sábado, maio 29, 2010

O mundo do avesso e as falsas liberdades…


A teus dotes qual deles o mais encantador Tu juntas, amável criatura, Um para mim de todos o maior, E que até te embeleza a formosura: O pudor

Safo


A DONA CHAMÔA…

- TORRE DE D. CHAMA é hoje “uma Vila, sede da maior freguesia rural de Mirandela” (…) “A sua História é riquíssima, e, só por si, não cabia neste apontamento. Contudo, cabe-nos aqui dar algumas indicações importantes sobre esta terra transmontana. Existindo já antes da Formação de Portugal, este nome de Torre de Dona Chama evidência claramente a sua indicação de uma "Torre", e uma senhora local "Dona" do lugar, que se chamava "Chama ", proveniente de "Flamula" que deu "Chamôa" e depois "Chama".”

Eu nunca tinha ouvido falar desta terra
cujo nome é bem sugestivo não fosse a professora de Mirandela, uma professora de música, de 27 anos, com alunos adolescentes, ter posado nua ou semi nua para a revista Play Boy e ter sido demitida das suas funções de docente…

Muita polémica à volta da docente sobre a decência ou imoralidade de uma professora posar nua e se devia continuar ou não a dar aulas às criancinhas…claro que a continuar a dar aulas a música seria outra, pois na cabeça e no bolso de cada aluno havia já uma foto da professora nua…e sem dúvida que não era a admiração nem o respeito pela stora que os motivaria e o que surgiria à tona seria a alarvice dos machos que estão habituados a ver os anúncios das cervejas com mulheres nuas e boas…

Entretanto a variadora lá da Terra meteu a professora a tomar conta dos Arquivos longe do olhar indiscreto dos alunos (na Torre da Dama Chama?) e ela perante a polémica manteve-se calada sem dar cavaco às televisões desejosas de umas palavrinhas da dita que muito senhora da sua pose evitava as câmaras.

Aparece então de repente na televisão a professora a animar boates e festas com o que a sua presença agora gera (dinheiro) e evoca aos homens…não a Musa nem a música trovadoresca, claro, mas o corpo mais ou menos exposto a lembrar as poses eróticas da mulher jovem que não sendo bonita tem um corpo que se vende bem…não fora isso não a teriam convidado a posar, nem a aparecer em festas.

Pode uma mulher posar nua sem perder a sua dignidade? É a sua liberdade como todos dizem? Se for arte, como dizem outros até poderia, mas para mim, apenas para entretimento dos homens e não sei mais o quê, não só perde a dignidade como todo o valor. Para mim é uma questão de pudor sim senhor, do sagrado que é o corpo da mulher e a não ser como iniciação amorosa, vá lá como amante, não se justifica que se dispa nem mesmo que seja “artista” e isto eu nem discuto. É o que eu sinto e o que penso e é isso o que me interessa e não os conceitos liberais contra os velhos preconceitos católicos.

Entretanto, no meio disto tudo, o que me intrigou não foi a professora aparecer numa festa a animar a malta, o que é bem natural porque ela de docente que diz ser a sua paixão, não tem nada, mas era ela vir acompanhada de tal pai…
Um pai imponente que deixa a filha pousar nua e depois a acompanha? Ou não será que a vende e promove como um pai digno da sociedade materialista e consumista em que vivemos e em que a mulher, seja filha, irmã ou amante, é continuamente exposta e vendida a sua imagem para usufruto dos homens?

Sim, senhor, e assim a rapariga, que não falava à televisão nem aos jornais, e por causa das conversas e dos falatórios (?) da populaça vem acompanhada do paizinho para meter respeito…e surpresa a minha, ninguém imaginaria um pai assim: “jovem”, moderno e com ar de… diria de “agente” ou perdão, proxeneta…ele vem de guarda da filha ciente da sua preciosa mercadoria…quem sabe muito bem instruída por ele. Porque um pai que deixou a filha pousar nua para Play boy e depois a exibe…é mais uma espécie de chulo do que outra coisa e à vista desarmada a rapariga coitada, é bem vulgar na verdade, aparentando um ar ausente, tímido e inseguro, o ar das mulheres dominadas por padrões machistas, ficando a milhas de qualquer parecença com a Nobre Dama Chama que deu nome àquela terra… De chama tão pouco a rapariga não tem nada, mas não há dúvida que ela incendiou as mentes tacanhas lá da terra e ficou conhecida em Portugal inteiro…mas o mais estranho para mim foi este pai, no mínimo macabro…
Moral da História, ficámos assim a saber que uma Nobre Dama que se chamava Dona Chama… vivia numa Torre naquele território mesmo antes da formação de Portugal…
Ficamos a saber que, passados muitos séculos, uma professora que nada tem de dama nem de nobre pousou nua para a Play boy e o país todo falou dela.
E há quem defenda que a prof. devia continua a dar aulas e a achar que se trata apenas e só da hipocrisia da sociedade e ela deixar de dar aulas às crianças, um atentado à liberdade da mulher, sem perceber o que seja realmente a dignidade e o valor de uma mulher.



- Já sei que me acharão conservadora e contra as mulheres…e o vídeo que aqui junto fará com que o meu texto seja julgado ainda mais “retrógrado”; no entanto ele é para mim a prova de como a exploração do corpo da mulher é visto pelas próprias mulheres como Liberdade e afirmação, e não vêem como a contaminação do machismo as atinge ao defenderem a liberdade do nu gratuito nas revistas de entretenimento!

E que fique claro: "O que eu reivindico, é o direito para a mulher, de exprimir o desejo que ela tem mais vivo em si e sem hipocrisias, eventualmente o seu desejo o mais selvagem, sexual ou maternal, sem essa espécie de rendilhados ridículos com a qual a enfeitam e a mistificam. Da mesma maneira que...reivindico o direito do homem assegurar a sua parte feminina, a sua anima."
Joelle de Gravelaine

3 comentários:

jozahfa disse...

Olá Rosa Leonor, como passa?
Permita-me uma pequena (ou talvez grande) questão a propósito dos versos de Sappho. Tenho cá comigo os mesmos versos em uma edição brasileira de 1942, intitulada "Safo Lírica", onde aparecem, no prefácio, como traduzidos por João de Deus, do qual, confesso, nunca li coisa alguma.
O referido livro trata-se de poemas sáficos traduzidos do francês por Jamil Almansur Haddad. O problema desse livro é que não traz nenhuma referência sobre os originais franceses, muito menos dos ainda mais originais, os gregos, que sabemos serem esparsos: citações em textos antigos preservados, um ou outro encontrado ao longo dos séculos e, já no final do Oitocentos, os fragmentos encontrados no Egito nas paredes de antigas casas, em túmulos e até mesmo (pasmemos!) em papiros utilizados na mumificação de crocodilos sagrados durante os primeiros séculos da era cristã. O versos de João de Deus, apesar de belos, não constam em nenhum de meus livros com traduções feitas a partir desses originais.
O assunto me interessa e gostaria de saber (e espero não estar sendo indelicado) se você citaria a sua fonte.
A tragédia do desaparecimento dos versos sáficos, que segundo diz-se eram de mais de dez mil versos nas edições alexandrinas, não foi obra somente de Cronos, mas sim da igreja, pois Gregório VII, na Roma de 1073, ordenou queimar tudo que tivesse sido encontrado da poetisa de Mitilene em uma grande fogueira. Aquele em cujo poder fosse encontrado algum texto ou referência à lésbica teria certamente como destino a fogueira, é claro.
Seja como for só restaram fragmentos.
Alguém falou que foi essa obra a maior perda literária da humanidade.
Exageros ou não, fica o nosso lamento.
Um abraço!

P.S. Eu, como homenzinho comum que sou, não fujo à regra, e já apreciei muito revistas como a Playboy. Talvez por esse, entre muitos outros pecados mais, seja eu, e minha poesia, indignos das Musas, que como dissestes em uma excelente última postagem, já há tempos não mais me obsediam.

Rosa Leonor disse...

- Meu querido amigo eu vou responder-lhe com mais tempo amanhã...
abraço rosa leonor

Rosa Leonor disse...

Tenho dois ou três livros com os fragmentos de Safo, mas nenhum digno de nota e também eu tive imensa pena de se ter perdido a poesia da grande Musa que foi Safo...de momento não encontro nenhum dos livros, mas terei muito gosto em informá-lo de algum pormenor.
Agradeço como sempre a sua preciosa informação e é-me muita grata a sua amizade e cumplicidade.
Um enorme abraço deste lado de cá...

rosa leonor