O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

terça-feira, julho 11, 2006

“O Graal - simboliza a Deusa perdida. Quando apareceu o cristianismo, as antigas religiões pagãs não desapareceram da manhã para o dia. As lendas da busca dos Cavaleiros do Graal perdido eram histórias que explicavam as andanças para recuperar a divindade feminina. Os cavaleiros que diziam partir em busca do “Cálice”, falavam em código para proteger-se de uma Igreja que tinha subjugado as mulheres, proibido a Deusa, queimando os crentes nas fogueiras e censurado o culto pagão da divindade feminina." (...)

in "Código da Vince" - Dan Brown

SÓ POR ISTO VALE A PENA VER O FILME...

O ERRO COMUM D'“AS PROSTITUTAS SAGRADAS”

O termo de “prostituta sagrada” é impróprio na forma como é aplicado pela nossa cultura judaico- cristã pois não corresponde à realidade da época. Muito antes do cristianismo, e de outros cultos patriarcais, o Culto da Deusa Mãe e a sexualidade da mulher era sagrada e a liberdade do seu corpo igualmente enaltecida pela dom da fertilidade, e ainda como forma de dádiva na iniciação amorosa do homem. Não se descriminava o sexo nem havia "prostituição"...mas Dádiva e oferta do corpo da Deusa na Mulher...Essa era a revelação...

Nesse tempo não recaia sobre a mulher a noção de pecado, não havia essa carga pejorativa sobre a sexualidade, bem pelo contrário, pois a mulher era enaltecida pelo dom de dar à luz a criança e alimentá-la e ainda iniciar o homem nos mistérios do amor da Deusa.


ASSIM:

“O termo escolhido pelos modernos tradutores, é aplicado à hierodulae, ou “mulher sagrada” do tempo da deusa, que desempenhava um papel importante no dia a – dia do mundo clássico.


As sacerdotisas de Deusa e os seus importantes encontros iam até ao periodo Neolítico (7000-3.500ª.C.), tempos em que Deus era honrado e amado no feminino em todas as regiões conhecidas hoje como a Europa e o Médio Oriente.

No mundo antigo, a sexualidade era considerada sagrada, uma dádiva especial da deusa do amor, e as sacerdotisas que oficiavam nos templos da deusa do amor do Médio Oriente eram consideradas sagradas pelos cidadãos dos impérios grego e romano. Conhecidas como “mulheres consagradas”, eram tidas em grande estima como invocadoras do amor, do êxtase e da fertilidade da Deusa. Em alguns períodos da História Judaica, até faziam parte da adoração ritual no Templo de Jerusalém, se bem que alguns dos profetas de Javé deplorassem a influência da Grande Deusa, localmente chamada de “Ashera”.”


In Maria Madalena e o Santo Graal
De MARGARET STARBIRD (Quetzal)

sábado, julho 08, 2006

UMA LÁGRIMA INVISÍVEL ...


(...)

"Talvez o seu corpo astral esteja ferido. E se chorar cair-lhe-á dos olhos uma lágrima invisível porque o corpo é o leito onde dormimos permanentemente até ao momento de sabermos que estamos sempre abertos para a cegueira irreal, a única verdadeira.
E se o deslumbramento cessa, cessa o canto."


In SIGMA - 1965
ANA HATHERLY
EM NOME DE AFRODITE?...

Afrodite diz: ”Aqueles que respeitam o meu poder, eu elevo com honras, porém levo à ruína todos os que se vangloriam diante de mim.”


( modelos ou travestis - o império do imaginário masculino...)

Enquanto os homens não integram o seu lado feminino, seguem explorando, torturando e matando as mulheres, os animais, os outros homens e saqueiam o planeta.

(...)
“O estágio de desenvolvimento da anima no homem reflete-se concretamente em seus relacionamentos externos com mulheres. Quando vê a mulher como ameaça sinistra, como alguém inferior que deve ser mantida em seu lugar, é sinal de que sua natureza feminina interna está ainda em estágio juvenil, pronta a provocar e escarnecer o homem. Esse tipo de homem se enrijece contra as emoções, temendo que elas se manifestem mediante um super-sentimentalismo, ou através de agressão inapropriada. O feminino interior e os relacionamentos com mulheres desenvolvem-se reciprocamente quando ele se torna conscientemente capaz de valorizar o feminino. Tanto a mulher interior quanto a exterior podem então ser reconhecidas como a encarnação da alegria, da paixão, da inspiração, da criatividade, da espiritualidade e, no plano mais elevado de todos, da sabedoria.


(a prostituta)

(...)
Para indivíduos que não tem vontade de mudar atitudes coletivas estreitas__especialmente aqueles que se baseiam nas leis do patriarcado__ a maturidade psicológica não é possível. A desatenção em relação à Deusa traz como conseqüência encontro estéril e abrasivo com a vida; a apatia e a falta de propósitos vão dominando a pessoa. A necessidade compulsiva pelo poder substitui a alegria do amor. Quando a natureza feminina é valorizada, e não é vista como brinquedo, e sim como energia a ser abraçada, a vida psíquica desabrocha e torna-se frutífera, trazendo nova perspectiva.” (…)


In “ A prostituta Sagrada__A face eterna do Feminino”
de Nancy Qualls-Corbet



Esses ritos em que a mulher se "prostituía" pela Deusa, marcavam a meu ver a reconciliação do homem com sua anima e fazia com que ele respeitasse as mulheres à sua volta. Se não há nada que faça o homem respeitar as mulheres, o mundo fica órfão das qualidades femininas que são negadas pelo medo e aversão que os homens passam a sentir e nas mulheres isso causa uma tristeza e mágoa por não se sentirem valorizadas. As mulheres estão muito feridas nesse mundo patriarcal. Precisamos começar a nos curar e resgatar nosso sentido de autovalorização e autorespeito. Não podemos esperar que os homens acordem e sim fazer isso por nós mesmas.

Comentário enviado por uma “colaboradora” sempre presente!
Obrigada Igaci

sexta-feira, julho 07, 2006

A PROPÓSITO DA FEIRA INTERNACIONAL DO “EROTISMO” (EM LISBOA)
(Entre a grosseria e a obscenidade a ignorância e a ordinarice…)


Meu amigo/a estou-lhe agradecida pelo texto que me deixou nos comentários e devo dizer-lhe que concordo e conheço parte da História ou do Mito, como alguns pretendem que seja, que relatam o sentimento ancestral de sacralidade da Deusa e dos seus rituais de iniciação “sexual” e cultos de fertilidade ligados a Terra Mãe, mas hoje em dia penso e sinto que o tema está por demais profanado pelo não menos aberrante conceito cristão do pecado e pela sua perseguição secular da mulher e da sua sexualidade, como fonte do mal.

A dimensão do sagrado vivenciado no Amor da Deusa através do corpo da mulher, esse ritual sagrado como forma de iniciação do homem nas sociedade arcaicas nada têm a ver com a nossa noção de sexo mas menos ainda da prostituta ou da prostituição tendo este termo como sabe a maior carga pejorativa e abjecta que só avilta a mulher.

Nenhum homem dos nossos dias pensa já na sacralidade do corpo da mulher e ainda menos na Deusa - a não ser um iniciado dos seus mistérios - e portanto para mim a prostituição hoje é só uma forma mais de degradação e violência que se abate sobre a mulher pobre e sem recursos - mesmo que esta defenda a prostituição como “força de trabalho”; estou a lembrar-me de um artigo que li há pouco tempo em que era entrevistada uma sindicalista da profissão que defendia o corpo da mulher como um instrumento de trabalho...

Veja o quão longe se está da entrega sagrada à Deusa e da dádiva respeitada pelos nossos antepassados e a visão mercantilista e redutora do prazer pelo prazer e a comercialização do sexo, totalmente alienado do amor e servindo a mulher apenas de “contentor de lixo” tóxico das raivas e frustrações ou mesmo puro sadismo dos homens…

Olhe os jornais, olhe a publicidade, olhe as fotografias e as legendas alusivas a esta feira de “erotismo”…

Aqui, mais uma vez, percebemos que tanto o cristianismo como o marxismo só contribuíram para dinegrir a MATRIZ do mundo, a Mater e a própria origem do homem, a Mãe e a Mulher-amante aquela que o inicia tanto ao dar à Luz como no Amor da Deusa Afrodite…
As Deusas e as mulheres foram totalmente anuladas no Dogma: Pai Filho e Espírito Santo… A Virgem Maria aparece, ainda que mediadora entre o deus e o filho, somente como imaculada… não conspurcada…pelo homem?...
Este é o paradoxo absoluto da Igreja, castradora da Vida e do Instinto Vital, do Sagrado aliado à Natureza e à Terra Mãe…

Só quando o Ser Humano voltar a eleger essa sacralidade no Corpo Redentor da Mulher como Mãe e Amante, e amar da mesma forma a Terra que lhe dá alimento, o Planeta pode ser salvo do caos em que navega ao sabor das guerras e das forças policiais dos Governos…
rlp
Na Babilônia, Ishtar é a antiga divindade que representava a fertilidade. Suas histórias são oriundas das histórias de Inanna da Suméria, mas seu culto floresceu na Babilônia dos Assírios, quando Ishtar era a principal divindade, e se expandiu por quase toda a Ásia, usualmente com outros nomes. Ishtar era importante como uma Deusa-Mãe, deusa da terra, deusa do amor e da guerra. Nas antigas religiões do oriente médio, e posteriormente na Grécia, Roma, e no oeste da Ásia, Ishtar é a deusa mãe, o grande símbolo da fertilidade da terra. Ela é adorada sob vários nomes:

Astarte, Ceres, Cybele, Deméter, Ishtar, Isis, etc...



Com o passar do tempo, as divindades masculinas influenciam a história de Ishtar, e as divindades masculinas passam a ser adoradas em histórias de morte e ressurreição que simbolizam os poderes regenerativos da terra. Da mesma forma como Inana, Ishtar desce ao submundo, e deixa para trás todos os seus pertences na terra.

Posteriormente retorna, simbolicamente ressurgindo para mais um ciclo de morte e renascimento. Ela desce ao submundo procurando o elixir sagrado para restaurar a vida de Tammuz. Ao passar pelos sete portões, ela vai deixando todos os seus pertences, todas as jóias e roupas, assim como todos que entram nos domínios dos mortos. Segundo alguns estudiosos, o mito da descida ao submundo representa a época do ano quando os suprimentos de comida estão em seu ponto mais crítico, no final do inverno. A sua morte representa o término da comida que havia sido guardada, e a sua ressurreição representa a nova colheita que enche de novo os depósitos.

A fertilidade dos campos, e o mistério que envolve as colheitas anuais, se reflete no ritual, onde a fertilidade feminina é adorada. A fertilidade é um mistério, e então as mulheres passam a representar o papel de portadoras deste mistério. Uma das conseqüências destas adoração da fertilidade como mistério é a adoção de rituais ligados ao sexo. Como Heródoto descreve, sobre as práticas da prostituição sagrada na antiga Babilônia, a fertilidade é um mistério e ao mesmo tempo uma obrigação. Ele escreve: O costume babilônico mais sujo é o que compele toda mulher da terra, uma vez na sua vida, se sentar no templo de Afrodite e ter relações com algum estranho.

Muitas mulheres que são ricas e orgulhosas e desdenham em se consorciar com o resto, dirigem-se ao templo em carruagens cobertas, puxadas por times, e lá se postam com um grande acompanhamento de assistentes. Mas a maioria se senta no esquema sagrado de Afrodite, com coroas de corda nas cabeças; há uma grande multidão de mulheres indo e vindo; passagens marcadas por linhas correm por todos os lados pela multidão, através das quais os homens passam e fazem a sua escolha. Quando uma mulher assume seu lugar ela não parte para casa antes de algum estranho lançar dinheiro no seu colo e ter relações com ela fora do templo; mas quando ele lança o dinheiro, ele tem que dizer, `Eu a exijo em nome de Mylitta' (esse é o nome Assírio para Afrodite).
Não importa qual é a soma de dinheiro; a mulher nunca recusará, isso seria um pecado, o dinheiro se torna sagrado através deste ato. Assim ela segue o primeiro homem que lança a moeda e não rejeita nenhum. Depois da relação ela se fez santa na visão da Deusa e parte para sua casa; e depois disso não haverá nenhum suborno grande o bastante que a compre. A prostituição sagrada funcionava mais ou menos colocando a mulher como a mediatrix entre dos homens e os deuses. Ele passa a ser aquela que fica entre dois mundos para facilitar a troca de favores, ou para reconciliar as partes. Este conceito de mediatrix pode ser encontrado na tradição católica, com a Virgem Maria, que como valorosa mãe de Deus, e cheia de graça, ocupa a posição do meio entre deus e suas criaturas. O encontro sexual era tratado como um rito de unificação entre homem e deus (ou deusa), ou como uma maneira para que o macho tenha iniciação no conhecimento dos reinos físico e espirituais.

Strabo comenta que entre os Armênios, não só escravos e escravas, mas as filhas dos homens mais ilustres eram consagradas aos cultos de Anaitis, enquanto eram solteiras. Era costume que elas fossem prostituídas por longos períodos no templo da Deusa, e depois fossem dadas em casamento. " e ninguém desdenha de viver em laço de casamento com tais mulheres"

Robert G. Ingersoll – “As mãos que ajudam valem mais que os lábios de rezam”.


Texto deixado por leitor/a anónimo...

quinta-feira, julho 06, 2006

“A Imagem Dupla”
(...)

"Quero levantar o tema do incesto com a mãe ou com a irmã porque ele está claramente implícito na bipolaridade da deusa. Isto tem muitas conotações para a mulher. No presente contexto trata-se de uma maneira de “incorporar as forças obscuras da mãe, ao invés de fugir e destruí-las”. A ligação erótica pode permitir uma conexão íntima com qualidades positivas da sombra às quais a mulher nunca teve acesso dentro de si mesma. E também o retorno à possibilidade de estar intimamente religada a outrem igual a si mesma, e que pode ratificar plenamente o feminino.

Neste domínio está incluído o mistério do amor entre mãe e filha e entre mulheres iguais. Anne Sexton escreveu sobre “a caverna do espelho, aquela mulher dupla que olha para si mesma”, no poema “A Imagem Dupla”. (...)

E Adrienne Rich: o “Espelho em que duas são vistas como uma. É ela a quem chamamos de irmã”. Uma paciente pintava duas irmãs se abraçando e “os dois corpos apertados um contra o outro pareciam uma só pessoa”. E ela explicava:

“Duas irmãs abraçadas fazem uma pessoa forte. E é a maneira pela qual consigo abraçar-me quando preciso de uma mãe e não há ninguém que me ajude: Eu a mim, como uma irmã a sua irmã”.


O CAMINHO PARA A INICIAÇÃO FEMININA
De Sylvia B. Perera
A VERDADEIRA DÁDIVA

"A Dádiva, no sentido humano mais alto, é um gesto de abnegação do Eu em favor de outro; a Dádiva, no sentido sobre-humano, é a fusão do Eu no Si."




O RECONHECIMENTO E A ALEGRIA

"Aquele que souber, como uma criança ou ser original, deixar-se envadir pelo sopro vivificante e concentrá-lo no seu coração como um sábio, terá encontrado o segredo de uma fonte de vida.

A alegria é um tesouro de força incalculável.

A alegria, multiplicada pelo Reconhecimento, torna-se um centro de atracção para as forças anímicas benfeitoras; as suas ondas de natureza quente e altruísta, atraiem as ondas da mesma natureza; da mesma maneira que a tristeza atrai ondas maléficas e influências malsãs."

(...)


IN "A ABERTURA DO CAMINHO" - Isha Schwaller de Lubickz

quarta-feira, julho 05, 2006

A UNIÃO DOS PRINCÍPIOS, FEMININO E MASCULINO

"Inventemos, escreve Pessoa, um Imperialismo Andrógino reunindo as qualidades masculinas e femininas; um imperialismo alimentado de todas as subtilezas femininas e de todas as forças de estruração masculinas. Realizemos Apolo espiritualmente. Não uma fusão do cristianismo e do paganismo, mas uma evasão do cristianismo, uma simples e estrita transcendência do paganismo, uma reconstrução transcendental do espírito pagão."

Fernando Pessoa



"A alma não é um homem, nem uma mulher"...

"A alma não é um homem, nem uma mulher, nem o que não é homem nem mulher. Quando a alma toma a forma de um corpo, fica limitada por esse mesmo corpo.

A alma nasce e floresce num corpo, com sonhos e desejos, de acordo com as suas obras anteriores. E então renasce em novos corpos, conforme as acções da sua vida passada.

A qualidade da alma determina o seu futuro corpo: terreno ou aério, pesado ou leve. Os seus pensamentos e acções podem levá-lo à liberdade, ou conduzí-la à escravidão, vida após vida."


Os Upanishades


A ANDROGINIA DAS ALMAS

É sobretudo na tradição hermética que se encontram referências à androginia das almas: "não há (nas almas) machos nem fêmeas; esta disposição só existe nos corpos", responde Ísis ao seu filho Hórus, que lhe pergunta como nascem as almas, se machos se fêmeas (Ménard, pp.203-204). Também entre os gnósticos encontramos alusões tanto à androginia de Deus, de quem as almas são emanação e reflexo. A androginia é ainda atestada nos Evangelhos apócrifos. O que demonstra que nos primeiros séculos da era cristã se respirava um misticismo sincrético bastante semelhante à tendencia hermética que volta a despertar no século dezasseis e se mantém daí em diante

No Evangelho de Tomé, Jesus diz, dirigindo-se aos discípulos:
"Quando fizerdes os dois (ser) um, e...o interior como o exterior e o exterior como o interior, e o superior como o inferior...(e) o macho e a fêmea já não seja macho nem fêmea, então entrareis no Reino".

Nota-se a influência do célebre Pimandro de Hermes, em qe se proclama que o que está em cima é como o que está em baixo, e o que está em baixo é como o que está em cima; ou seja; que tudo é um.


in LITERATURA E ALQUIMIA
Y.K.Centeno

(republicando...)

terça-feira, julho 04, 2006

"A dupla essência, masculina e feminina, de Deus - a Cruz. O mundo gerado, A Rosa, crucificada em Deus"

fernando pessoa



Todas as rosas são a mesma rosa,
amor!, a única rosa;
e tudo está contido nela,
breve imagem do mundo,
amor!, a única rosa.


JUAN RAMÓN JIMENEZ

SOB O SIGNO DA ROSA...

“Acho interessante o termo sub-rosa querer dizer algo feito em segredo. A expressão “sob o signo da rosa” quer dizer algo específico para os iniciados. Para eles, como já vimos, o segredo é a rosa - a rosa vermelha da outra Maria, a Maria M. que representa o Eros, o aspecto nupcial apaixonado do feminino que foi renegado pela igreja estabelecida. Eros é um anagrama de rosa e a rosa é sagrada para a deusa do amor desde a antiguidade.”


Sofia a Reveladora dos Mistérios...

(...) "A mulher divina no gnosticismo é essencialmente, Sofia, entidade de múltiplos aspectos e nomes. Identificada por vezes ao próprio Espírito Santo, é também, segundo os seus diversos atributos, a Mãe universal, a Mãe do Vivos ou Mãe resplandecente, o Poder do Alto, "A da Mão Esquerda" (em oposição ao Cristo, considerado seu esposo e "O da Mão Direita"), a Luxuriosa, a Matriz, a Virgem, a Esposa do Macho, a Reveladora dos Mistérios, a Santa Pomba do Espírito, a Mãe Celeste, a Extraviada, Helena (isto é Selenia, a Lua); foi concebida como a Psique do mundo e o aspecto feminino do Logos. Na "Grande Revelação" de Simão o gnóstico, o tema da díade e do andrógino é dado em termos que merecem ser referidos aqui:
" Este é o que foi, que é o que será, o poder macho-fêmea assim como o poder preexistente ilimitado que não tem começo nem fim, porque existe na Unidade. Foi através deste poder ilimitado que o pensamento, escondido na Unidade, agiu primeiro, tornando-se dois... Sucedeu assim que aquilo que através dele se manifestou, embora um, é de facto dois, macho e fêmea, contendo a fêmea em si próprio".


In " A Metafísica do Sexo" de Julius Evola

REPUBLICANDO...

sábado, julho 01, 2006

"EXISTE NO FASCÍNIO DO NU FEMININO UM ASPECTO DE VERTIGEM SEMELHANTE AQUELE QUE É PROVOCADO PELO VAZIO, PELO SEM-FUNDO - COM O SÍMBOLO DE v~wn, SUBSTÂNCIA PRIMEIRA DA CRIAÇÃO E DA AMBIGUIDADE DO SER NÃO-SER. ESTA CARACTERÍSTICA PERTENCE UNICAMENTE AO NU FEMININO"

in "Metafísica do sexo"- J.E.



“As mulheres encarnam o desejo sem limites, e os homens temem não poder satisfazê-las. Aos olhos deles, o feminino das mulheres surge como uma reprovação potencial, desencadeia um processo de castração contra o qual os homens se rebelam. Eles não toleram as mulheres senão quando já mataram o que há de feminino nelas e as reduziram a seu status de esposa e mãe.

Nesses dois estados, a sexualidade feminina deixa de ser perigosa: confinadas à casa, pertencentes a um macho, reduzidas a assegurar a educação das crianças no lar, com uma jornada dupla de trabalho, elas não têm mais tempo ou oportunidade de ter desejo imperioso. São essas angústias de castração sublimadas que geram a codificação religiosa. E o monoteísmo é insuperável no ódio ao que há de feminino na mulher e na celebração da virgem ou da esposa que gera filhos”


__Michel Onfray, um popular filósofo francês, vê nas religiões monoteístas um entrave à ciência, à ética e à política -

Obrigada Igaci por este pequeno texto!



O MISTÉRIO DA MULHER

“A Mulher é sempre um mistério insondável que atrai e mete mede ao mesmo tempo que dá vida e se torna devoradora, e que os moralistas cristãos se apressaram muitas vezes a identificar com o diabo, pelo menos com a ideia pueril que se tinha deste. Este mistério foi sentido pelos homens da pré-história, visto que os escultores e gravadores do paliolítico se abstiveram cuidadosamente de desenhar o seu rosto. Quem é essa Deusa dos tempos Primordiais, que tem sexo, mas não tem rosto? Será o eterno feminino tão caro aos poetas? (...)


“A GRANDE DEUSA“ de Jean Markale - LIVRO VIVAMENTE ACONSELHADO!