quinta-feira, janeiro 28, 2010

MÃE DO CÉU E DA TERRA OUVE-NOS...


"Até na Bíblia a mulher não presta. Os santos, nas suas pregações antigas, dizem que a mulher nada vale, a mulher é um animal nutridor de maldade, fonte de todas as discussões, querelas e injustiças.
É verdade. Se podemos ser trocadas, vendidas, torturadas, mortas, escravizadas, encurraladas em haréns como gado, é porque não fazemos falta nenhuma. Mas se não fazemos falta nenhuma, porque é que deus nos colocou no mundo? E essa deus, se existe, porque nos deixa sofrer assim? O pior de tudo é que deus parece não Ter mulher nenhuma. Se ele fosse casado, a deusa - sua esposa - intercederia por nós. Através dela pediríamos a benção de uma vida de harmonia. Mas a deusa deve existir, penso. Deve ser tão invisível como todas nós. O seu espaço é de certeza a cozinha celestial.”*


*NIKETCHE - uma história de poligamia
Paulina Chiziane


TRÁFICO DE MULHERES HOJE...


Lia ontem no Destak uma pequena crónica sobre o tráfico de mulheres e a sua passagem (e estadia) em Portugal…



Esta ideia de “tráfico de mulheres” parece-nos sempre como que desfasada para a nossa modernidade de ocidentais civilizados, mas para uma mulher do outro lado do mundo, ou da Europa de leste, nestas sociedades ocidentais exclusivamente materialistas, já não são só as vítimas do falso cristianismo, como no caso da mulher africana, nas palavras de Chiziane, mas do comunismo e do marxismo, mulheres pobres despojadas de toda a dignidade e muitas de identidade, vindas de leste e também da América latina, que na mira de ganhar algum dinheiro caiem nas mãos das máfias, às vezes através de irmãos ou de namorados que as vendem; milhares de raparigas e mulheres jovens que estão na Europa, nomeadamente em Portugal, são vendidos para tráfico sexual e usadas como meros objectos de prazer e violência e que vivem no maior horror, pior do que ter fome ou ser pobre ou vítimas de terramotos e guerras.

Mas com isso ninguém se compadece, nem a AMI nem as ONG ou os muito hipócritas responsáveis das grandes organizações ditas de ajuda humanitária...só mesmo quando as pessoas morrem é que eles vão acudir para se vangloriarem dos seus feitos heróicos...


Mas protecção às raparigas e mulheres anónimas que percorrem as noites e lugares de prostituição neste cantinho plantado à beira marninguém acode...às milhares ou centenas de raparigas e mulheres que são fechadas em hotéis e pensões imundas, sem papéis e castigadas, violadas ou brutalizadas, para servirem de lucro a obscuros mafiosos e predadores que as controlam e exploram, sem apelo nem agravo…não há nem nunca houve movimento de solidariedade significativos, nem fictícios para aliviar as consciências pesadas...porque afinal...o que são as mulheres? Esta conivência secular católica com a prostituição é absolutamente inerente ao patriarcalismo. Não tenhamos ilusões de que, sem mudar o sistema, alguma coisa mudará de fundo para a condição da mulher!


Senão perguntemos apenas porquê é que as autoridades competentes nada fazem ou fazem tão pouco? Porque os políticos, os polícias e todos os homens em geral, salvo as tais honrosas excepções, são coniventes com a “necessidade” da prostituição porque no fundo desprezam e temem a mulher e inconscientemente pensam que elas merecem e que não servem para mais nada.

Sim, para eles, sejam fascistas ou democratas, qual é o valor real de uma mulher que não a “sua”?



E a NOSSA MÃE DO CÉU?

Se ela existisse teríamos a quem dirigir as nossas preces e diríamos:

Madre nossa que estais no céu, santificado seja o vosso nome. Venha a nós o vosso reino - das mulheres, claro -, venha a nós a sua benevolência, não queremos mais violência. Sejam ouvidos os nossos apelos, assim na terra como no céu. A Paz nossa de cada dia nos daí hoje e perdoai as nossas ofensas - fofocas, má-lingua, bisbilhotices, vaidade, inveja - assim como nós perdoamos a tirania, traição, imoralidades, bebedeiras, insultos, dos nossos maridos, amantes, namorados, companheiros e outras relações que nem sei nomear...Não nos deixeis cair na tentação de imitar a loucura deles - beber, maltratar, roubar, expulsar, casar e divorciar, violar, escravizar, comprar, usar, abusar e nem nos deixeis morrer nas mãos desses tiranos - mas livrai-nos do mal, Amén.

Uma mãe celestial nos dava muito jeito, sem dúvida nenhuma."*

*Excertos de NIKETCHE - uma história de poligamia
Paulina Chiziane

3 comentários:

Nana Odara disse...

As mulheres amarram as cordas aos pescoços e saem a caça de homens q a possam apertar... são elas q andam atras dos homens, com uma incessante vontade de beijar sapos, e mesmo levando porrada atras de porrada continuam beijando os sapos e se deitando debaixo deles... são elas q vão atrás, q lhes põe pedestais, os transformam em deuses, rivalizam com todas as mulheres, q lhe querem tomar o macho, tesouro valioso... são elas q vão atrás, de historias mal contadas e muitas vezes da realidade doentia mesmo, pq querem dinheiro, o falo moderno... são elas q se prostituem aos sonhos de sedução e glamour primeiro antes de cair na prostituição, e muitas de plena consciência e livre vontade...

as mulheres não são apenas vítimas, são ferozes algozes contra as outras mulheres... sempre dando apoio aos homens e nunca dando apoio às mulheres...
atrás e debaixo de todos essas homens, existem mulheres q validam o patriarcado... q carregam o patriarcado nas costas, nos braços... para obter a aceitação dos homens, a atenção, um tapinha na bunda, lá vão elas atropelando as outras... humilhando, competindo, odiando, hostilizando, ofendendo umas as outras... e endeusando os homens, acreditando em promesas furadas, aceitando pedidos de desculpas sem nenhuma validade, as mulheres perderam completamente a vergonha na cara, perderam totalmente o respeito por si mesmas, se desvalorizam e se humilham... e enquanto elas não mudarem a propria realidade, nada vai mudar... ninguém pode salvar a mulher, só ela mesma pode se salvar... só ela mesma se salvará qdo abrir os olhos à realidade e parar de suspirar coraçõezinhos cor de rosa... os homens não vão deixar de usar, enquanto elas se poe ali a jeito, enquanto acreditarem em contos de fada e venderem a alma aos pobres demonios do patriarcado... as mulheres estão sozinhas, isoladas umas das outras, fragilizadas como classe, e individualmente tbm... não tem amigas, não tem colegas, não tem as outras mulheres a seu favor, não tem as outras mulheres por perto, não são solidárias entre si, nem muito menos leais...

não são os homens q vão mudar a realidade das mulheres... só a mulher pode fazê-lo... só as mulheres se irmanando podem fazê-lo... mas elas não tem interesse nenhum nisso, não tem tempo, não querem saber... e continuam fodendo e se estrepando... por causa disso...

nenhum homem vai ser o Richard gere das mulheres e as salvarem das mãos do mesmo homem gigolô...
é o mesmo ator, fazendo papel de principe salvador e gigolô cruel...

e enquanto isso, qqr um q passe arrastando a pica, lá vão elas atrás, suspirando, deixando tudo de lado, toda a experiência, todas as historias, todas as amigas, a solidariedade e a lealdade...

vão elas loucas atrás das picas, suspirando coraçõezinhos cor de rosa... e depois voltam estropiadas, pisadas, humilhadas... vertendo lagrimas de crocodilo, e enchendo o saco das outras, trouxas, q ficam ali, servindo de ombro... até a proxima pica passar e ela sair correndo atras de novo... esquecendo de tudo... colocando os homens em pedestais... q se lixem!!!

Rosa Leonor disse...

é justa a sua fúria, o seu desapontamento...e completamente verdade tudo o que você diz...
É muito difícil as mulheres se amarem a si mesmas e terem delas um sentido de auto respeito e determinação. elas são o fruto do patriarcado, um fruto maduro e acabado, prontinho a comer... e elas são apenas comestíveis, coisas prontas a comer. E são elas que assim se identificam porque não têm mais nada e se odeiam umas às outras desde pequeninas porque as mães as rejeitam e preferem o filhote bem amado...é uma história macabra e a única coisa que podemos fazer é contra tudo e contra todos, amarmo-nos a nós mesmas e às outras mulheres...ou então ter sincera ter pena delas, ter compaixão, mesmo quando elas nos odeiam, como fazem, dizem os cristãos...É isso que temos de fazer, e rezar por elas para que acordem e um dia sejam elas mesmas...Continuar o nosso trabalho sem esperar lealdade nem resposta...Tá a ver como é agora? Não desista e tenha fé em si e é a sua fé na mulher que é que pode iluminar outra mulher, uma só que seja, ao seu lado, ou mesmo que seja invisível...Não olhe para fora, mas para si. É o que eu tenho tentado fazer quando me revolto...
um grande abraço


rosa leonor

Rosa Leonor disse...

é justa a sua fúria, o seu desapontamento...e completamente verdade tudo o que você diz...
É muito difícil as mulheres se amarem a si mesmas e terem delas um sentido de auto respeito e determinação. elas são o fruto do patriarcado, um fruto maduro e acabado, prontinho a comer... e elas são apenas comestíveis, coisas prontas a comer. E são elas que assim se identificam porque não têm mais nada e se odeiam umas às outras desde pequeninas porque as mães as rejeitam e preferem o filhote bem amado...é uma história macabra e a única coisa que podemos fazer é contra tudo e contra todos, amarmo-nos a nós mesmas e às outras mulheres...ou então ter sincera ter pena delas, ter compaixão, mesmo quando elas nos odeiam, como fazem, dizem os cristãos...É isso que temos de fazer, e rezar por elas para que acordem e um dia sejam elas mesmas...Continuar o nosso trabalho sem esperar lealdade nem resposta...Tá a ver como é agora? Não desista e tenha fé em si e é a sua fé na mulher que é que pode iluminar outra mulher, uma só que seja, ao seu lado, ou mesmo que seja invisível...Não olhe para fora, mas para si. É o que eu tenho tentado fazer quando me revolto...
um grande abraço


rosa leonor