O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

quarta-feira, janeiro 11, 2017

COMO É QUE NÃO VEMOS?



TEORIA “M”...

De Magia, Majestade, Magnificência, Matriz, de MÃE...

“A Teoria - M. significa tudo, desde Matriz a Membrana, desde Mistério e Mãe – já que se trata da Mãe de Todas as teorias e é de facto, um modelo excitante e promissor.” Ken Willber
...


COMO É QUE NÃO VEMOS?

Como é que não percebemos que existimos entre o céu e a terra (o Kosmos) e somos nós próprios/as o maior milagre manifestado à face da Terra e reflexo desse mesmo incomensurável universo, quebra-cabeças para a mente limitada do Homem e da ciência.
Cada dia que acordo rendo-me estupefacta ao pleno milagre de estar viva e poder respirar...este facto alheio à minha fraca vontade, é tão grandioso que as nossas pobres mentes se agarram às mais pequenas e insignificantes coisas do dia-a-dia e da rotina para esquecer tão impressionante facto...
Adormecer e acordar num acto de pura magia...
O Ser humano é tão magnífico na sua constituição, tão assombrosamente "criado" que o Homem só pode pensar num Deus como seu Criador em vez de Uma Mãe...Mas o que é paradoxal é que afinal de contas o Homem não consiga expressar nem viver de acordo com a sua magnificência e acabe destruindo por ignorância e cegueira a coisa mais sagrada que existe ao cimo do Planeta: Ele próprio e a toda a Humanidade.
Assim, o milagre incomensurável da vida humana é como que negado pela total incapacidade que o Homem tem de se aperceber da sua própria grandeza. E ainda mais absurdo e caricato é o Homem destruir e matar as criaturas em nome do Criador...e desprezar a Mulher e Mãe…
Como pode o Ser Humano viver e sobreviver a este paradoxo?
De um lado um Corpo sustido e mantido por uma Energia, FORÇA Inteligente e Suprema, que nos mantem vivos a cada segundo e por outro, uma mente obscura e limitada que mata e destrói a prova mais incrível da sua grandeza que é a sua própria existência e a vida em si e de toda a Natureza e animais.
Acordar e respirar o ar, ouvir o bater do nosso coração sincopado, com precisão, sentir o circular do sangue nas nossas veias, pulmões órgãos e vísceras, ver este esqueleto magistral que se ergue e caminha erecto sobre a Terra, que maior Milagre?
Não seria este o milagre mais do suficiente para que todos caíssemos de joelhos face à criação altíssima e incompreensível para os nossos sentidos e intelecto e agradecer a nossa existência, respeitando a nossa VIDA, A MÃE DE TODAS AS COISAS e a de todos os seres vivos e elementos?
Se o Ser Humano conseguisse VER a grandeza do seu SER talvez percebesse que Ele próprio é um Deus/a...
Mas aí é verdade, falta-lhe uma CHAVE e desvendar o único Segredo que não está na Ciência mas dentro de si mesmo/a!
rosaleonorpedro

QUEM TEM ALMA ENTENDE...



A PALAVRA VERBO

"A palavra justa é um verbo mágico para o ouvido atento ao seu significado essencial, mas a sua deturpação ameaça levar na sua deformação todo o comportamento do homem.
Poucas palavras foram as aquelas que, pela sua adulteração, causaram tantas e funestas consequência como as expressões “alma” e “consciência”, porque a realidades que exprimiam são os elementos-base do que constitui o homem não mortal, e que pode esclarecer o fim da sua existência.
Cada vez que um ensinamento iniciático foi suplantado por dogmas saídos de disputas teológicas, o sentido de “alma” e de “consciência” sofreram variantes conforme as doutrinas religiosas ou ensaios filosóficos que tinham autoridade na época.
Nos primeiros séculos do cristianismo falava-se do “ternário”: corpo, alma e espírito."

(…)

“Todas as Tradições iniciáticas deram aos estados não materiais do homem nomes que determinavam as suas qualidades de subtileza e de imortalidade, diferenciando assim esses estados psico-espirituais, que o catolicismo confunde numa palavra perigosamente global: alma.“
(...)

“A confusão causada pela habitual imprecisão das palavras “alma” e ”consciência” é agravada pelo seu emprego rotineiro que atrofia o “entendimento” tanto daquele que fala como daquele que escuta.
Em tempos novos é precisa uma linguagem nova, que não fará mais do que devolver à palavra o seu “espírito” original, o seu Verbo vivo, sufocado pela sua repetição dessa rotina."

In L’ Ouverture du Chemin – Isha Shwaller de Lubicz

terça-feira, janeiro 10, 2017

O PAIS DE LUTO




"As pessoas que estiveram em África demonstram graves deformações: o que muitas dizem é bizonho neste momento. Nunca entenderam nada e têm um défice moral e evolutivo que apavora."*

Era para não escrever sobre isto...mas ontem fui com uma amiga - e nem sequer o tinha pensado - prestar a minha homenagem a Mario Soares nos Jerónimos. Resisti à ideia, mas tendo ido fico satisfeita de o ter feito. Por uma razão. Neste Pais há tão poucos homens livres e de coragem que horroriza quem viveu a passagem do fascismo para a democracia em que hoje vivemos e vendo este laxismo este "tachismo"...este esquecimento dos valores que moveram mulheres e homens que lutaram em risco de vida. Eu lutei...e sofri...e sei...
E fiquei satisfeita de ver centenas de pessoas, homens e mulheres, com dignidade desfilarem diante da urna, tantos portugueses mais velhos, certamente das gerações que viveram a repressão e a censura, e por isso mostrarem apreço e respeito por um Homem raro, que consolidou a Democracia.
Vejo porém nas redes socias a estupidez e a ignorância, o ressabiamento e a maldade dos retornados, apátridas, e esta geração RASCA que deu por garantido tudo aquilo que recebeu de mão beijada e nem tem noção alguma do que foi viver a Ditadura e do que significou a LIBERDADE DE EXPRESSÃO...Talvez por isso estejamos a voltar ao tempo das ditaduras, à Queda da Europa e sob a ameaça da extrema direita...porque a liberdade e a democracia afinal das contas deu às gerações mais novas tudo aquilo porque eles não lutaram...e hoje desprezam sem a menor consciência ou saber da nossa História.

rlp
* Amélia Vieira

os versos...



«Amo todos os Versos inscritos no Corpo. O Meu!!! O Prazer d´os Masturbar enriquecem a minha Língua. Magnetismo Estelar, memória de Prosas entre fluxos e re-fluxos.
Venho das Montanhas, lugar dos Loucos, daqueles que beberam o próprio Veneno e Queimaram a própria Pele. Morreram em Nome de Nada. Apenas fervo por um Beijo da Eternidade...»



C.J. em 20 de Junho de 2014

segunda-feira, janeiro 09, 2017

QUERIA...




Queria dizer a alguém
Como quem já lhe falou.
Não o que penso, nem bem
O que sinto, mas o que sou.
Não por palavras – até
...
Poucas palavras é vão,
E um sorriso ou olhar é
Como fala a canção -.
Mas por um vago florir
Da alma á flor do dizer,
Que não chegasse a abrir
Em voz, em símbolo, ou ser...
Um intervalo ou olvido
Do gesto ou da expressão
Que fique no olhar ou no ouvido
Como sendo do coração
.


Fernando Pessoa.
21 – 03 – 1928


CHOCANTE E NÃO LONGE DA VERDADE
...e completamente actual, por mais que se pense que não...


"Entre as que se vendem pela prostituição e as que se vendem pelo casamento a única diferença consiste no preço e na duração do contrato."


"Não são as pessoas que são responsáveis pelo falhanço do casamento, é a própria instituição que é pervertida desde a origem.
 

 
" A Humanidade é masculina e o homem define a mulher não em si mas relativamente a ele; ela não considerada um ser autónomo"



Simone de Beauvoir

domingo, janeiro 08, 2017

PORTUGAL


"A nossa Grandeza de outrora é uma auréola ao redor da nossa actual pequenez. " -
FERNANDO PESSOA


Os portugueses são de índole invejosa. Temem sempre os melhores, os mais qualificados; obrigam-nos a emigrar ou caluniam-nos, rejeitam-nos, seja nos empregos,  seja na vida social, seja na cultura...e bajulam os que lhes são iguais, medíocres e rancorosos; por isso neste País tudo se pauta por baixo...e nunca passamos de cepa torta...Sofremos desta pequenez e de um complexo de grandeza que só a inferioridade o justifica...
Digo "mal" dos portugueses, porque os amo e sofro com a sua mediocridade. Este Pais dói-me na pele. Apontar uma doença não é crime. Mas os portugueses preferem morrer da sua doença a mostrar as suas chagas. Que não são de Cristo...
Somos vaidosos e petulantes como raça. Buscamos o sucesso e a glória como vingança da vida miserável que temos...
rlp


Portugal

Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me sentir como se tivesse
oitocentos
Que culpa tive eu que D. Sebastião fosse combater os infiéis ao norte de África
só porque não podia combater a doença que lhe atacava os órgãos genitais
e nunca mais voltasse
Quase chego a pensar que é tudo uma mentira
que o Infante D. Henrique foi uma invenção do Walt Disney
e o Nuno Álvares Pereira uma reles imitação do Príncipe Valente

Portugal
Não imaginas o tesão que sinto quando ouço o hino nacional
(que os meus egrégios avós me perdoem)
Ontem estive a jogar póker com o velho do Restelo
Anda na consulta externa do Júlio de Matos
Deram-lhe uns electro-choques e está a recuperar
àparte o facto de agora me tentar convencer que nos espera um futuro de rosas

Portugal
Um dia fechei-me no Mosteiro dos Jerónimos a ver se contraía a febre do Império
mas a única coisa que consegui apanhar foi um resfriado
Virei a Torre do Tombo do avesso sem lograr encontrar uma pétala que fosse
das rosas que Gil Eanes trouxe do Bojador

Portugal
Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém
Sabes
Estou loucamente apaixonado por ti
Pergunto a mim mesmo
Como me pude eu apaixonar por um velho decrépito e idiota como tu
mas que tem o coração doce ainda mais doce que os pastéis de Tentúgal
e o corpo cheio de pontos negros para poder espremer à minha vontade

Portugal estás a ouvir-me?
Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete Salazar estava no poder nada de ressentimentos
O meu irmão esteve na guerra tenho amigos que emigraram nada de ressentimentos
Um dia bebi vinagre nada de ressentimentos
Portugal depois de ter salvo inúmeras vezes os Lusíadas a nada na piscina municipal de Braga
ia agora propor-te um projecto eminentemente nacional
Que fôssemos todos a Ceuta à procura do olho que Camões lá deixou

Portugal
Sabes de que cor são os meus olhos?
São castanhos como os da minha mãe

Portugal
gostava de te beijar muito apaixonadamente
na boca

Jorge Sousa Braga

quarta-feira, janeiro 04, 2017



“Quando as coisas são dolorosas, vemo-las no campo das emoções e não no campo da consciência."
  -João Redondo (psiquiatra)

"O modo como o outro nos fez sentir, embate primeiro no campo das emoções. É o cordão que nos liga à evolução das espécies, ao crepúsculo que nos tornou humanos, à força que não nos separa da infância.
A dor ou o conforto põe-nos a nu, e maturidade, diplomas ou capacidade intelectual, pouco servem perante as dolorosas sensações que chegam. Do profundo poder que escorre delas, será preciso contar com um longo trabalho do pensamento e da linguagem, da consciência, para as compreender, aceitar e as tornar suportáveis.
Dão alento aos dias, as outras, as coisas calorosas que dispensam o raciocínio."

Cristina Simões

Queremos que gostem de nós. Como as crianças...

Talvez a propósito do que escrevi ontem sobre a "necessidade de palco", tive esta noite um sonho muito elucidativo...em que me pavoneava ostensivamente subindo umas escadas e toda a gente me olhava e admirava a minha beleza e elegância...claro que o fazia sem me "denunciar", com ar muito natural......
No sonho eu sentia que estava admiravelmente bem vestida e magra...(na realidade acontece o contrário - vou engordando com os anos, para minha aflição...) e de facto a vaidade e o orgulho que sentia eram enormes...Eu era o centro de todas as atenções ou porque era importante e dava uma festa ou fazia anos talvez...
O que eu sei era que a importância que me davam aqueles olhares embasbacados e a sua admiração me deixavam "feliz"...e quando acordei e comecei a analisar, a pensar no sonho, percebi que isso é precisamente o que todas/os fazemos desesperadamente e ainda que muitos inconscientemente aqui é ter palco, ser bela ou ser o maior ou a pessoa mais importante do palco, seja ele qual for. E fazemo-lo de forma tão cega que nem vemos o ridiculo ou a estupidez neste FACE Book...
Não há duvida que todas vivemos num palco na procura ávida de atenção e protagonismo ou admiração. Buscamos incessantemente a aprovação do outro...seja ele qual for...e tudo o que fazemos é um pouco (mesmo que se diga que não) para chamar a atenção sobre nós ... não nos damos tréguas...por isso somos tão simpáticos, tão amorosos, ou tão odiosos, tão cultos, e tão amigáveis ou agressivos, só para o ecrã!
Queremos que gostem de nós. Como as crianças...
E afinal de contas não será isso mesmo e exclusivamente o que move o ser humano na busca de si mesmo, a necessidade imperiosa de ser reconhecido, SER alguém...vencer na vida, ser famoso...etc. Porque será a pessoa humana tão dependente do olhar do outro/a, a começar do olhar amoroso da Mãe...e quando ela falha levamos a vida inteira à procura dele?
- Mãe...diz-me se eu existo, se eu sou verdade...
Será isso o amor que buscamos, para nos dar valor, ter valor, sentir que temos um valor num mundo onde nada realmente dá valor ao que somos de facto, nada dá valor ao que verdadeiramente somos e nos sentimos todos abandonados, órfãos e cativos de um mundo hostil que nos rejeita, em busca de um "deus" maior?
Estou eu aqui a pensar alto...e agora vou mas é tomar banho para aclarar as ideias.
rlp
in memórias - 2016

"Como é que o passado reconhece o presente?



"Como é que o passado reconhece o presente?

Como é que o presente reconhece o passado?" -
...

"como é que o Agora se agita com a visitação, a condensação, a capitalização do Outrora no fundo de si mesmo? Ao reconhecimento excessivo o impossível (do fecundo pelo fecundado) oponho três formas de não reconhecimento: o desconhecimento, o reconhecimento insuficiente ou difícil, o reconhecimento excluído."


in "Histórias de amor de outros tempos" procedidas de Retratos vivos por Pascal Quignard...(da Cotovia)

o amor


O AMOR É ...amor, só...

Em qualquer época, quando os valores tradicionais em vigor, sejam eles quais forem, caiem por terra e isso tem acontecido de há varias décadas a esta parte, e em que ninguém mais sabe o que é amar alguém, ou sequer um qualquer outro sentimento profundo, não vinculado ao conceito ou ao preconceito - como é o caso da sexualidade em geral -, numa sociedade consumista e prostituída como a nossa, tudo é apenas sexo, digo genitalidade, e em que tudo se vende e tudo se compra, incluindo ideias; a especulação dos sentimentos e das relações é total...e aí começam a aparecer as variantes alternativas e os discursos "filosóficos" e teóricos (poli-amor e não sei que mais!) acerca das relações e práticas promiscuas...uma Babel crescente cada vez mais elaborada e estranha...alienada e desvinculada de emoções profundas respeito humano e sentimentos reais.
Para mim o Amor é só e será sempre o amor, seja por uma pessoa em particular, único e exclusivo, enquanto se manifestar como tal, seja a amizade baseada em afinidades electivas ou simplesmente na empatia gerada por emoções e razões que jamais poderão ser alvo de especulações filosóficas e menos ainda sexuais...como as que agora imperam no império aberrante dos cinco sentidos sem qualquer dimensão ontológica...nem sentido do sagrado!


rlp