O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

terça-feira, setembro 04, 2007

AS LÁGRIMAS DA DEUSA MÃE...

ERAM AS BRUXAS SACERDOTISAS, FEITICEIRAS E DEUSAS?


Minhas queridas amigas, mulheres, deusas bruxas e feiticeiras...quero agradecer os comentários e dizer-lhes que eu adoro as bruxas...Gosto de feiticeiras e deusas e das mulheres, mas as bruxas foram tão mal tratadas, tão perseguidas tão mal compreendidas e mal amadas!!!

Ainda hoje, qualquer mulher infeliz é uma bruxa...qualquer mulher feia é uma bruxa, qualquer mulher que reclame os seus direitos é uma bruxa...qualquer mulher que contrarie a Ordem estabelecida é uma megera e uma bruxa pronta a ser queimada ou devorada pela opinião pública, pela família, pelo marido, pelas amigas do patriarcado, as beatas de sacristia...as santas de pau carunchoso (não sei se é assim que se escreve!)...

Gosto das Bruxas, são minhas amigas e gostaria de as reabilitar...

Por isso digo: MULHERES, NÃO TENHAM MEDO DAS BRUXAS NEM DA BRUXA QUE HABITA CADA UMA DE NÓS...

As Bruxas eram Sacerdotisas e Feiticeiras que se disfarçaram para não serem perseguidas pelos fundamentalistas cristãos, mas depois mesmo disfarçadas de mulheres vulgares foram torturadas e queimadas nas fogueiras sem apelo nem agravo...




"Foi experimentado que as bruxas nunca choram, o que constitui um indício bem importante, tanto que as mulheres derramam lágrimas a propósito de tudo e de nada"... logo, se ao cabo de torturas e sevícias diversas, uma mulher não chora, presume-se que é bruxa. O problema - e quem se espantaria, tendo em conta o tratamento que lhe é infligido? - é que, a maior parte das vezes ela chora convulsivamente. Que os juizes não se deixem enganar: é uma dessimulação para os iludir e convencer de que não tem nada a ver com bruxaria..."
in As Putas do Diabo - Arnelle Le Bras-Chopard

E por todas ESSAs lágrimas choradas e torturas sofridas de mulheres inocentes que só foram "bruxas" porque os únicos demónios eram os homens que as torturaram, os juizes e os padres do santo ofício, que de santo nos valha o diabo ELE PRÓPRIO que na verdade nunca existiu senão nas suas cabeças torpes e tortuosas...

Façamos a elegia da Bruxa, façamos-lhe Justiça, que de bruxa como a pintaram a MULHER nunca teve nada. Normalmente as bruxas eram também as mulheres belas e desejavéis que os eunucos do deus macho, invejavam!!!
Na verdade : "As temidas bruxas medievais seriam, na verdade, simples mulheres camponesas, que por viverem em intenso contato com a natureza, eram conhecedoras das ervas medicinais, que podiam tanto curar como também matar. Conheciam as ervas abortivas e contraceptivas, o que as permitia exercerem livremente sua sexualidade, fato que por si só já era considerado crime e pecado. Possuiam uma cultura pré-cristã, e a crença em deusas e deuses pagãos, sendo por isso identificadas como hereges pelas autoridades eclesiásticas."
in luna negra

sábado, setembro 01, 2007

AMÁVEIS...só UNS COM OS OUTROS...



PORQUE AS MULHERES QUE NÃO FOREM SANTAS SÃO DEMÓNIOS...


" Conversávamos e ríamos, éramos amáveis uns com os outros; líamos em conjunto livros bem escritos; gracejávamos; respeitávamo-nos mutuamente; discordávamos de tempos a tempos sem animosidade, como um homem discorda de si mesmo. Mas através dessa rara diferença de opinião consolidava-se a harmonia. Ensinávamos e aprendíamos uns com os outros. Sentíamos saudades dos ausentes e acolhíamo-los com alegria quando regressavam. Com estes e outros sinais semelhantes, o amor dos amigos pode passar de coração em coração através da expressão do rosto, olhares e mil gestos de amizade. São como faíscas que incendeiam a nossa alma e fundem o múltiplo num só."


in Confissões de Santo Agostinho


Enquanto Santo Agostinho se confessa assim com os homens, em amor, harmonia e graças, vê as mulheres sem alma e trata-as como inimigas DO HOMEM E DA IGREJA tendo contribuiudo e muito para o desenvolvimento da "caça às bruxas". Muitos dos demonologos que escreveram leis que aplicaram na tortura IMPLACÁVEL e queima das bruxas - qualquer mulher livre e independente ou mais ousada - basearam-se em santo agostinho. É um dos "santos" da Igreja porventura o mais misógino e mais acérrimo defensor da inferioridade e da culpa da mulher...

No próximo poste deixarei algumas das suas frases famosas...
Penso que a linguagem no masculino origina estes equívocos e este é um dos riscos que as mulheres correm através da espiritualidade católica, que é ao julgarem-se incluidas, esquecerem que os seus santos falam só de homens e para homens...enquanto odeiam as mulheres e as colocaram na situação tremenda de alienação e medo em que ainda hoje se encontram...

MULHERES & DEUSAS...e mulheres e deusas...


FAZENDO PESQUIZA, DEPAREI-ME COM O NOME DE UM BLOGUE IGUAL AO MEU COM A DIFERENÇA DO &... http://mulheresedeusas.blogspot.com/


Mulheres e Deusas

Como se define: "Aqui falasse de Mulheres do seu papel na sociedade hoje e no decorrer da historia aqui falasse de recargar as nossas forcas e de ser"

...Tudo o que sei é que é uma mulher portuguesa concerteza ou pelo menos vive em Portugal...
Penso que o blog começou apenas este mês, portanto podem variar...

NÃO SABIA QUE JÁ TINHA UM BLOGUE HOMÓNIMO...

Acho que vou ter de mudar de nome para: Mulheres, Deusas & Bruxas
O que é que acham?

O VALOR DE UMA MULHER - OS LIVROS

De Marianne Willamson, li em tempos um primeiro livro extraordinário que citei imensas vezes nesta página. Passado alguns anos apareceu um outro livro dela (traduzido) que comprei logo na expectativa de encontrar abordado o mesmo tema, ou seja a Deusa na Mulher, e todo o trabalho de consciencialização sobre uma mulher nova com uma visão bem diferente das feministas e com a prespectiva do Sagrado Feminino.

Este novo livro "Regresso ao Amor" que me apressei a ler para me inteirar da evolução da autora, apresentou-se-me então como um espécie de manual do livro "Um Curso em Milagres" o que me decepcionou profundamente. Não que eu não creia em milagres mas deixar o tema da Mulher, para mim sagrado, esquecendo a imperiosa necessidade de uma consciência alargada do verdadeiro feminino na sua dimensão ontológica, para passar para o plano de Deus e para o tema da fé em abstracto, deixou-me desiludida. Na verdade não chamo a isso uma evolução mas uma moda...ou uma mira de sucesso...

Porque eu não creio que a mulher possa evoluir para Deus ou para a sua totalidade sem primeiro integrar a Deusa pois é a Deusa que falta e o feminino sagrado para termos uma sociedade justa.

Esquecer isso é uma espécie de traição à mulher e à Deusa e eu não esperava isto da autora...

Também queria aqui esclarecer que apesar de não querer falar em coisas aparentemente negativas da História da Humanidade não quero contudo esquecer ou mesmo omitir esses factos. Pretendo é dar-lhe uma prespectiva mais positiva e não entrar nas energias de luta e agressão. Mas não deixarei de trazer aqui as causas e consequências do que para mim é o grande atrazo da humanidade: o tratamento que a sociedade machista dá às mulheres, aos animais e à Natureza Mãe. Em que as mulheres assassinadas ou violadas não são sequer choradas e defendidas - com manifestações de dor e pena - como o fazem com qualquer mero jogador de futebol...ou dos soldados que matam e morrem com honras de Estado.



rlp

AINDA À SOMBRA DA CAÇA ÀS BRUXAS


Em Espanha, a morte de um jogador de futebol do Sevilha provocou uma comoção nacional. No seu enterro milhares de pessoas batiam palmas e algumas rapazolas choravam. Em Portugal aconteceu há dois anos ou três anos atrás um caso semelhante.
Durante dez dias, no Estado espanhol, morreram assassinadas três mulheres por antigos namorados: uma romena, uma brasileira e uma espanhola. Todas anavalhadas.

São os memos homens que choram a morte de um herói do futebol que matam a namorada à navalhada?...

Não admira esta secular desconfiança das mulheres por parte dos homens no mundo inteiro quando estes foram ensinados desde pequeninos que as mulheres são traiçoeiras e más...que por causa delas eles vivem em pecado...


"Porquê atacar as mulheres? Porque foram elas, durante séculos, acusadas de bruxaria, de pactuarem com o diabo entregando-se à cópula com a besta que lhes daria poderes sobre-humanos? Nessa desconfiança do feminino afastou-se na verdade a mulher do espaço político e da possibilidade de se expressar, de exercer poder, de destabilizar a hierarquia masculina vigente." *




Durante mais de 3 séculos a Igreja de Roma perseguiou as mulheres e matou-as como bruxas.

Qualquer mulher independente, qualquer mulher diferente, qualquer mulher que tivesse um dom ou fosse atractiva, que cultivasse umas ervas de cura, que ajudasse uma mãe a parir, era para os doutores da Igreja, bruxas perigosas, tortutradas e queimadas nas fogueiras da Inquisição.

Eles próprios inventaram e deram corpo ao Demónio, eles os muitos doutos e santos da Igreja católica, fizeram a maior perseguição às mulheres em nomes de crimes que estas nunca cometeram, acusando-as de copular com O Diabo - um ente que nunca existiu - e que a acontecer só podia ser com eles e cada um o próprio Satanás em pessoa...

Esta foi outra forma de crime que os homens cometeram contra as mulheres livres, sobretudo as mulheres solteiras ou viúvas...todas as que estivessem à mercê da sua paranóia!

Se hoje em dia isso ainda não se refletisse e de forma gritante como é o caso, não faria sentido escrevê-lo nem lembrá-lo, mas o facto é que a mesma Igreja e o mesmo Estado Moderno continua a cultuar os seus heróis machos - santos ou pecadores - e a deixar matar as suas mulheres.

Devo este pequeno texto à leitura de um livro saído recentemente em França, um estudo fantástico sobre a bruxaria e a caça às bruxas, o que significou e significa ainda como forma de diminuição e crime sobre as mulheres. Não é só o Inconsciente colectivo, mas a forma do próprio Estado Moderno e da Igreja que reflectem essas práticas sem as condenar...

Desde os padres da igreja que escreveram a demonologia - tratados inventados a provar os crimes das mulheres - até Freud que inventou ou repetiu a ideia da inveja do pénis, nada ou pouco mudou...


"O diabo é uma criação do homem. Datável a primeira referência ao diabo (no século XII), Robert Muchembled analisa as diferentes representações do diabo ao longo dos séculos. Da necessidade da Igreja em criar um ideia de inferno à obsessão pelo combate às bruxas e feiticeiras, passando pela ligação ao corpo e pelo emergir do conceito de demónio interior no século XIX, «Uma História do Diabo» afirma-se, essencialmente, como uma história das ideias." (outro livro a assinalar...)


Voltarei a falar do 1 º Livro, com o qual NÃO ESTOU TOTALMENTE DE ACORDO, MAS cujo título é verdadeiramente provocatório:

NOTA SOBRE O LIVRO:

* "AS PUTAS DO DIABO"

A mulher e o poder...As Putas do Diabo
[Armelle Le Bras-Chopard]

"O feminino e o poder. Ditas feiticeiras, partilhando um saber de poções e mesinhas na Antiguidade, são torturadas e queimadas na fogueira como bruxas a partir do séc. XV. Armelle Le Bras-Chopard, especialista em ciência política, com uma importante obra editada sobre o tema do poder e da sexualidade, distinguida aliás em 2000 com o Prémio Médicis Ensaio, edita um apaixonante trabalho sobre a caça às bruxas que durará até ao século XVII. Afinal, 80 % dos condenados à fogueira por conluios com o diabo e feitiçaria eram mulheres... Porquê as mulheres? Uma pergunta a que a investigadora tenta responder estabelecendo surpreendentes paralelos com a forma como ainda hoje, em pleno séc. XXI, as mulheres são afastados do poder e da arena política. " (...)


"Atenta à íntima ligação entre a sexualidade e o poder, e como se pretendia afastar a mulher da esfera política e do poder de decisão, retirar-lhe autonomia e fazê-la sujeitar-se às leis escritas pelo homem, a autora proporciona-nos um documento único sobre a história da mulher e da sua ligação ao poder. Indo aliás mais longe, considera que esse afastamento da mulher do espaço político de decisão não se teria milagrosamente sublimado a partir dos finais do século XVII. Detecta e aponta - de forma bem objectiva e rigorosa - como ainda hoje a mulher é definida face ao poder. Por isso «As Putas do Diabo» se revela um documento de apaixonante e actual leitura."

(cÍRCULO DE lEITORES)

terça-feira, agosto 28, 2007

a minha vida tal como a vivi...

"Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada."*
Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.
fp



"a minha vida tal como a vivi, muitas vezes pareceu-me uma história sem principio nem fim.Tinha a sensação de ser um fragmento histórico, um excerto para o qual faltava o texto antecedente e subsquente.

Fácilmente imaginava que poderia ter vivido em séculos anteriores e aí encontrara perguntas a que ainda não estava pronto para responder; que eu tinha que renascer porque não tinha cumprido a tarefa de que havia sido incumbido"
C. Jung

"O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto". ** fernando pessoa

um sopro de vento



Teu amor entrou na minha vida
Violentamente,
Como um sopro de vento
Abrindo a janela de repente.

Teu amor desarrumou meu destino
Arrancou da parede
Velhos retratos queridos,
E quebrou uma jarra
No canto da minha alma
Cheia de rosas,
Cheia de sonhos…
Depois…
Teu amor saiu da minha vida de repente
Como um sopro de vento
Fechando uma porta,
Violentamente.

Poesia de Carlos Drummond
bonnard (quadro)

sábado, agosto 25, 2007

O LIVRO E A MULHER...



Fotopoesia é uma autobiografia caracterizada por um enorme carinho pelas pessoas. Cada fotografia de Isabel Ruth é acompanhada por um poema escrito pela própria. É um livro terno, onde acompanhamos a vida da actriz através da imagem e da palavra. É o livro de uma vida de afectos e de viagens, um livro de poemas escritos numa linguagem discursiva, directa e de comunicação enérgica. Mas uma obra que reflecte o seu mundo íntimo e que invoca de forma nostálgica uma postura e um tempo. Como bem escreve Urbano Tavares Rodrigues no prefácio, Isabel viaja pelo mundo e por almas, corpos, cidades embruxadas, Roma duradouramente, mas também Istambul, as mesquitas, o banho turco redentor, e pela Índia, lá e cá, pelo Nepal.
Uma estrada de memórias de meninice, a vida sentimental, os encontros com Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Morais, as muitas pessoas que se cruzaram com a mulher e com a actriz, o recordar os seus filmes e as vidas fictícias que assumiu intensamente …
COPIADO DE:

ISABEL RUTH - ACTRIZ, POETISA...E DEUSA




Recordar
cumprir esta vontade que se impõe
a que devo obedecer

beber da fonte
um jorro de prazer
um prazer diferente
soltam-se as palavras como notas
que se vão compondo

a cada uma sua sinfonia
e o belo canto
vou decifrando
na pauta
por enquanto…

meus olhos atónitos

Enredei-me por florestas,
entre cânticos e musgos.



DEUSA dos olhos volúveis
pousada na mão das ondas:
em teu colo de penumbras,
abri meus olhos atónitos.

Surgi do meio dos túmulos,
para aprender o meu nome.

Mamei teus peitos de pedra
constelados de prenúncios.

(...)

cecília meireles



Ontem andei pela Serra de Sintra, deambulando, sem tempo, abraçando as árvores centenárias de múltiplos braços, guardiãs da Grande Mãe. Debaixo da sua sombra carinhosa, deitei-me nas pedras milenares sobre o musgo ainda verde e macio...E senti nos dedos a seiva dessas árvores cujos segredos correm nas nossas veias, e como elas são amantes próximas e nos falam da mesma essência.


As árvores são fiéis a Gaia...que nós mulheres traimos perdendo as nossas raízes e os nossos dons.

Dei pelas lágrimas correrem sobre a minha face e chorei de saudade de um tempo que eu me lembro, respirávamos em uníssono...chorei por mim e pelas irmãs que se perdem no caminho e em vez de viver o seu mistério profundo no seio da Terra Mãe, vivem na superficialidade deste mundo em agonia...em busca de um poder mundano...


Neste ritual sagrado só os carros e os homens e os seus ruídos destoavam de tanta paz e serenidade, mas apesar disso o ar era rarefeito e puro, limpando as artérias do medo e a cólera urbana, secando as minhas lágrimas de pena de não poder viver sempre assim em sintonia com a natureza.