O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

sexta-feira, outubro 04, 2002



OS MISTÉRIOS ELEUSIANOS

"Somente em um momento posterior, nos Mistérios Eleusianos, de Ísis e outros, é que os mistérios se voltam também para a questão da consciência na mulher e de sua autoconsciência; de acordo com uma característica essencialmente inerente à psicologia feminina, os primeiros mistérios ocorrem no nível da experiência directa, porém inconsciente. A mulher passa por uma experiência interior ao configurar uma porção da realidade, como “vida simbólica”, na qual não há a necessidade de se tornar consciente de qualquer um desses factores. Somente a intensidade e o teor emocional acentuado de sua conduta e, frequentemente, a confidencialidade da qual se vê revestida denunciam seu carácter de mistério.
O feminino, cuja essência procuramos discernir à luz das funções e dos símbolos do carácter elementar e de transformação, se torna criativo nos mistérios primordiais e assim actua como um factor determinante no inicio da cultura humana.
Enquanto os mistérios ligados ao instinto, envolvem os pontos centrais da vida feminina – nascimento, menstruação, concepção, gravidez, climatérico e morte -, os mistérios primordiais projectam um simbolismo no mundo real e assim transformam-no.
Os mistérios femininos podem ser divididos nos mistérios referentes à preservação; à formação, à alimentação e à transformação.

(...)

O grande motivo essencial dos Mistérios de Elêusis e, portanto de todos os mistérios matriarcais é a heuresis, a redescoberta de Core por Deméter, a reunião da mãe e da filha.

Esse reencontro significa, sob o ponto de vista psicológico, anular o assédio e o rapto masculinos e reconstruir a unidade matriarcal da filha e da mãe, depois do casamento. Isto significa que a hegemonia do grupo matriarcal _ legitimada pela relação da filha com a mãe -, que havia sido colocada em risco pela incursão do homem no mundo das mulheres e pela reacção destas àquele, é renovada e segurada nos Mistérios". (...)

In “A GRANDE MÃE” de Erich Neuman

NOTA IMPORTANTE

Para além deste importante aspecto que convém ter presente, daqui se conclui, grosso modo, é que com o decorrer dos tempos, as mulheres perderam a ligação às mães pelo domínio exclusivo dos homens, pais, maridos, chefes e irmãos e, portanto, perderam a chave dos mistérios e a consciência que lhes dava a dimensão do seu ser total e a liberdade do seu ser também, passando a serem apenas utilizadas e exploradas nas sociedades patriarcais como reprodutoras e objectos de prazer. Circunstância essa que se mantém nos nossos dias apesar das tentativas da mulher para se libertar ou julgar que é já livre! A emancipação verdadeira da mulher só se poderá consumar na consciência do seu ser total e completo e, portanto, quando a filha e a mãe se voltarem a unir no Conhecimento inato de si próprias e em defesa da Natureza Mãe e da Deusa! Afinal a Deusa era a detentora desse conhecimento da Natureza e da Terra com a qual estava em harmonia. É essa ligação que falta ao mundo para poder haver harmonia e Paz. Sem a consciência das mulheres os homens nunca conseguirão restabelecer a paz no mundo, pois foram eles ao dividir a humanidade em duas partes explorando uma através da espada que destruiram a civilização do Cálice. Por isso é urgente a demanda do Graal ou do Feminino por excelência!



«que nous puissions nous gouter,
nous toucher,
nous sentir, nous écouter, nous voir – ensemble»
.

LUCE IRIGARAY

9

Deito-me junto do sal

Das tuas raízes

Na água salgada

Dos teus olhos

A ouvir respirar

o teu corpo


in "Minha Mãe, Meu Amor" - M. Teresa Horta

quinta-feira, outubro 03, 2002

Ella llevaba un traje de reina: una corona de oro y un manto de seda marrón con estrellas de oro rojo la envolvía y se arrastraba por el suelo. Su caballo llevaba adornos de oro y un penacho sobre la cabeza.




"A MULHER SELVAGEM CARREGA CONSIGO OS ELEMENTOS PARA A CURA; TRAZ TUDO O QUE A MULHER PRECISA SER E SABER. ELA DISPÕE DO REMÉDIO PARA TODOS OS MALES. ELA CARREGA HISTORIAS E SONHOS, PALAVRAS E CANÇÕES, SIGNOS E SÍMBOLOS. ELA É TANTO O VEÍCULO COMO O DESTINO." (...)

IN "Mulheres que correm com os lobos" de Clarissa Pinkola Estés



"El idioma de los celtiberos existe hoy solo en inscripciones antiguas. El idioma fue llevado a la Península por imigrantes celtas de Galia y se habló en la partes centrales y norteñas. Es posible que el celtibero no fuera el único idioma celta de Iberia, existe evidencias de nombres de lugares en el norte de Catalunya de que se hablaba galo allí. Por eso, y por el hecho de que quizá se hayan hablado otros idiomas indoeuropeos antiguos en Iberia, es dificil delimitar con exactitud la zona celtibera.

Al este de la zona de celtibero, el lusitanio se hablaba en lo que ahora es Portugal. Es posible que el lusitanio fuera un dialecto de celtibero, o un idioma celta distinto. Otros creen que los pocos restos del idioma sugieren que el lusitanio era un idioma indoeuropeo distinto."
(...)
"Conquistados por los romanos, los celtas perdieron sus idiomas y su identidad, excepto en las partes más lejanas de su territorio, en Iberia y en las Islas Británicas, aunque sólo en las Islas Británicas sobrevivieron los idiomas. Incluso allí, y en la "colonia" celta de Bretaña, los idiomas celtas se han cedido al inglés y al francés."

EL GAÉLICO ESCOCES





A MULHER CELTA


(...)
"As sociedades mais arcaicas deram uma importância particular à Mãe e, portanto à Mulher. A tradição hebraica que rebaixa a mulher e faz de Deus um solitário ao mesmo tempo macho guerreiro e pastor, a religião islâmica que se inspira nessa noção, são concepções nómadas relacionadas com a secura do deserto. O ponto culminante do rebaixamento da divindade feminina foi sem dúvida período em que Roma impõe ao seu Império não somente o seu regime patriarcal, mas, também o seu formalismo religioso incrivelmente estéril e o qual é herdado em parte pelo cristianismo dos primeiros tempos. Mas no interior do cristianismo, e debaixo de influências misturadas de cultos orientais, como o da Deusa-Mãe Síria, o de Isis, o de Cibele, o de Deméter, e dos cultos druídicos que davam à mulher um papel dos mais importantes, o conceito da Virgem Maria não iria demorar e retomar vida. E de tal maneira que hoje em dia, o culto da Virgem está em vias senão de ultrapassar o culto de Jesus, no mínimo de o igualar. É um sinal dos tempos, e que não deixa de ter relação com o afundar da noção Pátria, em oposição com a antiga e sempre actual Mátria, que, com efeito, se manifesta em numerosas tentativas de unificação supranacional no seio de uma tradição comum. Os povos, ameaçados de seca, viram-se para a senhora das águas, a Mãe. E é a Mãe na maioria das línguas, e também Mar(ia) que é ela mesma o Mar.

Esta volta para a Mãe (Mar), quer seja considerada sobre o ponto de vista psicológico, ou o ponto de vista político, precisa ser indubitavelmente ligado ao acto sexual. O acto sexual é com efeito, com toda a clareza, uma tentativa brutal do homem para retomar lugar no ventre da mulher, e para a mulher uma tentativa de retomar a sua criança desaparecida (e isto inconscientemente numa mulher mesmo que não tenha tido ainda nenhum filho). (...)

“No acto sexual e no de fecundação que se encontra estreitamente ligado, fusiona-se numa só identidade, não somente a catástrofe individual (nascimento) e a última das catástrofes da espécie, mas também, todas as catástrofes sofridas desde a aparição da vida; portanto o que se exprime no orgasmo, não é somente a calma intra-uterina e uma existência apaziguadora, assegurada por um meio mais acolhedor, mas também a calma que precede o aparecimento da vida, quer dizer a paz morta da existência inorgânica”


in Le Mythe Celtique de l’origine (Do livro de Jean Markale, “La Femme Celte”).





«je sors de toi mais indéfiniment retenue dans ton ventre»

LUCE IRGARAY



O TEU CORPO

É sagrado o teu corpo
abençoadas são as tuas mãos!
E os teus dedos que se recortam
e destinguem uns dos outros, preciosos.
É divino o teu rosto de rainha, sereno como uma deusa!


São luminosos os teus olhos, quando me olham
e perpassam o coração...
É redentor o teu colo
onde se refugia o homem e a criança,
quando choram, riem e sofrem
Mulher!


in "Antes do Verbo Era o Útero"

J’ADORE

(…)
Je t’adore. Je voudrais m’agenouiller, joindre les mains, t’embrasser partout à la fois. Près de toi je ne peux que recueillir en fermant les yeux et changer les minutes légères en sentiments profonds.
Il me serait égal d’être le plus pauvre de tous les pauvres et d’avoir froid pourvu que j’aime. Et il me serait égal d’être seul pourvu que j’aie de l’amour dans le cœur. Je suis devenu semblable à ma vie, semblable à moi-même, semblable à plus tard, à mon Paradis, ayant l’avenir dans la main puisque j’ai l’amour.
Existe-tu ? Est-ce à quelqu’un que je m’adresse ? Est-ce que je ne fais pas qu’appeler le vide ? Peut-être est-ce une étoile que j’entoure de mes rêves ?


« J’AI TANT BESOIN DE PITIÉ ET DE TENDRESSE… »In. J’ADORE de Jean Desbordes (né en 1906)

quarta-feira, outubro 02, 2002




Vem Soleníssima
Soleníssima e cheia
De uma oculta vontade de soluçar,
Talvez porque a alma é grande e a vida pequena,
E todos os gestos não saem do nosso corpo
E só alcançamos onde o nosso braço chega,
E só vemos até onde chega o nosso olhar


(...)

FERNANDO PESSOA







"Paixão e expressão não são inseparáveis. A paixão tem a sua origem nesse impulso do espírito, que de resto faz nascer a linguagem. Desde que ultrapasse o instinto, desde que se torne verdadeiramente paixão, tende, pelo mesmo movimento, narrar-se a si própria, quer seja para se justificar, se exaltar ou simplesmente para se manter..."



Denis de Rougemont - "O amor e o Ocidente"





"Um Ser-Espelho é um ser cuja Aura se aproxima do cristalino. Este ser precisa de renunciar à fascinação de querer fazer o bem. Porque se ele quer fazer o bem, a sua Aura está cheia de cores bonitas (violeta, turquesa, rosa...), mas não é cristalina!... A Energia Cósmica Superior não responde à intenção humana consciente. Responde ao Vazio Sagrado. É preciso renunciar ao fascínio do bem... Quando o indivíduo renúncia ao fascínio do bem, gera-se um Vácuo dentro dele e ele é automaticamente ligado a MARIA... E só é possível contactar MARIA quando ele renuncia ao fascínio do bem. E quando ele renuncia, ele começa a fazer contacto com o Templo da Esfera, ele começa a descobrir o que é a Energia-Espelho. Quando ele supera este estado, ele está em condições de ser visitado por esta Energia muito profunda..."(...)


(Encontros de Belém)


L’AMANTE


“C’est merveille de voir que cette vieille terre dégénérée est encore capable d’engendrer des figures comme celle-la !
C’est peut-être juste ce que pensait un Dante, ou un Goethe : nous serons sauvés par la Femme."
(É maravilhoso ver que esta terra degenerada é ainda capaz de gerar figuras como essa!
É talvez justo o que pensava um Dante ou um Goethe: nós seremos salvos pela Mulher!)



in "LE DIT DE TIANY" de François Cheng


AFORISMOS

O SOFRIMENTO É COMO A LIBERDADE: SÓ AOS CORAÇÕES DE GRANDE FORTALEZA PODE APROVEITAR, AOS OUTROS HUMILHA-OS E CORROMPE-OS, E MAIS NADA.


NUNCA SE SABE QUANDO FERIMOS OS OUTROS ESQUIVANDO-NOS A SOFRER.


MELHOR QUE O VALENTE É O QUE SUPORTA


Agustina Bessa-Luis

terça-feira, outubro 01, 2002




--"Oh, Ágata, que triunfo hablarmos así, llegar al fondo de lo que somos, comunicar tan totalmente con otro ser humano! hay nada mas grande en la vida?, me identifico contigo, eres yo, te hablo como a yo, mas que a yo, porque te digo lo que no me dice nunca! es solo contigo como me hago, como me encuentro a mí, en ti, comunicación, victoria sobre la soledad, amor!"


in "El amor Lesbiano" de José Luis Sampedro


O AMOR? - Reflexões


O quão vivemos todos uma vida inteira na espectativa ou no sonho de encontrar o nosso par, a alma gémea, o ser que nos permitisse ir tão fundo em nós como se de um espelho mágico o amor se tratasse? E com efeito assim parece que acontece a alguns seres raros talvez priveligiados da sorte ou acaso...ou então será mera literatura, poesia ou imaginação criativa... NÃO DUVIDO PORÉM QUE SIM, QUE O AMOR NOS POSSA TRAZER ESSE SENTIMENTO DE "COMPLETUDE" ABSOLUTA, no entanto sei que o amor é muito mais que o sonho de outro ser ou alma afim... O amor é a plenitude do SER em si mesmo e que o percurso de uma vida nos anuncia em muitos aspectos como um enigma ou como uma tragédia.Todos os amores falhados e traídos, todos os amores convertidos em desprezo e ódio, todos os amores esquecidos, afundados no nada, anunciaram-nos possibilidades nunca descobertas...porque o que a vida nos teima em ensinar é que o amor para além desses espelhos mágicos, encontros e desencontros, dramas e tragédias, é sempre o amor de nós mesmos que devemos procurar...
Esse "outro" tão desesperadamente procurado ou esperado, não é senão o nosso DUPLO OU SER ETÉRICO, DIRIA UM SER QUE NOS ESPERA DENTRO DE NÓS e que nós procuramos fora...Dizem-no todas as tradições, religiões, filosofias e místicas e em breve talvez a ciência o descubra também.Quero dizer que dentro de nós existe esse ser inteiro com o qual nos temos de ligar... seja ele o ser uno, deus ou totalidade, conforme se lhe queira chamar. É ao nosso próprio Ser que temos de amar e ser fiéis...Depois o jogo amoroso será um jogo delicioso, livre e reflector de espelhos puros e não das nossas carências, frustrações e iniquidade...
Só nos podemos amar uns aos outros sendo inteiros.


Texto reeditado


“CHAMO POR TI E TU NÃO VENS...”

Queria poder dizer-te tantas coisas que me surgem ao acaso
e tu não estás... e tu não és...
(ou és apenas um fragmento do Adagio de Albinoni?)
Tu não existes quase, nem fazes parte da minha realidade!
És quando muito sincronização de um sonho ou mera ilusão.
Existes no meu imaginário ou na minha memória coletiva,
como um eco de mim própria e que eu necessito como de um reflexo.
Não tens identidade tua: és eu mesma no avesso desta história...



Ah a necessidade de um interlocutor ou de um espelho mágico!
Porque os meus olhos te vêem a ti melhor do que a mim própria.
Mistério digo, ou fantasia a do amor que se reflecte e
em que o ser em si não tem autonomia;
fica sempre preso ora do outro ora da sua nostalgia.
Amar é um estranho equívoco de um cósmico jogo de espelhos...
Em que o ser humano joga a sua vida
entre a comédia de si mesmo e a tragédia dos enganos.


Nota:
Escrito em 30 de dezembro do ano passado, ao acaso;
fui buscar aos ficheiros...

REpublicando:

..."Digo "saborear o sabor da alma do outro" porque a alma, se é como um sopro luminoso no ser, tem um pós-gosto de sal cujos efeitos primeiros são a vida.
Este pós-gosto de sal da alma traz em si o calor um tanto cozinhado dos Deuses bons, um quente salgado que se repercute no sangue e a sua arborescência num líquido de vida, nas veias e nas artérias.
E o coração, esta rosa de pétalas de palpitações, tem o poder de transformar o salgado, por meio de uma alquimia de amor que lhe é muito própria, numa espécie de açucar de que nunca se apreciará suficientemente o sabor inefável, este sabor que se conhece pelo nome de bondade.
A BONDADE É O AÇÚCAR DO CORAÇÃO cuja ternura é uma das manifestações mais doces; não se trata de um açúcar insípido, mas de um açúcar rico e poderoso feito de luz polarizada dos sentimentos mais puros. Miseráveis são aqueles que, tendo pervertido o seu gosto, alteram ou desnaturam o sabor deste açúcar de coração ao ponto de torná-lo ineficaz e estéril.
Ah, enterneçamo-nos com todos estes frutos e todas estas flores que os nossos pomares e jardins interiores são capazes de produzir! E possamos nós fazer da nossa vida um festim de sabores que o Amor, a Ternura, a Bondade darão o melhor que têm."


Pequeno Tratado de Ternura, de Mercier

Revendo os contrastes do ser e os seus paradoxos...
ou o oscilar entre a esperança e a ilusão dos sentimentos e a sua recusa...

segunda-feira, setembro 30, 2002


AVISO:

Os comentários não funcionam há imenso tempo.
Se quiser escrever-me faça-o directamente via e-mail.

El sol es su padre, la luna es su madre.
El viento le ha llevado en su vientre.
La tierra es su nodriza.




Si es hecho tierra, su fuerza está entera.
Separarás la tierra del fuego,
lo sutil de lo espeso,
con gran industria.
Sube de la tierra al cielo,
de nuevo desciende a la tierra,
y recibe la fuerza superior e inferior.



UMA RECEITA DE ALQUÍMICA DE SOLUCIO


Dissolve então sol e lua em nossa água solvente, que é familiar e amigável, cuja natureza mais se aproxima deles, como se fosse um útero, uma mãe, uma matriz, o princípio e o fim de sua vida. E esta é a própria razão pela qual eles são melhorados ou corrigidos nesta água, porque o semelhante se rejubila no semelhante... Assim, convém te unires aos consaguínios ou aos da tua espécie... E como o sol e a lua têm sua origem nesta água, sua mãe, é necessário, portanto, que nela voltem a entra, isto é, no útero de sua mãe, para que possam ser regenerados ou nascer de novo, e com mais saúde, mais nobreza e mais força.


in Secret Book of Arthius



Olalá... Agora é que estão fritos...todos os mentirosos no caldeirão, os políticos...
os economistas, os falsos espiritualistas,
os que se negam a si mesmo e se traiem...
os criminosos oficiais pagos pelos estados para destruir e matar...


A BRUXA E A SACERDOTISA


A MULHER COMO CURADORA DOS CORPOS E DAS ALMAS...

A tradição curativa ou terapeutica relacionava-se originalmente com a Deusa e com as sacerdotisas e feiticeiras ligadas estas ao culto da Grande Mãe, Senhora da Natureza e das Fontes, como princípio procriador e nutriente. A Mãe e Deusa e Mulher, não só alimentava e cuidava a criança como curava de todos os males pelo seu Dom inato e também pelo poder inerente ao amor livre da mulher que alimentava do seu corpo tanto a criança como o amante. A mulher não só dava à luz a criança como iluminava o homem iniciando-o no amor. Só depois do culto da Deusa Ter sido destruído pelos bárbaros kurgans, hebreus e aqueus, os homens usurparam esses poderes da Mãe e passaram eles a usar a Magia antes Branca (A Deusa Branca!) agora Negra (da cor das suas vestes) em toda a negritude de ódio implantando e o medo que incutiram nas mulheres que escravizaram e vendiam a seu belo prazer. Esse medo ainda impera no inconsciente das mulheres que continuam dominadas e exploradas por Mafias modernas no dito mundo civilizado. E esteja a mulher coberta por um véu no Oriente ou nua no écran no Ocidente a dominação patriarcal é igual! Eu creio que nenhuma Mulher será livre e digna enquanto houver uma só mulher no mundo obrigada a prostituir-se! As mulheres não querem que os seus filhos morram nas guerras e sublevam-se, mas deixam as suas filhas serem prostituídas pelos seus pais e irmãos... Porque a ordem patriarcal - o dinheiro e a guerra! - ainda domina o mundo em detrimento das mulheres!

Os cristãos não fizeram mais do que usurpar e imitar as sacerdotisas curadoras dos templos da Grande Deusa...

(...) A palavra grega therapeuein, curar, significava, originalmente, “serviço aos deuses”. Por conseguinte a cura ocorria, de início, num contexto sagrado. Filo faz referência a um grupo de judeus contemplativos, pré-cristãos, que chamavam a si mesmos Therapeuts, “quer porque professavam uma arte medicinal mais eficaz do que aquela que tinha emprego geral nas cidades (já que esta apenas cura os corpos, ao passo que aquela cura almas que se acham submetidas ao jugo de moléstias terríveis e quase incuráveis, infligidas pelos prazeres e apetites, temores e sofrimentos, pela cobiça, pelos desatinos, pela injustiça e por todo o elenco da inumerável multidão de paixões vícios), que por terem sido instruídos pela natureza e palas leis sagradas a servirem o Deus vivo”. Portanto, psicoterapia significa, em termos essências, serviço à psique.

In “ANATOMIA DA PSIQUE” de Edward F. Edinger


MULHER SELVAGEM


Ó minha Mãe Selvagem, põe um feitiço.
Na minha boca, uma praga
E no meu coração palavras mágicas.



Abre-me a cortina da tua Sabedoria Eterna
E deixa que numa dança envolvente, no meu ventre,
Eu diga bem alto aquilo que a minha alma sente!



Se for preciso rasga o meu peito com as tuas mãos,
As tuas garras!
E como a grande parteira dos tempos
Faz com que dele nasça a palavra ardilosa
Que cure e traga as mulheres que de ti se perderam
E voltem à tua casa, ó Feiticeira poderosa
.


Deixa que busque e encontre mulheres feridas de morte,
Como cadelas abandonadas e as jovens violadas,
As velhas solitárias e desprezadas, as mães maltratadas,
Por bestas e ogres...



Ó minha Mãe Selvagem, antes que prossiga a viagem,
Eu preciso da marca do teu poder na minha fronte...



Grava bem a ferro e a fogo forjado o sinal da tua força e vontade!
Dá-me Asas ou uma vassoura para correr os ares... E garras!



«ANTES DO VERBO ERA O ÚTERO»

(livro a editar brevemente)

domingo, setembro 29, 2002

O CÉU E A TERRA - A ALMA E O CORPO

(...)
Nestes casos, o que verdadeiramente transporta e fascina é a "mulher do espírito" ou a "mulher oculta" a que já nos referimos, e o ser humano correspondente serve unicamente de intermediário para a experiência ou activação desta mulher. Uma imagem primordial que transportamos em nós, nas camadas profundas do nosso ser, manifestando-se em circunstâncias determinadas ao encontro de uma pessoa real, dando origem a uma espécie de transe clarividente e ébrio: pois a imagem que transportamos em nós é também o eterno feminino pressentido objectivamente no ser amado, o qual sofre então um processo muitas vezes fulgurante de transubstanciação, com o sentido de um quase total desnudamento, duma aparição efectiva, de uma hierofonia (...)

in"A METAFÍSICA DO SEXO" - Julius Evola




(…) Pensa em mim que não sonho senão com o teu clarão onde adormece o luxo alegre de uma terra e de todos os astros que conquistei para ti adoro-te e adoro os teus olhos e abri os teus olhos abertos a todos aqueles que viram e darei a todos os seres que os teus olhos viram vestidos de ouro e de cristal vestidos que deverão tirar quando os teus olhos os tiverem embaciado com o desprezo.


Sangro no meu coração as iniciais do teu nome num estandarte que são todas as letras de que o z é a primeira no infinito dos alfabetos e das civilizações onde te amarei ainda, pois queres ser minha mulher e pensar em mim nos países onde já não existe termo médio.


O meu coração sangra na tua boca e volta a fechar-se na tua boca...


Tu virás tu pensas em mim tu correrás nas tuas treze pernas cheias...


...Quero ver-te chegar como as fadas.



In «A IMACULADA CONCEPÇÃO» de André Breton e Paul Éluard