O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

quarta-feira, agosto 19, 2015

NÃO HÁ DIFERENÇA...



UMA MULHER PRESIDENT@


Vão-se surpreender de eu não ficar contente de haver uma mulher candidata a PresidentA...de Portugal?
Pouco importa o que eu diga ou a minha opinião, eu nem voto ...mas em vez de me regozijar por haver uma candidatA à Presidência da República, uma Primeira Dama por ela mesma, sem marido, nem acompanhante, sem líder no controlo, embora avance apoiada por um poeta desgastado que vive à conta do passado...eu a nego...porque não creio que esta mulher faça a diferença.
Não, eu não creio numa mulher president@ neste Sistema! Ela será sempre patriarcal...como o são todas as outras que agora estão no cume da crise mundial e a apoiar as politicas de direita e criminosas de espoliação de património dos povos e da sua liberdade condenando as pessoas à miséria e ao desemprego!

Mas se fosse... uma mulher diferente, consciência de si mesma, com decisão própria, uma mulher com consciência do que é  Ser Mulher, com pensamento próprio e sobretudo SENTIMENTOS, faria a diferença? Talvez, mas esta mulher pertence a uma Maquina e a um Partido e defende interesses de homens machistas e misóginos que de facto controlam e se servem apenas dela - como de todas as mulheres - para ter votos e enganar o povo; sim, esta mulher não tem carisma nem a força de uma MULHER INTEIRA, autêntica; ela não tem Voz própria, não tem a força necessária para defender uma Verdade ou uma Justiça social...
Ela é apenas a branda e loura e suave a mui compassiva Maria de Belém...a serva dos senhores que a elegem, cobaia do conluios económicos e das benesses partidárias...como todas as presidentAs deste mundo...

rlp

A ESSÊNCIA FEMININA


VOLTAR A VIVER


"O trabalho mais profundo é geralmente o mais sombrio. Uma mulher corajosa, uma mulher que procura ser sábia, irá urbanizar os terrenos psíquicos mais pobres, pois, se ela construir apenas nos melhores terrenos da psique, terá uma visão mínima de quem realmente é. Portanto, não tenha medo de investigar o pior. Isso só lhe garante um aumento no poder da sua alma. É nesse tipo de urbanização psíquica que a Mulher Selvagem brilha. Ela não tem medo da treva mais profunda pois na realidade consegue ver no escuro. Ela não tem medo de vísceras, dejectos, podridão, fedor, sangue, ossos frios, moças moribundas e maridos assassinos. Ela tem condições de ver tudo, de suportar tudo, de ajudar.
(...)
Quando falamos da essência feminina, estamos realmente falando da alma feminina. Quando falamos de corpos espalhados no subterrâneo, estamos afirmando que algo aconteceu à força da alma e no entanto, muito embora sua vitalidade exterior tenha sido roubada, muito embora sua vida tenha essencialmente sido esmagada, ela não foi destruída por completo. Ela pode voltar a viver. "




IN MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS

CLARISSA PINKOLA ESTEES

segunda-feira, agosto 17, 2015

A Compaixão, pregada pelo Mestre Buda...e a falsa piedade!


A FALSA PIEDADE...e a via do coração

"Toda a forma de altruísmo tem a sua contraparte de egoísmo.
A Compaixão, pregada pelo Mestre Buda, é a comunicação com o sofrimento dos seres pela consciência da nossa solidariedade. Só sendo um amante verdadeiro, praticante do Amor impessoal, se é capaz, sem reflexo egoísta, unir assim o coração ao coração de outro ser humano e aligeirar, pela sua compaixão efectiva, o seu sofrimento.

Sofrimento não se deve confundir com dor. Uma dor é a consequência de uma desordem, ou de uma discordância entre uma impulsão inerente (instintiva) ao ser e uma impulsão pessoal (consciente).
A dor pode ser o efeito de uma Karma ou de uma ignorância actual: porque a consciência pode encontrar um meio de evitar a dor de um sofrimento necessário.
A dor é uma reacção do ser pessoal físico ou mental.
O sofrimentos é uma luta pela tomada de consciência de uma falha entre o ser REAL desejável e o estado efectivo ; essa falha provoca uma tensão para encontrar o estado são;
Se há resistência nos elementos pessoais (fiscos ou morais) há dor:
Se há uma aceitação consciente, a dor pode ser eliminada e reduzida ao sofrimento, quer dizer á necessidade da provação (lição) e de cuja reacção vital pode mesmo tornar-se em prazer.
O sofrimento é a escola da consciência que não pode ser adquirida sem ele.
A Compaixão aceita passar as provas do seu sofrimento humano para melhor as transmutar: esse é um gesto de puro Amor.

A piedade é um reflexo pessoal diante da dor do outro apreciada pelo eu (pequeno); é a reacção do humano (inferior) que receia por si mesmo ter uma dor semelhante, ou então é a condescendência do benfeitor que se desculpa, por esse gesto de ser privilegiado.
Em todos os casos, é a impressão relativa da sua própria sensibilidade, uma apreciação  pessoal (egoica).
Como é que o homem ignorante poderia decifrar a multiplicidade das causas e dos efeitos? Os senhores da compaixão que oferecem a sua beatitude para minorar o sofrimento humano, não tirariam a  ninguém as provas (lições) necessárias para  a sua evolução.
Estas palavras revoltarão aqueles que fazem parte “deste mundo”, porque eles praticam a piedade a fim de eles mesmos beneficiarem dela directamente (paga pelo bem que fazem). É por isso que é importante diferenciar a piedade arbitrária e a falsa caridade do altruísmo compassivo e desinteressado.

A natureza não tem qualquer piedade; ela obedece as directivas “providenciais” do seu Devir. Cada animal segue as leis da sua espécie , sem piedade pela espécie que captura  e que assegura a sua sobrevivência; mas fora desta caça necessária, encontramos numerosos exemplos de atitudes altruístas que nos homens se atribui logo à piedade: devotamente de uma fêmea para com as crias de outra mãe…cuidados de alimentação levadas pelos seus congéneres a um animal ferido…sacrifício do individuo que expõe a sua vida para defender os jovens da sua tribo…
A característica deste altruísmo é que ela obedece a uma certa consciência inata de solidariedade animal, na qual não intervém nem cálculo nem juízo. Não existe piedade, mas justiça no sentido de obediência a uma lei da espécie (e que é inerente a todos animais e humanos).

O Ser Humano estando no cimo do reino animal (instintivo), encontra-se numa situação intermediária entre esta animalidade e o reino superior (sobre-humano) da qual a suprema qualidade é a totalidade das consciências da Natureza, e a consciência das suas consciências.
Entre os dois estados extremos, o ser humano ocupa uma situação incerta, entre a sua consciência instintiva obnubilada pelo seu mental, e a consciência espiritual cujo germe, escondido nele, não se encontra desenvolvida.
Neste estado intermediário em que o ser comum (que reage automaticamente ao instintivo animal) ele julga-se senhor da sua consciência cerebral, e tem a ilusão dirigir os seus actos e os seus sentimentos por um livre arbítrio aparente.

Na realidade, esse livre arbítrio não é senão a possibilidade de escolha entre obedecer ao chamado do reino (consciência) superior ou a obediência à lei do animal humano ao qual pertence o seu ser (consciência) inferior.
De acordo com a sua submissão a uma ou a outra destas directrizes, ele pode elevar a sua consciência ao sobre-humano ou sofrer a lenta evolução do animal humano.
(…)
Quanto ao altruísmo causado por um sentimento real de solidariedade provocado pelo sofrimento de alguém, pode haver duas fontes. A primeira é a consciência instintiva da solidariedade da espécie (animal e humana): é o altruísmo do animal e o do ser humano que escutam a sua consciência inata. A outra fonte, que é a consciência da solidariedade espiritual da Humanidade, é um grau superior deste altruísmo quando totalmente isenta de egoísmo, e que é a mais alta compaixão, impessoal e desinteressada. A “Via do Coração” é a que conduz directamente a ela.”
(…)

DE ISHA SCHWALLER DE LUBICZ – IN L’ OUVERTURE DU CHEMIN  
(tradução livre do francês...os parenteses em itálico são meus rlp)

SER OU NÃO SER...

 "UMA ROSA É UMA ROSA É UMA ROSA" *

*G. Stein















“A rosa não tem porquês.
Ela floresce porque floresce”.
Angelus Silesius

 
Uma rosa vermelha absorve todas as cores,
menos a vermelha;
Vermelha, portanto, é a única cor que ela não é.
Essa Lei, Razão, Tempo, Espaço,
toda Limitação, cega-nos à Verdade
Tudo o que sabemos sobre o Homem, Natureza, Deus,
é apenas aquilo que eles não são;
é aquilo que rejeitam como repugnante.
 

Aleister Crowley

A BELEZA


NO CORAÇÃO DE MAAT

"Vim e aproximei-me para ver a tua beleza, minhas mãos estão erguidas em adoração ao teu nome: Justiça e Verdade.”

(Papiro de Ani, folhas 29-30 – Museu Britânico)

sábado, agosto 15, 2015

A MATRIZ DO MUNDO


MATRIZ. Do latim “mater” = mãe. É a fonte ou origem de alguma coisa.

"MATRIZ. Do latim “mater” = mãe. É a fonte ou origem de alguma coisa. O termo é empregado p...ara designar o estabelecimento central ou prin­cipal. Assim, diz-se: igreja matriz, que é a sede de uma paróquia; casa matriz, que é o estabe­lecimento comercial principal, do qual surgiram posteriormente ramos ou filiais.
MATRIZ. Do latim “mater” = mãe. É a fonte ou origem de alguma coisa."


MAIS DO QUE A IGREJA E A CASA...A MULHER É A MÃE E A MATRIZ DO MUNDO.

A ESPERANÇA DO MUNDO


FACE A DESUNIÃO E ANTAGONISMO
ENTRE AS MULHERES...


"A ideia de criar a união das mulheres em todo mundo é mais do que oportuna. Nos dias difíceis dos levantes mundiais, da desunião humana, da negligência de todo...s os princípios superiores do Ser, que são os únicos doadores verdadeiros de vida, e que levam à evolução do mundo, deve ser ouvida uma voz chamando para a ressurreição do espírito e para a introdução do fogo da conquista em todas as acções da vida. E, com certeza, esta voz deve ser a voz da mulher, que durante milénios bebeu o cálice do sofrimento e da humilhação, e forjou seu espírito na maior paciência. Agora, que a mulher — A Mãe do Mundo — diga: «Haja Luz», e que ela afirme suas conquistas ardentes. Como será esta Luz, quais das suas conquistas serão as grandes e ardentes? A bandeira do espírito será hasteada e nela será inscrito «Amor, Conhecimento e Beleza». Sim, só o coração da mulher, a mãe, pode unir sob esta Bandeira as crianças de todo o mundo, sem distinção de sexo, raça, nacionalidade e religião. A mulher — mãe e esposa — testemunha do desenvolvimento do génio do homem, pode avaliar o grande significado da cultura do pensamento e conhecimento. A mulher — inspiradora da beleza - conhece toda a força, todo o poder sintetizador da beleza. A mulher — portadora do poder sagrado e do conhecimento do espírito — pode verdadeiramente tomar-se «A Líder». Portanto, ergamos sem demora a grande Bandeira da Nova Era — a Era da Mãe do Mundo. "

 in Cartas de Helena Roerichs (1920)

A DEUSA MÃE...



"A Deusa, quando venerada como personificação da terra, automaticamente preside ...a tudo o que nasce e é produzido desde o seu interior. Ela ganha forma e personalidade humanas, depois de se transformar na planta que oferece em maior abundância. Como entidade transumana, ela conhece bem as necessidades e anseios dos homens, por isso providencia a flora e a fauna ajustadas às suas necessidades e afirmando-se como indefectível protectora da comunidade. Ela transfere os seus poderes a tudo o que cresce nos solos, simbolizando a vida e a prosperidade.»


Cristina Aguiar in "As Máscaras da Grande Deusa"

sexta-feira, agosto 14, 2015

A GRANDE SABEDORIA



Vivemos num tempo estúpido de facilitismos e superficialidade em que tudo se mistura e já ninguém sabe quem fala verdade. Todos se copiam e papagueiam "verdades" como espirito e "alma e consciência" e ninguém se entende. As "massas" não entendem o sentido da Realidade Última e confundem tudo com o relativo da vida superficial e rotineira que vivem sufocados pelo véu da mentira colectiva de uma pretensa cultura democrática que quer fazer chegar o conhecimento a todos, mas o Conhecimento sempre foi e é iniciático; só o individuo que conhece dentro de si as suas diferentes partes constitutivas, corpo-alma e espírito e os seus animais-instintos, pode chegar ao cerne do seu SER.  E só alguns seres - de acordo com o seu esforço a sua evolução e sinceridade - chegam ao verdadeiro entendimento do que é Real e eterno dentro de si...
rlp
 
ASSIM, “A confusão criada pela imprecisão habitual das palavras alma e consciência é agravada pela rotina que preside ao seu emprego, rotina que atrofia o entendimento daquele que fala, tanto como daquele que escuta.
Num Tempo Novo é preciso uma linguagem nova, para se poder devolver à palavra o seu espírito original, o seu Verbo vivo, sufocado pela vida rotineira.
A palavra justa é um verbo mágico para o ouvido atento ao seu significado essencial, mas na sua deturpação ele ameaça (contamina) com a sua deformação todo o comportamento humano.
Poucas palavras causaram pela sua alteração tantas e funestas consequências como as expressões:  “alma” e “consciência”, porque as realidades que exprimem são os elementos base do que constitui o ser humano não mortal, e que podem esclarecer o fim da sua existência.
De cada vez que um conhecimento iniciático foi suplantado por dogmas saídos das disputas teológicas, o sentido da “alma” e “consciência” sofreram variantes conforme as doutrinas religiosas ou os ensaios filosóficos que se tornaram autoridade nessa época.  


“O passado não pode impor a sua lei ao momento actual: só o momento presente traz à consciência humana a experiência que lhe convém.
A sabedoria não pode ser aplicada ao aperfeiçoamento das massas, mas a sua instauração directa para transcender (os limites) ser humano não pode se realizar senão individualmente.
Há o dever de diferenciar o ensinamento das realidades essenciais, conforme ele se dirija as massas ou ao individuo.
Há a necessidade de adaptar os termos utilizados às possibilidades receptivas dos nossos contemporâneos.
O emprego do sentido exacto das palavras decresce no sentido proporcional da cultura democrática, cuja instrução superficial vulgariza todas as noções, destrói o respeito do gesto e da palavra essencial, e deprava o discernimento pelo hábito do “mais ou menos”.
O discernimento não pode cultivar-se sem o acordar o sentido do REAL e do RELATIVO; ora o que é real não pode ser conhecido senão por aquilo que no ser humano é real, quer dizer indestrutível.


Os diferentes estados do ser não mortal podem ser definidos só por uma palavra: “Consciência”, e ainda ele deve ser compreendido na sua essência!”*
In LOUVERTURE DU CHEMIN – de Isha SCHWALLER DE LUBICZ
 (tradução algo livre do livro em  francês feita agora por mim - que eu saiba o livro não está traduzido em português)

Alivia a minha alma



HOJE, A MINHA ORAÇÃO Á MÃE....


“Não, não devia pedir mais vida. Por enquanto era perigoso. Ajoelhou-se trémula junto da cama pois era assim que se rezava e diss...e baixo, severo, triste, gaguejando sua prece com um pouco de pudor:
Alivia a minha alma, faz com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faz com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faz com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte, faz com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faz com que eu não te indague mais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faz com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer o beijo de sua mãe e no entanto ele quer e no entanto o beijo é perfeito, faz com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faz com que eu tenha caridade por mim mesma, pois senão não poderei sentir que Deus me amou, faz com que eu perca o pudor de desejar que na hora de minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha, amém.”



CLARICE LISPECTOR