"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

sexta-feira, julho 19, 2013

UMA MÃE MAIOR

 
 
 
Não falo aqui muito do Ser Humano em geral,  mas da mulher em particular, muitas vezes, pela sua obsessão/fixação ao "amor" do homem (ou mulher) como forma de superar a solidão inicial...
Este trecho, escrito já há alguns anos, abarca o Ser Humano na Essência, não trata da Mulher cindida em duas nem do seu conflito emocional/psíquico...
Tenho ultimamente dado prioridade quase sempre a questões relacionadas directamente com a mulher em si e os seus conflitos em família e em sociedade, pois este blog trata preferencialmente uma ferida muito particular na metade da humanidade que é a Mulher cindida em duas (a "santa e a puta") e do seu conflito pessoal  e luta interior ao nível da sua personalidade e não face ao universo, digamos...

MAS A NOSSA FERIDA DE AMOR é também esta...

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O desejo do amor obsessivo e exclusivo de alguém, para além do nível de consciência do individuo e o seu estado evolutivo, é talvez um sintoma de uma doença comum a toda a humanidade, um estigma que nos marca logo ao nascer neste mundo. Por mais que tenhamos consciência dessa quase anomalia, essa premência cujo sintoma ou delírio equivale ao síndroma da privação dos drogados, ela continua lá como um registo inconsciente, celular, impossível de descartar por vontade própria, assim, só porque disso temos consciência ou intuição... Pode levar uma vida inteira a superar essa carência, esse anseio ou sonho, quem sabe muitas vidas... À partida, a busca da "mãe ou do pai", no amante, da "alma gémea", pela  necessidade do consolo ou de abrigo, de protecção ou de defesa, seja pois do amante ideal, quer na mulher quer no homem, é sinal da nossa separabilidade e incompletude à nascença; por isso todos queremos, de uma maneira ou de outra, voltar aos braços de uma Mãe Maior ou ao seu útero, ou simplesmente à origem - que no fundo é o AMOR que todos procuramos - e essa é certamente a grande dor e a grande caminhada na terra e a razão porque nascemos presos por um fio, um cordão umbilical e procuramos toda a vida o prolongamento desse fio no Fio de Ariana, ainda a Mãe, a mulher-deusa ou deus-amor...que nos faça sair do Labirinto, ou da nossa cegueira congénita...
rosa leonor pedro

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