O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

sábado, maio 27, 2006

"Quando a relação homem-mulher se desequilibra, então a relação humana com a natureza também se desequilibra de maneira perigosa. Eles tratam a Terra como a sociedade trata a mulher. Na minha opinião, a crise ambiental do Ocidente baseia-se em modelos de relacionamento"...


(imagem: pereira lopes)

Mulheres & Deusas
Comentários do post 114864131520887383

"O campo dos mortos é o lugar celestial, para o qual os moribundos viajam após sua morte corpórea _ é a esfera do universo masculino. Lawlor diz que a energia masculina está vinculada à força da morte, à caça, ao ato de matar, ao enterro, às cerimônias, à iniciação espiritual com as vozes do tempo de sonhar dos ancestrais. A força feminina, ao contrário, predomina no mundo dos vivos e moribundos, no mundo concreto da natureza, do nascimento da vida, da alimentação, do desenvolvimento e crescimento. Os aborígines dizem que as mulheres nasceram da natureza, mas os homens foram feitos pela cultura. A responsabilidade pelo campo dos não-nascidos _ ¿o mundo das energias potenciais que se reúnem em torno das fronteiras da vida e que se aglomeram depois no limiar¿_ é dividida entre homens e mulheres.

A combinação harmônica dos três campos ao se assumir a responsabilidade dos sexos conduz a uma cultura estável de cerca de 60 mil anos. Segundo Lawlor, os papéis tanto do homem como da mulher são necessários para a continuação do mundo material. Se mulheres e homens se desviam dessa defesa de prioridades e hegemonias originadas cosmologicamente, por causa do patriarcalismo e da agricultura, os resultados são catastróficos.

Lawlor observa que ¿no patriarcalismo ocidental, os homens tentam submeter o campo feminino e o mundo material às suas capacidades e hegemonia. Inoportunamente, eles trazem um procedimento e uma mentalidade desincorporada do tempo ao mundo dos vivos.¿ Quando a relação homem-mulher se desequilibra, então a relação humana com a natureza também se desequilibra de maneira perigosa. ¿Eles tratam a Terra como a sociedade trata a mulher. Na minha opinião, a crise ambiental do Ocidente baseia-se em modelos de relacionamento."

(...)
Autor: Richard Levinton, sobre um estudo do pesquisador Robert Lawlor (Voices of the first Day: Awakening in the Aboriginal Dreamtime) que trata da cosmogenese dos aborígenes australianos. Artigo publicado na revista Planeta, outubro de 1993, traduzido por Virginie Van Prehn da revista Esotera

i.b.v.b. | Email | 26-05-2006 17:17:54

MUITO OBRIGADA IGACI PELO TEXTO!

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