domingo, dezembro 21, 2014

SER-SE SÓ...




 
Não, o mundo ainda não criou seres capazes de se amarem…
Por isso rara é a pessoa ou o ser humano e sobretudo uma mulher que é capaz de viver ou ser só...

Porque todos/as nós humanos nos esquecemos ou não nos ensinaram que sem que cada ser humano se conheça e se ame a si primeiro, ninguém  pode amar o próximo e este é o círculo vicioso do mundo! E aqui voltamos ao âmago da questão: pode a mulher mãe sem se amar a si mesma e sem que o homem a respeite como mulher, amar o filho ou a filha? Penso que não e aí temos uma das causas directas da violência doméstica...

Sem dúvida que todas nós precisamos ser amadas e o merecemos, mas haverá algum homem nesta sociedade infame, de exploração comercial do que há de mais puro, que é a intimidade de dois seres, que verdadeiramente ame uma mulher? Mas será minhas amigas que o homem ama realmente uma mulher ou a imagem que projecta dela? Sim, ele "ama" as mulheres se forem magras e elegantes…se forem bonitas e atraentes…ou então, dependentemente dos gostos e das culturas, diria, se tiverem um peito assim e uma bunda assado…e ficam-se entre os modelos da moda ou os modelos dos Mídea e então...?  vá de por silicone, vá de encher as nádegas, os lábios e as faces de plástico…vá de cortar os seios, vá de cortar o nariz os pés a ancas as mãos e não sei que mais as mulheres cortam para se parecerem com os ícones da moda e do cinema…e tudo para agradar aos homens...qe a imaginam e projectam na tela e na moda...
Como é que ainda a educação ou a falta dela, toda esta subcultura do feminino de séculos de ignorância de aculturação e de programação judaica e católica  que de algum modo escraviza ainda as mulheres e as submete a padrões obsoletos e que, apesar das lutas feministas -  que sem dúvida - ajudaram a mudar muita coisa na vida das mulheres em geral, a nível profissional e de alguma liberdade sexual, não mudaram nada do essencial e a alienação da mulher em si e em termos ontológicos é a mesma? Se antes eram “educadas” para casar, para procriar, para parir, para serem submissas aos homens e fiéis ao marido…agora substituíram isso pelo trabalho igual, pela liberdade sexual do "fod..." como pelas pílulas e a  liberdade de se mutilarem ou de serem violadas; seja através das operações  estéticas seja pela moda ou a cosmética, seja pela pornografia, mais uma vez caíram na esparrela dos anúncios, ou dos contos do vigário em que impera toda essa literatura romanesca, e as telenovelas, com que encheram o seu vazio de sonhos de um amor romântico… pode já não ser os maridos, mas os amantes…e afinal para continuaram escravas do homem e dos seus padrões de beleza!
Sim, apesar de tudo se ter alterado nos costumes nestas últimas décadas e a confusão social pela perda de valores ser cada vez maior, e embora as mulheres trabalhem e ganhem por vezes mais do que os maridos e até parecem livres de fazer o que querem…continuam afinal emocional e sexualmente prisioneiras do homem a nível mental tanto como das suas células, e são atacadas e escravizadas ou acusadas da mesma culpa ancestral a nível do inconsciente colectivo, pela alienação que essa ofensiva mediática que as desvirtua e reduz a meros objectos sexuais, seja ainda  pelos filmes em série que as reduzem a mulheres desesperadas em busca do homem, e por isso ainda acreditam numa espécie de príncipe encantado que agora é o milionário que as abusa e violenta  como nas tais 50 sombras de gray, filme fetiche da nova geração de mulheres que proclamam o sado-masoquismo como legitimo e fazem apologia dele … As mulheres "modernas" de hoje estão aprisionadas nessa armadilha invisível dentro delas mesmas. Pensam que são livres e não percebem as correntes que as amarram…nem como foram enganadas e manipuladas até serem elas "o porta voz" da sua própria anulação...
São centenas ou milhares de mulheres prisioneiras e no mundo inteiro milhões, mulheres presas dentro delas próprias, prisioneiras desses padrões, de um velho paradigma, amarradas a essa ansiedade feroz do amante que as preencha e nessa carência extrema de si mesmas que as caracteriza (diria, que as "caricaturiza" porque essa mulher é uma caricatura de si mesma e do seu potencial adormecido) e que no fundo faz essa amarga solidão que as leva, em desespero de causa, a aceitar de volta homens violentos, homens que as manipulam e maltratam ou a crer e a procurar novos amores e por mais que sofram e sejam traídas, enganadas e mal amadas, nunca aprendem a lição nem a sua liberdade… E se qualquer outra mulher agir ou falar de forma diferente e que seja consciente deste movimento...então é porque ela odeia os homens...ou é lésbica...

Serão escravas as mulheres para todo o sempre?

Será que não vemos que enquanto não nos amarmos integralmente primeiro a nós mesmas como um ser em si, não apenas como mães mulheres esposas ou amantes ou filhas, mas apenas MULHERES. sim  enquanto não formos auto-suficientes e conscientes do nosso ser integral, enquanto não integrarmos as partes de nós divididas, enquanto não percebermos que fomos divididas e que andamos a vestir a roupa que nos querem vestir os homens: ora de puta ora de senhora... ora de mulher fatal,  ora de casta...ora de virgem e santa ora de pecadora  etc e que enquanto não tivermos a consciência dessa nossa divisão interna, desse jogo a que nos prestamos e fizermos os papeis de uma ou de outra de acordo com a religião ou os caprichos dos homens ou da moda  não nos podemos libertar…
Enquanto não nos podermos amar nem respeitar a nós mesmas como seres independente, como seres singulares, unos, nenhum homem ou mulher nos poderá amar. Enquanto não nos valermos a nós próprias, o amor seja de quem for não nos serve para nada. ( Isto de algum modo e a um certo nível também é válido para o homem…mas a mulher é um caso mais grave, porque o homem tem mais autoestima, orgulho e independência que à mulher quase sempre falta…) E enquanto essa consciência não acontecer esse amor que vivemos é sempre a projecção ou uma ilusão temporária de que nos compreendem e aceitam tal como somos ou somos sempre o que o Sistema a cultura ou simplesmente "o outro"  quer que sejamos, e assim esperamos encontrar  o sucedâneo do pai ou da mãe que não tivemos…e que julgamos que nos amam como nas histórias de reis e princesas ou antes, de gatas borralheiras e príncipes encantados ou os ricos milionários que a breve trecho se transformam sádicos ou em sapos e monstros, no virar da página…
rlp

(reescrevendo)

1 comentário:

Ana Nazaré disse...

Lindo, adorei !!! Simmm, ensinam-nos tantas coisas..menos, sermos sós !!! E e tão lindo estar só, e necessário tb... Um momento nosso.. E quem sabe isso não é um "insight"para a forma social ? Termos nosso espaço, nosso canto... compartilharmos e ao msmo tempo estarmos sós.......