quarta-feira, abril 23, 2014

“COMO A MULHER NUNCA AMADA




 ...SE TRANSFORMA EM PARCA QUE CORTA A VIDA DOS HOMENS”



"O amor quando não é aceite, transforma-se em nemésis, em justiça, é necessidade implacável a que não é possível escapar. Como a mulher nunca adorada se transforma em parca que corta a vida dos homens. E assim é a retirada do divino, sob a forma do amor humano, que nos mantém condenados, encerrados neste cárcere da fatalidade histórica, de uma história transformada em pesadelo do eterno retorno.
A ...
ausência do amor não consiste, efectivamente, no facto de não aparecer em episódios, em paixões, mas no seu confinamento nesses limites estritos da paixão individual desqualificada em facto, acontecimento raro. E então acontece que até a paixão individual - pessoal - fica também confinada a uma forma trágica, porque submetida à justiça. O amor vive e respira, mas submetido a processo perante uma justiça que é fatalidade implacável, ausência de liberdade; o amor está a ser julgado por uma consciência em que não há lugar para ele, perante uma razão que se lhe negou. E assim fica como que enterrado vivo, com vida, mas ineficaz, sem força criadora.
(...)
Maria Zambrano
Para uma História do Amor

2 comentários:

Ana Nazaré disse...

Que lindo..............

Rosa Leonor disse...

beijinhos!

rlp