sábado, maio 26, 2018

O SOPRO



O SOPRO DO ANJO...


Relendo grandes autores...penso sempre...se ao menos tivesse a inspiração do poeta...ou o dom do escritor de génio...Mas não. Tudo o que escrevo não passa de uma espécie de panfletos rudimentares sem consequência, e embora às vezes me exceda e tenha rasgos estonteantes de verdades profundas e abissais e pareça tocar um cume quase infinito, depressa verifico o meu engano...e presumo que esse voo não passe do sopro de algum anjo que se compadece da minha pretensão literária e de grandeza humana..
Ah! falta-me esse golpe de asa...ou falta-me raiva e vontade de me vingar desta raça humana que às vezes amo tanto e outras tanto desprezo...
Sim, subir mais alto como a pomba branca...em vez de cair no charco dos enganos, nesta miséria franciscana, presa à mediocridade dos dias e à sobrevivência terrena...

Rosa Leonor Pedro


RELENDO ALEXIS…

“Na vida as coisas não são exactas; pintá-las nuas é mentir, visto que só as vemos numa névoa de desejo. Não é verdade que os livros nos tentem; e tão pouco os acontecimentos o conseguem, visto que apenas nos tentam quando chegou a nossa vez, quando chegou a nossa hora em que nos teria tentado. Não é verdade que umas quantas verdades precisões brutais possam informar sobre o amor; não é verdade que seja fácil reconhecer, na simples descrição de um gesto, a emoção que ele depois produzirá em nós.”

In Alexis – Ou o tratado do vão combate – Marguerite Yourcenar

O REINO QUE HÁ-DE VIR...



É NO REINO DAS MÃES
(…)
O inconsciente colectivo não tem fundo, não tem forma, não pode conhecer-se a não ser nas suas manifestações, imagens arquetípicas, ou primordiais, mitos, e símbolos.
É o reino das Mães (…), onde não existe espaço nem tempo, e
para o qual não há caminho. É o reino de solidão, de vazio. Onde não se ouve o passo que se dá, onde nada de sólido permite que se pare.

“No que tu chama Nada”, diz Fausto, “espero encontrar o Tudo”
(…)
O Nada onde se encontra o Tudo, o inferno (o abismo) que é o céu, é o símbolo do inconsciente, matriz (daí a ideia das Mães), da realidade criada. O inconsciente, como o reino das mães, é o espaço indefinível “das formas possíveis”

“Formação e transformação” é a isso que assiste, com as Mães, que não vêem as coisas, vêem somente “esquemas”.
(…)
LITERATURA E ALQUIMIA
Yvete K.Centeno

EUTANÁSIA



A PERDA DA ESSÊNCIA...

A falta de dimensão espiritual REAL ao nível da existência, leva as pessoas aos maiores crimes contra si mesmas. A falta de consciência do SAGRADO DA VIDA EM SI, a falta de saber e o sentido da vida, a falta de profundidade gera o MEDO DE SOFRER e leva as pessoas neste mundo materialista e comercial, a descartar o que já não presta, nem que seja a si próprios...porque só tem validade se estiverem de acordo com a imagem o ego e a mercadoria que são...Sim, como se a vida humana tivesse um prazo de validade como se fosse uma mercadoria.
Em vez de se humanizar as pessoas, dar amor e condições aos doentes, possibilidades de acompanhamento, induz-se a pessoa inútil a matar-se, é mais económico.

Temo que as pessoas ignorantes e pobres e na sua grande maioria confusas pela dor tenham discernimento para decidir e escolher a sua morte...se calhar é uma lei só para os ricos, intelectuais e gente culta, artistas e coisas assim... e enfim, até os filhos ficam com as heranças mais rapidamente e despacha-se os velhos...

O facto que se quer branquear é que uma sociedade DESUMANA e  infecta e pobre gera doenças. Mas a mais grave de todas é a mentira social e a IGNORÂNCIA HUMANA - como não perceber que as doenças quase todas ou são de origem psicossomática geradas no desamor e no abandono, assim como todo o sofrimento...ou são o resultado de todos os venenos e químicos que se bebem e comem e da poluição do ar etc. A ciência é só mais uma industria que mata a longo prazo...agora quer vender a morte a curto prazo!
Sim os velhos são inúteis, não dão lucro...  e agora querem-nos despachar para a Morgue...
rlp

ACORDAR A MÃE TERRA



Será justo falar de Luz e Espírito, de Paz e de “amor alquímico” e de “verdadeiro amor”, de "amor incondicional, no tempo das guerras cegas e anonimas, das armas geofísicas e químicas? No tempo do terror mascarado, disfarçado de desastres naturais, ou desta crise fictícia propícia à ofensiva maquiavélica da extrema direita e esquerda de grupos nazis e marxistas por toda a Europa?

Será justo falar do feminino e da alma da mulher, do feminino sagrado, de que ninguém quer ouvir falar, ou apenas falam como de causas virtuais para se entreter, neste tempo da loucura crescente e insanidade total dos que controlam o planeta e as mentes alienígenas que se fazem passar por humanas, enquanto eu passo por louca?

Um tempo em que se não hesita já em matar milhares de pessoas seja de que maneira for, ébola, vacinas, bombas, químicos, gazes, ou em nome não sabemos bem de quê, para lá de todos os palcos televisivos temas fracturantes e falsos como a Eutanásia, o Transformismo, os casamentos gays e a adoção gay, as barrigas de aluguer etc.  com que nos atordoam tanto como falsas crenças, falsas vidas e falsos  valores?

"A utilização de artefactos bélicos baseados em substâncias tóxicas recebe o nome de arma química. Em geral, as armas químicas têm sua utilização associada mais ao efeito de impacto sobre a população do que ao efeito de eliminar o aparato militar. Isto significa que a utilização de armas químicas visa principalmente aterrorizar a população civil, sendo este portanto seu alvo principal. (...)
Os organofosforados interrompem reações químicas envolvidas na transmissão dos impulsos nervosos. O resultado desta ação é sufocamento, impossibilidade de abrir os olhos, seguida de convulsões nervosas e morte por parada respiratória. Os nomes mais comuns de alguns desses organofosforados é “tabun”, “sarin” e “gás mostarda”. (...)

As televisões que nos mentem e escondem as realidades prementes e apenas exploram continuadamente o futebol, a morte, o crime e o terror com uma única finalidade, a de manter as audiências sob controlo, subjugadas ao poder alienatório e destruídas animicamente pelo medo, alimentadas por gritos histéricos das massas convertidas ao unico credo o deus futebol, enredos mediáticos de horror e programas imbecis ou bestiais, cada vez mais degradantes e fúteis!

Será que o acordar do verdadeiro Feminino e a da Mulher podem ajudar a acordar a nossa Mãe Terra para esta violência inaudita e única, para esta guerra sem limites e deflagrada por meios desconhecidos dos humanos?
Confesso que há momentos como este em que já não sei NADA...
E se há, como se pretende, e eu às vezes até acredito, planetas habitados no cosmos e seres inteligentes noutras Galáxias, estes permitem, sendo mais evoluídos e tendo mais consciência do Universo UNO, em nome do "livre arbítrio" do povo da terra, que este crime contra a Terra Mãe e os seus filhos, seja perpetrado dentro do seu ventre, dentro das suas entranhas?
Confesso que nada sei...mas rezo...
rlp
ESCRITO EM 2014

quinta-feira, maio 24, 2018

UMA VISÃO DO FEMININO


CAMINHO PARA A INICIAÇÃO DO FEMININO


Caminho para a iniciação feminina, de Sylvia B. Perera.

O livro de uma "terapeuta junguiana e neste livro, aborda a mitologia mesopotâmica.
No Matriarcado: a mulher era respeitada por ser importante para a sobrevivência da comunidade.
Por quê?
Enquanto os homens iam caçar e pescar e nem sempre conseguiam trazer o alimento para seu povo, a mulher em casa cuidava dos velhos, das crianças, fazia roupas, cestarias e... cultivava os alimentos perto de casa. Garantia assim o alimento do dia a dia da comunidade.
Esta importância se refletia na religião, na família, e fazia da mulher a referência maior para sobrevivência do grupo.
Nesta forma de se relacionar com os meios de produção, vivia-se no MATRIARCADO.
A religião era uma representação do matriarcado e cultuavam as deusas enquanto os deuses ficavam mais à sombra como os homens nesta comunidade.

Tudo isto é só para explicar as diferenças entre a mitologia dos povos sumérios e outras , como por exemplo, a grega, fruto do estabelecimento do PATRIARCADO.

COMO PASSAMOS DO PATRIARCADO AO MATRIARCADO?
TUDO FOI CULPA DA DESCOBERTA DO ARADO.

Este é o ponto de mutação. A mulher não tem força para puxar o arado e ainda não tinham descoberto que os animais poderiam fazer isto.
O arado proporcionou imenso desenvolvimento aos povos e possibilitou o crescimento das cidades já que iniciaram o processo de produção do excedente e assim começa a história da riqueza do homem.
Tudo isto é só para explicar a sequência lógica da história da humanidade, o fenômeno humano.
Desculpem, eu sei que tudo isto é cansativo, mas é necessário para nos redescobrirmos, sabermos porque nos tornamos tão submissas ao longo dos tempos.
É... um dia fomos muito poderosas!
A mitologia do matriarcado está muito mais ligada aos instintos por ser muito mais primitiva. Vincula-se aos ciclos dos humores da mulher, tanto o ciclo biológico: ovulação x menstruação, como os longos ciclos BIPOLARES por que passam as mulheres (euforia na ovulação=fertilidade e depressão na TPM)..
Esta terapeuta/escritora defende o encontro com as deusas mesopotâmicas para a cura do feminino.
A deusa Inana (deusa BRANCA) é a deusa do céu e da terra e Erishkgal (deusa ESCURA) era a deusa do subterrâneo, do que está debaixo da terra, do mundo inferior, DO REINO DOS MORTOS.
Inana sabe que Erishkgal sofre em desespero a morte de seu amado. Inana resolve descer e conhecer sua irmã Erishkgal, mas teme a sorte dos que desceram e nunca voltaram do reino dos mortos.
Deixa uma serva e amiga responsável por procurá-la caso não voltasse após três dias. Teria que despertar todo o universo para de lá tirá-la.

INNANA, DEUSA DO CÉU E DA TERRA, BRANCA, DEUSA DA LUZ, DA CONSCIÊNCIA.
ERISHKGAL, DEUSA ESCURA, VIVE DEBAIXO DA TERRA (INCONSCIENTE). O INCONSCIENTE AQUI REPRESENTA A MORTE, O SOFRIMENTO, O RISCO DA LOUCURA E DE NÃO PODER DELA VOLTAR (SE NÃO VOLTAR EM TRÊS DIAS, ME TIRE DE LÁ).
O PAR DE OPOSTOS: LUZ=INANA=CONSCIÊNCIA=VIDA
ERISHKGAL=ABAIXO= ESCURIDÃO=INCONSCIÊNCIA=MORTE=DEPRESSÃO

Esta BIPOLARIDADE é a principal característica do feminino. Falei tudo isto para poder colocar um parágrafo que achei lindo e mostra a importância de vivenciarmos todas as faces da deusa:

"É o nosso procedimento ao nos voltarmos para um afeto e intensificá-lo até encontrarmos seus vetores próprios. Ou quando examinamos uma defesa e descobrimos que sua função é preservar a vida (falamos muito mal de nossos mecanismos de defesa e lutamos para nos apartarmos deles e esquecemos que, em muitos momentos, salvaram nossas vidas). Isso pode se dar até mesmo quando consideramos a dor como parte válida do processo de vida (não como culpa de ninguém, mas simplesmente como um fato da existência). Essa atitude desvia o afeto da perspectiva adversária, do patriarcado, que busca um bode expiatório, tentando culpar as pessoas ou fatos para depois removê-los do caminho ou, então, busca um jeito de agir ativamente para "fazer alguma coisa a respeito".

Considerar a dor como parte do processo amplia a perspectiva que a concebe apenas como um sinal patológico ou um estigma. Permite a empatia com o sofrimento e possibilita a cura natural. Abre caminho ao sofrimento, para gestar uma nova solução dentro de seus moldes e em seu tempo adequado. Aí a cura ocorre, não simplesmente porque se encontrou um significado ou uma imagem, mas porque se deu atenção ao processo de vida, e também presença empática e um espelhamento que a atinge de maneira irrestrita."

Inana desceu ao fundo da terra (de si mesma) viu a irmã Erishkgal sofrendo, contorcendo-se de dor e viu e viveu junto com ela a dor (espelhamento). A mulher desce (depressão), assiste a outra sofrendo, participa deste sofrimento (participação mística) e se cura.
Sua sacerdotisa e amiga, ao ver que Inana não retorna (fica deprimida além do limite, sente o perigo de que não mais retorne à luz=consciência e corre por todos os cantos em busca de ajuda para trazer Inana de volta.
O deus Enki, a quem a autora compara ao terapeuta, com sua sabedoria (a alma da mulher é o animus, representa a contraparte masculina=luz=consciência) vai ao socorro de Inana e a traz de volta à terra, curada e amadurecida."


postado por Maria Bernardete Hess 


A MULHER DE QUE EU FALO



DE MULHERES SAGRADAS A  MULHERES OBJECTOS...

Essa Mulher de que eu falo integra e inteira  não é certamente a mulher perdida de si mesma, submetida às instituições e dominada pelos homens como um objecto de uso pessoal e social que nada tem a ver com a Mulher Divina ou a Musa, a Mulher do inicio da nossa História - essa  mulher essencial porque mágica, sacerdotisa, detentora de sortilégios e poder de curar, aliada da natureza e dos animais! Essa mulher de que eu falo nada tem com esta mulher colonizada  pelo poder patriarcal que destitui a Deusa Mãe e fez da sacerdotisa uma prostituta e da mulher livre “a casada” e portanto, sujeita às suas leis. 

Não, a mulher de que eu falo não é apenas um corpo objecto e um sexo!

Essa mulher nada tem a ver com a mulher moderna, perdida da sua origem e essência, é hoje uma espécie de apátrida sem sentimentos ou consciência própria. É uma mulher esquecida de si mesma e da sua verdadeira natureza ontológica. Ela absorve, diz e escreve pela visão do homem e sente-se como um homem; ela é a policia travesti, é a médica inumana, é o soldado que vai à guerra é a mãe sem coração nem amor pela maternidade! Ela é a executiva implacável que odeia as mulheres e a ministra agressiva e bélica. Ela é uma Atenas saída da cabeça de Zeus ao serviço do patriarcalismo sem consciência nenhuma de si própria em profundidade.

Esta mulher de hoje que vive em função do seu corpo e da sua sexualidade não se sabe nem se conhece como uma verdadeira Mulher. Esta mulher de hoje desconhece o seu amago e está totalmente perdida de si mesma, educada pelos padrões masculinos e suportada por sociedades falocráticas, não têm nenhum sentido do seu centro e apenas se dá o valor que os homens lhe dão que é o de uma mente racional atulhada de conceitos lógicos onde prevalece tacitamente a superioridade do Homem em nome de quem ela fala e para quem ela só vale pelo sexo e como reprodutora.

Esse Feminino inato e eterno e parte do Princípio Yin que rege o universo foi rechaçado e denegrido ao longo dos séculos e a mulher destituída de uma identidade que lhe é própria pela predominância exclusiva do Princípio masculino, Yang e pela força de um autoritarismo, negando às sociedades humanas esse equilíbrio dos dois princípios em harmonia que a Deusa Mãe impunha como justiça e lei, o Cálice (o que contem) e não a força da Espada, o que viola e mata!

Por isso falar de feminino, pela sua ausência de sentido profundo, ou de essência é falar apenas de sexo e sexo e gravidez e abortos etc. e a confusão estabelece-se. A mulher é vista por baixo...até ao pescoço e nunca com cabeça tronco e membros...E nesta linha, para os homens, uma mulher que não se oferece ou não se entrega e não viva apenas em função dele e para lhe agradar ou é feminista ou lésbica...
Não, eu não nego a sexualidade da mulher como algo poderoso nem o corpo, e seus sentidos ...mas a mulher é muito mais do que um corpo! Ela tem Alma afinal...e coração também...e tem um potencial imenso a desenvolver, uma grandeza e uma dignidade que lhe trará VERTICALIDADE - elevação da Kundaline -...sem ser apenas pelo orgasmo ou pela gravidez...

Será que as mulheres não sonham com esse SENTIR-SE em si inteiras, com identidade própria, para que possam de uma vez por toda serem MULHERES inteiras, independentemente do papel/função que escolhem ter? Sim, a aposta das mulheres não devia ser antes de tudo o mais numa Mulher Integral, com significado e vida em si mesmas, como mulheres plenas em si, radiantes e magnéticas, sem medo nem necessidade de estereótipos?

Será que eu estou a dizer uma blasfémia...?

OU SERÁ QUE NÃO VEMOS COM ESSA MULHER SE PERDEU?


E não seria também o caso de as mulheres que pretendem seguir e recuperar esse Sagrado Feminino de que agora tanto se fala não deviam elas começar por si mesmas a nível individual e a trabalhar uma consciência de si mesmas - perceberem a sua cisão, o seu conflito interno - para voltarem a ser essa Mulher Inteira, tornar a mulher comum integral una e uma só...? e não apenas a viver uma Deusa fora de si e cultivar um mito, um ritual ou uma religião antiga por mais digna e verdadeira que seja?

Não seria então e antes de tudo o mais e urgente ir buscar essa CONSCIÊNCIA SUPERIOR E ONTOLÓGICA QUE REDIMENSIONA A MULHER em si mesma e ao nível da sua Psique e da sua Alma para que possa de novo recuperar o seu verdadeiro estatuto na sociedade humana em vez de se manter presa a padrões redutores e sempre focada no "outro/a" e no prazer do sexo e do corpo? Deixar de ser apenas essa mulher objecto, o eterno diabo, a sedutora, a mulher vazia de si, fatal, a frívola, ou agora a prostitua "sagrada" que ousam profanar...e confundir com a verdadeira sacerdotisa da Deusa?


RLP

segunda-feira, maio 21, 2018

REFLEXÕES...



O NEGATIVO E O POSITIVO, do ponto de vista emocional.


Para além dos princípios que movem a energia e o universo o que é um estado de negatividade? O que é o luto e a dor da separação e a morte ou a depressão como experiência comum e normal de vida que nos projecta em estados ditos não positivos?

E o que é o positivismo e a ideia de que é superior ao lado negativo das coisas? Só a própria palavra nos induz à rejeição dela...
Porque é a tristeza inferior à alegria?

É que para mim tanto uma coisa como outra, extremos de uma mesma experiência - polos opostos a integrar - posto que os dois extremos são concomitantes na nossa vida e em todos os aspectos da nossa vivência -, ao negarmos um lado e privilegiarmos o outro não estamos a cair apenas para um dos lados da balança?
Sim, eu sei que podemos ficar só do lado negativo a chorar e a reclamar das coisas...mas porque não estranhamos que as pessoas estejam sempre "numa boa"? Não é isso uma alienação da Vida?
Não é a vida ela mesma feita de boas e más coisas, de chuva e de sol, de frio e quente, de alegria e tristeza? Porque é a tristeza pesada e a alegria não? Porque recusamos a tristeza e preferimos a alegria? Não é a tristeza o resultado de um esforço ou de uma dor que vem na integração de uma consciência que depois e na sequência de um despertar traz o alivio e o descanso e a alegria, quando a tempestade amaina? Não é esta a lição mais profunda de vida? Aceitar os dois lados das coisas...saber sofrer e saber desfrutar de tudo o que a vida nos ensina...?
E então será que estou a construir um mundo melhor evitando a tristeza ou escondendo debaixo do tapete a minha dor e fingindo uma alegria forçada ou apenas mentalizando-me negando o lado escuro da Lua ou da lua em mim. Sinceramente não compreendo esta fuga ao negativo...



"A paz sobre esta Terra não pode ser a supressão das forças opostas, mas a sua conciliação no interesse de um fim comum: a vida indestrutível."Etienne Guillé

Sofrimento e dor, alegria e prazer, nascimento e morte fazem parte da roda da vida para quem está evidentemente sujeito às Leis do Karma, aos ciclos da vida, ao resultado das suas acções passadas e presentes, como todos nós humanos estamos sujeitos...

Todos sofremos o momento actual, a alienação do ser humano dos seus valores mais fundamentais, reflectidos na crise económica e na guerra de interesses que começam no ego individual na luta pela posse de bens materiais ou de afirmação egoica e isto é visto como se o mundo se dividisse entre vítimas e culpados…mas não é assim, embora aos nossos olhos desarmados de uma consciência superior nos pareça sempre que há os inocentes e os culpados.
Um dos males está precisamente em olharmos a guerra e a paz como se elas fossem a ausência uma da outra...mas a guerra é apenas a expressão da nossa ignorância, da negação de um lado da vida. E assim se quisermos a Paz não é só uma questão de fazer cessar fora a guerra porque mais tarde ou mais cedo ela rebenta noutro lado… mas de olharmos para nós individualmente e aceitarmos a nossa dualidade. Se assim for deixamos de lutar contra um inimigo que se inventa fora e que está bem dentro de nós próprios! Há milénios que assim é e não é uma questão de evolução ou progresso que faz o Homem parar de lutar contra os outros...nem as mulheres de reivalizarem umas com as outras em defesa do macho.
Enquanto o ser humano  não se vir a si mesmo como vitima e culpado ao mesmo tempo...ou por outra, enquanto o homem não deixar de se culpar e de se sentir vitima ele não pode dar um passo para a paz que é o resultado do equilíbrio das forças opostas dentro de si.
PORQUE HÁ UM ESTADO DE CONSCIÊNCIA QUE NOS ELEVA A UMA COMPREENSÃO DO MUNDO ACIMA DESTA DUALIDADE, ACIMA DO BEM E DO MAL...

RLP



SER OU NÃO SER


"SER OU NÃO SER" ESSÊNCIA, É A QUESTÃO..

Para mim a questão do feminino e do masculino vai muito mais longe do que aquilo que se veicula superficialmente nos Midea e Redes Socias...longe dos estereótipos que definem homem e mulher à partida como o é o irrisório das roupas e da cor (rosa versus azul) e das atitudes dúbias de menina e de menino (embora as hajam) ...pois de si o masculino e o feminino não se deviam definir através do exterior nem de um comportamento X ou Y. Assim como ao definir os seres apenas como sexos, identificar a pessoa humana com um órgão...(e o que seria identificar as pessoas pelo nariz...), e condicionados mental e intelectualmente por esses estereótipos, não se dá lugar a outros seres e a outros comportamentos, não sexuais, que nada tenham a ver com o sexo supervalorizado.
Há seres andróginos que não são machos nem fêmeas como há seres que não tem sexo no sentido de não sentirem a pulsão sexual como definição de um ser humano, e são seres inteiros.
Um ser humano é muito mais do que um sexo...e se a sociedade desse lugar a uma amplitude de seres para além do nominal sexual e funcional (os órgãos reprodutivos terem tanta importância) que nos escraviza enquanto espécie, talvez muitos seres humanos nascessem sem características ditas dúbias ou opostas. Se o foco da sociedade não fosse apenas o sexo...talvez se pensasse em almas e corpos distintos naturalmente sem necessidade de mudar nada...porque haveria aceitação de qualquer tipo de expressão humana e não apenas uma designação sexual-comportamental-animal.
A Espécie humana é escrava do sexo e da normas controladoras atávicas e o problema vem dessa escravização das pessoas mal nascem sem a aceitação da natureza e carácter de cada pessoa individual desde que nasce, todos diferentes. A superficialidade e a estupidez dos pais que querem uma menina ou um menino de acordo com os padrões da normalidade e tudo é pensado dentro desse quadrado social inibidor e coercivo sem qualquer dimensão verdadeiramente humana e ontológica. Vem daí toda esta aberração que termina na adulteração dos princípios femininos e masculino e do par homem-mulher (tendo sempre em vista o par reprodutivo para a sociedade de escravos: produzir-se consumir e morrer) e ignorar que não é essa a única forma-sexo de seres HUMANOS que existem no Planeta...

rosa leonor pedro

O QUE É A INTEGRIDADE DE UM SER?

A integridade Ela existe em nós, podemos dizer que no centro do nosso coração, não o sentimental, não o coração orgânico, mas o coração da inteligência superior - é a integridade daquilo que é de si intacto e que nada pode sujar, alterar ou tocar. É também a nossa alma e aquilo que a anima e que está acima de tudo o que nos divide e fragmenta no plano físico e emocional...Não é a persona-lidade que pode ser pura nem o in-dividuo (aquilo que é dividido em dois).
Temos de encontrar essa parte de nós que é intocável e ir para além do observador (o que está a ver) ou da testemunha que assiste aos nossos actos impulsivos ou instintivos animais...sem poder fazer nada...
Temos de nos identificar com o nosso Ka...o nosso duplo ou o nosso ser espiritual (segundo os egípcios) que nos assiste nesta vida dual em busca dessa união, em busca desse centro.
Como seres neste plano na matéria estamos divididos em partes e órgãos e em impulsos e obedecemos a necessidades primárias e ao ego que é o substituto temporal do nosso verdadeiro EU, incorruptível e imutável...que  desce a este plano para fazer a viagem na matéria e a resgatar...tal como a Mulher tem de resgatar a sua identidade Mulher primeiro como Mulher porque Ela é o elo fundamental para os homens na terra conseguirem o seu propósito mais alto...
rlp

domingo, maio 20, 2018

O PROBLEMA DAS MULHERES:




O PROBLEMA DAS MULHERES:
É MAIOR DADA A RIVALIDADE ENTRE SI...

"A Nossa cultura tem favorecido, com firmeza, valores e atitudes yang ou masculinas e tem negligenciado seus valores a atitudes complementares yin ou femininos.
Temos favorecido a auto-afirmação em vez da integração, a análise em vez da síntese, o conhecimento racional em vez da sabedoria intuitiva, a ciência em vez da religião, a competição em vez da cooperação, a expansão em vez da conservação, e assim por diante.
Esse desenvolvimento unilateral atinge agora, em alto grau, um nível alarmante, uma crise de dimensões sociais, ecológicas e espirituais."

(Texto escrito ha  cerca de 30 anos, do livro:"O Tao da Física" de Fritjof Capra). 


... "diria até que um dos grandes trunfos masculinos é de facto a poderosa força de união e cumplicidade relativamente ao feminino, em contrapartida a forma como as mulheres se relacionam umas com as outras é por vezes de uma extrema dureza. As mulheres no contexto social actual são rivais entre si perante o masculino e portanto desunidas na sua base sendo muito comum tomarem o partido do homem em detrimento de outras mulheres. A própria sociedade porque baseada nos modelos de actuação masculinos fomenta esta desunião e torna-nos enfraquecidas e isoladas umas das outras. Parece-me que a fim de superar este desequilíbrio a primeira onda tem que partir de nós individualmente, somos nós mulheres que necessitamos mudar o nosso comportamento umas para com as outras e apoiar-nos mutuamente. Na prática do dia a dia isto requer uma atenção constante, um olhar critico sobre nós próprias e sobre os nossos preconceitos."*

Às vezes esquecemo-nos que essa rivalidade existe porque nos envolvemos em pressupostos conjuntos e em ideias que defendem a harmonia e a suposta coloboração das mulheres, mas isso ainda não é efectivo nem real em todas, por isso as mulheres facilmente juram fidelidade a uma grupo ou a um projecto e ao primeiro confronto agredidem-se ou acabam por se trair e dizer mal umas das outras; as mulheres desatentas de si e convencidas das suas ideias não se apercebem dos seus movimentos internos facilmente nem como são movidas pelo antagonismo entre si e daí ao ciume à inveja ou a competição é um passo...Já vi muitas mulheres amigas deixarem de o ser por se desentenderem às vezes por coisas de nada... e esse continua a ser um dos grandes trunfos do masculino...tal como nos diz este excerto:
rlp

* L. Oliveira

Republicando


quinta-feira, maio 17, 2018

O CORPO DA MULHER



O USO (E ABUSO) QUE SE FAZ DO CORPO FEMININO...


"...uso que se hace en los medios del cuerpo femenino, un uso patriarcal, falocéntrico y capitalista del cuerpo de la mujer como reproductor de una cultura que marca unos estándares de belleza que nos transforman quirúrgicamente, mutilando nuestro rostro verdadero, el rostro de mujer que expresa su individualidad, convirtiéndolo en máscara sin personalidad. Y los cuerpos, recauchutados tras el bisturí, son cuerpos irreales que solo aluden al supuesto deseo masculino, deseo a su vez mediatizado por la pornografía, una industria al fin y al cabo y que sin embargo, industria y todo, coloniza lo cotidiano a base de moldear el deseo de los hombres alejándolo del sentir interno, en una maniobra aculturizadora basada en claves artificiales, misóginas y violentas."


O ABUSO DA MULHER COMEÇA NA PORNOGRAFIA...

"A indústria pornográfica é uma aberração, que faz uma verdadeira lavagem cerebral em prol da demolição do ser humano. A mulher é duplamente violentada no corpo a serviço da 'atuação' no filme pornô e em seu inconsciente. Não é e nunca foi entretenimento, mas uma ação grotesca de destruição da mulher ... O Patriarcado odeia as mulheres , pode tolerar que as santas vivam , para procriar seus herdeiros e escravos , mas a "puta" precisa ser abusada e usada ao máximo e descartada depois do "prazer".  - Carla Beatriz 


O CORPO DA MULHER

O corpo da mulher, com o advento da religião patriarcal e o seu domínio social e religioso, tornou-se num corpo objecto, um corpo ao serviço da sociedade e do patriarcado. A mulher foi paulatinamente despojada do seu corpo de sabedoria, do seu ser instintivo e anímico.
E toda a gente hoje pensa que esta mulher sem identidade, esta mulher vazia de interioridade profunda, esvaziada das suas entranhas, do seu sangue e do seu útero, sempre foi assim e que nunca houve a outra Mulher e a Deusa…


A VERDADEIRA MULHER FOI OCULTADA 

Durante mais ou menos 2 mil anos a Humanidade Mulher foi ocultada da face da Terra e da Arte, suprimida da linguagem erudita e escrita, reprimida na sua liberdade individual, controlada pela metade Homem em nome do qual a mulher foi submetida ao macho, primeiro como escrava, depois concubina, totalmente sujeita às leis do Pater, ao rei, ao pai, ao marido e ao Clã…

Durante mais de 2 mil anos a Humanidade retratou-se em nome do Homem…


Assim, ela aprendeu as leis dos homens e falava e agia como eles e em função deles, agia como um ser sem autonomia, nem voz activa e assim continuou até há aproximadamente um século, em que pela primeira vez na história dos homens, a mulher ousou erguer a voz para defender os seus direitos como pessoa e também como trabalhadora, mas no fundo, e em toda a parte do mundo, as condições de vida das mulheres é e continua a ser igualmente precária e aviltante sob todos os pontos de vista até hoje…e como todas sabemos a mulher comum a trabalhadora tal como no cinema nas artes e na literatura ou na politica continua a receber menos salário que os homens e a ser descriminada e abusada, desconsiderada, vexada, apesar da aparente emancipação conseguida em meio século...

Tal como há centenas de anos ela foi condenada ao descrédito por Apolo, impedida de manifestar o seu dom inato de oráculo, sacerdotisa e vidente, de ser senhora da sua vida em qualquer circunstância ela foi como Mulher até aos nossos dias desautorizada como ser autónomo e impossibilitada de se exprimir na sua total liberdade, de ser ela mesma, reprimida na sua força interior instintiva, deixando de ser a verdadeira representante do pólo feminino da humanidade, para passar a ser apenas a esposa legitimada pelo contrato social de casamento ou como prostituta na rua nos bares ou no Bordel. A Mulher continua impedida de se afirmar como um ser humano de plenos poderes e até de ter direito ao seu prazer, de ter direito sobre o seu próprio corpo, sexo, útero e ovários e enquanto mulher é ainda propriedade do Estado que regula as leis sobre essa capacidade de a mulher ser mãe ou não de acordo com a sua escolha. Desse modo e ao longo da dita evolução social e humana não se percebeu como a mulher deixou de ser não só a legítima representante do Principio Feminino e da Deusa Mãe, a Matriz criadora de todas as coisas como se tornou numa mulher ao serviço exclusivo da sociedade e do Homem.

Mas mais grave do que tudo isso foi a mulher ao ser submetida secularmente ao homem ela tornou-se no seu próprio inimigo, inimiga da outra mulher por rivalidade e por competição pelo macho, do pai e do filho ou do amante e não vimos como isso se tornou o apanágio de uma sociedade misógina patriarcal que dividiu as mulheres em duas...fazendo com as mulheres verdadeiras se cindissem e se antagonizassem desse modo entre si...

Por todas estas razões há muitos, muitos anos que a verdadeira mulher não existe e em lugar dela temos esse sucedâneo de mulher, que vemos nas revistas e nos filmes e nas telenovelas, uma mulher ridícula, risível e frágil, doente ou histérica, ou uma megera demoníaca e ninfómana; de um lado a mulher fatal, a vadia e a cabra, a puta ou a mulher de alterne e do outro a mulher submissa, a mulher do lar, a mulher séria e…fiel ao homem, à casa a família e aos filhos etc. e nessa medida a mulher inteira deixou de existir e tudo o que vemos é uma mulher metade, uma mulher dividida ao meio...



rosaleonorpedro

(republicando )