"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

quarta-feira, agosto 25, 2010

A EXPERIÊNCIA DA DEUSA


A DEUSA NÃO É UMA TELENOVELA…

A Deusa não é uma moda, não é uma montagem de cenários, nem um ritual.

Ela não é um culto nem uma prática, não é uma crença nem uma fé nem uma dança em círculo… nem um carnaval ou um Sabat.

A Deusa não é um folclore nem o uso de vestes particulares, colares e pulseiras a imitar as mulheres ou as sacerdotisas de qualquer culto antigo, templo ou lugar…

A Deusa não é um ritual pagão, nem Wicca, nem bruxa, nem profana…

A Deusa não é casta nem sensual, nem é Virgem nem Pecadora…

A Deusa não é um símbolo nem uma imagem para adorar ou adornar…


A Deusa não serve de imitação de nada nem pode ser um escape para a nossa frustração ou para o nosso ego...


A Deusa é a Terra Mãe onde nascemos, a fonte da Vida, a dadora de alimentos, a Mãe de todas as coisas. Ela é a Vida e a Morte, a Manifestação da Prima Matéria na Terra, tudo o que se manifesta através do Espírito Uno e é Verbo e se torna carne. A Deusa é cada Ser Humano na sua plenitude consciente da dualidade mas unidos os dois lados de tudo: feminino e masculino, sol e lua, dia e noite, prazer e dor…

A Deusa é toda a Terra e é ainda a parte reprimida da humanidade, a parte da humanidade não expressa, é a parte Feminina da Humanidade banida das leis e da sociedade, é a Natureza destruída pela mão do homem, é o Yin complemento do Yang, parte integrante do Tao, é a receptividade da humanidade, o lado direito do cérebro activo, é intuição, é oráculo, é o feminino por excelência manifestado na Natureza e em cada cardo, botão de rosa, animal, criança, mulher ou homem.


A DEUSA É CADA MULHER DE HOJE QUE SE TORNA CONSCIENTE DO FEMININO SAGRADO...


A Deusa é cada Mulher realizada na sua essência primeira, na união das duas mulheres que o patriarcalismo dividiu para reinar…é a mulher que através do resgate da mulher ancestral, da mulher que foi ocultada pela história dos homens e calada pelos seus padres, santos, professores e escritores e que dá voz viva aos mistérios sagrados, através dos seus sentimentos mais fortes e profundos e ousa ser ela mesma sem medo de represálias. Porque Ela é a mulher una, a Mulher Útero – abençoado o seu ventre - a mulher total cuja experiência é vivida no presente, no seu coração, em cada momento da sua vida e em cada dia, livre de preconceitos e de dependências.


A Deusa é a Vida e a Consciência Plena na Mulher que dá à Luz o Homem.

A Deusa é uma experiência viva, vivida na nossa carne, na nossa alma e no nosso S ER INTEGRAL. É passado e futuro sobretudo presente e eternidade…

A Deusa é todas as memórias da Terra Mãe registadas no nosso ADN…e por isso devemos antes de tudo lembrar quem fomos e quem somos na nossa pele…


-"Devemos lembrar-nos como e quando cada uma de nós passou por uma experiência da Deusa, e se sentiu sarada e integral por causa desta. São momentos santos, sagrados, intemporais, embora por mais inefáveis que se possam revelar, sejam difíceis de reter em palavras. Mas, quando qualquer outra pessoa menciona uma experiência semelhante, isso pode evocar as sensações que voltam a captar a experiência; se bem que só aconteça se falarmos da nossa vivência pessoal. É por isso que necessitamos de palavras para os mistérios das mulheres, o que parece exigir que uma de cada vez explicite o que sabe - como tudo o mais que é de foro feminino. Servimos de parteiras às consciências umas das outras.”
(...)
IN TRAVESSIA PARA AVALON
De Jean Shinoda Bolen

10 comentários:

Natálys disse...

SUBLIME.....

A DEUSA EM NÓS....

QUE ACORDE TODAS AS DEUSAS EM CADA SER........

UNAS...........

GRATA DEUSA..

Anna Geralda Vervloet Paim disse...

S U B L I M E !!!!!!

bjus

Anna Geralda Vervloet Paim disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Iony disse...

Olha que coisa....geralmente eu torço o nariz para coisas que escrevem sobre a Deusa. Mas hoje vc escreveu algo magnifico e eu lhe apaludo e sorrio!

um grande e forte abraço!Continuemos seguindo sem que nos morra a esperança!

Rosa Leonor disse...

Minhas amigas...obrigada pelo eco...pela presença e pela esperança!!!

Abraço-as na imensidão deste amor da Mãe ...
rosa leonor

Beto disse...

sim, uma boa visão.
o que nós fazemos é uma das muitas formas de entrar em contato, re-ligar com a Deusa [e o Deus...]
pena que é mais fácil ver entre os pagãos/bruxos/wiccanos uma postura de superioridade, de autoridade.

Rosa Leonor disse...

A deusa não é nenhum ritual nem está em nenhum lugar especial...ela não pertence a ninguém e é de todos/as os que a integram como realidade sentimento no seu coração: a Deusa não é um paliativo nem um folclore antigo nem há que ir nenhum lugar para a experimentar: ela manifesta-se dentro de cada mulher e de cada homem. Sem que Ela se torne numa experiência interior e seja a manifestação natural nas nossas vidas do dia a dia de nada adianta ir rezar ou evocá-la nas estações...e a lugares ditos sagrados...embora as vezes possam haver revelações, mas não confundir rituais e magias ou ter posturas que são apenas cópias do passado. O templo da Deusa no nosso Mundo será diferente, não obedecerá aos mesmos rituais nem fórmulas...aqueles que mimetizam a A deusa não prestam nenhum culto à Deusa mas ao seu ego. É por isso que os os pagãos/bruxos/wiccanos, como você diz tem essa postura de superioridade, como os padres e a igreja católica...O nosso tempo é diferente dos tempos passados...e temos de recriar a maneira como amar a deusa, e penso que é finalmente amar a vida e respeitar a natureza essa é a única maneira.
pelo menos eu penso assim.
um abraço

rleonor

Nana Odara disse...

nooooooooooooossa...
(Nana sem palavras!)

ZENN BELL disse...

Rosa,esse pedaço: ". Servimos de parteiras às consciências umas das outras.” me faz ver com clareza o quanto você tem amorosamente trabalhado trazendo à Luz muitas de nós, incansavelmente. Grata, carinho, amor, luz e paz para você!

Astrid Annabelle disse...

Ando mesmo encantada com a leitura dos teus textos e publicações. Concordo muito com o comentário acima da Zenn Bell.
Um beijo agradecido.
Astrid Annabelle