"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

sábado, fevereiro 20, 2010

mesmo de tanga...a ilusão funciona...



A TV Como Instrumento Redutor

Porque é que a TV foi essa «caixinha que revolucionou o mundo»? Faço a pergunta e as respostas vêm em turbilhão. Fez de tudo um espectáculo, fez do longe o mais perto, promoveu o analfabetismo e o atraso mental. De um modo geral, desnaturou o homem. E sobretudo miniturizou-o, fazendo de tudo um pormenor, misturado ao quotidiano doméstico. Porque mesmo um filme ou peça de teatro ou até um espectáculo desportivo perdem a grandeza e metafísica de um largo espaço de uma comunidade humana.

Já um acto religioso é muito diferente ao ar livre ou no interior de uma catedral. Mas a TV é algo de minúsculo e trivial como o sofá donde a presenciamos. Diremos assim e em re
sumo que a TV é um instrumento redutor. Porque tudo o que passa por lá chega até nós diminuído e desvalorizado no que lhe é essencial. E a maior razão disso não está nas reduzidas dimensões do ecrã, mas no facto de a «caixa revolucionária» ser um objecto entre os objectos de uma sala.

Mas por sobre todos os males que nos infligiu, ergue-se o da promoção do analfabetismo. Ser é um acto difícil e olhar o boneco não dá trabalho nenhum. Ler exige a colaboração da memória, do entendimento e da imaginação.

VIRGÍLIO FERREIRA

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Se fosse apenas esse os males que a TV gerou ao longo de décadas, muitas depois de que este texto foi escrito, poderíamos ainda pensar...ou sentir por nós próprios, mas não...O que a televisão fez nestes últimos anos foi muito pior do que o escritor menciona...Nesse tempo ainda não era tão sofisticado o crime e a pornografia, a alienação, o terror e medo espalhados e implementados nas mentes das, cada vez maiores, audiências, transformando em escravos ou robots da "informação" e do entretenimento as populações analfabetas que assim foram mantidas dando-se-lhes um verniz de cultura dos medias que é totalemnte superficial e estupidificante. Uma "cultura" de corrupção, vícios e crimes, de disseminação do mal, culto da negatividade em todas as frentes, criando nas pessoas o medo e o terror perante realidade e ficções da mesma forma para que ninguém destingia o que é a sua verdadeira realidade e mesmo onde não há o horror e o gerador de medo das catástrofes e crimes, há de forma subliminar fórmulas de sujeição e pornografia ou pedofilia e violência contra a mulher - Exemplo das cervejas...

A televisão transformou o mundo num pântano onde todos gostamos de mergulhar nas horas de tédio e dizemos que é distracção...e aceitamos tudo no mesmo prato...a acompanhar de cerveja, claro...é só puxar...como cá nos anúncios da super bock...

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"A COISIFICAÇÃO DA MULHER EM ANÚNCIOS PUBLICITÁRIOS DE CERVEJA"


A mídia tem-se aproveitado abusivamente da imagem feminina em posições, movimentos e ações eróticas chegando a vulgarizar a figura da mulher. Os publicitários ao criarem seus anúncios não se mostram preocupados em informar a qualidade dos produtos (no caso da cerveja, por exemplo), utilizando-se da sensualidade feminina para vendê-los. A desvalorização da mulher aparece também nas danças sensuais e nas letras das músicas, em que ela é comparada a animais irracionais: “egüinha pocotó”; “as cachorras”, dentre outras.
(...)
O corpo feminino – nádegas e parte das coxas – está pintado com os rótulos da cerveja e, ao lado, num copo de cerveja, aparece a logomarca “BOA”. A ambigüidade se faz presente tanto na imagem da cerveja – mulher como na logo “Antarctica BOA”.

Portanto, refletindo sobre esse novo paradigma feminino que os anúncios publicitários têm veiculado na mídia, verifica-se que a emancipação da mulher transformou-se, na sociedade atual, numa moeda de duas faces: de um lado, a mulher mais conservadora em termos de valores e princípios, que exerce profissões fora e dentro de casa, com dignidade e respeito, ocupando o espaço social, político e econômico; e também na mídia; de outro lado, aquela mais liberada, mais despojada de valores e princípios morais e religiosos, cujo corpo deve ser cultuado e valorizado como mercadoria, como objeto ou coisa. "

excerto de artigo de:
Drª Elêusis M. Camocardi

Flávia Patrícia Martins Jordão (aluna)


3 comentários:

Beto disse...

eu sou formado em comunicação social, com habilitação para propaganda e marketing.
isso se chama fetichização, se transfere ao produto uma carga erótica para que o consumidor, ao compra-lo, tenha a ilusão de que está adquirindo seu objeto de desejo.

Rosa Leonor disse...

É sem dúvida o que você diz, meu amigo, mas não deixa de ser redutor e agravante para a mulher. Não sou partidária de que se faça a mesma coisificação dos homens porque seria igualmente errado...É realmente o desaforo com que a publicidade usa a mulher e a expõe que me indigna...e a si também presumo...

obrigada por comentar. É muito bem vindo.
ACHO que lhe devia uma resposta a outros comentários seus e peço desculpa de o não ter feito.

um abraço

rosa leonor

cezar disse...

Ola pessoal, achei maravilhos esse site, e acabei adquirindo um livro A Ordem é Amém,indicado por "Suelen" vou ler e depois faço um breve relato. que a luz de mestre Jesus trile em nossos coraçoes.

Jesus e verbo e nao substativo

Ceu nossa senhora da conceição
Cezar Junqueira
21 anos