O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

quinta-feira, agosto 29, 2019

A INFANTILIZAÇÃO DAS PESSOAS



AS MULHERES INFANTILIZADAS

A infantilização das pessoas no Ocidente é uma forma de as subtrair ao conhecimento e experiência de vida. É uma forma de alienar e incapacitar as pessoas de pensar, sobretudo as mulheres. Nunca como hoje as mulheres são infantilizadas... Antes eram só fúteis e frívolas, agora são estupidamente infantis e narcisistas. O corpo é desnudo e exibido despudoradamente mesmo da parte de intelectuais e psicólogas... como se a mulher, qualquer mulher, sobretudo jovem, fosse hoje uma mercadoria. RLP

ESTA SOCIEDADE INFANTILIZA AS MULHERES E HIPERSEXUALIZA AS MENINAS...

 "Destruir o corpo real e substituí-lo por um corpo de consumo é também substituir a “realidade real” por uma “realidade de consumo” que tende a destruir a própria espécie humana (a partir do desequilíbrio climático pelo excesso de consumo)." Rose Marie Muraro


O PORQUÊ DA INFANTILIZAÇÃO E O MEDO


Desde hace años, sociólogos, antropólogos o psicólogos vienen advirtiendo sobre la infantilización de la sociedad postindustrial. La media de edad aumenta incesantemente, la población envejece, pero los rasgos adolescentes permanecen en una porción significativa de sujetos adultos. La juventud se ha convertido en icono de culto, objeto de incesante alabanza, de veneración. Lo grave no es que la gente intente aparentar juventud física, recurra en exceso a la cirugía estética o a los implantes capilares. Es más preocupante que un creciente porcentaje de adultos se afane en el cultivo consciente de su propia inmadurez. Hoy día no son los jóvenes quienes imitan la conducta de los adultos… sino al revés. La experiencia, el conocimiento que proporciona la edad no es ya virtud sino rémora, un lastre del que desprenderse a toda costa. It’s so hard to get old without a cause. Youth is like diamonds in the sun, and diamonds are forever.

Marcel Danesi, profesor de antropología y autor del libro “Forever Young”, describe este síndrome colectivo: la adolescencia se extiende hoy hasta edades muy avanzadas, generando una sociedad inmadura, unos sujetos que exigen cada vez más de la vida pero entienden cada vez menos el mundo que los rodea. La opinión pública tiende a considerar la inmadurez deseable, incluso normal para un adulto. Como resultado, cunde una sensación de inutilidad, de profunda distorsión: quienes toman las decisiones cruciales suelen ser individuos con valores adolescentes. Va desapareciendo la cultura del pensamiento, de la reflexión, del entendimiento y es sustituida por el impulso, la búsqueda de la satisfacción instantánea. La infantilización se impone.


El discurso político se simplifica, dogmatiza, se agota en sí mismo, se limita a meras consignas, sencillas estampas. Pierde la complejidad que correspondería a un electorado adulto. En concordancia con la visión adolescente del mundo, no se exige en los líderes políticos ideas, capacidad de elaboración, sino belleza, atractivo, tópicos, divertidas frases, una imagen que conecte con un electorado envejecido en edad pero muy rejuvenecido en mentalidad.


Infantilización: los derechos, o privilegios, imperan sobre los denostados deberes


Los nuevos tiempos son testigos de la preponderancia de los rasgos infantiles sobre los maduros. La impulsividad, los instintos, dominan a la reflexión; el placer a corto plazo a la búsqueda del horizonte. Los derechos, o privilegios, imperan sobre los denostados deberes, esas pesadas obligaciones de un adulto. La inclinación a la protesta, al pataleo, domina a la auto superación. Y la imagen se antepone al mérito y el esfuerzo.

El creciente infantilismo fomenta la difusión de miedos, esos temores inventados o exagerados que generan los reflejos distorsionados de la calle en la oscuridad de la habitación. Surge una “sociedad del pánico“, tremendamente conservadora, que en el cambio ve peligros, no oportunidades. Una colectividad asustadiza, víctima fácil del terrorismo internacional. Jamás fue el mundo tan seguro como en el presente; pero nunca el ciudadano medio vivió tan aterrado. Ni el intelectual tan temeroso de escribir lo que ocurre.

Vivimos en una sociedad bastante cobarde, insegura, que se asusta de su sombra, de lo que come o respira, que siente pánico ante noticias que, por definición, no son más que excepciones. Prueba de ello es la creciente atracción por el milenarismo: igual que en la Edad Media, los predicadores del Apocalipsis ejercen una singular fascinación, aunque sólo pretendan llenarse los bolsillos.
El populismo, culminación de la infantilización


Muchos olvidan que la madurez consiste básicamente en la adquisición de juicio para distinguir el bien del mal, la formación de los propios principios y, sobre todo, la disposición a aceptar responsabilidades. Y que los dirigentes han contribuido con todas sus fuerzas a diluir o difuminar la responsabilidad individual. A sumir al ciudadano poco avisado en una adolescencia permanente. El Estado paternalista aseguró al súbdito que resolvería hasta la más mínima de sus dificultades a cambio de renunciar al pensamiento crítico, de delegar en los dirigentes todas las decisiones. Fue la promesa de una interminable infancia despreocupada y feliz.
La mentalidad infantil encaja muy bien en la sociedad compuesta por grupos de intereses, que tan magistralmente describió Mancur Olson. Unas facciones que actúan como pandillas de adolescentes en entornos donde escasea la responsabilidad, donde el grito, la pataleta, el alboroto, son vías mucho más eficaces para conseguir ventajas que el mérito y el esfuerzo. Un marco donde predomina quien más vocifera, “reivindica”, apabulla. O el que tiene más amigos, mejores contactos e influencias. Raramente quién aporta razones más profundas. (...)"

Juan M. Blanco

quarta-feira, agosto 28, 2019

A MULHER JOVEM...



UM JOGO DE PODER DOENTIO que as mulheres também sustentam...


"A Juventude (das mulheres) foi, portanto, instituída pela nossa sociedade como um totem, e muito mais: um emblema da virilidade dos homens. Quanto mais jovem e bonita for a mulher com que se exibem, mais os homens se encontram confirmados na sua virilidade. Diz-se que ele " conseguiu o grande prémio ", ou melhor, um " Belo lote ", que ele se portou bem, que ele " conseguiu ".

E sê-lo pelo seu achado, com grandes reforços de murros amigáveis e reflexões de colegial. A mulher jovem é o equivalente um carro de sport, de um relógio de luxo, de um cartão Gold, tantas extensões visíveis de uma masculinidade que precisa parecer para existir.

(A mulher )Não existe como ser humano: só a sua juventude, a sua "frescura" lhe conferem uma existência. É coisificada, definida apenas por esta característica volátil que é a sua idade.
Mas não nos iludamos: não se trata apenas de uma questão de atracção física. Muitos homens também estão entusiasmados com as possibilidades de dominação que lhe é oferecida por este tipo de relação. Se todas as relações em que o homem é mais velho do que a mulher não são, evidentemente, abusivas nem carregadas de paternalismo, este tipo de configuração pode rapidamente transformar-se num jogo de poder doentio. Com efeito, é fácil, quando se detém o poder económico e cultural no seu casal, abusar dele.
Como disse no meu anterior artigo, o patriarcado mentaliza os homens de que a vulnerabilidade das mulheres era desejável, uma vez que lhes permite envergar as roupas do Salvador e, assim, pôr em evidência a sua "virilidade" porque eles as têm. Crescemos numa sociedade sexista, onde muitos homens têm dificuldade em conceber relações amorosas sem essa ideia de poder, de ascendência, sem este esquema binário e estereotipado do homem forte que vem ao socorro da mulher sem defesas. Isso não é necessariamente consciente; estes modelos de casal fazem parte da psique colectiva há séculos." (Combatentes contra o patriarcado)



"A IGUALDADE"...


"Infelizmente a mulher deixou de ser preparada para a vida por outras mulheres e passou a ser preparada igual os homens... como em um sistema de produção automatizado.
Visando os mesmos 'ideais'... Talvez ilusórios de dinheiro, conhecimento, fama, carreira e prestígio... Esquecendo suas raízes ligadas à terra, a família, o lar, a intuição... Deixando o terreno livre para posseiros à tratarem-nas como histéricas, etc... com a modernidade o surgimento de varias mazelas psíquicas, sempre interpretadas do ponto de vista racional e lógico, nos campos acadêmicos masculinos. Toda a filosofia feminina queimada, banida e esquecida... Hoje os homens estão à dominar esses espaços ditos antes só femininos..., ...os conhecimentos milenares que eram de posse das somente das mulheres agora servem para homens prevaricarem em busca de dinheiro e poder... Se acham que a caças as bruxas acabou.... Enganam-se, ela só é velada..." "Antes bastava uma palavra para validar seu caráter... Hoje o que vale é um papel assinado... E AUTENTICADO..."

Michelle Queiroz (in facebook) 




SENHORA DAS ÁGUAS



Oh Deusa das águas, tens dentro de ti a seiva que dá vida.
Alimentas-nos com ela, como as mães dão o peito...

O teu seio inesgotável, Sarasvati, que flui como o alimento de vida
e que tu usas para nos nutrir, com tudo o que possamos desejar,
dá-se-nos sem que receeis perder o teu incomensurável tesouro...

*Rig Veda - UPANISHADS

domingo, agosto 25, 2019

QUE MULHER É A MULHER?




UM CISMA QUE BANIU METADE DA HUMANIDADE


AS  mulheres não têm ainda VONTADE nem voz própria...nunca a tiveram nos tempos modernos, nem têm ainda consciência delas próprias como um todo ou da parte de si de que foram amputadas! Elas repetem o que os grandes homens, filósofos ou ideólogos (da direita ou da esquerda) lhes dizem para dizer. Ou repetem o que os seus professores, ensaístas, sexólogos, médicos, antropólogos, romancistas, lhes quiseram dizer como de si forjando e formatando uma mulher irreal ... todos a retrataram como quiseram segundo as suas ideias projecções ou os seus caprichos e as suas frustrações. Desde o místico Santo Agostinho que odiava as mulheres a Flaubert com a sua famosa frase: "Madame Bovary c'est moi"... ou o pintor que a pinta, tendo como modelo um homem... todos os homens dividem a mulher em duas a amante e a esposa, a casta e a devassa...

Assim os homens pintam e falam da mulher que não são e as mulheres por sua vez não conhecem a sua natureza própria, não se sabem interiormente na sua completude e aceitam dividirem-se em vários estereótipos sempre em busca de agradar ou corresponder ao modelo que o homem exige dela. A mulher desviou-se da sua feminilidade essencial, da sua natureza intrínseca, que é fazer instintivamente a síntese entre a razão e a emoção, entre o pensamento e a intuição, porque esta foi-lhe cortada ao ser condenada ao descrédito por Apolo. Primeiro, dentro da mitologia grego ou romana, ela  foi calada - condenada ao descrédito  por Apolo - o deus que lhe roubou a voz do útero e o dom do oráculo e depois amputada de metade de si mesma pela ordem de Roma em nome de Cristo, ao ser dividida entre a santa e a prostituta...entre a virgem imaculada  e a pecadora (arrependida) Maria Madalena. E divisão prende-se com outra versão mais antiga do Genese e do Corão entre Eva e Lilith para posteriormente ser reforçado pela  cisma cristão que  condenou  todas mulheres a uma cisão interior que as dividiu psiquicamente e tem ainda hoje um efeito devastador no plano emocional e na psique feminina em geral!
(escrito em 2006)
rlp


ENTRETANTO, AS CONQUISTAS DAS FEMINISTAS foram praticamente as conquistas das mulheres brancas classe média...mulheres mais cultas ou favorecidas económica e socialmente, mas   
elas não quiserem o erro de base que foi afinal essas conquistas terem sido conseguidas pela  sua cumplicidade com o Sistema… e dentro do sistema… o que mais tarde ou mais cedo falharia.

Há um " estudo que faz lembrar a tese da filósofa feminista americana Nancy Fraser, que, numa conferência dada em junho a EHESS (escola de altos estudos em ciências sociais), explicou que o progressismo feminista, nos últimos anos, tinha feito avançar muito a causa das mulheres brancas e das mulheres das classes médias e superiores, mas deixou a beira da estrada a causa das mulheres negras e não-brancas, que são frequentemente as mais pobres e as de classes populares.

Pior, explica Nancy Fraser, as feministas, vendo no trabalho um meio de emancipação, tornaram-se aliadas ao capitalismo e aceitaram, para que muitas mulheres pudessem ter acesso a cargos de responsabilidade e a subir os degraus, ma delegando às mulheres pobres as tarefas domésticas de cuidar das crianças que elas não podiam mais educar ou assumir. Elas foram amplamente encorajado à ascensão das mulheres brancas das classe mais abastadas, sem se preocupar minimamente com as consequências para as mulheres pobres, e geralmente as não-brancas."

NO PRINCIPIO ERA A MÃE...



QUE FILOSOFIA


"A filosofia é uma forma de reprodução entre homens, evitando a matriz feminina, por fascinação mútua, de geração em geração. Falta inventar uma filosofia que não corte a palavra a ninguém, que convide finalmente as mulheres para o banquete – que será então muito mais rico do que este 'buffet' seco e frio que propõe o clube de fumadores de charutos da Sorbonne." Falta, sobretudo, ler o que elas escreveram e escrevem – a sós, e sem "buffet".

( Citado por Inês Pedrosa - in expresso 2007)


O PRINCIPIO DA EXPLOSÃO

"Toda a nossa Física actual está baseada no princípio da expansão e da explosão, resultado duma perspectiva masculina, fálica, em relação ao universo. As nossas tecnologias mais avançadas, os engenheiros mais à frente, as pessoas que mais respeitamos na comunidade científica são aquelas que criam imensos cilindros fálicos, os enchem de combustível altamente explosivo, colocam uma cápsula na ponta, procuram voluntários, lançam fogo à base e lá vão eles céu acima, e algumas milhas depois… puf… a cápsula é ejaculada para o espaço… ver se com sorte sobrevivem… Pomos combustível no carro, puxamos do pistão e lá vai ele… Tudo se baseia no princípio da explosão… Mas como é que o lado explosivo da criação funciona sem centropia, se não existe movimento para o centro, se não há compressão?…"   Nassim Haramein

in Unified Field Theory/Theory of Everything


É PRECISO LEMBRAR QUE...

..."o Cristianismo é uma religião do mistério pai-filho, os Mistérios Euleusianos mãe-filha tratavam da morte e regresso - como ressurreição, renascimento ou reunião - e de certo modo, o iniciado podia, então, compartilhar o destino da deidade que ultrapassara o reino dos mortos."

Jean S. Bolen

segunda-feira, agosto 19, 2019

UM BREVE RETRATO SOCIAL



A FAMÍLIA REAL

A psicologia é um trabalho por suposto com o nosso inconsciente...com as nossas sombras...com os nossos traumas fobias, medos e complexos e eles estão quase todos ligados à Mãe...ao nascer e ao amparo que tivemos e não tivemos em crianças. Tem a ver com a forma como fomos recebidos a nascença... No entanto nascemos como que por acaso, queridos ou enjeitados e somos uma espécie de abortos neste mundo quantificado e alienado onde nem a mãe nem o pai são conscientes da dimensão anímica dos seres nem do que representa o nascer ou da responsabilidade de ter filhos. Eles não passam de seres por sua vez igualmente marcados pela ignorância dos seus pais e que tentam corresponder de geração em geração a padrões de existência em que o ser humano não conta senão em função do dinheiro ou de uma importância social qualquer, se são ricos remediados ou pobres ou miseráveis. Crescemos assim, de pais ignorantes aprumados com o Sistema de valores em vigor, com crenças ou credos e de mães sem essa essência feminina nem consciência de si como mulheres, verbos de encher, literalmente. Tudo começa aqui.
Há um Deus Pai todo poderoso e estupido que a religião impingiu à humanidade para a dominar e controlar e que criou seres incapazes de sentir e pensar de acordo com a sua humanidade profunda que hoje desconhecemos. Eis um pequeno quadro pagão da nossa miséria civilizacional. Somos filhos de gente cheias de complexos, doentes e cuja crenças e formas de pensar precária nos condicionou a fazer as coisas "certas" pelo padrão medíocre familiar politico e social . Feudos e famílias "imperiais", aristocráticas e burguesas onde a riqueza nome e herança como comercio faz das relações todas obediência e mercantilismo, e chegamos a idade adulta e tudo isso se desmorona ou não.
E afinal o que somos nós dentro deste manicómio que é o mundo? Seres convencidos e arrogantes ou seres perdidos em busca de um caminho...
Precisamos pois voltar ao principio e procurar em nós a essência do ser em vez de nos perdermos na selva das ideias e dos credos que nos impingiram as famílias e o estado ou as escolas e universidades. Vivemos num mundo de escravos e somos escravos do trabalho e do dinheiro...enfim...TEMOS DE SAIR DELE...e isso só cada um(a) por si...dentro de si o poderá fazer. Encontrar a nossa MÃE é vital porque é encontrar a nossa origem perdida, a linha matrilinear e aceder a um saber ancestral...e por isso é visceral e humano e diz respeito a esta Terra! Quem não respeita a Mãe, não respeita Terra, não respeita a Mulher!
rlp

sábado, agosto 17, 2019

AS PALAVRAS DAS MULHERES



"Os homens reagem com frequência às palavras das mulheres - verbalizando e escrevendo - como se fossem actos de violência; às vezes os homens reagem às palavras das mulheres com violência. E por isso nós reduzimos a nossa voz. As mulheres sussurram. As mulheres pedem desculpa e justificam-se. As mulheres relativizam o que sabem. As mulheres diminuem-se. As mulheres recuam. A maioria das mulheres experienciou alguma influência masculina - hegemonia, violência, insulto, desprezo - para saber que nenhuma ameaça é em vão."  - Andrea Dworkin

A MULHER

“A mulher afirma-se pela fala, tem uma capacidade de verbalização característica, tanto pela positiva, como pela negativa. Como o homem sabe disso, manda-a calar. O falar parece ser, às vezes, uma substituição do pensar, mas não: trata-se da expressão de um pensamento. Há um pensar que leva a agir, um pensar que leva a falar, um pensar que leva ...ao silêncio. Esse é o pensar profundo que se transforma em acto e obra. A tagarelice é o pensar que não assentou.
A tradição obrigou a mulher a ficar dentro de uma caixa de vidro na qual era visível, mas não audível. Então ela falou desesperadamente, mas sem qualquer efeito. Quando partiu essa prisão de vidro, a sua voz transformou-se num acto revolucionário. A mulher moderna é o efeito dessa explosão, da saída da clausura que é a casa, a família, a beleza obrigatória. Quando toma a palavra, rompe essa teia que a envolvia numa rede de silêncio e de idealização. A mulher não é a Eva, representativa da origem do mal da humanidade, nem a figura platónica que o petrarquismo elevou a ídolo."
- ANA HATHERLY

segunda-feira, agosto 12, 2019

AS PESSOAS BONITAS





“As pessoas mais bonitas que conhecemos são aquelas que estão familiarizadas com a derrota, com o sofrimento, com a luta, com a perda, e que encontraram o seu caminho de volta desde as profundezas. Estas pessoas têm uma apreciação, uma sensibilidade, e uma compreensão sobre a vida que as enche de compaixão, de ternura, e um carinhoso interesse pelos outros. As pessoas bonitas não o são por acaso”.

Elizabeth Kubler-Ross

ASA NO ESPAÇO



Asa no espaço

Asa no espaço, vai, pensamento!
Na noite azul, minha alma flutua!
Quero voar nos braços do vento,
Quero vogar nos braços da Lua!


Vai, minha alma, branco veleiro,
vai sem destino, a bússola tonta...
Por oceanos de nevoeiro
corre o impossível, de ponta a ponta.

Quebra a gaiola, pássaro louco!
Não mais fronteiras, foge de mim,
que a terra é curta, que o mar é pouco,
que tudo é perto, princípio e fim.

Castelos fluídos, jardins de espuma,
ilhas de gelo, névoas, cristais,
palácios de ondas, terras de bruma,
... Asa, mais alto, mais alto, mais!
 

Fernanda de Castro

O que é ser mulher?


Afinal o que é ser mulher? Sabem as mulheres o que é isso?

Sim "Mulheres que falam do feminino, mas não entendem o que é o feminino. Mulheres que conversam sobre o feminino, mas não compreendem o feminino. Mulheres que dançam as danças do feminino, mas não sabem lidar com o feminino." -  Wofiira Morrigan


PRECISAMOS DE ACORDAR E TER DISCERNIMENTO

Penso que estamos a entrar num impasse espiritual ...ou numa transição qualquer que mais parece uma psicose colectiva e diante de uma grave crise de identidade humana global: para mim as mulheres não entenderam ainda qual o seu lugar dentro da espiritualidade... A razão é simples, elas ainda não sabem quem verdadeiramente são do ponto de vista ontológico e sagrado...

Pessoalmente há muito que estou com uma espécie de alergia a este discurso "espiritual" da new age, assim como a tudo o que se escreve e diz de forma superficial sobre este movimento mas também pela abordagem que uma boa parte dos grupos de mulheres fazem da Deusa ou do dito "feminino sagrado". Assiste-se a uma banalização sem sentido e sem qualquer profundidade naquilo que as mulheres supostamente dizem em nome da Deusa e no que andam a fazer por ai; a grande maioria delas apenas o fazem em beneficio próprio, sem qualquer consciência de si nem da sua história, a explorar os círculos mistos e a difundir crenças numa afirmação egocêntrica e para se afirmarem a si mesmas como lideres ou a manipularem emoções e os medos das outras mulheres. Estou diria mesmo assustada com a superficialidade e o uso e abuso de uma linguagem usada para angariar pessoas e fundos, pessoas carentes e doentes, utilizada por gente narcísica e exibicionista, que se serve dessas terapias e práticas e falam em nome da Deusa para apenas se mostrarem elas mesmas "deusas"... atraírem a atenção ou ganhar protagonismo...

Mas pior do que isso, e antes das mulheres saberem o que é ser mulher em si, é a inclusão nos círculos femininos de homens e em nome do "masculino sagrado" e dos seus representantes, que bem se aproveitam disso fazendo com que as mulheres se desviam do seu propósito de se conhecerem a si mesmas e à Deusa, focando-se no par - em busca do encontro amoroso - e esses homens são adulados pelas mulheres numa bela e primária projecção do homem ideal e caindo assim no velho mito romântico, agora explorado como sendo não o cavaleiro ou o "príncipe" que a vem salvar, mas o "homem sagrado", "feminino e sensível", que ama a deusa e a natureza e lhes oferece poeticamente os seus abraços protectores…
Tendo em conta a frágil formação da psique cindida da mulher dentro da nossa cultura essas práticas tornam as mulheres aculturadas e sem nenhuma consciência psicológica de si mesmas enquanto mulheres em si. Face a gravidade de toda esta aculturação e desvio da nossa realidade, toda esta cena agora mais me parece de facto uma alienação da mulher do que um acréscimo para a sua evolução de consciência.
Nenhuma mulher pode conhecer a Deusa sem primeiro ser Mulher, saber que Mulher é... Não podemos esquecer que a mulher foi dividida em duas e completamente anulada na sua natureza telúrica e ctónica e vai levar algum tempos a resgatar a sua verdadeira identidade. O Sagrado é uma reconquista do Ser Mulher em toda sua plenitude e não uma mera ideia baseada em práticas antigas; o sagrado não se conquista ou atinge por se mudar de visual ou pela maneira de se vestir… como andar toda de branco e colocar grinaldas na cabeça!
Precisamos de facto de uma Nova Consciência de um Feminino integral e Ontológico, mas não deste "sagrado" consumista e que repete os padrões do patriarcado e das religiões patristas em geral, onde a mulher continua a servir o homem e seu deus menor ou a comunidade e a anular-se na sua essência e vitalidade, uma mulher sem magnetismo nem liberdade de ser solitária e viver a sua totalidade. Para mim só essa totalidade pode revelar a mulher a sua verdadeira essência e unir as duas mulheres separadas pelo patrairado. Só essa mulher pode ser consagrada pela Deusa. Ela é independente de tudo e cheia em si mesma. Não é o filho nem o homem que lhe dão significado!

Também proliferam nestes meios supostos mestres que se auto-proclamam guias iluminados. São em geral lideres com algum carisma e um discurso persuasivo baseado em escrituras hindus e outras e que induzem as mulheres a cultos e práticas de meditação e mantras. Ou então temos outros sábios (bem machistas esses) ditos Xamãs que induzem a práticas xamânicas, e são eloquentes quanto ao papel da mulher, e que nada tem a ver com a cultura e tradição ocidental, o que cria a curto prazo grandes desfasamentos e desiquibrios emocionais e psíquicos nas mulheres ocidentais.

As mulheres mais carentes e em crise de idade ou sem grande estabilidade emocional deixam-se levar por esses gurus que as atraem a centros com altares floridos e cheios de imagens alegóricas a deuses e onde se reúnem e dançam e cantam e toda a gente se põe à mercê ou aos pés dos ditos homens santos, angariadores de fundos e de fortunas em países de 3º mundo... e também na Europa, como aqui em Portugal… Isso acontece porém em todos os lados, onde existe não só a manipulação "espiritual" de mulheres, por parte dos lideres, como sedução e abuso...Eles vão da anulação da mulher à violação e tudo em nome do amor...do Tantra ou de Deus e implica a entrega e submissão das mesmas.

 Tendo em conta a frágil formação da psique cindida da mulher dentro da nossa cultura essas práticas tornam as mulheres aculturadas e sem nenhuma consciência psicológica de si mesmas enquanto mulheres em si. Face a gravidade de toda esta aculturação e desvio da nossa realidade, toda esta cena agora mais me parece de facto uma alienação da mulher do que um acréscimo para a sua evolução de consciência.
Nenhuma mulher pode conhecer a Deusa sem primeiro ser Mulher, saber que Mulher é... Não podemos esquecer que a mulher foi dividida em duas e completamente anulada na sua natureza telúrica e ctónica e vai levar algum tempos a resgatar a sua verdadeira identidade. O Sagrado é uma reconquista do Ser Mulher em toda sua plenitude e não uma mera ideia baseada em práticas antigas ou práticas; o sagrado não se conquista ou atinge por se mudar de visual ou pela maneira de se vestir… como andar toda de branco e colocar grinaldas na cabeça!

Precisamos de facto de uma Nova Consciência de um Feminino integral e Ontológico, mas não deste "sagrado" consumista e que repete os padrões do patriarcado e das religiões patristas em geral, onde a mulher continua a servir o homem esse  deus menor ou a comunidade e a anular-se na sua essência e vitalidade, uma mulher sem magnetismo nem liberdade de ser solitária e viver a sua totalidade. Para mim só essa totalidade pode revelar à mulher a sua verdadeira essência e unir as duas mulheres separadas pelo patriarcado. Só essa mulher pode ser consagrada pela Deusa. Ela é independente de tudo e cheia em si mesma. Não é o filho nem o homem que lhe dão significado!

rlp

TODA ESTA QUESTÃO PRENDE-SE COM ALGUMAS PERGUNTAS DE UM TEXTO JÁ PUBLICADO ANTERIORMENTE:

"Mas, afinal, o que é o Sagrado Feminino?

De acordo com Isabela Serafim, em uma matéria pra a revista Glamour, o Sagrado Feminino é considerado tanto uma filosofia quanto um estilo de vida, ao promover ensinamentos a respeito de aspectos físicos e mentais da figura feminina. Alguns desses aspectos abarca a consciência dos ciclos femininos, propiciando a reconexão da mulher consigo mesma e a harmonização dos próprios ciclos com a natureza.

O Sagrado Feminino tornou-se, então, o nome de um movimento de mulheres buscando um contato consigo mesmas, após anos de marginalização de todos os tipos, e em especial dentro da própria noção de divino. Uma nobre missão para um movimento que carrega em si praticamente toda a História da humanidade, inspirando respeito e admiração em quem a procura conhecer.
No entanto, o movimento do Sagrado Feminino sucumbiu ao status quo que as primeiras líderes femininas combatiam com tanto rigor: o feminino sagrado foi retirado de uma perspectiva do mítico para revelar-se apenas no místico: as Deusas, mitos, lendas, contos acabaram se tornando uma “temática” para a abordagem de assuntos relacionados ao feminino, em uma perspectiva de orientadoras que conduzem outras mulheres na descoberta de si mesmas, em cursos, vídeos no YouTube, textos em blogs, etc, etc, mas pouco fez pela retomada da força da mulher.
E antes que eu seja mal-interpretada, explico
: todas as lendas e mitos antigos indicavam um caminho para o aprendizado. O conhecimento apenas seria adquirido com muito esforço e afinco, com muita observação e dedicação, por isso todos os simbolismos e metáforas. Nada nunca era dado de mão beijada. Hoje, no entanto, mulheres (e homens também) consomem um conhecimento mastigado e dividido em “módulos”, e não se preocupam em refletir sobre o que está sendo ensinado. Não há mais a jornada do herói – ou da heroína. Não há mais o processo iniciático, não num sentido de dogmas ou rituais, mas enquanto uma jornada necessária para a ascensão, e que requer uma ação voluntária.

Vemos claramente essa jornada na questão do masculino, mas não adotamos essa mesma perspectiva quando falamos da força do feminino. Mulheres guerreiras, autônomas, que pensam e falam por si ainda são muito rotuladas e, geralmente, esse comportamento fica de fora das rodas e cursos do movimento do Sagrado Feminino. Mulheres falam do feminino, mas não entendem o que é o feminino. Mulheres conversam sobre o feminino, mas não compreendem o feminino. Mulheres dançam as danças do feminino, mas não sabem lidar com o feminino.
Mas, enfim, onde está o problema?

Ele é basicamente conceitual, meus caros e caras, e um tanto filosófico. Nós esquecemos o que é ser mulher (ou não aprendemos, ou desaprendemos), pois, assim como as Deusas, também fomos relegadas ao esquecimento por séculos e séculos. E ainda não terminamos de lembrar.


Antes de falarmos em Sagrado Feminino precisamos nos lembrar, primeiro, o que é o Sagrado. E o Sagrado é muito difícil de abarcar… pelo simples fato de que ele é absolutamente TUDO.

Ou aprendemos a fazer a jornada… ou vamos continuar abordando o conhecimento ancestral como um curso de pós-graduação."