O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

segunda-feira, agosto 09, 2010

AS MULHERES CORTADAS DA SUA LIGAÇÃO À TERRA

GAIA É A DEUSA TERRA, É A MÃE DE TODOS OS SERES VIVOS...


A MULHER PRECISA RENASCER DELA E AMÁ-LA COMO UMA MÃE...NÃO PODE PERMITIR QUE ELA CONTINUE A SER DESTRUÍDA E NEGADA A SUA SACRALIDADE.


“Pela repressão a alegria do feminino foi rebaixada como mera frivolidade; a sua sensualidade expressa foi diminuída como coisa de prostituta, ou então ridicularizada pela seu sentimentalismo ou reduzida exclusivamente a instinto maternal; a vitalidade da mulher foi submetida ao peso das obrigações e da obediência. Foi essa desvalorização que gerou filhas desenraizadas e subterrâneas do patriarcalismo, separando a força feminina da paixão, tornando-a imagem dos seus sonhos e ideais de um céu inatingível mantidos pomposamente por um espírito que soa a falso quando comparado com os padrões instintivos simbolizados pela rainha do céu e da terra”.


“A mulher que eu precisava chamar de mãe
foi silenciada antes de eu Ter nascido”


Infelizmente, muitíssimas mulheres modernas (na verdade quase todas) não receberam desde o início os cuidados de mãe. Pelo contrário foram criadas em lares difíceis, de autoridade absoluta e colectiva (“cortadas do contacto com a terra pelos tornozelos”, como observou uma mulher), cheios dos “é preciso” e dos “deve-se” do super-ego. Ou, então, acabaram por se identificar com o pai e a cultura patriarcal, alienando-se da sua própria base feminina e da mãe pessoal, que frequentemente é por elas considerada fraca e irrelevante. Essas mulheres têm necessidade premente de se defrontarem com a deusa em sua realidade fundamental.

Uma conexão interior dessa natureza é uma iniciação essencial para a maior parte das mulheres modernas do Ocidente; sem ela não podemos ser completas. Esse processo requer, a um só tempo, um sacrifício de nossa identidade enquanto filhas espirituais do patriarcado, e uma descida para dentro do espírito da deusa, porque uma extensão enorme da força e da paixão do feminino está adormecido no mundo subterrâneo, no exílio há mais de 5.000 anos.


In CAMINHO PARA A INICIAÇÃO FEMININA
De Sylvia B. Perera


domingo, agosto 08, 2010

EXORCISMO: EU QUEIMO E LANÇO FOGO...

SHEKIMT

"Eu queimo e lanço fogo
e arremesso dardos dos meus olhos
Eu rebemto e rujo
as minhas arestas são afiadas
e eu corto fundo
minha energia é forte e fogosa
e meu desagrado
tem de ser manifestado.
Embora algumas vezes eu seja gentil
posso ser muito emotiva.
Uma vez provocada
sou difícil de descartar.
Sou sempre adequada
sempre necessária.
Não tentem livrar-se de mim.
Preciso ser reconhecida e ouvida.
EU SOU A RAIVA."


Oh
brilha para dentro de mim
Acende teus luzeiros em meus olhos
Ergue teus braços oh prenhe de tudo
Oh vaso
Oh via láctea de nos amamentares com teu leite
de sombra
Oh úbere e pródiga
Aleita tua ninhada faminta
Grande fera luzidia
Grande mito
Grande deus/a* antigo/a
Oh urna onde todos dormimos


ANA HATHERLY
(* no poema está deus e eu espero que a autora me perdoe... )


- Vai!...Vai!...Chegou a hora! Vai unir-te às humilhadas filhas da noite, tuas irmãs! Ao som dos tambores do sangue ide acordar a Grande Mãe! Quebrai o vidro tumular em que o tirano coroado de louro aprisionou a sua augusta ira! Chegou a hora! Libertai a fúria exilada nos cristais do seu sono milenar! Chegou a hora! Com o tirso do ódio excitai as matilhas do instinto! Lançai as ágeis cadelas de Lyssa aos calcanhares do déspota solar! Que o seu poder decline e o cadáver seja de novo oferecido à vingativa rapina das bacantes!


In A MADONA de Natália Correia

Jane Burgermeister

"Como escrevi no artigo de ontem, sobre a cruz no céu de 07 de agosto, temos mais uma mulher, mais uma verdadeira heroína sob ameaça das leis e da opressão do Estado dominado pela corporatocracia: Jane Burgermeister. Ela, em fevereiro de 2009, denunciou a contaminação da vacina contra a gripe suína pelo laboratório Baxter, na Áustria, e agora dia 12 de agosto irá ao tribunal de seu país falsamente acusada.

É bastante curioso que mulheres que vem a público para denunciar a ação opressora de grupos encastelados no Estado estejam sob ameaça nesse momento quando no céu temos Saturno e Vênus em Libra e a Lua em Câncer com Plutão do outro lado em Capricórnio. Eis a tão famosa cruz celestial de 2010, que alguns chamaram de cruz do fim do mundo. A meu ver essas situações vividas por Sakineh, Jane Burgermeister e outras mulheres são indicadoras verdadeiras do significado de tal cruz astral. Eis o vídeo com Jane Burgermeister.

Jane Bürgermeister, jornalista austríaca, recentemente apresentou acusações criminais junto ao FBI contra a Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização das Nações Unidas (ONU), e vários altos funcionários governamentais e empresariais relativos ao bioterrorismo.

Jane criou um dossiê, entregue ao FBI, que mostra as evidências de que o virus da gripe suína foi criado em laboratório e usado para exterminar parte da população e forçar lei marcial.


"Evidências de que um sindicato internacional de criminosos corporativos, que se anexaram com altos oficiais do governo dentro dos Estados Unidos, estão levando adiante um genocídio em massa contra as pessoas dos Estados Unidos usando um vírus pandemico artificialmente (geneticamente) modificado, e um programa de vacinacao para causar morte em massa, ferimentos e despovoar os EUA de forma a trasferir o controle dos EUA para a OMS, a ONU e suas forcas afiliadas de seguranca (Tropas da UN e OTAN)"


Uma das acusações é contra a Baxter, que enviou 72 kilos de vírus da Áustria para vários países, como se fosse vacina. Jane cita também vários atos do governo e leis da ONU que dão poder ao governo, FEMA e a ONU para forçar vacinacao em massa, lei marcial e aprisionamento.

Jane foi despedida do seu emprego de correspondente européia para o site de energia renovável.

IN PISTAS DO CAMINHO
http://pistasdocaminho.blogspot.com/

sábado, agosto 07, 2010

AS MULHERES QUE OLHAM ATRÁS...

Fiz um jogo de Tarot – cruz celta - para essa questão toda da cruz astral do dia 07 de Agosto, tão falada, comentada e coisa e tal. A seguir coloco algumas impressões esparsas, que não vou aprofundar de todo.

Há nessa questão toda um anseio muito grande de que algo novo surja, nasça. Há uma necessidade muito grande de mudança e de busca pelo sentimento, pelo sentir, pelo amor, pelo afeto, pelo perdão.
(...)
Hoje, em todas as manchetes, o (a) mártir é uma mulher: Sakineh, sujeita a ser apedrejada no Irã por ter cometido adultério. Lembremos que a cruz no céu tem de um lado Saturno e Vênus, de outro Júpiter e Urano. Saturno a querer castrar Vênus, as leis de um país como o Irã querendo apedrejar Sakineh. De outro lado nasce, surge um clamor mundial em favor de Sakineh representado por Júpiter, o grande benéfico, e Urano, o transgressor. No outro braço temos Lua de um lado e Plutão de outro. Plutão ou Hades foi quem raptou Perséfone causando a falência da Terra, Deméter, infeliz por ter a filha roubada. O apedrejamento de Sakineh corresponde, de certa forma, ao rapto de Perséfone, pois não se pode imaginar o inferno vivido por tal mulher. Sakineh encarna toda a violência cometida contra as mulheres ao longo do tempo – Vênus e Saturno.

Vênus e Saturno estão em Libra, casa da Justiça. De novo temos aí o julgamento de Sakineh. Me pergunto por que os céus apontam tão claramente para o caso de Sakineh. Talvez os deuses tenham se reunido em concílio escolhendo o caso Sakineh como referência para o que acontecerá com a humanidade daqui por diante. Se Sakineh for salva haverá ainda esperança para a humanidade, mas se não for então estaremos ferrados. Talvez. Certamente que isso politicamente pega mal para o Irã e dá mais gás aos desejos belicistas da aliança EUA-Israel. Diante de tal situação a mídia ofuscou os crimes recentes de Israel na faixa de Gaza e transformou o Irã na bola da vez.
É um momento para, de fato, pedirmos, orarmos pela alma dessa mulher como representante de todas as mulheres, de toda a Terra, de todos os seres humanos que estão cansados de viver submetidos a regimes opressores, sejam eles o Irã, Israel, EUA ou outro qualquer, que transformaram o nosso mundo em algo que ele não deveria ser. Rezemos por Sakineh.

Me pergunto quantas Sakinehs não existem pelo mundo, sujeitas ao apedrejamento, em suas diversas formas, ao enforcamento, ao espancamento e as mais diferentes violências. Sakineh como mulher é uma expressão da própria Terra violentada pelo homem. Temos aí um estado teocrático, a religião perseguindo o feminino, a mulher. Mais uma vez o dragão apocalíptico persegue a virgem coroada por 12 estrelas.

O julgamento de Sakineh não será o julgamento de um estado de coisas que é inconcebível e que deve chegar ao fim?


Se é verdade que o que está em baixo e como o que está em cima,
ao olhar para o alto e para nós mesmos podemos ter esperança? Tudo, talvez, dependerá do destino de Sakineh. Rezemos por ela, rezar por ela é como rezar por nós todos. Afinal, quem salva uma vida salva o mundo inteiro, palavras do Talmud.

Entre o fim do mundo, o fim de Sakineh, o fim do apedrejamento de Sakineh ou o fim de situações como essas, fico com as duas últimas, e sem a necessidade de mártires.

Fernando Augusto
in PISTAS DO CAMINHO: http://pistasdocaminho.blogspot.com/

sexta-feira, agosto 06, 2010

A MULHER INTEGRAL


A MULHER PARA LÁ DA IMAGEM E DA IDADE...


O Feminino em Feminismo/ Integral/

“I am love, I am lovable, I am loved, and I love.” If there is an invocation of the Integral Feminine, this adaptation of a refrain with which yogini Sofia Diaz often closes her classes is that invocation. "Eu sou o amor, eu sou amável, eu sou amada, e eu amo." Se há uma invocação do Feminino Integral, esta adaptação de um refrão com que yoguini Sofia Diaz frequentemente fecha as suas aulas é esta. Through these words, the four faces of the Integral Feminine are called forth into the immediate awareness of the integral practitioner: “I am love” and “I am lovable” recognize who I am (our individual interior experience, or the upper left quadrant) in both an absolute and a relative sense. Através destas palavras, as quatro faces do Feminino Integral são convocados para a consciência imediata do médico integral: "Eu sou o amor" e "Eu sou amável" reconhecer quem eu sou: em ambas as afirmações há o sentido do absoluto e um sentido do relativo. Who I am is none other than absolute love Herself. Quem sou eu não é outra pessoa senão eu mesma, em relação ao amor absoluto. And who I am, in the relative sense, is a woman who is deeply worthy of love from the very start—in all of her confusion, all of her delusion, all of her magnificence, and all of her radiance. E quem sou eu, no sentido relativo, é uma mulher que é profundamente digna de amor desde o início meso em toda a sua confusão, toda a sua ilusão, assim como em toda a sua magnificência, e todo o seu esplendor. “I am loved” recognizes who I am connected to through mutual understanding and how compassion flows toward me and through me (our cultural experience, or the lower left quadrant).

"Eu sou amada", reconhece que estou conectada através da compreensão mútua e como a compaixão flui para e através de mim e da nossa experiência cultural, “I love” recognizes who I care for in the world, through devoted leadership and skillful service. "Eu te amo", reconhece que me importa com o mundo, através de uma liderança dedicada e hábil ao serviço do outro. I care, in ever-expanding orders of compassionate embrace, for both my own embodiment (the upper right quadrant) and the social and political landscape that I am a part of (the lower right quadrant). Eu me importo, e em constante expansão, dou um abraço misericordioso a ambos os lados da minha encarnação, ao meu próprio ser e à paisagem social e política de que eu sou uma parte. O Feminino/Integral, o feminino-em-acção é um exemplo de feminismo integral.

“I am love, I am lovable, I am loved, and I love.” "Eu sou o amor, eu sou amável, eu sou amada, e eu amo."

We are that Love.Not just when we feel happy, not just when we're temporarily graced with health, not only when we find ourselves in relationship, or finally find ourselves by getting out of one.Nós somos o Amor. Não apenas quando nos sentimos felizes, não apenas quando estamos temporariamente agradecidas pela nossa saúde, não só quando nos encontramos numa relação boa ou, finalmente, nos encontramos a sair de uma má. That Love is the very ground of our being, even when we feel like a raging thunderstorm that will never end or an impenetrable fortress of fog where the sun won't shine through or a proverbial wet blanket. Esse amor é o fundamento do nosso ser, mesmo quando nos sentimos como uma tempestade furiosa que nunca mais vai acabar ou como uma fortaleza impenetrável de nevoeiro, onde o sol não brilha (…). Even then, we are that Love. Mesmo assim, estamos nesse amor. But there are many layers of confusion and delusion that can keep us from ?seeing and knowing that directly. Mas há muitas camadas de confusão e engano que nos podem impedir de o ver e saber directamente? As trainers at Integral Institute, we have designed a Women's Integral Life Practice seminar. Como formadores de Instituto Integral, nós projectamos uma Mulher Integral em seminários de Vida Prática. Practicing together in a circle of women, there is a quickening in cutting through delusion. Praticando juntas esses métodos em círculos de mulheres, e aí há uma aceleração no corte das nossas ilusões.In the company of women, we can be ruthlessly honest with one another. Na companhia das mulheres, podemos ser totalmente honestas umas com as outras. With less to prove and less to shy away from, we aren't too proud to own our ignorance and our brilliance. Com menos empenho em provar coisas exteriores e menos tímidas em nos mostrar como somos, nem ficamos muito orgulhosas de nossa própria ignorância nem do nosso brilho. There is more space.Não há mais espaço para isso. And inside that recognition, we discover that space is everywhere, with everyone. E dentro desse reconhecimento, descobrimos que o nosso espaço está aberto.

In the company of women, it becomes a question of whether or not we are willing to fill that space with our fullness, with our freedom, with our most radiant selves.Quando estamos na companhia da mulher, há a questão de saber se estamos ou não dispostas a preencher esse espaço com a nossa plenitude, com a nossa liberdade, com os nossos eus mais radiantes. We don't waste our time asking if meditation is really just a masculine practice for men; our deepest truth is that meditation is an expression of who we, as human beings, are. Mas nós não desperdiçamos o nosso tempo perguntando se a meditação é realmente apenas uma prática masculina e para os homens; a nossa verdade mais profunda é que a meditação é uma expressão de quem somos, como seres humanos. Aí eWe are freestamos em liberdade. We know that embracing our feminine form in all of her sensuality and creativity is central to women's practice.Sabemos que abraçar a nossa forma feminina em toda a sua sensualidade e criatividade é fundamental para a prática das mulheres. We are fullness. Queremos estar em plenitude. Meditation is an expression of who we are, just as are the sacred feminine arts of yoga, dance, and music. A meditação é uma expressão de quem somos, tal como são as artes sagradas do feminino, do yoga, da dança e da música. These practices are interlinked. Estas práticas estão interligadas. Through the power of identification, valuation, and affirmation that comes from practicing among women, we are increasingly able to both deeply include and freely transcend our femaleness and other characteristics of our embodiment. Através do poder da identificação, valorização e afirmação pessoal que vem da prática entre as mulheres, estamos cada vez mais capazes de as integrar em nós, mais profundamente e livremente e transcender a nossa feminilidade e outras características de nossa encarnação.

To embody this spectrum of Love takes practice.Para incorporar esse espectro de amor requer-se prática. As integral practitioners we exercise mind, body, and spirit in self, culture, and nature. Como praticantes do integralismo nós exercitamos a mente, o corpo e o espírito no nosso self, cultura e natureza. In our modules on spirit and shadow (upper left), we get to know the feminine face of the Divine and the feminine face of contraction/self-separation. Em nossos módulos de espírito e de sombra, podemos reconhecer a face feminina do Divino e do rosto feminino da contracção / separação de si mesmo. In our yoga, movement, and sexuality modules on body as breath (upper right), we include and transcend our three bodies (gross, subtle, and causal). Em nosso movimento de yoga, e nos seus módulos está incluída a sexualidade no corpo tal como a respiração, que incluem e transcendem os nossos três corpos (físico, subtil e causal). In our spirit-as-action modules (lower right), engaging ethics and social issues, we include and transcend agency and communion. Nos nossos módulos de espírito-como-acção, envolvendo a ética e as questões sociais, nós incluímos o transcender pela comunhão. We recognize that the Integral Feminine-in-action is inseparable from integral feminism. Reconhecemos que a Integral Feminina-em-acção é inseparável do feminino integral.

(…)If the second-wave feminist understanding is the radical notion that women are people, integral feminism furthers this understanding by acknowledging that women are people, women are God, and women are nothing—no thing at all.

Através da disciplina e da celebração da Mulher Integral na Vida Prática, que vemos em nosso meio acontecer, ficamos maravilhadas com a beleza diáfana, com o radiante brilho mesmo que de forma efémera que todas demonstram.

(Tradução e adaptação minha)

Willow Pearson

quarta-feira, agosto 04, 2010

um leve arrepio






´Toma uma lágrima
e pousa-a em quem nunca chorou.´


Gandhi




Canto-te

com a fragilidade de tudo que existe perante

uma eternidade demasiado nocturna para os nossos

olhos infantis perante a tua antiguidade futura

E a nossa voz é uma pequena onda no dorso do teu oceano de matéria

Um leve arrepio apenas na espantosa espessura do teu éter...



(EXCERTO DE POEMA)
Ana Hatherly


E quando sentires que o teu coração está quente...


ABULAFIA ´Hayye ha'Olan ha-Ba - in "
in O Pêndulo de Foucaut"

"Que as tuas vestes sejam cândidas... se for de noite, acende muitas luzes, até que tudo brilhe... Agora começa a combinar algumas letras e combina-as até que o teu coração aqueça. Tem cuidado com o movimento das letras e com o que poderás produzir ao misturá-las. E quando sentires que o teu coração está quente, quando vires que através da combinação das letras apanhas coisa que não poderias saber sozinho ou com o auxílio da tradição, quando estiveres pronto a receber o influxo da potência divina que penetra em ti, emprega então toda a profundidade do teu pensamento a imaginar no teu coração o Nome e os seus Anjos superiores, como se fossem seres humanos que estivessem ao teu lado."

"Da rosa, nada digamos agora..."

««««


"No coração dos amantes que bebem a lia, ateiam-se os desejos ardentes. No foro interior dos sábios de coração triste, há refutações (...)"
RUMI


Feitiço


Sou possessa sim, mas de amor o teu!

Amante de mim, sim,

mas de tanto em mim viveres ó Deusa
Crente e serva de um só e único olhar ,
o teu invisível olhar,

que me fulminou de magia
e ardente nostalgia,
mal eu nasci...

*

««««


a minha ascese


Os teus olhos
são a poção mágica em cujo fundo eu caí

sem querer...
Os teus cabelos são a chama incandescente

em que o meu peito arde,
mesmo sem te ver.


Tu és o fogo da minha essência que me consome,

Tu és o fervor místico que me devora,
a dakini do meu destino,
o tantra
e o mantra da minha vida...
e a minha ascese.


**Mulher Incesto – Sonata e Prelúdio
rlp

segunda-feira, agosto 02, 2010

Coração de fogo...
























"Quem é esta que surge como a aurora,
formosa como a lua, brilhante como o sol, majestosa como um exército embandeirado?"

Cântico dos cânticos...


"...mais doce ainda que o canto da lira
...e mais que o oiro doirada"


Fragmentos - Safo


A TUA IMAGEM

Tenho a tua imagem gravada no mais fundo do meu coração:
olhos internos, fibras e nervos te vêm.

Corre no meu sangue como um rio
e eu deixo-me levar na corrente do teu ser.

Bebo da tua seiva e ergo-me
como a coluna do templo em que és rainha e minha
no mais sagrado altar em que te posso abrigar.

Guardam-me a alma os teus olhos
que me seguem a cada silêncio e a cada gesto.

Queria abraçar-te o ventre e adormecer suavemente a teus pés

Como o pedinte à porta de uma igreja ou o nómada no deserto,
a minha sede de ti é eterna, ó mãe do céu e da terra em que nasci!

rosaleonorpedro

O MUNDO ARDENTE...


OS MISTÉRIOS

ou "a travessia das sete esferas planetárias"


"Pertencia ao ensinamento dos Mistérios, o simbolismo da travessia das sete esferas planetárias, no decorrer da qual a alma se desprende pouco a pouco das diferentes determinações ou condicionalidades a elas ligadas, e concebidas como outras tantas vestes ou roupagens a retirar, até atingir o estado da "nudez" completa do ser absoluto e simples, que só se encontra a si próprio quando se situa para além dos "sete".


Plotino recorda, justamente, neste contexto, aqueles que ascendem degrau por degrau aos Mistérios sagrados, ao mesmo tempo que vão despindo as suas vestes e avançam nus; e, no sofismo, fala-se de tamzig, a laceração da roupa durante o êxtase." (...)

in "A METAFÍSICA DO SEXO " de Julius Evola

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"Esta herança dos séculos se sedimenta no "cálice" como camadas ardentes;

portanto aqueles que carregam o fogo da síntese se manifestam como se carregassem o fardo dos séculos."


O Caminho para o Mundo Ardente

No caminho para o Mundo Ardente é preciso ter em mente que aquele que transmite liga as próprias energias com a Hierarquia. Tal compreensão leva à unidade do espírito, que é uno em sua essência.

Entre os seguidores do Ensinamento, os espíritos que tomam a si missões responsáveis devem ser especialmente notados. Quão mais responsável é carregar a síntese em comparação com a especialização !

O guia afirmado conhece todas as alegrias, toda a abrangência da síntese, mas ao mesmo tempo o peso de todos os fogos manifestados e não manifestados. Esta herança dos séculos se sedimenta no "cálice" como camadas ardentes; portanto aqueles que carregam o fogo da síntese se manifestam como se carregassem o fardo dos séculos.

O especialista, tendo um canal permanente para o fluxo de suas energias, raramente se sobrecarrega, mas o que carrega o fogo da síntese é um oceano tempestuoso de energias. O carma de quem carrega a síntese é muito belo, mas a carga é grande. Cada herança, mesmo se não se manifestar, vive e palpita no espírito. Um sentimento de não-satisfação e de aspiração para o aperfeiçoamento distingue os portadores da síntese.

Embora o caminho da especialização seja aparentemente difícil, o caminho do portador da síntese supera de todas as maneiras o caminho do especialista. Quantas buscas e conquistas abnegadas o portador da síntese revela na vida diária! Na verdade, cada fase do crescimento no caminho do portador da síntese é uma conquista do espírito. No caminho para o Mundo Ardente, é necessário reconhecer a conquista do portador da síntese ardente.

O indicador mais forte da conquista é a auto-abnegação. Atravessar o caminho da vida como um fio, passar por cimas de todos os abismos cantando, só é possível para o espírito abnegado.


( Agni Ioga - Mundo Ardente 1935 - p.74 )



domingo, agosto 01, 2010

A SABEDORIA PERDIDA


A FONTE DA VIDA

Nem a sociedade humana, nem a história humana podem ser compreendidas sem se levar em conta os modos diferentes como uma sociedade usa a dor e o prazer para motivar o comportamento humano. [11]

A visão de que o sexo tem uma dimensão espiritual é tão estranha a tudo que aprendemos que deixa quase todo mundo completamente confuso. [17]
Nossos ancestrais do paleolítico e do começo do neolítico imaginavam o corpo da mulher como um receptáculo mágico. Devem ter observado como sangra de acordo com a lua e como miraculosamente produz gente. Também devem ter se maravilhado com o fato de ele prover alimento, produzindo leite. Acrescente a isso o poder aparentemente mágico de fazer com que o órgão sexual masculino se erga e a capacidade extraordinária do corpo da mulher para o prazer sexual – tanto para experimentá-lo quanto para oferecê-lo – e não é de admirar que o poder sexual da mulher tenha infundido tanto respeito em nossos ancestrais.
Nem é de admirar eu a genitália masculina, junto com o touro e outros animais de chifres e cascos, símbolos da potência masculina, deva ter sido contemplada com reverência e admiração. Ou que a união sexual entre a mulher e o homem, a fonte da vida, amor e prazer, tenha sido, para nossos ancestrais um tema mítico-religioso importante. [39-40]

A condenação moral da sexualidade foi muito mais do que um desequilíbrio psicológico. Foi parte integrante da estratégia altamente política da Igreja para impor e manter o controlo sobre o povo que se recordava vagamente de tradições religiosas muito antigas e ainda se apegavam a elas. Se a Igreja queria consolidar seu poder e se firmar como a única e exclusiva fé, a persistência de mitos e rituais de um sistema religioso antigo e arraigado – no qual a Deusa e seu filho ou consorte divino eram adorados, mulheres eram sacerdotisas e a união sexual entre homens e mulheres possuía uma marcante dimensão espiritual – não podia ser tolerada. [46]

Em geral pensamos os rituais como associados à religião. Mas de uma perspectiva antropológica, os rituais são comportamentos formais que transmitem significados simbólicos geralmente compreendidos. Como os rituais são frequentemente associados a situações altamente carregadas de emoção, toda sociedade humana tem algum tipo de ritual associado ao nascimento, cópula e morte. [62]
Se analisarmos todo o escopo de nossa história planetária, parece haver nela um impulso de ensaio em relação a essas características que na linguagem da espiritualidade foram chamadas de mais evoluídas – características vigorosamente expressas no esforço humano em direcção à beleza, verdade, justiça e amor. [68-69]

A sexualidade humana não é um estorvo e sim uma ajuda na busca humana de uma consciência superior de formas, cultural e socialmente, mais evoluídas e igualitárias de organização. [69]

Na verdade, é bastante possível que, em nossa pré-história, houvesse ritos eróticos sagrados em ocasiões religiosas importantes, como o retorno anual da primavera, no qual a união da fêmea com o macho era celebrada como uma epifania ou manifestação sagrada dos poderes misteriosos que concedem e mantém a vida.[78]
Para nossos ancestrais pré-históricos que consideravam o sexo parte integrante da ordem cósmica, os ritos eróticos deveriam ter significado muito diferente. Para eles, os ritos eróticos teriam sido rituais de alinhamento com os poderes femininos e masculinos, com o poder de conceber vida, com o cosmo. Para eles, compartilhar os prazeres do sexo não teria sido pecaminoso e sim uma maneira de se aproximar da Deusa. [79]

Nossos ancestrais exaltavam o sexo não apenas em relação ao nascimento e procriação, mas como a fonte misteriosa tanto do prazer quanto da vida. Os mitos e ritos eróticos pré-históricos não eram apenas expressões de alegria e gratidão pela dádiva da vida concedida pela Deusa, mas também expressões de alegria e gratidão pelas dádivas do amor e do prazer.[81]
Para nossos ancestrais a vida e o prazer pertenciam ao domínio do sagrado. Nossos ancestrais sacralizavam o prazer, particularmente o prazer físico mais intenso: o prazer do êxtase sexual. [82]
O reconhecimento do sexo e particularmente do poder sexual criativo da mulher, como central para os ciclos de nascimento, morte e regeneração também é um tema importante no período neolítico.
Aí encontramos figuras representando os poderes do universo de conceder e nutrir a vida. E a articulação dos princípios masculino e feminino.
O princípio masculino é geralmente simbolizado por um animal de chifres. Vemos cena após cena da Deusa em combinação com chifres de touros ou pinturas de touros. Esses touros provavelmente retratavam o filho ou o consorte da Deusa como representantes da potência sexual masculina. O que encontramos é uma convenção artística que perfigura as imagens posteriores de um Deus Touro que era venerado nos tempos antigos.[85-86-editado]
Há indicações de que o casamento sagrado da deusa e o Deus Touro era celebrado toda primavera, como parte de um festival que talvez tenha sido a ocasião para ritos humanos de cópula. [110]

Nossas antigas imagens místicas reflectiam uma visão de mundo em que a morte não era um evento isolado, nem um destino final no céu ou inferno. Mas sim parte de um mesmo ciclo: o ciclo do sexo, nascimento, morte e renascimento, no qual a Deusa regenerava o que lhe cabia conceder e no qual o sexo desempenhava um papel misterioso, mas central.

Nossos ancestrais ao perceberem que as mulheres só davam a luz depois de manterem relações sexuais concluíram que o renascimento da vida vegetal e animal [e o renascimento do sol] a cada primavera também era gerado através de algum tipo de união sexual. Desse modo, nossos ancestrais adaptavam ritos, através dos quais nós humanos também pudéssemos nos unir às forças misteriosas que governam o universo. Podia-se acreditar que através de ritos eróticos de alinhamento com o poder misterioso do sexo, nós humanos além de encontrarmos protecção e conforto na dor, tristeza e morte inevitáveis, aumentamos a chance, de geração a geração, de uma vida alegre e generosa. [168-editado]
O touro como símbolo da potência masculina remonta ao período paleolítico como, muito provavelmente, o mito da sagrada união do principio criativo feminino com um touro.[171]
O que vemos na arte minoana são cenas de jovens e donzelas dançando com touros, no que parece ter sido um ritual importante de habilidade atlética e devoção religiosa. [174]
Na perspectiva de uma ideologia de alinhamento com os poderes da natureza de conceder a vida e de ameaça de morte, as indefesas donzelas e jovens minoanos dançavam com esse animal poderoso, legendário por sua potência sexual e por sua potência destrutiva, seu significado seria simplesmente o que é literalmente: um ato de equilíbrio em que o amor dessas pessoas pela vida era simbolicamente preparado para a possibilidade, sempre presente, da morte. [174-editado]
A busca mística parece ser uma experiência exclusivamente humana. Assim também parece ser o estado místico ou extático que oferece aqueles que o experimentam uma sensação de paz interior indescritível, de beatitude e acesso aos poderes curativos, juntamente com a sensação de unidade ou unicidade, que os místicos ao longo do tempo chamaram de Amor Divino.

Há vários caminhos para o estado extático ou místico. As artes paleolítica, neolítica e minoana sugerem que bem no começo da cultura ocidental, a dança era usada para alcançar o transe místico. Desde os tempos antigos, as pessoas também usavam a meditação, os exercícios de respiração, os alucinógenos, o jejum e a privação do sono para induzir estados de consciência elevados ou alterados. Como vimos há uma forte evidencia de que o êxtase sexual foi um caminho importante para os estados místicos e extáticos.
A antiga percepção de que o sexo envolve o que hoje chamamos de estado alterado da consciência e de que a união sexual de mulher e homem pode ser um caminho para a beatitude e iluminação espiritual, ainda é evidente em várias tradições religiosas orientais. [190-editado]

O vínculo físico entre as mulheres e os filhos através do parto e entre as mulheres e os homens através do sexo eram percebidos como sagrados e não profanos. Pareciam ter percebido a sabedoria que jaz no cerne de nossas tradições religiosas e místicas mais enaltecidas que somente através da união, do amor, podemos realizar o nosso potencial mais elevado. [205]
A busca dos místicos dessa sabedoria perdida é a busca da reconexão, é a busca de uma maneira de se relacionar, de meios de remediar o que foi brutalmente separado: a conexão fundamental erótica e espiritual entre mulheres e homens. [205-editado]

Riane Eisler - O Prazer Sagrado - Editora Rocco

Copiado de Rascunhos de um Pagão
Obrigada Beto!