sábado, abril 29, 2017

A AMIZADE ENTRE MULHERES


A Amizade entre mulheres e a Lealdade feminina
(Republicando - excerto de texto publicado em 2002)

(...)

Durante anos e anos as mulheres traíram-se umas as outras pelo amor de um homem...fosse o pai, o marido, o filho ou o amante...
Durante anos e anos as mulheres traíram a confiança umas das outras para obter a atenção e os favores de um homem...durante anos e anos as mulheres traíram a melhor amiga para conseguir um emprego ou um lugar de destaque na firma ou nos bastidores de qualquer palco…
Durante anos e anos as mulheres traíram a sua essência e foram piores do que Judas na vida umas das outras...sempre prontas a denunciar a incriminar a mandar para a fogueira as suas rivais…as mais ousadas, as mais bonitas, as destemidas, as mulheres corajosas e as que se atreviam a quebrar as algemas com que a sociedade e as religiões as agrilhoou…
Como é famoso o antagonismo entre irmãs ou amigas por causa de um homem…entre a nora e a sogra…Como é velha a disputa entre a mãe e a filha por causa do amor do pai…como é extenuante a rivalidade das mulheres do cinema e das telenovelas aos puxões de cabelos umas as outras e entre as actrizes…e como os homens gostam e perpetuam isso…
Em séculos de repressão e perseguição pelas religiões, as mulheres foram sempre as maiores aliadas dos homens e dos padres…por medo e intriga, por um lugar na missa ou na sacristia, no bordel ou na fábrica… foram durante anos e anos as mulheres as maiores inimigas umas das outras…durante anos e anos as mulheres viram na outra mulher a inimiga e a rival que lhe iria roubar o homem…e elas tudo fizeram para destruir essa outra mulher por quem se sentiam ameaçadas sem saberem que a “outra” mulher era ela mesma na sua outra face…que ela era afinal a sua face ignorada, esquecida e calada durante anos e anos…séculos…e que a “outra” era apenas a sua face de mulher reprimida de mulher reduzida a mero objecto de prazer e procriação, ao serviço do macho.

Será que hoje as mulheres se dão conta dessa separação e desse ódio?

Será que hoje existe uma “Lealdade Feminina”?

Não, as mulheres ainda não são livres nem amigas, capazes de trocar o abraço de um homem para serem fiéis a si ou a uma outra mulher ou à Deusa, à sua revelação ou à sua manifestação, trocando esse velho mito do Príncipe Encantado e do amor romântico...essa escravidão ao Senhor por amor de si mesma e das suas irmãs…
Não, de forma alguma.
A verdade é que esta não é ainda uma realidade e que as mulheres se continuam a trair e a trair as suas irmãs com o medo de perderam uma boa cama ou o suporte de um homem, uma posição social que lhe dá um falso valor e que as nega como indivíduos…
As mulheres continuam a fazer tudo pelo “amor” de um homem, sujeitando-se o obedecendo aos seus caprichos e ordens… Elas são incapazes de dar um passo para se amarem a si mesmas em vez da obsessão do macho…e do amor que as há-de salvar do vazio de si mesmas!

Como eu hoje vi e confirmei, as mulheres continuam a ser as inimigas umas das outras. Por isso eu não creio na lealdade feminina; para haver lealdade feminina a mulher tem de se conhecer primeiro e integrar a “outra”, a mulher-sombra, essa outra que ela só vê fora e rivaliza ataca ou destrói…
Por tudo isso essa dita e apregoada “lealdade feminina” tão desejada por tantas de nós e já esboçada como um ideal, não se pode manifestar, a não ser nessas poucas e raras mulheres que se dão conta dessa dicotomia em si e começam a perceber que essa velha inimizade e intriga – criada pelos homens e pelo sistema falocrático que as dividiu assim para poderem reinar – foi o que as impediu de evoluir e criar laços profundos com outras mulheres, e assim começam a ser capazes de se darem sem medo de perder o parceiro e abrem-se umas as outras sem esse velho pavor de perder o homem ou o seu emprego ou mesmo a sua reputação; medos que as dominavam por inteiro há décadas…
Que uma mulher casada não sai com uma mulher divorciada ou solteira porque o marido nõa deixa...sim, acontece ainda, talvez não nas cidades grandes, mas nas terras pequenas e que não ficas bem vista nem és aceite nem integrada num circulo social se não fores casada ou não tiveres um homem que te dê credibilidade; Sério, isto acontece nos nossos dias...não foi só no meu tempo que a minha mãe (há 50 anos) não me deixava sair com uma amiga porque ela era "mãe solteira"...
Ainda hoje tudo isso se passa ou pior, e são raríssimas as mulheres capazes de fazer uma escolha que seja só sua e capazes de viver a sua vida de acordo com os seus sentimento e emoções, verdadeiramente. São tão poucas as mulheres capazes de se verem e serem elas mulheres  inteiras, de serem fiéis a si mesmas e confiarem nas outras mulheres!

Rosa Leonor Pedro

sexta-feira, abril 28, 2017

ESCREVER...




"Afirmar, distinguir, elevar quebrar os nós desatar o afecto preso romper o medo inquirir cuidar do humano nada propor que não tenha sido antes um risco assumido e vivido pelo próprio rosto no texto. Criar lugares vibrantes a que se possa ascender pelo ritmo, criar na linguagem comum lugares de abrigo, refúgios de uma inexpugnável beleza, reconhecer-se nobre na partilha da palavra pública, do dom de troca com o vivo da espécie terrestre."
(G. LLANSOL)


ESCREVER PARA SI OU PARA @S OUTR@S?

Penso que um/a escritor/a nunca se devia expor nem sequer sociabilizar para se manter fiel a si mesm@ e intact@ - porque vê o que vê e diz o que diz doa a quem doer...Aliás um/a escritor/a só fala da sua dor...e a espelha aos outros, diga-se dor ou amor...é a mesma coisa. Às vezes ódio...ou raiva. Essa é uma das razões porque um@ escritor@ de facto nunca se devia expor aos outros, ter intimidade com alguém - tal como o asceta - ou dar-se ao... publico ou criar amizades, dar confiança - ninguém entende um escritor e já não falo do poeta...porque esse muito menos ainda.
@ escritor@ como alguém que escreve e sem qualquer pretensão de "escritor", como é o meu caso, mas que escreve com a alma e o coração, com tudo o que é e sente e @ fere, só pode ter um intuito e uma função que é de dizer o que sente e nada mais importa, nem como o diz ou o faz, desde que que seja para si mesmo, a sua força e a sua consciência de ser igual a si, mas não seria honesta dizer que o escritor@ não quer ser lid@, não. Um@ escritor@ quer ser lid@ e talvez amado mas não deve procurar porém o sucesso ou a fama e nem sequer vender...porque isso implica vender-se a si mesmo sempre, agradar...Vender-se ao editor ou à empresa ou ao publico que o prefere. Por isso são raros os grades escritores e poetas...como o foi Fernando Pessoa e Herberto Hélder e outros que agora não me lembro. E poderia citar também grandes poetisas, tais como Cecília Meireles Florbela Espanca ou Clarice Lispector, Natália Correia ou Maria Gabriela Llançol e  as estrangeiras...pois só citei as de língua portuguesa...

Ah! não, longe de mim comparar-me aos grandes ou essas mulheres fantásticas...sou como digo apenas uma escriba, uma amadora da palavra, falta-me ser asceta...e talvez renunciar definitivamente a este mundo de enganos mentiras e ilusões que são as relações humanas. Mas isso também se calhar seria a libertação definitiva e não haveria mais nada sobre que escrever - pois o drama humano ou a ferida da encarnação talvez cessasse... e essa seria a via do renunciante ou do iluminado e não d@ poeta que vive o seu próprio drama, insolúvel talvez...até morrer...

(Não eu não falei da Mulher nem da Deusa - esse é contudo o imperativo maior da minha alma como finalidade na Terra)

quinta-feira, abril 27, 2017

O QUE ACONTECEU ÀS MULHERES?


A EMANCIPAÇÃO DAS MULHERES ACABOU NISTO?

Primeiro, as mulheres quiserem ser livres...e depois de donas de casa submetidas e sem vontade quiseram agradar desesperadamente aos homens (as donas de casa de sexo na cidade) e de todas as maneiras, agora emancipadas e evoluídas, instruídas e formadas com cursos superiores...querem ser só como eles de todas as formas e feitios e a qualquer preço...sejam prostitutas de luxo, acompanhantes, secretárias ou esposas elegantes e eximias, mas mães ausentes, ou deputadas e ministras a papaguearem os lideres e a seu lado, como "concubinas", não do sexo, mas do Sistema falocrático...porta vozes dos chefes autocratas...mas ditos democratas.

Cada dia que passa, a mulher é menos Mulher em si...e mais igual ao homem...só mantém uma aparência "feminina" - digo, de travesti - de acordo com a moda dos estilistas gays que as vestem e  representam ou a esquelética e vazia maria-rapaz ou sem seios nem barriga ou quadris, sem ancas, ou então dos esteticistas que a representam cheia de silicone e botox...e bum-bum etc.
Escapam algumas mulheres corajosas, que se aventuram no resgate da sua essência e feminitude...porque, o feminismo em geral é todo ele mental e intelectual e só defende  "direitos e igualdades" materiais, nada de essências, qualquer profundidade ...sem alma nem nada de interioridade...

A LIBERDADE DA MULHER Não toca a alma nem a psique e menos ainda o espírito!

A mulher comum no geral, é e continua a ser um mero corpo tido como objecto de prazer visual ou sexual - ou então objecto de reprodução ou barriga de aluguer...
Vamos lá desmistificar e olhar de frente estas pseudo liberdades...que fizeram da mulher um ente vazio e sem identidade, sem dignidade e medida pelas suas medidas e pela "paridade" politica.

Rosa Leonor Pedro

A verdade é que “ENQUANTO UMA MULHER FOR ESCRAVA O HOMEM NÃO TERÁ LIBERDADE”


Maria Lamas

PORTUGUESAS DE SEGUNDA...


Nota: publico este artigo da situação da Mulher antes do 25 de Abril de 1973 em Portugal e que se manteve na lei até 1975.

E certamente a contrastar de algum modo com a minha visão da mulher de hoje, em  2017...mas aquilo que a lei e as ideias apontaram para a libertação e transformação da mulher como semi-pessoa para uma mulher inteira ou integral...ou uma mulher consciente de si ainda não aconteceu nem existe na sociedade portuguesa como não existe no mundo e porque essas mudanças sociais ao longo destas décadas foram só na lei e nas aparências (que é o que são todas as revoluções...). Existem algumas liberdades de facto, como o direito ao voto das mulheres e o seu acesso as universidades etc. e aos empregos, mas não houve uma MUDANÇA DE MENTALIDADES no Portugal profundo e como digo, o Sistema não FORMOU nem cidadãos nem cidadãs...apenas mudou as leis e os costumes...
Porque como é cada dia mais evidente ainda e ao fim de 40 anos...apesar das feministas e de todas as "conquistas de Abril", da cultura e da liberdade de expressão, a mulher moderna continua sujeita à violência doméstica, ao abuso e à exploração sexual pela parte do Homem e pelo Sistema que sendo ele fascista ou comunista ou liberal, as mulheres serão sempre as primeiras vitimas e as cobaias (usadas como objectos de procriação e prazer ou instrumentos de trabalho) da família e da sociedade e assim como nas guerras...
Não digo contudo que não haja uma mudança abismal nas formas de viver actual e as daquele tempo. Claro que há. Eu tinha à volta de 23 anos quando fui obrigada a fugir da PIDE  para Paris porque integrei as lutas das Associações de estudantes e de operários na época e dizia poemas sobre a Mulher nas associações cooperativas... e não nego que houve mudanças concretas, mas essas mudanças não deram nem devolveram o Valor nem a dignidade à Mulher que eu hoje sei ser a Verdadeira Mulher...
De qualquer modo aqui fica o testemunho histórico e o olhar de uma mulher nascida em 1964...

ARQUIVO DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS

Artigo de Fernanda Câncio

No regime deposto em 1974, nada na lei distinguia já brancos de negros ou de qualquer outra etnia. Mas as mulheres tinham um estatuto de semipessoas.

"O que é que sei do estatuto da mulher antes do 25 de Abril? O que me vem à cabeça é a mulher subalterna, sempre em casa. O marido é que aparece. Muito poucas mulheres com cursos superiores... E direito de voto não sei, mas tenho a ideia de que as mulheres só puderam votar depois de 1974." Carolina Nogueira, 18 anos, está no primeiro ano de Direito na Universidade de Lisboa. Do que se lembra, no liceu não aprendeu grande coisa sobre este assunto. "Hei de ter dado alguma coisa, mas assim muito pela rama. Somos confrontados com aqueles clichés tipo não haver direito de voto, pouco mais."

E não seria pouco, se fosse só isso: as mulheres apenas tiveram direito de voto universal nas primeiras eleições pós-25 de Abril, em 1975. Ao contrário dos homens, que desde 1945 podiam votar mesmo se analfabetos, elas só tinham acesso às urnas com o equivalente ao curso de liceu (ou seja, o que é hoje a escolaridade mínima obrigatória) ou se fossem "chefes de família" (por viuvez ou marido ausente), desde que com "idoneidade moral" (a quem competiria certificar tal qualidade?). E mesmo "instruídas" perdiam o direito se casadas com um marido com capacidade eleitoral.

Mas há muito mais de que Carolina, pelos vistos, nunca soube. Nem na escola, até agora, nem por ninguém. Daí que fique sem fala quando descobre que até 1975 o Código Penal português consagrava os "crimes de honra", permitindo que um marido ou pai matasse a mulher adúltera ou as filhas menores de 21 se "corrompidas" sem mais castigo do que seis meses de desterro da comarca (na mesma pena incorria a mulher que matasse o marido e/ou a amante mas apenas se este introduzisse aquela na "casa de família"). "É chocante. E é muito estranho mesmo que nunca nos falem disso. É um bocado repugnante até há tão pouco tempo uma coisa dessas existir na lei. Gostava de ter sabido disso antes, era importante para mim. Se não se fala disso por desvalorização é muito grave."

Prostituir esposa dava multa

No curso está a estudar o Código Civil, mas ainda não chegou à parte da família, onde se concentraram as alterações dizendo respeito às mulheres. "Vários dos professores chamam a atenção para o facto de o código ser maioritariamente ainda o de 1966, feito no tempo de Salazar, e não ter nenhum erro." Maneira de ver. O Código Civil de 1966 estabelecia por exemplo que os maridos tinham o direito de abrir a correspondência das mulheres (o equivalente hoje a terem acesso obrigatório à password do computador e do telemóvel para bisbilhotar à vontade), norma que só caiu em 1976, e que eram eles os "chefes de família". Longe de ser só um título, esta certificação legal, que só desapareceu em 1978, significava que os maridos detinham a autoridade sobre as mulheres e seus bens, que podiam administrar como entendessem, e também sobre os filhos. Dependia deles autorizar que as esposas tivessem determinadas atividades profissionais (comércio, por exemplo) e decidir unilateralmente sobre a educação das crianças; a mulher tinha apenas o direito "de ser ouvida", cabendo-lhe, por lei, "o governo doméstico".

Estava igualmente estabelecido no Código Civil que "a falta de virgindade da mulher ao tempo do casamento" podia ser motivo de anulação do mesmo (a experiência sexual prévia do noivo só poderia implicar anulação se se provassem "costumes desonrosos antes do casamento"). E decretava-se que a mulher deveria "adotar a residência do marido", exceto se lhe fosse reconhecida "justificada repugnância pela vida em comum, por virtude de maus tratos" ou de "comportamento indigno ou imoral" dele. Os "filhos ilegítimos" - conceito abolido na democracia - eram matéria para todo um capítulo.

Já no Código Penal, se o adultério deixou de ser crime em 1973 (era até aí punido com prisão maior, de dois a oito anos, no caso da mulher; no do homem só pressupunha pena de multa e apenas no caso de este introduzir a amante na "casa conjugal"), subsistiu até à Revolução não só a citada atenuação da pena de homicídio mas também uma pena especialmente branda para o lenocínio quando se tratava de um marido a prostituir a mulher - era apenas desterro, multa e perda de "direitos políticos por 12 anos".

Proibidas de se casar e julgar

Escândalos que Carolina irá procurar nos livros, agora que ouviu falar deles. A historiadora Irene Pimentel, 65 anos, costuma deparar-se com esta ignorância sempre que vai a escolas falar sobre o Estado Novo. "Os miúdos não sabem praticamente nada, mas têm uma enorme curiosidade. Sobretudo elas, nota--se muito mais a curiosidade delas. Abrem a boca enquanto falo." Ri--se. "O que as choca mais é os maridos terem de dar autorização às mulheres para elas poderem sair do país. Isso mudou só com o marcelismo [de Marcelo Caetano, sucessor de Salazar como Presidente do Conselho, ou primeiro-ministro], em 1969, e por causa da emigração." É uma das alterações pré-25 de Abril, como a efetuada no texto da Lei Fundamental. "Na Constituição de 1933 afirmava-se que não havia distinção entre as pessoas em função do sexo, mas logo a seguir acrescentava-se: "salvas, quanto à mulher, as diferenças resultantes da sua natureza e do bem da família." A parte da natureza caiu na revisão de 1972, ficou só o bem da família", comenta a historiadora. "E o que fez mudar isso foi a ida de uma mulher para subsecretária de Estado. Foi a primeira mulher no governo."

Outras normas discriminatórias - a da proibição de as telefonistas se casarem e interdição igual para as enfermeiras, hospedeiras da TAP e funcionárias do Ministério dos Negócios Estrangeiros, assim como a necessidade de autorização especial para o casamento das professoras - vigoraram desde o final dos anos 1930 até à década de sessenta, sendo a última proibição, a das enfermeiras dos hospitais civis, levantada em 1963, depois de debates acalorados na Assembleia Nacional. "Não se percebe sequer porque é que as enfermeiras não haviam de se poder casar, porque havia médicas e elas podiam", comenta Irene Pimentel, que lembra outra norma modificada ainda sob Salazar: "A minha mãe é suíça, e com o casamento com o meu pai, português, perdeu a nacionalidade. Isso só deixou de suceder em 1959." Comenta que a mãe nunca deu por tal, porque nesse período viajou sempre com o marido. Aliás, tal como hoje, a maioria ignora a dimensão e intensidade da discriminação das mulheres que vigorou antes da democracia, à época muita gente não tinha consciência das desigualdades estatuídas. Desde logo porque não eram denunciadas publicamente; e porque a inferioridade em relação aos homens seria aceite por muitas mulheres sem questionamento, e ainda por o número daquelas que se defrontavam diretamente com uma parte das normas ser pequeno: por exemplo, da interdição de acesso às carreiras da magistratura e da diplomacia, que só desapareceu em 1974, tinham consciência sobretudo as que, com habilitações para tal, se viam barradas.

Portuguesas de segunda

Irene Pimentel suspira. "É de relevar que o estatuto de "português de segunda", aposto aos portugueses nascidos nas colónias, assim como o indigenato, acabou ainda nos anos 1950. Mas as mulheres ficaram portuguesas de segunda até 1976." E 40 anos, sublinha, é nada. "Espantoso como a memória e o debate sobre isto não existe. Porque não há coisa comparável, em termos históricos, à discriminação sobre as mulheres, que até são a maioria da população. E este silêncio sobre a realidade brutal da discriminação também explica que se reaja tão mal à palavra feminismo. Como se não fizesse sentido." Conclui: "Sem dúvida que a grande revolução do 25 de Abril é a mudança do estatuto da mulher em termos jurídicos. O que, claro, não é nada a mesma coisa que a prática."

FERNANDA CÂNCIO

quarta-feira, abril 26, 2017

25 DE ABRIL



DEIXO-VOS ROSAS - porque os cravos encravaram nos canos de metralhadoras...

Não, não comemorei o 25 de Abril...


Eu vivi antes do 25 de Abril...muito antes...levei em cheio com o fascismo, nasci em 1946...Cresci e vivi na pele o medo e a opressão e vi a miséria e o despotismo à minha volta...Também eu fui muito nova obrigada a fugir à PIDE - para Paris - por dizer poemas, como fugiu o meu irmão mais novo  também à carnificina da guerra de Angola...
Eu vejo muita gente a cantar a glória dos cravos e da revolução e os militares - e eu fui "revolucionária" com vinte anos, quando a ameaça era real e Caxias uma prisão...Tudo era ameaçador para as mulheres (e homens) torturadas e aviltadas na sua dignidade...Eu vi e vivi muita coisa, como as manifestações e a polícia à carga...e o terror na fuga dos estudantes... E sempre a AMEAÇA da prisão a pairar em todo o lado para quem falasse ou dissesse alguma coisa - e é verdade que hoje se pode falar e dizer tudo o que se quiser, mas vão me desculpar os crentes e as novas gerações da "revolução" teórica pois eu hoje não vejo nada do que sonhei e em consciência não posso dizer que haja essa tal LIBERDADE de expressão ou liberdade de viver...porque para além da mesma vida precária do povo e a riqueza e corrupção desenfreada das elites, também não vejo nem respeito nem dignidade em nenhum lado; enganem-se os que se quiserem enganar com as vossas mentiras e utopias - comunistas e fascistas - porque o que eu vi e o que o tempo me diz e mostra bem claro é que tivemos anos um Presidente que foi informador da PIDE e eleito pelo povo e lá mantido décadas ...e um Governo fascista como nenhum outro - que destruiu todo os avanços sociais em nome da crise económica e da austeridade...


Hoje temos um Presidente diferente...é verdade, moderno, viajado, falador, apaziguador e um homem de afectos, dizem...vai abraçar toda a gente na rua e no mercado e distribuir sopa aos sem abrigo...sim aos sem abrigo - cada vez mais...os pobres e desempregados. Está tudo mais calmo, não se fala tanto na divida soberana e na crise, nem do Sócrates que roubou milhões e vivia a grande e a francesa em Paris - como se diz e fez...  Sim, mas a divida do País é impagável e escravidão ao estrangeiro eterna...e o povinho é que vai pagar a vida toda como escravo...
Portanto  o que eu vejo é que tudo volta sempre ao mesmo e se repete ad eterno se não se formam cidadãos...e principalmente SE UMA VERDADEIRA CONSCIÊNCIA DO SER NÃO ESTIVER EM CAUSA ...se as mulheres forem livres mas não respeitadas nem dignificadas...




Ah pois claro, já estão a pensar...mas houve grandes mudanças, houve sim senhoras...e por isso escrevo isto com toda a liberdade!

Sim, eu hoje sou livre de escrever isto e o que eu quiser e gritar nas ruas até, chamar nomes aos policias e aos árbitros...mas o futebol impera e Fátima é igual. Não vamos já para Caxias nem para o Tarrafal...mas que adianta eu gritar alguma coisa se NINGUÉM OUVE NADA, NEM HÁ A MENOR CONSCIÊNCIA CIVICA, ÉTICA E HUMANA e a pobreza alastra e a miséria mata e a morte de mulheres pelos maridos e amantes aumentaram proporcionalmente a essa liberdade, e o povo está todo amestrado e narcotizado pelos Média, o Cinema e a Televisão e os carros, os telemóveis e pelos mercados - sim, escravos do dinheiro e do Bancos - a pagar as fortunas dos Banqueiros e a riqueza e a corrupção dos políticos...por todo o lado, o lixo televisivo e a mentira global!

Oh...digam-me lá então que sou reacionária agora - ó vocês que vivem de cor...e salteado...teóricos e poetas da revolução, sentados no sofá em casa...a ver televisão, a ouvir contar como foi?
rlp

Republicando

SE A MULHER FOSSE A MULHER




A Missão da Mulher


"Acho que a missão da mulher é assombrar, espantar. Se a mulher não espanta... De resto, não é só a mulher, todos os seres humanos têm que deslumbrar os seus semelhantes para serem um acontecimento. Temos que ser um acontecimento uns para os outros. Então a pessoa tem que fazer o possível para deslumbrar o seu semelhante, para que a vida seja um motivo de deslumbramento. Se chama a isso sedução, cumpri aquilo que me era forçoso... fazer."

Natália Correia, in Entrevista '(1983)'




"... não é a " falta de potência intelectual, dotes organizadoras, o que nos inquieta na mulher, mas a resistência a agir de modo diferente, como fez no seu antigo posto, com as velhas armas, que " foram as suas na "Grandeza e servidão "-  a atitude da mulher, sempre pronta a naufragar no doméstico, a ser permanentemente vinculada ao lar com exclusão absoluta e  a sua ausência da vida de cidadania é  o que nos preocupa e nela esperamos ansiosamente a sua plena. 

A " Entrada Da Mulher no império da dignidade ""- não é estranho " A mulher  passou toda a História reclusa dentro dos contornos da vida caseira, no aspecto privado e  particular ", mas desse modo  teve uma influência sobre o homem com uma " força subterrânea  e difusa, e embora sem personalidade, ela influencio o homem como os elementos influenciam o clima e o paisagem  " - foi formidável - não se pode ignorar o efeito da sua  obscura " força ao longo da cultura ".
Maria Zambrano

"A Grande Mãe Cósmica",

Asherah

"A representação da Deusa é uma forma divina de epifania e as partes do seu corpo não são entendidas literalmente como órgãos físicos mas como centros numinosos de todas as esferas da vida. Seu umbigo é o centro da terra - de nós - a partir da qual o universo é nutrido pela nossa consciente participação enquanto somos alimentados por ela."


Do Livro "A Grande Mãe Cósmica", Mónica Sjoo
imagem - Asherah, representação

sábado, abril 22, 2017

A mulher terra e raiz...



A MULHER INTEIRA - a mulher terra e raiz...

(...) A Mulher que quiser ser Mulher inteira tem de definitivamente resgatar o seu ser de dentro dela própria, ir alem de todos os estereótipos, tem de se recuperar inteiramente de uma velha fracção - de fraccionar: partir, dividir, fragmentar, seccionar, romper - do seu ser em duas ou mais e que se baseia na sua divisão interna em duas mulheres, a santa e a puta, e para isso tem que recuperar a sua identidade profunda, ir ao mais fundo de si e da sua psique e integrar a sua totalidade MULHER.

As mulheres em geral, sejam elas jovens maduras ou velhas, sejam elas homossexuais bissexuais ou heterossexuais…serão sempre Mulheres se forem fiéis à sua natureza profunda, onde nascem mulheres e não se deformam, e são Mulheres em si antes da moral e da cultura, mas elas só terão acesso a essa Mulher Raiz se acordarem em si esse potencial interior e despertaram por elas mesmas (sem o conceito ou ideia drama ou ficção do seu anulamento no príncipe encantado, no homem de sucesso ou no macho alfa) porque dentro da mulher há um manancial enorme de amor, uma fonte…de poder e beleza que só por si lhe pode valer uma totalidade de SER!
Para se encontrarem a si mesmas, bastaria às mulheres  serem  fiéis a essa essência e a si próprias a partir dos movimentos da vida que se geram autónomos dentro do seu ser - para lá da gravidez gestação e parto - a fim de descobrir esse Amor raiz centrado em si e a partir de si; nessa altura a mulher autónoma conheceria o seu potencial e saberia ver o seu real valor, o seu valor intrínseco e assim também reconheceria o valor da outra mulher, de qualquer mulher, sem precisar de depender de ninguém em especial nem do sexo, nem de remédios, nem de estímulos exteriores para se sentir mulher e viva e plena! E isso pode acontecer a todas as mulheres que se busquem e encontrem dentro de si nas raízes mais fundas do seu SER, no sentido mais puro da vida, que reside no seu âmago e não fora, no outro, seja o amante seja o filho. Então e só então elas verão por si mesmas como foram anuladas da sua identidade e como sofreram toda a sua vida sujeitas à milenar exploração do Homem e como seres humanos  explorados por outros; veriam como o Sistema usou a mulher e a fez escrava de um escravo, o Homem que nesta sociedade  de domínio a tem usado e explorado o seu corpo e o seu sexo e que até aos nossos dias a usa e abusa dela, a subestima, despreza e maltrata.

Republicando

Excerto de texto in mulheres & deusas

rosaleonorpedro

Curar a Nossa Psique com o Abraço da Mãe

Todos nós sentimos falta do Amor da Mãe - a ternura reconfortante e estimulante de estar nos braços da nossa mãe, perto dos seus seios. Quando o Amor da Mãe falta nas nossas vidas, nós nos sentimos sozinhas/os e privadas/os da nossa necessidade mais básica de ser incondicionalmente amadas/os e cuidadas/os.

"Dia 19 de Abril o Sol entrou em Touro

Touro, o segundo signo do Zodíaco desperta-nos para o facto de que nossa vitalidade está num corpo físico e estamos a viver numa realidade física no Planeta Terra. É uma nova dimensão da existência estar num corpo, perceber que temos necessidades e precisamos cuidar dos nossos corpos.

Quando o Sol brilha em Touro começamos a perguntar - O que fazemos com a nossa energia? Como podemos cuidar melhor de nós mesmos no mundo físico? Como passamos dos desejos e necessidades para satisfação e contentamento? Como nos podemos sustentar e elevar da sobrevivência para a prosperidade.

Curar a Nossa Psique com o Abraço da Mãe
A nossa mais profunda ferida psíquica arquetípica é a nossa separação da nossa mãe. O patriarcado perverteu a nossa psique definindo o Divino como exclusivamente masculino. Quando o Feminino e a Mãe foram excluídos da definição do Sagrado, os nossos corpos, sentimentos, emoções, a Terra e as mulheres foram desvalorizados e até julgados como coisas más.

Todos nós sentimos falta do Amor da Mãe - a ternura reconfortante e estimulante de estar nos braços da nossa mãe, perto dos seus seios. Quando o Amor da Mãe falta nas nossas vidas, nós nos sentimos sozinhas/os e privadas/os da nossa necessidade mais básica de ser incondicionalmente amadas/os e cuidadas/os.

HOMENS - Muitos homens nunca resolvem a dolorosa cisão interior que resulta da separação inevitável da sua mãe física. É minha opinião que a principal fonte de abuso e desdém em relação à mulher, a exploração gananciosa da Terra e a causa da guerra é a incapacidade do homem de evoluir (amadurecer emocionalmente) precisar de uma mulher física para servir como sua mãe para se conectar com o Amor Da Mãe Primordial. Quando os homens sentem o Seu Amor, eles só a querem servir a Ela, o que significa servir a vida. Até que essa conexão interior aconteça, eles irão representar as suas frustrações de maneiras indiferentes, destrutivas e incivilizadas e justificar e apoiar sistemas económicos, sociais e políticos que o façam.

MULHERES - A mulher é de facto a personificação da Mãe Divina. No entanto, através do treinamento negativo num mundo dominado pelos homens, muitas mulheres rejeitam e sentem-se inadequadas por serem quem são e inconscientemente rejeitam a sua feminilidade e até preferiam ser homens. A dor da indignidade agrava-se e atrai o abuso interior e exterior.
Quando uma mulher abraça e honra a experiência de carregar o ventre da criação dentro do seu próprio corpo, ela pode relaxar na sua divina essência feminina e desfrutar da Terra como o útero na realidade física. A sua expansão interior desperta-a para o universo como o Útero Cósmico.

Touro representa a Mãe Terra e a nossa conexão com a Mãe Terra.
Através dos nossos sentimentos profundos no nosso corpo, podemos nos conectar com Ela. Todas as mulheres precisam dessa conexão, que foi suprimida pelos sistemas espirituais do chakra superior. Quanto mais abrimos os nossos corações para a nossa feminilidade, mais gostaremos de encarnar o Divino Feminino."

Guru Rattana.

quarta-feira, abril 19, 2017

Até que a mulher saia do casulo...


PERGUNTA E REPOSTA.

- Será possível que possam homens e mulheres renascerem simultaneamente inteiros do patriarcado? M. M.

- Penso que não. O Sistema nunca deixará isso acontecer a não ser que paulatinamente as mulheres se vão consciencializando de si e os homens também como partes integrantes de uma completude. Mas é difícil para os homens abdicar do seu poder sobre as mulheres e de as inferiorizar ou submeter......
Vejo porém e sinto que há homens que se estão a aperceber disso, e que não se identificam com o patriarcado e o domínio pela força porque o seu lado feminino se está a manifestar - a emoção e a intuição - mas os homens tem um grande problema em admitir e reconhecer que o seu masculino sagrado passa pela mulher sagrada e só quando a virem como tal e se submeterem a Ela a Deusa-Mulher - ora o que eu acho é que muitos deles não quererem ser identificados com a mulher nem passar por ela...querem ter as prerrogativas do masculino e do feminino sem essa rendição, sem essa consciência, sem esse amor. É claro que o feminino anima está no homem como o masculino animus está na mulher, mas a minhas questão é sempre a mesma: enquanto a mulher não for inteira e não se souber em si e expressar esse potencial de forma unificada, como essência mágica e magnética é muito difícil tanto a mulher encontrar-se como ao homem reconhecê-la...

"...Primeiro: o homem deve passar por ela para passar a Ser. A Mulher toda a mulher, é a verdadeira iniciadora do homem, sua via para o Ser. Segundo: o sistema patriarcal privou o homem das mulheres verdadeiras, perigosas pela sua supremacia. Em resposta, a mulher deve tornar-se consciente da Mulher que nela dorme: já é tempo que ELA saia do casulo." *

Eu penso que os homens tem de se render a Deusa dentro deles e reconhecer a mulher como Sua (dela) manifestação e sem isso eles não podem expressar o seu masculino sagrado que só faz sentido passando pela Mulher...no sentido do Par alquímico e da união dos polos opostos complementares, do Rei e da Rainha...
Quero dizer e mais uma vez que sem Mãe-mulher não há Filho e sem Mulher-iniciadora não homem iniciado...dificilmente os homens aceitarão esta rendição à Natureza Mãe expressa na mulher que é a sua dádiva...eles recusam-na...e por isso a maltratam tal como maltratam e destroem a natureza etc. E vão para o cumes fálicos dos seus arranha céus e armas mortíferas...eles preferem a morte a submeterem à Essência Vida que lhes dá a Vida...esse é para mim o maior drama desta humanidade actual...e talvez desde há mais de 5 mil anos desde que eles destronaram a Grande Mãe e prestaram culto ao Pai e a deus e aos seus heróis...sempre homens!

Até porque - "A nossa civilização, baseada nos falsos valores do patriarcado, está em plena ruína, até no plano material. Para evitar a autodestruição, é preciso despertar o culto da feminilidade, que é o único a permitir o pleno desenvolvimento tanto do homem como da mulher."*

rosa leonor pedro


E AINDA A PROPÓSITO - O PODER DO HOMEM?

A NEW AGE tem-se vindo a apoderar aos poucos do Feminino Sagrado como movimento inicial de uma nova Consciência das mulheres, de libertação e independência dos homens e temos agora os homens a vir afirmar o seu Poder no terreno da Deusa por via do masculino sagrado? O Poder do masculino? O poder de serem homens? Quando é que o Poder do Homem lhe foi negado? Nunca...
Não entendo portanto esta miscelânea e a sua defesa porque os homens sempre tiveram o Pode...r: quer seja ele o poder temporal quer seja o religioso, e tendo tido sempre toda a liberdade sexual, e expressão de identidade, o que não é o caso das mulheres, e portanto um movimento que era de libertação do jugo das mulheres do Poder Patriarcal, com esta associação do homem ao movimento da Deusa, de novo a mulher está em risco de se perder de si ao se focar no Homem!
Se o homem quer fazer a incursão no Feminino, se quer fazer a integração do seu feminino, então sim, ele deve apoiar as mulheres pelo culto e devoção da Deusa Mãe e da Amante iniciadora - a Sacerdotisa do amor - e não de novo vir reclamar um Poder do Homem também no domínio da Deusa ... Inverter estes termos de novo é um perigo e implica a subversão dos princípios para voltar à estaca zero deste movimento, ou seja voltar ao domínio do Homem...
Digamos que O Poder do Homem se vem subtilmente estender agora sobre as mulheres dos Círculos, apoderando-se do movimento do Feminino Sagrado e voltando o seu Foco para o masculino e lá vão as mulheres - totalmente inconscientes de si - de novo cair na subordinação ao deus macho e ao falo e renunciar à sua essência-matriz...
De novo, como há 5 mil anos, um retrocesso cultural e histórico nos ameaça...
rlp
*André Van Lysebeth