quinta-feira, julho 19, 2018

É A CULTURA ESTÚPIDA…

OS MODELOS 


Mulher versus homem...

O que vivemos nesta cultura moderna é o paradoxo do pensamento desfasado da realidade, quer dos aspectos sociais quer intrínsecos do individuo e a fantasia cultural e ideológica das pessoas na sua total ignorância dos aspectos antológicos, afastados do mundo da espiritualidade, sem alma, vivem apenas pelo factor exterior e da aparência ou do dinheiro e do consumismo exacerbado seja do corpo seja  do sexo como fonte de prazer aleatório, que cada vez mais ganha proporções gigantescas e leva as massas a  um paroxismo de estupidez generalizada através da Moda, dos Mídea do cinema da televisão assim como dos festivais de musica e vida nocturna onde reina a bestialidade: sexo drogas prostituição e dinheiro.

Não admira que se comece a falar com tanta “naturalidade” de Transsexauis e “profissionais do sexo” e de “indústria do sexo” de "barrigas de aluguer", de transgéneros, de casamentos homossexuais, de pedófilos e os seus direitos assim como a adopção de crianças por gays, quando o casamento foi instituído com o único propósito de garantir filhos legítimos do Pai e em que uma das partes, a mulher, se submete e serve o homem como propriedade, garantido assim ao Homem que os filhos são seus e que os seus bens continuarão a pertencer à sua família…
Agora tudo se desmorona, os padrões e as leis  e a família e temos as mulheres como meras  barrigas de aluguer e a prostituição instituída, e aqui a Mulher deixa de ter lugar no mundo passando a ser uma mera coisa de aluguer...à hora ou ao mês e por nove meses…

E...na verdade se durante décadas os GAYs ditaram a Moda feminina e fizeram da mulher essa coisa aberrante vazia de si o que eles querem ser hoje, é mulheres fatais e com mamas de silicone - e temos assim os homens reduzidos a travestis e dai se conclui que  o Lobby Gay e o Projecto maquiavelico de destruição tanto do Homem como da Mulher está em curso. Podemos ver que  um plano destruidor de todos os valores está em curso pela maquina do Sistema Capitalista e posta em curso pelos movimentos marxistas de esquerda e transgéneros. Esta cultura das minorias como padrão ascendente no mundo do espectaculo em geral e supostamente intelectual..

Sim, tendo sido os estilistas gays na sua maioria os autores e repercussores em todo o mundo desta alienação do feminino intrínseco não há duvida que o são agora do próprio masculino também...Assim até parece "justo" que  queiram ser eles os protagonistas dessa invenção, nem homens nem mulheres, como de um direito seu se  tratasse, e em lugar de homens e mulheres temos seres hibridos e caricatos ...mulheres sem seios e agora mulheres barbudas…

Mas então, é caso de se dizer, já que conseguiram o que queriam, fazerem-se passar por essa coisa que chamam mulher,  deixem as mulheres-mulheres, as mulheres verdadeiras  em paz e de uma vez por todas. Sejam trans tudo e tudo, tudo, mas TUDO o que tem “direito”, mas NÃO MULHERES, porque isso nunca serão; não, eles  não sabem nem sonham o que seja sem que nasçam Mulheres, XX e com utero e ovários!
ESta demolição da família tradicional é também a queda do Sistema patriarcal, mas o desvio cultural brutal em causa leva a uma nova alienação que é a destruição cabal de todo o tecido natural e humano da sociedade. Caminhamos a passos largos para a maior aberração do humano de que há memória, seres sem alma, robotizados, mortos vivos...ou fantasias rebuscadas de seres sem identidade.
(...)
Homem versus mulher...

E PARA OS QUE NÃO SABE AS DIFERENÇAS GENÉTICAS ENTRE MULHER E HOMEM, AQUI FICAM  OS DADOS IRREFUTÁVEIS:

Qual será realmente a diferença fundamental entre o homem e a mulher? Geneticistas americanos acabaram de resposta que os humanos procuravam desde o começo dos tempos: a diferença é um gene, existente apenas nos homens, chamado TDF (iniciais em inglês de “fator determinante de testículos”). Desde 1950, sabia-se que o sexo com que se nasce é determinado por um dos 23 pares de cromossomos do ser humano: mulheres possuem o par XX e homens, XY (assim chamados por causa da forma), explica o professor Paulo Otto do Instituto de Biociências da USP, “ficamos sabendo que não é um cromossomo inteiro, X ou Y, mas apenas um único gene que determina o sexo.” Detalhe: um único gene entre cerca de 100 mil que formam a bagagem hereditária do ser humano.

Os pesquisadores encontraram o gene TDF estudando os cromossomos de pessoas geneticamente anormais, ou seja, mulheres com par XY e homens com par XX – casos raros, na proporção de 1 para cada 20 mil, e essas pessoas são estéreis. Os cientistas notaram que faltava um pedacinho no cromossomo Y das mulheres; já nos homens, havia um pedaço de cromossomo Y preso a um cromossomo X. depois de muito quebrar a cabeça, eles concluíram que esta proporção de cromossomo a menos nas mulheres e a mais no homem era o gene TDF. No embrião do sexo masculino, o TDF manifesta na sétima semana; até então, segundo os geneticistas, o embrião é “sexualmente indiferente”.



rlp

quarta-feira, julho 18, 2018

CONSCIÊNCIA DO FEMININO


Muita gente que me lê inclusive mulheres acham estranho que escreva só para mulheres…

Sim, quero de facto afirmar e clarificar que escrevo exclusivamente para mulheres. Este é o meu contributo para uma verdadeira CONSCIÊNCIA DO FEMININO vivido e integrado e não pode servir de especulação nem de teoria para as mulheres se agarrarem as palavras e conceitos e acharam que já são Mulheres integradas ou que atingiram planos superiores e se superiorizarem umas das outras…Não, uma consciência não provem de uma ideologia nem de uma mentalização…nem se adquire num curso, nem em rituais ou com terapias. Na mulher essa consciência tem a ver como o despertar de um saber inato e inerente aos seu feminino ontológico. Algo que lhe pertence desde o inicio dos tempos e que foi obstruído pelas ideias e crenças patriarcais numa tentativa de anular o poder da mulher e a sua força intrínseca


O que eu escrevo tem de ser e é acessível A TODAS AS MULHERES SEM EXCEPÇÃO.

O que eu escrevo e o que eu defendo portanto como mulher é de algum modo contribuir para um despertar da mulher e desse seu potencial interior, o despertar do seu ser adormecido, do seu manancial fechado, do seu tesouro escondido, do seu coração inteligente, e isso partindo do principio que essa força está dentro delas e por isso tem de ser um discurso extensivo a todas as mulheres, compreensível e claro, objectivo, baseada em experiências vividas e não em cultos terapias ou teorias ou ideias muito bonitas acerca de uma irmandade.

O que eu escrevo tem de ser para as mulheres de todas as idades e de todos os géneros e cultura. De todas as classes e condições sociais, e todas tem de entender o que significa Ser Mulher em si e em essência e como foram roubadas dessa sua essência magnifica, desse seu poder inato ...e como esse velho cisma contra a mulher - a queda do Paraíso ou a Eva como culpada - é a queda de um mundo que resultou numa divisão da sua identidade original e como é possível a todas perceber que estão divididas em duas e vivem essa dicotomia de forma dolorosa sem entender o porquê.

Por isso o meu desejo é de que todas as mulheres entendam o que eu digo sem terem de mudar a sua vida exterior nem seguir rituais nem teorias - nada nem ninguém - e quer sejam elas mães, sejam filhas, enteadas, madrastas, sejam mulheres fatais, sexy ou promiscuas. frigidas ou castas, velhas novas e ricas ou pobres e remediadas, ou tenham elas casa, piscina e carros ou sejam sem-abrigo, perdidas e solitárias, quer tenham marido, sejam viúvas, divorciadas ou celibatárias...TODAS elas podem entender este cisma universal que pesa sobre a mulher em todo o mundo, desde que à partida sejam   MULHERES…mulheres com utero e ovários... 


 TODAS AS MULHERES TEM DE ENTENDER QUEM SÃO DE FACTO... 

 A nossa linguagem tem de ser acessível e simples para todas as mulheres possam compreender o que as divide e separa ou afasta umas das outras. Porque são inimigas umas das outras em vez de amigas, porque rivalizam entre si "a santa e  a puta" e eternamente discutem e se digladiam a sogra e a nora e a mãe e a filha...as irmãs e as amigas...
Todas as mulheres terão de perceber como ficaram e ainda estão sob a alçada do macho provedor, em nome do amor, do casamento, do Pai e do Filho...porque TODAS FORAM SUJEITAS ao poder masculino que as aprisiona e divide, que as sufoca, que as abusa sexual e psicologicamente, que as  massacra, viola explora vende e mata, mas que principalmente  as inibe de serem  uma mulher inteira, una e dona de si...e que enquanto ela servir e se vergar a esse poder deus pai e suas leis, ela nunca será livre nem ela própria…
 Toda essa escravidão em nome de deus do pai do dinheiro da família e do filho, a santa madrasta igreja que condenou as mulheres TODAS à serventia do macho. Assim todas as mulheres foram marcadas e sabem as dores que sofreram - assim conheçam elas a sua proveniência...

Este discurso parece panfletário, mas não importa...é apenas básico e fundamental.


rlp

O FEMININO E O MASCULINO



OS DOIS LADOS DO SER


“Os Seres humanos têm dois lados distintos. O lado direito que abrange pela compreensão tudo o que o intelecto pode conceber. O lado esquerdo que é um domínio que escapa a toda a descrição; um reino impossível de apreender pelas palavras. O lado esquerdo pelo ser abrangido, se é que podemos falar aqui da compreensão, com o corpo inteiro; isso explica a sua resistência a toda a conceptualização”- Carlos Castanheda

“Temos, pois, nestas duas forças, uma que está tratando de se gastar para chegar a um estado d e equilíbrio enquanto a outra permanece inerte, em potencial á espero do estímulo. A última, a força feminina, poderá ser comparada a uma carga de dinamite, em cujas partículas está concentrada a energia em forma latente; enquanto a primeira, ou força masculina, pode ser comparada a uma chispa eléctrica, ou a um golpe de um martelo que liberta energia latente.

Estas duas forças são as que o esoterista chama de positiva e negativa, masculina e feminina, sendo a força positiva, ou masculina, a estimuladora, e a força negativa a feminina, mercê da sua energia latente, a que realiza o verdadeiro trabalho da criação sob a influência do estimulador masculino, tornando-se imediatamente impotente uma vez esgotada a energia do impulso estimulante. Onde quer que se encontre esta acção ou operação o esoterista considera que a relação sexual está presente, quer se trate do reino mineral, quer se trate do mundo da mente.”

(In A filosofia Oculta do Amor e do Matrimónio de Dien Fortune)

"Como mulher, eu tinha a obrigação ainda maior de cumprir esta condição. As mulheres, de maneira geral, são condicionadas desde a infância a depender de membros do sexo masculino de nossa sociedade para conceptualizar e iniciar as mudanças. Os feiticeiros, a cujo treinamento me submeti, tinham opiniões bastante definidas a este respeito. Consideravam indispensável que as mulheres desenvolvessem também o seu intelecto e ampliassem sua capacidade de análise e abstração, a fim de obterem uma melhor compreensão do mundo à sua volta. "

- Taisha Abelar, Travessia das Feiticeiras

A CULTURA DO ABUSO



OS LIMITES DO SEXO?
OU OS LIMITES DA INSANIDADE?


Estava a refletir sobre a falsa imagem da mulher sobrevalorizada pelo sexo num excesso e demência dos sentidos, exacerbados por uma especulação cultural e libertina de fim (princípio) de século que dá a imagem da mulher super sex. Um mulher  capaz de engolir trinta machos por dia e como a própria mulher se expõe e dispõe a esse papel degradante na sua pele, quer nos filmes pornográficos onde a mecanização e a aviltação e a pura violência se misturam no mais gratuito dos intuitos ou na mais abjecta das prostituições do corpo, corrompendo as leis do desejo natural e a beleza da intimidade gerada no amor, quer nos filmes ditos de qualidade em que a promiscuidade visual apesar de mais cuidada é igualmente abjecta. E chamar amor a essa adição ou alienação do ser, homem ou mulher, em função de um acto primário e básico que só o amor transforma, é pura violência física psíquica e emocional para quem porventura se sujeita a ler ou ver a expressão da maior aviltação do ser humano na moda no ecrã ou na "arte" e "literatura"...

Chamar arte ou poesia à pornografia, chamar liberdade à insanidade e à promiscuidade, ou "amor" a um mecanismo igual ao dos animais, (estes bastante mais naturais!) expandi-los para os outros de forma ostensiva não passa de aberração e falta de dimensão verdadeiramente humana, ou falta de consciência (ou experiência) do verdadeiro sentir e do verdadeiro prazer…

Que o homem use a mulher como sempre o fez e a faça fazer os papéis que ele quer ou sonha, quer seja seu agente ou gigolô eu estou habituada, mas que seja a própria mulher a por na sua boca e fazer a defesa do imaginário masculino, isso a mim custa-me os olhos da cara. Sim custa-me que a Mulher se reveja em imagens deformadas da sua feminilidade tão adulterada e degradada e seja ela própria a contribuir muitas vezes para essa aberração do seu ser. 

Custa-me que a mulher aceite essa degradação de si mesma, que desconheça a sua essência e ache normal haver prostituição de mulheres ou travestis e transsexuais que copiam essa imagem sem perceber como tudo isso deriva da sua falta de identidade e de Integridade como Mulher!

rosa leonor pedro

segunda-feira, julho 16, 2018

Porque escrevo para as mulheres?


O CORPO DE DOR DA MULHER

Porque escrevo para as mulheres?
Porque as mulheres ESTÃO TODAS MAIS OU MENOS DOENTES. Estão doentes e não sabem o porquê...
Ora eu creio que a maior parte das doenças da mulher são de foro psíquico e emocional e estão directamente ligadas a forma como interiorizaram as violências sofridas por serem mulheres e a forma como foram tratadas desde crianças por serem meninas…


A VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA

"A "confusão" sentida e vivida pela mulher vítima de atrocidades psicológicas reside, na maioria das vezes, no equívoco de "confundir" os sentimentos. Desvalia, ódio, rejeição. Esta mesma mulher que pensa que ama, pode não amar o marido. Muitos outros motivos podem estar contribuindo para que ela viva o sentimento de "confusão". Medo de encarar outra realidade que ela pensa ser mais difícil, que ela pensa que não vai conseguir alcançar. O medo da separação, do divórcio. O medo de ter "fracassado" no seu casamento e por fim, também a possibilidade de ela confundir-se no sentimento de culpa e perder-se no desconhecimento da auto-punição ou auto-destruição."*

Esse é ainda o grande drama da mulher porém ela nem sequer lhe passar pela cabeça que o desprezo e a violência que sofreu desde sempre - da forma mais  subtil  e como isso  a afectou, tão drástica e profundamente, que se nega a ver as causas remotas do seu sofrimento e das suas doenças e pensa a doença como algo natural, acidental...ou devido a um fatalismo qualquer ou como algo comum a todas as mulheres, por serem mais fracas. Sim, quase todas as mulheres interiorizaram as suas dores psíquicas e emocionais no corpo físico e que formaram um amplo CORPO DE DOR que dá origem a mil doenças de foro feminino, cada dia mais com nomes pomposos como "o Transtorno de Personalidade Narcisista" ou a bipolaridade, antigo histerismo, ou a fibromialgia - dores incalculáveis no corpo todo sem origem conhecida, assim como distúrbios funcionais e tantas outras psicoses e sintomas de ordem patológica e sado-masoquismos.
Este quadro clinico é explorado arrogante e estupidamente hoje em dia por inclusivo mulheres que nada sabem de si intrinsecamente e homens sem qualquer noção da nossa realidade ontológica, e falam destes males das mulheres como se isto fosse algo sem proveniência conhecida...e claro, por culpa da mulher por ser um ser esquisito por condição. 

E tudo isto é banalizado, teorizado, intelectualizado, como toda a doença que afecta o ser humano e tem causas na maior parte das vezes em somatizações de sofrimento infligido a si e aos outros e sofrido pelos outros durante uma vida inteira…Por isso, dizem @s psicanalistas, com formação académica, mas sem formação nenhuma humana, que as mulheres são loucas e as mães más - sim que "São extremamente abusivas e perversas. Sentem prazer em causar dor aos filhos. Agem de forma premeditada e maquiavélica. Não possuem empatia, são competitivas, agressivas, controladoras, dissimuladas e egocêntricas." Claro que é normal que uma mulher ignorante, mal tratada e abusada ou explorada e deprimida seja má mãe e uma megera...

A REVOLUÇÃO INTERIOR DA MULHER 
OU A MORTE EM NOME DO "AMOR" E DO CASAMENTO...

Ora não se pode ignorar que essa violência feita sobre a mulher há séculos nem se pode defender um estatuto da mulher e a sua dignidade de um lado, como se ela fosse igual ao homem livre e emancipada, como pretendem os políticos feministas e intelectuais e por outro ela continuar a servir de caixote de lixo de todas as indignidades…
A mulher moderna é uma feira da pornografia, exposta em montras e nas ruas das cidades, ela é cobaia científica dos químicos, pilulas e quejandos, ela é uma boneca insuflável de silicone, escrava do alterne, da moda e dos cosméticos, dos médicos e proxenetas…explorada e morta, no Islão, em África na Índia ou na Europa sem apelo nem agravo.

A única maneira de sair desta situação é cada mulher de per se começar a tomar consciência da sua divisão interna e perceber que ela tem um valor intrínseco, um poder pessoal, feminino, um saber ancestral que vem no seu sangue e uma liberdade de ser que só essa consciência lhe poderá dar aos poucos, não pela falsa emancipação social mas pela integração das duas mulheres em si e através da sua capacidade de reunir os fragmentos do seu ser dividido. É preciso que a mulher se encontre a ela mesma e não ande perdida em busca do famoso e ignorado ponto G, porque não é um suposto prazer sexual desconhecido que a vai realizar e libertar, mas o de um poder interno que toda a mulher tem no seu útero, nos seus ovários, no seu sangue, e no seu coração.

Só despertando esse Poder Inato que já está dentro de si, essa consciência do seu ser profundo, a Mulher começará a sentir-se íntegra e confiante em si mesma, deixando de entregar o seu poder pessoal ao homem, ao amante, ao padre, ao médico, aos políticos, aos depressivos, aos ansiolíticos ou às operações plásticas…

Enfim, não escrevo contra os homens mas escrevo para as mulheres exclusivamente porque penso que tal como quando estamos doentes e vamos ao medico para saber a causa dos sintomas que nos afectam - penso que do mesmo modo - ao sabermos as causas remotas e original dos nossos males a nível psíquico e emocional,  isso pode ajudar-nos não só a diagnosticar a dor e a doença, como a curar-nos...pelo menos podemos evitar comer o que nos faz mal...ou viver com o homem que nos violenta, abusa e despreza. 
Como me dizia uma amiga hoje, estou certa de que 80 por cento das mulheres casadas sofrem de violência conjugal e que são obrigadas a cumprir "o contrato" (a obrigação da mulher é servir o marido e os filhos), sobretudo as mais velhas, e a fazer sexo sem vontade sendo usadas apenas como corpos de serventia ao macho provedor...e muitas sim, essa grande maioria, nem forma tem de sair da situação em termos materiais e afectivos - a sua dependência do homem é sem duvida uma das causas mais directas da depressão e das suas doença, mas isso elas nem sonham - chamam-lhe "amor" dever...etc.
rlp
*in Violência psicológica, Maria da Penha Vieira

quinta-feira, julho 12, 2018

HISTÓRIA E MITOS II


“Na pessoa de Enheduana, estamos na presença de uma mulher que foi ao mesmo tempo princesa, sacerdotisa, poeta, enfim, uma personalidade que estabeleceu padrões em todos os três papéis que desempenhou por muitos séculos que se sucederam, e cujos méritos foram reconhecidos muito depois, como tantos fatos que marcaram a cultura e civilização mesopotâmicas”
W. Hallo and J.J.A. van Djik, The Exaltation of Inanna.

Enheduana, a primeira escritora na história a assinar a autoria de suas obras


Enheduana, Princesa Lunar Acádia, filha de Sargão (2334-2279 a.C.), “Rei de Acádia, comissário de Innana, Rei de Kish, sacerdote de Anu, governador de Enlil”, fundou o primeiro Império do mundo (posteriormente seria a Babilônia), entre Pérsia e o Mediterrâneo. Nascida cerca 2300 a.C., é a primeira pessoa a colocar seu nome em uma obra que estão preservados na história da literatura.

As evidências da obra desta sacerdotisa literata, erudita e notável poeta que temos disponíveis incluem um ciclo de três hinos à deusa Inana e um ciclo de 45 hinos de templo. Escolhida por seu pai Sargão, Enheduana começa uma tradição que vai perdurar por cerca de 500 anos, através da qual o rei vigente instalava sua filha como Alta Sacerdotisa de Nana, o deus da Lua, em Ur. Inana é o grande regente do tempo, da passagem das estações, da fertilidade da terra e do sangue sagrado de todas as mulheres.

Por 500 anos após Enheduana, temos nomes registrados em tábuas de argila de princesas que desta forma exerceram tanto poder religioso como secular em Ur, algo ainda não atingido pelo sexo feminino no século XXI. Enheduana teve importante papel teológico na Suméria. Ela foi a autora de dois ciclos de hinos escritos em honra dos templos da Suméria, expressando portanto o desejo de unidade cultural, tão importante para o império em formação de seu pai.

Os poemas de Enheduanna estão dirigidos a deusa Suméria do amor, Innana: Ela fala a uma deidade que as vezes traz a felicidade e as vezes o desastre sobre a Terra.
Estas sete estrofes pertencem a um só poema, chamado “A exaltação de Enheduanna a Innana”, que contem um total de dezoito. Representam uma mostra parcial de seu estilo poético, e podem completar-se em uma segunda apresentação, mais adiante.

Todos estes hinos são em parte poemas narrativos. A imagem da deusa Inana é sempre a de uma deusa forte, poderosa, unificadora, tal qual a imagem que Sargão e seu império queria e foi bem sucedida em propagar.

Sem dúvida, como filha de um grande monarca e a primeira princesa a ser instalada no posto de Alta Sacerdotisa, Enheduana gozava de invejável posição e autoridade. É também extremamente estimulante ver a espontaneidade, paixão e técnica de seus escritos, que nos deixam um testemunho precioso de uma mulher que detinha poder tanto temporal como espiritual, além de ser grande poeta e gozar de considerável erudição.


O primeiro artefato descoberto com inscrições sobre sua existência é um disco (Figura 1), que foi descoberto por Sir Leonard Woolley em 1925.

Na Universidade de Yale estão guardados um disco de 25 cms. de diâmetro, em rocha calcária (Figura 1), em que aparece a imagem de Enheduanna acompanhada por três mulheres, e as tábuas cuneiformes em que estão escritos estes versos:











“LA EXALTACION DE ENHEDUANNA A INANNA”

l. INNANA Y LAS ESCENCIAS DIVINAS

Señora de todas las escencias, luz plena,
buena mujer vestida de esplendor
a quien el cielo y la tierra aman,
amiga de templo de An,
tu llevas grandes ornamentos,
tú deseas la tiara de la alta sacerdotisa
cuyas manos sostienen las siete escencias,
O mi señora, guardiana de todas las grandes escencias,
las has escogido y colgado
de tu mano.
Has reunido las escencias sagradas y las has puesto
apretadas sobre tus pechos.

2. INANNA Y AN

Como un dragón has cubierto el suelo
de veneno.
Como el trueno cuando ruges sobre la tierra,
árboles y plantas caen a tu paso.
Eres una inundación descendiendo desde una montaña,
¡Oh primaria,
diosa lunar del cielo y de la tierra!
Tu fuego sopla alrededor y cae sobre nuestra nación.
Señora montada sobre una bestia,
An te da cualidades, órdenes sagradas,
y tú decides.
Tú estás en todos nuestros grandes ritos.
¿Quién puede entenderte?

3. INNANA Y ENLIL

Las tormentas te prestan alas, destructora de nuestras tierras.
Amada por Enlil, tú vuelas sobre nuestra nación.
Tú sirves a los decretos de An.
Oh mi señora, al oir tu sonido,
colinas y llanuras reverencian.
Cuando nos presentamos ante tí,
aterrados, temblando en tu clara luz tormentosa,
recibimos justicia.
Nosotros cantamos, nos lamentamos, y lloramos ante tí
y caminamos hacia tí a través de un sendero
desde la casa de los enormes suspiros.

4. INANNA E ISHKUR

Tú lo derribas todo en la batalla.
Oh, mi señora sobre tus alas
llevas la segada tierra y embistes enmascarada
en una atacante tormenta,
ruges como una rugiente tormenta,
truenas y sigues tronando, y resoplas
con vientos malignos.
Tus pies están llenos de inquietud.

En tu arpa de suspiros
yo escucho tu canto fúnebre.

5. INANNA Y LA ANUNNA

Oh, mi señora, la Anunna, los grandes dioses,
aleteando como murciélagos delante tuyo,
se vuelan hacia los farallones.
No tienen el valor de caminar
delante de tu terrible mirada.
¿Quién puede domar tu furibundo corazón?
Ningún dios menor.
Tu malevolente corazón está más allá de la templanza.
Señora, tu sedas los reinos de la bestia,
tú nos haces felices.
Tu furia está más allá de la templanza,
¡Oh hija mayor de Suen!
¿Quién te ha negado alguna vez reverencia,
señora, suprema sobre la tierra?

6. INANNA Y EBIH

En las montañas en las que no eres venerada
la vegetación está maldita.
Tú has convertido en cenizas sus grandes entradas.
Por tí los ríos se inflan de sangre
y la gente no tiene nada que beber.
El ejército de la montaña va hacia tí cautivo
espontáneamente.
Saludables hombres jóvenes desfilan ante tí
espontáneamente.
La ciudad danzante está colmada de tormenta,
conduciendo a los hombres jóvenes hacia tí, cautivos.

7. INANNA Y LA CIUDAD DE URUK

Has dicho tu sagrado mandato sobre la ciudad
que no ha declarado:
“Esta tierra es tuya,”
que no ha declarado:
“Le pertenece a tu padre y al padre de tu padre,”
y tú has bloqueado su paso hacia tí,
tu has alzado tu pie y abandonado
su granero de la fertilidad.
Las mujeres de la ciudad ya no hablan de amor
con sus maridos.
Por las noches ellos no hacen el amor.
Ya no están desnudas delante de ellos,
revelando íntimos tesoros.
Gran hija de Suen,
impetuosa vaca salvaje, suprema señora comandante de An,
¿quién se atreve a no venerarte?


DEl “HIMNO A INANNA”

Señora de todos los poderes
En quien la luz aparece,
Una luz radiante
Amada por Cielo y Tierra,
Tiara-coronada
Sacerdotisa del Más Alto Dios,
Mi Señora, tú eres la guardiana
De toda grandeza.
Tu mano sostiene los siete poderes:
Tú alzas los poderes de ser,
Tú los has colgado sobre tus dedos,
Tú has reunido los muchos poderes,
Los has abrochado ahora
Como collares sobre tu pecho.

****

Como un dragón,
Envenenaste el suelo-
Cuando le rugiste a la tierra
En tu trueno,
Nada verde podía vivir.
Una inundación cayó de la montaña:
Tú, Inanna,
Primera en el Cielo y en la Tierra.
Señora cabalgando una bestia,
Tú lloviste fuego sobre la cabeza de los hombres.
Tomando tu poder del Altísimo,
Señora de los grandes ritos,
¿Quién puede entender todo lo que es tuyo?

*****

Fue en tu servicio
Que entré por primera vez
En el templo sagrado,
Yo, Enheduanna,
La más alta princesa.
Portaba el canasto ritual,
Cantaba tu alabanza.
Ahora he sido arrojada
Al lugar de los leprosos.
Llega el día,
Y la luminosidad
Es oculta a mi alrededor.
Sombras cubren la luz,
La entapizan en tormentas de arena.
Mi bella boca sólo conoce la confusión.
Aún mi sexo es ceniza.

****

Oh, mi Señora
Bienamada del Cielo,
He dicho tu furia con verdad.
Ahora que su sacerdotisa
ha regresado a su lugar,
El corazón de Inanna se restaura.
El día es auspicioso,
La sacerdotisa está vestida
En hermosas túnicas,
En femenina belleza,
Como en la luz de la ascendente luna.
Los dioses han aparecido
En sus legítimos lugares,
El umbral del Cielo exclama “¡Salve!”
Alabanza a la destructora dotada de poder,
A mi Señora envuelta en belleza.
Alabanza a Inanna.

HISTÓRIA E MITOS I


Inana

O superior e o inferior: qualidades do feminino

A deusa Inana, cujo nome semítico é Ishtar, apresenta uma imagem simbólica multifacetada, um modelo do feminino que se proteja para além do meramente maternal. Outras deusas da Suméria eram grandes mães do mar e da terra. Ao assumir em um culto o símbolo do duplo eixo das divindades antigas, Inana combina céu e terra, matéria e espírito, luz, generosidade telúrica e orientação celestial. Na origem talvez ela estivesse ligada aos grãos e aos silos comunais enquanto recipientes, aos armazéns de tâmaras. Cereais e outros víveres. Entre os seus emblemas e rituais antigos incluem-se essa casa de armazenamento e um laço ou trouxa de tecido, feitos talvez das fibras que fechavam as portas dos silos, sendo o deus tâmara um de seus mais antigos noivos divinos. Dessa forma a deusa se manifesta, do mesmo modo que Deméter e Ieriduwen, como nume de fertilidade impessoal. Diz-se, numa canção, que do seu útero jorravam cereais e legumes. Desde o início ela também aparece impressa em la_ cores e vasos antigos como deusa celestial, representada por uma estrela. Enquanto deusa de chuvas suaves e terríveis tempestades e enchentes, bem como do céu carregado (cujas nuvens são seus seios), é chamada rainha do céu e considerada esposa de Na, o antigo rei sol. Inana é também, desde tempos antiquíssimo, a deusa da imprevisível e radiante estrela da manha e do entardecer, despertando a vida e fazendo-a dormir, controlando as temas das fronteiras, chamando o deus sol, seu irmão, ou ô-deus lua, seu pai, para a actividade ou o repouso. Ela representa as regiões limítrofes e intermediárias, e as energias impossíveis de conter ou definir, das quais não se pode ter certeza ou segurança. Não se trata do feminino enquanto noite, mas muito mais da simbolização da consciência da transição e dos limites, dos lugares de intersecção e passagem que implicam criatividade, mudança e todas as alegrias e dúvidas peculiares a uma consciência humana flexível, lúdica e nunca estável por longo tempo. Sob a forma de estrela do entardecer, Inana congrega a corte pela época da lua-nova para ouvir os pedidos dos deuses, e para ser celebrada com música, festas e encenações de batalhas sangrentas. Ela reclama o eu: os princípios ordenadores, as potências, talentos e ritos do mundo civilizado e superior. Enquanto juíza, congrega a corte para "decretar o destino" e "tripudiar sobre o transgressor", simbolizando a capacidada do sentimento de avaliar periódica e rejuvenescida mente, e que acompanha o senso da vida como um processo de mutação. Como rainha da terra e sua fertilidade, ela desmama realeza sobre o mortal escolhido para ser o pastor do povo, e o acolhe em seu leito e trono da vida cortada de seu jardim por Gilgamesh) Como consorte ela dá o trono, o ceptro, assessores, o báculo a coroa, bem como a promessa de boas colheitas, junte com as alegrias de sua cama. Mas Inana também é a deusa da guerra. À batalha a "dança de Inana" e ela, ao conceder a vitória, "é o arco e porta-flechas sempre à mão.. . o coração da batalha, o braço dos gurreiros".
Mais apaixonada do que (por ser dotada das energias dos instintos selvagens mais tarde atribuídos a Ártemis), a deusa é descrita hino como omnidevoradora na força atacando como uma tempestade agressiva", mostrando um "rosto assustador" e um "coração feroz" .
E é com profundo gozo que ela canta as suas glórias e proezas: "O céu é meu, a rainha é minha. Sim. Eu sou uma guerreira. Haverá um ser que possa enfrentar-me?" "Os deuses não passam pardais; eu sou falcão; os Anunaki (deuses) capturando-os. Entre os animais Inana tem por companheiro o leão, e sete deles puxam sua carruagem. Em alguns por aí - eu sou uma magnífica vaca selvagem". Um mito apresenta-a lutando com o dragão do kur e antigos um escorpião aparece ao seu lado. É de modo igualmente apaixonado que ela se apresenta como a deusa do amor sexual. Entoa canções de desejo , enquanto se enfeita e fala do desejo e das delícias fazer amor. Clama pelo consorte e amado, seu "pote de mel", que "sempre me acaricia", atraindo-o o seu "colo sagrado" para desfrutar-lhe as delícias das horas de vida e a ternura sexual em seu leito de sagradas. Mais extrovertida que Afrodite, quer arrebatar, -deseja e destrói, para depois sofrer e compor canções de lamentação. Inana nem sempre desperta -um desejo interior; o que ela faz é reclamar suas necessidades afirmativamente, e celebrar o próprio corpo em canções. Trata-se de uma receptividade ativa. Ela clama pelo preenchimento do corpo, cantando louvores à sua vulva, convidando Dumuzi, “vem para o meu leito para amar a minha vulva, homem do meu coração". É por isso que Inana é considerada a deusa das cortesãs, a prostituta que chama os homens de dentro das tavernas" ao levantar-se no céu como estrela da tarde. E, uma vez no céu, é chamada de noiva e esposa, e hierundela (como suprema sacerdotisa do amor ritual) dos deuses. Fala-se dela como propicia a cura, e ela é fonte de vida, compõe canções - diz-se que as faz nascer, sendo criativa em todos os aspectos. E o desencadear das emoções também está na sua dependência:

Infernizar, instigar, escarnecer, profanar - e venerar - eis o teu domínio, Inana. Depressão, calamidade, mágoa - e alegria e exultação - eis o teu domínio, Inana. Tremor, susto, apavoramento - e deslumbramento e glória - eis o teu domínio, Inana... Inúmeros poemas retratam-na apaixonada, ciumenta, ressentida, alegre, tímida, exibicionista, sorrateira, exaltada, ambiciosa, generosa, e assim por diante: toda a gama de epítetos pertence à deusa. Com frequência Inana é descrita como ,'filha dos deuses" e "donzela" e, na verdade, na época em que seus últimos hinos foram escritos, a deusa, da mesma forma que Atenas, é frequentemente vista como condicionada pela ligação paterna", embora alguns poemas sugiram que ela tenha uma ligação próxima e alegre com a mãe.

23 Kramer, Poetry ol Sumer, p, 94.

DO LIVRO SONHOS LUCIDOS...


A MULHER É ESCRAVA DO HOMEM...

—Como mulher deveria entender muito bem essa condição. Tem sido uma escrava toda sua vida. —Do que está falando, Delia? — perguntei, irritada por sua impertinência, mas de imediato me acalmei, pensando que sem dúvida a pobre índia tinha um marido prepotente e insuportável. — Acredite em mim, Delia. Sou inteiramente livre. Faço o que quero. —Talvez você faça o que quer, mas não é livre — insistiu. —Você é mulher, e isso automaticamente significa que está à mercê dos homens.
—Não estou à mercê de ninguém! — gritei. Não sei se foi minha afirmação ou o tom de minha voz que fizeram com que Delia se desatasse em gargalhadas, tão fortes como as minhas de momentos antes. —Parece estar gozando de sua vingança — observei incomodada. —Agora é a sua vez de rir, não é? —Não é o mesmo — replicou, repentinamente séria.
—Você riu de mim porque se sentia superior. Escutar a uma escrava que fala como seu amo sempre diverte ao amo por um momento. Desejei interrompê-la, dizer-lhe que nem me havia passado pela cabeça pensar nela como uma escrava, ou nem a mim como a um amo, mas ela ignorou meus esforços, e no mesmo tom solene explicou que o motivo pelo qual havia rido de mim era porque eu me achava cega e estúpida ante minha própria feminilidade.
—O que está acontecendo, Delia? — perguntei intrigada. —Você está me insultando deliberadamente.
—Muito certo — respondeu rindo, por completo indiferente à minha raiva crescente. Logo depois, golpeando-me forte no joelho, acrescentou:
O que me preocupa é que você não sabe que, pelo simples fato de ser mulher, é escrava. Recorrendo a toda a paciência que pude reunir disse-lhe que estava equivocada:
—Ninguém é escravo hoje em dia.
—As mulheres são escravas — insistiu Delia —, os homens as escravizam. Eles aturdem às mulheres, e seu desejo de nos marcar como propriedades suas nos envolve em névoa, a névoa resultante se prende a nós como uma bigorna. Meu olhar vazio a fez sorrir. Recostou-se no assento, abraçando o peito com as mãos.
—O sexo desorienta as mulheres — acrescentou de maneira suave, mas enfática —, e o faz tão irrefutavelmente que não podem considerar a possibilidade de que sua baixa condição seja a consequência direta do que se lhes faz sexualmente.
—Essa é a coisa mais ridícula que jamais escutei — declarei; logo, pesadamente, embarquei numa longa discussão acerca das razões sociais, econômicas e políticas que explicavam a baixa condição da mulher. Com grande detalhe falei das mudanças ocorridas nas últimas décadas, e de como as mulheres haviam tido bastante êxito em sua luta contra a supremacia masculina. Incomodada com sua expressão irreverente, não pude conter o comentário de que ela, sem dúvida, era vítima dos prejuízos de sua própria experiência e perspectiva do tempo. Todo o corpo de Delia começou a sacudir-se com o esforço que fazia para controlar seu riso. Conseguiu fazê-lo e me disse:
—Na realidade nada mudou. As mulheres são escravas. Temos sido criadas como escravas. As escravas que foram educadas estão hoje atarefadas denunciando os abusos sociais e políticos cometidos contra a mulher. Não obstante, nenhuma dessas escravas pode enfocar a raiz de sua escravidão — o ato sexual — a não ser que envolva um estupro, ou esteja relacionado com alguma forma de abuso físico — um leve sorriso adornou seus lábios quando disse que os religiosos, os filósofos e os homens da ciência têm mantido durante séculos, e certamente o seguem fazendo, que tanto os homens como as mulheres devem seguir um imperativo biológico ditado por Deus, que diz respeito diretamente à sua capacidade sexual reprodutiva. —Temos sido condicionadas para acreditar que o sexo é bom para nós — ressaltou. —Esta crença e aceitação inata nos têm incapacitado para fazer a pergunta certa.
—E qual é essa pergunta? — inquiri, esforçando-me para não rir de suas convicções totalmente erradas. Delia pareceu não haver me escutado; esteve tanto tempo em silêncio que pensei se haveria dormido, e por isso me surpreendeu quando disse:
—A pergunta que ninguém se atreve a fazer é: o que é quê o ato de que nos montem nos faz a nós, mulheres? 
—Vamos, Delia… — retruquei jocosamente. —O aturdimento da mulher é tão total que enfocamos qualquer outro aspecto de nossa inferioridade, menos aquele que é a causa de tudo — manteve. —Mas Delia — disse rindo —, não podemos viver sem sexo. O que seria do gênero humano se…? Parou minha pergunta e meu riso com um gesto imperativo de sua mão.
—Hoje em dia mulheres como você, em sua febre por se igualar ao homem, imitam-no, e o fazem até ao extremo absurdo de que o sexo que lhes interessa não tem nada que ver com a reprodução. Equiparam o sexo à liberdade, sem sequer considerar o que o sexo faz a seu bem-estar físico e emocional. Temos sido tão cabalmente doutrinadas que acreditamos firmemente que o sexo é bom para nós — me tocou com o cotovelo e, como se estivesse recitando uma ladainha, acrescentou:
—O sexo é bom para nós. É agradável, é necessário. Alivia as depressões, as repressões e as frustrações. Cura as dores de cabeça, a hipertensão e a pressão baixa. Faz desaparecer as espinhas da cara. Faz crescer a bunda e os seios. Regula o ciclo menstrual. Resumindo: é fantástico! É bom para as mulheres. Todos o dizem. Todos o recomendam. — fez uma pausa para depois declamar com dramática finalidade: —Não há mal que uma boa trepada não cure. Suas declarações me pareceram muito engraçadas, mas de repente fiquei séria ao recordar como minha família e amigos, inclusive nosso médico particular, o haviam sugerido (é claro que não de maneira tão crua) como uma cura para todos os males da adolescência que me angustiavam por crescer em um meio tão estritamente repressivo. Havia dito que, ao casar-me, teria ciclos menstruais regulares, aumentaria de peso e dormiria melhor. Inclusive adquiriria uma disposição de ânimo mais doce.
—Não vejo nada de mal em desejar sexo e amor — me defendi. —Minhas experiências neste sentido têm sido muito prazerosas, e ninguém me domina ou atordoa. Sou livre! Eu faço com quem quero e quando quero. Nos olhos escuros de Delia vi um lampejo de alegria ao dizer: —O fato de escolher seu companheiro não altera o fato de que te montam. —Em seguida sorriu, como para mitigar a aspereza de seu tom, e acrescentou:
—Equiparar o sexo com a liberdade é a suprema ironia. A ação de aturdir, por parte do homem, é tão completa, tão total, que nos tem drenado a energia e a imaginação necessárias para enfocar a verdadeira causa de nossa escravidão. — Logo enfatizou:
—Desejar a um homem sexualmente, ou enamorar-se romanticamente por um, são as únicas opções dadas às escravas, e tudo o que nos tem sido dito acerca dessas duas opções não são outra coisa que desculpas, que nos submergem na cumplicidade e na ignorância. Indignei-me, pois não podia deixar de pensar nela como em uma reprimida que odiava aos homens.

—Por que odeia tanto aos homens, Delia? — perguntei, apelando ao meu tom mais cínico. —Não me desagradam — assegurou —, ao que me oponho apaixonadamente é à nossa renúncia a examinar quão profundamente doutrinadas estamos. A pressão que têm exercido sobre nós é tão terrível e fanática que nos convertemos em cúmplices complacentes. Aquelas que se animam a discordar são rotuladas como monstros que detestam aos homens, e sofrem a conseguinte zombaria. Corada, observei-a sub-repticiamente, e decidi que ela podia falar de forma depreciativa do amor e de sexo pois, no fim das contas, era velha, e por estar mais além de todo desejo. Rindo contidamente, Delia colocou as mãos atrás da cabeça.

—Meus desejos físicos não caducaram porque seja velha — confessou — e sim porque me foi dada a oportunidade de usar minha energia e imaginação para converter-me em algo diferente da escrava para a qual me criaram. Porque havia lido meus pensamentos me senti mais insultada que surpreendida. Comecei a defender-me, mas minhas palavras só provocaram sua risada. Quando parou de rir me encarou; seu rosto mostrava-se tão sério e severo como o de uma professora a ponto de dar uma reprimenda a um aluno. —Se você não é uma escrava, como é que te criaram para ser uma Hausfrau que não pensa em outra coisa que em heiraten e em seu futuro Herr Gernahl que dich mitnehmen? Ri tanto ante seu uso do alemão, que precisei parar o carro para não correr o risco de bater, e meu interesse por averiguar de onde havia aprendido tão bem esse idioma fez com que esquecesse de defender-me de sua pouco lisonjeira acusação, de que tudo o que eu ambicionava na vida era encontrar um marido que se unisse comigo. Com respeito a seu conhecimento de alemão, apesar de minhas insistentes súplicas, manteve-se desdenhosamente refratária a fazer revelações.

Florinda Donnar Gau

AS MULHERES MODERNAS...


AS mulheres em geral, mas as mais MODERNAS sobretudo, tem de tal forma a violência sobre si interiorizada que não se apercebem de como foram e são ainda hoje vitimas de violência a todos os níveis, seja da forma mais subtil, verbal e psicológica, seja a manipulação emocional,  seja a prepotência do homem em todos os aspectos da relação homem-mulher. Elas pensam-se livres ou emancipadas e portanto não conseguem ver por dentro (a nível psicológico e emocional) os estragos nem as repercussões dos maus tratos que sofreram, e por isso branqueiam e escamoteiam as realidades que possam contrariar uma ideologia marxista feminista, devia dizer a ideologia machista, que valida os valores do homem exclusivamente na sua maioria ...

MAS SIM, "tenemos la violencia tan interiorizada que ni siquiera somos conscientes de ella."*-

Isto é um facto inegável e indesmentível para quem pensar minimamente olhando a nu a realidade deste mundo COMERCIAL em que vivemos; e é de tal forma verdade que  temos a violência tão interiorizada em nós que não damos por ela e acabamos por lhe chamar doenças. Mas vejamos como e porquê...ela se instala e se dilui no hábito dos comportamento do homem para com a mulher.

Ela começa em casa e talvez na mãe, a má e reprimida mãe ...ou no pai austero e autoritário logo de pequenina .. Pode variar um pouco a forma como somos desvalorizadas desde meninas mas não podemos ignorar esta verdade. Ela acontece sobretudo a partir da adolescente, pelo parte dos pais e irmãos, na repressão da mulher feminina e sensual, ou pelos homens em geral, pelo seu olhar e "piropos"...
O facto é que acabamos tão habituadas a esse olhar que já adultas, no trabalho, nos habituamos à falta de respeito que nutrem por nós, sejam professores, patrões,  e maridos ou amantes e chefes ao longo da vida, tão habituada a ser olhadas como meros objectos sexuais na publicidade, nos placards, nas montras e nos cartazes e anúncios que mostram a mulher de forma degradante, desde a moda a pornografia...que já não a conseguimos distinguir quando a temos de fazer parar... é ai que começamos a adoecer...a morrer aos poucos...a ficar deprimidas ou bipolares... e a sofrer todos os tipos de sintomas e doenças, e da forma com essa violência e dor foi interiorizada ela se transforma em dores físicas, em transtornos psiquicos…

Sim, e as doenças de foro feminino começam ai...nós conhecemos jovens mulheres traumatizadas abusadas por irmãos e pai...sabemos a dor e sabemos que não é só lá longe mas bem perto de nós que tudo isso acontece e nos nossos dias AINDA.
Por isso temos de olhar bem e ver como aceitámos e nos habituamos a esta desvalorização do nosso ser desde pequenas, e entender porque estamos hoje tão habituadas ao desprezo e à violência feita sobre nós mulheres que ela nos passa ao lado...

Por exemplo, nós passamos ao lado da propaganda comercial...do cinema - mas eu sempre que entro num Centro Comercial e olho os cartazes de cinema em que as mulheres estão sexualmente expostas fico constrangida, revoltada e enojada...mas claro vão-me dizer que isto é a vida moderna ou chamar-me "retrógada"...ou démodé… mas eu interrogo-me como é que nenhuma mãe pensa no que uma criança (menino ou menina) pensa e sente quando vê a mulher assim exposta...o que pensa um filho quando vê a irmã ou a mãe à imagem dessas mulheres???

Nós não pensamos no efeito desses cartazes de cinema nas crianças, nem nos filmes (se os chegarem a ver) nem como elas se veem, como se identificam com aquela mulher semi nua exposta de forma aviltante...mas eu asseguro-vos que a VIOLÊNCIA e o abuso sexual e a violação da Mulher ou a VIOLÊNCIA DOMÉSTICA e o FEMINICIDIO começam ai …
Sim, começa dentro de casa e é dentro de casa e em família que se praticam os abusos e falta de respeito de todo o tipo sobre as meninas e as mulheres…

Sim, É nessa educação machista e tratamento inferior da mulher que tudo começou e que vai desaguar nos filmes e telenovelas e que, mesmo sem serem pornográficos, que começa e se alastra o desrespeito pela mulher;

SIM, hoje...em todo mundo são prostituídas milhares de meninas e mulheres, neste momento no mundo inteiro e a toda a hora estão a ser violadas e exploradas milhares de mulheres... algumas mortas e torturadas na guerra e tudo isso PORQUE NÓS INTERIORIZAMOS DE TAL FORMA A VIOLÊNCIA QUE NOS FAZEM QUE ACHAMOS ISSO NATURAL...todos estes crimes contra a Mulher! Digo CONTRA a metade da população do mundo…

Pensem nisso...

  rlp

* citação de Casilda Rodrigañez

segunda-feira, julho 09, 2018

SER JOVEM ENQUANTO VELHA...



"Talvez você tenha vindo à minha porta por estar interessada em viver de um modo que a abençoe com a perspectiva de, como eu digo, "ser jovem enquanto velha e velha enquanto jovem" — o que significa estar plena de um belo conjunto de paradoxos mantidos em perfeito equilíbrio. Está lembrada? A palavra paradoxo significa uma idéia contrária à opinião de aceitação geral. E o que acontece com a grand mère, a maior das mulheres, a grande madre... porque ela é uma sábia em preparação, que mantém unidas as grandes e totalmente úteis capacidades aparentemente ilógicas da psique profunda. Os atributos paradoxais do que é grande são principalmente ser sábia e ao mesmo tempo estar sempre à procura de novos conhecimentos; ser cheia de espontaneidade e confiável; ser loucamente criativa e obstinada; ser ousada e precavida; abrigar o tradicional e ser verdadeiramente original. Espero que você entenda que todos esses atributos se aplicam a você de modo geral e em detalhes, como algo em potencial, meio realizado ou já perfeitamente formado.
Se você sente interesse por essas contradições divinas, sente interesse pelo arquétipo misterioso e irresistível da mulher sábia, do qual a avó é uma representação simbólica. O arquétipo da mulher sábia pertence a mulheres de todas as idades e se manifesta sob formas e aspectos singulares na vida de cada mulher. Falar da imagem profunda da grande avó como um dos principais aspectos do arquétipo da mulher sábia não é falar de alguma idade cronológica ou de algum estágio na vida das mulheres. A grande perspicácia, a grande capacidade de premonição, a grande paz, expansividade, sensualidade, a grande criatividade, argúcia e coragem para o aprendizado, ou seja, ser sábia não chega de repente perfeitamente formada e se amolda como uma capa sobre os ombros de uma mulher de determinada idade. A grande clareza e percepção, o grande amor que tem magnitude, o grande autoconbecimento que tem profundidade e amplitude, a expansão da aplicação refinada da sabedoria... tudo isso é sempre uma "obra em andamento", não importa quantos anos de vida a mulher tenha acumulado. Os fundamentos do que é "grande", em oposição ao que é "apenas comum", são conquistados no início da vida, no meio ou mais tarde... muitas vezes mediante enormes fracassos, elevações do espírito, decisões equivocadas e recomeços impetuosos. O que se recolhe depois do desastre ou da sorte inesperada... é isso que é moldado e então praticado pela mulher e seu espírito, coração, mente, corpo e alma... até que ela se torne não apenas competente em seu modo de ser paradoxalmente sábio... mas também, muitas vezes, perfeita em seus modos de viver, enxergar e ser.(…)"



clarissa pinkola estes - ciranda das mulheres