O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

sexta-feira, novembro 30, 2012

INTERREGNO...



QUERIA AVISAR OS MEUS E AS MINHAS LEITORAS E AMIGAS QUE ME ENCONTRO SEM ACESSO AOS MEUS DOCUMENTOS E AO BLOG E QUE SÓ DENTRO DE DIAS - DIFICILMENTE ENTRE HOJE E AMANHà- PODEREI VOLTAR À NORMALIDADE...NÃO TENHO IGUALMENTE ACESSO AOS MEUS EMAILS E POR ISSO TAMBÉM NÃO POSSO RESPONDER-VOS...

RLP

terça-feira, novembro 27, 2012

O QUE É SUBMISSÃO...




A HIPERTROFIA DA CONSCIÊNCIA...
 
 
A submissão é uma qualidade que subentende o uso do poder e do domínio de alguém sobre outro. O que caracteriza o feminino é essa amplitude espacial, a terra que acolhe a semente, que necessita de germinar e desabrochar. Essa qualidade receptiva, que permite a expressão das sementes do vir-a-ser sem interferência directa (que é comum à natureza e a natureza da mulher*), tem sido muito mal compreendida e usada com instrumento de dominação. Esse acolhimento espontâneo permite, numa espera paciente, o nascimento de respostas criativas dentro dos seus mistérios insondáveis (mais uma vez que são os da natureza mãe e da mulher**). Nisso consiste a sua força dinâmica. A submissão, nesse sentido, é a expressão de uma realidade da natureza, qualidade indispensável a qualquer aspecto criativo. Mas dentro de uma mentalidade com a direcção exageradamente activa, controladora e manipuladora, esse aspecto adquire uma conotação pejorativa e perde a sua essencialidade, sendo esvaziada do seu sentido profundo.

Muitas das qualidades primordiais do feminino foram deturpadas do seu significado. Foram impostas outras significações, adequadas a uma mentalidade que valoriza o uso da força sobre o outro. O feminino viu-se reduzido ao fraco, ao submisso, ao incapaz. Essas atribuições pejorativas que lhes foram impostas passaram a ser usadas como mecanismo de controlo. A grande manifestação do feminino é a capacidade de colher, cuidar e nutrir em seu seio largo e inesgotável. Nesse seio da Terra-Mãe as coisas podem se desenvolver por si em todas as suas possibilidades, sem que ela nada lhes acrescente ou precise  fazer.

Porém, numa cultura com um desenvolvimento exagerado do aspecto masculino, as qualidades do feminino serão muito mal compreendidas. Será feito um uso inadequado, distorcido e tendencioso. A mulher passa a ser definida de acordo com as conveniências culturais. Ela, por outro lado, incorpora características que não fazem parte da sua verdadeira essência. Absorve atitudes psíquicas impostas através do condicionamento cultural que distorce intencionalmente aspectos do feminino e é usado como mecanismo de poder.

A submissão foi imposta ao feminino. As mulheres incorporam essa característica, que marcou profundamente a personalidade da mulher no mundo patriarcal. Fica garantida, assim, toda a repressão do mundo feminino, como uma necessidade social patriarcal na busca civilizacional que teme as forças da natureza. E assim o social se confunde com o essencial. Tudo o que vem da natureza tem de passar pelo escrutínio repressor patriarcal.

(…)

A visão da inferioridade feminina tem uma longa tradição histórica que perdura até hoje. Essa identidade feminina imposta a mulher, foi forjada cuidadosamente ao longo da história da cultura ocidental. Encontramos também na Génesis a origem da hipertrofia da consciência. Deus foi criado a partir da hipertrofia da consciência masculina, que nega e reprime aspectos do feminino, considerados inferiores.

 (…)

Raissa Cavalcanti

In O Casamento do Sol com a Lua

*/** os parênteses são  meus

domingo, novembro 25, 2012

NÃO NÃO É ACIDENTE, É CULTURAL...

 
Não, não é acidente a violência contra a mulher.
Ela é secular e tem origem em quase todas as religiões e culturas que se baseiam sempre por princípio na inferioridade e na sujeição passiva da mulher. Essa violência sobre a mulher expressa e exprime um ódio secular à mulher associada à ideia de sexo e de pecado, sendo a mulher "originalmente" a culpada da Queda do Hommem...Posteriormente ao logo de épocas é sempre a negação da Deusa Mãe e do Princípio Feminino no mundo regido pela Espada a guerra e a força bruta consumada por sociedades falocráticas cujo princípio é o poder do falo/espada com domínio absoluto e sobre os mais fracos, feitos escravos, em tempos mais remotos, mas semrpe actual em todo o mundo...essa excravidão continua de forma diferente nomeadamente sobre as mulheres e as crianças e também os homens "afemininados", os que não correspondem aos padrões de virilade e violência. Assim, homem que é "homem" bate na mulher e nos filhos e põe ordem na casa, vai a guerra, mata homens e mata animais e destrói as florestas  ... Tudo isso de acordo com os seus deues ou o Seu deus Pai todo poderoso e único filho...de acordo com as escrituras, de acordo com as palavras santas de Alá e de Jeová...
 
Não faltam no Corão e na Bíblia exemplos de incitação ao ódio à mulher ao seu domínio e à violência sobre as mesmas...desde que elas não se calem ou não obedeçam aos seus maridos...
Podem-se  mudar as leis...e escrever tratados...mas tudo não passa de ficção, porque a força dominante e o princípio de funcionamento do próprio Sistema e a sua sobrevivência é sempre a lei do mais forte que vence sobre o mais fraco e a isso todos assistimos de todas as maneiras e feitios: na crise política financeira, austeridade, abuso social, desrespeito pelo indivíduo  etc.-
 
Temos textos e frases famosas de homens famosos e justificarem exactamente essa prática. pensar que vivemos em sociedades justas e democráticas e que chegámos à igualdade é mentira e por mais que as propagandas nos queirma dizer isso a verdade está a vista de todos em todo o mundo. A forma como a mulher é usada na publicidade, os livros e os filmes pornográficos,  os filmes de violência sexual e  crimes em série sobre as mulheres, as Mafias que exploram mulheres em todo o mundo os crimes contra as meninas mortas à nascença na India e as meninas obortadas na China etc. etc.
Não há igualdade de género nem respeito pela mulher ainda.
E as ideias que circulam nos meios de comunicação social só servem para tentar iludir e enganar as próprias mulheres e as sociedades pretensamente livres...
 
 rosaleonropedro

A NATUREZA É SEMPRE MULHER


DAME NATURE

Relativamente à obra alquímica exterior, a Natureza é a força motriz de todas as transmutações, a "energia potencial" das coisas. Do mesmo modo, vem também a intervir na alquimia interior em virtude dessa força primitiva maternal que permite à alma libertar-se da sua existência estéril, existência ferida de fragilidade congénita. (...)

A natureza é sempre mulher, DAME NATURE, inclusive no seu aspecto terrorífico de grande dragão que serpenteia entre todas as coisas.

IN ALQUIMIA - de TITUS BURCKHARDT

segunda-feira, novembro 19, 2012

A nova pornografia - sado-maso...



OS NOVOS MITOS OU
A MITOLOGIA CINEMATOGRÁFICA AMERICANA...
 

"A função primária da mitologia e dos ritos sempre foi a de fornecer os símbolos que levam o espírito humano a avançar, opondo-se àquelas outras fantasias humanas constantes que tendem a levá-lo para trás. Com efeito, pode ser que a incidência tão grande de neuroses em nosso meio decorra do declínio, entre nós, desse auxílio espiritual efetivo. Mantemo-nos ligados às imagens não exorcizadas da nossa infância, razão pela qual não nos inclinamos a fazer as passagens necessárias da nossa vida adulta. Nos Estados Unidos, há até um pathos de ênfase invertida: o alvo não é envelhecer, mas permanecer jovem; não é amadurecer e afastar-se de Mãe, mas apegar-se a ela. Assim sendo, enquanto os maridos se mantêm numa atitude de adoração diante dos seus templos da infância — conformando-se em ser os advogados, comerciantes ou gênios que seu pais queriam que fossem —, suas esposas, mesmo após catorze anos de casamento e dois belos filhos crescidos, ainda estão em busca do amor — que só pode chegar até elas a partir dos (..) últimos   heróis da tela." - Campbell..


ASSIM, OS ROMANCES DE "BORDEL"...

- um novo sucesso "literário":

As Cinquenta Sombras de Grey

Para:

“Novos e velhos, médicos e crentes praticantes, homossexuais e heterossexuais – estamos só a falar dos HOMENS que devoraram este oh! tão atrevido As Cinquenta Sombras de Grey, uma trilogia erótica que conquistou milhões de mulheres numa questão de semanas.” - Washington Post


"Anastasia Steele é uma estudante de literatura jovem e inexperiente. Christian Grey é o temido e carismático presidente de uma poderosa corporação internacional. O destino levará Anastasia a entrevistá-lo. No ambiente sofisticado e luxuoso de um arranha-céus, ela descobre-se estranhamente atraída por aquele homem enigmático, cuja beleza corta a respiração. Voltarão a encontrar-se dias mais tarde, por acaso ou talvez não. O implacável homem de negócios revela-se incapaz de resistir ao discreto charme da estudante. Ele quer desesperadamente possuí-la. Mas apenas se ela aceitar os bizarros termos que ele propõe... Anastasia hesita. Todo aquele poder a assusta - os aviões privados, os carros topo de gama, os guarda-costas... Mas teme ainda mais as peculiares inclinações de Grey, as suas exigências, a obsessão pelo controlo… E uma voracidade sexual que parece não conhecer quaisquer limites. Dividida entre os negros segredos que ele esconde e o seu próprio e irreprimível desejo, Anastasia vacila. Estará pronta para ceder? Para entrar finalmente no Quarto Vermelho da Dor? As Cinquenta Sombras de Grey é o primeiro volume da trilogia de E. L. James que é já o maior fenómeno literário do ano em todos os países onde foi publicado.

QUE MULHER SOMOS?



A OUTRA MULHER QUE NÃO FOMOS...
 
Lilith é a parte íntima de nós...porventura a mais íntima, e precisamente por isso nada tem a ver por vezes com a nossa vida exterior, ou a nossa vida em família, a que cumprimos no nosso papel de mães e esposas ou avós...e rara é a mulher que pode dar-se ao luxo de a poder expressar entre "os seus"...porque ela é e foi sempre a parte proibida e recalcada da mulher...

Raramente a mulher pode dizer o que sente e como sente...isso fica por conta das depressões e das angústias e por isso recorre tantas vezes à capa da doença...para exprimir o seu desgosto ou tristeza, a sua raiva da vida e empolar o sofrimento que só de si já era bastante. Isso ao ponto de a dor e a frustração nela se transformar mesmo em doença sinal do seu desespero e falhanço como mulher que se sentia no seu âmago...Assim, não só legitima a suas queixas como pode ter até a atenção que nunca teve...
 
A MULHER QUE NÃO FOMOS E PODIAMOS TER SIDO
ESTÁ NA ORIGEM DE TODOS OS NOSSOS MALES...

Isto pode parecer cruel...e acusatório, mas não é...pois é através da consciência das causas do mal estar endémico da mulher  e das suas ditas manias e esquisitices, as famosas “coisas de mulheres” que sempre nos apontaram como marcas de uma debilidade qualquer…que nós podemos perceber o que está em causa nas nossas vidas e foi o drama das nossas avós e mães tias e até irmãs…para começar, esse recalcamento da verdadeira natureza da Mulher condicionando-a assim a ser mãe apenas ou esposa dedicada e anulada para os seus sentimentos emoções e desejos, foi uma educação de milénios…e que ainda sofremos dela…mesmo que julguemos que não.
No fundo oculto das nossas dores e são tantas e têm tantos nomes – depressão, histeria, esquizofrenia, mialgias, bipolaridade, cansaço, sindromas vários e inexplicáveis…- está a a nossa divisão intrínseca de mulheres fragmentadas, básicamente  em duas espécies viradas umas contra as outra… a esposa legítima a do contrato e a outra a amante a puta de epíteto…excomungada acusada afinal porque representa o oposto da sua frigidez de dona de casa…E mesmo que agora as donas de casa virem prostitutas assim como as prostitutas virem donas de casa ou doutoras…só mudam os utensílios e o sado masoquismo…Daí o sucesso estrondoso (não, não é cordel, é de bordel) do livro pornográfico ou pseudo erótico da "escritora de bordel" E.L. James (“De um dia para o outro, As Cinquenta Sombras de Grey tornou-se sensação entre o círculo das mães jovens e atraentes e chegou ao top dos bestsellers do New York Times. Este romance erótico pôs as gravatas cinzentas no primeiro lugar da lista de compras de muitas esposas, na esperança de que os respectivos maridos viessem a imitar a personalidade obsessiva, imperiosa e intimidante de Grey, com muitas a admitirem que o livro lhes despertou um desejo intenso por sexo com os companheiros.”)


E agora "as donas de casa desesperadas" querem todas ter a ousadia das prostitutas que odiavam ou tanto invejavam…mas isso não é senão inverter as coisas…não há integração das duas mulheres antes divididas entre a santa e a puta, há uma mera inversão de valores, mas a dicotomia permanece dentro delas nem que seja só no inconsciente.

Ah! Acreditem-me: o ódio ancestral das mulheres umas contras as outras está bem vivo…ele é patente nuns casos disfarçado noutros desencadeado na injúria e no ódio visceral a mulher que exprime a sua sombra e é o prazer e a liberdade de ser…

 Os arquétipos de Maria madalena e a Virgem Santa são as duas coordenadas desse "guerra santa" que o catolicismo criou entre as duas mulheres…a amante…e a mãe que o homem comum ainda mantêm…na mulher que "respeita" em casa e na mulher que “deseja" e despeja... o ódio, fora do lar…

Não se atrevam a dizer-me ou a murmurar que não é assim…porque é mesmo assim…que se passa e ao vivo dentro desta espiritualidade “nova era” e dentro das casas de artistas e intelectuais média - classe…

 

rosaleonorpedro

sábado, novembro 17, 2012

QUEM É LILITH


ELA É A ESSÊNCIA DA PAIXÃO


“Ela é puro fogo, fogo ardente e potente de um amor único e singular, chama terrível sim, que nós ainda não conseguimos suportar. “*


Não é fácil aceitar esse fogo da transmutação...por isso tem de se ir devagar e sem medo...contra todas as barreiras da mente e de todos os medos que nos tolhem, todos os conceitos que nos amarraram, daqueles que nos quiserem mortas antes de tempo e insípidas toda a vida...Mulheres destinadas a esposas ou mulheres fatais, castas esposas e fiéis ou prostitutas acossadas nas ruas, mulheres abusadas e humilhadas, apenas "preenchidas" pelos filhos e pelos falos...mas não, esse não é já o nosso destino, hoje camuflado de tantas liberdades...
Não estou a falar das mulheres mais jovens, nem da sua paixão pelo homem como é óbvio. Nesses casos quase sempre as mulheres, além da sua própria sexualidade activa, são estimuladas por toda uma propaganda abjecta em que a mulher é quase sempre desviada de si própria e instrumentalizada para obedecer e dar prazer ao homem sem se conhecer e em função do homem exclusivamente embora se tenham invertido um pouco esses parâmetros – para dar a mulher a sensação de que ela também conta - através de uma publicidade que faz agora do homem que dá prazer à mulher um herói e desse um princípio de dever nas relações sem que contudo a mulher se conheça mais ou melhor no seu potencial ou a dimensão interna da sua energia sexual/erótica e em que, em muitas e muitas situações, ela é forçada agora a simular um prazer que não tem senão paga o preço do macho ferido no seu orgulho. Ele agora não tem só que “possuir” muitas mulheres…ele tem de dar “prazer” a uma mulher…(ou muitas mulheres).
A Mulher tem em si um poder sensual e uma extensão única, um manancial fechado, desse mesmo poder que é a energia de Lilith. A mulher tem dentro de si esse potencial da Deusa, toda a força da Natureza, e a energia amorosa que cria e criou o mundo e a Terra.
É um grande desafio, uma grande aventura a de a Mulher se olhar um dia e se Sentir e de repente ver inteira – independente do corpo de desejo ou idade que tenha - e aceitar a sua sensibilidade/sensualidade alargada para lá, muito para lá da mera sexualidade.

Creio mesmo que a sensação de a mulher nunca ter encontrado, regra geral, a sua plenitude no amor e a sua suposta frustração sexual – não ser entendida, correspondida, e tida em conta na sua extrema e complexa sensibilidade – e tudo o que se especulou sobre um ponto “G” na mulher algures no seu órgão sexual e de uma suposta experiência de prazer sexual extraordinário e que os homens (inclusive sexólogos ou peritos, psicólogos etc.) não saberiam como lá chegar, não é mais afinal do que esse Prazer imenso só seu de ser mulher em si e não depender de ninguém ao se descobrir inteira nesse corpo sensual que não é só corpo nem só sensual pelas sensações exteriores através da pele e zonas erógenas, mas sobretudo por essa sensualidade que é fogo interior que brota de dentro e que lhe sobe nas veias e que vem do mais fundo das suas entranhas e de um sentir visceral, como de um vulcão em erupção se tratasse; sim é dessa fusão que se trata e como digo no livro,*
“ Lilith é uma experiência no âmago da mulher no seu centro nuclear que implica o seu corpo, o seu sexo a sua alma e o seu espírito em fusão e só essa experiência dá a dimensão do Ser Mulher ou da Deusa na mulher."

Se por um lado a mulher com a idade pode perder parte significativa da sua libido ou a apetência sexual pelo macho, (não considero aqui a propaganda médica e farmacêutica que quer vender estimulantes em nome da saúde sexual ou da escravidão da mulher ao sexo, como o viagra nos homens etc, perfeitamente contra natura) por outro, ela aumenta a sua sensualidade na Alma e no coração ardente… assim, a novidade é minhas amigas A Mulher não morre para a Paixão nem acaba a sua capacidade de se sentir viva e ardente na menopausa, antes começa a sentir e a irradiar a força desse fogo que concentrou dentro de si, mesmo sem o saber, essa força adormecida que agora pode acordar conscientemente e fazer dela um Oráculo, fazer dela Uma Xamã, fazer dela um Velha Sábia cheia de amor e dignidade. Porque é esse Amor indefinido e potente como um raio dentro de si…que faz a nobreza da Mãe e a grandeza da Mulher…e ela irradia à sua volta.


 rosaleonorpedro

 *O Livro de Lilith (sem título definido ainda e não publicado.)

quarta-feira, novembro 14, 2012

LILITH ACORDA E FALA...


 
 

 
ENCONTRO COM LILITH

Eu estava nos meus dias de mulher-a-dias carregando a sobrevivência. Eu estava nos meus dias de Penélope fazendo o meu trabalho e desfazendo-o e voltando-o a fazer. Eu estava nos meus dias de Deusa dos Sonhos afagando a vida. Foi quando te pressenti. Do silêncio, um leve restolhar entre folhas. Do frio, um sinistro rastejar. Ao longe, o vórtice a rodopiar dum furacão. O céu um pântano. Empalideço. Todos os verdes musgos se transformam em venenos. As flores em risadas. Os doces aromas em sulfurosas pestilências. Chegas em fúria, todos os elementos te seguem, os bichos escondem-se, humanos que te vissem pasmariam. Todo o teu olhar são crateras que se abrem. Toda tu arrotas e fazes-me arrotar até ao vómito. Tiras-me o meu último apoio, a minha varinha mágica de iludir-me. Transforma-la num chicote sem clemência. Voam pelo ar tempestades de ventos do deserto, vidros de dor de bola de cristal estilhaçada. Ainda me debruço sobre o meu ventre chorando os filhos que tive, para quê? Clamo a Deus porque de mim se serviu para ser sua mãe no mundo? E porquê os homens fizeram de mim a sua escrava? Basta de ser sacrificial e ser carne e terra e sangue para alimentar reinos que não são meu trono. Eu sou a RAINHA DE OUTRO REINO, ME VENEREM E RESPEITEM! Já não sei se sou eu que o estou dizendo se és tu que o estás dizendo em mim…


 
Sei que num relâmpago, como que um raio me trespassa, e vejo-te subitamente mulher plena. Que ninguém se aproxime. Como és bela! E tu a veres-me velha, minhas rugas, meus seios murchos, meu ar abandonado. Aproximas-te e és real e abraças-me. Beijas-me na boca, vais sorver do mais fundo de mim a inocência que eu ainda tenho e a ti te falta, vais reviver em mim a tua casa, a nossa casa, a tua irmã, e estamos juntas outra vez no paraíso. És tu que manténs a força e me seguras. És tu que sem ciladas não admites que eu agora caia. És tu que juras com raiva, que antes dessa hora, destruirias todas as horas pelas quais a terra é regida. Vejo-te então mais ferida do que eu e sou agora eu que te sustenho. Parece um horto de sofrimento, uma demência a sacudir-nos, uma epifania. Nunca o amor foi tão lúcido. É uma plena reconciliação feita de saudade enorme. Penso que vamos ficar finalmente juntas. É então que me olhas (ainda não sou capaz de descrever esse olhar) e pouco a pouco te vais transfigurando. Enquanto dura esse processo tu gritas-me: Um dia irei ter contigo, mas agora corre, corre, corre! Lilith, o que está para acontecer? Não sei, mas farei o que tu dizes, sabendo que já estás comigo.

GM

Um texto de uma amiga, que me surpreendeu e tocou profundamente. Uma voz mais que se ergue do anonimato das milhões de mulheres desconhecidas que sentem...que buscam esse ENCONTRO consigo mesmas e se desdobram para a união com a "outra" mulher que em si odiaram ou perseguiram na rival e na louca...Agoras unidas, uma só Mulher, a mulher antiga e a do futuro...farão um novo mundo ressurgir e a Mulher Oráculo se fará ouvir na Terra...
rlp

E assim, “Quando as mulheres reafirmam seu relacionamento com a natureza selvagem, elas recebem o dom de dispor de uma observadora interna permanente, uma sábia, uma visionária, um oráculo, uma inspiradora, uma instintiva, uma criadora, uma inventora e uma ouvinte que guia, sugere e estimula uma vida vibrante nos mundos exterior e interior. Quando as mulheres estão com a Mulher Selvagem, a realidade desse relacionamento transparece nelas. Não importa o que aconteça, essa instrutora, mãe e mentora vagem dá sustentação às suas vidas interior e exterior.”
Clarisse Pinkola Estes 


 

terça-feira, novembro 13, 2012

A DEUSA-MÃE - O CÁLICE


DA SERPENTE A IMACULADA

 

“...e neles agindo sem cessar…”

 

Esta região do Tejo, detendo então no eneolítico acentuado carácter duma civilização crida à volta da figura da Grande-Deusa, ela se expressará por formas circulares: túmulos, tholoi, povoados fortificados igualmente circulares, como suas torres; e por todos os objectos de culto, apontando para uma região da Deusa lunar, da fertilidade (…). Tudo nesta região, neste período nos mostrará a criação e a expansão dos símbolos dum mesmo mitologema da nossa humanidade pré-histórica já, ou ainda, à obra entre os meados do terceiro milénio e os meados do segundo milénio antes de Cristo.

Posteriormente, será ainda outra forma de vaso, como símbolo feminino de vida, fertilidade e ressurreição, agora sob sua forma cristianizada, o que estará no centro dessa aventura mística que ocupou o homem português medieval, a Demanda do Santo Graal. Símbolo de aventura interior que ele levou consigo na sua expansão além Atlântico. E que no Brasil perdura ainda ao vivo nos nossos dias.

E foi ainda o mesmo símbolo feminino e aquático a concha, pertencente ao mesmo complexo da Deusa-Mãe, e ele tão abundante no nosso espólio dolmético, como elemento desse seu complexo de mulher, água, lua e fecundidade, o que teria marcado e representado toda a aventura religiosa e social a mais potente, dinâmica e de carácter ecuménico, que esta terra galaica criou, ainda e também na Idade Média: as Peregrinações se Santiago de Compostela.

E seria ainda o mesmo mito de reintegração à unidade primordial, através da mãe ou amante, pelo amor ou pela morte, ou pelo amor-morte, ambos identificados, o que está, significativo e estruturante, no cerne de outra das maiores criações desta terra galaica, a poesia trovadoresca – e que por ela a identifica e singulariza.

E se a deusa lunar tripla, desde o neolítico neste território e no fundo dos seus tempos em que se organizou como sociedade estável ligada ao seu solo, nos apontará para o arcano da saudade, como forma de mito da reintegração, a mais específica da sua alma, este seu símbolo do vaso que percorre a pré-história e vem até a sua Idade Media, nos apontará ainda para o mesmo mito.

Na mitologia, arqueologia, poesia e lendas dos portugueses as Mouras, Sereias, nereidas e Ninfas representam a mais abissal descida ao nosso estracto anímico e histórico, em unanimidade com a primeira referência escrita conhecida sobre o nosso território e sal humanidade, que assim iniciou nossa próto-história. Desde a época megalítica, passando pelo século VI a. C., até aos nossos dias, numa mesma natureza ofídica, aquática, ctónica, infernal e oracular, estará aqui impressa neste território e sua humanidade; e neles agindo sem cessar.

 

DA SERPENTE À IMACULADA

Dalila l. pereira da costa

 

 

segunda-feira, novembro 12, 2012

GRATIDÃO...

 
ÁS MINHAS LEITORAS E AMIGAS...
 
- Há já algum tempo que recebi a mensagem que lerão no fim...e queria responder a esta minha amiga leitora... e dizer-lhe mais uma vez que as suas palavras me são muito gratas e a sua amizade também...porque um interesse genuino em alguém... é mais do que amizade e eu prezo isso deveras. E devo dizer que preciso das minhas amigas e amigos, muito, mas preciso ainda mais das minhas leitoras e aguns leitores fiéis... Porque são elas (e eles) que dão sentido ao meu trabalho, à minha escrita, aos meus livros...
 
Este email veio a propósito de algo que eu escrevi em tempos sobre os conflitos e discussões em grupos e no faecebook e esta amiga respondeu-me assim desafiando-me a pensar na televisão ou num canal meu...que hoje eu sei que até é fácil ter o MEO canal...e nisso eu vou pensar mas não para já. Mas quanto a televisão estatal ou comercial é evidente que nunca me convidariam para fazer um Programa porque o que eu digo ou o que eu escrevo e defendo se insere de forma alguma nos programas de alienação da televisão, quase todos de cariz machista ou misógino em que a mulher é permanentemente aviltada e desrespeitada como mulher e não faz mais do que fazer um papel decorativo ou secundário ou de animadora...superficial e ao serviço do Sistema e que esteja  obviamente do lado do patriarcado e fiel a sua perspectiva. Normalmente são as amigas ou amantes dos realizadores produtores patrões etc. É assim que é ou então são as filhas de Alguém ou de B. ou C. a pedido dos ministros, do papá ou do Tio... E esta é ainda a vleha  realidade social e cultural do País.
Queria dizer-lhe assim que nunca programa algum me convidou ou convidaria a apresentar o meu livro Mulheres & Deusas e a falar dele como o não fizeram com o meu Blog que é dos primeiros em Portugal, e sim, deram espaço a Blogues  de cariz político ou cómico - entre os quais o mais famoso "O Gato Fedorento" e mais uns tantos - que foram catapultados para a ribalta assim como os seus autores através da Televisão.
 
Mas Mulheres & Deusas...nunca o seria...e temos de saber isso e porquê. Aliás, fui uma vez a um programa convidade pela escritora Rita ferro sobre "O Feminino Eterno", no programa  "Travessa do Cotovelo"...onde fiz uma curta intervenção sobre o Feminino sagrado"...talvez até seja possível ver ainda nos arquivos, não sei. Mas tenho a acrescentar ainda que nunca em situação alguma fui convidada para programas de mulheres nem mesmo no sentido do Feminino Sagrado, fora desse contexto...porque a minha posição e o meu discurso mais uma vez, eu sei, é incómoda e pouco popular...e enfim eu também me torno incómoda para quem colobora com o Sistema...
Não digo que a princípio não me tenha sentido defraudada com isso mas com o passar dos anos fui compreendendo melhor porque é que isso não acontecia. Porque é que isso não acontece ainda...E aqui estou... continuando a explicar essa cisão nas mulheres e a sua possibilidade de integração. A trabalhar para uma Nova Consciência do SER MULHER...E grata a todas as mulheres que já são parte desse trabalho e já são elas próprias a expressão dessa MULHER INTEIRA. E isso é o mais importante e que mais me dá alegria...
rlp

***
 
UMA MENSAGEM RECEBIDA...

 - Senti necessidade de enviar este e-mail, porque hoje de manhã falei de si, da importância do seu blog e da mensagem que a Rosa insiste em partilhar com as mulheres. Como já referi noutros e-mails que lhe enviei, o seu blog é muito importante para muitas pessoas, mas só para aquelas que estão no mesmo patamar de consciência que a Rosa, ou aquelas que possam não compreender a mensagem, mas que não interfere com o seu conhecimento adquirido e que algum dia vão compreender o poder e o seu significado, mas o resto não está aberto, ao alerta, ao conhecimento, que a Rosa insiste em passar e fecha-se nos seus dogmas, não aceitam outros pensamentos. Não estou mencionar nada que a Rosa não saiba, mas questão que queria colocar é a seguinte:

Porquê que a Rosa alimenta essas discussões? Porquê participar nesses diálogos, que lhe retiram energia e a deixam tão magoada?

Quando abri a sua pagina, e li as palavras de magoa que escreveu, senti que, devia reflectir, sobre as questões que coloquei, não me interprete mal, (sou a voz da consciência...), se quiser pensar nestas questões, não posso dizer que sou sua amiga ( só a conhece pelo seu trabalho ), mas tenho uma grande estima pelo que faz, Não sei se lhe disse como conheci o seu blog, mas foi através do seu livro Mulheres & Deusas, feira do livro em 2009; estava a precisar deste conhecimento para a minha evolução de mulher, de ser humano, e continue a procurar no seu blog a instrução para a minha evolução e a recomendar a sua mensagem.

Eu, até acho que devia expandir o seu conhecimento para a televisão, ter um canal seu, onde podesse verbalizar esta mensagem e aconselhar livros, pense nisto Rosa.

O seu trabalho é passar a mensagem, não explicar, isso fica para outros......

Fique bem,
Cumprimentos,

V.S.R.