"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

sexta-feira, janeiro 16, 2015

A MULHER NÃO TEM GÉNERO...



A MULHER...É MULHER - mas enquanto não for Mulher em Si, consciente da sua integralidade é apenas um subproduto do Sistema patrista, que se busca no obscurantismo religioso e ideológico, inserida no quadro académico em que está atada a ideias e conceitos, filosofias e psicologias machistas, digo, enquanto não se "desemaranha" de toda essa teia patriarcal, e da própria sua (dele) semântica...ela busca-se no vazio que de si o Homem criou e a projectou intelectualmente...SEM NUNCA SE ENCONTRAR.


Acho, tal como disse Natália Correia:

"Acho que não vale a pena a mulher libertar-se para imitar os padrões patristas que nos têm regido até hoje. Ou valerá a pena, no aspecto da realização pessoal, mas não é isso que vem modificar o mundo, que vem dar um novo rumo às sociedades, que vem revitalizar a vida.
A mulher deve seguir as suas próprias tendências culturais, que estão intimamente ligadas ao paradigma da Grande Mãe, que é a grande reserva, a eterna reserva da Natureza, precisamente para os impor ao mundo ou pelo menos para os introduzir no ritmo das sociedades como uma saída indispensável para os graves problemas que temos e que foram criados pelas racionalidades masculinas.
É no paradigma da Grande Mãe que vejo a fonte cultural da mulher; por isso lhe chamo matrismo e não feminismo.
É aquilo a que eu chamo o cansaço do poder masculino que desemboca no impasse temível do tal equilíbrio nuclear que criou uma situação propícia a que os valores femininos possam emergir, transportando a sua mensagem."


NATÁLIA CORREIA, in Diário de Notícias, 11-09-1983

1 comentário:

Ana Nazaré disse...

Simmm ! E é mais complicado do que afirmam alguns escritores que dizem que a mulher "tem algumas caracteristicas"enquanto homens outras.. aos homens foi dada uma possibilidade de autonomia muito maior que a mulher..