O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

quarta-feira, maio 31, 2006

O QUE PENSAVAM DAS MULHERES ESTES "GRANDES" HOMENS DA FÉ
E COMO CONTINUARAM A PENSAR OS HOMENS DURANTES ESTES SÉCULOS...


São Paulo (apóstolo, ano 67 d.C.)

"Que as mulheres estejam caladas nas igrejas, porque não
lhes é permitido falar. Se querem ser instruídas sobre
algum ponto, interroguem em casa os seus maridos."

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Tertuliano (teólogo cartaginês, século III)

"Mulher, tu és a porta do inferno, foste tu a primeiro violar
a lei divina, a corromper aquele que o diabo não ousava
atacar de frente; tu foste, na verdade, a causa da morte de
Jesus Cristo."

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Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos, escrito por
Maomé no século VII, sob inspiração divina)

"Os homens são superiores às mulheres porque Deus
lhes outorgou a primazia sobre elas. Portanto dai aos
varões o dobro do que dai às mulheres. Os maridos que
sofrerem desobediência de suas mulheres podem castigá-
las: deixá-las sós em seus leitos, e até bater nelas. Não se
legou ao homem maior calamidade que a mulher."
A DESSACRALIZAÇÃO DA MATER


”A carruagem da masculinização, que trouxe numa mesma braçada o racionalismo religioso e o positivismo científico, provocou a dessacralização da sexualidade e a redução do eros a festim da corporal – se é que ainda é festim!”**

A “pilhagem dessacralizante da Mater”, como disse Natália Correia*, aconteceu há muito, desde os primórdios da nossa civilização; tudo aconteceu em detrimento da mulher e do Princípio Feminino. E é essa pilhagem do seu ser a que assistimos ainda hoje, neste tempo dito moderno…

O Espírito que era a Mãe, a Matriz ou “A raíz do verdadeiro unificante”* perdeu-se e desde então a mulher foi tratada como uma “espécie” inferior. Desde então a mulher passou a perseguida e explorada pelos patriarcas do deserto e pelos padres cristãos, pelos líderes de todas as ideologias e chefes religiosos de todas as seitas e quase sempre objecto de escárnio e ódio por parte dos homens em geral.
A mulher foi ancestralmente classificada como fonte do mal e do pecado, sendo “suja” a sua natureza e fraca e consciente ou inconscientmente é essa perseguição milenar que a torna ainda vítima ou o “bode expiatório” dos homens em todo o mundo e em todas as escalas socias…

E quando os homens “fazem amor” é para descarregar a sua raiva ou a sua frustração sobre a mulher como se o seu corpo fosse um contentor de lixo. Se o “fazer amor” é apenas o extravasar de uma espécie de ódio e frustração social e humana, a mulher é duplamente vítima…É por serem tratadas dessa maneira que as mulheres sofrem das mais variadas doenças nomeadamente o cancro.
Se bebem e ganham mal batem na mulher e nos filhos. Se o seu Club preferido perde é a mulher que paga e paga se corre mal o dia no trabalho e o patrão o afronta...é culpada a mulher se ele é impotente ou se é desgraçado ou pobre. Em todo o mundo é generalizado de uma forma ou de outra, a mulher como culpada dos vícios do homem e é sempre ela quem paga a factura da sua frustração, seja porque a deseja seja porque a odeia. É presa por ter cão e por não ter…

“Reina tanto mais a confusão quanto uma clivagem se cava no coração da humanidade; está em ressonância quase completa com aquela que eu exprimia mais atrás, separando o homem da mulher: de um lado estão aqueles, homens e mulheres, que por enquanto só olham para fora (…), a seu ver normativa em si mesma; do outro estão os que se viram para o oriente. Os primeiros debatem-se num dilúvio de violência e não sabem mais do que sobreviver radicalizando ao extremo, no terror de uma perda de segurança, os velhos esquemas masculinizados das éticas religiosas, políticas, sociais, etc; os segundos, começam a aceitar morrer para esses valores passados, porque aceitam morrer para esses valores passados começam a viver.”**

**Annick de Souzenelle
imagem: artemísia g.
NO DESTAK DE HOJE LIA-SE NA 1 PÁGINA:
HOMENS ESTÃO "MAIS FEMININOS"
"Os homens estão a ter comportamentos cada vez mais parecidos com o das mulheres, diz um estudo ontem divulgado."


Neste artigo foca-se os aspectos positivos dessa parecença que afinal não é mais do que a partilha de responsabilidades em casa na destribuição das tarefas e com os filhos, mas para a ainda maioria dos machos portugueses a mulher é pouco mais do que a "besta de carga" e quanto à sua "feminilidade" a sentí-la é, ao invés dessa partilha, vista como uma falta de virilidade que os leva em represália a cometer violência sobre a mulheres...


"EM PORTUGAL A Comunidade brasileira
é a que mais se queixa de violência doméstica


Duas em cada nove imigrantes que se queixam de violência doméstica têm a nacionalidade brasileira. O seu agressor, contudo, é português, os maltratos são continuados (52,3% dos casos) e usa e abusa do facto de a companheira ser estrangeira ou estar ilegal.
(…)
Os maus tratos vão da agressão física à psicológica, passando por ameaças e difamação. O quadro de queixas é muito semelhante ao apresentado pelas vítimas portuguesas mas o processo de apoio torna-se muito mais complexo, referem Carla Amaral e Frederico Marques, responsáveis pela unidade. "São mais vulneráveis, porque muitas delas estão ilegais e isso constitui um pretexto para as pressionar e elas têm medo de apresentar queixa. Além disso, não têm acesso à justiça", explica Carla Amaral.

O primeiro passo dos técnicos é legalizar as vítimas que estão em situação irregular, o que é difícil. Há casos, sobretudo nos conflitos laborais, em que o agressor fica com os documentos de identificação.
(…)
As vítimas são casadas ou vivem em união de facto (57%), têm o secundário (1,9%) e o superior (6,5%), mas em 87,9% dos casos não referem as habilitações. Entre os agressores, 39,3% são portugueses, têm a mesma idade das vítimas (entre 26 e 35 anos), menos habilitações (o 1º ou 2º ciclos) e trabalham nas mesmas áreas: serviços directos e particulares, de protecção e segurança. 21,5% encontram-se desempregados.


Lido in Diário de Notícias - Céu Neves

terça-feira, maio 30, 2006

A IDADE DE KALI YUGA


Querida Igaci:

É terrível quando nos começamos a aperceber e a saber melhor a actual condição da mulher no Mundo, nomeadamente em África...
Se no Ocidente "civilizado" a vida da maioria das mulheres é trágica, em África é o horror dos horrores, pior ainda do que nos países árabes.
Você diz que fica deprimida e compreendo o que você sente, pois qualquer mulher devia ficar não só deprimida, mas agoniada e revoltada por saber como a sua "espécie" é tratada só porque é mulher...O sofrimento, as humilhações, os abusos, as violações e a prostituição são flagelos horríveis que atingem todas as mulheres do mundo e só uma minoria de mulheres, das quais nós fazemos parte, têm a sorte de estar livres dessa opressão exploração e terror...

Imagino as mulheres de Leste e até do Brasil que são exportados para a Europa a terem de se sujeitar e obedecer a mafias ou a gigolos que as prostituem e exploram em seu benefício e que as mulheres que são livres e algumas com consciência social, as políticas e artistas ou escritoras, já não falo nos Estados nem nos Governos que nada fazem, não empreenderem todos os seus esforços para minorar o sofrimento de milhões de mulheres que são assim tratadas em todo o mundo e continuem a seguir com afinco a sua carreira ou a perseguir a fama, a moda e os desfiles e a comprar perfumes de marca, carros, casas e a ir dançar, rir e beber aos fins de semana para esquecer a rotina e o tédio...

Não sei o que lhe dizer...eu fico doente com tudo isto e as vezes penso que gostaria de voltar a ser uma activista, como fui em tempos ("revolucionária") e poder trabalhar num campo de acção efectiva, mas tudo o que existe é quase só teórico, como o foram as ideologias - as ideias e os ideais em nada mudaram o essencial da condição da mulher, nem do coração do homem...
Nem se consegue chegar a esses Países onde os costumes e a ignorância é tão entranhada, tão abissal ...

Você aí eu aqui que podemos nós fazer pela condição tão dramática das mulheres neste Planeta se a própria Terra é destruída pelos homens da guerra?

Falo então (ou escrevo) sobre a Consciência da Mulher (no Ocidente) como uma possibilidade quase remota de chegar a uma quantidade cada vez maior de mulheres para que possam depois expandir-se em possíveis movimentos e acções, mas receio bem que não passe de mais uma Utopia...É por isso que às vezes me apetece desistir desta Página...Mas, como tenho dito, se houver meia dúzia de mulheres mais esclarecidas e que mudem a sua própria vida a partir de dentro já é muito, pois nada poderemos fazer pelo mundo ou pelas outras mulheres se não mudarmos ou não nos libertarmos nós mesma da opressão social e do medo do “pecado”...
Não se deixe abalar tanto pelo sofrimento atroz dessas mulheres que sofrem a níveis de barbaridade e tente ficar serena dentro de si mesma pensando no que pode mudar na sua vida ou ajudar a sua filha...é assim que se começa...
É verdade que as mulheres são em quantidade e em particular as maiores vítimas; custa-me a dizer isto, mas os homens também sofrem do seu erro e ódio, só que não querem ver pois pensam que detêm o poder, sobretudo sobre as mulheres…

Haverá um momento em que todo este enigma do mundo (o que está por detrás de tudo o que vemos e sabemos LEIS Universais) se nos revele e assim possamos um dia, quem sabe, compreender o porquê de tanta injustiça e inverdade, e como consequência, miséria, fome e sofrimento no mundo, principalmente das mulheres?

Talvez o mundo ainda dê uma volta...e aí é preciso ter Fé no Amor da Deusa Mãe...

Um enorme e fraterno abraço
Rosa leonor

Enquanto isso em África...as meninas são cortadas a sangue frio e depois costuradas, porque "...Uma menina costurada não vai se divertir por aí, pois tem medo da dor e de que a família descubra quando a examinar - o que é feito todas as semanas."

A MULHER NUMA "CULTURA" PATRIARCAL BÁRBARA


A DOLOROSA EXPERIÊNCIA DE UMA MENINA SOMALI



(...)
"Então ela pegou a faca - uma pequena faca, com um gancho na ponta. Puxou meu clitóris com mais força, e aí eu virei o rosto e disse para a outra mulher: "abrace-me forte", e cerrei os dentes. Então, meu Deus, Rahima, tudo aconteceu. Meu corpo foi cortado num segundo, do jeito que Fátima havia dito. Eu pude ouvir um shhhh...como o som de que quando se corta carne. Foi assim que cortaram o meu corpo. Ela cortou tudo - não os grandes lábios, mas cortou o meu clitóris e os dois pequenos lábios, que eram haram (impuros); tudo foi cortado como se se tratasse de um simples pedaço de carne. Minha nossa, Rahima! Eu pensei que fosse morrer. Abri os olhos e olhei para baixo, e o sangue estava jorrando. Uma parte de onde ela havia retirado a carne sangrava muito, e a outra parte estava branca.
Rahima, meu Deus, aquilo era só o começo. Perguntei se havia terminado, e ela disse que não, que iria fazer de novo, e disse outra vez: "só vai levar um minuto", e eu acreditei.

E todos que assistiam jogavam ouro e dinheiro sobre mim - nas minhas pernas, na cabeça - e cantavam.
Toda vez que eu queria chorar, olhava em volta para ver se alguém me ajudaria, mas só via sorrisos, então ficava constrangida, abria a boca e fingia rir, mas por dentro estava morrendo.
Ela cortou as bordas dos grandes lábios, e depois, com espinhos parecidos com agulhas, costurou sobre a vagina para fechá-las. Colocou sete espinhos, e cada vez que colocava um, ela o apertava com um fio. Ao terminar, colocou uma pasta negra para cessar o sangramento e apressar a cicatrização, e depois gema de ovo para refrescar. Embrulharam as minhas pernas com um pedaço de pano, do tornozelo aos quadrís, vestiram-me novamente e me carregaram para um quarto que tinham preparado para nós. O mesmo foi feito com as outras garotas.

Eu fiquei doente e tive febre. E quando urinava, parecia que ia morrer. Queimava como fogo, como álcool derramado sobre um ferimento aberto. A urina era quente, e eu gritava de dor. Elas tiveram de me cobrir; meus dentes batiam e meu corpo todo tremia quando minha mãe chegou.

...Os espinhos ficaram em mim por três dias, quando a mulher que fez a circuncisão voltou para retirá-los. Todo esse tempo as suas pernas ficam amarradas, mesmo quando vc urina. Você não toma muito líquido para não precisar urinar muito. Também não come quase nada, para não precisar fazer cocô; elas lhes dão apenas sopa de legumes e pão seco, porque querem que seu corpo fique seco rapidamente. Quanto mais líquido você bebe, mais faz xixi e mais o lugar da operação fica molhado, e elas querem evitar isso. Toda vez que você faz xixi arde muito, então elas jogam água morna com sal sobre os genitais enquanto você está fazendo xixi. O sal é desinfetante, e a água morna ameniza a dor. Depois que vc faz xixi, elas secam a ferida e levam você lá pra fora. Lá fora no daash, elas cavam um buraco no chão e enchem de carvão incandescente coberto com cinzas. Colocam incenso sobre ele e fazem você sentar sobre o buraco, apoiada numa mulher sentada num banquinho. A fumaça com o incenso faz você cheirar bem, e o calor faz o ferimento secar. Depos de fazer isso por três dias, de manhã, á tarde e todas as vezes que fizer xixi, você fica curada.
(…)
Eu fiquei boa em sete dias, mas uma das meninas que foi circuncidada comigo - aquela que tinha quase a minha idade - teve de fazer tudo de novo, pois quando fez xixi pela primeira vez sentiu muita dor, e não fez mais xixi por três dias. Aí, quando a mulher veio para tirar os pontos, ela fez cocô e xixi tudo ao mesmo tempo, e isso fez o buraco abrir todo. Fátima teve de dar pontos de novo - a menina sofreu mais e teve de ficar em casa quase um mês.
O motivo de ás vezes se precisar dar aquele ponto extra é que, quando você se casa, seu marido pode saber se você é virgem. Se ele vir que você tem um buraco um pouco maior, vai pensar que você andou aprontando. Assim, as mulheres - sua mãe e as mulheres que fazem a circuncisão - têm de garantir que o seu buraco tenha o tamanho certo. É por isso que dão todos aqueles pontos e costuram tudo.

...Uma menina costurada não vai se divertir por aí, pois tem medo da dor e de que a família descubra quando a examinar - o que é feito todas as semanas.

(…)
Vocês sabem o que é fístula?
As meninas são prometidas em casamento muito cedo nestes países da África e logo concebem e ficam grávidas. Mas como são meninas, seus corpinhos ainda não estão preparados para levar a termo a gravidez. Na hora do parto, o corpo não consegue expulsar a criança e aí é que o horror acontece. Vi relatos de meninas que foram penduradas em árvores para que a criança saísse, teve uma que ficou 7 dias pendurada na árvore até que a criança nascesse!!! Algumas vezes, tanto a mãe quanto o bebê morrem.
A fístula é uma seqüela que muitas delas adquirem com o parto forçado: a vagina se rompe e a mulher passa a urinar e defecar sem controlo algum. Quando isso ocorre, elas são abandonadas pelo marido e/ou trancafiadas em cubículos escuros, porque o mal cheiro é insuportável.
Quanto relatos como esse e outros, nós mulheres do ocidente precisaremos saber para que nos unamos e lutemos pelos direitos de todas as mulheres do mundo?



(enviado por email)





segunda-feira, maio 29, 2006

O TEU REINO VIRÁ MÃE...




Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que eu quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra
Em primavera feroz pricipitado.
________________________________________

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa


Sofia de Melo Bryner

sábado, maio 27, 2006

ARDE O AZUL... EM MAAT...


A VISÃO

Quem terá visto algo que em realidade existe, mas não se manifesta?
Quem terá visto o que se manifesta no coração, mas não repousa nos lábios?
Quem terá visto aquele que é a realidade do mundo, mas não se encontra no mundo?
Quem terá visto na existência e na não-existência uma tal não-existência?


Rumi
Rubâi’ât
(Paris: Albim Michel, 1993)
Rumi

Vem

Conversemos através da alma.
Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos.
Sem exibir os dentes, sorri comigo, como um botão de rosa.
Entendamos-nos pelos pensamentos, sem língua, sem lábios.
Sem abrir a boca, contemo-nos todos os segredos do mundo, como faria o intelecto divino.
Fujamos dos incrédulos que só são capazes de enteder se escutam palavras e veêm rostos.
Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que todos somos um, falemos desse outro modo.
Como podes dizer à tua mão : "toca", se todas as mãos são uma?
Vem, conversemos assim.
Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma.
Fecha pois a boca e conversemos através da alma.
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.
Vem, se te interessas, posso mostrar-te.


RUMI


ABRA AQUI...


É FIM DE SEMANA...
DÊ-SE AO TRABALHO DE VER ESTE VÍDEO...
E PENSE...
"Quando a relação homem-mulher se desequilibra, então a relação humana com a natureza também se desequilibra de maneira perigosa. Eles tratam a Terra como a sociedade trata a mulher. Na minha opinião, a crise ambiental do Ocidente baseia-se em modelos de relacionamento"...


(imagem: pereira lopes)

Mulheres & Deusas
Comentários do post 114864131520887383

"O campo dos mortos é o lugar celestial, para o qual os moribundos viajam após sua morte corpórea _ é a esfera do universo masculino. Lawlor diz que a energia masculina está vinculada à força da morte, à caça, ao ato de matar, ao enterro, às cerimônias, à iniciação espiritual com as vozes do tempo de sonhar dos ancestrais. A força feminina, ao contrário, predomina no mundo dos vivos e moribundos, no mundo concreto da natureza, do nascimento da vida, da alimentação, do desenvolvimento e crescimento. Os aborígines dizem que as mulheres nasceram da natureza, mas os homens foram feitos pela cultura. A responsabilidade pelo campo dos não-nascidos _ ¿o mundo das energias potenciais que se reúnem em torno das fronteiras da vida e que se aglomeram depois no limiar¿_ é dividida entre homens e mulheres.

A combinação harmônica dos três campos ao se assumir a responsabilidade dos sexos conduz a uma cultura estável de cerca de 60 mil anos. Segundo Lawlor, os papéis tanto do homem como da mulher são necessários para a continuação do mundo material. Se mulheres e homens se desviam dessa defesa de prioridades e hegemonias originadas cosmologicamente, por causa do patriarcalismo e da agricultura, os resultados são catastróficos.

Lawlor observa que ¿no patriarcalismo ocidental, os homens tentam submeter o campo feminino e o mundo material às suas capacidades e hegemonia. Inoportunamente, eles trazem um procedimento e uma mentalidade desincorporada do tempo ao mundo dos vivos.¿ Quando a relação homem-mulher se desequilibra, então a relação humana com a natureza também se desequilibra de maneira perigosa. ¿Eles tratam a Terra como a sociedade trata a mulher. Na minha opinião, a crise ambiental do Ocidente baseia-se em modelos de relacionamento."

(...)
Autor: Richard Levinton, sobre um estudo do pesquisador Robert Lawlor (Voices of the first Day: Awakening in the Aboriginal Dreamtime) que trata da cosmogenese dos aborígenes australianos. Artigo publicado na revista Planeta, outubro de 1993, traduzido por Virginie Van Prehn da revista Esotera

i.b.v.b. | Email | 26-05-2006 17:17:54

MUITO OBRIGADA IGACI PELO TEXTO!

sexta-feira, maio 26, 2006


"A beleza sente-se de olhos fechados. Quando emigras para a lua, no voo da serpente.” P.Chiziane


Sede de mim...

Desejo-me a mim mesma
no corpo etéreo de uma mulher sublime,
como preciso do ar que respiro.

Desejo ver-me e sentir-me inteira
no meu corpo como se reinventasse outro ser...
E como se os meus sentidos fossem mágicos
desdobrar-me...

E do ar, do éter ou do prana, pela força do meu anseio,
aparecesse esse novo ser que me amasse até à consumação.

Queria que por magia,
eu própria me transformasse em substância etérea
e libertasse a minha alma da escravidão
deste corpo denso de pele e desejo...

Queria ser a Águia e vencer o dragão!


(ANTES DO VERBO ERA O ÚTERO
ROSA LEONOR P.)