O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

sexta-feira, agosto 26, 2005

“A MINHA DOR POR TER SIDO ABANDONADA PELA MINHA MÃE É UM PREGO NO MEU CORAÇÃO. É VIVER NA MORTE.”*


TODAS AS MULHERES, salvo raras excepções, são, grosso modo, “abandonadas” pelas mães senão de forma concreta por vezes, pelo menos são-no quase sempre, ao nível afectivo e psicológico, quase sempre de forma subtil e de acordo com os preconceitos seculares. Raras mães puderam ou souberam amar as suas filhas, dando-lhes valor ou liberdade, porque uma filha cujo destino é espelhar o seu próprio sofrimento oculto ou mitigado em forma de sacrifício à família, à sociedade e à religião, vai inconscientemente, fazer com que ela se distancie da dor previsível da filha, na proporção da sua própria frustração, ao não querer ou não saber enfrentar o seu próprio sofrimento proveniente da sua anulação como ser individual. Logo que nasce, uma mulher está condenada a casar ou a não casar...a servir o homem ou o padre ou a prostituir-se e ser exilada...é quase sempre um peso para a família económica e “moralmente”, e o temor do que possa acontecer a uma rapariga que não tiver “dono” pesa na deformação da mulher. Por essa mesma razão a mãe, inconscientemente claro, condena a filha ao mesmo destino de inutilidade por um lado e sofrimento por outro, e acalenta exclusivamente toda a esperança no filho macho assim como todo o seu orgulho ou vaidade. O filho é homem e vai vencer por ela ou “vingar” na vida (e a ela) e o ciclo é vicioso...Com diferenças maiores ou menores de acordo com o nível económico da família, de educação ou das culturas e tradições dos países e religiões de origem, o facto é que a mulher em todo o mundo não deixou de ser ainda vítima de um preconceito milenar.

A sociedade patriarcal ao perpetuar a inferioridade da mulher e ao condená-la a um papel secundário de submissão e subalternidade, pôs e continua a por em risco o equilíbrio da sociedade em que vive e não percebe que todos os males que a assolam passam por esse abismo que se criaram entre o homem e a mulher e que não basta haver no Ocidente, uma aparente liberdade ou igualdade sem a consciência do ser profundo da mulher mágica e da Deusa que esta mesma sociedade patriarcal renegou há milhares de anos. As mulheres foram e são as grandes vítimas da influência nefasta e redutora da mulher pela religião judaico-cristã! e o mundo inteiro com elas - pois as mulheres são as mães dos homens, convém não esquecer!

- Como sabemos hoje em dia foram os hebreus e outros grupos (equeus e dórios) de sacerdotes guerreiros que invadiram e destruíram as sociedades pacíficas onde as mulheres viviam em harmonia e consequentemente em paz com os homens. Viviam em paridade no que se pressupõe ser uma forma de matriarcado, com os seus rituais de fertilidade e dádiva, com os ciclos da vida e da natureza, respeitando as estações, as colheitas e as fazes da lua a que correspondiam as suas “regras” etc., quando chegaram os invasores bárbaros e destruíram esse equilíbrio e começaram a implantar as suas leis de nómadas do deserto que trouxeram o seu deus iracundo, um deus misógino e dominador, que considerava as mulheres imperfeitas e inferiores. Essa parte da história tal como o Feminino Mágico, o tempo das sacerdotisas do amor sagrado como ritual e iniciação ao amor da Deusa, em que a Mulher era a Matriz, ficou relegada para os subterrâneos da “pré-história”...onde esses invasores bárbaros só trouxeram com o seu deus, dor, escravidão, morte e destruição...

“AS MULHERES ESTÃO NO EXÍLIO HÁ MAIS DE 5.000 ANOS...”
(Nota de rodapé de um livro emprestado...)

A DESCIDA AO INTERIOR DA TERRA-DEUSA-MÂE


“O sofrimento é uma parte relevante do feminino subterrâneo. Ele pode permanecer inconsciente até que o advento da Deusa da Luz o desperte para a percepção, o mova do entorpecimento silencioso em direcção à dor. Ao nível mágico da consciência ele é suportado de forma amenizada numa aparente “insensibilidade”. Desse modo como que não há percepção de sofrimento.(...) Mas o sofrimento é uma parte do feminino .”*

Isto quer dizer que quando a mulher tem consciência da Deusa da Luz, o sofrimento que a sua ausência - ou a falta de consciência de si mesma - provoca, é anulado pelo conhecimento de uma parte de si que lhe faltava e que serve de suporte à sua evolução e a uma nova postura na vida. Enquanto a mulher não fizer essa descida ao abismo que ela mesma é, ela não consegue deixar de sofrer a sua divisão e fragmentação e viverá como vítima secular reduzida a um instrumento de procriação e prazer ao serviço da sociedade, manietada pelo estado e pela religião. Pois “a vida da mulher tem sido uma realidade de partos repetidos e verdadeiramente presenciados pela morte, um ciclo natural que manteve a maior parte de sua vida centrada na áspera malignidade da realidade, na sensação de estar vivendo à beira de um abismo. Assim a criatividade feminina se consumiu nos partos, nas artes e manutenções domésticas - coisas sujeitas ao desgaste e à destruição, coisas a ser devoradas - além de não ter muito valor num contexto cultural mais amplo, embora constituam a força civilizacional básica de qualquer cultura, imediata e pessoal, construída nos pequenos interstícios do processo de manter a sobrevivência da família. Num contexto destes não é de espantar que o homem judeu agradeça a deus por não ter nascido mulher.(...)”*

“CAMINHO PARA A INICIAÇÃO FEMININA”
De Sylvia B. Perera

quinta-feira, agosto 25, 2005

A LUCIDEZ DO POETA FAZ MUITAS VEZES FALTA AOS FILÓSOFOS...
(SÓ O POETA TEM SABEDORIA)


"Desde o meio do século dezoito que uma doença terrível baixou progressivamente sobre a civilização. Dezassete séculos de aspiração cristã constantemente iludida, cinco séculos de aspiração pagã perenemente postergada – o catolicismo que falira como cristismo, a renascença que falira como paganismo, a reforma que falira como fenómeno universal. O desastre de tudo quanto se sonhara, a vergonha, de tudo quanto se conseguira, a miséria de viver sem vida digna que' os outros pudessem ter connosco, e sem vida dos outros que pudéssemos dignamente ter.

Isto caiu nas almas e envenenou-as. O horror à acção, por ter de ser vil numa sociedade vil, inundou os espíritos. A actividade superior da alma adoeceu; só a actividade inferior, porque mais vitalizada, não decaiu; inerte a outra, assumiu a regência do mundo."

Fernando Pessoa

quarta-feira, agosto 24, 2005

A TRANSFORMAÇÃO DE QUE O MUNDO PRECISA
PASSA PELA CONSCIÊNCIA DO FOGO FEMININO



A MULHER COMO MATRIZ E SUSTENTO

“As mulheres julgam muitas vezes que elas não servem senão para gerar filhos e que nesses corpos se vêm fixar as almas. Mas não! As mulheres são desde toda a eternidade a Matrizes e o Sustento de muitas outras coisas. Elas são antes de tudo o mais, as reveladoras do Conhecimento. O Princípio Feminino e o poder da Mulher vem agora para quebrar as cadeias de todas as rotinas e tiranias. Esse poder fala da “curiosidade imaginativa” sagrada e cria assim um espaço em constante expansão na Consciência da Humanidade. É aí que se encontra o verdadeiro papel da Matriz. Ela gera e alimenta “outra coisa” de “doutra maneira” e é essencial e necessária para a Vida concluir a sua obra.”


E O GRANDE PAPEL A DESEMPENHAR PELA MULHER

“É por isso que eu vos digo, é preciso que a mulher veja a Mulher QUE ELA É em si mesma e que o homem a aceite nele próprio. O acordar deste mundo exige essa mutação! O Fogo feminino é um fogo da Terra, e reparem, se temos necessidade do Ar que vem do Céu, o inverso não se pode negar. Todos os que sabem ou entendem o que eu digo, vêem que o Céu e a Terra se atraem um ao outro, que não existem independentes um do outro. Por isso é preciso que os homens aceitem este ensinamento e que as mulheres não temam mais desvelar a sua função...e só então o mundo entrará em metamorfose”.


O FOGO FEMININO. O FOGO QUE LIMPA
(...)
“Que a vossa humanidade tenha balançado entre monarquias e ditaduras e depois repúblicas não muda nada no mundo pois o vento que sopra as suas velas não é senão expressão de relações de força e de domínio. A incessante luta interior em que se debatem as vossas almas entre o dominador ou o dominado é uma limitação, é a verdadeira pobreza de que tem de se libertar. O Fogo Feminino que está hoje em dia A COMEÇAR A DESPERTAR tem como Missão por fim a esse combate interior. Ele tem como função reinventar o Homem e a Mulher neste mundo, de revelar outra imagem, outro ser mais completo, mais solar, mais cristão no sentido universal do termo.”


In VISIONS ESSÉNIENNES
Daniel Meurois-Givaudan

TODAS AS MULHERES QUE TIVEREM UMA INFORMAÇÃO CORRECTA SOBRE O NEO-PAGANISMO E QUEIRAM DEFENDER O PRINCÍPIO DA DEUSA E DAS FORÇAS VIVAS DA NATUREZA MÃE DEVEM CONTRIBUIR PARA O SEU ESCLARECIMENTO E LIMPAR A MANCHA NEGRA QUE ESTE PAPA QUER DEIXAR ASSOCIANDO-O AO NAZISMO.
É TEMPO DE LIMPARMOS A HISTÓRIA DA DEUSA DA REPRESSÃO E PERSEGUIÇÃO CATÓLICA!

terça-feira, agosto 23, 2005

CAMINHO PARA A INICIAÇÃO FEMININA

"O retorno à deusa, para renovação numa base de origem e num espírito feminino, é um aspecto vitalmente importante na busca que a mulher moderna empreende em direcção à totalidade.

Nós, mulheres que alcançamos sucesso no mundo, somos, via de regra, “filhas do pai” , ou seja, somos bem adaptadas a uma sociedade de orientação masculina, e acabamos por repudiar nossos instintos e energias mais integralmente femininas, rebaixando-as e deformando-as da mesma forma que a nossa sociedade o fez. Precisamos retornar a esse mundo e redimir o que o patriarcado frequentemente considera apenas como uma ameaça perigosa, chamando-a de mãe terrível, dragão ou bruxa."

De SYLVIA B. PERERA


"...devemos reinvindicar as nossas forças místicas. Devemos avançar, contra as árduas e obscuras forças do ridículo e da resistência sejam quais forem as formas que tenham fazendo o que temos que fazer e desempenhando o papel que nos cabe.

A opressão sobre as mulheres ainda persiste, e por vezes são as próprias mulheres que tornam o mundo ainda mais difícil para as outras mulheres. Mas este fenómeno tende a desaparecer, à medida que essas mulheres opressoras conquistem a sua auto-estima. Do lado oposto a esta selva nasce um dia novo e gloriosos na terra, o dia em que as nossas filhas deixarão de ser julgadas pelas suas paixões ou postas de lado porque terão poder, força e amor."

in O VALOR DE UMA MULHER de
MARIANNE WILLAMSON – 1993


“(...)O instinto que nós apelidamos de sexual, sensual e erótico, ler “baixos instintos”, não é senão a procura de um estado de beatitude interna a que alguns chamam felicidade. Esta felicidade é a finalidade em que nos fixamos. Como a não conseguimos atingir a acção acaba num efeito no resultado que é o prazer e não um fim em si nem um meio mas o acabar num acto incompleto ou num acto pelo qual todas as causas para o seu sucesso não estavam à partida reunidas. O prazer é de algum modo a forma imperfeita do que nós julgamos ser a felicidade, mas no mundo relativo que é o nosso será possível atingir essa felicidade?
Somos obrigados com isto a chegar a um outra constatação: o prazer é o que resta ao homem (ser humano?) de mais desejável quando ele quer satisfazer o seu instinto.

É este instinto que a “civilização” nos fez esquecer e que os diferentes sistemas de educação colocam deliberadamente sob repressão em detrimento da natureza humana e evidentemente simbolizado nas sociedades paternalistas pela Mulher.

Se o instinto é oposto à produção, a Mulher que é Instinto, que é Sensibilidade, que é Intuição, opõe-se fatalmente ao Homem que é Razão, que é Lógica, que é o Construtor, que é o Produtor, que é Organizador. E depois, os antigos terrores face à Mulher ficam bem presentes: a Mulher é também o Amor, e o amor culpado."
(...)
(in JEAN MARKALE – LA FEMME CELTE)

segunda-feira, agosto 22, 2005

VENERAÇÃO significa:
ADORAÇÃO DE VÉNUS (AFRODITE) OU VENUS+ORAÇÃO


(...)
“A Catedral de Chartres, como muitas catedrais cristãs dedicadas à Virgem Maria, fora erigida num local de peregrinação consagrado à Deusa, antes do cristianismo. Maria era particularmente venerada em Chartres. Na própria palavra venerada esconde-se a Deusa Vénus.


(...) A catedral a Maria foi construída onde a Deusa era antes homenageada, muito antes do cristianismo e até antes dos gregos e das suas deidades. Tipicamente a Deusa tinha uma miríade de nomes. Ali em Chartres, continua a ser homenageada nos seus aspectos de virgem e mãe, só que, em vez de se chamar Ísis, Tara; Deméter ou Artémis, tem o nome de Maria.

Tal como todos os sítios onde a Deusa era cultuada se tornaram locais de igrejas cristãs, também os seus símbolos foram aproveitados. Por exemplo, antes de se tornar o símbolo de Maria, a rosa vermelha desabrochada estava associada a Afrodite (Vénus) e representava a sexualidade amadurecida. Em Chartres, que é dedicada à Virgem Maria abundam as rosas. A luz derrama-se através de três belas rosáceas de vitral, enormes, e uma rosa simbólica constitui o centro do labirinto. Este tem uma extensão de 666 pés, exactamente. Seiscentos e sessenta e seis era o número sagrado de Afrodite, segundo Barbara Walker. Na teologia cristã passou a ser um número demoníaco.”


Porque foi diabolisado o número 666 dito o número da besta? Porque sendo dedicado à Deusa Afrodite (Vénus), a Deusa do Amor e do erotismo, fazendo parte do culto antigo à Grande Deusa, a Deusa “pagã” da sensualidade e da fertilidade e de todos os rituais de consagração à Terra Mãe, às estações e forças da natureza, tinha de ser reprimido e portanto só posteriormente o culto da Deusa é chamado de paganismo já com toda a carga pejorativa e perseguidos os seus seguidores, nomeadamente as mulheres, de forma violenta e radical pelo cristianismo que se ia infiltrando e adoptando os lugares de culto da Deusa e assim como os seus lugares sagrados de peregrinação e veneração, tal como as suas vestes que ainda hoje os padres usam na missa.

Reprimido o culto a Deusa e denegridos os seus símbolos, como a serpente e outros, caiu no esquecimento, assim como a primazia do Princípio Feminino e os seus valores, que correspondem à Época do Matriarcado, transformadas que foram em santas cristãs as “deusas” de todo esse período histórico, denegridas e inferiorizadas as mulheres ou apagadas da nossa história, a ideia que se faz do Paganismo hoje em dia é obscura e corresponde a uma ideia deturpada pela igreja católica ao longo dos séculos. Até hoje, quando se fala de paganismo se pensa em hereges e bruxas e sacrifícios de pessoas e animais, gatos pretos que dão azar e números treze, tal como a história da bruxa que come meninos...quando na verdade significavam exactamente o contrário, tal como o número 666 correspondia ao culto de Vénus, o Feminino que a igreja de Roma (o contrário de Amor) destruiu e amordaçou através de crimes e torturas, mortes e perseguições as mais macabras, perpetradas mais tarde pelo seu Santo Ofício que imperou durante mais de três séculos....

A igreja de Roma, apagou de tal forma todos os vestígios da VENERAÇÃO da Deusa Vénus ou de qualquer outro nome que a Deusa tivesse - consoante a língua falada no local e época - assim como o fez com Maria Madalena nos Evangelhos, que parece que o PAGANISMO seria uma religião bárbara e brutal quando se tratou exactamente do contrário.

É inconcebível que no século XXI o Papa Ratzinger associe o Nazismo ao Néo-Paganismo...pois “sabemos que houve mais mulheres queimadas numa estaca do que as assassinadas com gaz nos fornos nazis do holocausto da Segunda Guerra Mundial.” Isto prova que Ratzingar continua a perseguir e a denegrir a Deusa e a Mulher, movido pelo antigo medo e a misoginia dos padres, bispos e cardeais, que continuam activos de forma consciente e deliberada. Eles continuam a lutar contra as mulheres e a sua liberdade, para que estas continuem esmagadas debaixo da pata da Besta-Negra e nisso são iguais aos fundamentalistas islâmicos e outros.

Como sabemos sobejamente “no patriarcado básico, a sexualidade da mulher e a sua capacidade para gerar filhos pertence exclusivamente ao marido, e não à própria mulher. As áreas da sexual e sensual são receadas e reprimidas. Na nossa memória colectiva feminina, sabemos que a morte por lapidação, assim como a violação, o empobrecimento e a prostituição forçada eram castigos de uma sexualidade não sancionada. Por conseguinte, muitas vezes o terror acompanha sensações sexuais proibidas, relembrando que o poder de Deus foi orientado contra a Deusa e a autonomia das mulheres.” *

• in TRAVESSIA PARA AVALON J.S. Bolen

domingo, agosto 21, 2005

O MALDITO LIVRO CONTRA AS MULHERES:
Malleus Maleficarum,
A QUE A IGREJA DE ROMA CONTINUA MAIS OU MENOS FIEL...


Publicado em 1486, o livro Malleus Maleficarum, escrito pelos inquisidores papais alemães Heinrich Kramer e James Sprenger, foi um eficaz instrumento nos tribunais para consolidar a crença de que uma grande conspiração arquitetada por Satã e suas seguidoras, as bruxas, tomava conta do mundo. Até o final do século XV, o manual já era um best seller, recordista absoluto entre qualquer livro anterior ou posterior sobre demonologia, com mais de uma dúzia de edições.Na detalhada obra, que explicava desde os feitiços mais comumente praticados até como localizar a presença das malignas criaturas no seio da sociedade, Kramer e Sprenger não pouparam esforços para mostrar que a mesma mulher que provocou a expulsão do homem do paraíso ainda era uma ameaça presente. O velho temor católico de monges e padres celibatários estava mais forte do que nunca. "A perfídia é mais encontrada nas pessoas do sexo frágil do que nos homens" garantiam os dois. Bruxas eram o mal total: renunciavam ao batismo, dedicavam seus corpos e almas ao demônio e, suprema lascívia, costumavam manter relações sexuais com ele. Principalmente durante os sabás, reuniões em que as forças do mal se reuniam para banquetear-se com criancinhas não batizadas e que sempre terminavam em fabulosas orgias. Testemunhos da época davam notícia de sabás reunindo até 1000 bruxas.

Para provar a propensão natural da mulher à maldade não faltavam argumentos aos autores do Malleus. A começar por "uma falha na formação da primeira mulher, por ser ela criada a partir de uma costela recurva, ou seja, uma costela no peito, cuja curvatura é, por assim dizer contrária à retidão do homem. A própria etimologia da palavra feminina confirmava essa fraqueza original: segundo eles, femina, em latim, reunia em sua formação as palavras fide e minus, o que quer dizer menos fé.


De: LADEIRA, Cadu e LEITE, Beth
Fonte: Site Contando História
http://www.amazon.com.br/~armando
O feminino nos mitos primordiais

"A mitologia e a religião das comunidades que viveram na península balcânica antes da chegada dos povos de língua grega (1) eram baseadas em conceitos fundamentalmente femininos. Isso se reflete nitidamente nos mitos da criação, em que todo o mundo conhecido emerge de uma entidade feminina primordial. Essenciais também ao processo de formação do mundo foram as titânides, contrapartes femininas dos titãs; as musas, que representavam as diversas formas do pensamento; e também as diversas divindades femininas "naturais", como as nereidas e as ninfas."

(in - http://www.tempoglauber.com.br/principal/profana/profanapesquisa.htm)



"Carlos Byington nos alerta que :

"a repressão da mulher e o ataque a ela como bruxa, devido à projeção nela dos arquétipos da Grande Mãe e da Anima, necessitam ser compreendidos junto com a histeria, que é uma quadro patológico formado basicamente pela disfunção dos arquétipos Matriarcal e de Alteridade. As características desses arquétipos de intimidade, fertilidade, exuberância do desejo, da imaginação, da clarividência esotérica e da expressividade emocional, quando feridas dão margem ao entrincheiramento desses arquétipos numa luta de poder expressa pela magia destrutiva, pela dramatização e sugestibilidade descontroladas, pela fantasia mentirosa, pela agressividade vingativa desproporcional, pelo congelamento das reações afetivas, pelas reações através de sintomas físicos e pela falsidade voluntária."

(in:http://www.malleusmaleficarum.weblogger.terra.com.br)
- Obrigada Marian!
DE QUE TEM MEDO O PAPA
QUANDO ASSOCIA O NAZISMO AO NEO-PAGANISMO?


Ele tem medo da ascenção não da Virgem que eles controlam, mas da Mulher Real na posse do seu Dom e liberdade. Eles continuam a denegrir a ideia de paganismo...como se a Florbela Espanca - quando diz: "sou pagâ e anarquista como uma pantera que se presa" pudesse ser associada ao nazismo...

Eles odeiam e TÊM MEDO de todos os escritores e poetas, sobretudo das mulheres, assim como da sua criatividade, liberdade, auto-suficiência na comunhão com os elementos", tudo o que faz apologia da vida e não da morte e sai dos seus dogmas e domínio ancestral, pois sabem que se as mulheres voltarem a ser detentoras da sua integridade física e espiritual, do seu Dom de Profetisas e Curandeiras inatas, elas desmascararão todos os simulacres de amor e caridade que eles professam!...

Elas sabem que a Igreja de Roma destruiu o Culto da Deusa-Mãe, renegou a mulher e dividindo-a em duas - a santa e a prostituta - fez deliberadamente cair sobre Maria Madalena a anátema da prostituta e desviando o seu culto inicial para mais tarde serem forçados a eregir o da Maria Mãe de Cristo "virgem" negando a sexualidade da mulher e do homem, condenando-a como "pecado"...

Beatufil Rose, óleo sobre tela de A.Fonseca

(...)
Yosef ajuda a rainha a desembarcar.
Com as sandálias na mão,
Ela caminha pela água pouco profunda
Até às areia de cristal.
Magnífica, com a brisa a agitar-lhe os cabelos.

A sua filha está salva
E é livre, finalmente - assim como Marta e Lázaro.
Longe estão os terrores da tirania
E os caprichos do mar. A paz e a alegria rodeiam-nos.

Miriam olha com ternura para filha
Nascida no deserto do exílio.
“Chamei à minha filha Fora do Egipto”
Sara.
A escolha de Deus não fora um filho
Para pegar em armas,
Rebento da casa de David e da tribo de Judá,
leão para esmagar o punho brutal de Roma
E reclamar o trono real.
Não. Desta vez, Deus
Escolhera uma filha.

(...)
Maria Madalena e o Santo Graal
de Margaret Starbird

sexta-feira, agosto 19, 2005

"A GRANDE DEUSA E O PAGANISMO>

"Apesar dos discursos que se pretendem feministas, apesar de importantes concessões feitas ao apostolado das mulheres, a regra é sempre masculina: só um homem pode representar Jesus, e, portanto, Deus pai, pois admitir as mulheres à função sacerdotal seria voltar aos cultos julgados escandalosos anteriores ao cristianismo." - Jean Markale

O Grande Mago Negro vestido de branco, atacou hoje a grande sombra do seu Santo Ofício, o velho Paganismo pelo medo intrínseco da Deusa e a sua revelação na divulgação de livros como o Código de Vince, e tantos outros, dizendo aos milhares de jovens concentrados na Alemanha para o festejar na sua terra natal, que o Nazismo foi entre outras coisas terríveis, um "neo-paganismo"...

Subtilmente o Velho Pastor alemão, com a sua voz melíflua voltou a denegrir o PAGANISMO que tem como princípio o Amor e o Culto da Deusa Mãe e da Natureza, o respeito pela Mulher e pelo Homem e que representava a elevação das Forças Telúricas em harmonia com o Cosmos...Esses eram os seus rituais de iniciação, não tortura nem morte...

O Paganismo não é herege...mas a fé na Deusa Mãe e na Criação e foram os primeiros cristãos que perseguindo e caluniando os devotos da Deusa Mãe, perseguindo e matando as sacerdotisas que serviam o seu culto e eram mulheres livres, transformaram o paganismo numa aberração. Da mesma maneira que transformaram Maria Madalena em prostituta...

A Guerra, a tortura e o terror pertenceram, ao longo dos séculos, às grandes religiões tanto "cristãs" como "islâmicas" e ao que sabemos a própria Igreja deu muitas vezes as bençãos a Hitler, e a tantos outros ditadores, o que nenhum verdadeiro PAGÃO faria...
O ARQUÉTIPO DA MULHER SELVAGEM


"O arquétipo da Mulher Selvagem, bem como tudo o que está por detrás dele, é o benfeitor de todas as pintoras, escritoras, escultoras, dançarinas, pensadoras, rezadeiras, de todas as que procuram e as que encontram, pois elas todas se dedicam a inventar, e essa é a principal ocupação da Mulher Selvagem. Como toda a arte, ela é visceral, não cerebral. Ela sabe rastrear e correr, convocar e repelir. Ela sabe sentir, disfarçar e amar profundamente. Ela é intuitiva, típica e normativa. Ela é totalmente essencial à saúde mental e espiritual da mulher

E então o que é a Mulher Selvagem? Do ponto de vista da psicologia arquetípica, bem como pela tradição das contadoras de histórias, ela é a alma feminina. No entanto ela é mais do que isso. Ela é a origem do feminino. Ela é tudo o que for instintivo, tanto no mundo visível quanto do mundo oculto - ela é a base. Cada uma de nós recebe uma célula refulgente que contém todos os instintos e conhecimentos necessários para a nossa vida.
(...)
Ela é quem se enfurece diante da injustiça. Ela é a que gira como uma roda enorme. É a criadora dos ciclos. É à procura dela que saímos de casa. É à procura dela que voltamos para casa. Ela é a raiz estrumada de todas as mulheres. Ela é tudo o que nos mantém vivas quando achamos que chegamos ao fim. Ela é a geradora de acordos e ideias pequenas e incipientes. Ela é a mente que nos conhece; nós somos os seus pensamentos.
(...)
Onde vive a Mulher Selvagem? No fundo do poço, nas nascentes, no éter do início dos tempos. Ela está na lágrima e nos Oceano. Está no câmbio das árvores, que zune à medida que cresce.Ela vem do futuro e do início dos tempos. vive no passado e é evocada por nós. Vive no presente e tem lugar à nossa mesa, fica atràs de nós numa fila e segue à nossa frente quando dirigimos na estrada. Ela vive no futuro e volta no tempo para nos encontrar agora."
(...)

in "MULHERES CORRENDO COM LOBOS" - de CLARISSA PINKOLA ESTÉS