"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

terça-feira, janeiro 12, 2010

QUANDO O NOSSO PAÍS...

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A Utopia das Mulheres:
O que é e só Apenas um sonho…
TIVE UM SONHO
" Quando o nosso país (França) iluminar de novo o mundo, podermos, com os nossos homens, ir ajudar as nossas irmãs estrangeiras, as raparigas afegãs, croatas, argelinas, ruandesas, iranianas, E também as adolescentes chinesas abandonadas, as jovens que se prostituem no mundo inteiro. Todas aquelas que, todos os dias, pagam o preço demasiado alto da barbárie machista.” *
* Isabelle Alonso
In, Todos os Homens são iguais mesmo as Mulheres

“Como uma região incógnita, uma espécie de caixa de surpresas que suspeita do discurso que veicula, o amor entre mulheres é capaz de disseminar perplexidade, seja quando parece optar pelo seu ruidoso silêncio, seja quando tenta uma tímida visibilidade. A promessa de transpor para uma realidade discursiva tudo aquilo que incide sobre os mais obscuros lugares da experiência humana faz do não dito algo, senão indesejável, ao menos incomodo à nossa disposição de tornar as coisas, mais que classificadas, bem ditas.

Enquanto as mulheres heterossexuais começam a caminhar na direção de uma maior liberdade, no sentido de manifestar e discutir as questões relativas à sexualidade, as lésbicas exercem e discutem a sua sexualidade à margem da sociedade, tolhidas pela discriminação.”
V
*Lyh
(…)
A NEGAÇÃO DA HUMANIDADE MULHER

 Eu tenho uma interpretação bastante diferente daquela que é a mais comum e também da menos comum, como é o caso desse artigo, muito inteligente e bem escrito. Porém o que eu penso sobre a invisibilidade da homossexualidade feminina, não é por uma mulher ser lésbica que se torna invisível mas porque a invisibilidade da mulher como mulher na sociedade andocrática, machista, dominadora e falocrática é a realidade de todas as mulheres.
Todas as mulheres neste Sistema são invisíveis.

Só o não são as mulheres que correspondem ao imaginário masculino, as mulheres objecto, as mulher insufladas de silicone, concebidas e criadas por eles, NAS SALAS DE OPERAÇÃO, na publicidade, nas passerelles, nos filmes etc.
or isso ser Gay ou não, não faz diferença quando se trata de defender os homens homo, porque na sociedade de valores masculinos e onde o feminino foi simplesmente apagado da história e esmagado na mulher, é sempre o imperativo do falo, (logo existo) que prevalece. Portanto, independentemente de um homem ser homossexual, a sociedade falocrática, apesar de resistir à sua “feminização” e pretender desprezá-lo pela sua semelhança com a mulher (até conseguiram que os gays se tornassem musculados e aparentemente viris, em vez de travestis) considera o homem como parte de si mesma quer ele seja ou não gay, mas não a mulher, que não é mais do que um corpo (buraco) ao seu dispor…! Não quero parecer vulgar mas é assim que a mulher foi considerada pelo patrismo e temos que olhar bem para as coisas como elas são na realidade e não idealizadas pelo intelecto e por uma falsa liberdade ou emancipação das mulheres. Ora neste caso, mais do que em qualquer outro caso, é muito óbvio que se a mulher não serve o homem, então não serve para nada…para quê dar visibilidade ao que não existe?
As mulheres não existem por si só…ou são esposas de, ou são filhas de, ou são amantes de, ou secretárias…
As observações históricas de não dar importância às mulheres lésbicas por vários períodos de repressão religiosa e preconceito social, têm a ver também, com o facto de que para eles só há relações sexuais onde há um falo, onde há penetração, onde há dominador e vencida…foi assim que se processaram e oficializaram as relações entre os homens e as mulheres na sociedade patriarcal.
A homossexualidade feminina pode até ser uma diversão para o homem, uma coisa com que ele por vezes alimenta o seu imaginário. Vemos isso nos filmes pornográficos e não só…portanto é ainda uma fantasia masculina consentida…mas não levada a sério.
Também nunca a sociedade machista se preocupou com a prostituição como um flagelo social, mas apenas por hipocrisia e por estar ao seu serviço. Nunca se questiona a origem e a legitimidade da prostituição seja dentro de que sistema for.

São as prostitutas visíveis?

Ou são escondidas e disfarçadas de acompanhantes e modelos etc.?


Esse uso e abuso do corpo da mulher como mercadoria foi sempre ou escondido ou consentido pelos Estados e as próprias mulheres hoje em dia a acham legítima e defendem-na como “profissão”- a chamada profissão mais velha do mundo - e acham-na uma coisa natural quando ela é apenas o reflexo da divisão interna, psicológica e social da mulher em dois tipos de mulher e assim sendo trata-se na verdade da repressão e abuso do ser humano mais velho da história do patriarcado…
O problema da invisibilidade das mulheres lésbicas posto da maneira como a autora do texto o pôs é como se ela acreditasse viver numa sociedade evoluída e de igualdade de direitos, onde a mulher normal e comum fosse visível, pelo seu valor intrínseco, e nós sabemos que não é assim. Portanto a autora do texto por muito bem intenciona e informada que seja nisso está iludida…como o estão todas as mulheres inteligentes e cultas ao pensarem que são consideradas pela sua essência feminina ou pelo seu valor de Mulheres.
Senão vejamos a verdadeira questão, a questão de fundo, aquela que foi escamoteada até pelas próprias feministas ao defender apenas os direitos e igualdades da mulher numa sociedade que as rejeitou. Uma sociedade que as negou na sua essência divina e as usou de todas as formas e que nunca poderá mudar isso porque só uma mudança global de mentalidades e de consciências, uma mudança de paradigma, podia solucionar, mas nunca sem a consciência da Mulher como ser em si.
Precisamente o problema da mulher em si tem a ver com a sua divisão interior em duas mulheres e não se é homo ou hetero ou prostituta.
Só depois da mulher tomar consciência desse facto e começar a integrar a sua outra parte e assumir a sua totalidade como mulher, como um ser consciente da sua natureza profunda e digo sempre isto, em termos ontológicos, é que a mulher pode sentir-se inteira e então escolher ou amar homens ou mulheres…
O importante sempre é que a mulher se encontre com ela mesma e seja completa em si…e esse é que o problema de fundo, um problema de identidade feminina que tem a ver com o Princípio Feminino e a sua natureza intrínseca, o seu dom inato, as suas características de fêmea, de amante e de mãe…
Tem a ver com a Mulher ancestral aquela de que todas temos memória nos nossos genes e que passa de mãe para filha e se torna num Conhecimento que o homem não tem…É uma condição genética, um dos muitos mistérios da Mulher criadora, da mulher gerador, da Deusa Mãe que lhe dá corpo.
Penso que só depois da mulher se tornar consciente da Deusa em si e através das funções do princípio feminino é que ela pode ser livre e resgatar o seu erotismo, o seu auto-erotiso…homo-erotismo ou hetero-erotismo…
Realizar o Divino Eros, através da união da alma do corpo e do espírito. Nunca antes dessa tríade ser completa!
Portanto minhas queridas amigas, a sexualidade não é nem nunca foi imperativo meu, mas o da alma e do espírito e depois o corpo divino e então pode caber-lhe ou não a expressão de um dos aspectos sagrados do poder da energia da mulher como iniciadora do homem ao Amor da Deusa, assim na Terra como no Céu…
Tudo o que façamos para nos libertar neste Sistema, onde somos por condição prisioneiras, não vemos que “a nossa cadeia” é o seu modo de funcionamento, onde prevalece o poder material do dinheiro, da força, dos média e do medo, da violência e da guerra, em que estamos ao serviço do Estado, da família e da religião e já agora das Instituições governamentais que nos exploram a nós mulheres muito particularmente, como escravas de escravos…

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RLP

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