A ORAÇÃO
Na ponta do coração um átomo que é activado pela súplica...
Podem esmagar-vos de tal maneira que pensais que já nada resta de vós. No entanto, subsistirá sempre um átomo de vós, e ele poderá reconstituir para vós o universo inteiro. Esse átomo é o Dom de orar, de suplicar. É o maior Dom que Deus deu ao ser humano, pois se ele não existisse o ser humano teria desaparecido há muito tempo. Essa ideia de um “átomo da oração”, de que ninguém fala, deve parecer-vos absolutamente inaceitável, impossível de acreditar... Contudo, na Ciência iniciática já ouviste dizer que existe na ponta do coração um átomo que tem como papel registar tudo o que o ser humano pensa, sente e vive ao longo da vida. Esse átomo não tem o poder de intervir para modificar seja o que for; ele apenas regista. Na realidade é uma bobine minúscula que se vai desenrolando sem parar do começo ao fim da existência e, no momento da morte, ela pára para sempre.
In Poderes do pensamento
Omraam M. A.ivanhov
O SORRISO DE PANDORA
“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja.
Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto.
Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado
Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “
In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam
sábado, junho 19, 2004
sexta-feira, junho 18, 2004
"Há algo para além da nossa mente e que nela habita em silêncio. É o supremo mistério que ultrapassa o pensamento. Apoiai a vossa mente e o vosso corpo subtil nesse algo, e não o apoieis em nenhuma outra coisa"
os upanishades
Hora Grave
Quem agora chora em algum lugar do mundo,
Sem razão chora no mundo,
Chora por mim.
Quem agora ri em algum lugar na noite,
Sem razão ri dentro da noite,
Ri-se de mim.
Quem agora caminha em algum lugar no mundo,
Sem razão caminha no mundo,
Vem a mim.
Quem agora morre em algum lugar no mundo,
Sem razão morre no mundo,
Olha para mim.
Rainer Maria Rilke
quarta-feira, junho 16, 2004
SONO PROFUNDO
"Tal como um falcão ou uma águia, depois de voar impetuosamente sobre o céu, dobra as asas e desce voando até ao seu ninho, assim também o espírito do ser humano se apressa até àquele lugar de repouso onde a alma não tem desejos e o Espírito não vê qualquer sonho"
os upanishades
O mundo estava no rosto da amada
O mundo estava no rosto da amada -
e logo se converteu em nada, em
mundo fora do alcance, mundo-além.
Por que não o bebi quando o encontrei
no rosto amado, um mundo à mão, ali,
aroma em minha boca, eu só seu rei?
Ah, eu bebi. Com que sede eu bebi.
Mas eu também estava pleno de
mundo e, bebendo, eu mesmo transbordei
RAINER MARIA RILKE
"Tal como um falcão ou uma águia, depois de voar impetuosamente sobre o céu, dobra as asas e desce voando até ao seu ninho, assim também o espírito do ser humano se apressa até àquele lugar de repouso onde a alma não tem desejos e o Espírito não vê qualquer sonho"
os upanishades
O mundo estava no rosto da amada
e logo se converteu em nada, em
mundo fora do alcance, mundo-além.
Por que não o bebi quando o encontrei
no rosto amado, um mundo à mão, ali,
aroma em minha boca, eu só seu rei?
Ah, eu bebi. Com que sede eu bebi.
Mas eu também estava pleno de
mundo e, bebendo, eu mesmo transbordei
RAINER MARIA RILKE
O coração é o centro da transmutação das emoções em Amor e em Luz.
LIBERTARMO-NOS DA DOR - ABRIR O CORAÇÃO Á LUZ
"Em relação à dor comprimida, abaixo do coração...
Onde é que fica essa dor? No coração?
Não. A dor, que nós trazemos acumulada do passado, está no plexo solar. Está aqui, em baixo. E ela está a fazer pressão contra o cardíaco a pedir para ser liberta!
Isto está a acontecer no planeta todo! Com as nações! Com as organizações! Com a forma como nós nos relacionamos com a natureza! Com a nossa relação connosco mesmos! Com as relações dentro das famílias, dentro dos grupos profissionais, dentro do nosso meio familiar, do nosso meio de amigos..., tudo o que o indivíduo prende abaixo do coração está a tornar-se numa bolha intensa!... E está a pedir para passar a porta do coração! Está a pedir para atravessar o coração! Isto que tu trazes abaixo do coração, preso como se não existisse - e o que se observa muitas vezes, é as pessoas virem para o plano mental, porque, enquanto estão no mental, não sentem. Enquanto estão em altos picos intelectuais, não sentem. Enquanto estão a assimilar a informação, não sentem. Então, tu trazes este dínamo mental, e trazes este jardim zoológico emocional! Este passado, este museu emocional, dentro de ti! Isto é água, sabes, isto pesa! Emoções não resolvidas, sentimentos reprimidos..., tudo isto é um peso!
E então como é que eu liberto isto?
Eu preciso de fazer com que este campo de emoções reprimidas atravesse o coração! Ou seja: eu preciso de encontrar um perdão tão amplo, que exige a máxima pureza de mim. Vocês não vão sair daqui, sem ser através da máxima pureza! Não há outra saída! Nós precisamos de voltar a ter cinco anos de idade. Neste nível, nós precisamos de voltar aí. Precisamos de voltar a ter cinco anos de idade. Uma criança tão depressa é cruel, como logo a seguir perdoa instantaneamente, não é?! E essa pureza - vamos deixar a parte da crueldade, lá, para a criança - essa pureza do compreender, do aceitar o problema do outro, ou como o outro nos magoa..., isto tem que entrar num regime mais alto! Senão, nós não temos velocidade de escape, de todo!
Eu preciso que o meu coração se dilate à escala da minha dor! Eu preciso de abrir o meu coração à dor no plexo solar!
Porque como vocês sabem, o plexo solar é o centro das emoções. O coração é o centro da transmutação das emoções em Amor e em Luz. "
ANDRÉ - Encontros de Belém
terça-feira, junho 15, 2004
AS ESTAÇÕES DA VIDA
A dualidade sendo a causa da sexualidade - portanto a afinidade entre os complementos - é a causa do desejo que os homens chamam amor. O erro está em confundir amor, desejo e necessidade....

Fora dessas excitações sexuais produzidas pelas estações da vida humana e da Natureza, cada indivíduo é o joguete dos seus instintos particulares, que o fazem reagir sexualmente a certos gestos ou circunstâncias que lhes correspondem.
Estas características instintivas, inscritas no fígado, encontram a sua reacção no sexo e no cérebro, e estes que estão sempre ligados, dão-se mutuamente desculpas para explicar e satisfazer o desejo que daí resulta...
IN A ABERTURA DO CAMINHO
Isha Schwaller de Lubicz
"Feliz aquele que, para encontrar a sua "Imagem" eterna,
ousa queimar sem piedade os fantoches do seu passado."
A dualidade sendo a causa da sexualidade - portanto a afinidade entre os complementos - é a causa do desejo que os homens chamam amor. O erro está em confundir amor, desejo e necessidade....
Fora dessas excitações sexuais produzidas pelas estações da vida humana e da Natureza, cada indivíduo é o joguete dos seus instintos particulares, que o fazem reagir sexualmente a certos gestos ou circunstâncias que lhes correspondem.
Estas características instintivas, inscritas no fígado, encontram a sua reacção no sexo e no cérebro, e estes que estão sempre ligados, dão-se mutuamente desculpas para explicar e satisfazer o desejo que daí resulta...
IN A ABERTURA DO CAMINHO
Isha Schwaller de Lubicz
"Feliz aquele que, para encontrar a sua "Imagem" eterna,
ousa queimar sem piedade os fantoches do seu passado."
A LUTA DE PRINCÍPIOS NO INÍCIO DA NOSSA ERA...
UMA CHAVE QUE NOS PODE FAZER COMPREENDER "ESTE TRISTE ESTADO DE COISAS..."
"Dionísio não é um verdadeiro andrógino, como Hipólito também não era, pois não chega a entrar em paz com o seu lado feminino. Seus aspectos masculinos e femininos não se fundiram, apenas se confundiram. As mulheres que o seguem, cuja história é dramaticamente narrada por Eurípides em as Bacantes, são igualmente confusas no meio do vinho e da sua loucura. Elas desertaram das suas naturezas femininas e, portanto, não podem vivenciar o elemento masculino mais vigoroso que actua na relação complementar com o feminino. A inteireza não é atingida, já que o frenesin não é liberdade. Esse triste estado de coisas é uma das infindáveis lutas de poder empreendido pelos princípios masculino e feminino, mitològicamente encarnados nas figuras de Zeus e de Hera.
A Mãe, inicialmente como a própria Terra divina e depois em suas muitas formas como Grande Deusa ou Deusa Mãe, e também em seu papel dirigente, como representante humana ou como rainha que governa com autoridade da Deusa, manteve a raça humana sob o seu domínio até à aurora dos tempos. Assim aconteceu de acordo com a tradição antiga até que os homens foram superando a sua infantilidade da raça e (...) começaram a usar sua capacidade activa de agressão. No nível transpessoal, os deuses arrebataram o poder da Grande Mãe Mãe e o seu séquito. No nível político, os novos patriarcas substituiram os matriarcados de autrora.
No processo, tornou-se necessário instituir a proibição do incesto, corroborando para afirmar a oposição do filho à mãe, a despeito do seu anseio por ela. Sòmente ao deixarem o mundo materno e se iniciarem na sociedade dos homens - do qual as mulheres eram em certos aspectos ritualmente excluidas - é que os homens poderiam se coligar para estabelecer a sua força e solidariedade. O feminino tinha de ser suprimido no mundo, isto é , relegado a uma posição inferior na sociedade. E dentro de si o homem teria de suprimir a sua natureza feminina, para que ela não o seduzisse com a sua brandura, sua impetuosidade e sua tendência de ceder às instâncias da paixão da natureza."
in ANDROGINIA - de June Singer
UMA CHAVE QUE NOS PODE FAZER COMPREENDER "ESTE TRISTE ESTADO DE COISAS..."
"Dionísio não é um verdadeiro andrógino, como Hipólito também não era, pois não chega a entrar em paz com o seu lado feminino. Seus aspectos masculinos e femininos não se fundiram, apenas se confundiram. As mulheres que o seguem, cuja história é dramaticamente narrada por Eurípides em as Bacantes, são igualmente confusas no meio do vinho e da sua loucura. Elas desertaram das suas naturezas femininas e, portanto, não podem vivenciar o elemento masculino mais vigoroso que actua na relação complementar com o feminino. A inteireza não é atingida, já que o frenesin não é liberdade. Esse triste estado de coisas é uma das infindáveis lutas de poder empreendido pelos princípios masculino e feminino, mitològicamente encarnados nas figuras de Zeus e de Hera.
A Mãe, inicialmente como a própria Terra divina e depois em suas muitas formas como Grande Deusa ou Deusa Mãe, e também em seu papel dirigente, como representante humana ou como rainha que governa com autoridade da Deusa, manteve a raça humana sob o seu domínio até à aurora dos tempos. Assim aconteceu de acordo com a tradição antiga até que os homens foram superando a sua infantilidade da raça e (...) começaram a usar sua capacidade activa de agressão. No nível transpessoal, os deuses arrebataram o poder da Grande Mãe Mãe e o seu séquito. No nível político, os novos patriarcas substituiram os matriarcados de autrora.
No processo, tornou-se necessário instituir a proibição do incesto, corroborando para afirmar a oposição do filho à mãe, a despeito do seu anseio por ela. Sòmente ao deixarem o mundo materno e se iniciarem na sociedade dos homens - do qual as mulheres eram em certos aspectos ritualmente excluidas - é que os homens poderiam se coligar para estabelecer a sua força e solidariedade. O feminino tinha de ser suprimido no mundo, isto é , relegado a uma posição inferior na sociedade. E dentro de si o homem teria de suprimir a sua natureza feminina, para que ela não o seduzisse com a sua brandura, sua impetuosidade e sua tendência de ceder às instâncias da paixão da natureza."
in ANDROGINIA - de June Singer
segunda-feira, junho 14, 2004
in A ALQUIMIA DO AMOR Y.K.Centeno
(...)
Formou sublime e angélica beleza.
Pôs na boca os rubis, e na pureza
Do belo rosto as rosas, por quem mouro;
No cabelo o valor do metal louro;
No peito a neve em que a minha alma tenho acesa.
Mas nos olhos mostrou quanto podia.
E fez deles um sol, onde se apura
A luz mais clara que a do claro dia.
Enfim, Senhora, em vossa compostura
Ela a apurar chegou quanto sabia
De ouro, rosas, rubis, neve e luz pura.
Camões
"Inventemos, escreve Fernando Pessoa, um Imperialismo Andrógino reunindo as qualidades masculinas e femininas; um imperialismo alimentado de todas as subtilezas femininas e de todas as forças de estruração masculinas. Realizemos Apolo espiritualmente. Não uma fusão do cristianismo e do paganismo, mas uma evasão do cristianismo, uma simples e estrita transcendência do paganismo, uma reconstrução transcendental do espírito pagão."
PORTUGAL E A ROSA...

QUINTO / O ENCOBERTO
Que símbolo fecundo
Vem na aurora ansiosa?
Na Cruz Morta do Mundo
A Vida, que é a Rosa.
Que símbolo divino
Traz o dia já visto?
Na Cruz, que é o Destino,
A Rosa que é o Cristo.
Que símbolo final
Mostra o sol já desperto?
Na Cruz morta e fatal
A Rosa do Encoberto.
QUINTO / NEVOEIRO
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer--
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogofátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!
Mensagem de Fernando Pessoa
QUINTO / O ENCOBERTO
Que símbolo fecundo
Vem na aurora ansiosa?
Na Cruz Morta do Mundo
A Vida, que é a Rosa.
Que símbolo divino
Traz o dia já visto?
Na Cruz, que é o Destino,
A Rosa que é o Cristo.
Que símbolo final
Mostra o sol já desperto?
Na Cruz morta e fatal
A Rosa do Encoberto.
QUINTO / NEVOEIRO
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer--
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogofátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!
Mensagem de Fernando Pessoa
sábado, junho 12, 2004
PORTUGAL E A EUROPA...
Tanta grandeza em si mesma é morta!
Tanta nobreza inútil de ânsia e dor!
Nem se ergue a mão para a fechada porta,
Nem o submisso olhar para o amor!

FERNANDO PESSOA
NASCIDO A 13 de junho de 1888
SEGUNDO / O QUINTO IMPÉRIO
Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!
Triste de quem é feliz!
Vive porque a vida dura.
Nada na alma lhe diz
Mais que a lição da raiz
Ter por vida a sepultura.
Eras sobre eras se somem
No tempo que em eras vem.
Ser descontente é ser homem.
Que as forças cegas se domem
Pela visão que a alma tem!
E assim, passados os quatro
Tempos do ser que sonhou,
A terra será teatro
Do dia claro, que no atro
Da erma noite começou.
Grécia, Roma, Cristandade,
Europa-- os quatro se vão
Para onde vai toda idade.
Quem vem viver a verdade
Que morreu D. Sebastião?
TERCEIRO / O DESEJADO
Onde quer que, entre sombras e dizeres,
Jazas, remoto, sentete sonhado,
E ergue-te do fundo de nãoseres
Para teu novo fado!
Vem, Galaaz com pátria, erguer de novo,
Mas já no auge da suprema prova,
A alma penitente do teu povo
À Eucaristia Nova.
Mestre da Paz, ergue teu gládio ungido,
Excalibur do Fim, em jeito tal
Que sua Luz ao mundo dividido
Revele o Santo Gral!
Tanta grandeza em si mesma é morta!
Tanta nobreza inútil de ânsia e dor!
Nem se ergue a mão para a fechada porta,
Nem o submisso olhar para o amor!
FERNANDO PESSOA
NASCIDO A 13 de junho de 1888
SEGUNDO / O QUINTO IMPÉRIO
Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!
Triste de quem é feliz!
Vive porque a vida dura.
Nada na alma lhe diz
Mais que a lição da raiz
Ter por vida a sepultura.
Eras sobre eras se somem
No tempo que em eras vem.
Ser descontente é ser homem.
Que as forças cegas se domem
Pela visão que a alma tem!
E assim, passados os quatro
Tempos do ser que sonhou,
A terra será teatro
Do dia claro, que no atro
Da erma noite começou.
Grécia, Roma, Cristandade,
Europa-- os quatro se vão
Para onde vai toda idade.
Quem vem viver a verdade
Que morreu D. Sebastião?
TERCEIRO / O DESEJADO
Onde quer que, entre sombras e dizeres,
Jazas, remoto, sentete sonhado,
E ergue-te do fundo de nãoseres
Para teu novo fado!
Vem, Galaaz com pátria, erguer de novo,
Mas já no auge da suprema prova,
A alma penitente do teu povo
À Eucaristia Nova.
Mestre da Paz, ergue teu gládio ungido,
Excalibur do Fim, em jeito tal
Que sua Luz ao mundo dividido
Revele o Santo Gral!
sexta-feira, junho 11, 2004
AINDA O OFÍCIO DE VIVER E AMAR...
CESARE PAVESE:
A luta e a contradição do Homem sem a Mulher Amada
(...)
Porque é que quase toda a gente sofreu uma desilusão de amor? Porque o próprio amor, sobre o qual se lançaram com entusiasmo, devia traí-los – por causa da lei que diz que só se obtém o que se pede com indiferença.
Para obter um amor trágico é necessário hablilidade. Mas são precisamente os incapazes de habilidades que têm sede de amor trágico.
Um amor interessa à pessoa amada por causa das coisas que traz consigo. É por isso que quem tenta amar, sincera e integralmente, quase nunca teve tempo para acumular as coisas (personalidade, riquezas, força, meios, qualidade, etc.) que fariam aceitar o seu amor.
Quanto ao amor, ninguém sabe o que fazer dele. E sejamos justos: que coisa é o amor senão a líbido de um macaco?
Que nunca conseguiremos plantar-nos no mundo (um trabalho, uma normalidade), é evidente.
Que nunca conquistaremos uma mulher (nem um homem), é manifesto, tanto pela precedente fraqueza como por aquela que sabes.
(...)
Para que serviu um grande amor?
Para descobrir todas as minhas taras, para pôr à prova a minha têmpera, para que eu pudesse julgar-me. (...)
Nada me salvou. (...)
Cheguei ao ponto de esperar salvação do exterior, e não existe cegueira maior: penso ainda que , com ela, poderia viver e lutar. Mas ela encarregou-se de justificar esta ilusão: riu-se-me na cara e poupou-me, assim esta ultima e penosa experiência.
“...Estamos cheios de vícios e tiques e de horrores. Nós os homens, os pais...”
O SUICÍDIO:
"Basta um pouco de coragem.
Quanto mais a dor é determinada e precisa, mais o instinto da vida se debate, e cede a idéia do suicídio.
Parecia fácil, pensando nisso. Entretanto mulherezinhas o fizeram. É preciso humildade, não orgulho.
Tudo isso dá nojo.
Não palavras. Um gesto. Não escreverei mais."
Em 27 de agosto ele se mata, ingerindo barbitúricos num quarto de hotel, em Turim.
Os motivos que levaram Cesare Pavese a esse trágico final podem ser inúmeros, mas serão, sempre, suposições. O certo - como em todos os suicídios - é a vivência de uma situação limite, um estado para além do qual a possibilidade de continuar a viver é algo inaceitável. No caso do escritor italiano, em 25 de março de 1950 ele descreve uma de suas prováveis razões: "Ninguém se mata pelo amor de uma mulher. As pessoas se matam porque um amor, qualquer que seja, nos revela nossa nudez, miséria, inofensividade, nulidade.
in Digestivo Cultural
CESARE PAVESE:
A luta e a contradição do Homem sem a Mulher Amada
(...)
Porque é que quase toda a gente sofreu uma desilusão de amor? Porque o próprio amor, sobre o qual se lançaram com entusiasmo, devia traí-los – por causa da lei que diz que só se obtém o que se pede com indiferença.
Para obter um amor trágico é necessário hablilidade. Mas são precisamente os incapazes de habilidades que têm sede de amor trágico.
Um amor interessa à pessoa amada por causa das coisas que traz consigo. É por isso que quem tenta amar, sincera e integralmente, quase nunca teve tempo para acumular as coisas (personalidade, riquezas, força, meios, qualidade, etc.) que fariam aceitar o seu amor.
Quanto ao amor, ninguém sabe o que fazer dele. E sejamos justos: que coisa é o amor senão a líbido de um macaco?
Que nunca conseguiremos plantar-nos no mundo (um trabalho, uma normalidade), é evidente.
Que nunca conquistaremos uma mulher (nem um homem), é manifesto, tanto pela precedente fraqueza como por aquela que sabes.
(...)
Para que serviu um grande amor?
Para descobrir todas as minhas taras, para pôr à prova a minha têmpera, para que eu pudesse julgar-me. (...)
Nada me salvou. (...)
Cheguei ao ponto de esperar salvação do exterior, e não existe cegueira maior: penso ainda que , com ela, poderia viver e lutar. Mas ela encarregou-se de justificar esta ilusão: riu-se-me na cara e poupou-me, assim esta ultima e penosa experiência.
“...Estamos cheios de vícios e tiques e de horrores. Nós os homens, os pais...”
O SUICÍDIO:
"Basta um pouco de coragem.
Quanto mais a dor é determinada e precisa, mais o instinto da vida se debate, e cede a idéia do suicídio.
Parecia fácil, pensando nisso. Entretanto mulherezinhas o fizeram. É preciso humildade, não orgulho.
Tudo isso dá nojo.
Não palavras. Um gesto. Não escreverei mais."
Em 27 de agosto ele se mata, ingerindo barbitúricos num quarto de hotel, em Turim.
Os motivos que levaram Cesare Pavese a esse trágico final podem ser inúmeros, mas serão, sempre, suposições. O certo - como em todos os suicídios - é a vivência de uma situação limite, um estado para além do qual a possibilidade de continuar a viver é algo inaceitável. No caso do escritor italiano, em 25 de março de 1950 ele descreve uma de suas prováveis razões: "Ninguém se mata pelo amor de uma mulher. As pessoas se matam porque um amor, qualquer que seja, nos revela nossa nudez, miséria, inofensividade, nulidade.
in Digestivo Cultural
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