminino que está em causa, mas também o verdadeiro masculino. Como homem ou mulher homossexual não precisam de se vestir ou ter atitudes formatadas do sexo oposto para engatar ou ter sexo... Esta sociedade mental e alienada do espirito e da alma a única coisa que procura é sexualidade genital e vender o produto sexual seja a que preço for e construir uma sociedade hibrida e sem princípios, uma sociedades falsamente democrática e livre. Por isso estou visceralmente contra todas essas ideias e propagandas e me mantenho na luta por um feminino ontológico e de cariz telúrica e cósmica. Uma mulher é Mulher nasce mulher e morre mulher... Quanto aos homens que defendem e se dizem contra o machismo penso como a autora e assim deixo aqui as suas palavras com as quais estou em completo acordo.

"Muitas vezes vemos homens a tentar combater a "masculinidade tóxica", usando saltos e saia ou maquilhagem. Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer uma questão importante: não existe a " masculinidade tóxica " e a " masculinidade saudável ", a masculinidade é uma construção social que serve para manter o domínio dos homens sobre as mulheres por isso já é tóxica por si mesmo. Os comportamentos decentes e respeitosos não são qualidade da "masculinidade saudável", mas sim da humanidade saudável.

Dito isto, gostaria de salientar que aprecio que alguns homens estejam a tentar encontrar formas de "ajudar" as mulheres, a sério, mas falta o ponto. Usar roupas de mulher não significa combater a masculinidade. A 'Feminilidade' não é um conceito criado pelas e para as mulheres como categoria auto-suficiente, mas é uma ferramenta patriarcal que serve para converter as mulheres em objetos sexuais e domésticos. Não vejo como fetichar e celebrar uma invenção criada para a complacência masculina pode ter um impacto positivo no Estatuto de oprimidas das mulheres. As mulheres em alguns contextos, como o trabalho, não têm realmente outra opção senão usar saltos dolorosos e roupas desconfortáveis e os homens são aplaudidos e pintados como uma espécie de soldados corajosos e progressistas porque se oferecem voluntários para usar roupas desconfortáveis? Não percebo. É tudo tão ofensivo.

Se os homens querem realmente lutar contra a masculinidade, deveriam, para começar, parar de glamourizar esta forma de escravatura feminina.

És um homem e queres usar sapatos dolorosos e roupas desconfortáveis? O que não é bom é fazer uma batalha feminista. A tua roupa não libertará as mulheres da violência masculina. Gostaria de ver os homens a falar contra a pornografia e outras formas de objectificação feminina, em vez de apertar os pés num par de saltos altos e pensar que basta isso para subverter o mundo. Se queremos elevar alguém a herói nacional, vamos fazê-lo com as mulheres que se recusam a cumprir a ideia socialmente construída de mulher, é aí a verdadeira revolução." Female Matters

AS MULHERES TAMBÉM NASCEM MULHERES...



" Nascido de mulher. O que significa para os homens terem nascido de um corpo de mulher " 
(Garzanti, 1996) de Adrienne Rich. Saiu em 1976 nos EUA, oferece uma análise da maternidade numa perspectiva feminista.

" Toda a vida humana no nosso planeta nasce de mulher. A única experiência unificadora, incontestável, partilhada por todos, homens e mulheres, é o período de meses passado a formar-nos no colo de uma mulher. Uma vez que os pequenos do homem necessitam de cuidados muito mais tempo do que os outros mamíferos, e uma vez que a divisão do trabalho desde há muito estabilidade nas sociedades do homem atribui às mulheres a quase total responsabilidade pela criação dos filhos para além de os criar e amamentar, Nós temos as primeiras experiências de amor e de decepção, de poder e ternura, através de uma mulher.

Toda a vida e até na morte, guardamos a impressão digital desta experiência. No entanto, estranhamente, há pouco material que nos ajude a compreendê-la e a utilizá-lo. Sabemos muito mais sobre os mares que navegamos do que da maternidade... há muitos elementos a indicar que a mente masculina sempre foi obcecada pela ideia do dever a vida a uma mulher, o esforço constante do filho para assimilar, compensar ou negar o Feito de ter nascido de mulher.

As mulheres também nascem das mulheres.
Mas sabemos pouco sobre os efeitos culturais deste facto, porque as mulheres não foram as protagonistas e as portadoras da cultura patriarcal... expressões como ' Estéril ' ou ' sem filhos ' foram utilizadas para lhe negar qualquer identidade adicional. O termo "não pai" Não existe em nenhuma categoria social.

O fato físico da maternidade é tão visível e dramático que o homem demorou algum tempo a perceber que ele também tinha uma parte na geração. O significado de "paternidade" continua a ser tangencial, exclusivo. Ser Pai sugere fornecer espermatozóides que fertilizam o ovo. Ser mãe implica uma presença contínua, pelo menos nove meses, e geralmente durante anos. A maternidade chega-se primeiro através de um ritual de passagem de grande intensidade física e psíquica - gravidez e parto - e depois com a aprendizagem dos cuidados necessários à criança, que não se conhecem por instinto. Um homem pode gerar um filho em um momento de paixão ou de violência, e depois repartir; também pode não rever mais a mãe, não se interessar pelo filho. Nestas circunstâncias, a mãe encontra-se confrontada com uma série de escolhas dolorosas, tornadas opressivas pela sociedade: aborto, suicídio, abandono da criança, infantil, criar um filho com a marca de "Ilegítimo", geralmente na pobreza e sempre no Fora da lei. Em algumas culturas, espera-lhe a morte pelas mãos da sua família. Algum que seja a sua escolha, a sua mente nunca mais será a mesma, o seu futuro como mulher está marcado por este evento... quase todas as mulheres, mesmo que como irmãs e tias, amas, professores, mães adoptivas, madrastas , foram mães porque dedicaram seus cuidados às crianças... para a maior parte de nós foi uma mulher que nos deu continuidade e estabilidade - mas também as repulsas e negações - dos nossos primeiros anos, e nossas primeiras Sensações, as nossas primeiras experiências sociais estão associadas às mãos, aos olhos, ao corpo, à voz de uma mulher... neste livro eu tentei distinguir entre os dois significados de maternidade, geralmente sobrepostos: A relação potencial da mulher com As suas capacidades reprodutivas e com os filhos; e o instituto de maternidade que visa garantir que esse potencial - e, consequentemente, as mulheres - permaneça sob controlo masculino ".

sexta-feira, fevereiro 14, 2020

A DIFERENÇA COMO PRINCIPIO EXISTENCIAL


CARLA LONZI: 
A DIFERENÇA COMO PRINCÍPIO EXISTENCIAL

Carla Lonzi é provavelmente a pensadora feminista frente à qual as múltiplas almas do feminismo italiano reconhecem unanimemente uma dívida (ZAMBONI, 2014). Nascida em Florença em 1931, morreu aos 51 anos. A partir dos anos setenta se dedicou integralmente ao feminismo, abandonando uma brilhante carreira como crítica de arte. Junto com Carla Accardi e Elvira Banotti fundou o coletivo “Rivolta Femminile” (Revolta Feminina) e uma editora ligada ao grupo: “Scritti di Rivolta Femminile” (Escritos de Revolta Feminina).  O Manifesto di Rivolta Femminile5 (LONZI, 2010), caracterizado por frases breves e incisivas, expressa a consciência da opressão sexista, conduzida com o auxílio de todo tipo de ideologia – do cristianismo como do marxismo – e por meio de explicações baseadas tanto na natureza quanto na cultura. Ao mesmo tempo, afirma a convicção de que a libertação das mulheres não pode acontecer através da imitação do modelo masculino. “Libertar-se para a mulher não significa aceitar a mesma vida do homem – o que é insuportável – mas expressar o seu próprio sentido da existência”6 (Ibid., p.6; tradução nossa).  Nesse sentido, a diferença feminina não é compreendida como um conjunto de traços que caracterizam a especificidade das mulheres em contraposição ou complementarmente ao homem, mas sim como um princípio existencial, baseado no exercício da liberdade. A diferença envolve as maneiras do ser humano, a peculiaridade de suas experiências e do seu sentido da existência. Essa é a ideia central que fundamenta a perspectiva do feminismo praticado por Rivolta Femminile e que retorna em vários escritos elaborados por Carla Lonzi individualmente ou com a Rivolta Femminile.
(…)
A busca da independência da mulher e a superação do seu vínculo com o mundo masculino estão profundamente ligadas à prática da autoconsciência introduzida na Itália por Rivolta Femminile, a partir da experiência das feministas norte-americanas. Em Significato dell'autocoscienza nei gruppi femministi10 (Ibid.), esclarece-se que a autoconsciência possibilita às mulheres se assumirem como sujeitos e seres humanos completos, para além do mito da realização de si através da união amorosa com seu opressor. Neste sentido “o feminismo começa quando a mulher busca a ressonância de si na autenticidade das outras, porque compreende que a única forma de reencontrar a si mesma, é no interior de sua própria espécie11” (Ibid., p.120; tradução nossa). Essa passagem revela a possibilidade da ação criativa feminista e abre para horizontes desconhecidos.

Particularmente La donna clitoridea e la donna vaginale12 (Ibid.) manifesta uma nova compreensão, fruto da autoconsciência. Nesse texto, Carla Lonzi questiona muitos mitos sobre a sexualidade feminina, criados pela projeção masculina e frequentemente baseados em uma visão binária, que contrapõe a passividade, a receptividade, a monogamia da mulher ao ativismo, à agressividade e à poligamia do homem. Na verdade, esses mitos são sustentáveis somente no interior de um modelo sexual baseado no prazer vaginal, que “não é o mais profundo e completo para a mulher, mas é o prazer oficial da cultura sexual patriarcal”13 (Ibid., p.82; tradução nossa). De fato, a vagina é uma zona moderadamente erógena que se tornou o sexo feminino por excelência só por causa da sua complementaridade ao sexo do homem. Neste sentido, o coito é o “primeiro ato de violência e disparidade hierárquica entre os seres”14 (Ibid., p.100; tradução nossa). Ao contrário, o amor clitoriano é assumido – na relação heterossexual como na homossexual – como expressão de uma sexualidade feminina autêntica e autônoma, desprendida das ilusões emotivas da integração com o outro, não subjugada à autoridade patriarcal e não vinculada à procriação. 

A RADICALIDADE TRANSFORMADORA DA DIFERENÇA. UMA LEITURA SITUADA DE ALGUNS TEXTOS DO FEMINISMO ITALIANO

Mariateresa Muraca e  Rosanna Cima
 

EUTA NÁSIA - A HIPOCRISIA HUMANA



EUTANÁSIA - A PERDA DA ESSÊNCIA...

A falta de uma verdadeira dimensão espiritual ao nível da existência, leva as pessoas aos maiores crimes contra a natureza a contra si mesmas. A falta de consciência do SAGRADO DA VIDA EM SI, a falta de saber e o sentido da vida, a falta de profundidade gera o MEDO DE SOFRER e leva as pessoas neste mundo materialista e consumista, a descartar o que já não presta, nem que seja a si próprios...porque só tem validade se estiverem de acordo com a imagem o ego e a mercadoria que são...Sim, como se a vida humana tivesse um prazo de validade como se fosse uma mercadoria.
Em vez de se humanizar as pessoas, dar amor e condições aos doentes, possibilidades de acompanhamento, induz-se a pessoa inútil a matar-se, é mais económico. Sim os velhos e os doentes são inúteis, não dão lucro... e agora querem-nos despachar para a Morgue...
Temo que as pessoas ignorantes e pobres e na sua grande maioria confusas pela dor tenham discernimento para decidir e escolher a sua morte...se calhar é uma lei só para os ricos, intelectuais e gente culta, artistas e coisas assim... e enfim, até os filhos ficam com as heranças mais rapidamente e despacha-se os velhos...
O facto é que se quer branquear o quanto esta sociedade É DESUMANA e sem amor e como isso gera doenças - não são os diabetes falta de amor? Mas a mais grave que a mentira social é a IGNORÂNCIA HUMANA - como não perceber que as doenças quase todas ou são de origem psicossomática geradas na carência no desamor e no abandono, assim como todo o sofrimento...ou então são o resultado de todos esses venenos e químicos - os famosos vírus - que se bebem e comem na comida alterada e da poluição do ar etc. A ciência é só mais uma industria que mata a longo prazo...agora quer vender a morte a curto prazo!

ESTA É A HIPOCRISIA HUMANA

ENTRE 13 MILHÕES de portugueses 20 pediram para morrer por morte assistida porque não suportam o sofrimento da doença. Enfim e os outros digamos 6 ou 8 milhões de portugueses que vivem na miséria muito abaixo dessa "qualidade de vida" e em profunda carência vão também pedir para morrer porque sofrem de doenças ignorância e de miséria ...
E por este andar vamos então matar as crianças que nascem deficientes porque elas não vão aguentar não ter "qualidade" de vida? Que merda é esta? E está a Assembleia da Republica a debater-se em parangonas hipócritas sobre a morte iminente de 20 pessoas muito doentes que já não podem fazer o que querem, enquanto morrem milhares (quiçá milhões) na China por causa de um vírus. Sim, nada melhor do que matar todos os excedentes, e os velhos e velhas. Eles prejudicam a economia e levam muito dinheiro nas reformas ...
Ó humanoides enxerguem-se na vossa piedadezinha dos doentes que querem ajudar a matar para acabar com o seu sofrimento QUANDO OS PAISES E ESTADOS E GOVERNOS MATAM MILHÕES DE PESSOAS NAS SUAS GUERRAS ECONOMICAS ETC. e vocês não querem saber!!
rlp

rlp

A EUTANÁSIA



EUTANÁSIA - DEPOIS VÃO QUERER MATAR MAIS...


“A experiência dos Estados que legalizaram a eutanásia revela que não é possível restringir essa legalização a situações raras e excecionais; o seu campo de aplicação passa gradualmente da doença terminal à doença crónica e à deficiência, da doença física incurável à doença psíquica dificilmente curável, da eutanásia consentida pela própria vítima à eutanásia consentida por familiares de recém-nascidos, crianças e adultos com deficiência ou em estado de inconsciência.” Pedro Vaz Patto


A FALTA DE CUIDADOS PALIATIVOS E AFECTIVOS...


"Os doentes que solicitam a eutanásia estão frequentemente deprimidos ou sob o efeito de outra doença afetiva tratável, o que dificulta a avaliação e a decisão quanto à sua capacidade de tomada de decisões.
Walter Osswald a este propósito afirma que “na realidade, e na perspetiva da ética personalista, a eutanásia nunca é uma solução, dado que nenhuma pessoa nas suas plenas capacidades cognitivas e emocionais desejaria morrer. Assim, quem pede a eutanásia não quer viver naquela situação específica, pelo que se trataria apenas de um grito de desespero quanto à vida que está a ser vivida” .
Aqui novamente percebemos que é o estado do sofrimento não tratado, que leva a um desespero e a insuportabilidade da situação. Ou seja, questões de ordem psíquica como acolhimento e cuidados afetivos, ajudam a suportar o quadro clínico e a fomentar a esperança no tratamento. Torna-se importante termos consciência de que para além dos cuidados médicos que são necessários e indispensáveis, são necessários também os cuidados afetivos, já que estes alimentam um estado de ânimo fundamental para enfrentar o processo de adoecimento e morte."
A.M.E

A EUTANÁSIA - UM paradoxo existencial

"De tal forma era temida a morte repentina que podemos ler numa ladainha dos Santos daquela época «De uma morte repentina livrai-nos Senhor». Mas, na época atual, a boa morte é aquela que chega de repente, aquela que chega sem avisar. Na verdade vivemos como se a morte não existisse. Quando nos deparamos com esta inevitabilidade, não a suportamos e chegamos ao ponto de a querer antecipar. Cria-se assim um paradoxo existencial. E é nesse contexto que surge o conceito de eutanásia como a morte intencional de um doente, a seu pedido (firme e consistente), através da intervenção direta de um profissional de saúde, pressupondo-se a livre expressão da vontade individual."

in associação medico espirita

quinta-feira, fevereiro 13, 2020

A mulher como sujeito...




A MULHER É UM ENTE EM SI MESMA
E NÃO DEVE DEPENDER DA SUA RELAÇÃO COM O HOMEM...


"A mulher não deve ser definida em relação ao homem. Esta consciência assenta tanto a nossa luta como a nossa liberdade.
O homem não é o modelo para adaptar o processo de autodescoberta da mulher.
A mulher é uma outra comparada com o homem. O homem é um outro comparado com a mulher. A igualdade é uma tentativa ideológica de escravizar mulheres aos mais altos níveis.
Identificar a mulher com o homem significa cancelar a última forma de libertação. Libertar-se para a mulher não significa aceitar a mesma vida do homem – o que é insuportável – mas expressar o seu próprio sentido da existência.
A mulher como sujeito não rejeita o homem como um sujeito, mas o recusa-o como um outro absoluto.
 Recusa-o no seu papel autoritário na sociedade…"

Carla Lonzi declara que a concepção marxista ignora a mulher como oprimida e como portadora de futuro, porque se baseia em um esquema – a dialética do senhor e do escravo – que identifica uma luta interna ao mundo masculino, orientada para a conquista do poder. Esse esquema, de fato, não pode ser aplicado ao conflito entre os sexos por causa da impossibilidade de uma solução que elimine o outro. A recusa da dialética do senhor e do escravo como dispositivo explicativo da opressão sexista e do processo de sua superação traz algumas importantes consequências: – primeiramente, problematiza a assunção de uma postura antagonista por parte da mulher, sendo que as exigências que ela explicita não se desenvolvem em antítese ao mundo masculino, mas se movem para outro plano; – além disso, provoca o abandono do objetivo da tomada do poder. “O colocar-se da mulher não implica sua participação no poder masculino, mas um questionamento do próprio conceito de poder”. A recusa da luta pelo poder introduz um elemento de ruptura na continuidade do pensamento masculino e a possibilidade de superar o impasse no qual o mundo está paralisado.
 
"A cultura masculina opera em sentido colonial, subcultural: decide o que é o feminismo e declara-o como tal, mas cala-se sobre o resto; reconhece como válida apenas cada manifestação ambígua de mulheres em que esteja presente a sua aspiração cultural, e então dá cartas de alforria  às que aceitam ser escritoras, pintoras, artistas, políticas, para com isso mesmo proteger os seus valores que são hierárquicos e as dividem em categoriais.
Tudo o que lhes parece existencialmente sem identidade resultante do exercício de um papel social, apaga-o. E assim apaga as mulheres e a sua consciência do que é autêntico nelas. Se o ponto firme é a consciência da autenticidade, para quê pedir uma outra linguagem a quem fala mesmo dessa consciência? Então, que linguagem você procura?
Entre as mulheres socialmente vale quem vale materialmente e quem vale existencialmente não vale socialmente ". *

Carla Lonzi
in  " Cala-te, na verdade fala. Diário de uma feminista " (escritos de revolta feminina, Milão 1978). 


Via Cultura anti-patriarcale e anti-capitalista
* a tradução do texto não me pareceu muito clara e por isso substitui algumas palavras que não tinham sentido no contexto. rlp

A propósito de Óscares...

Conhece o teste de Bechdel-Wallace?

"O teste consiste em saber se num filme existe pelo menos uma cena em que duas mulheres (que tenham nomes) conversem uma com a outra sobre algo diferente de um homem. O teste de Bechdel-Wallace não é um padrão feminista - ele simplesmente identifica se as mulheres estão presentes, interagindo com outras mulheres e discutindo algo além de homens. Mas é eficaz justamente por causa de quantos filmes não atendem a esses critérios mínimos. Menos da metade dos indicados a Melhor Filme deste ano são aprovados no teste de Bechdel-Wallace. American Hustle (2013), por exemplo, passou no teste porque duas mulheresv conversam sobre... verniz das unhas!..."

domingo, fevereiro 09, 2020

NOS QUEREMOS LIVRES E VIVAS...



POR OUTRAS PALAVRAS...


"As mulheres estão exactamente na mesma situação, com a agravante de sermos a maioria nas universidades há vários anos, e com melhores resultados académicos, mas continuarmos sub-representadas nas estruturas de poder político e financeiro.
Somos também a esmagadora maioria das vítimas de crimes sexuais, de violência doméstica, de homicídio conjugal - feminicídio - e de discriminação sexual.

Perante estas estatísticas, é inegável que as mulheres continuam a ser uma classe oprimida e vitimizada. Mas, por alguma razão, o sexismo continua a ser pacificamente tolerado e socialmente muito melhor aceite que o racismo."  HELEN TENDER


VEJO, PORQUE SOU VELHA

Vem este texto a seguir a propósito de uma observação à actuação de Shakira e Jennifer Lopes e de como o seu magnifico Show todo ele baseado na sua excelente forma física, nada tem a ver com o Empoderar a Mulher, ou dar valor à Mulher. Não se discute o valor de duas mulheres lindíssimas e com corpos esculturais e as suas qualidades musicais. Nada disso. No caso de artistas e de cantoras e a suas performances em palcos, para seduzir o publico, eu até acho normal, mas gostaria de escrever justamente sobre como vejo com constrangimento mulheres jovens, bonitas ou elegantes e as vezes até menos bonitas - independentemente de serem psicólogas, escritoras, medicas ou avogadas -, continuarem a valorizarem-se pelos corpos exibindo-os em  poses sofisticadas, mostrando o corpo como se estivessem em desfiles de moda… ou exibindo-se em exercícios flexíveis em ginásios com fatos aderentes ao corpo salientando partes do corpo mais intimas, provocatoriamente...digo, para que se vejam...
Imaginamos para já o que seria se os homens sérios, jornalistas, advogados, médicos e psicólogos - a não ser que sejam gays - fotografarem-se de shorts ou de tronco nu, a mostrar as pernas musculadas  etc, para se valorizarem...e como cairiam no ridículo. É claro que tudo isto  acontece com a publicidade comercial que faz  apelo ao corpo e ao sexo da mulher que é perfeitamente vitima deste   abuso da sua  imagem para em todo o tipo de publicidade vender cosméticos, roupa e até cerveja.
Até ai já sabemos o que a casa gasta, mas  serem as próprias mulheres, essas mulheres jovens e bonitas mas que tem já supostamente um nível cultural ou intelectual mais elevado - muitas são formadas - é o que mais me espanta pois da mulher comum que se expõe na montra e exibe na rua para agradar aos homens e arranjar namorado… isso a mim já não me admira nada. Não tem outro modo de se valorizar que não seja pelo corpo...e já nem falo das prostitutas claro.
É possível que me achem conservadora ou reacionária por dizer isto, mas como sou mais velha não tenho esse receio de estar a criticar as mulheres jovens que fazem culto do seu corpo... podem até pensar que é porque já nada tenho para exibir e por isso as critico, e isso não acontece no caso das duas vedetas da musica, que se exibem naturalmente num espectaculo, mas a verdade não sendo o caso dessas mulheres famosas, mas o de mulheres supostamente cultas que fazem o mesmo porque dizem que são livres e emancipadas... então eu ai digo que isso não é verdade. Porque ser LIVRE tem pouco a ver com o exibir o corpo e mostrar-se na intimidade como forma de valorização ou de afirmação do SER MULHER. E não é por ser "séria", do lar ou bem comportada… nem por ser vadia ou cabra ou provocadora! É só porque a verdadeira Mulher é outra coisa… acaso essas mulheres sabem o que é ser Mulher?
Não. E não me venham dizer as mulheres que a roupa e a forma como se vestem ou despem em publico  não tem nada a ver com o abuso e a violação… infelizmente tem…não pelo facto em si, até poderia ser um direito da mulher, mas  porque não podemos ignorar nem fingir que o predador não existe e que a sexualidade é uma forma primária de agir do homem e a mulher expondo-se dessa maneira acaba por ser atingida na sua dignidade integridade fisica.
Sim, porque não queremos ver que a sexualidade não evoluiu nem o homem respeita a mulher nessa liberdade? Como podem as mulheres pensar que são iguais aos homens e podem fazer as mesmas coisas sem perceber o quão diferentes são -sexual, psicóloga  e emocionalmente - e como a sociedade patriarcal de domínio do homem sobre a mulher continua a subestimar e a não respeitar a mulher em si como ente, ou como igual, lá porque as feministas apregoaram uma liberdade que nunca existiu e não pensaram nos perigos continuados que as mulheres correm nomeadamente em casa com os maridos?
Então qual é  forma segura de ser livre? É ser consciente dos perigos e dos limites que é viver numa sociedade falocrática e num sistema predatório… porque garantir a integridade física e  ética e preservar a nossa dignidade que é muito mais importante do que a moda as selfies e de que andar ai a provocar o predador…
Sim, sou velha e vejo sem medo as mentiras que andam por ai à solta e são a armadilha em que as mulheres novas caem até ficarem talvez perdidas...

rlp

Shakira E Jennifer López


AS MULHERES CONTINUAM A DAR SHOW AFIRMANDO-SE PELO CORPO...

“Espectáculo latino y feminista”. “La Super Bowl más feminista”. “El poder femenino en la Super Bowl”. A las pocas horas de ver cómo los culos de Shakira y J.Lo lo daban todo en el escenario de la Super Bowl, los diarios de todo el mundo se llenaban de palabras de celebración para un momento histórico, calificándolo como un gran ejemplo de igualdad de género e integración cultural.


Dos cantantes femeninas y latinas habían sido las elegidas para amenizar al público y a los deportistas. Ellas estuvieron a la altura de las expectativas: coreografías perfectas, cuerpos esculturales, voces afinadas, repaso de los greatest hits, puesta en escena. Las dos estrellas brillaron como nunca en el evento deportivo más importante de los Estados Unidos de América. Ahora bien, feminista, feminista… no era.

Lo que hicieron Shakira y J.Lo fue darnos más de lo mismo: cuerpos semidesnudos y seductores que encajan en el canon permitido (sin un gramo de celulitis, ni una arruga, ni una cana)


No hay nada criticable en que dos mujeres, o cuatro, o las que sean, exhiban su cuerpo serrano donde ellas quieran. Pero hemos cogido la mala costumbre de pensar que cualquier cosa realizada por mujeres es feminista, sin analizar si el acto en sí está acercándonos a la igualdad o nos está alejando de ella. Una de los motivos de la desigualdad que existe entre hombres y mujeres, es que a ellas se las valora principalmente por su aspecto físico y su capacidad de seducción mientras que a ellos se les valora por su profesión.

Lo que hicieron Shakira y J.Lo fue darnos más de lo mismo: cuerpos semidesnudos y seductores que encajan en el canon permitido (sin un gramo de celulitis, ni una arruga, ni una cana). Mientras que ellos, los deportistas y protagonistas de la trama, hacían lo suyo compitiendo y ganando trofeos. Ellas en tanga y tacones. Ellos con chándal y zapatillas de deporte. Ellas entreteniendo al personal. Ellos ejecutando el acto principal. Ellas apareciendo en los descansos. Ellos ocupando la mayoría del tiempo y del espacio.

Llamar empoderamiento femenino a menear nuestro cuerpo en una pole dance es apuntar muy bajo y desaprovechar una oportunidad. Eso no quita que a las mujeres que lo practican les haga sentirse mejor con su cuerpo, pero no estamos hablando de lo que hace una persona en su tiempo libre sino de un espectáculo que ven millones de personas en el mundo entero. El poder no tiene que ver con la seducción, sino con la posibilidad de tomar decisiones que tengan un impacto real.
Tanto Shakira como Jennifer López son dos mujeres maravillosas que realizaron un show increíble, pero la igualdad y el poder femenino no se consigue a base de bodies con brilli brilli.

O MISTÉRIO DA MULHER


POUCOS HOMENS SABEM DAS MULHERES...


"Como ousar encarar as mulheres que escrevem, subversivas? Mulheres de intensidade e inteligência? Profundas, abissais. ...Mulheres que escrevem com o ventre nas estrelas, severas ou sorridentes, travessas, sensuais. ...Mulheres que escrevem são um perigo! ...Mulheres que escrevem fazem seu tempo, marcam a história, revelam horizontes, abrem caminhos, revelam-se o caminho. Mulheres que escrevem são senhoras de muitos mistérios! Conhecedoras de noites e bichos recônditos!"
Marcelino Rodriguez


(...)

"É preciso considerar que a essência ou princípio feminino NÃO PODE SER ENTENDIDA ATRAVÉS DE UM ESTUDO INTELECTUAL OU ACADÉMICO. A ESSÊNCIA ÍNTIMA DO PRINCÍPIO FEMININO não se permite tal ataque, o sentido real da feminilidade sempre escapa ao interrogador directo. Essa é a razão pela qual as mulheres são misteriosas para os homens – isto é, para o homem que persiste em tentar compreender intelectualmente a mulher.*

* In OS MISTÉRIOS DA MULHER M. Esther Harding

sexta-feira, fevereiro 07, 2020

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER - Bullying psicossexual,


A DICOTOMIA DA MULHER 

A LUTA INTERNA DAS MULHERES AO LONDO DOS TEMPOS ENTRE SER OU NÃO SER "a santa e a puta" e o seu comportamento com os homens e maridos e depois já no nosso tempo a mulher moderna e livre, forçada pela ideia de ser sexualmente livre e não puritana ou não sensual o que a leva a agir, neste caso, como a prostituta adoptando o estilo de comportamento e roupas ou lingeries das mulheres de alterne...

Essa não é a Mulher esclarecida nem a mulher consciente de si e da sua verdadeira liberdade interior mas apenas como mulher objecto. Como diz a autora do texto "Não há uma via intermédia, aparentemente, e não há um verdadeiro reconhecimento da verdadeira essência da libertação sexual, a que não concorda de forma alguma com este seu comportamento sexual." Isso acontece porque a mulher ainda não se encontrou em si mesma primeiro como um todo, sendo mais do que um sexo e um corpo…e porque esta é a forma como o homem a vê e continua a não respeitar como ente, como individuo integral. Ele só a vê como uma mulher função ou de reprodução ou de prazer e em seu beneficio...



ASSIM "Algumas mulheres esforçar-se-ão por responder a desejos desnecessários que são apresentados como necessidades sexuais fundamentais. Muitas o fazem não para agradar a si mesmas, mas para agradar a outros, e isso porque são fortemente encorajadas nesta direção por uma mentalidade externa que lhes impõe uma escolha rígida entre o ser "sexualmente liberta" e o ser "puritana ". Não há uma via intermédia, aparentemente, e não há um verdadeiro reconhecimento da verdadeira essência da libertação sexual, que não concorda de forma alguma com o seu comportamento sexual.
Muitas mulheres que concordam em que o seu corpo seja usado, fazem-no, portanto, sob o peso de um sentimento de insegurança tão oprimente que as fazem cair perante acusações como és  " Frígida", ou de ter " vistas estreitas " e, Deus nos livre disso,  de ser "moralista", e de todas as etiquetas que são consideradas intoleráveis. Trata-se de bullying psicossexual, e as consequências são duradouras e pesadas.

No seu livro, Jane Fonda descreve como em várias ocasiões foi forçada sexualmente quando era jovem para satisfazer o marido.

"O que ele queria era fotografar-me nua. Eu levo tempo a explicar a mim mesma como não pensei que podia dizer não mesmo que eu não quisesse fazer o que ele me pedia. É uma coisa dolorosa para se  escrever, mas eu faço questão disso porque eu quero que quem me lê, em especial as mulheres, saibam que até uma garota que se julga desperta e inteligente,  tem tão pouca auto-estima e acredita que uma mulher deve "ficar" perante estas situações, ou que vai acabar por se encontrar uma saida. Difícil de explicar. Tive um caso muito curto com ele, e odiei cada momento. Principalmente odiava-me por trair o meu corpo, e sentia-me numa confusão terrível por deixar isto acontecer ".

Rachel Moran