O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

sábado, junho 14, 2008

O ABOMINÁVEL FILME SEXO NA CIDADE

”Racista, machista, xenofóbico”
(...)
o que me deixa triste é que tantas mulheres tenham como modelo figuras tão superficiais e caricatas como as quatro personagens da série/filme. Essa pobre criatura que acabou de me escrever dizendo que eu sou frustrada provavelmente nunca nem viu uma dessas horrendas bolsas Louis Vuitton ao vivo e é isso que ela considera sonho, glamour. (...)
Quanto ao machismo, nem preciso falar muito, né? é o filme todo. Uma cena que não vai interferir no conjunto e acho que posso contar aqui é da Samantha fazendo um sushi e se deitando numa mesa nua com o sushi espalhado pelo corpo (como fazem em alguns restaurantes) esperando o namorado. O fim.
(...)
Gente, pelo amor de deus, me explique, como as pessoas vão a um filme e não vêem nada disso? como não se sentem insultadas, ofendidas, estereotipadas? será que viram o mesmo filme que eu?
Enfim, o pior filme da minha vida. Ele até que é assistível, apesar de que, mesmo se tirasse todas as ofensas, ainda seria um roteiro péssimo. Mas é o pior porque pretende marcar a vida das mulheres que acompanharam a série e tudo que faz é acentuar tudo que existe de pior nela e nessa cidade.
(...)
In http://sindromedeestocolmo.com/archives/2008/06/sex_and_the_city_-_um_dos_piores_filmes_que_vi.html/

- O que eu temia: o filme é neste momento o mais visto nas salas de cinema em Portugal…
(…)
“Assustador é também a falta de senso crítico com o que vêm. Satc é uma ode ao consumo desenfreado, irrefletido e automático. As “glamurosas” do filme (e série) vivem uma realidade muito distante das suas defensoras, brasileiras que, se frequentassem aquele meio, seriam, na série, no filme e na vida real (salvo meia dúzia de excessões)as faxineiras e manicures, se tivessem sorte, e se esta não lhes sorrisse, seriam as dançarinas noturnas e as prostitutas. Mas, parece que elas não conseguem ver o lugar reservado aos latinos no cinema e televisão. O argumento mais usada pelas defensoras é que o filme é só um filme. Ora, um filme nunca é só um filme, um livro nunca é só um livro, eles trazem nas entrelinhas coisas muito mais profundas.

Estudo literatura e sei que uma obra nunca é só o que está escrito, ela encerra muitas outras coisas que não estão tão visíveis assim como ideologia, politica, concpções do autor e da época. O filme em questão, assim como a série, (falo mais pela série) traz em suas entrelinhas ideologias nefastas mostradas pelo consumo desenfreado das quatro amigas, glorificação da marca (em nenhum momento as crianças asiáticas semiescravas que costuram as bolsas que as “glamurosas” compram, nem os africanos que morrem na extração dos diamantes que elas usam, nem os pedreiros que perdem as mãos no corte do mármore que reveste o chão que elas pisam aparecem vinculados a esse Glamour), superioridade racial do branco, superioridade da civilização americana em detrimento das demais (é só ver a viagem ao México de uma das personagens) e uma das piores, entre outras, o atrelamento da felicidade ao ato de comprar, o consumo é apresentado como um maravilhoso remédio para o espírito." (...)

Para quem quiser ver tudo sobre este debate Cinema - discriminação acesse ao link: http://sindromedeestocolmo.com/archives/category/artes/cinema/

Leitora de M&D

sexta-feira, junho 13, 2008

HOJE, 13 DE JUNHO

Fernando Pessoa
*
Fernando António Nogueira Pessoa (1888-1935, Lisboa), poeta e escritor português. Pessoa é considerado junto de Luís Vaz de Camões um dos mais importantes poetas de língua portuguesa. [Biografia]

"Sinto-me nascido a cada momento / Para a eterna novidade do Mundo...."
"Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa."

"Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso."

" EU SOU DO TAMANHO DO QUE VEJO...
E NÃO DO TAMANHO DE MINHA ALTURA".

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Ver as coisas até ao fundo...

Verdade, mentira; certeza, incerteza...

O verde do céu azul antes do sol estar para nascer,

Vive, dizes, no presente;


( Poemas Inconjuntos)
FERNANDO PESSOA

quinta-feira, junho 12, 2008

As mulheres e a inconsciência de si mesmas...

"Eu sou mulher, companheira, mãe e já escrevi alguns livros. Tive longos anos, e outros mais curtos, para viver estas realizações todas mas admito que, durante muito tempo, nunca tomei consciência senão de forma superficial da especificidade da condição feminina. Nunca me situei a um nível de uma solidariedade compreendida e assumida com outras mulheres. Debati-me com problemas e limitações mas nunca as liguei ao facto de ser mulher. Não explorei os traços que me marcavam no meu inconsciente de mulher.

Pelos meus estudos e educação adquiri uma tal força de conquista e de igualdade face ao homem que nem suspeitava que pudesse haver quaisquer limitações próprias do meu sexo. Ou eu não sofri o suficiente para as sentir. Creio que muitas mulheres que se sentem relativamente realizadas na sua vida têm esta forma de inconsciência. Durante a sua luta as feministas informaram-se acerca dessas questões, procuraram-nas compreender, leram e escreveram acerca delas. O seu trabalho não foi em vão. Porém, no inebriamento de uma aparente vitória, recolheram-se os frutos, mas esquecemos que nada ainda foi realmente ganho a um nível mais profundo. O combate feminista já parece ultrapassado e as mulheres de hoje sentem instintivamente, sem mesmo reflectir, que esta etiqueta não lhes serve a sua sedução. A reivindicação tem um cheiro a escravidão e a mulher dos nossos dias afirma-se como uma conquistadora. No entanto, cada mulher traz em si os estigmas da longa história da mulher e em uma só vida têm de atravessar diversas etapas. (…)

Nós talvez já não tenhamos necessidade de ser feministas, mas nós temos uma enorme necessidade de ser femininas, de melhor delinear e afirmar os valores do feminino. O papel das mulheres não é mais o de reivindicar direitos e liberdades das quais já ninguém as pensa privar: ela cria, ela afirma-se, ela é, e esta plenitude de SER assegura o seu brilho. (…)

A mulher submissa era o pórtico de uma civilização do sacrifício, a mulher solar abre-se para uma civilização iluminada. "

In LA FEMME SOLAIRE de Paule Salomon
-
Um livro tão importante ou tão essencial como O Cálice e a Espada...

Que antídotos secretos?


As chaves ocultas do coração ardente:


Perante o erro – nosso ou alheio - a Compaixão.
Perante o ruído da mente o Silêncio.
Perante a hesitação a Abertura Axial.
Perante a incompreensão o Avanço Decidido.
Perante a desorientação a afirmação da Filiação Eterna.
Perante a ingratidão a oferta de si ao Supremo.
Perante a competição a consciência da Unidade.
Perante o medo a invocação da Luz Maior no Centro do Ser.
Perante o ódio o poder do Sol Central.
Perante a ambição a consciência do Infinito.
Perante a solidão a alegria do Encontro Maior.
Perante o orgulho a consciência da Transitoriedade das formas.
Perante as sombras o riso da Criança Divina.
Perante o elogio a entrega dos actos ao Divino.
Perante as promessas de glória a perfeita simplicidade de cada momento.


Na verdade, amar é também irradiar os antídotos secretos, destilados pela alma em contínua vigília. Estes antídotos são potentes vórtices de dissolução das forças ambientais e psíquicas que subjazem a todos os cenários de incomunicação humanos. Actuando em silêncio e de forma invisível produzem um impacto invisível mas exacto sobre a aura de nossos irmãos.

Assim, de carga em carga, de choque em choque, de incomunicação em incomunicação, à medida que vamos superando a superfície das coisas e a aparência - ou mesmo a realidade – das reacções humanas, a Chama do Amor pode crescer em nós: porque AMAMOS não importa o grau de perfeição ou imperfeição do objecto de nosso amor, porque amamos em silêncio, sem que o mundo possa contaminar a nossa vida interna.

Tornando-se incondicional o Amor desagua na PAZ PROFUNDA.

Se a Paz total ainda se aparta de ti, é porque em teu amor, e em tua relação com os outros, uma parte permanece ligada subtilmente à necessidade de retribuição... Chegamos a um tempo em que meias medidas nos aprisionam em labirintos obscuros e em circunvoluções intermináveis. É um tempo de direcção e decisão. Um tempo que exige que o indivíduo aparte de si os parasitas mentais e emocionais que claramente não o elevam ou o dignificam.

O entrelaçar firme do amor e da vontade, uma discriminação aguda e uma doçura espiritual para com todos os seres vivos é a única forma de responder ao ponto de tensão a que quase tudo na vida humana chegou.

André louro de almeida
http://lumina-all.blogspot.com/

ARTE MACABRA - GENTE ALIENADA

A CRUELDADE HUMANA NÃO TEM LIMITES...
> O 'Artista' que matou um cão de fome vai repetir o ato!>

Como muitos devem saber e até ter protestado, em 2007, Guillermo Vargas Habacuc, um suposto artista, colheu um cão abandonado de rua, atou-o a uma corda curtíssima na parede de uma galeria de arte e ali o deixou, a morrer lentamente de fome e sede.>
> Durante vários dias, tanto o autor de semelhante crueldade, como os visitantes da galeria de arte presenciaram impassíveis a agonia do pobre animal.>
> Até que finalmente morreu de inanição, seguramente depois de ter passado por um doloroso, absurdo e incompreensível calvário.>
Pois isso não é tudo: a prestigiosa Bienal Centroamericana de Arte decidiu, incompreensivelmente, que a selvageria que acabava de ser cometida por tal sujeito era arte, e Guillermo Vargas Habacuc foi convidado a repetir a sua crueldade na dita Bienal em 2008.>>


Fato que podemos tentar impedir, colaborando com a assinatura nesta petição.>> http://www.petitiononline.com/13031953/petition.html

A PAZ NA CIDADE...E NO MUNDO!

Há muito que a vida em quase todas as sociedades do mundo, sobretudo no Ocidente, nomeadamente nas grandes cidades, é quase exclusivamente virtual...não é só o amor, nem o sexo na cidade que é virtual, são todos os valores ou falta de valores que predominam e onde a verdadeira cultura foi adulterada e a comida é de plástico e abundam os estereótipos de pessoas e vidas sem sentido nenhum, pessoas completamente escravizadas e desfazadas daquilo que é a verdadeira natureza humana e a natureza simples das coisas...
Os padrões das pessoas, sobretudo das gerações mais novas, foram modelados pelo cinema e pela televisão e as referências delas são os seus Ícons, artistas de cinema, da música e das telenovelas, jogadores de futebol. Estes são os modelos que as gerações mais jovens consideram referência por excelência e tudo fazem para imitar... Além desses modelos, o próprio modelo de vida é o cenário rebuscado ou fabuloso mas sempre superficial, de padrões de vida que se resumem de facto à riqueza, ao consumo e ao ter...dinheiro, fama, boa imagem, ser magro ou ser novo ou ser belo, de acordo com os ficcionados padrões de beleza. Nesta sociedade até a arte e a literatura é de plástico e vazia de conteúdo...

Hollywood (ou Bollywood) e tudo o que ela representa é responsável por ter criado uma vida fictícia, sucedâneo da vida verdadeira, fazendo com que as multidões creiam mais na ficção do que na realidade das suas vidas quotidianas. Seja nas América, no Brasil, na Europa ou na India...
Todas essas ficções representativa dos valores mais comezinhos e de uma sexualidade rasca tão próxima da pornografia, com os seus enredos superficiais de intriga mediocre, em que os instintos fatais prodominam é responsável de ter afastado as pessoas dos seus valores naturais, para quem sobretudo segue à risca esses modelos e os copia ou comete crimes e mata ou rouba carros ou se droga...ou simplesmente vive na ilusão de chegar a qualquer patamar desses paraísos artificias...

As cidades serão em breve o nosso maior inferno, e não é só a crise económica nem a crise do petrólio, mas a alienação profunda em que todos vivemos ao acharmos que o conforto e qualidade de vida se resume ao consumo e aos carros e fazer do ter o apanágio social...fazer do prazer o único objetivo da vida, fazer do dinheiro a única fonte de abundância...
Mas o mais grave não é toda essa mentira que se vive...é a indiferença à grande maioria das pessoas que vivem na pobreza, que não têm um mínimo de condições para viver e sobrevivem entre esses mitos e a mais extrema miséria...é no mundo haver milhões de seres que morrem à fome e vítimas da mais extrema violência...e guerra!

Se nós fôssemos verdadeiramente humanos não dariamos nem mais um passo para nada sem primeiro pensar qual a nossa parte de culpa em tudo isto e ver qual a possibilidade de ajudar a resolver ou solver algum desses problemas que tantas pessoas ao nosso lado sofrem...

Sem dúvida que eu penso mais nas mulheres de idade...penso nas mulheres sós e abandonadas pela sociedade e as suas leis misóginas, penso nas mulheres que não têm dinheiro para dar de comer aos filhos e nas mulheres que se prostituem para viver... nas mulheres que levam pancada dos maridos desempregados...e bêbados, nas mulheres mais velhas, cansadas e deprimidas sem saber que sentido dar à vida, nas senhoras idosas a morrer nos lares sem qualquer afecto, enquanto nós andamos a curtir e a distrairmo-nos e a fazer operações plásticas, a comprar armani e dior...ou a divagar acerca de como chegar ao sucesso...
Por estas e tantas outras razões a mim não me faz sentido nenhum mulheres modernas e livres muito belas e soltas a curtir galãs em série...
Sim por todas estas razões eu odeio estereótipos como as mulheres de Sexo na Cidade...

Digam que sou frustrada e velha e feia...que sou frígida ou não sou desejável e já não posso curtir e por isso detesto mulheres novas e belas e quero acabar com essa comédia...Todas as ficções, filmes e comédias...Não preciso delas!!!
Talvez a minha geração seja idealista...humanista...ou naturalista...pode ser só o peso da idade, sim, mas não há maior alegria nem beleza do que a solidadriadade humana...Não há maior leveza do ser nem maior realização do que a bondade humana... Não há maior prazer e nenhum prazer se assemelha ao prazer de dar e receber, de amar incondicionalmente e do fundo do coração...
Eu queria mesmo era uma cidade em profunda compaixão por todos os seres que sofrem e não têm ninguém que os ame...

rlp

quarta-feira, junho 11, 2008

ESSAS MULHERES NÃO EXISTEM...

Continuo achando que o ataque ao filme tem raízes ginefóbicas...
(...)
Hollywood não inventou essas mulheres, elas existem, e não só em NY... existem aqui, existem no Brasil, existem em todo lado...
(...)
Mas de maneira nenhuma devemos jogar pedras em mulheres, nem no trabalho delas, se não fazemos a mesma coisa com os homens e com o trabalho deles...

- Primeiro que tudo o filme tem raízes patriarcais unicamente e é inventado por homens e não faz parte da criatividade das mulheres. Portanto não se trata de atirar pedras no trabalho das mulheres mas no trabalho que os homens fazem representar como mulheres. E aqui não há mulheres diferentes, mas mulheres que nada têm a ver com a realidade que vivemos e as que existem como você diz, onde quer que seja, representam bem o padrão em menor ou maior grau da alienação da mulher que expressa exclusivamente o modelo masculino para a mulher. A mulher vai ter de reformular o seu próprio modelo e ser ela a dar as cartas...não os gays nem os estilistas nem os realizadores de cinema, nem as indústrias doq ue quer que seja!

Elas não têm nada a ver com a MULHER REAL!!!

São muitas as suas contradições e você ou é muito jovem ou não quer ver, mas não pode falar em liberdade e respeito por aquilo que é falso e virtual. O que acontece na verdade é que no mundo inteiro as mulheres mais do que os homens confundem a vida virtual, a ficção do cinema, a proganda comercial e as telenovelas, com a vida real e muito longe da vida essencial ou natural do ser humano. Isso nem sequer é cultura...é só ficção...ficção que destruiu e vai continuar a destruir paulatinamente a vida Natural e a Biosfera...Há coisas que não se podem conciliar...e esta é uma delas, vida natural com vida virtual...

E como e quando cada uma delas vai "acordar" e sair da Patrix, isso é com cada uma delas...

Não, não é...porque está em causa a natureza profunda das coisas e o equilíbrio do Planeta e enquanto nós mulheres, todas nós, cada uma de nós, não destrinçarmos bem esses modelos e continuarmos a pensar que eles são legitímos e a liberdade consiste em fazer o que se quer com o corpo e ter sexo livre na cidade ou nas doce cabanas, nas ilhas românticas que coexistem com o tráfico sexual e exploração do ser humano, estamos a contribuir para a alienação da vida na Terra.

E olhe eu não estou a discordar da sua criatividade...nem a por em questão nada do que você diz...mas tenho o direito de me distanciar da fantasia e da confusão que alimenta estereótipos muito prejudiciais às mulheres em geral...rlp

A MULHER SOLAR


UM LIVRO PARA SE VIVER

O ponto de partida deste livro é uma intuição simples e essencial: toda a mulher é uma pepita de ouro autêntico que lhe permite iluminar a vida humana, a sua e a do homem, na condição de que ela queira verdadeiramente dar-se ao trabalho de se revelar a si própria. Toda a mulher está grávida de um Sol. Uma compreensão íntima, original permite à mulher aceder ao seu coração, à sua essência, a uma emanação de ordem subtil. Esta essência feminina comunica-se por uma vibração de vida e de alma que fala directamente à natureza do homem e o polariza de forma vital, afectivamente e espiritualmente. A flecha do desenvolvimento da mulher não vai apenas do interior em direcção ao exterior, mas do exterior em direcção ao interior na afirmação da sua verdadeira identidade. No momento em que os valores têm necessidade de voltar a florir no deserto do conforto e do stress, um rosto de mulher desenha em sublinhado o esquema do futuro; ele inspira e introduz as mudanças de valor na civilização.
(…)
Um livro autêntico devera ser, para quem o lê, uma fonte de energia e de ressonância com o seu centro interior.

In LA FEMME SOLAIRE
De Paule Salomon

A DECADÊNCIA DOS ESTEREÓTIPOS

A ARMA MAIS SOFISTICADA PARA ANULAR A MULHER VERDADEIRA É O CINEMA E OS FILMES COMO
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Sexo na Cidade

Não estava a querer voltar ao assunto, pois já uma vez me pronunciei sobre a série, mas já que toda a gente anda a falar do (re) lançamento do filme Sexo na Cidade, não vou deixar de repetir o que já tinha tinha escrito aqui em tempos, pois tenho plena consciência do perigo que é a difusão destes modelos para a mulher que busca a sua verdadeira identidade e voltar à sua essência, ao identificar-se com estas novas Cinderelas…

Estas mulheres são as nossas principais inimigas. Tanto mais quanto são bem sucedidas e belas. Tanto mais QUANTO elas estão afastadas da mulher comum...de si e de mim...

Elas correspondem aos mais perigosos estereótipos da mulher moderna…Cada uma delas, à sua maneira, encarna um tipo de mulher perfeitamente alienado da sua essência e sem nenhuma correspondência com a mulher real. São as mulheres que todas as mulheres presas nas suas circunstâncias de vida limitadas e sem recursos, inferiorizadas e pobres, ignorantes e ignoradas, oprimidas ou prostituídas, gostariam de ser. E o mais grave é que ao perseguirem esses sonhos e mitos e os homens sabem disso, não se aproximarão um milímetro delas próprias. E essa é a intenção da Matriz de controlo. Dar às mulheres ilusões que as mantenha afastadas delas mesmas, para que não sejam um perigo real pondo em risco o poder falocrático…e assim fazem das mulheres seres falocráticas…obcecadas por sexo, escravas do prazer, e que só vivem de sexo como se o sexo fosse tudo para elas. E isso não as liberta, porque o sexo da mulher é iniciação, não pode ser desligado da alma porque é sagrado e enquanto ela o não viver na sua real dimensão o mundo será um caos cada vez maior.

Por todas essas razões e mais alguma tenho uma antipatia visceral pela série e vi-a o tempo suficiente para tirar as minhas ilações e é muito simples.
Estas 4 mulheres são efectivamente a representação da mulher americana, consumista, capitalista, hollyhoodesca, desligadas de todo e qualquer sentido profundo da vida e cada uma representando os estereótipos da sociedade de exploração e consumo, perfeitamente alienadas de uma verdadeira essência feminina e cujo apanágio continua a ser o corpo a vaidade e o sexo! Podiam de alguma maneira espelhar partes da fragmentação do feminino na procura da sua identidade, mas não, bem pelo contrário, são gravemente perigosas porque alienam totalmente a mulher da sua realidade íntima e profunda. Nenhuma delas tem qualquer laivo da dimensão do verdadeiro feminino. Cada uma e cada qual expressa bem na sofistificação da imagem esteriotipada, e sobretudo expressam o que o imaginário patriarcal falocrático tem como mulher moderna e o difunde através do cinema. Mas o pior é ser visivelmente influenciada pela cultura gay e digo pior porque essa cultura ilude a mulher numa falsa imagem (andrógina?) que é a mistura dos sexos e uma liberdade sexual masculina - uma forma de viver a sexualidade que não é a feminina - e por isso não lhe pode dar de forma alguma a dimensão do verdadeiro feminino.
Isto é apenas o que a cultura americana de consumo, sofisticada e supérflua tem de pior e projecta-a sobre essas mulheres, o que neste caso o escritor ou realizador (quase de certeza homossexual) inventa que sejam os vários tipos de mulher…idealizados a partir de uma ideia ou conceito perfeitamente redutora da mulher sempre circunscrita à imagem, às marcas, ao sexo: desejo-prazer e sonho do amante ideal…

Vejamos, então o perfil destas mulheres ideais cheias de charme e de classe…
Temos para começar a mulher jornalista, inteligente e activa que passa desportivamente de amante para amante, parecendo liberta mas não passando de uma libertina e que em conflito permanente, sonha e quer casar com o seu grande amor...o magnate rico, cínico e sedutor como qualquer personagem de Corin Tellado…
Depois temos a tímida mulher algo moralista, clássica, que se divide entre o sonho da carreira e o casamento ideal, como qualquer adolescente a mais insípida das personagens. A seguir temos a executiva fria e calculista muito organizada e confusa, com alguns traços de homossexual, e que tem um namorado frágil, feminino, que trata mal…e que vive à sua conta, tal como qualquer tipo que tem uma amante por conta …E por fim, temos a antítese da mulher fatal, a genuína, como toda a ninfomaníaca é, um pouco histérica (outro retrato da mulher que nunca toca a sua verdadeira sexualidade) que não pode ver um homem à frente sem que não fique perdida, e de maneira muito gay, come qualquer sujeito musculado que vê pela frente de qualquer maneira e em qualquer lado.
Tudo isto, numa salada americana, muito nova yorquina, com muitas marcas e estilistas, muita tecnologia de ponta…

Eu abomino toda esta mentira e ilusão…
Sou radical sim e não tenho qualquer contemplação com estes estereótipos…rlp

Obrigada pelas suas palavras André...

(...)
Eu já sou diferente. Creio que há mais coisas para além disto que vemos à nossa frente e sobretudo acredito na imortalidade!! Acredito que a imortalidade não é algo além-túmulo como muitos católicos acreditam, mas sim algo que deve ser concretizado cá na Terra, com o amanhecer de uma nova era mais mística que aí vem, em que coisas fundamentais como a eterna juventude; a beleza; o mistério; o romantismo; a adoração da Lua; a recordação do nosso passado pessoal e a revelação de tudo o que está oculto vai ter lugar cá na Terra e sobretudo nesta região enorme que é a Ibéria! Sou optimista nesse sentido, apesar de ser pessimista a curto prazo!...

Acredito que as pessoas que envelhecem e não se revoltam são o oposto da Diana guerreira e donzela muito querida nos círculos Wicca.

A Diana que influenciou as feministas que não aceitam a submissão ao patriarcado e que é sempre bela e rebelde! O envelhecimento é já de si uma prova do contacto da Mulher com o Homem que a faz diminuir e entrar na tal decadencia. Deixem a mulher ser sempre criança! Deixem-na saltar; rir e correr pelos campos! Porque não? Quem mais contribui para que a mulher envelheça é esta sociedade injusta, com os seus dogmas; estereotipos; regras que a limitam!

Lembram-se dos tempos de Lilith em que a mulher vivia milhares de anos, sem se submeter a um Deus todo Poderoso e a um Homem que encarnava esse Deus autoritário. foi a partir do encontro dos dois, que tudo se começou a degenerar...

Um abraço
André Louro