O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

quarta-feira, outubro 23, 2002



"O FRUTO PROIBIDO"...

"Trago no rastro flores e suavidade de borboletas. Devaneios, volitando em estado ainda letárgico,
mas pronta para os próximos trezentos e sessenta e cinco dias do Ano Novo que hoje começa para mim.
Revolução Solar dirigida pelos espíritos do vento, imortalizando a delicadeza e a vontade de seguir em frente,
cheia de vida.Renasço em mais uma primavera."


Tirado do Blog da Analu – Lemniscata

Analu, obrigada por testar meus "coments"; eles são registados, mas o que acontece é que eu nunca sei se tenho ou não visitas, pois os números não aparecem...SÓ adivinhando...

BRISA

Era o fulgor do vazio e as corolas transparentes.
Era o anjo do ar, impoderável leveza.
O mais claro delírio, ondulação ardente.
Sombras, pedras, águas e as mais volúveis folhas
um só rosto formavam de fragrantes pupilas.
Pela brisa corria um sossegado amor
e o mar ardia com monótona veemência.
E tudo era um só corpo, a mais leve linguagem.


in "Facilidade do Ar"de António Ramos Rosa



" L’âme, au moment de la mort, fait les mêmes expériences que font les initiés aux Grands Mystères. "

" Les grands événements de l'histoire humaine, au fond, manquent singulièrement d'importance. En dernière analyse, la chose vraiment essentielle est la vie de l'individu. Voilà ce qui fait l'histoire: voilà le véritable creuset des grandes informations… dans nos vies les plus intimes, les plus subjectives, nous ne sommes pas seulement les témoins passifs de notre époque, ceux qui la subissent, mais aussi ceux qui la font. "

Carl G. Jung, La Civilisation en mouve


"Que ninguém se orgulhe de amar. Deveis respirar o Amor tão natural e livremente como respirais o ar para dentro e para fora dos vossos pulmões, pois o Amor não precisa de ninguém que o exalte. O Amor exaltara o coração que considerar digno de si.
O Amor não é uma virtude. O Amor é uma necessidade ; mais necessidade é do que o pão e a água, mais do que a luz e o ar."


Mikhail Naimy

Roubado no "Paraíso Perdido"...

terça-feira, outubro 22, 2002



O CORPO SEM ROSTO

Ela arqueia-se sem nome, no desespero
de um nome. Eu não quero ver
senão a ausência do seu rosto
destruído pela torrente como uma lâmpada.
O corpo é um fruto de areia, pedra e vento,
construção musical desagregada
que na cinzenta trama é o próprio desejo
mostrando a garganta e os joelhos.
Mas no sexo de réptil há uma lama solar
e o corpo explora o corpo na nula identidade
até que um tecto se forme como uma onda imóvel.


in "FACILIDADE DO AR" - de António Ramos Rosa


Ah, como tudo é incerto. E no entanto dentro da Ordem. Não sei sequer o que vou te escrever na frase seguinte.
A última verdade a gente nunca diz. Quem sabe da verdade que venha então. E fale.
Ouviremos contritos.


A coragem de viver: deixo oculto o que precisa ser oculto e precisa irradiar-se em segredo.

Calo-me.

Porque não sei qual é o meu segredo. Conta-me o teu, ensina-me sobre o segredo de cada um de nós. Não é segredo difamante. É apenas esse isto: segredo.
.
E não tem fórmulas.

in "ÁGUA VIVA" - CLARISSE LISPECTOR



Anarquísmo

" La noche y el caos forman parte de mi.
Me remonto al silencio de las estrellas.
Soy el efecto de una causa del tiempo,
del Universo [quizás lo excedo].
Para encontrarme, debo buscarme entre las flores,
los pájaros, los campos y las ciudades,
en los actos, las palabras y los pensamientos de los hombres,
en la noche del sol y las ruinas olvidadas de mundos hoy desaparecidos.
Cuanto más crezco, menos soy.
Cuando más me encuentro, más me pierdo.
Cuanto más me pruebo, más veo que soy flor
y pájaro y estrella y universo.
Cuanto más me defino, menos límites tengo.
Lo desbordo todo. En el fondo soy lo mismo que Dios.
Mi presencia actual contiene las edades anteriores a la vida,
los tiempos más viejos que la tierra,
los huecos del espacio antes de que el mundo fuera. "


Fernando Pessoa em espanhol...para as minhas amigas do México e da Argentina...
e amigos espanhois!



Salvación

" Se fuga la isla
Y la muchacha vuelve a escalar el viento
y a descubrir la muerte del pájaro profeta
Ahora
es el fuego sometido
Ahora
es la carne
la hoja
la piedra
perdidos en la fuente del tormento
como el navegante en el horror de la civilación
que purifica la caída de la noche
Ahora
la muchacha halla la máscara del infinito
y rompe el muro de la poesía. "


de Alejandra Pizarnik (Argentina, 1936-1972)

e ainda da mesma autora



Sortilegios


" Y las damas vestidas de rojo para mi dolor y con mi dolor insumidas en mi soplo, agazapadas como fetos de escorpiones en el lado más interno de mi nuca, las madres de rojo que me aspiran el único calor que me doy con mi corazón que apenas pudo nunca latir, a mí que siempre tuve que aprender sola cómo se hace para beber y comer y respirar y a mí que nadie me enseño a llorar y nadie me enseñará ni siquiera las grandes damas adheridas a la entretela de mi respiración con babas rojizas y velos flotantes de sangre, mi sangre, la mía sola, la que yo me procuré y ahora vienen a beber de mí luego de haber matado al rey que flota en el río y mueve los ojos y sonríe pero está muerto y cuando alguien está muerto, muerto está por más que sonría y las grandes, las trágicas damas de rojo han matado al que se va río abajo y yo me quedo como rehén en perpetua posesión."

segunda-feira, outubro 21, 2002

LADY GODIVA



A ALQUIMIA DO AMOR

A alquimia do amor permite descobrir as várias faces da Anima. Anima que é, segundo Jung, a mulher que se tem dentro (no caso dos homens; no caso da mulher falar-se-à de Animus).É a personificação feminina do seu inconsciente. A personificação de todas as tendências psicológicas femininas na psique do homem, tais como a receptividade ao irracional, a capacidade para o amor, o sentimento da natureza, e a relação com o mundo inconsciente.

A ANIMA

A Anima surge frequentemente como bruxa ou sacerdotiza - alguém que se relaciona com as forças ocultas do outro mundo. A sua caracterização, benéfica ou maléfica, depende em grande parte da mão que o homem teve. É pela mãe
que esta forma interior se vem modelar. As sereias gregas, a Lorelei germânica, conservam o aspecto nefasto que a Anima pode
ter, levando o homem à sua própria destruição.



in A ALQUIMIA DO AMOR de Y.K.Centeno

DUALIDADE

"Enquanto que existimos no nosso corpo terreno, estamos sujeitos à lei da Natureza que é dualidade; e esta dualidade cria a afinidade entre os complementos separados.
Esta dualidade, que é a base e o mal inicial da Natureza, é também a base da nossa experiência terrestre cuja finalidade é ultrapassar esta mesma Natureza na procura do retorno à Unidade.
Ela é a base da nossa cultura de consciência, uma vez que lhe damos a possibilidade da escolha entre as qualidades opostas, entre o que é real ou relativo, bom ou máu para a nossa consciência actual.



A dualidade sendo a causa da sexualidade -- portanto, a afinidade entre os complementos -- é a causa do desejo que o ser humano chama amor. O erro está em confundir amor, desejo e necessidade (...)


"TOUTE CONNAISSANCE CONÇUE PAR LE COUER MONTE EN SURFACE D'ELLE-MÊME COMME LA CRÈME SUR LE LAIT, SANS AUCUN EFFORT DE PENSÉE: CECI EST LA VRAI CONNAISSANCE INTUITIVE".


"L'OUVERTURE DU CHEMIN" DE ISHA SCHWALLER DE LUBICZ


domingo, outubro 20, 2002

"La perfection de l'œuvre spirituelle est l'exacte correspondance entre l'intérieur et l'extérieur."

Fernando Pessoa



NOSSAS ALMAS E NÓS

"O arquétipo da PARCERIA ESPIRITUAL - parceria entre semelhantes com o propósito de crescimento espiritual - está se desenvolvendo dentro da nossa espécie; ele reflete a jornada consciente de humanos multissensoriais no sentido de uma força autêntica - força que se manifesta DENTRO - e não fora."

"Força é energia que se forma pelas intenções da alma. É Luz, moldada pelas intenções de amor, compaixão, guiada pela sabedoria."

Corinne

«A SOLIDÃO E O AMOR»


(...)
Na origem do impulso para a comunicação amorosa estaria, pois, uma consciência da cisão intrínseca do ser humano, da separação dentro de si e em relação aos outros. O corpo é o primeiro sintoma de incomunicabilidade, o corpo é a forma exterior da interior forma hermética do ser humano. Os corpos são entidades, como os seres que transportam e, se por um lado são reflexo, por outro são aquela superfície em que tudo se reflecte. Por isso o corpo é o ponto de partida para o amor. Talvez cessando o corpo também o cesse, mas entretanto tem de ser considerado como o instrumento mais causador da nossa solidão, portanto, o mais imediatamente capaz de nos permitir ultrapassá-la.

(...)

O sexo é a matriz do nexo. O amor pressupõe de facto uma iniciação: o reconhecimento da cisão e a sua ultrapassagem. A Iniciação interessa a todos: homens, mulheres, pessoa, pessoas, espírito, solidão, amor, cisão, fusão: apenas aspiração ao absoluto da comunhão perfeita, impulso para a superação do eu pessoal no eu impessoal superior.

(...)

IN «AS NOVE INCURSÕES» de Ana Hatherly

sábado, outubro 19, 2002


"EXISTE NO FASCÍNIO DO NU FEMININO UM ASPECTO DE VERTIGEM SEMELHANTE AQUELE QUE É PROVOCADO PELO VAZIO, PELO SEM-FUNDO - COM O SÍMBOLO DE v~wn, SUBSTÂNCIA PRIMEIRA DA CRIAÇÃO E DA AMBIGUIDADE DO SER NÃO-SER. ESTA CARACTERÍSTICA PERTENCE UNICAMENTE AO NU FEMININO"

in "Metafísica do sexo"- J.E.



“Ó! Não fujas, gritei, porque a natureza morre contigo”.

GERARD DE NERVAL

Ó Deusa Branca,
Senhora das fontes e dos lagos,
esquecida nas brumas do tempo,
chamo-te do mais recôndito do meu ser,
em cada célula um apelo, no meu corpo,
em cada átomo.
Não sei porque te envolve esse véu diáfano,
que te esconde na penumbra dos meus sonhos,
onde às vezes por piedade me sorris
ou me tocas com teu manto que te esconde de mim .
Outras vezes,
afagas-me o rosto com uma pena das tuas asas
e foges para longe.
Queria amar-te mais se eu pudesse
e trazer-te para bem perto ...
Pedir-te Senhora, nunca me esqueças...
Tu és a razão única da minha vida,
tu és a minha essência e cada nervo.
A carne, o sangue e o tecido,
cada fibra do meu ser te pertence!


in "ANTES DO VERBO ERA O ÚTERO"



POESIA DO ANTIGO EGIPTO

(...)
...Sete dias e eu sem a ver.
A minha doença cresce:
tenho pesados todos os membros!
Já nem me reconheço.
O alto sacerdote não é medicina, o exorcisismo é inútil:
esta é uma doença sem explicação.
Eu disse: Ela fará com que eu viva,
o seu nome fará com que eu me erga...
As suas mensagens são a vida do meu coração
chegando e partindo.
Mas a minha amada é a melhor medicina,
mais do que qualquer mezinha ou remédio.
A minha saúde está em vê-la aparecer...
Ficarei curado mal a veja.
Abra ela os meus olhos
e os meus membros retomarão a vida;
Basta que me fale e a minha força voltará.
Abraçá-la fará desaparecer todos os vestígios da minha doença...
Há sete dias que ela me abandonou...





(...) "Quando se ama não se ri; talvez se sorria apenas...Durante o espasmo está-se sério como na morte."

"Para além da seriedade, o acto sexual comporta um grau de concentração particularmente elevado, mesmo que seja frequentemente uma forma de concentração involuntária, imposta ao amante pelo próprio desenvolvimento do processo. Por este motivo, tudo o que o possa distrair pode ter sobre ele um efeito imediato eroticamente ou até psicologicamente inibitório. Emotiva e figurativamente é isto o que, no acto sexual, implica o "dom" de um ser o outro, mesmo quando tem a o carácter de uma união fortuita e sem continuidade.
Essas características, essa seriedade, essa concentração, são reflexos do sentido mais profundo do acto de amor e do mistério que encerra."


in "Metafíca do Sexo" de Julius Evola

quinta-feira, outubro 17, 2002



Nossa Senhora
Das coisas impossiveis que procuramos em vão,
Dos sonhos que vêm ter connosco ao crepúsculo, à janela,
dos propósitos que nos acariciam
Nos grandes terraços dos hotéis cosmopolitas
Ao som europeu das músicas e das vozes longe e perto,
E que doem por sabermos que nunca os realizaremos...
Vem e embala-nos,
vem e afaga-nos,
Beija-nos suavemete na fronte,
Tão levemente na fronte que não saibamos que nos beijam
Senão por uma diferença na alma.
E um vago soluço partindo melodiosamente
Do antiquíssimo de nós
Onde têm raizes todas essas árvores de maravilha
Cujos frutos são os sonhos que afagamos e amamos
Porque os sabemos fora de relação com o que há na vida.



Vem, dolorosa,
Mater-Dolorosa das Angústias dos Tímidos,
Turris-Erbúrnea das Tristezas dos Desesperados,
Mão fresca sobre a testa em febre dos Humildes,
Sabor de água sobre os lábios secos dos Cansados.
Vem, lá do fundo
Do horizonte lívido


excertos da "ODE À NOITE" de Fernando Pessoa


OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que se não diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
Mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais do que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espectáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou o tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.


CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
(1902-1987)


Poema enviado de Londres,
por uma amiga que se junta á homenagem do grande poeta brasileiro.





Y yo todas las rosas te daria...


MADRE


Madre que acune mi vivir dolido,
que me vele esta noche de tal frio,
que com mano piedosa el hilo mío...



Que me lleve consigo, adormecido,
mientras cruzo el parje más sombrío...
Y que me lave el alma en ese rio...



Mi orgullo varonil podria dar
y aun mi ciencia daría muy sereno
por mi débil niñez recuperar.



Y tranquilo, feliz, dócil seria,
se pudiera dormir sobre tu seno,
si tú fueras, amada, madre mia!



ANTERO DE QUENTAL

DOIS GRANDES POETAS A ACOMPANHAR O POETA BRASILEIRO
NUMA ODE Á LINGUA MÃE...

DRUMMONT - CENTENÁRIO




Além da Terra, além do Céu


Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.





NOSSO TEMPO

(...)

Escuta o horrível emprego do dia
em todos os países de fala humana,
a falsificação das palavras pingando nos jornais,
o mundo irreal dos cartórios onde a propriedade é um bolo com flores,
os bancos triturando suavemente o pescoço do açucar,
a constelação das formigas e usurários,
a má poesia, o mau romance,
os frágeis que se entregam à proteção do basilisco,
o homem feio, de mortal feiúra,
passeeando de bote
num sinistro crepúsculo de sábado.


(...)

O poeta
declina de toda responsabilidade
na marcha do mundo capitalista
e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas
promete ajudar
a destruí-lo
como uma pedreira, uma floresta,
um verme.

quarta-feira, outubro 16, 2002



"Los sesenta (espléndidos) años de una mujer que sabe cambiar"

“A Energia V espalha-se pelo mundo...”

"RESPOSTA" a um Artigo e entrevista do Diário de Notícias a Jane Fonda em 26 de Setembro.


Parecerá mal erguer uma voz dissonante perante uma “energia” que se pretende benéfica e revolucionária para a mulher, mas a mim parece-me que contrapor uma energia feminina a uma masculina e retirando o eufemismo, talvez não seja muito salutar confrontar o símbolo fálico com o “yoni” - para utilizar o termo indu - que evoca o princípio da sexualidade feminina e que na sua mística integra os dois símbolos como complementos de uma realização espiritual sagrada enquanto que o ocidente trata estes termos de forma dessacralizada e até aberrante e dar ênfase aos órgãos genitais seja do homem seja da mulher, parece-me um erro crasso. Principalmente porque o poder da mulher não está na vagina como afirma o movimento, mas no Útero e é esse útero e a Voz do Útero que confere à mulher a sabedoria e a receptividade do universo e não o lugar da sexualidade em si ou do prazer ou o que lhe queiram mais atribuir, mas que sem a consciência profunda do seu Ser a Mulher inteira, não chegará a ela e, portanto não chegará a nenhum lado e será apenas a contrapartida do outro e sempre em luta para se afirmar o que contraria a sua passividade criativa de receber e dar e não lutar de igual para igual com as mesmas armas em riste...

A mulher sendo ela própria e consciente dos seus dons inatos não tem que afirmar nem a sua sexualidade nem o seu sexo! Portanto esta luta de artistas americanas que continuam a fazer plásticas e praticar aeróbia 26 horas por dia e cortam costelas para Ter a cintura fina de adolescentes aos sessenta anos, para conquistar “o falo” dos homens, por mais percursos activistas e feministas revolucionárias que sejam, não me convencem. Sou radical com as mulheres que defendem algo para elas e continuam a querer agradar aos homens e ao seu esteriotipo...
As mulheres têm que se consciencializar da totalidade do seu ser e começar por integrar as três mulheres - a saber: a mãe a velha e a nova, aceitando na integra as suas etapas da vida respeitar a sua essência e não somente a sua vagina, como diz o artigo. Devem formar um coro de almas e de corações, unidas entre todas as idades e escalões sociais, rácicos e diferentes sexualidades, em diferentes culturas e países. Acho completamente absurdo sobrevalorisar o sexo seja da mulher seja do homem!
Os crimes e violações que as mulheres sofrem, não são porque se oculta o seu sexo e porque este seja mal conotado, bem pelo contrário, é pela exposição desonrosa e gratuita do seu corpo objecto e porque a mulher perdeu as suas principais referências nas sociedades pré-históricas em que o culta da Deusa e da Natureza era seu apanágio, o que restou às mulheres nas sociedades contadas e estudadas pelos homens é a sua anulação enquanto ser com um poder ancestral oculto e uma divindade negada pelos patriarcas das religiões que dividem o mundo e que fizeram da mulher o seu primeiro bode expiatório e escrava
!



Para mim o Dia V é ainda uma caricatura e uma armadilha do mundo falocrático que se afirma muito por baixo...Poderia dizer até antes isso que nada, mas sei que este caminho mais uma vez nos desvia do essencial e escamoteia as verdadeiras causas porque lutar! Se os homens dominam com o falo e violam as mulheres e as espancam como machos, considerando-se os mais fortes e são dominadores, não me parece que seja afirmando e escrevendo “diálogos da vagina” que as mulheres se imporão na sua liberdade e verdade superior. As mulheres não são as suas vaginas...Porque essa foi a atribuição que o macho lhe deu como buraco onde despeja os seus testículos quando quer, sendo a mulher uma espécie de penico multi-usos, mas reivindicar um poder da vagina...parece-me igual ao poder fálico...Poder por poder, de “igual para igual” ao nível do animal. Porque à mulher verdadeira interessa é ser um Ser humano inteiro e não dividido, é o seu coração que é importante e não porque “tem a forma dos seus órgãos” - que obsessão sexual! - mas do bater do universo e é a Voz das suas entranhas que lhe dá a percepção da terra e da lua e que lhe vem do Útero, insisto, e que lhe dá essa sua Sabedoria milenar de curar e tratar e também obviamente dar prazer porque essa é a maneira mais feliz de libertar e curar as almas adormecidas dos seres deformados por séculos de perseguição à natureza e aos corpos como pura expressão das almas e da terra em uníssono com o céu, na sua função mais sagrada de mediadora das forças cósmico-telúricas, papel que lhe foi roubado pelas religiões patriarcais e que ela à força de perseguições e mortes esqueceu. Mas que agora as mulheres venham reivindicar o “poder da vagina”, contrapondo-o ao poder do falo, para mim é triste...Pois a energia feminina de que se precisa não é a sexual em que foi explorada e de facto denegrida durante milénios, mas essencialmente da sua alma e do seu coração.
O poder da Mulher é muito maior que um simples aparelho genital...Pobres mulheres que continuam a fazer rir os homens que as vêm cair sempre nas suas armadilhas e teias, sem que elas se apercebam das suas contradições e enganos
.

Rosa Leonor Pedro

terça-feira, outubro 15, 2002




O MUNDO NOVO ou o céu na Terra


Estamos entre dois mundos... Um mundo velho que se esvai em convulsões e agonia, que mata os seus filhos, que dilacera. Estamos no fim de um mundo que era só razão e excluía sentimentos e intuição e em que a luta das mulheres quase que foi em vão...Houve desvios culturais na história da humanidade que a prejudicaram mais directamente na falta de verticalidade e dignidade a que foi sujeita, mas que prejudicou directamente também os seus filhos... O homem tem de recuar na sua força e prepotência, tem de abandonar a sua arrogância e violência e aprender a amar e respeitar a mulher. Porque sem a mulher no seu papel mais elevado de ser individual antes de ser amante ou mãe, nunca a humanidade se vai libertar da sua escravidão. Porque a Mãe da humanidade está dividida em duas metades uma contra a outra no mundo inteiro. Uma dualidade perpetuada por valores de superioridade e inferioridade cabendo à mulher sempre o papel inferior e negativo...
Os homens quiseram assumir a paternidade do mundo, mas só geraram a divisão e o ódio entre irmãos...
Dividiram terras, países bens e mulheres!
Este é o velho mundo do amor e do ódio sempre em alternância e sem descanso.
Todas a escravidão exercida pelo homem começou com a escravidão da mulher e porque a Mãe faltou, votada ao silêncio e ao descrédito, os homens destruíram o mundo pela guerra. A mulher sofreu tanto ao longo destes milhares de anos que nada poderá justificar, nem a razão nem o pecado, nada justifica esse sacrifício inaudito. Apenas a loucura e prepotência dos homens que não viram que o seu poder era usado em cima do sacrifício da própria Mãe e que eles seriam as SUAS vítimas mais próximas. E se houve um crucificado nesta história que tão mal nos foi contada, não foi Cristo, mas a Mulher!


Todo a face do mal deste velho mundo em estertor, dividido em duas metades, foi projectado na mulher. A mulher foi a cobaia e o bode expiatório de todos os homens, mesmo dos escravos e é preciso que isso fique claro de uma vez por todas, pois só depois de se compreender este erro crasso contra uma metade da humanidade, em que ainda compactuamos todos, homens e mulheres, o mundo chegará a um novo consenso e atingirá uma nova consciência. Essa Consciência nada tem a ver com a velha consciência da moral e dos costumes, nem com a ordem patriarcal vigente neste podre mundo, mas com uma consciência alargada e não linear. Com uma nova visão do mundo e da mulher, um novo mundo qque se aproxima.
O universo dos homens foi a razão, o intelecto: análise e separação. O universo das mulheres é a intuição, o sentimento: percepção e síntese. Estes dois mundos têm de se encontrar e cruzar dentro de cada ser.


Cabe à mulher o papel de mediadora uma vez liberta das suas peias e de posse do seu dom de iniciadora, tanto do amor do filho como do amante, pois a mulher é iniciada por natureza e essa é a sua função: Amar e Ser igual a si mesma.





A ROSA AZUL DO IMPOSSIVEL...

Parar a guerra e o ódio entre os homens...


"MAS SE A DEUSA DOS TEMPOS PRIMORDIAIS FOI PARTICULARMENTE VENERADA EM TODO O PRÓXIMO ORIENTE, O CRISTIANISMO E SOBRETUDO O ISLÃO EXPULSARAM-NA VERGONHOSAMENTE DAÍ."

IN "A GRANDE DEUSA" de Jean markale

CABE ÀS MULHERES ERGUER A ROSA AZUL DO IMPOSSÍVEL E TRANSFORMAR O MUNDO IMPEDINDO A GUERRA...



A BELEZA DA COR...


MULHER.BR


Mulher, negra e pobre - A tripla discriminação

"Além mal pagas, as mulheres negras ainda têm que enfrentar três tipos de discriminação no trabalho: a de gênero, a de raça e a social. Entenda-se por preconceito social aquele que afeta pessoas pobres, situação na qual se encontra grande parte dos negros brasileiros"

Brancas e negras e pobres, as mulheres de todo o mundo sobrem de abusos e descriminações..

"A GRANDE DEUSA DA ANTIGUIDADE NÃO É, COMO VEIO A SE TORNAR MAIS TARDE, SOMENTE INFERIOR E TERRA -MÃE, MAS SIM TAMBÉM A SENHORA DO SUPERIOR E DO CÉU, ESPECIALMENTE DO CÉU NOCTURNO, REPRESENTANTE DO DESTINO. SUA "PRESENÇA" GRANDIOSA, COM OS BRAÇOS LEVANTADOS OU ERGUIDOS EM FORMA CIRCULAR, BEM COMO A IMPONÊNCIA DO SEU POSICIONAMENTO FRONTAL, REVELAM QUE ELA JAMAIS SE DIRIGE COMO SUPLICANTE PARA O ALTO; TRATA-SE, ANTES, DE UMA EPIFANIA DA SUA OMNIPOTÊNCIA, QUE INCLUI A EFICAZ MAGIA SUPERIOR DO DESTINO, E QUE A TORNA PODEROSA PARA OS SEUS"

"A Grande Mãe" de Erich Neumann