O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

segunda-feira, maio 13, 2019

A DEUSA E A BRUXAS...



“Na Witch craft, “Caminho da Deusa”* nós não cremos na deusa, nós nos religamos a ela através da Lua, das estrelas, do oceano, da terra, através das árvores, dos animais, dos outros seres humanos, através de nós mesmas. Ela está aqui, ela está no coração de todos e de tudo. A deusa existe antes de toda a Terra, ela é o obscuro, a mãe que nutre e que produz toda a vida. Ela é o poder fecundante da vida, o útero, mas também a tumba que nos recebe, o poder da morte. Tudo dela provem, tudo a ela retorna…Ela é o corpo, e o corpo é sagrado. Útero, seios ventre, boca, vagina, pénis, ossos, sangue; nenhuma parte do corpo é impura, nenhum aspecto do processo de vida é manchado pelo pecado. O nascimento, a morte e a dissolução são três partes sagradas do ciclo. Quer comamos, façamos amor ou eliminemos os dejectos de nosso corpo, sempre manifestamos a deusa.
*
Seu culto pode assumir qualquer forma, em qualquer lugar; ele não requer liturgia, nem catedral nem confissão. (…) O desejo é a cimento do universo, ele vincula o electrão e o núcleo, o planeta ao sol, ele cria as formas, ele cria o mundo. Sigam o desejo até ao seu termo, unam-se ao objecto desejado até se tornarem esse objecto, até se tornarem a deusa.”

“Para a mulher, a deusa simboliza o seu ser mais profundo, o poder libertador, nutritivo e benéfico. O cosmo é modelado como um corpo de mulher, que é sagrado. Todas as fases da vida são sagradas. A idade é uma bênção, não uma maldição. A deusa não limita a mulher a ser um mero corpo, ela desperta o espírito, a mente e as emoções. Através dela a mulher pode conhecer o poder da sua cólera, assim como a força do seu amor.”

Star Hawk
*
Citações tiradas de:
Tantra – O Culto da Feminilidade - Outra visão da vida e do sexo
André Van Lysebeth

*


 
* O CAMINHO DA BRUXA 

Witch craft – O autor do livro cita a escritora e ao citá-la optou por não traduzir a palavra “bruxa” certamente pelo sentido pejorativo que a palavra tem, penso eu, mas  tomei a liberdade de traduzir esta expressão por “caminho da deusa”, ou poderia ser de facto o caminho da bruxa, mas vamos optar ainda pelo “trabalho das feiticeiras”, este termo parece-me mais atenuado, mas sinto que entre o caminho da “bruxa” e da feiticeira,  é fundamentalmente o encontro com a Deusa, o caminho da vida e o caminho da Natureza Mãe, o caminho de toda a mulher!

A Bruxa para mim não é mais do que a mulher em pleno poder da sua intuição e consciência do seu poder interior ligada às forças da natureza e do cosmos.

Aquilo que a igreja, os padres e toda a cultura patriarcal difundiram, nomeadamente nos contos de fadas e outros mitos e lendas, que eles deturparam, retratam a bruxa e a feiticeira como uma mulher feia e má que comia criancinhas; era a figura com que se assustava os meninos que não queriam comer e para os mais adultos a mulher que copulava com o diabo, que cometia pecados tremendos e atrocidades tais que os inquisidores não tiveram outro remédio senão as mandar para as fogueiras…esta é a história católica e quanto às bruxas e às videntes do nosso tempo, de que as vizinhas e as comadres ainda há pouco anos falavam, nas aldeias e mesmo nas cidades, eram pobres mulheres ignorantes, sempre ridicularizadas, que faziam mezinhas para os maridos das consulentes abandonarem as amantes ou voltarem para casa e prediziam outras tantas separações e desgostos de amor e liam o futuro nas cartas e a ideia generalizada era de que tudo isso não passava de mentiras e superstições…praticadas por mulheres pobres para gente ignorante…e de quem os intelectuais, os burgueses ou as pessoas sérias se riam, mas que acabavam muitas vezes por consultar às escondidas…
Por isso volto a dizer que precisamos de resgatar a palavra “bruxa” das cinzas das fogueiras e dar-lhe a dignidade que perdeu ao longo dos séculos denegrida pela igreja católica e os seus padres e também resgatá-la da falsa imagem de horror que lhe é atribuída por conceitos estapafúrdios difundidos pelas beatas que tinham medo de pecar, mas sobretudo, mais recentemente, pelos cultos satânicos e outros rituais pretensamente sagrados, que usam o nome da feitiçaria e das bruxas para o crime e a violência. Ou então, no seu oposto, temos na América o Halloween, dia em que toda a gente brinca com abóboras, e se veste de bruxa, até crianças, como se fosse uma espécie de Carnaval…
Precisamos restituir à Mulher Bruxa, ou á Mulher Feiticeira a ideia da sua grandeza e da sua beleza: fazê-la sentir o orgulho de ser representante da deusa cujo poder, magia e sortilégio, assustou tanto os homens e os padres da religião católica e a cultura patriarcal, que tudo fizeram para dizimar esse poder e matar e reduzir essa força da mulher que é a mesma força da natureza.
rlp

O buraco negro



O INCONSCIENTE

"As verdadeiras diferenças do inato estão no inconsciente.
O inconsciente, não é somente o que é reprimido, é também o acesso directo ao nosso duplo (...) e através dele ao continente perdido. Essa fonte viva de energia vibratória foi totalmente inibida. O inato é sobretudo o que está no inconsciente, mesmo biologicamente. Esse ADN foi chamado de ADN-lixo pelos genecistas. Podes imaginar as consequências."

Étienne Guillé - in O Homem entre o céu e a terra



A LINGUAGEM HOJE, uma maneira de nivelar a sociedade por baixo...

"Para nos conhecermos, é preciso ir ao encontro de outros seres. É preciso uma dupla troca. O adquirido pelas trocas afectivas, tal como se apresenta actualmente, se situa ao nível meramente comercial, ou seja, no mais baixo nível vibratório possível, portanto no nível de consciência minimum minimorum.
A linguagem de hoje na comunicação com os nossos semelhantes - salvo entre os poetas - é uma maneira de nivelar a sociedade por baixo, o que eu chamo de democracia nível zero. O exemplo recente das proporções de uma reforma de ortografia é uma bela ilustração disso. O poder no sentido oculto do termo, não necessariamente o poder politico, quer simplificar tudo para que os seres humanos se tornem simples robôs facilmente geráveis por um computador. Se eles conseguirem isso, seremos ainda seres humanos? A parcela divina que cada um de nós supostamente contém terá sido de tal forma diluída pelas reproduções contra a natureza e pelas manipulações genéticas que terminará por desaparecer. A pequena luz que brilha na noite se extinguirá para sempre e não se poderá tornar em luz do dia."


Étienne Guillé
in O homem entre o ceu e a terra

sábado, maio 11, 2019

A CULTURA E A ARTE...




A PROPÓSITO DA RIVALIDADE ENTRE MULHERES

"... elas são todas tão feias que repelem e odeiam todas as mulheres (bonitas). Sabe que são as mulheres as mais virulentas misóginas aqui? As mulheres, meus caros senhores, (...) nunca experimentaram maior odio em relação a si mesmas do que o das outras mulheres face ao seu próprio sexo. Porque é que pensa que elas se esforçam de nos seduzir? Unicamente para desafiar e humilhar as suas iguais. Deus inculcou no seu coração o ódio das outras mulheres porque ele queria que o género humano se multiplicasse." *

*Milan Kundera - La Valse aux adieux



Isto não é apenas o que pensam os homens da literatura, da cultura e das religiões...isto é infelizmente uma realidade vivida entre as mulheres de hoje, igual a sempre, apenas com a diferença de ser muito bem camuflada de boas intenções e teorias e credos e ideologias…
Sim, lamentavelmente as mulheres não resistem a agredir nem a atirar a primeira pedra a outra mulher, as vezes até em defesa das mulheres, mas sobretudo acerca da suas ideias se são diferentes, e isto porque querem contrariar a verdade de que fogem e porque querem continuar a camuflar esses sentimentos atávicos e com que se enganam a si mesmas.

Como NÃO SINTO ESSA RIVALIDADE nem sinto qualquer antagonismo com as mulheres realço aquilo que vejo nos espaços de comunicação e de interajuda… o que é uma contradição. Falar disto, ou apontar os factos menos agradáveis, deixa as mulheres irritadas e revoltadas comigo, nessa altura atacam-me… mesmo não me conhecendo. 
Falo dessa rivalidade porque estou empenhada numa Consciência psicológica e numa inteireza de ser mulher e não porque quero apontar apenas defeitos ou qualidades. Falo desse antagonismo porque vejo que ele impede uma verdadeira união das mulheres e mina a confiança entre si e porque é um enorme obstáculo a uma verdadeira sororidade...

rlp  

AS MANIPULAÇÕES




O PERIGO DE TERAPEUTAS E CURADORAS…

Trago o apontamento de uma extrema lucidez deixado por uma leitora… 
Pareceu-me ser mais do que oportuno perante a avalanche de gente que se auto-intitula terapeuta e curadora e toma ascendente sobre pessoas fracas e vulneráveis. O denunciar a falsidade de uns, o uso e abuso destes termos não ataca nem põe em causa os que são verdadeiros e honestos e cumprem o e exercem uma profissão ou um dom. Tudo depende da Consciência de cada um. Mas alerto para o perigo dos simulacros e das falsas curas que atrasam os processos dos que mais precisam de ajuda.
rlp

"Não é propriamente surpreendente que a área da "espiritualidade" e das "terapias" seja a área de eleição de narcisistas e sociopatas. Em que outra área humana se pode conseguir o grau de adulação, poder sobre o outro, afirmar as coisas mirabolantes que afirmam, etc., sem nunca serem questionada/os? Ou se alguma vez o são, obliteram/ridicularizam/manipulam/uma qualquer outra solução que lhes traga mais vantagem no momento, quem o faz. Muito poucas...
Neste momento sinto que só posso encontrar o que nos une no silêncio (e quando ninguém está a ver ou a fotografar!). Será uma fase... entretanto vou lendo, e observando, com muito interesse e curiosidade." (Sónia)

O DESTILAR DO VENENO...


Anónimo COMENTÁRIOS AO TEXTO ANTERIOR...


Anónimo disse...
Eu não posso deixar de sentir um grande ego de superioridade moral e intelectual de sua parte, para outras mulheres, você é quem compete, você acha que tem toda a verdade. você não escuta ninguém!
maio 11, 2019
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Blogger rosaleonor disse...
A sua resposta ou comentário só me confirma o que eu digo… nada mais. Agride e desrespeita a experiência de vida de uma mulher de idade. Deve ser uma menina realmente com "um ego de superioridade", convencida que sabe e que se sente ofendida ao rever-se no que digo. Porque NÃO SABE NADA DE MIM, e não dá a cara nem diz o seu nome. Isso é cobardia e desonestidade…
Obrigada por confirmar a minha tese sobre as mulheres. Não todas claro, há Mulheres e Mulheres… seja de que idade for...mulheres fantásticas e conscientes. Felizmente conheço muitas que me ouvem e eu escuto!

RIVALIDADE E ANTAGONISMO ENTRE AS MULHERES
E é grave e lamentável que nos aticemos umas contra as outras, é grave e doloroso para cada uma de nós que apontemos o dedo às mulheres TODAS sem entender o PORQUÊ desta luta e rivalidade ancestral quase congénita ...e perceber que ela começa dentro de cada uma de nós...e ainda não foi sanada nem sequer consciencializada pela maioria das mulheres que se confrontam com este drama...
PORQUE NÃO ESTAMOS CONSCIENTES das causas dessa cisão nem do que nos feriu sem ver que é assim que somos educadas para que essa rivalidade exista e predomine entre as mulheres.  Sim, nós fomos divididas em estereótipos para que os homens se possam unir - e rir de nós que nos voltamos umas contras as outras...enquanto eles aparentam união à nossa custa e  portanto essa união entre as mulheres está muito longe de acontecer porque andamos à volta de teorias e de ideias e não queremos olhar para dentro e para a nossa sombra a mais sombria, não queremos ver as falhas em nós e assim não vamos ao cerne da questão do feminino essencial!
Sofremos TODAS do mesmo mal (a culpa) e reflectimos o nosso sofrimento em detrimento umas das outras, mães e filhas amigas e irmãs...o mal começa com as mães...

Não seria interessante as mulheres perguntarem-se porque se dá entre si esse fenómeno de rivalidade secular e continue a haver essa destruição entre si nos grupo de mulheres? Não seria oportuno a mulher tentar perceber porque é que esta é uma constante entre grupos de trabalho do dito feminino sagrado?
Não será que está a escapar algo a estas mulheres?
Ou será que é de nascença que as mulheres pecam e têm defeito? Será?
E porque será que os homens não tem esse problema?

ALGUÉM COLOCA O DEDO NA VERDADEIRA FERIDA DAS MULHERES?



sexta-feira, maio 10, 2019

O QUE NÃO QUEREMOS ENXERGAR...


"A psicologia tradicional é muitas vezes lacônica ou totalmente omissa quanto a questões mais profundas importantes para as mulheres: o aspecto arquetípico, o intuitivo, o sexual e o cíclico, as idades das mulheres, o jeito de ser mulher, a sabedoria da mulher, seu fogo criador. Foi isso o que direcionou meu trabalho sobre o arquétipo da Mulher Selvagem durante quase duas décadas." clarissa pinkola estes


A VELHA RIVALIDADE 
E INVEJA ENTRE MULHERES…

Há inveja e perfídia entre as mulheres. É uma prática ancestral de rivalidade que actua a partir do inconsciente colectivo de forma subconsciente e insidiosa. É por ventura a ferida mais antiga do mundo e o hábito mais velho e sinistro que se estabelece entre nós mulheres. Ela é tanto ou mais velha ainda do que a tal dita "mais velha profissão do mundo", que gerou esta luta e que lhes impuseram os homens à força de as manipular, vender e comprar , há milénios…
Não, a psicologia não fala disso...

Esta inveja e perfídia, dissimulada e manifesta sub-repticiamente nas relações femininas, é um GRANDE PERIGO PRESENTE NA VIDA DAS MULHERES de hoje e sobretudo nos meios virtuais e de comunicação social ou mesmo entre grupos ao vivo, à imagem do que se passa no trabalho e na politica, entre amigas comuns na vida real, seja em luta por causa dos homens, seja dos patrões, mestres e mentores. Há este habito insano de se fingir ser amiga para atingir fins e interesses e depois trair...continuamente, mesmo sem se darem conta... As mulheres, quase todas as mulheres, sofrem desta inveja ou ciúme da outra mulher, seja ela mais nova, mais bela ou mais elegante, mais sábia ou mais ousada. Não há uma mulher que não seja atingida pela inveja de colegas e amigas traidoras e até irmãs onde quer que se encontre ao longo da sua vida...
Sim, eu apesar da minha idade e muito consciente dessa velha rivalidade, ressinto-me ainda um pouco dessa animosidade camuflada de simpatia ou de "afinidades", por assim dizer de certas mulheres aparentemente muito amigáveis, mas que escondem a perfídia…

Mais a mais sei que confronto muitas mulheres com a minha forma de dizer e de escrever e porque não me sinto vinculada a ideias feitas, crenças ou ideologias, nem a nada senão à Mãe dentro de mim, ao meu coração e ao que sinto e sou fiel a essa Consciência que me alinha com o meu centro. E sei que por isso mesmo estou ainda mais exposta à insidia, sobretudo se a denunciar como o faço. E faço-o porque já sou velha e não temo perder lugar em nenhum Pódio.

Conheço bem esse veneno da traição, já o sofri na minha pele muitas vezes…e isso acontece muito mais vezes do que nos apercebemos, sendo um perigo acrescido e muito mais pernicioso na medida em que as mulheres escondem e camuflam essa rivalidade com pretensas ideias de sororidade ou de amor a uma causa...Ora falar em sororidade num campo minado de bombas é o mesmo que semear ódio...é não vermos que mesmo a amizade ou o amor entre as mulheres é um campo minado em que estão sempre a rebentar estilhaços de bombas de velhas guerras que nos ferem de morte...ou nos mutilaram o corpo e a alma…
Lutar contra isso tudo não é fácil. Nunca será. Por isso, se o fizermos, pagamos um preço muito alto. Somos perseguidas, caluniadas ou preteridas...

Já se zangaram comigo algumas mulheres (sobretudo no mundo virtual) por se sentirem atingidas pelo que eu digo e penso. A verdade é que eu vejo e sinto essa rivalidade-inveja das mulheres entre si mesmo as que mais se dizem defensoras de movimentos feministas, políticos e outros.

Por essa razão umas revoltaram-se comigo por dizer coisas que não gostam de ouvir, mas que sentem lá no fundo ser verdade, coisas que elas escondem ou disfarçam de acordo com o que defendem e os conceitos e a prática superficial das suas convicções sejam elas religiosas ou politicas e que nas relações, não vão além do conceito e do politicamente correcto etc. Sempre que puderem, virar-se-ão contra quem não se submete as suas pretensões de lideres e de idólatras.., e eu tenho sofrido isso por não me filiar em nenhum grupo nem aceitar tutela de ninguém, por não bajular mestres nem mestras, nem ser conivente com simulacros…


Eu quero falar em nome de TODAS as mulheres, não quero pertencer a grupos nem a egrégoras… Sinto-me livre, serei sempre livre, mas pago o preço da insurreição continuada a fórmulas e a ideias estabelecidas ou aos "vendilhões do Templo", os/as que se dizem guias e condutores de rebanhos, que especulam sobre o passado e o futuro e revelam verdades de outros mundos... 

Temo que as mulheres enredadas nestas lutas de egos se esqueçam do perigo real que todas enfrentamos a nível deste ataque à integridade das mulheres no mundo inteiro e como de novo as mulheres estão a ser perseguidas e mortas pelo predador. Temo que elas se percam em querelas de nada entre si, mais uma vez, e se percam nessa luta inglória entre irmãs.

Penso nas mulheres de hoje, nas mulheres conscientes de si, nas mulheres comuns e acredito que hajam mulheres capazes de olhar para si mesmas e ver SEM MEDO como estamos perdidas nestas redes sociais e em grupos diversos que abundam por ai. Sinto que temos de olhar sem medo para esta realidade que nos circunda dentro e fora de nós  e ter tudo isso em conta para podermos evoluir a partir dessa consciência única que nos é comum, essa essência do feminino, e não deixar que a besta da discórdia se instale em nós, que o Sistema nos corrompa. Para isso precisamos de  saber de onde provem e o porquê da nossa divisão arquetípica que nos antagoniza e aos poucos ir trabalhando para limpar esse campo minado da nossa vida e em redor…
Este campo de batalha semeado de bombas corresponde ao mundo da divisão da mulher em duas, a santa e a puta, criação do Homem e do seu deus e da sua religião...Foi assim que as sociedades patriarcais dominaram o mundo e as mulheres porque as dividiram e a colocaram contra a outra mulher, a filha contra a mãe, amiga contra amiga e irmã contra irmã, etc..

Para evoluirmos e nos libertarmos desses atavismo, para nos unirmos de verdade, primeiro temos de ter consciência de quem somos e depois limpar o Campo de Batalha… para então começar a plantar sementes de amor mas nunca antes de o limpar o chão sagrado que pisamos…

rosa leonor pedro

segunda-feira, maio 06, 2019

O MUNDO QUE QUEREMOS É NA TERRA


..."A reivindicação da condição da mulher é a reivindicação de um outro mundo. Por isso a mãe, a maternidade, a mutterlich e a Muttertum são incompatíveis com a família e com o trabalho assalariado; nós, as mulheres, somos, na verdade incompatíveis com ela, com o Estado e com o Capital. Somos o real-impossível.
Quando formos capazes de ver o que foi destruído dentro de nós mesmas, a nossa sexualidade que perdemos, e por outro lado o vazio, essa falta interior, o sofrimento que a nossa anulação desencadeia, seremos a maior força revolucionária jamais vista ou imaginada, impulsionadas por um caudal infinito de energia libidinal liberta."



O VAZIO DA MÃE...e o vazio da Mulher

...e o vazio da mulher mostra-se na sua falta de interesse em si, revela-se também aqui, e não só não estamos presentes como fugimos de nós - um texto clarissimo - mas nem isto queremos ver.


"A falta de reconhecimento dos nossos desejos é uma falta de reconhecimento da nossa existência, posto que 242 que é o nosso impulso vital não encontra resposta. E isto produz-se depois do nosso nascimento no qual sofremos muito e nos sentimos morrer. Todo ele produz um sentimento de que a nossa existência está seriamente ameaçada. A Falta Básica, no âmbito mais profundo da nossa psique, guarda essa angústia existencial, a angústia do questionamento da existência.
O vazio da mãe, como vemos neste livro, é o vazio que fica na mulher que foi excluída, proibida, enviada para os infernos; um vazio cheio de medos e de angústia, porque a mulher desnaturada não é capaz de reconhecer e de saciar os desejos do seu bebe e de lhe impulsionar a sua vitalidade.
A reivindicação da condição da mulher é a reivindicação de um outro mundo. Por isso a mãe, a maternidade, a mutterlich e a Muttertum são incompatíveis com a família e com o trabalho assalariado; nós, as mulheres, somos, na verdade incompatíveis com ela, com o Estado e com o Capital. Somos o real-impossível.
Quando formos capazes de ver o que foi destruído dentro de nós mesmas, a nossa sexualidade que perdemos, e por outro lado o vazio, essa falta interior, o sofrimento que a nossa anulação desencadeia, seremos a maior força revolucionária jamais vista ou imaginada, impulsionadas por um caudal infinito de energia libidinal liberta."**


A Nova Escravatura da Mulher : A Nova Era

A NEW AGE usa a mulher para a desemponderar, para a alienar de si mesma! A mulher sem consciência de si, como um subproduto da sociedade patriarcal, deixou-se cair na armadilha do Sistema que monopolizou as mulheres feministas e agora grande parte das mulheres de um suposto "sagrado feminino" para as usar e assim afastar do seu núcleo central. Porque "A centralidade da mulher confere-lhe uma identidade estável. Ela não tem que tornar-se, basta-lhe ser. A sua centralidade é um grande obstáculo para o homem, cuja busca de identidade é bloqueada pela mulher."
Essa armadilha da falsa transcendência e do falso universo espiritual "new age" (toda essa parafernália de conceitos e ideias e mundos inatingíveis que afastam a mulher de si mesma e dessa consciência) foi criada e muito bem orquestrada para nos afastar uma vez mais, sobretudo a nós mulheres, do caminho da Mulher Integral. E mais uma vez impedir-nos o acesso à nossa grandeza intrínseca como mulheres enraizadas na Terra; Ela foi criada para nos impedir de descobrir a Força da Vida em nós (de iniciadoras do amor, geradoras de vida, senhoras dos oráculos) pela nossa ligação à Terra Mãe e à Natureza! Ela foi programada para nos impedir de aceder à nossa própria espiritualidade que é soberana e está ainda por redescobrir dentro de nós.

A cisão da Mulher e a sua divisão (em duas) teve como fim impedir a mulher de ser a digna representante da Deusa na Terra. Por isso creio que a mulher integral tem uma espiritualidade própria - quero dizer: ela tem acesso directo ao divino. A mulher encarna a Deusa que é a Mãe Terra e as nossas raízes nesta vida devem assentar nela. Somos mediadoras das forças cósmico telúricas, fazemos a união entre a Terra e o Ceu, mas perdemos o nosso poder de mediadoras e sacerdotisas; Fomos afastadas da nossa fonte de sabedoria interna - fomos quase destruídas...fomos divididas e usadas e anuladas na nossa essência primeira durante milhares de anos e AGORA temos de conquistar esse poder que é nosso, não o de competir e conquistar o mundo do Homem, mas de unir os seres à Mãe e a Filha, e de Unir o Mundo através do nosso núcleo central e só quando formos nos próprias unas em nós poderemos então de forma segura nos aventurar em caminhos escarpadas e armadilhados na conquista da terra sagrada e semear novos ventos, novos oráculos..

rosa leonor pedro

** in REFLEXIONES SOBRE LA VIOLENCIA INTERIORIZADA EN LAS MUJERES)
Casilda Rodrigáñez Bustos.

CONFERÊNCIA DA DEUSA



Faltam menos de duas semanas...
SE QUERES

- saber mais sobre o trabalho pioneiro da arqueomitóloga Maria Gimbutas no despertar da Deusa na consciência da humanidade;
- conhecer a arte fabulosa de Lydia Ruyle e estar na presença desses ícones mundialmente famosos, vindos expressamente dos Estados Unidos para estarem connosco em Sintra nestes 3 dias;
- saber mais sobre a visão de Kathy Jones, Sacerdotisa Iniciadora, criadora do Templo e da Conferência de Glastonbury;
- aprofundar o teu conhecimento da nossa dimensão mítica do Jardim das Hespérides e do grupo de Nove Mulheres míticas que sustêm a sua energia, à semelhança das Nove Morgens de Avalon;
- saber de ecologia profunda;
- receber inspiração para a tua vida e o teu trabalho, aprofundando os teus conhecimentos sobre a cultura da Deusa;
- saber sobre a relação de Sintra com a Deusa Donzela, Guardiã do Graal, e acordar e ativar em ti a energia da Sua coragem, poder e criatividade;
- participar dum evento histórico, resgatando o antigo poder e magia das celebrações da Deusa em sororidade e fraternidade;
- responder ao apelo de Gaia para te sentires e seres parte duma inspiradora, curadora, vibrante e global comunidade da Deusa, a única capaz de instaurar uma cultura de Paz e de preservar a Vida neste planeta,
Consulta o nosso site e inscreve-te quanto antes!

O FEMINISMO CADA VEZ MAIS LONGE DA IDENTIDADE MULHER




A MULHER É MULHER E NASCE MULHER

"O FEMINISMO pos-moderno esquece tudo aquilo que as feministas anteriores estudaram e em vez de criticarem os instrumentos de opressão, elas os reclamam; o género, a prostituição, a pornografia, a família etc. É um feminismo criado pelas massas que não busca abolir a opressão."(Chiara)

A Opressão das mulher no mundo inteiro continua a mesma de 30 ou 40 anos porque ela é endémica ao Sistema e todos os homens, (salvo raríssimas excepções), mesmo os homens mais "evoluídos" e arautos da Espiritualidade, grandes mestres, mentores menores, todos eles usam e abusam das mulheres em todas a linhas e em todos os Países, mesmo os mais civilizados onde esse abuso é camuflado de religião de arte e de terapias ou de qualquer outro método ou meio. 
O drama das mulheres é não perceberem antes de tudo que o seu problema começa na sua falta de identidade - é elas não saberem quem são e de terem vivido ao longo de dezenas de anos completamente sujeitas ao patriarcado em todas as frentes: seja na família, o Pai seja o marido e o filho e o padre ou mentor e por isso façam o que fizerem, são abusadas e usadas a força ou de "livre vontade", persuadidas pelo predador: o sue mentor chefe líder ou terapeuta... 
As mulheres antagonizadas com as outras mulheres a começar com a própria mãe (megera) negam-na e escolhem o "pai bondoso" que as proteja e assim vivem a vida inteira a meter-se na boca do lobo... 

Para mim o grande mal da mulher, continua a ser a sua divisão interior sem que ela perceba o que se passa e vive vazia de si e em  busca de se preencher em tudo fora dela e  não busca a sua verdadeira identidade feminina, a sua matriz,  da qual se alienou completamente contribuindo assim - nomeadamente as feministas - para a sua opressão e através da supressão do seu eu natural e profundo, desligada que estão da sua natureza instintiva e ontológica, perdidas em pensamentos existencialistas e presas no ego do homem elas vivem em defesa dos conceitos de feminilidade que não são mais do estereótipos aberrantes de si próprias e de seres híbridos, transformistas, que hoje se dizem mulheres. 

(RLP)


O MUNDO QUE QUEREMOS É NA TERRA

..."A reivindicação da condição da mulher é a reivindicação de um outro mundo. Por isso a mãe, a maternidade, a mutterlich e a Muttertum são incompatíveis com a família e com o trabalho assalariado; nós, as mulheres, somos, na verdade incompatíveis com ela, com o Estado e com o Capital. Somos o real-impossível.
Quando formos capazes de ver o que foi destruído dentro de nós mesmas, a nossa sexualidade que perdemos, e por outro lado o vazio, essa falta interior, o sofrimento que a nossa anulação desencadeia, seremos a maior força revolucionária jamais vista ou imaginada, impulsionadas por um caudal infinito de energia libidinal liberta."


(in REFLEXIONES SOBRE LA VIOLENCIA INTERIORIZADA EN LAS MUJERES)
Casilda Rodrigáñez Bustos.

NUNCA HOUVE IGUALDADE



UMA COISA QUE AS FEMINISTAS NÃO QUEREM VER e as mulheres comuns nem percebem...

«Creio que a maior parte daquilo que chamam hoje de “igualdade” é, na verdade, meritocracia. Entendem o problema da discriminação como uma infrarrepresentação das mulheres no topo e que é necessário eliminar essa desigualdade para que as mulheres possam crescer de acordo ao seu talento, em relação aso seus méritos. Isso deixa totalmente intacta a estrutura hierárquica e não beneficia os 99% das mulheres, apenas o 1%, ou as que pertencem aos 10% mais ricos da sociedade. Ou seja, a classe diretora profissional.
Essas mulheres só podem ter sucesso no que fazem se contratam outras mulheres com salários muito baixos e em trabalhos muito precários, mulheres migrantes pobres de outras raças que limpam suas casas, cuidam dos seus filhos, ou atendem os seus pais anciãos em residências da terceira idade. Em outras palavras: há uma relação direta entre esta noção de igualdade e o aumento da desigualdade. É uma ideia de igualdade de classe que diz que as mulheres devem ser iguales aos homens de sua mesma classe, e não importa as demais desigualdades. Definitivamente, o feminismo liberal faz com que seja necessário redefinir uma nova ideia de igualdade.» Nancy Fraser


in ENTREVISTA DO PUBLICO A NANCY FRASER 
(excerto)

Público: O que o é feminismo dos 99% e quais são suas principais ideias?

Nancy Fraser: é uma tentativa de dar nome e um conjunto de ideias a um novo ativismo feminista, que está se desenvolvendo nos últimos anos, e que acreditamos que representa uma alternativa real ao tipo de feminismo que tem sido o predominante, ao menos nos Estados Unidos, no Reino Unido e na França, além de alguns outros países – não estou certa de se na Espanha também. Até há pouco tempos atrás, esses países foram testemunhas de um tipo de feminismo liberal, centrado principalmente nas preocupações das mulheres de classe média alta ou das mulheres dos 10% mais altos da sociedade. São elas as que se beneficiam desse tipo de feminismo, e encontraram seu caminho para prosperar na hierarquia empresarial.

Eu diria que isso deu ao feminismo um nome negativo, porque o associou com o elitismo, o individualismo, o consumismo… A ideia de que as feministas são mulheres de carreira que fizeram suas vidas sozinhas. Não sei se é totalmente assim, mas é desta forma que a grande maioria das mulheres da classe trabalhadora enxergam a questão. Pessoas que observam o presente não como um momento de crescimento, mas sim o contrário, um tempo no qual as condições de vida estão em declínio, com perda de empregos estáveis, com redução dos salários. Enfim, um montão de caos na vida.

Creio que este feminismo liberal perdeu sua credibilidade. Do ponto de vista dos Estados Unidos, a derrota de Hillary Clinton nas eleições de 2016 para Donald Trump foi como um alarme para despertar, porque as cifras indicam que 52% das mulheres brancas votaram por Trump.

É uma estatística surpreendente. Mostrou que o feminismo corporativo de Clinton não era um feminismo para todas as mulheres. Agora, temos este novo tipo de ativismo, que é o ativismo anti austeridade, que defende padrões de vida de uma forma mais ampla, que se interessa pelos direitos dos migrantes, sobre a situação das mulheres trabalhadoras, das mulheres negras… quando escrevemos o manifesto para o feminismo dos 99% queríamos promover essa guinada do feminismo. Um conceito longe do liberalismo individualista e mais próximo das preocupações da grande maioria das mulheres, e também dos homens.

Nosso manifesto dá nome a este movimento e tenta articular o pensamento que o pode transformar em um movimento radical, genuinamente transformador e anti sistema.

Público: E é possível construir isso dentro de um sistema capitalista ou será preciso construir um novo sistema?

Fraser: Definitivamente necessitamos um novo sistema de algum tipo. O atual sistema de capitalismo liberal financeiro está em uma crise aguda e necessita mudanças estruturais muito profundas: em nossa relação com a natureza, uma mudança na relação entre produção e reprodução, entre o trabalho assalariado e a vida familiar… uma mudança no sistema democrático.

Ainda é cedo para dizer se esta é uma transformação poderia nos levará para um sistema que supere o capitalismo. Tampouco sabemos se existe uma forma de capitalismo que possa responder adequadamente a esta crise aguda. Não acho que devamos responder essa pergunta agora, mas minha vontade é a de que sim, pois acho que precisamos nos mobilizar por algo que vá além do capitalismo.
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in publico