domingo, junho 24, 2018

QUE SEXUALIDADE SE VIVE HOJE EM DIA?




E O QUE SIGNIFICA ESTA ABERRAÇÃO  DE QUERER ACABAR COM OS GÉNEROS:

Há tempos ouvi uma jovem escritora a falar do seu recente livro que escreveu sobre um casal homossexual dizendo que quis mostrar que  um casal homossexual passava pelas mesmas vicissitudes de um casal heterossexual...como se isso acrescentasse alguma coisa à consciência do ser humano (homo-sexualis?) e não passasse de mais uma história superficial sobre os aspectos exteriores da vida de um casal (par hétero ou homo) no enredo típico do casamento em que apenas se equacionam questões de ordem social-económica e emocional ou sexual  em primeiro plano, como se a vida fosse apenas esse enredo doméstico e sem qualquer aprofundamento da questão ou questionamento sobre o ser em si ou da alma. Justamente porque a alma nem sequer entra para o caso...

Nas suas palavras ela falava do homem, como homem e dizia que no livro, "Não só mostrava que tinha uma certa maturidade, mas era a questão de ser um homem. Portanto, eu teria uma escrita masculina. Ou, então, abordei uma temática de forma masculina. Ou tinha um nível de qualidade só atingido por um homem. Não sei, não faço ideia. Mas acho que foi uma pequena traição que cometi em relação às mulheres nesse dia, porque fiquei feliz."  felipa martins

Pois aí está o absurdo e uma enorme contradição na mulher... sendo obviamente a grande maioria homens que querem ser mulheres...o inverso também é verdade, há mulheres que gostavam de ser homens; e por isso até se dispõem, para mudar de sexo, a fazer operações, porque não se sentem no corpo certo? Mas haverá alguém que se sinta totalmente bem e no corpo certo?  
Esta questão da mudança de sexo é só mais uma sofisticada e perigosa manobra de não se querer conhecer a si mesmo para além do corpo-sexo e recusar ou ignorar uma identidade anima e espiritual. Trata-se também de uma enorme confusão psicológica por falta de um conhecimento ontológico e da pessoa humana. 
Par mim é o facto de o feminino estar a manifestar-se como força emergente e dentro de cada pessoa, inclusive nos homens, que leva muitos homens a sentirem-se mal no corpo de homem mas isso não tem que os transformar em mulheres, nem de aparência nem de sexo. A feminilização do mundo, uma maior receptividade, compaixão e amor, não quer dizer que os géneros acabem, mas trata-se apenas de dar maior ênfase aos valores do feminino, há séculos em queda, para restabelecer o equilíbrio e a harmonia dos dois Principios. E é precisamente a falta desse feminino ontológico no homem e na mulher, essa falta de dimensão espiritual, que causa uma das grandes anomalias do nosso tempo: A mudança de sexos feita de forma aberrante através de meios técnicos e intervenção cirúrgica e quimicos...que não é mais do que uma forma quase criminosa de escamotear ou ignorar questões de primeira ordem, como seja uma verdadeira  consciência do Ser Humano em essência, nem macho nem fêmea, e a crescente e galopante desumanização e perda de valores das pessoas manipuladas pelos média em função do dinheiro e do consumo.

Escrever sobre a homossexualidade, como variante do conflito dos sexos, que visa a definição de um aspecto diria secundário do ser, a sua sexualidade, é um falso problema, dentro de uma perspectiva ontológica e universal, não meramente cultural e social, vendo o Ser Humano na sua totalidade integrada: corpo-alma e espírito - e não apenas nas suas partes constituintes, em separado, como funções biológicas e orgânicas e reprodutoras - pois não faz mais do que acentuar esta dicotomia do ser em si, invertendo os princípios (anima-animus) sem resolver a questão essencial dos dois lados em cada um dos sexos: macho-fêmea em si foi o Ser Humano criado.

Precisamos perceber antes de mais “que a masculinidade e a feminilidade são sempre relativos nos planos internos, e tal como o vigor físico dos indivíduos que formam um par oscila num sentido ou noutro, o mesmo se pode dar com a sexualidade; assim, um homem pode ser puramente masculino em suas relações com uma mulher e puramente feminino, ou negativo, em suas relações com outra. A forma determina o sexo do indivíduo no mundo físico, porém a força relativa é a que determina nos planos internos; e este facto serve de chave para muita coisa”.

Assim a resposta humana só do ponto de vista social e física (baseado na forma e na aparência) à questão sexual é a negação da androginia psíquica e estrutural de todos os seres humanos ao nível ontológico e não ao nível morfológico e psicológico que é condicionado pela educação e a moral...
O amor entre os seres humanos não é meramente do foro da sexualidade, mas também da química e diria até de uma energia quântica que eleva a consciência do ser muito para além do prazer tout court ou da procriação. O Amor Humano pode ser iniciação, iluminação e acesso a outra dimensão do ser, não material, não física, quando experiência vivida e não idealizada ou intelectualizada.

É mais fácil criar sub mundos e guetos do que olhar as questões de Principios e de fundo que se prendem com a perda do feminino ontologico e do sagrado no mundo e que se reverteu na masculinização da mulher e feminização do homem e como as relações humanas e sexuais se tornaram apenas ou de comercio/consumo e meramente genitais e sem sentimentos...
O Ser Humano, homem e mulher, é chamado neste milénio a viver como um todo indivisível e não como um fragmento de um outro imaginado, não importa que “sexo” represente...

Quando a Mulher for encarada como uma totalidade em si, - não mais dividida em duas espécies de mulher (a santa e a puta) - o Homem também A reconhecerá dentro de si e a sexualidade por si só deixará de ser apanágio de uma cultura decadente e promiscua que reinou no obscurantismo e na confusão do “pecado” durante séculos, expressando uma genitalidade apenas para se afirmar depois em meio século, numa degeneração e libertinagem que nada tem a ver com a sacralidade do mesmo.

Sexo pode e deve ser iniciação ao Amor, não prática desregrada e deslocada do sentido da alma e do coração. Não se ensina a sexualidade às crianças, mas respeita-se a Mulher e a Mãe. Depois a Natureza do Amor encarrega-se do resto. Para isso a sociedade tem de ser equilibrada e harmoniosa o que só se consegue quando Homem e Mulher coabitarem em paz e em harmonia viverem esses aspectos, dentro de si mesmos. Para isso tem que abrir-se ao Amor universal cuja Sede se encontra no centro do seu coração. Ouvir o coração é o que nos resta. Só ele nos poderá orientar no caos deste fim de mundo em ebulição...em que a destruição do ser humano enquanto homem e mulher estão a ser destruídos e a origem da espécie posta em causa na assumpção de géneros e transgeneros...na criação de seres hibritos mais perto de monstros do que de seres humanos em harmonia...Quando a biologia é afectada e transformada deste modo pelos químicos de laboratório e pela "ciência" médica algo está em plena decadência e o perigo é total para a Humanidade.


rosaleonorpedro

O PATRIARCADO É UMA CULTURA



O PODER PATRIO - o poder do homem sobre a mulher
"Patriarcado é uma cultura, um sistema, uma civilização, um sistema econômico, um sistema político, um sistema legal, um sistema religioso, um sistema científico, e assim por diante.
Mas acima de tudo, o patriarcado é um PODER.
Um poder que se manifesta em todos os lugares, instituições, pessoas, hábitos, culturas, religiões, ideologias, mesmo entre mulheres.
Isto porque o patriarcado socializa com os papéis e as hierarquias de gênero que existem entre homens e mulheres.
O patriarcado existe há tanto tempo pois promove a sociabilidade entre homens, que se tratam como irmãos (fraternidade), atribuindo-lhes poder.
Enquanto isso, obriga as mulheres a reproduzirem e sustentar materialmente os homens, socializadas entre si como inimigas, servindo aos interesses do desejo masculino."

Elida Aponte Sánchez

sexta-feira, junho 22, 2018

PORQUE A BELEZA É PUNGENTE



ALÉM DA BELEZA...


"Há em tudo um sentido para além da beleza: e que sinto ainda não consegui desvendar por fraqueza minha, falta de concentração. Parece que o mistério está ali, indefeso, prestes a rebentar, a dar-se, e que a culpa de sua negação é só minha.
Talvez que a beleza seja assim, transcendente. Contendo em si um sentido que não lhe pertence. Mistério que sinto para além do meu poder e que faz a dor da sua contemplação. A inatingível. Dura impossessão.
Talvez que ela seja aqui o único porto de abrigo. Mas aberto somente através do sofrimento. Porque a beleza é pungente.
E é esta a única marca da sua verdade."*

«Dentro do nosso corpo material ... existe um corpo espiritual que se ergue e conhece dentro de nós, quando sonhamos ou quando, na vigília, atingimos um momento de suprema contemplação ou iluminação... "

«Será neste futuro alargamento de nosso mundo conhecido e vivido, que devemos depositar toda a esperança para uma vera sabedoria e liberdade."**


*DALILA PEREIRA DA COSTA,
 in "A Cidade e o Rio"
**Dalila pereira da costa
Portugal Renascido

quinta-feira, junho 21, 2018

O paradigma da conquista e consumo...




QUANDO SE ESCREVE OU FALA SOBRE MULHERES…

"Vigora a ignorância mais crassa que, aliás, se exprime abertamente todos os dias. Pode dizer-se e escrever-se sobre as mulheres as asneiras mais infames, sem que isso provoque a menor indignação. A gaiola de vidro funciona muito bem. O sexismo provoca muitos danos e isto não é sabido. Não é denunciado, não é descrito, não é deplorado, não são analisados os efeitos que influenciam os nossos comportamentos, sem nos darmos conta. Como se não existisse.
- Isso é estranho, nestes tempos de comunicação em todos os sentidos.
- Não é nenhum fenómeno novo. A isso chama-se censura.”*

(…)

"As mulheres, sem se aperceberem, são o mais fiel retrato da sociedade de conquista e consumo criada pelo homem. Sociedade esta que por endosmose, opera no campo energético sensível da mulher.
O paradigma da conquista e consumo passou a permear o quotidiano uma vez que foi incorporado na identidade psicológica individual de maneiras que estão longe de ser evidentes. O verbo "conquistar" é na sua natureza diametralmente oposto à espiritualidade feminina que está intrinsecamente ligada à diversidade da vida como reflexo da biodiversidade da Mãe Terra, ao espaço para respirar, à liberdade de espiritualidade. A raiz da palavra espiritualidade é "spiritus" a palavra latina para respirar, a essência de Vida de que a Mulher é o Cálice.

A aderência aos grupos New-Age do Sagrado Feminino parecem ser um esforço desesperado de mulheres que tentam encontrar a sua identidade numa civilização que se afirmou como cultura dominante. A dinâmica de sobre-poder da actual civilização é um produto da conquista e subjugação que cresceu no feudalismo europeu, no patriarcado, na ditadura teocrática, na possibilidade de exercer o poder sobre outros seres. O que aprendemos sobre o conceito de civilização é a soma de histórias de conquista escrita pelos conquistadores. A espinha dorsal do materialismo e da psicologia materialista é o elemento da conquista que permite aceitar outras pessoas como objectos que podem ser manipulados para ganho egoístico. Esta conquista, passou a incluir para algumas mulheres as outras mulheres, as suas ideias e os frutos das suas ideias.

E não ficou por aqui...
O elemento de conquista que caracteriza o materialismo da sociedade ocidental tornou-se num fundamento que passou a contaminar as inclinações espirituais, perdendo-se a possibilidade de relacionamento com pessoas e objectos que não seja o de um sistema dissimulado de conquista aplicado ao que se entende como espiritual. O sentido da Vida e de realização pessoal manifesta-se no "Eu" e no "Meu" em termos de poder, querer e ter mais coisas. Isto significa a possibilidade de apropriar-se da espiritualidade de outras culturas, depois de desperdiçado e profanado fatalmente o património matriarcal primevo numa atitude materialista de conquista e posse.
Nesta busca por uma nova identidade cultural revivem-se antigos cultos ou opta-se pelo facilitismo da apropriação da sabedoria de antigos mestres, adopta-se a espiritualidade de outras culturas. A busca espiritual transformou-se em conquista, saque, estupro de outros legados culturais e espirituais.

Temas relacionados com a Nova Era do Sagrado Feminino passaram a ser objectos de consumo, enfatizando simultaneamente que a integralidade de se ser Mulher pode ser adquirida num produto vendido em forma de livro, encontro, formação ou workshop.

E assim, são oferecidas às mulheres técnicas atraentes que as levam a enveredar pelo trilho da ilusão de um estado superior da conciência de si , saltando de uma prisão para outra, descobrindo que, após o fascínio desgastado num curto período de tempo, continuam profundamente insatisfeitas, sentem que algo está errado mas estão tão absorvidas em escapar à dor que não suportam a ideia de centrar-se o tempo necessário para aprender a verdadeira natureza da doença . A Pedra de Toque não está à venda nem pode ser adquirida por processos de troca materialista em cursos de xamanismo, yoga, tantra, anjos, astrologia, danças, cânticos, tendas vermelhas, oráculos. É possivel apenas adoptar temporariamente uma maquilhagem e ser a caricatura desajeitada de uma personalidade sacerdotal de outra cultura para, no final, retornar ao ponto de partida, a um estado de insatisfação omnipresente.
Frustrado o intento, voltam à mesma rede de comércio, um sub-produto da cultura do materialismo para atender à angústia pessoal, perpetuando um círculo de enganadoras e enganadas.

O estado superior de consciência da Mulher Integral é uma etapa posterior à consciência do estado actual, que examinou a natureza dos sentimentos, a causa dos sentimentos, a cultura e a estrutura social que os produziu. A Mulher Integral venceu a necessidade de afirmação como desenvolvimento de poder pessoal para passar a abordar a cura da sociedade feminina como um esforço colectivo."

ANANDA KRHISNA LILA

*Citação de "todos os homens são iguais ...mesmo as mulheres"
de isabelle alonso

Todo o sonho de amor da mulher...



UMA REALIDADE INCONTORNÁVEL:



A POSSE ATRAVÉS DO CASAMENTO…
(Todos os dias um homem mata a "sua"mulher…)


“Nuestro cuerpo de mujer está colonizado y responde a la ideología del colonizador. La liberación sexual de los años sesenta no fue en realidad para la mujer sino en el sentido masculino del término y en relación a los intereses de os hombres”. Leonor Taboada

  “Na medida em que o Pátrio Poder se desenvolve e a lei do mais forte se instala, o uso da agressão se impõe nas relações humanas gerando competitividade, poder, conquista, luta pela posse de um território, guerras. Surge a questão da herança, institui-se o casamento. E a posse sobre a mulher, sua sexualidade, prazer e direito à própria vida se concretiza. Ao dominar a função biológica reprodutora o homem passa a controlar a sexualidade feminina. O poder cultural passa a desenvolver-se em oposição ao poder biológico nato na mulher. A vulnerabilidade permeia a função de parir, a mulher se inferioriza, torna-se dependente e o homem trabalha e domina a natureza.” 

”Um casamento deve ser considerado válido somente se a mulher for virgem; se a mulher não for virgem para o casamento deverá ser condenada à morte e executada por apedrejamento” (Deuteronómio 22:13-21)

Todo o sonho de amor da mulher se reflecte deste modo e para isso ela foi programada, na posse e entrega ao dono...ao homem, o senhor das leis e do seu corpo, o senhor dos seus filhos, o dono do Nome, da propriedade privada, a esposa, e através da exclusividade do seu corpo, o casamento mantem a mulher presa e condenada a uma vida exclusiva de serviço ao homem e a família, prisioneira uma vida inteira de sujeição psicológica e emocional e quase sempre sofrendo de maltrados provenientes de uma moral católica e do poder pater que a subjuga e mantem presa ao Sistema que a impede de ter vida própria. Esta padrão subsiste embora a mulher hoje em dia trabalhe e até tenha profissões o facto é que a nível inconsciente e colectivo a ideia pater de domínio permanece das formas mais subtis ou subliminar, nos filmes e na cultura…
É verdade que as feministas não viram que o trabalho remunerado e igual não traria a mulher a verdadeira liberdade porque não só ela continuaria sujeita ao marido e aos filhos como a sua prisão seria dupla...Porque a mulher é um ser colonizado e esses espírito está totalmente enraizado na sociedade patriarcal ainda nos dias de hoje. Isto poderá parecer muito exagerado a algumas das minhas leitoras habituais...mas se olharem para os casais amigos e como os maridos tratam as "suas" mulheres sobretudo as gerações mais velhas, (porque as mais novas se divorciam logo) verá que o que eu digo está perfeitamente patente em pequenos detalhes e nadas...
Isto pode  parecer de facto inverosímil aos olhos das feministas que pensaram ter adquirido liberdade e terem-se emancipado dos homens, mas isso não é verdade porque o Mito amoroso e o romance, o Príncipe encantado ou Os Tons cinzas de Grey, dominam o seu imaginário e assim se olharmos para o que está a acontecer no mundo inteiro neste momento vemos como o quadro e o padrão psicológico pouco se alterou na sujeição ao homem e como este está a reagir a liberdade da mulher da forma mais infame, pelo abuso sexual, atacando-a, violando-a e matando-a...
O Feminicídio não é pois uma palavra vazia...há perseguição as mulheres em todo o mundo… e a razão fundamental, além dos fundamentalistas islâmico que invadem a Europa, a grande parte dessa violência crescente é que o homem em geral sente-se a perder o controlo sobre o corpo e o sexo da mulher…

HÁ MUITAS VERDADES DISSIMULADAS...

“Os homens querem amor, mas o círculo vicioso da sua” superioridade”, leva-os a produzir mães incapazes de darem verdadeiro amor aos seus filhos. Isto já é mau que baste .
Mas como as mulheres têm de disfarçar a sua inimizade em relação ao sexo masculino perante si próprias e diante do resto do mundo, justamente por serem tão adaptadas, tais filhos encontram-se numa situação contraditória: as suas mães fingem aceitar os seus filhos, mas na realidade, recusam-nos.”

In, “ A Traição do Eu”
Arno Gruen

LITHA

LITHA

"Há uma infinidade de lendas e ritos que envolvem a noite do Solstício de Verão: Um dos costumes mais populares na Europa e Norte da África é a colheita de ervas medicinais e mágicas nesse dia. Acredita-se que a plenitude da força do deus está impregnada nessas ervas e contém todo o poder sanador e mágico para a cura de doenças. O visco e o basílico, como outras muitas ervas, são colhidos ritualisticamente e usados para preservar a energia nos tempos frios em encantamentos e sortilégios.

Banhos purificadores e curas milagrosas são realizados nas noites mágicas em fontes, rios e cachoeiras. Acredita-se também que tudo aquilo que for sonhado, desejado ou pedido na noite de Litha se tornará realidade.

Os antigos Povos da Europa acreditam que, nessa noite, criaturas mágicas andam correndo pelos campos e florestas e poderiam facilmente ser vistos e contatados.

É costume dar continuidade a grande fogueira de Beltane, como também pula-la para se livrar dos infortúnios e da negatividade. Tradicionalmente essa fogueira é acesa com gravetos de abeto e carvalho, duas árvores consideradas mágicas pelos neopagães." - wikipedia


LITHA E A ÁGUA

Litha é o festival em que celebramos a Mãe da Água a Rainha de todas as Emoções.
A água é o Sangue da Mãe Terra. Brota das fontes, das nascentes, dos poços, dos rios, dos mares, dos lagos e da chuva e é o princípio do feminino no planeta Terra.
Nos textos Védicos é dito que existem sete tipos de águas: nascentes, corredeiras, rios, lagoas, lagos, aquíferos e o mar. Os lagos e lagoas representam o ventre, os rios e as cachoeiras a fertilidade e virilidade das águas e os oceanos representam o líquido amniótico.
Os mares e oceanos são conhecidos em muitas tradições como a mãe das águas.
Sendo que o elemento água é o sangue do nosso planeta, os rios são as veias da Terra e por natureza, as mulheres cuidam e abençoam a água. O princípio feminino é nutrir, manter seguro. As mulheres têm a responsabilidade de agir como guardiãs das águas. Toda a água que flui traz a marca da nutrição, da mãe, da cuidadora.


Tal como a Mãe Terra, também as mulheres têm no seu sangue o fluir das águas:
 As marés: maré cheia na ovulação, maré vazia na menstruação.
 As águas da gestação
 As águas da sexualidade - a lubrificação e a ejaculação feminina
 As águas da digestão – a saliva
 As águas da purificação - lágrimas e suor

A vulva da Mulher é associada ao peixe, viajante das águas, pela sua forma oval e pelo seu cheiro a maresia. A mitologia da sereia e o símbolo da vesica piscis têm origem nesta mesma semelhança.
O útero da mulher é associado ao berço das águas - da destruição na menstruação e da criação na ovulação e gestação.
Em muitas religiões, a água simboliza purificação e a cura. Na religião católica, a "água benta" e o baptismo, onde a água representa o elemento principal de limpeza espiritual, é jorrada sobre a cabeça do recém-nascido para lavar os “pecados”.
No hinduísmo, a água serve para a limpeza e purificação das imagens rituais do divino e dos fiéis. Esse ritual acontece no dia do ano novo simbolizando a regeneração.
No Taoismo a água é um elemento associado ao feminino, Yin, e simboliza a sabedoria, as virtudes.
Na Alquimia, a água é o segundo dos quatro elementos, depois da terra, e tem a função sentimento. A operação alquímica, Solutio, fala-nos da sabedoria da água que não luta contra as dificuldades, apenas acompanha o terreno e se adequa às circunstâncias. A água com seu movimento fluido contorna os obstáculos sem se deter perante eles. A sua persistência e a sua maleabilidade são sua força.
A água simboliza a origem da vida, a fecundidade, a fertilidade, a transformação, a purificação, a força, a limpeza.

Irene Crespo

segunda-feira, junho 18, 2018

FALTA DE DIMENSÃO ESPIRITUAL



O Marxismo carece de Metafísica e de Psicologia - e o Feminismo também, por isso falharam…

"A civilização é definida pelo direito e pela arte. As leis governam o nosso comportamento exterior, ao passo que a arte exprime nossa alma. Às vezes, a arte glorifica o direito, como no Egito; às vezes, desafia a lei, como no Romantismo.

O problema com abordagens marxistas que hoje permeiam o mundo acadêmico (via pós-estruturalismo e Escola de Frankfurt) é que o marxismo nada enxerga além da sociedade. O marxismo carece de metafísica – isto é, de uma investigação da relação do homem com o universo, inclusive a natureza. O marxismo também carece de psicologia: crê que os seres humanos são motivados apenas por necessidades e desejos materiais. O marxismo não consegue dar conta das infinitas refrações da consciência, das aspirações e das conquistas humanas.

Por não perceber a dimensão espiritual da vida, ele reduz reflexivamente a arte à ideologia, como se o objeto artístico não tivesse outro propósito ou significado além do econômico ou do político."

Camile Paglia

sábado, junho 16, 2018

AS ALMAS NÃO TEM SEXO

"A rosa foi comparada à alma do homem por causa do seu desabrochar gradativo, do seu doce perfume e da sua exuberante coloração e manifestação de maturidade." - Harvey Spencer Lewis

"Enquanto que existimos no nosso corpo terreno, estamos sujeitos à lei da Natureza que é dualidade; e esta dualidade cria a afinidade entre os complementos separados.
Esta dualidade, que é a base e o mal inicial da Natureza, é também a base da nossa experiência terrestre cuja finalidade é ultrapassar esta mesma Natureza na procura do retorno à Unidade.
Ela é a base da nossa cultura de consciência, uma vez que lhe damos a possibilidade da escolha entre as qualidades opostas, entre o que é real ou relativo, bom ou mau para a nossa consciência actual.
A dualidade sendo a causa da sexualidade -- portanto, a afinidade entre os complementos -- é a causa do desejo que o ser humano chama amor.
O erro está em confundir amor, desejo e necessidade."*


AS ALMAS NÃO TEM SEXO, MAS A ANIMA É MULHER...

Precisamos perceber “que a masculinidade e a feminilidade são sempre relativos nos planos internos, e tal como o vigor físico dos indivíduos que formam um par oscila num sentido ou noutro, o mesmo se pode dar com a sexualidade; assim, um homem pode ser puramente masculino em suas relações com uma mulher e puramente feminino, ou negativo, em suas relações com outra. A forma determina o sexo do indivíduo no mundo físico, porém a força relativa é a que determina nos planos internos; e este facto serve de chave para muita coisa”.**

Independentemente desta visão esotérica acerca da ambivalência sexual do ser humano, só a um nível da estrutura do par, eu não entendo como é que eles os homens poetas e sábios, não compreenderam ou ainda não enxergaram, que o facto da mulher se manter ignorada e ignorante do seu papel na sua dimensão ontológica, na manifestação dos princípios, feminino e masculino, não pode expressar nem dar corpo à sua parte integrante se os homens continuam a omití-la como o faz o poeta sobre a rosa e portanto sem dar significado espiritual a mulher nem humano, sem respeitá-la e continuando a depreciá-la como o fizeram os doutores da igreja, os filósofos e até os poetas que não elegem a Deusa e a Musa como fonte de inspiração. E que não há verdadeira Mística sem a Mulher e a Rainha tal como é dito e apresentado na obra alquímica, como não há espiritualidade sem a mulher integrada!
Ela a Rosa ...
Eu pergunto-me como é que tantos autores de renome e de valor subestimaram ou nem se lembraram que a mulher ao ser minimizada e a sua natureza dividida mantendo-se cativa dos preconceitos religiosos seculares que se reflectem nos nossos dias em sentimentos bastante vastos e empedernidos de misoginia, do qual nem sei se Fernando Pessoa também não padecia…mas era fruto do seu tempo, (depois ele mudou).
Quase todos os escritores, historiadores, antropólogos, psicanalistas e cientistas em geral padeceram deste mal ao ponto dos antropólogos julgarem que as deusas de Willendorf, encontradas nas suas escavações e outras estatuetas de deusas, encontradas ás centenas, representantes do princípio feminino e maternal, símbolos de fecundação e do sagrado tal como era vivido e encarada a Deusa Mãe na antiguidade, serem para eles meros objectos eróticos à imagem do que hoje se fará com as mulheres na pornografia e na publicidade. Aí se percebe a mente tacanha do Homem em relação à mulher e se não fossem as antropólogas feministas dos meados do século XX tudo continuaria na mesma! Também algumas psicanalistas abordaram a questão, como Marie-Louize Von Fraz np seu livro Alquimia que diz:

"A experiencia da anima para o homem e do animus para a mulher está de facto, inteiramente fora de uma experiência real com um parceiro humano. A extensão em que o parceiro humano desempenha um papel – apenas como uma imagem longínqua ou como uma conexão genuína – varia de caso para caso, mas essa experiência é a suprema experiência, que culmina na experiência de Si – mesmo. (…)
A Igreja não encorajou esse género de literatura mística e religiosa, que, portanto, afectou profundamente a literatura semi-religiosa dos romances medievais, sobretudo a poesia do ciclo do Santo Graal e as suas lendas.”

- Precisamente por causa desta sua atitude a igreja provocou o afastamento da mulher, que por isso mesmo, com o passar do tempo, deixou de ser a musa inspiradora dos poetas e a Dama para os cavaleiros. Não só a mulher foi privada da sua essência como também toda a humanidade se perdeu da sua matriz. Nessa medida temos o homem isolado, rejeitando o seu próprio feminino.
E eu pergunto estupefacta, como é que ainda hoje os homens não vêem que essa separação da mulher e a sua cisão em duas no ocidente (sexualidade por um lado e maternidade por outro) priva a mulher da sua totalidade e idoneidade como pessoa e que ao privá-la da sua sexualidade sagrada e capacidade mediúnica, a mulher tornou-se um ser amorfo e subalterno, obediente ao homem sem discernimento próprio e sem capacidade sequer para ser mãe nem amante.

(republicando)
rosa leonor pedro
* in "L'OUVERTURE DU CHEMIN" DE ISHA SCHWALLER DE LUBICZ
* Dion Fortune

O MEDO DO HOMEM



O HOMEM TEM MEDO DA MULHER ABSOLUTA

J. K
.: Eu sinto-me portadora de uma Tradição de Amor independente de todas a forma particular e religiosa. Em cada mulher existe essa dimensão de Dama com Unicórnio, de Maria Madalena, de Rainha do Sabá. Mulheres de todas as origens, de todas as classes sociais, de todas as idades, reconheceram-se na personagem de Maria Madalena. Quando eu escrevi este livro, recebi principalmente cartas de mulheres. O amor é o último sonho transportado pela mulher.


R.B: - O homem está assustado com a ideia de encontrar a mulher autêntica. Ele receia ficar submerso sob a sua própria natureza e de perder um poder ilusório sobre ele mesmo, ao qual ele se agarra desesperadamente.

J. K.: Acredito que sim. Certos homens criticaram-me pelo facto de eu falar do corpo, da carne, numa colecção consagrada à espiritualidade! Eu interroguei-me antes de compreender que Maria Madalena representava a mulher de conhecimento, de liberdade, que assusta tanto o homem pela sua autenticidade. Existe o medo da mulher absoluta. O homem fica completamente assustado com essa sede de absoluto, de infinito, com a incondicionalidade da mulher.
(…)
in ERÓTICA & EROTISMO Jaqueline Kelen
(entrevista de Rémi Boyer)

sexta-feira, junho 15, 2018

vá lá...



VÁ LÁ FAÇA UM ESFORÇO, E IMAGINE…

..."Tente imaginar um mundo onde, por cinco mil anos, todos os homens foram subjugados, violentados, assassinados, podados, controlados. Tente imaginar um mundo onde, por cinco mil anos, só mulheres foram cientistas, físicas, chefes de polícia, matemáticas, astronautas, médicas, advogadas, atrizes, generais. Tente imaginar um mundo onde, por cinco mil anos, nenhum representante do seu gênero esteve em destaque, na televisão, no teatro, no cinema, nas artes. Na escola, você aprende sobre a história feita pelas mulheres, a ciência feita pelas mulheres, o mundo feito pelas mulheres." - claudia regina