quinta-feira, agosto 25, 2016

Esta rapariga é maluca!


UM BELO E ILUSTRATIVO TEXTO...
de Maria Teresa Horta / Meninas



- Esta rapariga é maluca!
...
"Sem medir o excesso daquilo que dizia e do demasiado que adivinhava, Cassandra era uma menina esquivosa, com a lividez das velas dos altares, de quem as pessoas se afastavam, supersticiosas, temendo que tamanha afoiteza a pudesse levar a devassar-lhes o olhar maldoso, encontrando no lodo desse fundo os muitos pensamentos de inveja e traição, de ódio e sordidez que escondiam nas mentes e nos corações mirrados, sempre temendo que Cassandra, ao descobri-los, os tornasse visíveis diante de todos.
- Ela consegue adivinhar o que nos vai na alma - preveniam-se uns aos outros, temendo-a; embora sem jamais confessarem com clareza o medo que sentiam dos seus poderes divinatórios. E menos ainda dos seus poderes proféticos, que constava ela possuir no devassar do passado e no desvendar do futuro; embora admitissem a possibilidade de Cassandra poder escutar-lhes as falhas, as faltas culposas, pela calada da noite.
Então tentavam desacreditá-la, afirmando no disfarce da raiva:
- Esta rapariga é maluca!"
(...)


ESTE É O NOSSO VERDADEIRO DILEMA...

A Mitologia a Religião e a política...

há milhares de anos, cassandra, última pitonisa da deusa-mãe foi votada ao descrédito por apolo, o deus que destronou o oráculo de delfos e matou a piton, a grande serpente em delfos....
desde aí, a mulher que era a pítia, a sacerdotisa da deusa, deixou de ser intérprete do divino para o homem, para o sacerdote de apolo, servir os interesses exclusivos dos guerreiros e chefes militares e as suas estratégias e não uma ordem estabelecida entre o céu e a terra e o seu equilíbrio...

essa é a cultura grega-romana que herdamos e a que prevalece ainda nos nossos dias.
assim a voz das mulheres é votada ao descrédito desde que nascem...
sejam elas cultas ou incultas o complexo de cassandra está inculcado nelas e nele se revela o seu sentimento de impotência...

escrito em 2006
rlp

quarta-feira, agosto 24, 2016

AS DUAS (ESPÉCIES) MULHERES...


A MULHER MODERNA

Como é que vamos sair deste impasse?

O que acontece de facto, é que enquanto não entendermos que o homem e a mulher são diferentes e opostos e ainda que complementares, enquanto se pretender uma pretensa igualdade de sexos não se pode ver que a mulher vive uma cisão em si que a reduz e mutila de uma totalidade, não se vê também que esta mulher apontada como par complementar do homem, está cindida em duas, não é a Mulher total, não é uma Mulher, mas um...a metade; então nem o homem nem a mulher poderão efectivamente ser um Par ou o casal alquímico...a partir de uma metade?
Daí que a enfase do que escrevo esteja posta quase exclusivamente na necessidade da mulher ter uma consciência de si e do seu feminino profundo, ao mesmo tempo que se consciencializa da sua ferida no amago de si mesma, para assim poder fazer a ligação à mulher original que desconhece.
O drama da mulher moderna é que ela está tão convencida e inflacionada pela ideia de liberdade e emancipação ou mesmo da Deusa que nem sequer enxerga a sua divisão interior em duas mulheres antagónicas dentro de si e sempre em luta - e parte para a relação a dois sempre em desvantagem e presa dessa dicotomia (a quente e a fria, a boa e a má, ou seja a sensual e a frigida, a devassa e a casta) sem perceber que não fazendo esse trabalho consigo mesma, sobre si mesma, nunca o par almejado é alquímico e complementar, mas manco...pois só uma metade mulher se apresenta ao homem...que nunca sabe de que lado dela está, se da boa se da má...e é imprevisível, pois essa mulheres se revela a curto ou longo prazo na relação como histérica e maníaca ou a doente, bipolar, com uma neurose grave...disfunção da personalidade etc. ao forçar e querer ser apenas essa metade idealizado pelo homem. Talvez um cancro na mama ou do útero a acorde para sua cisão e para o outro lado de si do qual ela esteve toda a vida separada ao fim e ao cabo. Mas nem sempre a Mulher acorda...
rlp

AS MULHERES TEM O CONHECIMENTO/SABEDORIA



AS MULHERES TEM SAIDA...


As mulheres raramente vão ao encontro do seu Caminho que não conhecem. Elas foram histórica e culturalmente desviadas do seu potencial e propósito, desviadas da sua fonte de conhecimento que é o Utero. Mesmo nos grupos de mulheres que buscam saídas alternativas, ditas "espirituais" temos o Tantra (o homem e o sexo como objectivo) como na espiritualidade temos  Deus como objectivo ou os anjos ou a evolução espiritual (o céu como objectivo) ...mas,  a Mulher em si, ela própria como SER HUMANO independente e a Terra como Ser Vivo e pulsante ficam quase sempre para trás, como se a Natureza Mãe e a Mulher não tivessem qualquer razão de ser em si ou ligação do SER MULHER com a Vida que nasce dela tal como a vida nasce da Terra e do solo…

A Terra é tão ignorada como  a mulher é ignorante de si mesma
 por  viver sempre dedicada aos outros ou a viver em função de algo fora por mais legitimo que  seja, vivendo em função do olhar masculino que lhe dá razão de "ser", seja do Pai, seja do filho ou do amante, mas nunca se afirmar por ela mesma, como um ENTE consciente de si mesma!  E sem esta consciência de si ela nunca irá despertar para si mesma, para o seu potencial adormecido, para a sua força primordial de deusa, como revelação da própria  VIDA EM SI e  amor da Vida plena; ela foi educada para servir o homem, o Pai e o filho  e nunca se libertará de forma a nunca mais  depender de nada nem de ninguém para SER MULHER!
O que eu entretanto queria dizer com isto é que há um Caminho da Mulher, dentro de si mesma, um sentir sensual e cheio de emoção e que ele é para dentro de si, onde Ela sabe que tem esse Poder interior, onde a sua  força se esconde  e que ela tem de a resgatar, e que só pode ser plena em si quando não depender de  outros para a sua vida ter sentido...e essa é a sua descoberta...o Coração é o Manancial...ainda fechado!
Por a Mulher ter esse Conhecimento/Sabedoria em si mesma, ser em si um poder da Natureza, ela foi afastada dele e dividida em duas mulheres - para que não lhe tivesse acesso e pudesse assim, ficar presa e cativa do homem, do seu “olhar de vida” (mais morte do que vida!) e ser dominada e explorada por ele ao longo dos séculos. Esta divisão da mulher, esta cisão fulcral em cada mulher como uma ferida é a fonte de toda a separação dentro e fora da Mulher e é a meu ver igualmente a causa de todos ou quase todas as doenças e males sociais…claro, sabemos que ninguém quer ver isso e a questão tem sido persistentemente branqueada por religiosos, padres, sociólogos, antropólogos, escritores e até psicólogos como vimos no inicio do texto…
Só à Mulher pode mudar isto…

Rlp

terça-feira, agosto 23, 2016

SABER E NÃO SABER

"ALMA E CONSCIÊNCIA"

"A Alma... Não se Usa na Superfície do Mundo"...
 


A ALMA E O ESPIRITO

Vivemos num tempo estúpido de facilitismos e superficialidade em que tudo se mistura e já ninguém sabe quem fala verdade. Todos se copiam e papagueiam "verdades" como espirito e "alma e consciência" e ninguém se entende. As "massas" não entendem o sentido da Realidade Última e confundem tudo com o relativo da vida superficial e rotineira que vivem sufocados pelo véu da mentira colectiva de uma pretensa cultura democrática que quer fazer chegar o conhecimento a todos, mas o Conhecimento sempre foi e é iniciático; só o individuo que conhece dentro de si as suas diferentes partes constitutivas, corpo-alma e espírito e os seus animais-instintos, pode chegar ao cerne do seu SER. E só alguns seres - de acordo com o seu esforço a sua evolução e sinceridade - chegam ao verdadeiro entendimento do que é Real e eterno dentro de si...
(rlp)

ASSIM, “A confusão criada pela imprecisão habitual das palavras alma e consciência é agravada pela rotina que preside ao seu emprego, rotina que atrofia o entendimento daquele que fala, tanto como daquele que escuta.
(...)
Poucas palavras causaram pela sua alteração tantas e funestas consequências como as expressões: “alma” e “consciência”, porque as realidades que exprimem são os elementos base do que constitui o ser humano não mortal, e que podem esclarecer o fim da sua existência.
De cada vez que um conhecimento iniciático foi suplantado por dogmas saídos das disputas teológicas, o sentido da “alma” e “consciência” sofreram variantes conforme as doutrinas religiosas ou os ensaios filosóficos que se tornaram autoridade nessa época. “
"*
* In LOUVERTURE DU CHEMIN – de Isha SCHWALLER DE LUBICZ

segunda-feira, agosto 22, 2016

A DESTRUIÇÃO DA MULHER


ALGO DE MUITO GRAVE SE PASSA NO MUNDO
CONTRA AS MULHERES

Nas ultimas décadas, a mulher para ser aceite e considerada "moderna", versus emancipada, teve de se submeter uma vez mais, já não ao lar-marido-filhos, como era antes, mas nos dias de hoje ,a uma profissão de sucesso e a um patrão, a uma ideologia ou a uma cultura e a uma arte essencialmente masculinas, direi sem essência e em que o feminino é denigrida sistematicamente como e a mulher transformada num mero objecto sexual ou de exposição mediática.
Ela deixou entretanto de ser "a esposa" fiel ou mesmo a "amante" ou a "puta" e passou a ser "emancipada"...


Não se pode defender um estatuto da mulher e a sua dignidade de um lado, como pretendem as feministas e as políticas e por outro ela continuar a servir de caixote de lixo de todas as indignidades…ela é feira da pornografia, ela é cobaia científica, ela é uma boneca insuflável de silicone, ela é a escrava do alterne, da moda e dos cosméticos, dos médicos e proxenetas…explorada e morta, no Islão, em África, na Índia ou no Ocidente...
Por todo o lado no mundo a mulher é morta aviltada e explorada.
Ao fim de quase um século na crença de uma liberdade e igualdade, voltamos a encontrar a mulher completamente exposta ao abuso e à exploração sexual por Mafias e Artes e Mídea e até por conta própria...e o mais grave: por vontade própria...
O que o Sistema conseguiu nestes últimos 50 anos foi mentalizar a mulher a se tornar naquilo que ele levou séculos a construir à força: destituir a mulher de qualquer valor intrínseco e agora é a mulher em nome da sua "emancipação" a escolher a prostituição e a aceitar a ignominia em nome de direitos iguais...


Se temos duvidas basta olharmos para a mulher moderna vemos apenas como ela se deixou aos poucos usar em todas as plateias e palcos, em todos os cenários e filmes, em todas as passerelles, vendendo-se e traindo a sua verdadeira natureza de que se afastou completamente à medida que ia respondendo aos apelos de uma imagem estereotipada, do consumismo e do sucesso material que a sociedade patriarcal dela exigia...
A mulher de casta passou a ser promiscua...liberal...ter muitos amantes é preciso, escrever sobre o seu corpo ou exibi-lo sem pudor: ela filma até a sua intimidade, os seus orgasmos, como fez a escritora Clara Pinto Correia, mas sobretudo ao escrever desabridamente o "fodamos" - "mulheres capazes"- sem freio, sem tino, superficialmente - seguem escritores semi pornográficos que exaltam a sua submissão sexual e rebaixamento humano total etc. e defendem uma mulher desinibida e sem limites para o uso do corpo-sexo...Defendem as estéticas artificiais e o silicone e tudo que a Mafia médica e as farmacêuticas criam de artificial e lesivo apra a sua saúde  e com a qual visa apenas destruir a sua verdadeira identidade - como digo tantas vezes -, arrancando-lhe os ovários o útero e os seios...enchendo-a de químicos. A "Medicina" que lhe destrói a sua integridade física e moral, em nome da cura...que lhe vende todos os produtos criando o medo da morte e da doença - ela arranca-lhe sem mais, seios e ovários para prevenir o cancro...Os médicos violentam as grávidas - violência obstétrica - e os cientistas querem "limpar-lhe o sangue"...e os maridos e amantes (ah, os "companheiros") limpam-lhe o sebo... e o feminicídio cresce em todo o mundo.
Ah... Algo está mal...algo muito grave se está a passar no mundo e as mulheres não querem ver; ninguém quer ver ou rever o que de errado aconteceu nesta parafernália de supostos "direitos e igualdades" - o homem que não seria nada a imitar nem a copiar tornou-se o modelo da mulher. Elas quiserem ser iguais a eles e agora eles respondem-lhes em massa na violação no abuso inclusive das filhas, alinham na destruição massiva da mulher, aliando-se a muçulmanos ideologicamente ou solidariamente...para se vingarem das mulheres. E os árabes vão inventar um Útero artificial, tal como eles criaram mulheres de silicone;  os cientistas criaram um útero artificial para os gays terem filhos e serem desventrados como as mães - ah a inveja do útero tão primitiva afinal - eles os gays adoptam crianças sem mãe, cantores e jogadores de futebol milionários compram crianças como compram automóveis...Eles fazem render as mulheres como "barrigas de aluguer" - já não precisam de criadas nem de servas, nem de mulheres para nada; eles roubaram tudo à Mulher, tudo...Começaram pela cozinha...pela costura, pela manicura, pela cabeleireira...e agora só faltava o útero...porque os seios já os tinham de silicone...
ah sim, as mulheres foram para a guerra...e mataram...e o que restava das mulheres morreu com elas...

rosa leonor pedro
Anónimo

Patrícia disse...

Triste e verdadeira constatação Rosa, creio que a expressão "fazer as escravas acreditarem serem livres" caiba como uma luva na doutrinação sexual feminina, pois percebo que a mulher nunca foi tão humilhada e descaracterizada de sua verdade, como nessa pretensa liberdade a qual aceita cumprir como um protocolo da mulher moderna. Estão todas cegas de si mesmas, como poderão ver o predador que se finge de guardião a conceder-lhe segurança no mundo de medo que ele próprio cria.
Gratidão mais uma vez pelas tuas palavras sábias.

(Eu é que lhe agradeço rlp)

domingo, agosto 21, 2016

mundo ainda não criou seres capazes de se amarem


O ENCONTRO CONNOSCO MESMOS/AS

 .."Amor é quando é concedido participar um pouco mais. Poucos querem o amor, porque o amor é a grande desilusão de tudo o mais. E poucos suportam perder todas as outras ilusões. Há os que voluntariam para o amor, pensando que o amor enriquecerá a vida pessoal. É o contrário: amor é finalmente a pobreza. Amor é não ter. Inclusive amor é a desilusão do que se pensava que era amor. E não é prêmio, por isso não envaidece, amor não é prêmio, é uma condição concedida exclusivamente para aqueles que, sem ele, corromperiam o ovo com a dor pessoal. Isso não faz do amor uma exceção honrosa; ele é exatamente concedido aos maus agentes, àqueles que atrapalhariam tudo se não lhes fosse permitido adivinhar vagamente.”
(...)
Clarice Lispector

Não, o mundo ainda não criou seres capazes de se amarem…


Porque sem que cada ser se conheça e se ame primeiro, ninguém se pode amar e este é o círculo vicioso do mundo! E aqui voltamos ao âmago da questão: pode a mulher mãe sem se amar a si mesma e sem que o homem a respeite amar o filho ou a filha? Sem dúvida que todas nós precisamos ser amadas e o merecemos, mas haverá algum homem nesta sociedade infame, de exploração comercial do que há de mais puro, a intimidade de dois seres, que verdadeiramente ame uma mulher? Ah! Se forem magras e elegantes…se forem bonitas e atraentes…se tiverem um peito assim e uma bunda assado…como as modelos? E vá de por silicone, vá de encher as nádegas, os lábios e as faces de plástico…vá de cortar os seios, vá de cortar o nariz os pés a ancas as mãos e não sei que mais as mulheres cortam para se parecerem com os ícones da moda e do cinema…
Como é que ainda a educação ou a falta dela, toda esta subcultura do feminino de séculos de ignorância e programação católica as escravizam ainda a padrões obsoletos que, apesar das lutas feministas que ajudaram a mudar muita coisa, não mudaram nada do essencial e a alienação da mulher em termos ontológicos é a mesma? Se antes eram “educadas” para casar, para procriar, para parir, para serem submissas aos homens e fiéis ao marido…agora substituíram isso pelo trabalho igual, pelas pílulas e a liberdade sexual; pelas estéticas e a moda e mais uma vez caíram na esparrela dos anúncios, ou dos contos do vigário; toda essa literatura romanesca com que encheram o seu vazio de sonhos de um amor romântico… pode já não ser os maridos, mas os amantes…e afinal para continuaram escravas do homem e dos seus padrões de beleza!
Sim, apesar de tudo se ter alterado nos costumes nestas últimas décadas e a confusão social pela perda de valores ser cada vez maior, e embora as mulheres trabalhem e ganhem por vezes mais do que os maridos e até parecem livres de fazer o que querem…continuam afinal emocional e sexualmente prisioneiras do homem a nível das suas células, a nível do inconsciente colectivo, pela alienação mediática e pelos filmes e por isso ainda acreditam numa espécie de príncipe encantado que agora é o milionário e no amor das telenovelas… As mulheres de hoje estão aprisionadas nessa armadilha invisível dentro delas. Pensam que são livres e não percebem as correntes que as amarram…
São centenas ou milhares de mulheres prisioneiras e no mundo inteiro milhões, mulheres presas dentro delas próprias, prisioneiras desses padrões, de um velho paradigma, amarradas a essa ansiedade feroz do amante nessa carência extrema de si mesmas que as caracteriza (diria, que as caricaturiza… porque essa mulher é uma caricatura de si mesma e do seu potencial adormecido) e que no fundo faz essa amarga solidão que as leva, em desespero de causa, a aceitar de volta homens violentos, homens que as maltratam ou a crer e a procurar novos amores e por mais que sofram e sejam traídas, enganadas e mal amadas, nunca aprendem a lição nem a sua liberdade… Serão escravas as mulheres para todo o sempre?
Será que não vemos que enquanto não nos amarmos primeiro a nós mesmas, enquanto não formos auto-suficientes e conscientes do nosso ser integral, enquanto não integrarmos as partes de nós divididas, não nos podemos libertar…
Enquanto não nos podermos amar nem respeitar a nós mesmas como seres independente, como seres singulares, unos, nenhum homem ou mulher nos poderá amar. Enquanto não nos valermos a nós próprias, o amor seja de quem for não nos serve para nada. (De algum modo e a um certo nível isto também é válido para o homem…mas a mulher é um caso mais grave, porque o homem tem mais auto-estima que à mulher quase sempre falta…) Enquanto essa consciência não acontecer esse amor que vivemos é sempre a projecção ou uma ilusão temporária de que nos compreendem e aceitam, que encontramos o sucedâneo do pai ou da mãe…e que nos amam como nas histórias de reis e princesas ou antes, de gatas borralheiras e príncipes que a breve trecho se transformam em sapos e monstros, no virar da página…
rlp
escrito em 2009

O AMOR CEGO


COM QUE AMOR AMAMOS

O amor que projectamos em alguém e alguém projecta em nós é um puro e doce engano que dura o que dura até percebermos que não amamos ninguém, muito simplesmente. Mas isso leva uma vida inteira a perceber...e a descobrir o que possa ser um amor verdadeiro.
O maior Mistério da vida é esse Amor que o ser humano procura e nunca encontra...
Mas pensemos, será mesmo que amamos, ou será como é que nos amamos? A nós...não nos aceitamos nem nos amamos e aos outros talvez por isso é sempre sofrendo...ou fazendo sofrer, pedindo, exigindo, criticando, caluniando, julgando o/a outro /a que não corresponde as nossas expectativas e carências, seja mãe seja pai ou irmão amante...às vezes gritamos manipulando outras violentando, ou matando - a violência conjugal...
ah! eu amo-te tanto e tu não me amas como eu te amo...
Ou será que há um outro Amor que não conhecemos, sim, esse Mito AMOR versus PSIQUE e que é cego ou aquele que se pode vislumbrar algures no firmamento e é isso que se pensa ser Deus...mas eu falo aqui só do que é humano, neste plano, nesta Terra...Aquele que conhecemos e que se debate entre o amor ideal das escrituras e dos romances e histórias e a realidade concreta...que é não haver amor nesta humanidade e a nenhum nível que não seja idealizado, expectado,.
Basta olhar ao redor e ver com olhos de ver...ele não existe, mas nós teimamos em reinventá-lo...em cantá-lo em sonhá-lo e depois caímos na dor e no "abandono"...
E assim entre a ilusão sonho de um amor incondicional que nos salve e resgate da dor da carência e da ausência - da separação da mãe - o que vivemos é sofrimento... quando se acha que se ama, o que quer que seja, cão que morre amante que nos abandona, amor que acaba (quando nunca existiu?) e a realidade é quase sempre a dor dessa impossibilidade, o amor de algo que queremos alcançar...e mesmo que o toquemos no outro sentimos que ele nunca colmata essa carência e nem sequer mata o desejo...
O Amor sempre foi a dor do impossível mas cuja ilusão adiamos para outro tempo, outro par, outro engano. Na verdade o que nos é permitido viver é apenas esse sofrimento misto de prazeres e dores, alegrias e tristezas, ilusões e desilusões, no fundo é isso que acontece ... e nunca a certeza ou o saciar; E isto nada tem a ver com sado-masoquismo quando buscamos sentires extremos para nos castigar.
Parece que ao fim de tantos anos descobri finalmente o que se passa de errado neste mundo...os seres humanos não sabem nem podem amar porque é algo que não faz parte da sua natureza humana. Nós NÃO SOMOS AINDA VERDADEIRAMENTE HUMANOS - POR ISSO FALHAMOS E FUGIMOS DO SOFRIMENTO.
Só sofrendo somos humildes e capazes (às vezes nem assim!) de perceber o próximo, mas com as malditas religiões perdemo-nos todos do único propósito desta Vida e desta Dimensão...e não andar para ai a imitar e a copiar e a cantar as glorias dos deuses e dos anjos como de outras dimensões onde não estamos... mais do que isso, porque AMAR é um dom que não pertence a esta espécie degenerada, imperfeita e impiedosa...mas como nos impingiram aquela de nos "amarmos uns aos outros" e outros tantos idealismos e ideologias...andamos neste engano há séculos!
E a haver um Amor Maior É a Natureza do próprio Amor Maior nunca se deixar converter ao pequeno mundo em que vivemos nem a nada daquilo que mais queremos...e essa é a razão pela qual há tanto sofrimento neste amor que projectamos. Porque sendo o Amor Maior o que mais todo/as nós queremos viver...não o poderemos viver enquanto o quisermos dominar e controlar, tê-lo à nossa mão ou aos nossos pés... que ele seja feito à nossa vontade, à nossa maneira e para o nosso beneficio ou ego...tantas vezes...vencer-dominar-possuir...
O homem faz sempre isso a Mulher e a mulher?
(...)
Esse amor que todas/os idealizamos e sonhamos é a coisa mais ambicionada e perseguida por toda a humanidade desde os tempos mais remotos ...mas como todos/as tão bem sabemos é em nome dele que se fazem e fizeram as coisas mais abomináveis cruéis e loucas e obscenas e criminosas. Sim em nome dele, e do Amor de deus...e por isso ele nunca deixará que ninguém o veja ou o toque a não ser no momento fulminante em que somos cegas por ele, quando morremos ou naquele momento de luz e dor...quando a seta que acerta em pleno no nosso coração e depois o dilacera - e piora quando a queres arrancar...etc. etc. etc.
É POR TUDO ISTO, que

"Quem ama
Fica cheio de não-saber
Não pára de procurar..."
*Ana Hatherly -


rosa Leonor pedro
republicando

sexta-feira, agosto 19, 2016

The Goddess in Art TV Series: Highlights

Psicologia Dialética: O SAGRADO FEMININO: A NOVA MODA

Psicologia Dialética: O SAGRADO FEMININO: A NOVA MODA: Adriana Tanese Nogueira Psicanalista Era uma vez as feministas, e antes delas as Doris Gray da vida no seu aventalzinho de cozin...


Excertos de O SAGRADO FEMININO: A NOVA MODA

(...)

"Sinceramente, tenho alergia à modas e clichê.

Para mim o sagrado feminino existe somente em quem assume o fardo do ser mulher e do ser mulher livre. Livre da opinião alheia, livre da benção do grupo, livre da chantagem econômica que maridos e pais impõem, livre da jugo afetivo que a família impõe, livre da necessidade de ser aprovada por um homem – livre de se vender e “prostituir” para agradar, fazer parte, ter dinheiro, status, aplauso.
...
Você não encontrará o “sagrado feminino” num workshop com fogueiras e cantos, danças e pinturas. O feminino sagrado é a Deusa em você, é Deus ao feminino em você que exige seu compromisso e sua lealdade. É começar a reconhecer como sagrada sua voz interior, começar a se ouvir, começar a deixar as tramóias de lado e ser honesta, transparente, impiedosamente transparente consigo mesma. O sagrado de seu feminino aparece quando você para de esconder sua femininidade que obviamente não se resume na sessão ao cabeleireiro e à acadêmia. A deusa em você está na sua exigência de ser mãe com dignidade mas também no parar de ser mãe que produz filhos concretos para produzir filhos espirituais, parir novos mundos para si e a humanidade. O sagrado feminino aparece quando você se recusa a fazer o jogo do sistema capitalista que escraviza mulheres e homens, mães, crianças, pais, natureza, animais, e que para se sustentar exige que cada um amordace sua sensibilidade, sua beleza interior sua delicadeza. Você dá voz ao feminino sagrado quando não vive em função do lucro, quando coloca as relações e o amor acima do lucro sem entretanto se prejudicar porque precisa viver e viver saudavelmente para poder amar mais e melhor.
O sagrado feminino é quando você consegue amar o outro a partir do amor que tem por si mesma, quando você se permite ser tocada lá no fundo pelo outro para assim de verdade compreendê-lo, sentindo de dentro e estando juntos de verdade. O sagrado feminino encara o desafio de como é que isso pode acontecer, sem receitas! Sem receitas, sem gurus. Você aprendendo a andar sobre suas próprias pernas.
A deusa agradece."
(...)
"Vivemos numa sociedade altamente machista não só de homens como de mulheres machista (as piores). O machismo das mulheres vêm às claras no olhar desaprovador que lançam contra outras mulheres que ousam o que elas não tem coragem de fazer, ou que dizem o que elas não tem coragem de dizer, ou que peitam o grupo (feminino, pasmem!) em nome de sua independência de pensamento e autonomia de comportamento. O machismo das mulheres está na competição desregrada e venenosa que travam contra outras mulheres." 
(...)
 "Cadê a deusa em você? Agora, nesse momento? Cadê ela? No workshop que irá fazer nesse fim de semana? Ah... certo. Quero ver onde está o sagrado feminino na sua relação, no seu trabalho, entre você e suas amigas, entre você e a causa social que atende, entre você e seu chefe e sobretudo entre você e os valores que de fato diariamente norteiam sua vida, suas escolhas, suas prioridades."
(...)
de Adriana Tanese Nogueira
Psicanalista

"mas onde está a sacerdotisa se ainda não está a mulher?"

É PRECISO DISTINGUIR O TRIGO DO JOIO

Há pelo menos 48 a 50 Grupos de mulheres "MULHERES CORRENDO COM OS LOBOS" no Facebook...Há centenas de páginas e de grupos do "feminino sagrado" e dezenas de mulheres a fazer Workshops sobre a Deusa...a fazer festivais e festas, danças  e rodas...
Há dois livros de referência máxima: este que cito, da Clarissa Pinkola Esteés e as Brumas de Avalon de Marion Zimler Bradley.

A grande maioria dessas leitoras e protagonistas desses grupos, como é óbvio, são muito jovens, entre a casa do 30 a 40, pouco mais ...ou mesmo mais novas. As mais velhas, diz-se "têm mais juízo",  não será o meu caso...até porque pertencem a uma geração que nada se relaciona com o Sagrado nem com Deusas...as mulheres da minha geração (anos 60/70) são conservadoras ou feministas de esquerda.

LI AS BRUMAS DE AVALON ENTRE  1984 a 1990 e chorei e senti a urgência de um resgate do verdadeiro feminino e mais tarde quando comecei a escrever e publiquei o meu primeiro livro de poemas sobre a Deusa em mim - muitas destas mulheres ainda não eram nascidas ou teriam no máximo 10 a 15  anos -  e vislumbrava a Magia do Sagrado Feminino, fui olhada de soslaio e desacreditada até pelas amigas que se riam de mim. ou ridicularizada pelas mais intelectuais. Com o Blog Mulheres & Deusas em 2001 comecei esta luta de trazer informação fidedigna para esse universo apelando a uma Nova Consciência do Ser Mulher. Não havia mulheres em Portugal interessadas ou sequer abertas para a temática e apenas alguns ecos e apoio que me vinham do Brasil. Sei que tal como estas escritoras havia mais mulheres escritoras e pioneiras da Busca da Deusa e de um novo feminismo e que escreveram livros magníficos.
Durante mais de 20 anos pouco ou nada aconteceu nesse domínio e de repente nesta ultima década, deu-se
 um inflacionamento do "feminino sagrado" que invadiu os mercados e todas as mulheres que leram esses livros e mais meia dúzia de livros sobre o tema, ou mesmo nenhum, sentem-se inspiradas e arranjam uma casinha de madeira perto de um lago, vestem uns vestidos coloridas e saias comprimidas e tornam-se sacerdotisas da Deusa... Outras julgam-se mestras e criam grupos de discípulas sem nenhum caminho andado, e ainda mais ignorantes do que elas seguem-nas mulheres dependentes e imaturas, submissas e deslumbradas, sem capacidade de discernimento nem pensamento próprio, sem nenhuma experiência de vida! 

Penso se isso foi bom ou mau...
 Por um lado é o tempo das mulheres se abrirem e se manifestarem no seu potencial de deusas e resgatarem o seu feminino ancestral, o seu lado instintivo, a sua intuição, mas por outro corremos o risco de inverter as situações; é verdade e eu devia ficar exultante, mas o drama é que poucas ou nenhuma dessas mulheres tem qualquer consciência psicológica do Ser Mulher em si ou  da mulher inteira, integrada  e vive dividida não só na sua pele como na pele das muitas deusas e apenas andam a volta dos "mistérios" do sangue e do útero ou decoram a ordem dos ciclos mas sem irem ao fundo do seu próprio psiquismo como mulheres, sem fazer qualquer trabalho profundo consigo mesmas, sem saber nada do Sistema que as aprisiona durante séculos nem como tudo aconteceu...
"mas onde está a sacerdotisa se ainda não está a mulher?" perguntava há pouco uma amiga...

E eu dizia-lhe, sim,  usa-se agora felizmente muito mais a intuição mas nega-se em contrapartida o saber adquirido...a aprendizagem deste mundo, tudo o que sofremos e tudo o que conquistamos...é desperdiçados e caímos no erro de voltar a uma certa instintividade. 

" Infelizmente agora usa-se mais a intuição! Até a intuição deve estar subordinada ao saber adquirido e ao bom-senso, basta fazer uma viagem ao passado e ver quantas vezes a intuição esteve equivocada e os resultados subsequentes. Sonhos, visões, intuições, vozes divinas e angelicais serviram de validação a grandes barbáries da História." ananda k. lila


Sim, eu podia pensar que tudo isto é válido só por si e sinal de grande avanço para as mulheres sabendo que todo o esforço é benéfico, mas sei, tal como a minha amiga diz, dos retrocessos e dos enganos, por isso não creio que, regar geral, todo este movimento das deusas seja um avanço adquirido, porque é preciso primeiro ser-se consciente de si e dos enganos e ardis que acompanham estas descobertas, assim como o oportunismo que leva tanta gente a aproveitar-se economicamente da ignorância e ânsia de saber das mulheres...
Não, não só os homens exploram as mulheres; também as mulheres se servem das outras para se afirmarem como detentoras de algum poder. E ninguém pode ter poder sobre ninguém entre as mulheres. Nenhuma mulher se pode arvorar em guia, sábia ou à frente de outra...somos todas irmãs, apenas umas mais conscientes que outras, de certo através das idades, mas isso só nos pode valer em perfeita irmandade e respeito pelas diferenças...
Por isso é preciso distinguir o trigo do joio - é preciso ler e estudar e saber de si, interiorizar e fazer introspecção, é preciso ir às fontes se possível do Conhecimento ancestral... não basta decorar ou papaguear as coisas ou ir viver no campo com as galinhas e fazer um altar à deusa. Não, para isso é preciso antes de tudo ser-se MULHER .
rlp

Nesta altura e neste tempo há de tudo, mas muita loucura, exibicionismo e oportunismo e muita alienação de si como mulheres mas também  há muitas mulheres lúcidas que vão discernindo e que fazem a diferença ...como por exemplo a autora deste excerto:

"Rodas de sagrado feminino estão acontecendo em cada esquina e há muitos grupos na busca de se conectar e honrar o feminino, a linhagem feminina ancestral, reconhecer as mulheres que a precederam fazendo as pazes e abrindo caminhos para que cada uma possa simplesmente ser.
Entretanto há ao mesmo tempo muitas distorções perigosas que em vez de gerar bem estar e liberdade, podem aprisionar e dar continuidade à certos tipos de opressões de recaem de mulheres sobre mulheres. É preciso antes de tudo saber o que se pretende e o que se imagina que seja o Sagrado Feminino. Ou apenas criamos mais um grupo de fantasiosas místicas que se acham  especiais por serem mulheres, mais especiais do que os homens, e ainda pior, podemos criar regras, dogmas onde algumas mulheres se identificam, se encaixam e outras não. Ou seja, algumas são sagradas e outras…nem tanto. Mas mesmo assim em algum momento todas irão fazer reverências às suas ancestrais, mesmo que elas tenham em suas histórias características que não as façam assim tão “sagradas”. E mesmo que uma mulher desta roda não tenha verdadeira honra por suas ancestrais devido à traumas e mágoas de verdadeiro sofrimento nas mãos delas, farão o gesto de reverência, pois caso não perdoem ou honrem suas ancestrais estão fugindo ao sagrado feminino, não são dóceis e amáveis de flores no cabelo como se espera do arquétipo feminino, diga-se de passagem – distorcido.
Ritualizar abre portas para o lúdico, para a criatividade e principalmente para a intenção de encontro com que é sagrado, com o que é divino. O ritual pode ser o fio condutor de uma experiência pra dentro que pode revelar tesouros. Mas um ritual também pode ser destrutivo quando mulheres buscam sua identidade pela comparação com as outras e não aprendem na viagem interior a encontrar a identidade própria, os valores próprios e a partir daí se mover pelo coração. Elas podem se comparar sobre a forma de como é a intuição, umas tem visões, outras, sensibilidade aguçada e as percepções do rito podem causar um sentimento de não pertencimento. Mas para além disso, elas podem ficar presas nestas formas, deslumbradas e envaidecidas com os próprios insights e não se darem conta do que realmente interessa , que é justamente como esta experiência afeta sua atuação no mundo." *
Excerto de texto de Espaço Matri Gaia    

* de Adriana Tanese Nogueira