terça-feira, janeiro 21, 2014

É A MULHER UMA NINFÓMANA?



O QUE LEVA A MULHER A SER  SÓ  SEXO SÍMBOLO?
 
Ando há dias a pensar escrever uma "crónica" sobre as mulheres que “amam demais”...ou que não conseguem deixar de ter amantes seja qual for a sua idade …e que toda a vida não foram mais do que tratadas em função de amores e dos homens que amaram tal com as grandes atrizes... 
Mas o ponto da minha crónica…era principalmente  dizer que EU COMPREENDO que muitas mulheres precisem para viver ou para sobreviver  "ter um homem". Juro que compreendo e não julgo nenhuma mulher por isso! Mas antes do mais temos que considerar o seu vazio existencial e como essas primeiras mulheres que deram a cara são  vistas como meros objectos sexuais ou ícones de uma certa beleza...
A verdade é que durante séculos a mulher foi impedida de se expressar sexualmente, mas nas últimas décadas ou no último meio século a suposta emancipação e liberdade sexual deu às mulheres a possibilidade de viverem a seu "belo prazer" o seu corpo e aventurarem-se nesse campo sem que contudo elas tenha vivido - estou perfeitamente convicta disso - a sua verdadeira sensualidade...e menos ainda a sua verdadeira liberdade, mas sim e  só em função do prazer masculino de acordo com o modelo que ele criou para elas!
Não, volto a referir, eu não julgo as mulheres por isso, mas essa é precisamente a razão por que eu quero manter este meu ponto de vista ou o meu FOCO numa consciência específica do Feminino, na sua história e dizer que o faço porque acredito que se pode clarificar e mudar essa tendência “sexualizante” das mulheres modernas levando-as a compreender a razão histórica e psicológica dessa dependência e obsessão sexual dos nossos dias e ao mesmo tempo dessa negação de si em particular por causa do sexo... pois aviso, vai pegar na Moda o filme – NINFOMANIA… e as mulheres comuns vão descarrilar nessa mania...querendo ser fiéis ao modelo mais uma vez...
Este filme vai contaminar as mulheres ignorantes da sua verdadeira natureza ontológica e levá-las a um maior desequilíbrio emocional e sexual porque elas não têm qualquer referência psicológica do que aconteceu com elas – porque são ainda submetidas e violadas ou abusadas e mortas pelos homens e os próprios companheiros - pois a nossa cultura, o cinema e a arte, escamoteou muito bem todas essas razões e portanto elas estão cada vez mais afastadas do que se refere à sua cisão interna e muito menos sabem quem são intrinsecamente e as razões que as fazem anular-se em função de um desejo desvairado e insaciável que é exacerbado continuamente pelos Mídea, pelos espectáculos pop e pela pornografia e que mais não é do que o tentar preencher desesperado o seu vazio de identidade de Mulher-Mulher.  E o que eu quero também dizer é que a mulher pode ter companheiros e amantes…mas antes de tudo o mais ela precisa de SER MULHER, uma mulher integral que ainda não é, pois só assim deixaria de ser dependente e obcecada….

Por causa deste filme de que já se fala, ocorreu-me, dentro de uma perspectiva mais vasta, que devem existir muitas mulheres que têm uma memória de “sacerdotisas do amor” ou de cortesãs, hetairas ou mesmo de prostitutas de bordel e até de ninfómanas e que tenham vivido acima de tudo em função dos homens e do sexo, noutra vida. E que para elas isso seja muito meritório, e até “honrado”…como hoje se pretende fazer da prostituição uma “profissão” e o sexo um comércio, que já é…mas, e ainda dentro desta perspectiva mais alargada, dentro do conceito de vidas e reencarnações, digamos que essa memória as possa impedir, de serem mulheres realmente livres e de se realizarem mais uma vez nesta vida como mulheres inteiras amando-se e vivendo naturalmente os seus amores sem essa obsessão, sem essa dependência… e falo sobretudo é claro de mulheres que não conseguem manter a sua integridade, nem a sua dignidade nem se conseguem amar a si mesmas e ao contrário disso se desprezam projectando no Homem todo o seu valor…Não se dão a si mesmas qualquer importância e por isso se diluem nos homens como se nada mais fossem do que corpos e prazer e o prazer que dão ou que têm…e viverem só para isso…escravas do sexo ou do dinheiro.
É verdade que eu peco por um certo ascetismo, por ser mental e sexualmente neutra, ou talvez porque já sou “velha” e portanto não quero parecer injusta para com mulheres mais novas nem para com aquelas para quem o prazer é tudo; Mas, neste caso, o que eu queria salientar, é que há uma enorme confusão quanto ao propósito e ao sentido da vida de cada Ser Humano e da mulher, especialmente enquanto Mulher, e ela não se ver a si apenas como  mulher-objecto, ou como mulher-função….
A mulher não é só sexo…ou “barriga de aluguer” ou o prazer que dá e recebe! A Mulher tem um propósito especial…bem mais alto, que é unir em si a dimensão do Céu e da Terra… e além de ser a iniciadora do homem ao amor da Deusa; Sim, creio nisso, porque ela também é a Mãe por excelência, e mais tarde a Velha e a Sábia, a quem se devia dar um lugar de honra nas famílias e na sociedade…E mesmo que não tenha tido essa experiência de ser mãe biologicamente, tal como diz Natália Correia,  “à mulher não compete apenas uma maternidade de tipo fisiológico. Cabe-lhe ultrapassar este aspecto na medida em que pode conquistar uma sabedoria de tipo maternal para intervir no mundo e orientá-lo. Um mundo onde só o homem tem a palavra, palavra essa que é a origem de tantos desmandos, guerras, conflitos e soluções precárias de caracter económico e social.”
Durante séculos, a mulher como ser humano foi submetido a outro, o Homem. E por isso a vida na Terra é o palco de uma Humanidade ferida de morte pela negação da Mulher e da Mãe – uma mulher que foi destituída da sua função maior e divina, dividida em funções suplementares apenas, escrava dos sistemas políticos e sociais e religiosos, criando-se uma cisão dentro de si e na sua psique que a impede de desfrutar da plenitude do seu SER AMANTE EM TODAS AS DIMENSÕES DO SEU SER.
 
No entanto o que este texto queria de algum modo à partida CLARIFICAR é que a Mulher é um Ser Amante por natureza, sim, mas o seu amor pode e deve ir muito mais longe do que se anular para amar um homem ou um filho. E muito menos ainda para viver obcecada pelo sexo ao ponto da sua destruição ou fazer do sexo a sua única expressão de vida.

A mulher é A expressão da Deusa na Terra, ela representa a essência do Princípio Feminino e tem de  servir a sua humanidade em Magnificência e Honrar em Dignidade e não deixar-se coisificar ao sabor da vontade alheia, ser instrumentalizada… Ela é acima de tudo a Amante da Deusa na Terra …e como tal se deve comportar…seja ou não religiosa… Sim, pode até acontecer que ao nível de uma verdadeira espiritualidade a mulher cesse de ser a mulher para se tornar alma e ente que aspira e busca a sua realização para lá da dualidade e da sua vida mundana, mas  isso é toda uma outra história. O que eu defendo é neste mundo em que vivemos, mesmo sem essa aspiração espiritual, é que a Mulher e a Mãe seja una e tenha uma vida digna e seja inteiramente respeitada pelo homem. E isso é possível pois se ela acordar para si e para a sua totalidade como mulher, ela acede a um potencial único, como diz ainda Natália Correia porque ela é “Estruturalmente, (…) avessa, alérgica à ideia de guerra e de conflito. É como se a sua própria experiência maternal a predispusesse contra a guerra. Dá vida mas não gosta de contribuir para a sua destruição. É por uma actuação pacífica.” E assim como a mesma escritora já citada eu digo que sim, que este é um dos pontos fulcrais de toda a questão. “ É necessário que a sua emancipação obedeça desde já a uma orientação intelectual no sentido da pacificação do mundo.”

E é no sentido dessa sabedoria maternal que está o maior poder da mulher e a grande importância da Mulher como Mãe do Mundo.
É essa MÃE que na minha vida inteira tem todo o meu amor e devoção, quer no que escrevo quer no sentido que a vida me deu para me dedicar a um trabalho de consciencialização desse poder em mim no que é Ser Mulher e também, como não podia deixar de ser, na formação e integridade do meu ser como SER HUMANO.
É portanto esse acordar da mulher para si que eu sonho e porque acredito nele me dedico de corpo e coração, com toda a força da minha alma, à Causa Maior do Ser Mulher…

rlp

7 comentários:

Paula Pires disse...

Olá Rosa. Mais um GRANDE e LÚCIDO texto! Pena que tão poucas Mulheres o leiam e o compreendam. Quinta feira fui ao cinema e ... vi o cartaz da publicidade do filme a que alude ... não gostei do cartaz ... não gostei do título do filme! Mas ainda não o vi ...
Depois de ler este texto ... vê-lo-ei com outra clareza de espírito...e sempre em busca da nossa Dignidade como Mulheres!
Bj.
Paula Pires

Rosa Leonor disse...

Olá Paula! Que bom que apareça!
Vá dando notícias suas por aqui...
um abraço

rleonror

Else Schumann disse...

Falou tudo que penso...

vanda disse...

Olá Rosa,
obrigada por existir.
Continue, você é uma inspiração.

Bjs
Vanda

Rosa Leonor disse...

Obrigada a todas pela vossa presença QUE É SEMPRE UMA INSPIRAÇÃO...

grande abraço

rleonor

Mafalda Cancela disse...

...por isso não pare ...estamos sempre por aqui.obrigada.

Ana Nazaré disse...

Nossa, esse texto é demais ......Minha senhora !
Hoje se compra revistas, com a capa .."apimente a relação, como melhorar a vida sexual, como a mulher pode agradar o homem na cama..." ..coisas do tipo..Banalizando o sexo, o amor e claro, no fim, tbm a mulher! É necessário cuidado ao se defender a "marcha das Vadias...é necessário consciência para que valores mais profundos como companheirismo, amizade, lealdade, respeito, honra, possam surgir..Por parte dos homens e das mulheres! Numa sociedade onde a mulher foi subjugada, onde o sexo e o corpo dela são comercializados como produtos, e onde nem sequer a maioria tem consciência disso,é necessário atenção,ouvir o coração..