O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

sexta-feira, abril 22, 2011

O REENCONTRO DA MÃE E DA FILHA


"O grande motivo essencial dos Mistérios de Elêusis e, portanto de todos os mistérios matriarcais é a Heuresis, a redescoberta de Core por Deméter, a reunião da mãe e da filha."


A MÃE E A FILHA

“O Mito Deméter-Perséfone é um dos mais arquetípicos e duvido que não o encontremos, de algum modo, nas tradições espirituais de todos os povos da Terra. Como vimos, trata-se de um Mito que nos apresenta as relação entre as forças da Natureza e, portanto, surge necessariamente na alma de quem se relaciona com as forças do mundo natural. Todas as sociedades deram com esse arquétipo em suas primeiras fases agrícolas. Num certo sentido, ele está presente em todo o paganismo – “pagão” significa, no sentido romano, “pessoa do campo” – e os costumes folclóricos europeus da época medieval exprimem, como se pode ver com bastante clareza, esses arquétipos. A feitiçaria medieval tem muitas probabilidades de ter sido uma forma ingénua de celebração de mistérios pagãos dessa espécie, em vez de uma “conspiração espiritual” contra a Igreja organizada, que quase a destruiu por inteiro.

No período de caça às bruxas, projectou-se a figura de Hécate nas mulheres que participavam desses simplórios rurais, enquanto que os homens tiveram projectado sobre si o arquétipo de Pã, tomado como uma espécie de figura “demoníaca”. Assim, a sociedade patriarcal da Igreja sentiu-se em pleno direito e, na verdade, contando com a aquiescência do Deus Pai, para perseguir e destruir tudo o que via, por meio das suas próprias projecções, como figuras do mal.
Talvez a Igreja temesse de modo mais particular nesses resquícios dos mistérios de Deméter-Perséfone-Hecate fosse a Deusa Tríplice, que ameaçava a sua visão de mundo dualista.”

In A DEUSA TRÍPLICE!”
ADAM MCLEAN

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