"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

domingo, abril 15, 2012

SÓ O AMOR PLENO É A CHAVE



"O PECADO" ASSOCIADO  À MULHER

Houve históricamente uma necessidade secular e sistemática de destruir a mulher  por causa do seu  poder interior, o seu magnetismo sexual, o seu potencial iniciático,  tendo os padres da Igreja tudo feito para que ela se transformasse  na culpada da "Queda" do  paraíso para o Homem, numa visão misógina do Velho Testamento e assim transformá-la na "pecadora" eterna, o que aliás aconteceu com quase todas as religiões,  incluindo as orientais, em que a mulher é hostilizada quando está menstruada não podendo frequentar os templos. Foi preciso destruir a Mulher Original, dividí-la em duas partes, para a impedir de usar o seu poder inato. Só com a Inquisição a igreja católica matou mais de 3 milhões de "bruxas", um verdadeiro holocausto de que não se fala - 3 milhões de mulheres livres e independentes economicamente, parteiras e curandeiras, jovens cuja beleza as tornava alvo fácil de males variados, como copular com o diabo etc. - quando na verdade o objetivo era bem outro: impedir que o seu poder interior e de matriarcas  se pudesse manifestar de novo,  com a  renascença;  também o Alcorão foi interpretado de forma falseada pelos muçulmanos  para justificar  a barbaridade cometida contra as suas mulheres desde crianças, em que milhares e milhares de crianças são mutiladas do seu clitóris a fim de as impedir de ter acesso ao prazer e ao seu poder como mulheres.


O RESGATE DA FEMINILIDADE DA MULHER

Normalmente não falo nem foco a questão da sexualidade da mulher, e sim a essência do feminino sagrado, no qual está subentendida a sexualidade genuina da mulher, mas foi-me pedido que respondesses a algumas perguntas sobre qual é a verdadeira sexualidade da mulher...Vou tentar, mas penso que seria mais fácil dizer o que não é essa sexualidade...pois esta se encontra completamente distorcida e alienada do seu sentido profundo e do que seja a verdadeira Mulher - não a mulher vista apenas como objecto sexual, prostituta ou mãe compulsiva, dona do lar,  e agora  barriga de aluguer, não - mas a Mulher essência, a Mulher total e talvez aí estivesse a resposta correcta, pois se a mulher não se sentir integrada e validade na sua totalidade, não conhece o seu potencial seja sexual, seja psíquico e emocional o que só é possível vivendo para lá da habitual divisão da mulher entre a "santa e aa puta", a mulher considerada "pura" ("virgem" inicalmente, honesta, fiel, bem comportada etc.) ou da mulher perversa, libertina, ninfomaniaca, conceitos sempre ligados a sexualidade que lhe é imposta pelos homens e as suas estruturas e instituições, nomeadamente as religiões patriarcais sendo ainda bem patente a sua nefasta influência na nossa sociedade mesmo que hoje  julguemos todos esses conceitos ultrapassados....

Pessoalmente  não concordo  com uma formação ou educação sexual em termos teóricos sem que a Mulher seja plena e consciente do seu ser em essência e embora considere, por exemplo, o Tantra Yoga uma prática evolutiva do ser humano como um todo, não creio que a simples instrução teorica ou mesmo prática de uma sexualidade diferente dos contextos e culturais em que se vive, seja benéfica para a mulher e a liberte...Ao contrário do que é comum pensar-se, devido à proliferação de ensinamentos e métodos orientais e outros, considero que sem que a mulher integre as duas mulheres em si cindidas, além de ser muito perigoso para a sua sanidade mental, ela não poderá ser realmente livre e capaz de se assumir na sua plenitude e sensualidade sem essa base interior e consciência da sua totalidade;  é que há tanta ou mais confusão na cabeça das  mulheres sobre sexo hoje em dia do que antigamente e o que se fala e vê como erotismo é mais  pornografia  e  baseia-se numa sexualidade genital, diria "tecnicista", brutal mesmo  e totalmente redutora da sua essência e que fere a sua dignidade, e que nada tem a ver com o potencial e a grandeza da mulher em si como SER humano e que só o Amor e a sacralização do mesmo podem dar...
Nada tenho contra as prostitutas, ou contra as mulheres que se julgam livres e praticam sexo pelo sexo, mas já não suporto a ideia de as compararem erradamente às chamadas "prostitutas sagradas" como se a prostituição tivesse alguma coisa a ver com as antigas sacerdotisas da Deusa, a Deusa do Erotismo, pois ao contrárias dessas sacerdotisas, mulheres consagradas e cultas, iniciadoras do amor ao serviço da Deusa Mãe,  as prostitutas vendem o corpo  e continuam a ser usadas só pelo sexo e rebaixadas por essa condição e sem consciência nenhuma da sua verdadeira natureza, grandeza e dignidade humana de mulheres e deusas.
O sexo é iniciação e revelação, servindo de possível alavanca para a elevação do ser  na união sexual em  sintonia perfeita do corpo alma e espírito. Enquanto o sexo não for vivido nessa dimensão superior não libertará a pessoa humana, bem pelo contrário, mantem-na escrava de vícios, bordéis e máfias ou  dos conceitos e preconceitos seculares ou dos contra-conceitos actuais o que vem dar ao mesmo!
Não se pense que se chega  à integração dos opostos apenas com "ideias livres", através de práticas e métodos,  sem um esforço de  coerência, começando nessa integração do SER MULHER em si. Não podemos continuar a confundir a "liberdade sexual "com o uso abjecto e promíscuo do corpo sexo da  mulher, nem definí-la com um termo degradante da sua verdadeira natureza, nem com a facilidade das relações sem amor.
Na verdade penso que as mulheres não têm senão que relembrar ou resgatar o seu verdadeiro potencial feminino, o feminino intrínseco, que se liga à sua essência e não viver uma sexualidade fútil e mecânica de acordo com os padrões machistas e falocráticos, sem que respeite  esse potencial inato que é a sua matriz divina, a mulher ancestral do início. Para isso será preciso a mulher ser ela mesma de novo e lembrar-se quem ela era e que poder é esse e como resgata-lo, para que o possa usar em beneficio de si mesma, integralmente e em beneficio da natureza global, do equilibro humano e planetário e do Universo.

rlp

2 comentários:

Arielle disse...

Obrigada. Instintivamente, por assim dizer, eu não aceito... não aceito para mim os relacionamentos comuns, o "ato sexual" comum, a sexualidade comum... passei muitos anos me perguntando por que eu não conseguia aceitar ou entender as mulheres a minha volta "caçando" homens em festas, nunca entendi por que isso era absolutamente necessário para o que elas chamavam de "diversão", ou por que eu sempre esperei muito mais que isso... mais que amor, mais que desejo, eu sempre procurei um respeito e entendimento mútuos, um tipo de ligação alquímica, conexão, cumplicidade de alma, por assim dizer... algo que me conectasse ainda mais mim mesma, amplificasse minha percepção dos fluxos de energia que já sinto a minha volta, ou qualquer coisa que transcendesse a mecanicidade com que o sexo é tratado hoje... parece sujo (sendo simplista). Não acho serei capaz de entender as mulheres cegas da própria escravidão causada pelo que chamam de 'sexualidade', seja com um marido ou 'à procura' de um homem... limitar a sexualidade da mulher ao que o homem a proporciona, tirar seu significado, é um erro tremendo das sociedades patriarcais, que não parecem sentir a energia a sua volta ou os fluxos dela... não entendem o pulsar sereno que a Deusa pôs em todos nós, não para que o 'aliviassem' em um clímax, mas para que se conectassem a Ela através de uma percepção mais aguçada, de um olhar mais atento, de uma pele mais receptiva... meu mundo é minha sexualidade, eu sou meu sexo (feminino) e isso envolve cada área de minha vida - meu modo de conhecer o mundo, meu modo de sentir, meu modo de agir, de pensar... eu concordo com absolutamente tudo que a senhora disse, mas achei essa - "eu concordo" - uma resposta muito pequena ao esforço que a senhora fez para responder minhas perguntas, por isso acredito que esse relato seja um feedback mais adequado... mais uma vez, muito obrigada, Rosa. Creio que, mesmo sem que existam os comentários que desejava - sei que isso a incomoda - sua mensagem está sendo espalhada. O que você escreve me toca além da mente, de forma que a cada palavra que leio, sinto minha alma dando uma gargalhada gostosa dentro de mim, desabrochando do casulo em que a coloquei no esforço de me 'adequar', e me sinto mais mulher, mais livre, mais eu mesma. Sei que já disse isso, mas não custa repetir: obrigada.

Rosa Leonor disse...

Pergunto-me se ficou aborrecida por eu publicar o seu comentário sem lhe pedir...costumo fazê-lo mas pensei que aqui já era publica a sua opinião e portanto "respondi-lhe" em aberto...Espero que não tenha ficado zangada comigo por isso - nunca mais disse nada?

um abraço

rosa leonor