segunda-feira, janeiro 15, 2018

AS IDEIAS MA(R)XISTAS...e feministas...

VERDADES QUE NÃO SÃO TOMADAS EM CONTA...

O marxismo carece de metafísica e de psicologia - e o feminismo também...

"A civilização é definida pelo direito e pela arte. As leis governam o nosso comportamento exterior, ao passo que a arte exprime nossa alma. Às vezes, a arte glorifica o direito, como no Egito; às vezes, desafia a lei, como no Romantismo.
O problema com abordagens marxistas que hoje permeiam o mundo acadêmico (via pós-estruturalismo e Escola de Frankfurt) é que o marxismo nada enxerga além da sociedade. O marxismo carece de metafísica – isto é, de uma investigação da relação do homem com o universo, inclusive a natureza. O marxismo também carece de psicologia: crê que os seres humanos são motivados apenas por necessidades e desejos materiais. O marxismo não consegue dar conta das infinitas refrações da consciência, das aspirações e das conquistas humanas.
Por não perceber a dimensão espiritual da vida, ele reduz reflexivamente a arte à ideologia, como se o objeto artístico não tivesse outro propósito ou significado além do econômico ou do político."


Camile Paglia

“a liberdade de importunar”?




"Catherine Deneuve é um ícone de beleza do século XX, lugar comum que não serei eu a contestar. Seja como princesinha (en)cantada, mulher de dupla vida ou musa fria, enigmática, fogo que arde sem se ver — dependendo do homem que a filmou/fotografou, e foram tantos e tão diferentes —, ela cristalizará como poucas esse objecto de desejo tão conveniente, tão aparentemente subversivo mas afinal conservador, tão útil na manutenção do status quo, que é a senhora-na-sala-puta-na-cama. Aquela mulher toda-imagem mas que se adivinha carnal, sem demasiada autonomia nem demasiada revelação, a que faz sonhar, excita, conforta, perpetua esse desejo. A que de certa forma existe em função do homem heterossexual, da imagem que ele tem de si enquanto conquistador. Ou seja, a que vive para ser eternamente desejada.

Talvez pouco disto corresponda ao que Deneuve é fora das câmaras, nem seria humano, nem é isso que está em causa. Falo de como as suas imagens públicas formam uma ideia de mulher, apurada pelo que escolheu mostrar e dizer, ou não mostrar e não dizer. Uma construção com décadas em que se enquadrou e foi deixando enquadrar.
E, de certa forma, o actual manifesto — que Deneuve não redigiu mas de que aceitou ser a cabeça-de-cartaz — é uma espécie de corolário de tudo isto. Deneuve é a prisioneira de uma moldura. Para sempre bela, e, até hoje, prisioneira. O que ela faz no manifesto é, ainda por uma vez, mais uma vez, servir o clichê da sedução masculina. Apaziguá-lo, dar-lhe alento neste tempo em que tudo o acossa. Dizer, com todo o seu lastro de musa-objecto: queridos homens, nós, que não vos odiamos, que gostamos de sexo, estamos convosco, pela liberdade."

Alexandra Lucas Coelho


Com o título "Defendemos a Liberdade de Importunar" 

Indispensável à Liberdade Sexual, a carta aberta agora criticada foi assinada por cerca de 100 mulheres, entre escritoras, artistas e académicas. No seguimento do escândalo de assédio sexual de Hollywood – que despoletou a denúncia de inúmeros casos, como o de Kevin Spacey –, estas defendem que "aquilo que começou como algo que dá liberdade às mulheres para falar alto se tornou o oposto" e que agora "intimidamos pessoas a falar correctamente" e "gritamos com aqueles que não se metem na linha". Falavam inclusivamente de uma "caça às bruxas".

Deneuve e 100 escritoras, artistas e académicas defendem que os homens devem ter “a liberdade de importunar”
Outras personalidades, como a actriz Asia Argento – que acusou Harvey Weinstein de a ter assediado sexualmente, na década de 1990 – expressaram também a sua opinião relativamente à carta aberta. Catherine Deneuve e outras mulheres francesas contam ao mundo como a sua misoginia interiorizada as lobotomizou de forma irreversível", escreve no Twitter. A ex-ministra francesa da Igualdade, Laurence Rossignol, usou a mesma plataforma para condenar a carta, falando da

"estranha angústia de já não existir sem o olhar e o desejo dos homens que leva as mulheres inteligentes a escrever grandes disparates".

A seguir a essa carta das 100 artistas e escritoras vem a respostas das feministas francesas...a contrapor...

Resposta a Catherine Deneuve: "Os porcos e os seus aliados estão inquietos?"
Assinado por 30 activistas, a primeira subscritora é a feminista Caroline De Haas. O texto critica fortemente os argumentos defendidos por Deneuve e tantas outras personalidades. "Esta carta é um pouco como o colega constrangedor ou o tio irritante que não percebe o que se está a passar", defendem as activistas francesas. "Assim que a igualdade avança um milímetro sequer, almas bondosas alertam-nos imediatamente para o facto de que arriscamos cair em excesso", aponta ainda num tom sarcástico, alertando que todos os dias em França acontecem "centenas" de casos de assédio sexual e violação.
Em relação à questão do flirt, respondem: "As signatárias da carta confundem deliberadamente a relação de sedução, com base no respeito e prazer, com a violência"


A POESIA



SEM A MULHER MUSA NÃO HÁ POETAS...


"Assim que as formas poéticas começam a ser utilizadas por homossexuais e que o “amor platónico” (o idealismo homossexual) se introduz nos costumes, a deusa vinga-se. Sócrates, se bem nos lembramos, teria banido os poetas da sua lúgubre república. A alternativa consistindo a passar sem o amor da mulher é o ascetismo monástico; os resultados que daí advieram foram mais trágicos do que cómicos. No entanto a mulher não é poeta: ela é a Musa ou nada. Isto não quer dizer que uma mulher deveria abster-se de escrever poemas, e sim apenas que ela deveria escrever como mulher, e não como se fosse um homem.
O poeta era originalmente o Místico ou o Fiel em êxtase da Musa, as mulheres que participavam nos seus rituais eram suas representantes. (...) " - Roberte Graves


...este excerto revela-nos o absurdo que do homem que escreve poesia sem a musa e sem a inspiração de uma mulher deusa, de uma mulher amada e também nos diz como é absurdo a mulher escrever para o homem, erotizando o homem fazendo dele seu "muso", coisa que nunca existiu na história. É um facto que é a mulher que é a inspiradora do poeta, como mãe, dadora da vida,  como amante ou deusa-mulher, é ela que é o objectivo da Obra alquimica e da Busca do Graal - ela mesma é o Cálice ou o Graal, a Dama ou a Rainha. Da mesma maneira se for a mulher a escrever poesia ela deve-se cantar a si como mulher...e não eleger o homem...isto pode parecer bizarro, numa visão meramente sexualizada do amor...e como é próprio de um tempo desnaturado  estamos sempre a pensar mais na sexualidade em si do que na Natureza instintiva das coisas, nas energias e nos princípios que nos movem - ora é o corpo da mulher que é erótico e deve atrair-seduzir o homem e não o homem a mulher. É verdade que ao perder-se a Mulher mítica com o tempos e a aculturação da mulher e a perda da sua identidade primeira,  tornou-se vulgar a ideia do homem possuir a mulher ou conquistar a mulher e não ser ele seduzido pela Mulher o que corresponde a  uma inversão grosseira que é fruto da nossa época na sequência do culto do amor apolíneo grego ou romano, o culto da homossexualidade e pelo desprezo a que as mulheres foram votadas.
Assim, como diz R. graves, "a mulher não é poeta: ela é a Musa ou nada. Isto não quer dizer que uma mulher deveria abster-se de escrever poemas, e sim apenas que ela deveria escrever como mulher, e não como se fosse um homem."
E assim a mulher não só não deve escrever como se fosse um homem como não deve cantar o homem como muso, mas sim reflectir-se numa sua emanência ...é o canto do seu corpo e do seu magnetismo que faz a diferença...mas o facto de a mulher se ter inibido da sua sensualidade própria e da sua força magnética ela procura erotizar o amor através do corpo do homem em vez de se cantar a ela mesma uma vez que por si mesma ela não se valoriza... rlp

"Como é que a devíamos então adorar?
(…)
A prática da verdadeira poesia reclama um espírito miraculosamente desperto e capaz de, por iluminação, juntar as palavras, através de uma cadeia mais-que-coincidência, numa entidade viva, um poema que vai viver por si mesmo, talvez por séculos depois da morte do seu autor, cativando os seus leitores pela carga de magia que ele contem. Porque em poesia a fonte do poder criativo não é a inteligência científica mas a inspiração (mesmo que esta possa ser explicada pelos cientistas) não é através da Musa lunar, o termo mais antigo e o mais adequado para designar esta fonte de inspiração na Europa, à qual a devamos atribuir? Pela tradição a mais venerável, a Deusa Branca tornou-se uma com a sua representante humana, sacerdotisa, profetisa, ou rainha–mãe. Nenhum poeta que elege a Musa pode experimentar conscientemente a existência sem ser pelas suas experiências do feminino porque é na mulher que reside a deusa seja em que grau for; exactamente como nenhum poeta apolinio não pode exercer a sua função própria se ele não se submeter a uma monarquia ou a uma quase monarquia. Um poeta que elege a musa abandona-se absolutamente ao amor e o seu amor na vida real é para ele a encarnação da Musa. " *
(…)



*(pag.569 -Traduzido do francês por rlp)
ROBERT GRAVES
LES MYTES CELTES - LA DÉESSE BLANCHE
IN Ed. du Rocher

sábado, janeiro 13, 2018

as duas serpentes...




"Era uma vez duas serpentes que não gostavam uma da outra.
Um dia encontraram-se num caminho muito estreito e como não gostavam uma da outra devoraram-se mutuamente. Quando cada uma devorou a outra não ficou nada. Esta história tradicional demonstra que se deve amar o próximo ou então ter muito cuidado com o que se come."

ANA HATHERLY

A GRANDE CONFUSÃO


HOJE MAIS DO QUE NUNCA Há muita confusão em torno de quem pertence a qual categoria sexual
(...)


“Na realidade actual, diante da desintegração dos antigos costumes, inúmeras pessoas se encontram num estado menos de fusão do que de confusão. Com o colapso dos modelos sexuais tradicionais, as pessoas ficaram livres para experiências; diversas vezes, porém, acabam se vendo em grandes dificuldades e buscam ajuda para sair do emaranhado labirinto do sexo e da alma. Muitas das que pretendem estar confortavelmente instaladas nos papéis heterossexuais convencionais, na realidade não estão. Há muita confusão em torno de quem pertence a qual categoria sexual.

Uma das questões mais cruciais que qualquer nova teoria da sexualidade deve enfrentar são os rótulos geralmente aplicados à sexualidade – a heterossexualidade, homossexualidade, bissexualidade – e o significado relativo destes termos.

Apresento isso como uma única questão; e não como três questões distintas, porque na minha prática analítica é assim que ela, via de regra, aparece ainda que embrenhada em complicações. A maioria das pessoas está convencida de que “pertence” a uma destas três categorias, de que são de natureza hetero homo ou bissexual, e de que têm de aceitar o que são. Ou caso não consigam se aceitar como membros de uma categoria fixa, atribuem-se a tarefa de se modificarem para que possam se enquadrar numa delas.”*1
(...)


CADA UM E O SEU CONTRÁRIO

"Quanto a mim, a questão do transgénero, atualmente na moda, que leva a que uma mulher escolha ser homem ou um homem mulher (por achar que está no corpo errado) é ainda uma manifestação de uma conceção binária da sexualidade: ter de escolher ser macho ou fêmea. Na novela do Jorge Sena, "O Físico Prodigioso", há algo mais complexo que a bissexualidade ou a transgenericidade: há coexistência, por vezes simultânea, em cada um de nós, de vários géneros, várias sexualidades." *

"Cada um com o seu contrário. Cada um de nós não é uma identidade estanque, imutável, mas somos um vórtice de contrários a viver neste corpo único que temos, quer seja um corpo masculino ou feminino. E ao contrário de muita literatura sobre as questões sexuais, nomeadamente a homossexualidade ou a bissexualidade, no "Físico Prodigioso" a ambiguidade sexual é vivida não com nostalgia de uma perfeição perdida, mas como prazer.

A fragmentação da identidade não é aqui geradora de nostalgia ou de derrocada da psique, mas como gozo e como caminho para uma identidade mais total.

O Físico Prodigioso tem uma carga metafísica que se torna ainda mais densa no seu final filosófico, uma alegoria sobre a incompletude do ser humano só resolvida pela Natureza nos seus ciclos de renascimento e morte.

Transexualidade ou o eterno retorno, este "Físico Prodigioso", mais do que uma novela erótica, é o retrato de uma humanidade prometeica e faustica, disposta a tudo para superar a natureza mas sem nunca o conseguir totalmente.

Em última instância, é também um texto sobre a Liberdade (não como coisa política) mas como caos, desordem, magias fundamentais ao ato de criação e ao ato de leitura."*2


2* Melo e Castro

1*in “ANDROGINIA – RUMO A UMA NOVA TEORIA DA SEXUALIDADE”
de June Singer (Cultrix)

UM POUCO DE HISTÓRIA...



"Eva é a mulher muda, a sombra da mulher, quase um fantasma.
(...)
Eva está incompleta, falta-lhe alguma coisa: trata-se do aspecto Lilith que ela por vezes toma quando se revolta"

“Fosse a maça oferecida por Lilith-Serpente e aceite por Eva ou a caixa inquieta de Pandora (as mitologias patriarcais sempre responsabilizaram a mulher pelo desastre universal), o certo é, que é nestes mitos que nasce a dualidade e a condição humana, com a sua insatisfação permanente, a sua busca obsessiva da perfeição impossível, das origens e do Absoluto.

"Lilith foi recalcada para dar lugar a Eva. Eva representa portanto a mulher vista, educada, modelada pelo homem. Eva está incompleta, falta-lhe alguma coisa: trata-se do aspecto Lilith que ela por vezes toma quando se revolta; o aspecto que Eva tomou, quando comeu a maçã; o aspecto que tomará a Virgem Maria ao dar à luz um filho que se revoltará contra o pai e imporá uma nova lei, o Evangelho (a boa nova) do Filho (e da Mãe). Assim se processa a passagem do Judaísmo (Paternalismo) ao Cristianismo primitivo (Maternalista), que será imediatamente recuperado pelas autoridades Patriarcais e desviado dos seus verdadeiros objectivos.

Com efeito, Eva, a mulher, encontra-se alienada. Ela não possui por inteiro a sua personalidade. Ela não será mais que a forma castrada (de Jeová e de Adão) e não a imagem da parte feminina de Deus. Deste modo, a representação duma forma do desejo, duma metade da ex-potência divina absoluta é afastada, e torna-se tão silenciosa como a vagina duma rapariguinha. Eva é a mulher muda, a sombra da mulher, quase um fantasma. A mulher real é Lilith. E no mito celta, Blodeuwedd, nascida das flores – é este o sentido do seu nome –, não é senão uma sombra de mulher: é uma criação artificial do espírito macho de Gwyddyon, não passa dum reflexo castrado do homem.

Mas quando se revolta, ela abandona o seu aspecto Eva para assumir o de Lilith e deixa de estar alienada. Nascida das flores e ligada à terra no passado, torna-se agora ave nocturna, podendo assim aparecer a qualquer homem durante a noite, ou seja, enquanto o sono permite ao inconsciente que ela surja nos seus sonhos.

Na verdade, qualquer homem, insatisfeito no fundo de si próprio, e sem ousar admiti-lo, sonha com Lilith-Blodeuwedd, a única que poderia satisfazer o seu desejo de infinito, uma vez que a Eva que ele tem ao seu lado não é mais do que uma caricatura da feminilidade, embora tenha sido ele quem assim a quis."*


*La Femme Celte, Jean Markal



quinta-feira, janeiro 11, 2018

ME TOO




MULHERES - 100 CONTRA MIL...

Em geral as mulheres acham que não devem elogiar nem gostar das outras mulheres. Isto está tão entranhado que raramente elas conseguem juntar-se. AS mulheres no mundo ocidental  estão de forma mais ou menos agressiva, sempre umas contra as outras. Vê-se neste momento diante do Movimento do ME TOO - mulheres poderosas do cinema de Hollywood - e as mulheres poderosas do Cinema e da Cultura francesas...de forma contundente elas defendem o assédio como "liberdade sexual" - a sedução  masculina - mas não a violação e claro não possível comparação destas mulheres de alta classe social e milionárias com as milhares de mulheres empregadas e subalternas que andam de Metro em todo o mundo...

Nesse sentido os argumentos destas 100 mulheres, intelectuais e artistas francesas, contra as 1000 americanas, tem algum sentido, mas os argumentos usados foram infelizes da parte de algumas - como uma delas dizer que tinha pena de não ter sido violada etc. para provar que se podia viver com isso.

Mas a minha nota vem no sentido de constatar mais uma vez e de forma actualissima e mediática como é sempre o mesmo e velho antagonismo entre as mulheres, graças a deus...parece, dizem umas, que as feministas se viram contra os homens, que não gostam deles - os agressores -...e as outras, as liberais, ah as francesas ...defendem que a liberdade sexual passa pelo galanteio...mas como dizem as feministas, estas não trabalham nas fabricas...não andam de metro, nem na rua, salvo seja...etc. elas andam nas passadeiras vermelhas em busca de Óscares e ídolos onde os homens  não são galantes ou são carroceiros...mas em França...ele há cavalheiros galantes, homens sedutores e educados e ele há...por todo o lado porcos e carniceiros...reles humanoides, predadores infectos em todo o lado...
Enfim é a mesma luta de sempre das mulheres, a mesma luta umas contra as outras em defesa dos homens - dos seus machos man,  mentores e mestres...

O que estas senhoras francesas reclamam no fundo tem alguma razão de ser para as que gostam de ser seduzidas à moda antiga, a maneira das cortesãs...e vem de uma cultura bastante sado-maso....América e França? Histórias, Culturas e naturezas distintas...?
As francesas gostam do velho assedio-sedução ou do galanteio - a saber quais são os limites... ?
As americanas lutam pela  igualdade sem pensar no charme francês...?
A verdade é que umas dizem-se feministas e defendem as mulheres e as outras acabam por ser machistas e gritam em defesa dos homens e cá estão as mulheres divididas dentro de si e fora a favor ou contra os homens. E depois todas se dividem a defender ou a atacar as 110 ou as mil...

O que gera esta confusão e luta...é a falta de Consciência de si das mulheres em geral no mundo. Isto  prova-nos que o caminho da Mulher Consciente NÃO É POR AI...e como dizia algures é que tanto faz andarem na  passadeira vermelha  como se vestirem de preto ou de vermelho...elas estão sempre em oposição umas às outras e sem duvida sabemos bem que nem umas nem outras tem a razão toda, o facto é que não sabem que elas  estão divididas dentro de si logo a partida ...
A velha história: umas de vermelho e as outras de preto; as brancas senhoras e as pretas servas, as boas e as más, as senhoras ricas e as criadas (ah já não há, só mestiças?) mais as santas e putas as feministas e as putas sérias e as sexys donas de casa?...e é em suma  esta a esquizofrenia completa, uma confusão total, e portanto o melhor foco da Mulher que se preza é em si mesma...ser uma Mulher integrada - mas sabem as mulheres o que é isso?
Não...nem sonham como conciliar as duas faces de si mesmas e por isso se dividem e não vão a nenhum lado...umas de preto e as outras de vermelho...
A mais velha rivalidade do mundo...


rlp


A CARTA DAS 100 MULHERES FRANCESAS


Com o título Defendemos a Liberdade de Importunar, Indispensável à Liberdade Sexual, a carta aberta agora criticada foi assinada por cerca de 100 mulheres, entre escritoras, artistas e académicas. No seguimento do escândalo de assédio sexual de Hollywood – que despoletou a denúncia de inúmeros casos, como o de Kevin Spacey –, estas defendem que "aquilo que começou como algo que dá liberdade às mulheres para falar alto se tornou o oposto" e que agora "intimidamos pessoas a falar correctamente" e "gritamos com aqueles que não se metem na linha". Falavam inclusivamente de uma "caça às bruxas".     



Outras personalidades, como a actriz Asia Argento – que acusou Harvey Weinstein de a ter assediado sexualmente, na década de 1990 – expressaram também a sua opinião relativamente à carta aberta. "Catherine Deneuve e outras mulheres francesas contam ao mundo como a sua misoginia interiorizada as lobotomizou de forma irreversível", escreve no Twitter. A ex-ministra francesa da Igualdade, Laurence Rossignol, usou a mesma plataforma para condenar a carta, falando da "estranha angústia de já não existir sem o olhar e o desejo dos homens que leva as mulheres inteligentes a escrever grandes disparates".

quarta-feira, janeiro 10, 2018

UM MUNDO DE MULHERES...




No séc. XVII, desencadeou-se, como se sabe, uma campanha de extermínio contra estas mulheres, que passaram à história convertidas em bruxas. A natureza sexual dos jogos e círculos femininos foi também estudada a partir das letras das suas canções que chegaram até nós (1). O hábito quotidiano das mulheres se juntarem “para bailar”, e para se banharem, é ancestral e universal, e dá-nos um vislumbre do espaço coletivo de mulheres impregnado de cumplicidade e baseado na intimidade natural entre mulheres, que hoje apenas prevalece em recônditos lugares do mundo. Em África, existem aldeias onde as mulheres ainda se reúnem à noite para dançar (bailes claramente sexuais, como se pode ver numa reportagem do Sudão (2). A imagem das mulheres do quadro “o Jardim das Hespérides”, de FredericK Leighton (séc. XIX) é outro vestígio dessa relação de cumplicidade e de intimidade entre mulheres.

Os hábitos sexuais das mulheres remetem-nos para a sexualidade não falocêntrica das mulheres; para a diversidade da sexualidade feminina, e a sua continuidade entre cada ciclo, entre uma etapa e outra. Uma sexualidade diversa e que se diversifica ao longo da vida, cujo cultivo e cultura perdemos. (…) Vivemos num ambiente em que o sistema libidinal humano, desenhado filogeneticamente para travar relações humanas, está congelado. Hoje as mães vivem longe das suas filhas e as avós vão de visita a casa d@s net@s; a pessoa de família que nos dá a mão quando adoecemos vive no outro extremo da cidade, e mal conhecemos o vizinho ou a vizinha" (…)
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Cacilda Rodrigañez Bustos


FICÇÃO OU UMA AMEAÇA GLOBAL AS MULHERES DO MUNDO?

Duas amigas, June, heterossexual, e Moira, lésbica, discutem na cozinha da primeira a última medida implementada pelo governo: a de congelar as contas bancárias de mulheres e providenciar o acesso às mesmas apenas aos homens mais próximos. June ainda tem a possibilidade de ter o seu dinheiro através do marido que assiste à discussão. É interpelado por Moira que o interroga acerca do reconhecimento da sua posição de poder ao que ele, um aliado, responde: “O que queres que faça, corte a pila no lava-loiça?”. Como se o feminismo fosse unicamente concebido para emascular homens e roubá-los da virilidade que lhes foi imposta mas que, na realidade, provavelmente nunca quiseram ter. Mas uma discussão rotineira. Podia acontecer em qualquer cozinha. Nossa.
Mais tarde June e Moira deslocam-se a uma Marcha em Boston pelos direitos das mulheres, reminiscente do que vimos a acontecer o ano passado nos Estados Unidos da América aquando da eleição do Presidente Donald Trump. Mas o resultado é bem diferente. Uma força policial secreta começa a alvejar mortalmente os protestantes, homens e mulheres. As amigas conseguem fugir mas vêem atrás delas os cadáveres espalhados pelas ruas. A destruição da realidade que viviam antes é agora irrevogável. Meses mais tarde reencontram-se numa sala que parece de um convento tornado quartel. June está vestida normalmente, depois de separada da filha e do marido. Moira, tal como a maioria das mulheres sentadas em círculo na sala, com um hábito vermelho sangue do pescoço aos pés e um barrete branco a esconder o cabelo. Uma mulher de porte e vestes militares e com discurso de fundamentalismo puritano, informa-as que foram escolhidas para se tornar “Servas”, a ser atribuídas a um casal poderoso, cuja Esposa é infértil, de modo a poderem conceber e gerar filhos e filhas para os seus empregadores.
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Estamos em Gilead, uma América distópica em que a infertilidade se tornou norma. Uma fação de direita extremista foi ganhando avanço com a culpa atribuída aos hereges que se foram separando de Deus e dos ensinamentos divinos. As Putas – qualquer mulher contra o sistema – e as Traidoras de Género – lésbicas – foram perseguidas e apenas as férteis dadas uma oportunidade para se tornarem úteis para o sistema enquanto Servas. As restantes foram encaminhadas para as Colónias. Assim nos é apresentada The Handmaid’s Tale, uma série da Hulu adaptada do livro homónimo de Margaret Atwood. Nela, os Homens, anónimos, são os donos de tudo, das decisões políticas, familiares, sociais. O nosso olhar é a de June, nome verdadeiro agora proíbido e renomeada Offred para refletir o nome da Homem da família a quem foi atribuída. E todos os Homens que vemos através dela são sombras, figuras de papel.
Mas vemos as mulheres. Vemo-las bem. Outras Servas. As Martas, de uniforme verde-terra, criadas de casa. As Esposas, de azul como que a anunciar a sua frigidez ao Mundo. As Tias, parte da força militar que mantém a ordem em Gilead. Todas prostradas de forma a encaixar num rótulo em que possam ser controladas. Em que as mulheres são colocadas umas contras às outras em todos os momentos dos seus dias. À primeira vista todo este totalitarismo parece extremista e apenas possível em formato ficcional. Mas olhando atentamente vemos demasiados sinais do nosso Mundo e da América atual nos flashbacks como os que descritos inicialmente. Sentimos a ameaça da discriminação tornada lei. Sentimos os direitos ganhos serem gradualmente apagados sem possibilidade de retorno. Sentimos a apatia depressiva do conformismo das coisas que não vão mudar. Sentimos a luta a ser progressivamente silenciada.
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The Handmaid’s Tale é aterradora. Desde o primeiro episódio ao último. Força-nos a olhar um Mundo ao virar da esquina do nosso. A um passo mínimos de desespero de nos tornarmos naquilo. Peões sem identidade. O olhar oferecido pela exímia e acutilante Ofred de Elizabeth Moss é horrífico e castrante. Da vontade própria. Do Ser. Bruce Miller, criador da série, dá palco ao feminino e muitos dos episódios são realizados por mulheres. E nelas vivemos imiscuídos. Na letargia profunda do quotidiano das Servas cuja única função é o serviço à Casa. Tudo culmina num ritual mensal de violação por parte do Dono assistido pela Esposa. Qualquer sinal de rebelião é punido fortemente, cujo castigo máximo é o do enforcamento público, para que todos possam assistir às consequências dos seus crimes: Herege, Paneleiro, Puta. Ou então de justiça levada a cabo pelas próprias Servas, um rito primitivo de erradicação de qualquer humanidade nelas presente.
Uma das personagens mais aterradoras, em particular para a comunidade LGBT, é a de Ofglen, protagonizada pela extraordinária Alexis Bledel. Uma Traidora de Género como Moira. Tenta não se conformar às vidas fantasmagóricas e desumanas que lhes são impostas e cedo vêmo-la amordaçada como um animal, de gritos abafados. Apenas os olhos deixam transparecer o puro terror que vive. De querer resistir mas não conseguir mais que a subjugação total e incontornável. De querer lutar apenas para ser subsequentemente humilhada e mutilada. De tentar Ser e ver todas as suas fugazes e voláteis aspirações erradicadas à sua frente.
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Muitas vezes somos confrontadas e confrontados pela razão pela qual ainda lutamos. Porque ainda saímos às ruas. Pelos direitos das mulheres. Das pessoas LGBT. Das minorias. Porque gritamos. Porque marchamos. Muitas vezes com orgulho. Muitas vezes com raiva. É porque esta distopia está a um pestanejar de distância. Basta baixarmos os braços. Por um segundo. Com alarmes destes… não podemos fazê-lo. O cansaço não nos pode derrotar. A falta de esperança não nos pode petrificar. Ou estaremos, mais cedo que tarde, também nós numa sala de convento qualquer, a ter o nosso futuro escravizado. The Handmaid’s Tale é mais que ficção. É um ensurdecedor e penetrante alerta vermelho.
The Handmaid’s Tale tem exibição exclusiva em Portugal no NOS Play.

terça-feira, janeiro 09, 2018

10 fatos históricos

que mostram completo desrespeito à vida das mulheres
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Os homens têm governado a humanidade desde as primeiras sociedades, com raras exceções.
Em cada estágio da história humana, as mulheres têm estado à margem, lutando por seus direitos mais fundamentais.
E não estamos falando somente do direito ao voto ou a um salário justo.
Ao longo dos tempos, a vida das mulheres foi um verdadeiro conto de horror.
Ao longo de nossa história, a vida cotidiana foi preenchida com experiências que tornavam o fato de ser uma mulher um verdadeiro pesadelo.
(Não que as coisas estejam às mil maravilhas hoje em dia.
O 10º Anuário Nacional de Segurança Pública mostra, por exemplo, que 45.460 estupros foram registrados no Brasil em 2015,
125 por dia.
E o que é pior: as autoridades estimam que apenas cerca de 10% dos estupros sejam registrados no país, ou seja, o número real de estupros no ano passado passa perto de assustadores 450 mil. E embora homens também sofram estupros, as mulheres são 89% das vítimas deste crime, segundo o Sinam – Sistema Nacional de Atendimento Médico. Apesar das coisas terem melhorado nos últimos séculos, ainda temos muito para avançar).
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10 – Meninas recém-nascidas eram regularmente deixadas para morrer :
Na antiga Atenas, era muito comum um casal levar uma menina recém-nascida para o deserto e deixá-la morrer – um ato que eles chamavam de “expor” o bebê.
. “Todo mundo cria um filho, mesmo que seja pobre”, escreveu um escritor grego
, “mas todo mundo expõe uma filha, mesmo que seja rico”.
Em Roma, isso também era comum, especialmente em famílias pobres.
Existem registros de uma cidadão romano de classe baixa escrevendo para sua esposa sobre sua gravidez.
“Uma filha é um fardo muito pesado, e nós simplesmente não temos dinheiro.
Se você tiver uma menina, teremos que matá-la”, diz ele.
Mesmo no Egito, que deu às mulheres direitos comparativamente iguais, os pobres muitas vezes deixavam as crianças morrerem.
“Se você tiver o bebê antes de eu voltar”, uma carta mostra um egípcio escrevendo para sua esposa, “se for um menino, deixe-o viver; se for uma menina, exponha-a”.
9 – Homens não tocavam mulheres menstruando :
O filósofo romano Plínio, o Ancião, escreveu: “Com a aproximação de uma mulher neste estado, o leite ficará azedo”.
Ele achava que as mulheres menstruadas podiam matar tudo o que olhavam, dizendo: “Um enxame de abelhas, se olhado por ela , morrerá imediatamente”
No Egito, as mulheres passavam seus ciclos menstruais isoladas em um edifício especial em que os homens não podiam entrar –
e eles não eram os únicos a fazerem algo do tipo.
Os israelitas nem sequer tocavam uma mulher durante o seu período – ou até mesmo qualquer coisa que elas tocassem.
“Tudo em que ela se senta”, escreveram, “será imundo”. E no Havaí, os homens que entravam na cabana de mulheres menstruadas arriscaram levar a pena de morte.
Já os nativos da Papua Nova Guiné iam mais longe. Se um homem tocava uma mulher menstruada, eles acreditavam que “mataria seu sangue de modo que ficasse negro, enfraqueceria sua inteligência e levaria a uma morte lenta”.
8 – Perder a virgindade era uma sentença de morte :
Em Atenas, se um homem descobrisse que sua filha solteira tinha dormido com um homem, ele poderia legalmente vendê-la
para a escravidão.
Os samoanos se asseguravam de que suas esposas fossem virgens – e que todos soubessem.
Durante um casamento samoano, o chefe da tribo rompia manualmente o hímen da noiva com os dedos na frente de uma multidão para provar que ela era pura.
Em Roma, se uma sacerdotisa da deusa Vesta perdesse sua virgindade antes dos 30 anos, ela era enterrada viva.
E na antiga Israel, nem sequer importava se você fosse uma sacerdotisa.
Qualquer mulher que perdesse sua virgindade antes do casamento poderia ser apedrejada até a morte.
7 – Sempre se esperou que homens fossem predadores sexuais :
Em Roma, as escravas deviam ser sexualmente ativas, como parte de seus trabalhos.
A única maneira de ter problemas por dormir com um escrava era se ela fosse de propriedade de alguém e você não pedisse primeiro.
Mesmo assim, ninguém consideraria isso uma violação ou um estupro – a atitude era apenas classificada como dano à propriedade.
Prostitutas não podiam registrar casos de violação, não importa o que lhes acontecesse. E não eram só elas que não podiam acusar ninguém de estupro – garçonetes e atrizes também eram tratadas como participantes voluntárias de qualquer ato sexual que um homem lhes impusesse.
Em um caso, uma atriz estuprada por vários homens teve negada a permissão para apresentar acusações.
Os homens que a atacaram, foi sentenciado, tinham simplesmente “agido de acordo com uma tradição bem estabelecida em um evento encenado”.
Na Idade Média, Santo Agostinho foi considerado progressista por sugerir
que as mulheres estupradas não precisavam se matar.
Mesmo ele, porém, sugeriu que algumas mulheres haviam gostado.
6 – Esposas eram frequentemente sequestradas em várias partes do mundo :
Em algumas partes da China, as pessoas estavam raptando esposas até a década de 1940. No Japão, o último caso relatado de sequestro de esposa aconteceu em 1959.
A Irlanda teve um problema generalizado
com o roubo de esposas no século XIX.
E até mesmo a Bíblia relata histórias de homens matando aldeias inteiras e tomando as mulheres virgens como esposas.
Roma nem sequer existiria sem noivas sequestradas.
As lendas da nação começam com homens sequestrando as mulheres sabinas.
Na história, Rômulo diz às mulheres que elas deviam estar felizes de ser sequestradas, porque elas tiveram a sorte de “viver em casamento honrado”.
5 – Mulheres já foram forçadas a matar seus bebês :
Matar bebês frágeis não era apenas algo
que acontecia em Esparta.
Em quase todos os países, quando uma mulher dava à luz uma criança deformada, esperava-se que ela a matasse.
Em Roma, era a lei. “Uma criança terrivelmente deformada”, ordenava o direito romano, “será rapidamente morta”.
Se uma criança romana nascesse com
uma deficiência, a mãe tinha duas escolhas. Ela poderia sufocá-la ou, mais frequentemente, poderia abandoná-la.
Na costa de Israel, arqueólogos encontraram os restos de 100 bebês mortos nos esgotos da cidade.
Acontecia muito. Não sabemos o número exato de bebês que foram deixados para morrer, mas acredita-se que um em cada quatro bebês romanos não conseguia passar do primeiro ano de vida.
4 – Mulheres mal tinham permissão para falar :
Na Grécia antiga e em Roma, as mulheres eram proibidas de deixar a casa sem um acompanhante masculino.
Quando visitas chegavam, não lhes era permitido falar ou sentar-se para o jantar – tinham de se retirar para os seus quartos,
fora da vista, para que a presença de uma mulher não incomodasse os homens.
Na Dinamarca, as mulheres indisciplinadas que brigavam ou que expressavam abertamente sua raiva poderiam acabar presas em um aparelho chamado Violino de Pescoço.
Era uma armadilha de madeira em forma de violino que prendia as mãos e o rosto.
A mulher era levada então para desfilar pelas ruas, publicamente envergonhada por ter mostrado abertamente a raiva.
Os ingleses foram ainda piores.
Os súditos da rainha colocavam mulheres
que brigavam no “freio”, uma máscara de metal com dentes afiados que tinha um sino acoplado – para garantir que todos zombassem da mulher que ousava reclamar.
3 – Adúlteras eram torturadas :
Se uma mulher casada ousava dormir com outro homem, tudo acabava.
Um homem romano, sob certas circunstâncias, teria o direito de matar sua esposa se ele a pegasse na cama com outro. Mesmo os puritanos que colonizaram a América tomaram a abordagem bíblica e legalmente toleravam assassinar adúlteras.
Novamente, porém, foram os homens medievais que fizeram as piores coisas.
Eles não se contentavam em matar suas esposas – queriam que elas sofressem.
Na época medieval, eles tinham um dispositivo chamado “estripador de peito”, que eles usavam em mulheres que tinham casos – e que faz exatamente o que o nome diz.
É uma tortura horrível – e nem sequer se limitava ao adultério.
Uma mulher poderia ser condenada ao estripador apenas por ter um aborto.
2 – Mulheres mortas com seus maridos :
Até o século 19, era esperado que uma
mulher na Índia que perdia seu marido subisse em sua pira funerária e fosse queimada até a morte junto com ele.
Às vezes, durante a guerra, as mulheres deveriam fazer isso mesmo antes de seus maridos morrerem.
Se um cerco estava indo mal, todas as mulheres da aldeia queimavam-se vivas e levavam seus filhos com elas.
Os maridos apenas olhavam enquanto suas famílias queimavam.
Então, pela manhã, eles passariam as cinzas de suas esposas em seus rostos e iriam para a guerra.
As mulheres se matavam apenas para dar aos maridos um pouco mais de motivação.
A princípio, os colonizadores britânicos mantiveram a “tradição”.
Apenas em 1829 a prática foi proibida pelos ingleses. Entretanto, a Sati – nome dada à tradição – era tão comum na cultura indiana que o governo do país decidiu promulgar
uma lei em 1988 proibindo qualquer tipo
de propaganda ou glorificação do ato.
1 – As mulheres passaram por isso desde o começo da humanidade :
Mesmo antes da história registrada, os primeiros casamentos eram extremamente unilaterais.
Os arqueólogos que procuravam restos pré-históricos na África encontraram evidências de que os homens ficavam em um só lugar durante toda a vida – mas todas as mulheres nasceram em lugares diferentes.
Isso significa que mesmo os homens das cavernas tinham relações unilaterais, fazendo com que suas novas esposas mudassem para suas casas quando começassem uma família. Mais importante, torna altamente provável que estas mulheres não iam até lá consensualmente.
Provavelmente, elas eram sequestradas de suas famílias em outras tribos e arrastadas para as camas de seus captores. [Listverse]
Jéssica Maes
01/12/2016