sexta-feira, junho 28, 2019

As mulheres são consumidas como mercadoria.







"As mulheres não são apenas consumidoras na economia de mercado; elas são consumidas como mercadoria. É disso que fala o poema de Oles, e isso é o que Tax chamou de “esquizofrenia feminina”. Tax constrói um monólogo interior para a dona-de-casa-mercadoria: “Não sou nada quando estou sozinha comigo mesma. Em mim mesma, não sou nada. Só sei que existo se sou desejada por alguém que é real, meu marido, e pelos meus filhos”. *

"Quando as feministas descrevem a socialização nos papéis sexuais de mulher, quando elas apontam as características que garotas são ensinadas a ter (dependência emocional, infantilidade, timidez preocupação em ser bonita, docilidade, passividade e assim vai), elas estão falando da fabricação cuidadosa de um produto apesar de não se chamar assim normalmente. Quando elas descrevem a opressão da objetificação sexual, ou de viver em família nuclear, ou de ser uma Supermãe, ou de ser trabalhadora precarizada, subempregos com baixo salário que são ocupados maioritariamente por mulheres, elas também estão descrevendo a mulher enquanto mercadoria. As mulheres são consumidas por homens que as tratam como objetos sexuais; são consumidas por seus filhos (que elas mesmas produziram!) quando eles compram o papel da Supermãe; são consumidas por maridos autoritários que esperam que elas sejam servas submissas; e elas são consumidas por patrões que as mantém instáveis na força de trabalho ativa e que extraem o máximo trabalho pelo menor salário. Elas são consumidas por pesquisadores médicos que experimentam nelas novos e inseguros contraceptivos. São consumidas por homens que compram seus corpos nas ruas. São consumidas pelo Estado e pela Igreja, que esperam que proliferem a próxima geração pela glória de deus e do país; são
consumidas por organizações políticas e sociais que esperam que elas “voluntariem” seu tempo e energia. Elas tem pouca noção de si mesmas porque sua pessoa enquanto identidade foi vendida para os outros."

(Carol Ehrlich, Socialismo, Anarquismo e Feminismo)
1) *[Meredith Tax, “Woman and Her Mind: The Story of Everyday Life”, Boston: Bread and Roses Publication, 1970.]

quinta-feira, junho 27, 2019

A SOCIEDADE FALOCRÁTICA e autocrata


GUIAS E MESTRES ESPIRITUAIS...

Quase todos os "espiritualistas" ou guias espirituais são misóginos ou machistas encapotados. O desdém pelas mulheres e o seu culto dos livros (sagrados) é uma forma de supremacia disfarçada de cultura e poder… Desdém que as próprias mulheres "cultas" (ou cheias de fé cega) que os seguem e admiram partilham ao aceitar essa subserviência, desprezando inclusive as mulheres autónomas e "incultas" - as videntes, as feiticeiras, as curandeiras as parteiras, as bruxas em suma) - as mulheres sós que não precisam de facilitadores nem instrutores para nada… Elas são a sua fonte de saber...
A Mulher só tem de seguir a sua intuição e SABEDORIA INTERIOR. O Homem não tem nada para a acrescentar. Esse é o drama existencial do homem. Ele não pode viver sem a mulher… Contudo, a sociedade falocrática, que inverte isso tudo e para quem o falo é "palavra "também, faz as mulheres pensarem que sem homens elas não valem nada. Este paradigma cultural e religioso tem de ser confrontado na sua base para que a mulher crie uma genealogia feminina ligada ao feminino essencial e ao Principio Feminino primordial e deixe de depender da palavra e culto do Pai e do Homem mestre.
Sim, "ela precisa da reconstrução de uma genealogia feminina, especialmente de uma crítica da relação vertical mãe/ filha, que modele e permita uma abertura para a transcendência dentro da horizontalidade das relações entre mulheres, se não, correm o risco de encararem interesses disformes ou cair em uma competição selvagem, quase animal, que, na ausência de regras, seria inevitavelmente destrutiva” *

No dia em que a Mulher recuperar a sua ligação à mãe e o seu estatuto de MULHER, Mãe e Amante em toda a sua dimensão espiritual e ontológica e a sua perdida dignidade humana, então sim, a Humanidade caminhará para um novo paradigma e uma sociedade mais justa, mais equilibrada, fundamentada nos seus dois pólos ou alicerces: A Mulher e O Homem.


Rosa Leonor Pedro

* Wanda Tomasi

UMA MULHER É SEMPRE UMA MULHER

UM EXCELENTE E esclarecedor texto sobre o lesbianismo, mas a meu ver e cada vez mais penso que a mulher só precisa de Ser Mulher em si... Essa é a sua identidade, a única, o resto é ideologia…
 rlp


Texto original de Andrea Franulic

“Para que a mulher possa se amar sem necessariamente passar pelo desejo do homem, ela precisa da reconstrução de uma genealogia feminina, especialmente de uma crítica da relação vertical mãe/ filha, que modele e permita uma abertura para a transcendência dentro da horizontalidade das relações entre mulheres, se não, correm o risco de encararem interesses disformes ou cair em uma competição selvagem, quase animal, que, na ausência de regras, seria inevitavelmente destrutiva”
- Wanda Tomasi



Não basta ser feminista

Quando me atrevi a me aventurar no lesbianismo, eu o fiz motivada por ideias feministas que destacavam a experiência lésbica com toda sua potencialidade transformadora do mundo. Curar-se da misoginia internalizada, amando outra mulher, era parte do que a consciência feminista prometia. A frase não basta ser lésbica para mudar a ordem das coisas, é preciso somar a isto o feminismo era o que norteava nosso horizonte. No entanto, apesar do feminismo, as experiências de sensualidade e amor com outra mulher nem sempre trazem felicidade, mas também sofrimento. Foi o que aconteceu comigo e penso que com muitas outras mulheres feministas e lésbicas também. Além do que cada uma traz de sua individualidade e fatos biográficos, incluindo carência, insegurança, traumas, etc., e situando-me politicamente, embora saibamos que o pessoal é político, poderia dizer que tampouco basta ser feminista. Me refiro, inclusive, ao feminismo radical. O que eu acredito, e é isso que eu estou interessada em abordar neste texto, é que ao lesbofeminismo falta uma consciência maior da diferença sexual feminina. Uso o conceito de feminilidade, não como um estereótipo codificado pelo patriarcado, mas como o fato irredutível de ter um corpo sexuado mulher e de como esse fato é significativo, isto é, capaz de criar significados culturais, portanto, não é um fato neutro, nem reduzido à biologia.

Para mim, continua sendo fundamental nos descolonizarmos da misoginia, mas a profundidade que esse ato requer está intimamente ligada a mim, e eu não o atribuo às relações lésbicas; à estas, sim, reconheço uma potencialidade política incorporada em nos reconhecermos mulheres (2). No entanto, o lesbianismo foi gradualmente sendo separado da experiência feminina. Em parte, isso ocorre porque, historicamente, apesar de termos quebrado com as codificações de feminilidade patriarcal — e precisamente a isto se deve parte do nosso charme— temos sido localizadas como uma reação ao patriarcado — o que, sem dúvidas, afeta nossas vidas — no masculino, apenas pelo fato de nos expressar, criar, falar, levantar nossas vozes, nos amarmos, não parirmos, e também pela nossa forma de nos vestir ou cortar o cabelo. Toda essa gama de desqualificações, que a sociedade do Homem direciona à mulher lésbica, dá conta deste imaginário infeliz: mulher-macho, sapatão, caminhoneira (embora este termo tenha sido redefinido pelo ativismo lésbico), maria-joão, etc. Estas expressões representam a discriminação e a invisibilidade a que foi submetido o lesbianismo, extremamente marginalizado na cultura, devido ao pensamento inclusivo e dicotômico do patriarcado, para o qual, se você não é feminina, você é masculina; e ambas as construções são informadas por um corpo sexuado homem que, para arrematar, se auto-atribui o caráter de universal.

É também porque a tradição do pensamento patriarcal, a partir de seus três estandartes: filosofia, religião e ciência, teve o cuidado de apagar e negar o sexo feminino. Esta operação, repetida ciclicamente na história, conta com um último arremate do qual sofremos suas consequências — a modernidade, uma vez que é aqui (a partir do século XVII em diante) que se consolida uma forma renovada do androcentrismo de sempre: a ideia de um sujeito universal, que se presume neutro, que se prende ao conhecimento dos que detêm poder, trazendo consigo o viés masculino, em torno do qual se desencadearam as lutas pelos direitos da cidadania e os ideais de igualdade.

Na atualidade, podemos observar, em termos gerais, a aprovação real, além da estética, de mulheres e mulheres lésbicas aos homens, nas diferentes esferas da vida, porque a todos os itens acima, adicionamos o efeito das teorias pós-modernas, que vêm reforçar, agora no século XXI, e de uma maneira um tanto sofisticada, o mesmo androcentrismo instalado pela visão de mundo moderno As teorias pós-modernas, enquanto questionam as próprias ideias de universalidade e igualdade, continuam a negar o sexo como uma categoria significativa; por isso, se prendem igualmente ao fio rígido da tradição, só que agora definindo o sexo, não como um fato empírico à maneira moderna, mas como uma construção discursiva que pode ser desconstruída. Sem ir tão longe, a teórica francesa lésbica Monique Wittig diz que as lésbicas não são mulheres, porque define o sexo como uma construção de dominação patriarcal, projetada sobre a dicotomia homem/ mulher. Nós, lésbicas, ao não entregarmos nossas energias produtivas, emocionais e sexuais aos homens, romperíamos a dita dicotomia e abandonaríamos o lugar de mulheres, ao passo que contribuiríamos para a desconstrução da categoria de mulher nos discursos.

Penso que Wittig, com suas raízes materialistas e pós-modernas, promove com esta abordagem, por um lado, a emancipação e, por outro, a identidade lesbiana. Com a emancipação, ela preserva o espírito moderno e convida mulheres a deixarem de ser mulheres, no sentido de abandonar o papel material e simbólico imposto pelos homens. Estou de acordo com esta última abordagem, mas com nada mais, porque a ideologia emancipadora considera o sexo um obstáculo e, como eu disse, com este ponto de vista, a autora se mantém presa ao fio da tradição do pensamento androcêntrico: o sexo feminino entendido como um corrente de cujo peso é necessário emancipar-se, libertar-se. Em contrapartida, a autora propõe a experiência lésbica que demonstra, em sua viva expressão, que o sexo é uma construção. Lésbicas não são mulheres. Este fio da filosofia androcêntrica, que atravessa o discurso Wittig, me sufoca, e também a ela, porque é a razão que ela não quer ver, aquela que explicaria porque as lésbicas, embora abandonemos aos homens, não abandonamos necessariamente o amor romântico como o ópio das mulheres. Este é o resultado de negar o sexo como fonte de significados.

Propostas como a de Wittig promovem, além disso, a identidade lésbica, e a identidade é o oposto da diferença. A autora abre mão de uma identidade, a das mulheres, para nos meter em outra, a das lésbicas, porque separa as lésbicas das mulheres, assim como o patriarcado e os seus princípios progressistas, que se impõem sobre a nossa experiência comum, como se a temessem, sujeitando-a, por exemplo, à divisão de classes sociais, raças ou idades; e declarando inimigas burguesas com relação às proletárias, a negra com relação à branca, a velha com relação à jovem, e, agora, a lésbicas com relação às mulheres. Para a cultura patriarcal, no entanto, as identidades são funcionais, porque permitem que se submetam as diferenças a um processo de uniformização e, desta forma, que elas sejam administradas por esta própria cultura.

Por exemplo, a feminilidade patriarcal é uma das principais identidades para controlar as mulheres. Neste sentido, Celia Amorós, a teórica da igualdade, argumenta que as mulheres são idênticas, uma vez que podem ser trocadas uma pela outra, à medida que cumprimos as mesmas funções sociais e serviços na cultura masculina; portanto, uma mulher pode ser descartada e substituída por outra. Consequentemente, não se perdoa aquela que escapa do grupo da idênticas (e seguimos escapando), e se destaca na busca de um estilo próprio; a punem, tanto homens quanto mulheres. Outro exemplo, de outro lugar, é o da diversidade neoliberal e inclusiva, que agrupa um conjunto de identidades sexuais, que são empacotadas com o selo LGTBI+.

Consequentemente, se Wittig reconhece a história do lesbianismo, sua genealogia, na materialidade plena de romper com a heterossexualidade instituída, e ao mesmo tempo nega a diferença sexual feminina, ela nos deixa com uma memória truncada.


A diferença


A diferença por outro lado, é o princípio básico da vida que não se tem deixado fluir na civilização atual. E é o ponto de vista de que é importante retornar à existência lésbica. Historicamente, as mulheres têm sido portadoras desse princípio, uma vez que a diferença, originalmente enterrada, é a do sentido livre de ser mulheres. E, quando isso se expressou politicamente em algum momento da história, foi porque as mulheres deixaram as estruturas patriarcais mais ancoradas à heterossexualidade compulsória: o modelo sexual, o casamento, a maternidade, a família. Sinais concretos deste fato foram descobertos pela historiadora Maria Milagros Rivera Garretas, no final da Idade Média e antes. São traços essenciais que sobreviveram à grande queima de registros implicada pelo ginocídio (genocídio, assassinato em massa, de pessoas do sexo feminino) contra as bruxas. Mulheres como as Beguinas, as Místicas, as Bruxas, as Emparedadas, as Viajantes, as Vagabundas, entre outras, fizeram de sua marginalidade um lugar de potência e pensamento livre, inventando novos estilos de vida entre elas e com o restante do mundo, além de formas distintas de espiritualidade. Fundaram ordens religiosas e também fizeram ciência. Deixaram escritos onde retrataram a misoginia do mundo patriarcal e o prazer de estar em relações entre mulheres. Escapar do regime heterossexual era literal, porque as experiências coincidiam com o impulso e a ação de sair física e geograficamente do sistema, e abrigarem-se ou viverem em ilhas, florestas, mosteiros, entre paredes ou na cidade das damas.

Essas e outras mulheres recuperaram sua diferença sexual para si mesmas. Em alguns casos, tiveram que fechar seus corpos ou deformar seus rostos. O fechamento se devia à única maneira de sobrevivência em um patriarcado tremendamente estuprador. Outras mulheres experimentaram a sensualidade lésbica e o amor entre as mulheres, apesar das perseguições e punições. As bruxas são um excelente exemplo de como a consciência da diferença sexual feminina nos permite experimentar outras formas de sexualidade e conhecimento do próprio corpo, com total conhecimento de seus ciclos, prazeres e doenças. Somente a consciência da diferença sexual permite a expressão da diferença existencial das mulheres. Com isto quero dizer que começamos a criar e a descobrir um sentido livre de ser mulher quando, no final, nos atrevemos a ser nós mesmas. Para isso, é necessário abandonar o jogo com o poder, tanto na esfera pessoal como na política. As mulheres que mencionei são capazes, porque se desprenderam das amarras da heterossexualidade compulsória, cada uma delas contextualizada no patriarcado onde eram obrigadas a viver. Então, esse ato de não pertencer ao sistema nem desejá-lo, isto é, de não negociar o próprio pensamento, se transforma em um lugar de potência criativa, em outra ordem simbólica, ou seja, na criação de novos significados que guiam seus passos pelo mundo e suas relações, sempre de acordo com seus desejos.

Para mim, as expoentes do despertar epistemológico da diferença existencial são Virginia Woolf, que experimentou a existência lésbica; e Carla Lonzi, que rompeu seu relacionamento heterossexual com Pietro Consagra. A primeira diz que é melhor se excluída dos museus e das bibliotecas, que servem apenas para encher de pó — uma metáfora do conservadorismo masculino — os livros e arte; também nos convida a observar a civilização em que vivemos, como se fosse um objeto de estudo, e concluirmos que não temos nada a ver com as guerras dos homens com educação formal ou com o fascismo inerente à cultura patriarcal. A segunda, Lonzi, nos incita a tirar proveito de ter sido excluídas, por milênios, da História; e ela nos convida, com veemência, a aproveitar essa diferença!.

Ambas desprezam a ordem simbólica patriarcal e a civilização que emana dela. Este agir político representa o desdém pelo que é estabelecido, pelo que é abandonável. O que não é respeitado nem se tem apego algum é pelo cruel e empobrecedor sentido da vida que se estabelece. Em suma, é sair de uma relação de poder, algo que não foi inventado por nós, embora sim, e isso não pode ser esquecido, às custas de nossas energias. É também uma maneira de dizer que não somos responsáveis ​​pela barbaridade dos homens. A diferença existencial das mulheres, quando expressada, nos leva a não querer repetir uma cultura patriarcal, tanto pessoal quanto politicamente. E por tudo isso, nos molda e promove a conscientização sobre a diferença sexual.


A proposta

Para mim, o lesbianismo está ligado a esta história. Portanto, também está ligado à ordem simbólica feminina, que surge do sentido de ser mulheres livres e redefine as relações entre mulheres, recuperando a força criativa que o patriarcado usurpa e absorve de nós, ao nos intervir com o regime heterossexual. Os significados desse simbólico se materializam em modelos de relações não-instrumentais, equilibrando harmoniosamente a horizontalidade e a verticalidade nos vínculos entre as mulheres. A verticalidade é dada pela relação mãe-filha (3). Os signos da liberdade feminina incluem representações sociais dessa relação, incorporadas na escrita, na pintura e na música, criadas por mulheres lésbicas medievais. Em vez da verticalidade, as pensadoras da diferença usam os conceitos de disparidade ou assimetria (4). Verticalidade, disparidade ou assimetria, a verdade é que constituem a parte mais confusa de experimentar os laços entre mulheres, precisamente porque a relação entre mãe e filha, e vice-versa, é a ferida que sangra na civilização e de cada mulher.

Retornando a minha declaração do início, e diante da pergunta de por que o sofrimento, eu acho que não basta ser lésbica e feminista, a menos que possamos criar e descobrir uma ordem simbólica feminina, onde não só se instale o desejo de viver na horizontalidade, mas também, a disparidade, como dois lados de uma mesma moeda. A horizontalidade deve ser pensada em conjunto com a disparidade. A horizontalidade, mais do que necessária, pensada sem a disparidade, nos faz correr o risco de voltar para o mundo das idênticas, mesmo que seja em uma versão melhorada, onde se rege a ordem simbólica patriarcal. Neste sentido, algumas autoras argumentam que, por vezes, é impossível reparar o vínculo primário com a mãe de cada uma, mas é possível reatualizar sua potência em relação às outras mulheres, reais e históricas. Reatualizar a disparidade com a mãe significa recuperar essa visão da infância, onde a mãe, se ela estava presente, era a portadora do mais feminino, a que dá a vida e a palavra; e a menina (também o menino) dependia dela com absoluta confiança. Se nas relações entre mulheres, quer sejam intelectuais, políticas, sensuais ou amorosas, não cabe esta assimetria como um eixo articulador da relação, um eixo que é móvel, é muito provável que estas relações se transformem em disformes e destrutivas na competição, como afirma Wanda Tomasi, e, provavelmente seja uma competição não-reconhecida.

Se em uma relação amorosa lésbica, por exemplo, suas integrantes odeiam suas respectivas mães, e nem sequer estejam conscientes da importância vital e cultural que isto tem, e, por isso, elas se identifiquem com o sujeito universal (do sexo masculino), é muito provável que a relação incorpore elementos destrutivos, ao projetar em outra mulher esta falta de história e de sentido, gerando, como disse no parágrafo anterior, uma competição disforme, e às vezes, escondida. Portanto, é importante tentar — não se reconciliar com a mãe real como uma condição indispensável — , mas deslocar a figura da disparidade para o reconhecimento mútuo sobre a outra e apegar-se nisso, para que a relação seja espaço de confiança real, onde a vida e a palavra de cada uma se expressem livre e de forma criativa, que se note que existem, pelo menos, duas ali, porque, na ideia de sermos uma só, predomina o domínio.
Como fazer disso um estilo de vida baseado na confiança mútua, que é fundamental para o conforto e a liberdade? Os rastros genealógicos da liberdade das mulheres podem nos dar algumas respostas, porque nos permitem conhecer as práticas de vida das mulheres sábias do passado. Caso contrário, os campos dos significados patriarcais acabam impondo, com a força usual, suas codificações seculares de inveja entre as mulheres. E sem uma ordem simbólica do sexo feminino que se oponha, se quererá aniquilar, apreender ou vampirescamente absorver a diferença da outra, porque a inveja é a distorção patriarcal do intenso desejo por outra mulher, mas um desejo sem memória do mais feminino.


QG Feminista


Feminismo em Revista

Notas

(1) Escrevi este texto para apresentá-lo no II Encontro de Feminismo Radical e Lésbico: “O problema da heterossexualidade”, organizado pelas maravilhosas Feministas radicais e lésbicas de Chillán (29 de setembro de 2018).

(2) A relação entre mulheres, e a lésbica principalmente, é complexa, dada a nossa história patriarcal e também porque os laços entre nós são intensos e apaixonados. Portanto, eu acho que o potencial político do lesbianismo não existe por si só, mas, e isso me interessa levantar, é devido à sua complexidade, que devemos entender e desvendar.

(3) Para aprofundar o relacionamento com a mãe e sua ordem simbólica, reveja as abordagens da filósofa italiana Luisa Muraro.

(4) A questão da disparidade e do mais feminino é trabalhada principalmente pela jurista da diferença, Lia Cigarini.

sábado, junho 22, 2019

O DECLINIO DE MULHERES NO MUNDO



A INVISIBILIDADE E A ANULAÇÃO …


«..."Defender a economia da linguagem à custa das mulheres é algo que só os homens podem fazer. Ou uma mulher que não perceba que o masculino plural não é inócuo, que acaba negando as mulheres", destaca a escritora Gemma Lienas.

"No final do século 20, alguns historiadores explicaram que na Grécia antiga não votavam nem escravos nem estrangeiros, mas esqueceram-se de dizer que as mulheres também não. Não podemos ter certeza de quando o masculino é usado como genérico e quando não. Se não nos tornarmos visíveis, será difícil uma igualdade real." Lienas acredita que a questão é educar-se…»



O INQUIETANTE DECLINIO DE MULHERES NO MUNDO…

Sobretudo na India e na China, onde são abortadas a nascença e mortas ainda bebés, mas também o FEMINICIDIO,  o abuso sexual, a violação - a prostituição, a pornografia, as Mafia de Leste e o tráfico de mulheres - são crescentes  e acontece em todo o mundo nomeadamente na Europa para onde vem ser exploradas em Bares e casas prisões onde são espoliadas de identidade e sem qualquer liberdade. Este é certamente um  retrocesso cultural que atinge as mulheres em todo o Planeta. Algo que os homens, políticos e intelectuais, escritores, continuam a branquear e as mulheres civilizadas também não querem ver...

"Taxas de femicídios e femicídios conjugais em países europeus seleccionados (2016), página 15 do estudo da ONU.

O gráfico revela que a taxa média de femicídios conjugais por cada 100’000 mulheres na Europa é de 0.3. A taxa portuguesa é de 0.6, o dobro da média. Temos o 2º pior número europeu, apenas ultrapassado pela Albânia que, com 0.7, está no topo dos piores da Europa no index de desenvolvimento humano.

O mais grave é que estes dados são até 2017. Sabemos que em 2018 mais mulheres morreram em Portugal, mas nada se compara ao mês mais sangrento para as mulheres de que há registo que foi janeiro de 2019, com 10 mulheres vítimas de femícidio conjugal.
O número do janeiro de 2019 coloca Portugal a competir com os piores países do mundo, bem longe da média europeia. Ficamos no pódio, em 3º lugar nos piores do mundo compilados neste estudo da ONU, com uma taxa de 2.4, depois do Suriname (4.3) e do Belize (2.7)


quinta-feira, junho 20, 2019

O TRAUMA



"A espiritualidade  com fundamento é a espiritualidade informada do trauma. Período. Nestes tempos de escuridão da consciência de trauma, esta é uma afirmação surpreendente. O que é que o trauma tem a ver com a espiritualidade, certo?
Tudo.

O trauma é omnipresente. Mas infelizmente, esta sociedade é de negação. A maioria de nós não faz ideia do quão traumatizados somos, quanto mais do que é preciso para recuperar mesmo só um pouco desde pequenos. Como Cultura, estamos no início de desvendando o mistério do trauma. De novo. Sim, o trauma tem uma história esquecida. Uma história de ter sido compreendida pela sociedade, trazida à luz - só para depois novamente ser enterrada, negada e dissociada de. E esta é a razão fundamental por que ainda estamos a ficar boquiaberta pela burlões. Todos nós estamos desesperados por encontrar alívio, e no entanto, o processo de cura é principalmente um território desconhecido. E há pessoas por aí absolutamente sem nenhum escrúpulo em lucrar com a nossa dor e ignorância. E nós não queremos acreditar nisso. Nós colocamos estes professores e gurus auto-denominados em pedestais, porque nós precisávamos deles, mas agora nós apesar disso estamos a defendê-los. E estamos em negação de tudo isto, porque, como dizem "negar algo é se negar-se a si mesmo". Porque em algum momento  entramos num processo de dissociação -- Não intencionalmente, mas sim porque  esse foi o único caminho que nos foi mostrado. E agora, estamos emocionalmente envolvidos.  Psy 101.

E assim, é matematicamente impossível que o trabalho do Jeff possa entrar em ressonância com   esas pessoas.  Na verdade, os mais inconscientes da sua  dissociação / alienação de seus próprios traumas , e que se atrevem  digo, a dizer auto-vitimados , mais eles serão apanhados pela sua mensagem. É axiomático que quanto mais tivermos integrado todos os nossos traumas exilados  na nossa psique (e este é um processo indescritivelmente difícil, e muito poucos estão envolvidos nele), mais compaixão e compreensão surgem naturalmente em nossos corações perante a dor de outras pessoas; quanto menos sentimos a necessidade de defender esses gurus populares e figuras de autoridade poderosa, menos tememos e mostrar as emoções dolorosas - as nossas próprias e as dos outros, e menos vergonha e aversão sentimos à palavra " vítima ", etc, etc ", etc.

Então, se você se encontrar preso em sentimentos de desaprovação para com as pessoas que parecem ser  Guru bater " e " desabafar " e " vítima-identificada ", pergunte a si mesmo o que está sendo acionado em você. Torne-se grande, sim, pelas próprias emoções das quais você deveria estar  controlando - ao torná-las grandes. Encontre um espaço seguro onde  possa expressar-las, e vamos parar com este jogo passivo-agressivo, eu estou-muito-Equânime-A-Ser-raiva, esta mentira totalmente transparente de "Eu não estou tentando envergonhar ninguém, o que eu não estou tentando  mexer o ninho do hornet mas a cura é uma escolha e por que você está sendo tão revoltado, e desculpa se isso te deixa ainda mais zangado, bem, isso só prova o meu ponto não é e o que não eu não estou a gás-Iluminação você o que Isso mesmo significa que mais um truque do seu vício de trauma de trauma?"

Você até reconhece que você é dependente? Que cena!, a coisa mais auto-amorosa que você poderia fazer quando está preso  é encontrar um lugar seguro para expressar esses sentimentos, porque é a porta para a sua cura! Mas se você está tão investido em manter que você já curou, e pensa que você transcendeu a sua raiva e dor, bem, você bloqueou o seu próprio caminho, e não tem jeito você vai deixar os outros ir para lá também."

~ Por sujata prakash

NOTA:

A tradução era muito má  e tentei dar-lhe nexo, mas deixo aqui o original em inglês apra tirarem duvidas.
rlp
"Grounded spirituality is trauma-informed spirituality. Period. In these dark ages of trauma awareness, this is a startling statement. What does trauma have to do with spirituality, right?
Everything.
Trauma is ubiquitous. But sadly, so is society's denial of it. Most of us have no idea how traumatized we are, let alone what it takes to recover even just a little tiny bit. As a culture, we are at the very beginning of unraveling the mystery of trauma. Again. Yes, trauma has a forgotten history. A history of having been understood by society, brought to light - only to then again be buried, denied and dissociated from. And this is the fundamental reason why we're still being bamboozled by hucksters. We are all desperate for relief, and yet, the healing process is mostly uncharted territory. And there are people out there with absolutely no qualms about profiting from our pain and ignorance. And we don't want to believe that. We've put these self-styled teachers and gurus on pedestals, because we've needed to, and now we find ourselves defending them. And we're in denial of all of this, because, as they say "the thing about denial is that it denies itself". Somewhere along the way, we got on the dissociative path -- not intentionally, but rather because that's the only path we were shown. And now, we're emotionally invested. Psy 101.
And so, it's mathematically impossible that Jeff's work will resonate with everybody. In fact, the more unconsciously dissociated/alienated from their own traumatized, and dare I say, victimized self one is, the more they will be triggered by his message. It is axiomatic that the more we have integrated all our traumatized exiles into our psyche (and this is an unspeakably difficult process, and very few are engaged in it), the more compassion and understanding just naturally arises in our hearts for other people's pain, the less we feel the need to defend popular gurus and powerful authority figures, the less we fear and shun painful emotions - our own and those of others, the less shame and aversion we feel to the word "victim", etc, etc, etc.
So if you find yourself triggered into feelings of disapproval towards people who seem to be "guru bashing" and "venting" and "victim-identified", ask yourself what is being triggered in you. Make it big, Yes, the very emotions you're supposed to be in control of - make them big. Find a safe space where you can express them, and let's stop this passive-aggressive, I'm-too-equanimous-to-be-angry game, this utterly transparent lie of "I'm not trying to shame anyone I'm not trying to stir the hornet's nest but healing is a choice and why are you being so angry, and sorry if that makes you even more angry, well, that just proves my point doesn't it and what no I'm not gas-lighting you what does that even mean is that another trick from your trauma addiction playbook?"
Do you even recognize that you are triggered? Gosh, the most self-loving thing you could do when you are triggered is to find a safe place to express those feelings, because it is THE doorway to your healing! But if you're so invested in maintaining that you've already healed, that you've transcended your anger and pain, well, you've blocked your own path, and no way are you going to let others go there either."
~by Sujata Prakash

A VIOLÊNCIA E O ABUSO





AH O AMOR DOS HOMENS! 
(POBRES MULHERES QUE ACREDITAREM NELES…)

As mulheres todas, alguma vez na vida, mesmo as mais adversas ou atentas ao domínio masculino, ao exercício do seu poder ora feito de sedução ora de destruição, são vitimas de assassínio de carácter e perseguidas - já não são levadas para as fogueiras da Inquisição, mas "assassinadas" em praça publica enquanto pessoas integras sejam elas velhas ou novas…Basta desafiar a "autoridade" dos patriarcas e acólitos, para imediatamente serem apontadas como personas não gratas... Para lá da esfera privada, qualquer mulher que exerça poder ou seja influente, mal se distancia da tutela do Homem ou "falha" é condenada social e politicamente sem apelo nem agravo.
Dizem que sou exagerada...mas importa aqui realçar que a natureza de cada sexo é bem diferente. A guerra de sexos foi subestimada… foi excluída ou branqueada quando se trata de algo inerente ao Homem,  lutar para possuir e dominar… Essa é a cultura que impera no mundo moderno tanto como no antigo. Apenas agora ele é disfarçado de liberdade...mas a mulher é que paga...porque ela é violada e abusada seja em tempo de guerra seja  em tempo de paz…sejam  as mulheres do inimigo sejam e as próprias cidadãs dos seus países.
Os homens - quase todos - e é genético diria, amam destruir as mulheres que não conseguem dominar fisicamente ou intelectualmente ou violar as que lhes dão luta, e perseguem-nas seja pelo caracter independente seja pela força de um amor magnético que eles não conseguem perceber….
As mulheres mesmo inteligentes são arrastadas pela pena dos homens - e eu com toda a distância que tomei deles ao longo da minha vida - pai irmãos ou amantes ou amigos - ainda sou apanhada por esta estranha pena deles, dos homens bons e fiáveis que afinal perante as provas NÃO EXISTEM… e isso é que nos trama. É essa fraqueza das mulheres que eles exploram implacavelmente e usam para as destruir… Pode ser com um tiro uma facada ou com palavras...para além da manipulação psicologica e emocional, há ainda uma nova onda virtual a do bullying e do abuso "espiritual"...

Perante a recusa dos homens se retratarem em vez de se identificarem com o predador neles ou em vez de se tornarem em vitimas, buscassem compreender a mulher no seu sofrimento e estar do seu lado isso poderia mudar a face das cosias e seria no mínimo justo e bastante digno da sua parte. Mas não… eles acabam sempre por defender os homens e são cúmplices da sua barbárie.
Muitos homens indignam-se por eu acusar ou denunciar a barbárie do homem contra a mulher em todo o mundo e recusam-se a aceitar os factos mesmo perante as evidências flagrantes e gritantes que são - todos os dias mulheres são mortas pelos maridos e amantes - acusando por sua vez as mulheres de "odiarem" os homens (tal como fazem com as feministas e já fizeram comigo), mas nunca percebendo o que o seu papel no mundo tem sido de dominador e explorador de mulheres…
Eles podem sofrer como homens, não duvido, mas não cedem a vingança que recai sempre sobre a mulher e acabam sempre por se identificarem com os homens no pior dos sentidos …
Acusam-me de não confiar e não acreditar em homens fiáveis no entanto eles perdem-se, os que se dizem solidários com as mulheres, pela identificação masculina...
Como se pode falar da violência doméstica e da violência e abuso e violação das mulheres no mundo sem acusar os homens que o fazem, mesmo sabendo que essa violência é parte e culpa do Sistema que assim os educa mas também sem esquecer que a sexualidade do homem comum é predatória…

Querem que fale como sobre essa calamidade sem acusar o homem?

Como bem diz uma amiga e com a qual concordo inteiramente, "Não me parece que a dor e raiva (milenar) acumulada dos subjugados e dominados consiga sempre sair sobre uma forma simpática e agradável. Isso seria camuflar uma ferida e tentar racionaliza-la. Mas a emoção é como a água, encontra sempre uma forma de seguir o seu curso. Essencialmente, (porque há muitos outros dominios) tanto os homens, como a raça branca, usufruiram de um domínio social, mundial, esse domínio mais tarde ou mais cedo tem as suas consequências, mais tarde ou mais cedo vem o grito da revolta. E se calhar gostaríamos que ele não existisse porque incomoda, porque na nossa vida privada, não nos sentimos responsáveis por ele. Mas nesta grande "sopa" humana, quer queiramos quer não, acabamos por ser representantes do nosso sexo e da nossa raça. Milénios de injustiça criam grandes desequilíbrios. Os dominadores vão ter que sair da sua postura arrogante e permitir que o processo de equilíbrio se faça. E esse processo para ser genuíno e profundo não é agradável e bonitinho.  (…) . As mulheres estão cansadas de serem as cuidadoras do Mundo até porque nem foram apreciadas ou respeitadas nesse seu papel, apenas usadas. Agora chegou a vez do Homem por se um pouco de lado (tarefa muito difícil) e permitir que o reequilíbrio se faça." maria krupensky

rlp

quarta-feira, junho 19, 2019

EM FRANCÊS...

La théorie du genre est-elle le produit d'une société totalitaire ?

Elle est le produit d'une société dont l'objectif est de mener une guerre totale à la nature afin de faire de telle sorte que tout, absolument tout, devienne artefact, produit, objet, chose, artifice, ustensile, autrement dit : valeur marchande. C'est, à l'horizon centenaire, la possibilité d'un capitalisme intégral dans laquelle tout se produira, donc tout s'achètera et tout se vendra. La théorie du genre est l'une des premières pierres de ce pénitencier planétaire. Elle prépare le transhumain qui est l'objectif final du capitalisme - autrement dit : non pas la suppression du capital, comme le croient les néo-marxistes, mais son affirmation totale, définitive, irréversible.
« La théorie du genre est le produit d'une société dont l'objectif est de mener une guerre totale à la nature afin de faire de telle sorte que tout, absolument tout, devienne artefact, produit, objet, chose, artifice, ustensile, autrement dit : valeur marchande. »
En ouvrant la PMA aux couples de femmes, la filiation biologique serait remplacée par une "filiation d'intention". Selon vous, cela participerait-il à l'instauration d'une société totalitaire, comme c'est le cas dans 1984 ?

C'est à intégrer dans ce processus de dénaturation et d'artificialisation du réel. On nie la nature, on la détruit, on la méprise, on la salit, on la ravage, on l'exploite, on la pollue, puis on la remplace par du culturel. Par exemple, avec les corps : plus d'hormones, plus de glandes endocrines, plus de testostérone, mais des perturbateurs endocriniens tout de même ! Allez comprendre... Ou bien encore des injections hormonales pour ceux qui veulent changer de sexe. Cette haine de la nature, cette guerre de destruction déclarée à la nature, est propédeutique au projet transhumaniste.


Commentaire : Est-ce que le but serait de changer la fréquence vibratoire de l'humanité ? Et pourquoi ?

Par ailleurs, je n'ai jamais été génétiquement père mais, par le fait d'un mariage avec la femme qui est l'œil vif sous lequel j'écris désormais suivi par l'adoption de ses deux grands-enfants, je suis devenu père et grand-père de l'enfant de celle qui est devenue ma grande fille : je ne suis donc pas contre une « filiation d'intention », puisque j'en incarne et porte le projet, mais le tout dans une logique où l'on ne prive pas l'enfant des repères auxquels il a droit. J'ai assez bataillé contre la métapsychologie de la psychanalyse freudienne pour pouvoir dire que je me retrouve dans le combat de certains psychanalystes qui s'opposent à cette disparition du père soit dans la promotion d'un double père soit dans celle d'une double mère.
« Je ne suis pas contre une « filiation d'intention », puisque j'en incarne et porte le projet, mais le tout dans une logique où l'on ne prive pas l'enfant des repères auxquels il a droit. »
L'incendie de Notre-Dame a été un électrochoc pour beaucoup. Mais il a aussi été l'occasion de redécouvrir un héritage architectural et spirituel. Etait-ce un pied de nez à la société « nihiliste » que vous dénoncez ?

Je me suis opposé à la lecture de tel ou tel qui recyclait les vieilles bêtises de la pensée magique - punition divine, signe envoyé par Dieu, avertissement envoyé aux mauvais croyants... J'ai même entendu que la main de Dieu avait écarté du feu la fameuse couronne d'épines du Christ sans que je puisse comprendre comment cette même main avait pu en même temps laisser faire le court-circuit ou l'allumette coupable !

En revanche, j'ai raconté dans Décadence que l'aventure de la Sagrada Familia de Barcelone faisait sens : décidée et commencée au XIX° siècle, poursuivie mais incapable d'être terminée au XX° siècle, bénie tout de même par un pape qui a abdiqué au XXI° siècle, puis théâtre d'un attentat islamiste heureusement déjoué, elle était un concentré de l'histoire du christianisme décadent lui aussi.

Par la fenêtre de mon bureau, je vois l'abbaye aux Hommes construite par Guillaume le Conquérant il y a mille ans : en une trentaine d'années, il a construit deux abbayes dans cette seule ville - et ce sans parler du château et des autres édifices laïcs... C'est dire si la vitesse du Paraclet n'est plus la même ! Mais l'incendie de Notre-Dame entre dans une autre perspective : dans l'attente des conclusions de l'enquête diligentée, il s'agit d'un accident dans lequel Dieu n'a pas plus de pouvoir que l'Esprit du Temps.

*Théorie de la dictature, Michel Onfray, Robert Laffont.

sábado, junho 15, 2019

EU BRUXA ME CONFESSO...


NÃO ACREDITO NO DEBATE DE IDEIAS

Escrevo porque escrevo. É um imperativo de dentro. Mas não obedeço a nenhum padrão de pensamento representativo ou filosofia. Não "penso logo existo", nem penso como os homens -penso por mim própria e ninguém tem o direito de qualificar o que penso ou digo. Ninguém é obrigado a ler-me. Não busco afirmar-me nem ter sucesso no mundo nem angariar leitores admiradores nem seguidoras ... apenas faço este exercicio de dizer com o DISCERNIMENTO do meu coração, a partir de dentro, como Mulher, o que é bem diferente do homem…O meu pensamento não é escolástico nem dialético. NÃO ACREDITO NO DEBATE DE IDEIAS.
Não me importa nada que me tomem por ignorante ou estupida, "histérica", radical ou feminista - só eu sei quem sou - apenas não admito que desvirtuem o que sinto e o que digo alterando o sentido do que escrevo. Que fique assente. Não busco confrontar ninguém. Não tenho inimigos porque os não reconheço nem tenho amigos que me defendam. Apenas pessoas que sentem o que eu digo.
Para todos os efeitos e definitivamente prefiro antes ser a Bruxa e a Megera, a Medusa ou mesmo a "empata fadas" das histórias de encantar e dos mitos românticos tanto como das teorias de género e das filosofias new age, mesmo que me QUEIMAM os novos Inquisidores da Praça mediática...
Não! Não sou consensual nem busco dividendos. Amo a minha humanidade porque não conheço outra e vivo nesta Dimensão e respeito TODOS OS SERES HUMANOS enquanto humanos, e os animais e as plantas e as árvores e a Terra abençoada pela Deusa, mas não branqueio as injustiças nem as desigualdades neste plano.
Se NÃO APRECIAM O QUE ESCREVO PORTANTO, SAIAM DA FRENTE SE FAZ FAVOR… eu não vos vou incomodar na vossa casa nem vos bato a porta. E se enfiam a carapuça isso nada tem a ver comigo mas com o vosso alter ego.

(escrito a propósito de algum assédio moralista no facebook)


NOTA À MARGEM:

Digo e afirmo que nenhum homem tomará partido da Mulher Absoluta e tudo farão para impedir a sua Consciência autónoma de se expressar. Sim "existe o medo da mulher absoluta. O homem fica completamente assustado com essa sede de absoluto, de infinito, com a incondicionalidade da mulher"* e reage de forma agressiva para não perder o pódio e o controlo do seu domínio secular.
Não me deixo intimidar nem lisonjear pelos que me acusam e agridem nem pelos que me elogiam. Não temo calunias nem ataques pessoais venham de onde vier. Sejam eles em nome do amor ou do ódio. Estou profundamente ancorada no Amor da Mãe...e sei pela paz e serenidade que sinto, pelo meu coração compassivo, que NUNCA atingi ninguém por maldade nem com a intenção de denigrir alguém. NINGUÉM. Já disse e afirmei que amo a ESSÊNCIA do ser humano enquanto homem ou mulher e que nesta EXISTÊNCIA terrena porém temos muito para trabalhar até podemos ser o par alquímico e reunir as duas faces - o Rei e a Rainha - há muito ocultas e invertidas do feminino e do masculino, assim como de todas as polaridades.
rlp


"A feminilidade é uma dor colectiva de profundidade indescritível, e quando tentamos expressá-la, estamos sujeitas a ouvir: “Lá estão vocês outra vez a reclamar!”
Enquanto isto acontecer, nada menos que toda a humanidade estará impedida de prosseguir na sua jornada até ao destino cósmico.”**

**Marianne Williamson, O Valor da Mulher

(*in ERÓTICA & EROTISMO Jaqueline Kelen)

OS HOMENS




AH, OS BONS HOMENS...

Os homens bons dizem (poucos, os que se julgam pacíficos) que não amam a guerra, mas acabam quase todos por querer destruir, rebaixar ou humilhar qualquer mulher que se não submeta assim com adoram virá-las umas contra as outras; eles adoram vê-las digladiar-se e puxarem-se os cabelos (metaforicamente) umas as outras por sua causa...não é só nos filmes e nas telenovelas… é por todo o lado, mesmo nos circuitos supostamente intelectuais ou ditos "evoluídos" e "espirituais".
Sim, os homens dividiram as mulheres entre si (as santas e as putas) para reinarem e são especialistas nisso...são séculos de discórdia e de lutas mesquinhas contra a mulher sempre sua escrava (esposa concubina prostituta ou amante) e as mulheres suas acólitas fiéis ADORAM espezinhar as outras mulheres inferiorizadas pela voz do líder em obediência cega aos seus deuses.
A patine cultural da New Age dá a sensação de que tudo mudou e somos todo UM e luz...pois é... nada como cegos a conduzir cegos por egos inflacionados.
Como diz uma leitora só mais um caso entre os muitos de mestres e instrutores new age, de mulheres que caiem nas malhas e nas redes de pretensos Mestres e iluminados...

"Eu caí nas redes da gnosis de Samael Aun Weor, e eles nos prometeram uma iluminação rápida através do tantra sagrado, e a desintegração do ego ... Eu fui enganada por vários anos, e no final acabei arruinada em todos os aspectos, e com muitas seqüências que ainda estou superando. A verdade é que a escola de Samael é uma armadilha para mulheres que lhes vendem uma cura rápida, quando na verdade, seus parceiros as vampirizam e acreditam que são seus líderes. É uma pena que a nova era se tornou tão perigosa." 

rlp


EU NÃO ESTOU À VENDA


A PROSTITUIÇÃO É TAMBÉM UMA FORMA DE PORNOGRAFIA


"Você pode explicar por que é tão contrária à pornografia?

Acho estranho que precise de uma explicação. Os homens fizeram uma indústria de fotos, em movimento e estáticas, que retratam a tortura das mulheres. Eu sou mulher. Eu não gosto de ver a adoração virtual do sadismo contra as mulheres porque eu sou uma mulher e aquela sou eu. Isso aconteceu comigo. Isso vai acontecer comigo.

Eu tenho que lutar contra uma indústria que incentiva os homens a agirem de acordo com suas agressões às mulheres – suas “fantasias”, já que essas aspirações são tão eufemisticamente nomeadas.

E eu odeio que em todos os lugares para onde me volto, as pessoas parecem aceitar sem questionar essa falsa noção de liberdade. Liberdade para fazer o que a quem? Liberdade para me torturar? Isso não é liberdade para mim.

Odeio a romantização da brutalidade em relação às mulheres onde quer que eu a encontre, não apenas em pornografia, mas em filmes artísticos, em livros de artes, por sexólogos e filósofos. Não importa onde esteja.

Eu simplesmente me recuso a fingir que isso não tem nada a ver comigo. E isso leva a um reconhecimento terrível: se a pornografia faz parte da liberdade masculina, então essa liberdade não é conciliável com a minha liberdade.

Se sua liberdade é torturar, então nesses termos minha liberdade é para ser torturada. Isso é insano.

Andrea Dworkin

terça-feira, junho 11, 2019

UM POUCO MAIS ACIMA





O QUE É A INTEGRIDADE DE UM SER?



A integridade Ela existe em nós, podemos dizer que no centro do nosso coração, não o sentimental, não o coração orgânico, mas o coração da inteligência superior - é a integridade daquilo que é de si intacto e que nada pode sujar, alterar ou tocar. É também a nossa alma e aquilo que a anima e que está acima de tudo o que nos divide e fragmenta...Não é a personalidade que pode ser pura nem o indivíduo (aquilo que é dividido em dois), é a parte do nosso ser que nada toca ou conspurca. Temos de encontrar essa parte de nós para além do que se identifica com o mal e o bem ou do observador (o que está a ver, mas sabe recuar sem julgar) ou da testemunha que assiste isenta aos nossos actos impulsivos ou instintivos animais...sem poder fazer nada...
Temos de nos identificar com o nosso Ka, ou o nosso duplo, o nosso ser espiritual (segundo os egípcios) que nos assiste nesta vida dual em busca dessa união integridade em busca desse centro. Como seres neste plano estamos divididos em partes e órgãos e em impulsos e obedecemos a necessidades primárias e ao ego que é o substituto temporal do nosso verdadeiro EU, incorruptível e imutável...ele desce a este plano para fazer a viagem na matéria e a resgatar a sua verdadeira identidade...tal como a Mulher tem de resgatar a sua identidade Mulher porque Ela é o elo fundamental para os homens na terra conseguirem o seu propósito mais alto… e encontrarem o seu masculino verdadeiro.
Procura ser fiel a esse sentimento e ele te guiará ao seu centro, porque é fogo e queima todas as impurezas e duvidas, queima todas as ofensas e mágoas que neste plano obscurecem a alma e impedem de se se ser LUCIDO e verdadeiramente Humano…


rosa Leonor pedro

LEMBRAR QUEM SOMOS



“O PACTO SEM CONHECIMENTO”

(...)
" Embora possamos ter respostas diferentes em dias diferentes, há uma resposta que é constante na vida de todas as mulheres. Embora detestemos admitir o facto, na esmagadora maioria das vezes o pacto mais infeliz das nossas vidas é o que fazemos quando nos privamos da nossa vida de conhecimento profundo em troca de uma vida que é muito mais frágil; quando renunciamos aos nossos dentes, nossas garras, nossos sentidos, nosso faro; quando entregamos nossa natureza selvagem em troca da promessa de algo que parece rico mas que se revela vazio. 
(...)
A iniciação da mulher começa com o pacto infeliz que ela fez há muito quando ainda estava entorpecida. Ao escolher aquilo que a atraiu como sendo riqueza, ela cedeu, em troca seu domínio sobre algumas partes, e muitas vezes sobre todas as partes, da sua vida instintiva, criativa e cheia de paixão. Esse entorpecimento psíquico feminino é um estado próximo do sonambulismo. Durante sua vigência, andamos, conversamos e estamos dormindo. Amamos e trabalhamos, mas as nossas escolhas revelam a verdade acerca da nossa condição. Os aspectos voluptuosos, curiosos, incendiários e bons da nossa natureza não estão em pleno funcionamento"..
(...)


“MULHERES CORRENDO COM OS LOBOS” de Clarissa Pinkola Estés