O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

terça-feira, junho 16, 2009

COMO NÓS...


Os Livros Estão Sempre Sós

Os livros estão sempre sós. Como nós. Sofrem o terrível impacto do presente. Como nós. Têm o dom de consolar, divertir, ferir, queimar. Como nós. Calam a sua fúria com a sua farsa. Como nós. Têm fachadas lisas ou não. Como nós. Formosas, delirantes, horrorosas. Como nós. Estão ali sendo entretanto. Como nós. No limiar do esquecimento. Como nós. Cheios de submissão ao serviço do impossível. Como nós.


Ana Hatherly, in 'Tisanas'

*


A Procura da Sabedoria


Era uma vez uma pessoa que procurava a sabedoria. Tinham-lhe dito que para a atingir tinha sempre de aceitar e recusar ao mesmo tempo tudo o que lhe fosse oferecido, dito ou mostrado. Quando perguntava por onde era o melhor caminho e lhe diziam «é por ali» ela devia seguir imediatamente nesse sentido e depois no sentido contrário. Tendo assim percorrido todas as direcções indicadas e as não indicadas, sem mais caminhos a percorrer, sentou-se no chão e começou a chorar. Sem saber, tinha chegado.

Ana Hatherly, in 'Tisanas'

SER-ESPELHO


"Um Ser-Espelho é um ser cuja Aura se aproxima do cristalino. Este ser precisa de renunciar à fascinação de querer fazer o bem. Porque se ele quer fazer o bem, a sua Aura está cheia de cores bonitas (violeta, turquesa, rosa...), mas não é cristalina! A Energia Cósmica Superior não responde à intenção humana consciente. Responde ao Vazio Sagrado. É preciso renunciar ao fascínio do bem... Quando o indivíduo renúncia ao fascínio do bem, gera-se um Vácuo dentro dele e ele é automaticamente ligado a MARIA... E só é possível contactar MARIA quando ele renuncia ao fascínio do bem. E quando ele renuncia, ele começa a fazer contacto com o Templo da Esfera, ele começa a descobrir o que é a Energia-Espelho. Quando ele supera este estado, ele está em condições de ser visitado por esta Energia muito profunda..."
(...)
ANDRÉ LOURO DE ALMEIDA
(Encontros de Belém)


A AMANTE...

"É maravilhoso ver que esta terra degenerada ainda é capaz de gerar figuras como essa! É talvez justo o que pensava um Dante ou um Goethe:
nós seremos salvos pela Mulher!"
*
(“C’est merveille de voir que cette vieille terre dégénérée est encore capable d’engendrer des figures comme celle-la ! C’est peut-être juste ce que pensait un Dante, ou un Goethe : nous serons sauvés par la Femme." )

in "LE DIT DE TIANY" de François Cheng

A FEMINILIDADE RADICAL...

Em busca da completude...
*
"A MULHER NÃO PRECISA DE SE TRANSCENDER COMO O HOMEM PRECISA. COMPLETA-SE NELA PRÓPRIA."

A.B.L.
*
O nascimento místico, parto na dor dum outro nome e sexo impreciso, e em que o sangue toma uma importância rítmica, culminando a imitação da paixão, é nada menos do que a união consumada que só a mulher conhece.

A feminilidade radical é uma ferida de amor, amor completo e permanente é atmosfera, onde o homem não se encontra à vontade.
Um pouco decepcionado pelo que há de repetitivo na adoração feminina, que é um desejo angustiado, ele trata de ignorar pela censura e pela psicanálise, o seu pequeno papel no ferimento de amor que é a mística feminina.”

IN “A MONJA DE LISBOA” de Agustina Bessa Luís

*
NÓS MULHERES: "Somos uma só identidade em múltiplas formas de conhecer o vasto mundo e os seus milagres [...]
Somos como irmãs que se desvelam a honrar a mãe-Terra, eterna não diremos, mas preparada por nossas mãos a empreender o voo, um dia, para outro lugar no espaço".


AGUSTINA BESSA-LUÍS

segunda-feira, junho 15, 2009

A VERDADEIRA ASCENÇÃO...


O ÓLEO E A CHAMA
– EXCERTOS – de ANDRÉ LOURO DE ALMEIDA
(Ver texto completo no blog Iridia Lumina)

"Verdadeiramente grandes são os seres que ancoram em si a operação da alquimia do mundo. E ainda que se aproximem da condição semi-divina de Atlas, eles cultivam a consciencia de que são apenas canais de reversão do processo de decisão cósmico.
A Vós, ò Fonte e Origem Supremas, entrego a obscuridade, a dor e a inverdade do mundo. Nas Tuas Mãos entrego a massa obscura e inerte, a vaidade e o ódio, a longa espera dos povos e o desespero de tuas criaturas. Nas tuas mãos entrego toda a dor que chega.

Na verdade ahimsa é a completa irradicação do potencial de magoar, seja em que nível for. Não à superfície, mas na consciencia profunda, na total ausência de compulsão para ferir, de compulsão para competir, de ofender.
Ahimsa acontece, assim, em níveis radicais de relação de ser consigo mesmo, em níveis reais e não em niveis epidérmicos das demonstrações superficiais.

Enquanto existir em nós o potencial de magoar os outros, enquanto não renunciarmos ao nosso armamento secreto, nosso corportamento permanece submetido a trevas psicossomáticas, nosso óleo é uma mistura de medo e luz, um produto confuso.

O ser irradia exactamente a contraparte energética do estado de consciência por ele alcançado. O ser não irradiará a energia do seu ser interno, enquanto níveis do seu inconsciente tiverem projectos secretos. Ahimsa implica também a eliminação desses projectos secretos, o aprender a viver de forma transparente, porém totalmente, radicalmente, profunda.
Começamos a irradiar a energia do nosso ser interno na proporção em que o inconsciente é iluminado por uma total ausência de necessidade de controlo dos outros seres e das outras criaturas: nessa proporção, a luz unificadora, a síntese viva, a Chama, pode habitar em ti.

Motivações psicológicas fundadas em nossa necessidade de reconhecimento e gratificação, ainda que aparentemente legítimas em outros contextos que não o espiritual, devem se ir tornando gradualmente inexpressivas – ao ponto de nossa transpiração vibratória ser simplesmente uma tradução psico-energetica do puro amor divino.

Existem sentimentos desconhecidos. Uma inteira paleta de dor e alegria que não corresponde ao psiquismo humano mapeado..."
a.l.a.

sábado, junho 13, 2009

TODOS OS SONHOS E ORÁCULOS DA DEUSA SÃO DESEJADOS


OS CAVALEIROS DO SONHO

(...)
"Buscamos movimentos de consciência.

A energia feminina, portadora da magia e da intuição, concordou em abdicar dessas qualidades – energia feminina significando não apenas os seres fisicamente femininos, mas a consciência feminina.
O movimento patriarcal nos últimos cinco mil anos afastou-se completamente do processo do nascimento para poder dedicar-se ao desenvolvimento de armas e ao contínuo aniquilamento dos seres humanos.

As mulheres estão com um “nó na garganta” porque concordaram, há quatro ou cinco mil anos, manter silêncio acerca da magia e da intuição que representavam e conheciam como parte da chama gémea. A chama gémea consiste na energia masculina e feminina coexistindo num só corpo, quer seja ele fisicamente masculino ou feminino.
Durante este período de mudança, será necessário que as mulheres desatem o “nó da garganta” e se permitam falar. Chegou a hora.

BARBARA MARCINIAK,Mensageiros do Amanhecer
Ed. Ground, São Paulo, 1992
*
A DEUSA ISIS

"A Humanidade e a Terra estão a passar de um regime de energia masculina, activa, do Logos planetário para o encontro com a energia feminina. Isto significa que todas as pessoas precisam encontrar a energia feminina dentro delas.

Existem muitos seres, fisicamente femininos, que ainda não encontraram a sua energia feminina oculta, profunda, ainda não encontraram a sua função Isis, a sua função de assistente daquilo que está separado.

A capacidade que Isis tem de reconstituir o corpo fragmentado de Osíris - este poder materno que todos os seres têm dentro deles - é uma coisa muito mais misteriosa do que ser carinhoso para com as crianças."

André Louro

Saudade...saudade da alma e da verdadeira Dama


A RAINHA
A UNIÃO DOS PRINCÍPIOS,
FEMININO E MASCULINO

"Inventemos, escreve Pessoa, um Imperialismo Andrógino reunindo as qualidades masculinas e femininas; um imperialismo alimentado de todas as subtilezas femininas e de todas as forças de estruração masculinas. Realizemos Apolo espiritualmente. Não uma fusão do cristianismo e do paganismo, mas uma evasão do cristianismo, uma simples e estrita transcendência do paganismo, uma reconstrução transcendental do espírito pagão."

Fernando Pessoa
*
*
*
"Mas o significado real da iniciação é que este mundo visível em que vivemos é um símbolo e uma sombra, que esta vida que conhecemos através dos sentidos é uma morte e um sono, ou, por outras palavras, que o que vemos é uma ilusão. A iniciação é o dissipar - um dissipar gradual e parcial - dessa ilusão"

[F.P., in FP e a Filosofia Hermética, org. de Yvette Centeno]
*
O neófito sabe que só se adquire a nova alma com sofrimento e saudade.
O sábio conhece o que o neófito sabe.
O mestre aplica o que o sábio conhece (e o) resto não é mais que nada.
O Mestre é o sábio que se morreu.
O sábio é o neófito que se nasce.


Dou a minha paz


in "Condições de iniciação"
Fernando Pessoa

quinta-feira, junho 11, 2009

TODOS OS POLÍTICOS SÃO UMA ESPÉCIE DE PSICOPATAS


“O psicopata é um perito em provocar sentimentos de culpa. E as pessoas sentem-se culpadas na sua presença porque a nossa educação se baseia, fundamentalmente, na atribuição de culpas. Quem atribui culpas sem dúvida aparente, coloca-nos na situação primordial da nossa infância. Ainda por cima quando nos sentíamos culpados na nossa infância, isso era seguido por redenção, pelo perdão “generoso” dos pais. Assim assumimos, em total contradição com o sofrimento que nos é causado, a responsabilidade pelo “sofrimento” da pessoa que se arroga autoridade.
Esta pessoa, ela própria isenta de sentimentos de culpa, brinca com os nossos sentimentos e faz deles o objecto da sua troça. Mas nós não reparamos nisso, já que estamos condicionados, desde o nascimento, para a sujeição. É como um jogo trágico. Se não podermos impingir a culpa a outra pessoa qualquer, temos de ser nós a arcar com ela. É como se a bola da culpa fosse atirada fosse atirada de uma pessoa para outra. Ninguém ousa deixá-la cair. A culpa é o meio da posse mútua, e não do amor. E se estivermos apegados à posse como meio de nos salvarmos da nossa vulnerabilidade, estamos irremediavelmente apanhados.
Os “grandes” da História sempre nos impingiram, e ainda impingem, aparentemente sem dúvidas acerca deles próprios, as suas distorções ao nosso mundo sentimental. E assim tornamo-nos, pelo seu uso das palavras, instrumentos das suas quimeras que afastam a vivência dos nossos sentimentos próprios.
Margaret Thatcher é o exemplo de uma pessoa cuja linguagem está totalmente dissociada da realidade do nosso mundo sentimental. No entanto conseguiu com as suas palavras atirar outros para um mundo destruidor.
(…)
Quando a consciência se torna um fenómeno superficial, toda uma época será marcada pela criminalidade. O aumento desta a nível mundial é o aspecto da dissociação e não da simples peca de princípios morais. Os dissociados, tais como Margaret Thatcher, procuram palavras de moralidade, mas sentir, não sentem nada. E é aí que encontram as raízes do Mal – no estrangulamento da capacidade humana de sentir o sofrimento do próprio e alheio. Pessoas deste género não sabem identificar nem apreciar a capacidade de aguentar a dor e de entender e aliviar o sofrimento.
(…)
Moralidade para gente desta é uma questão de sujeição a leis, ordem e regulamentos. Para eles moldados á imagem da colaboração com a própria sujeição, o interior, a solidariedade humana, a empatia é uma estrutura rejeitada e, por conseguinte, desconhecida enquanto fundamento da moralidade. “
*
in Falsos Deuses de Arno Gruen

AS MULHERES SABEM DE MODO NATURAL


"O ponto de aglutinação dos homens olha para fora e o das mulheres para dentro. Isto proporciona uma maneira diferente de interpretar e de perceber, uma visão diferente das coisas. Os bruxos têm insistido desde sempre nessa grande diferença entre homens e mulheres.
Segundo o mundo dos bruxos, as mulheres sabem coisas de uma maneira natural.
Sabem de uma forma que a mente masculina não pode conceber.
A socialização demanda que os homens ditem as normas, o que faz com que se sintam “sagrados”.
Para que este processo funcione, a socialização destroçou as sensações femininas.
As mulheres são mais inteligentes,
mas não estão interessadas na taxonomia em estabelecer categorias. Taxonomizar é uma condição masculina. Deixem que eles estabeleçam suas categorias e medidas, vocês não têm por que fazê-lo. Para que teriam que fazê-lo?

Vocês devem ser conscientes do que os homens têm feito a vocês. Inclusive o desejo de liberação, do último século, por parte das mulheres tem sido criado e induzido pelos homens. Desta forma a mulher “liberada” repete os padrões masculinos.
Eles brincam com o papel de “coitados bebezinhos” que vocês cuidam e amamentam. Por que o permitem?
Mas pelas suas próprias características as mulheres carecem de uma filosofia definida, de um sistema de pensamento que possa lhes servir de suporte para sustentar um propósito. O homem bruxo que têm alcançado um nível de sobriedade pode lhes proporcionar este sistema de pensamento. Este é o suporte que pode sustentar uma nova forma de viver.

Don Juan era um homem, mas não era em absoluto um macho, tinha eliminado a raiz do machismo em si mesmo. Para homens e mulheres aceitar que somos seres que vamos a morrer implica num novo arranjo.
Se seguirmos nos comportando como imortais nada novo pode nos acontecer.
As mulheres estão capacitadas para deter o fluxo de pensamentos, podem exercitá-lo com facilidade e entrar num estado quase “vegetativo”, quando estão submetidas a pressões físicas ou psicológicas fortes. Mas a falha radical é que a mulher não é persistente. Têm logrado este estado parcialmente, simplesmente porque são mulheres, sem esforço. Sua indiferença é outro resultado da socialização do macho.
Mas os bruxos querem dar a esta capacidade um propósito transcendente: que esta parada do fluxo de pensamento não se leve a cabo por pressões, por fuga, raiva ou tristeza, mas por um propósito plenamente consciente e dirigido.
Para isto a bruxa precisa se disciplinar num grau extremo.
Desde nosso ponto de vista o grande erro do mundo bruxo de don Juan foi o seu isolamento, um isolamento que foi mantido de geração em geração e que talvez tenha relação com a preponderância feminina dos grupos de bruxos. As mulheres são muito insulares.
Nós terminamos com esse isolamento. Um seminário deste tipo nunca foi feito antes.
Talvez não possa convencer ninguém, não possa alcançar ninguém, mas estou tentando fazê-lo.
Se as mulheres conseguissem, através da disciplina, deter seu fluxo de pensamentos o que não seriam capazes de ver?
A Tensegridade as ajuda neste propósito, a tensegridade fala por si mesma.
As mulheres costumam pensar “estou louca”. Isso é a socialização. Não estão loucas em absoluto, simplesmente são mulheres! E essa loucura pode se converter em algo delicioso. Mas vocês vivem de acordo com as idéias dos machos e ainda as interiorizam. Isso sim é loucura.
Tenho visto “garotos bonzinhos” ao meu redor, muitos garotos bonzinhos e submissos que procuram me agradar.
Mas nunca conheci “garotas boazinhas”.
Não levo a serio a mim mesmo. O que é serio para mim é o que faço, e o que faço é a única avenida possível que fui capaz de encontrar, a mais poderosa. Precisa-se de uma grande sobriedade para decidir o que nos esgota no mundo cotidiano.
Aos homens fascina estar num altar. Fascina, e as mulheres o permitem. Exceto em famílias que praticam uma educação equilibrada, de uma mulher ninguém se ocupa a não ser que se case e forme uma família. As mulheres têm sido socializadas para serem inimigas entre si, para serem competidoras. Na realidade todos os homens buscam em vocês as suas “mãezinhas”.

Encarem duma vez o fato de que são mulheres. Chegará o momento em que vocês serão forçadas a cooperar entre si se quiserem que o mundo sobreviva. A raça humana desaparece. Somente vocês são poderosas, mas adoram brincar de ser “menininhas eternas”.
Dentro de todos nós existe um fluxo de conhecimento. Através dele desenvolvemos estados subjetivos que podem se intercambiar e que criam um campo de intersubjetividade que possibilita a comunicação entre as pessoas. Mas a não ser que experimentem as ações práticas do mundo dos bruxos, não há forma de compartilhar com os bruxos uma intersubjetividade. Falar somente de nós mesmos nos impede de ser conscientes do fluxo de energia. Há que forçar o estado de silêncio interno.
"(...)

Excerto da palestra de Carlos Castanheda num Seminário de Mulheres em Los Angeles

Copiado de (leia o resto) : http://pistasdocaminho.blogspot.com/

quarta-feira, junho 10, 2009

O PODER DO CORAÇÃO

O livro: "A ABERTURA DO CAMINHO"


"Precisamos concluir que a percepção do mundo das causas está vedado à Humanidade? Sim, pelos meios humanos. Mas todos os verdadeiros Iniciados não vieram a esta Terra senão para mostrar esses meios que nos escapam. Ora este "mundo das causas" está expresso no TAO, ou no "Reino dos Céus", o meio essencial indicado para lá chegar é o mesmo: simplicidade de coração e de pensamento.

O Conhecimento dos poderes do coração é indispensável à prática do Caminho do Meio pois este é só se pode praticar através da preponderância desses poderes e da sua influência. Esta via é um balanço constante entre o egoísmo do Eu e o altruísmo do Si. Só o coração pode realizar o prodígio do equilíbrio, pela sua posição mediadora entre o temporal e o intemporal, entre o organismo mortal e o seu arquétipo imortal. A alternância do seu movimento (dilatação-contracção) é a imagem perfeita desse balançar entre os dois poderes, do qual o pessoal tem de se tornar consciente, para ser transcendido pelo impessoal".

de ISHA SCHWALLER DE LUBICZ

A LUCIDEZ IMPEDIOSA...

A NOSSA UTÓPICA HUMANIDADE

"Só nos agitamos e produzimos para esmagar seres ou o SER, rivais ou o Rival. Seja a que nível for, os espíritos fazem-se guerra, comprazem-se e rojam-se no desafio: os próprios santos se invejam ou se excluem, como de resto os deuses, segundo mostram essas rixas perpétuas, flagelo de todos os Olimpos."
(...)

" O lisonjeador é o que há de pior no mundo. Podem estar certos de que, na primeira ocasião, vos dará um golpe, que se vingará de se ter inclinado perante vós. E como se inclina perante toda a gente… Os lisonjeadores são traidores, sem excepção. Desprezei-os sempre, mas não desconfiei suficientemente deles. Para nossa infelicidade, suportamos melhor alguém que nos elogia do que quem nos diz sobre nós coisas verdadeiras, portanto desagradáveis. Assim, somos nós mesmos quem favorece, quem encoraja, os nossos piores inimigos.
(…)
O lisonjeador não é um futuro caluniador; ele é um caluniador disfarçado; enquanto vos canta louvores, prepara os seus golpes."

in HISTÓRIA E UTOPIA
Emile Cioran