O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

quarta-feira, maio 06, 2015

AS MULHERES NAS PASSERELLES...


MULHER "PROCURA-SE"


Os homens sabem de tudo...sim, eles são exímios filósofos, teólogos, poetas, exegetas, psicólogos, sexólogos; Sim, eles sabem tudo... menos de Mulheres...E esse foi precisamente o seu maior drama: terem-se convencido que sabiam o que era uma Mulher...nada mais errado e absurdo...e fizeram-no de tal modo e exaustivamente ao longo dos séculos que com isso acabaram por transformar as mulheres numa coisa que nem elas hoje se entendem ou sabem o que são... e são ...os próprios homens hoje a quererem ser mulheres e mães...e putas...tudo ao mesmo tempo. E a Mulher? Ficou um mero objecto...nos perdidos e achados da história deles...
Ela coitada bem se exibe, e tenta lembrar-se QUEM ERA... bem mostra as ancas e as pernas e o busto...os decotes, o silicone e o botox, as mini-saias...as passe-reles, oh sim, expõem-se em montras à procura de um eco, um marido um cliente...diz: "mulher procura-se"...ou vende-se...


rosaleonorpedro

terça-feira, maio 05, 2015

A MULHER: O CONTINENTE DESAPARECIDO DA FACE DA TERRA

 
A GRANDE MÃE PRIMORDIAL

O continente e o conteúdo

À força de rejeitar tudo o que a feminilidade representava como solução para a angústia do homem, criou-se uma humanidade perfeitamente neurótica, pois se o rapazinho é obrigado a praticar este acto é porque não lhe vestiram na mais tenra idade uma veste feminina, como se fazia antigamente. Uma concepção estúpida e formal da virilidade impediu a continuação desta prática que, com origem em motivos inconscientes, era muito mais válida que a destruição do amor que educadores desprovidos de educação tentam levar a cabo, criando uma putativa educação sexual.

É, uma vez mais, toda a nossa sociedade que está em causa. A masculinização da sociedade conduziu a ignorar aquilo que constitui o próprio fundamento de toda a relação psicossocial, a saber, os laços afectivos que unem os membros duma mesma família, dum mesmo clã. E estes repousam muito particularmente na relação mãe-filho (rapaz ou rapariga). Suprimindo a noção de Mãe-Divina, ou submetendo-a à autoridade dum deus-pai, desarticulou-se o mecanismo instintual que estabelecia o primitivo equilíbrio. Daí provêm as neuroses e outros dramas que transtornam as sociedades paternalistas, incluindo aquelas que se consideram mais evoluídas, aquelas que pretendem, com belas palavras, atribuir à mulher um lugar de honra, um lugar escolhido pelo homem.

Na verdade, o homem não pode escolher o lugar da mulher nem o seu próprio lugar face à mulher. Ele deve obedecer a uma lei inelutável, que é, para retomar a definição de Montesquieu, uma lei de natura, contra a qual a lei da razão nada pode. Esta lei de natura concretiza-se no instinto, que não é algo que possamos negar. Negá-lo, como fizeram tantos moralistas e psicólogos, antes de Freud, é abrir a via dos desregulamentos psíquicos, porque todo o comportamento se ressente do facto de não estar apoiado na lei natural.

Esta querela entre natureza e razão, que de resto sempre foi uma falsa questão, é responsável pela cegueira desta sociedade que, ao querer corrigir o instinto, cortou o ser humano daquilo que era a sua natureza.

A verdade é que o instinto não se corrige. Sublima-se, transcende-se, e isso graças a uma razão que o dirige, mas que em caso algum o deve encerrar em limites estreitos e negá-lo. E o instinto assusta, porque é forte e porque é inelutável. Este estudo sistemático do princípio feminino na cultura celta tem pelo menos o mérito de trazer à luz da consciência a ideia de que o instinto é primordial, no sentido etimológico do termo, que ele é necessário, que é um factor de progresso e de evolução.

Mas o instinto tem algo de selvagem, de “bárbaro”, mesmo. E é por aí que ele atinge a “grandiosidade”. Ele é o único motor dos nossos sentimentos, da nossa acção. E, tendo em conta os nossos hábitos morais, é por vezes difícil formulá-lo e olhá-lo de frente: a verdade choca-nos. Quando ousamos afirmar que todas as relações entre homens e mulheres, quaisquer que elas sejam (conjugais, filiais ou outras) são necessariamente relações incestuosas entre mãe e filho, atraímos as mais ásperas críticas e somos tidos por obcecados. E no entanto…

O homem é, com efeito, um ser incompleto e tem consciência disso. O seu medo e a sua atracção pelo abismo negro (o nada de onde provém), o seu medo e a sua vertigem diante da morte (o nada que o espera) tornam-no um ser frágil que procura a segurança a todo o custo. Essa segurança é a mãe, tanto para o homem como para a mulher. Mas o homem, física e afectivamente, possui um meio de reentrar, pelo menos provisoriamente, na mãe. Não é preciso insistir: qualquer tendência da psicanálise já esclareceu suficientemente bem que o pénis, pequena parte do homem, mas uma parte exterior e susceptível de aumentar, constitui o substituto do próprio homem. Ele pode, portanto, em certas ocasiões, reactualizar de modo fantasmagórico o regresso ao paraíso que a mãe representa.

E toda a mulher é uma mãe, real ou potencial. O homem está portanto biologicamente sujeito à mulher, quer ele queira, quer não. Ele é o conteúdo, enquanto a mulher é o continente: isso constitui um estado de inferioridade muito óbvio para o homem e ele passará depois todo o seu tempo a negar tal realidade para provar a si próprio que é superior. É assim que se explica a acção masculina, o facto dos homens serem dotados para a acção, para a violência e o combate. Esta acção é o único meio que lhes resta para tentarem afirmar-se.

E se o homem é o conteúdo, portanto um ser inferior, ele arroga-se o direito dum ser superior, mostrando que a sua força activa é a única capaz de proteger a espécie.
Até conseguiu persuadir a própria mulher dessa superioridade, simbolizada pelo reconhecimento do pénis do rapazinho no momento do nascimento, feito pela mãe ou por qualquer outra mulher que ajude no parto. O famoso grito: “É um rapaz!”, repetido geração após geração, é bastante eloquente a esse respeito. Quando nasce uma rapariga, aceita-se; mas quando nasce um rapaz, rejubila-se.
No entanto, o continente, a mãe, que é o mesmo que dizer a mulher , é a própria realização do Paraíso. Ela realiza-o sob dois aspectos duma mesma realidade: ela contém o filho e o amante. De resto, como alguns psicanalistas já referiram, a vagina da rapariga não é reconhecida pela mãe, nem pelo pai, no momento do nascimento. Tal reconhecimento far-se-á, no entanto, um dia, e será o homem a efectuá-lo. Assim, para se afirmar, para tomar consciência de quem é e sobretudo do seu poder, a mulher precisa do homem. Traduzido em linguagem mitológica dá: o homem precisa duma deusa, mas a deusa precisa do homem. É esta a razão pela qual se perpetuaram, sob formas diversas, os antigos cultos da divindade feminina.

Na cultura celta, vimo-la sob os seus diferentes aspectos, ou melhor, sob as diferentes máscaras que os homens lhe atribuíram. Todos os nomes que lhe foram dados, entretanto, não nos devem fazer esquecer que se trata dum ser único, da mãe primordial, da primitiva deusa, da grande rainha dos começos.

Jean Markale, “La Femme Celte”, Petite Bibliothèque Payot

segunda-feira, maio 04, 2015

UMA HUMANIDADE FORA DA MÃE

 


SEM MÃE NÃO SE PDOE VIVER NEM MORRER...

“Recuperar a mãe verdadeira pressupõe então recuperar o coletivo de mulheres e a sua função coletiva dentro dum determinado grupo social. A recuperação da mãe não é uma recuperação individual (embora tenha uma dimensão individual e corporal), mas a recuperação do feminino coletivo, de todas nós.”

“Com a frase “Dai-me outras mães e eu vos darei outro mundo”, Santo Agostinho revelava o ponto débil do seu projeto de sociedade e a necessidade que tinham de transformar duma vez por todas as mães. Transformar as mães para vencer a natureza humana e a sua predisposição para se organizar e viver como o fez durante muito tempo, sem dominação nem escravatura, em paz e em cooperação (a arqueologia já afastou qualquer dúvida a este respeito, provando que a Idade de Ouro não é um mito mas uma realidade).

Novas mães para reproduzirem os “filia” continuadores das empresas guerreiras, humanos aptos para fazerem a guerra ou para aceitarem tornar-se escravos. Não se podia criar este mundo sem mudar a mãe. A sociedade patriarcal foi erguida sobre um matricídio, acabando com as gerações de mulheres com cujo desaparecimento se sumiu também a paz sobre a Terra (Bachofen). É esta a civilização que perdura ainda hoje, continuando a destruir a vida e a corromper a condição humana, mais competitiva, mais fratricida, mais belicista e mais desapiedada que nunca. Do meu ponto de vista, não é a economia que está em crise, é o modelo de civilização.

Na encruzilhada na qual a humanidade se encontra, o que precisamos de fazer se queremos acabar com este sistema de dominação e sobreviver é recuperar a verdadeira mãe, e com ela as qualidades básicas dos seres humanos, que nos capacitam para a concórdia e nos incapacitam para o fratricídio. Recuperar a mãe verdadeira é recuperar o habitat que a rodeia. Bachofen criou um termo em alemão para o definir: é o Muttertum, sendo que o sufixo “tum” (equivalente ao “dom” em inglês) significa o sítio, o lugar da mãe.

Não se trata apenas dum espaço físico, mas antes dum conjunto de relações travadas com o seu fluxo libidinal específico, o fluido feminino-materno, o hálito materno, porque a produção do nosso sistema orgânico libidinal, desenhado para organizar as relações humanas, é a matéria-prima do tecido social humano original. O Muttertum é assim como a urdidura da tela social, como lhe chamou na sua preciosa metáfora Martha Moia: um conjunto de fios, porque um fio sozinho não consegue fazer a urdidura.

Recuperar a mãe verdadeira pressupõe então recuperar o coletivo de mulheres e a sua função coletiva dentro dum determinado grupo social. A recuperação da mãe não é uma recuperação individual (embora tenha uma dimensão individual e corporal), mas a recuperação do feminino coletivo, de todas nós. Segundo Malinowski, as mulheres trobriandesas dum clã (in The Sexual Life of Savages in the Western Melanesia) tinham um nome coletivo, “tábula”, a “tábula” é que se ocupava do parto das mulheres do clã.
 
Em castelhano há uma aceção do nome "mãe" que é um vestígio dessa mãe ancestral, que se encontra na expressão "salirse de madre", "sair da mãe", que seria sair do Muttertum, que nos faz amadurecer e nos torna consistentes. Há também uma aceção em que a palavra significa "fonte originária de algo" ("a mãe do vinagre", por exemplo), ou como a raiz de algo, quando dizemos que encontrámos a "mãe do cordeiro". Se um rio sai da "madre", tudo se inunda e é o desastre. Pois assim anda a humanidade, "fora da mãe", em permanente estado de esquizofrenia e cada vez com mais ataques de violência..."

Cacilda Rodrigañez Bustos
(Via Luiza Frazão - Blog)

SER MULHER?

O ETERNO FEMININO



Ser Mãe, Amante e Iniciadora do Amor.

De uma maneira geral, as feministas e as mulheres intelectuais (sejam politicas, escritoras, ensaístas, ou cientistas), além de se negarem como mistério em si mesmas, não têm via de regra qualquer ideia remota que seja ou noção alguma do Feminino Ontológico, que ignoram por completo, nem do Sagrado Feminino (tirando a velha ideia de um  catolicismo serôdio onde as imagens da virgem mãe e da pecadora dominam os credos e que de base negaram com a adopção do materialismo dialético) e muito menos tê-lo como o real dom da mulher e que se lhe revela no seu Dom inato de Ser Mãe, Amante e Iniciadora do Amor.
Divinizaram a matéria e o dinheiro, como meros corpos de re-produção da espécie Homem e do seu (deles) prazer e afirmam-se pelo trabalho laboral, de produção e consumo alienante em vez do criativo e selvagem...em harmonia com a Natureza Mãe...e a Terra!

Poucas mulheres se dão a si mesmas ao trabalho de consciência do seu ser verdadeiro, questionando-se ou pondo em causa a sua aculturação e se dedicam a um resgate da sua natureza profunda. Por regra aceitam as normas e o que está pré-estabelecido traindo assim a sua natureza ontológica ao serviço do Sistema que a aprisiona e ela nem dá por isso...  

Onde Homem e Mulher - duas espécies bem distintas, em que uma se tornou escrava da outra...A mulher foi aglutinada ao Homem...depois, ou se anula como ente (mãe-mulher-filha-amante de) ou se converte na outra espécie para sobreviver...

RosaLeonorPedro

A ABERRAÇÃO DO SISTEMA



PREVENIR MAUS TRATOS A CRIANÇAS....em vez de "prevenir" a miséria a ignorância o desespero ou a ignorância dos pais...e dos povos!
Há cada vez mais violência sobre as crianças e as mulheres no mundo porque a sociedade, nomeadamente os Governos,  é formada de gente insana e ignorante e corrupta - não há uma consciência verdadeiramente humana pois este Sistema se baseia na alienação de todos os valores e princípios e depois...querem sanar as consequências dessa alienação social e psicológica dos indivíduos com medidas politicas e policiais ou de justiça. Precisamente quando o mal está feito!
O Sistema é louco sádico e estupido - nele as pessoas são amestradas, exploradas e feitas carneiros...e as medidas "políticas" são só poeira para os olhos de um sistema todo ele podre e esquizofrénico...


rosaloenorpedro

AS DORES DA ENCARNAÇÃO


AS NOSSAS DORES

Em qualquer relação, quando já não há empatia entre os seres, ou nunca houve, a dor existencial de um serve apenas e só para o outro se sentir culpado...e não para melhor compreender a sua própria dor...
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Não ter propensão nenhuma para "ser feliz" (neste mundo), que é um coisa intrínseca em mim, não é negar a serenidade, a paz e a harmonia de SER ...
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Sou uma natureza quase mórbida, dizem-me, uma natureza trágica...às vezes cínica...outras obsessiva...
Talvez porque nunca tive "habilidade" nenhuma para ser feliz...falhei retumbantemente na sigla...
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Diz-se: dar "Pérolas a porcos"? - mas são só a doença dos porcos, digo das ostras...
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 Os escravos festejam a sua escravidão...é a sua liberdade...
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rosa leonor pedro
 

domingo, maio 03, 2015

Nunca me disseste: “Mulher!”


(...)
A tua voz dizia qualquer coisa da tristeza,
qualquer coisa longe, qualquer coisa de ter saudades.
Mas nunca disseste do quê e o do porquê do coração.
Sei que a tua ausência me segreda sonhos
que talvez só eu sinta, como teus.
Nunca me disseste: “Mulher!”
que são coisas que se não podem dizer pela boca das mães.
Nunca disseste: “Poeta!” Mas eras a musa.
E as musas, filhas eternas das mães,
vivem para sempre nas palavras ditas.

- poema de maria sarmento

  

Ter amores só puros como as nossas almas...




"As coisas sonhadas só têm o lado de cá... Não se lhes pode ver o outro lado... Não se pode andar à roda delas... O mal das coisas da vida é que as podemos ir olhando por todos os lados... As coisas de sonho só têm o lado que vemos... Ter amores só puros como as nossas almas..."

Bernardo Soares...
Livro do Desassossego. Vol.I. Fernando Pessoa



CARTA PARA NÃO MANDAR

Dispenso-a de comparecer na minha ideia de si.
A sua vida (...)
Isso não é o meu amor; é apenas a sua vida....

Amo-a como ao poente ou ao luar, com o desejo de que o momento fique, mas sem que seja meu nele mais que a sensação de tê-lo.



Livro do Desassossego por Bernardo Soares

Porquê Fernando Pessoa num Blog cuja temática é a Mulher e a Deusa, não  sendo ele apontado como um poeta da Musa...e até ser considerado misógino na sua juventude? Porque há dias que só a poesia nos toca a alma e a alma não tem sexo... e pertence a eternidade...

MÃE...



ISHTAR

Oye mi ruego, Istar,
Luna de los Amantes.

De quien no sabe dar
enséñame a recibirlo todo.

De quien no sabe abrir-se
hasme llenar...


José Luis Sampedro

A TRISTEZA


A tristeza juncou de pétalas de rosa
O chão do meu jardim
E a alma que em mim goza
A dor que passa em mim
Só ficou mais inquieta, ansiada e sequiosa
Do que nunca teve fim.
(...)

fernando pessoa