sábado, março 25, 2017

MAIS PATRISTAS QUE O PATER



"As mulheres têm o hábito ancestral de ficar em segundo lugar.
(...)
Talvez por essa razão, "a igualdade é um principio mal compreendido. As mulheres tentam desesperadamente entrar no Sistema, sem modifica-lo. Gastam as suas forças para fazer o mesmo que os homens, mas continuando a fazer o mesmo que a suas mães. Isto é impossível. Conservar as estruturas que excluem as mulheres é uma denegação de justiça. O dia de trabalho duplo, ou até triplo, não é nenhum mito, e todo o sistema social continua a ser adaptado pelos homens para os homens. Enquanto as mulheres não consideram como legitima a adaptação do mundo as suas próprias exigências, continuando a perder o seu tempo e a sua liberdade no stresse quotidiano inenarrável, que representa bem a sua vida actual."*

Eu acho muito curioso e sintomático - para não dizer uma desgraça - como as mulheres em geral, nomeadamente as políticas e intelectuais portuguesas, não tem a menor noção de como a ideia de "igualdade" não corresponde a nada do que se pretendia e que a razão disso tem toda a ver com o machismo das mulheres, pela a adopção da cultura e do ego masculino - tirando uma ou outra excepção -, ou mesmo as vanguardistas da cultura patriarcal, na verdade as activistas feministas e as intelectuais  são quase todas Atenas saídas da cabeça do Pai, já para não falar das mulheres do entretenimento televisivo, cuja cultura é nula,  e que têm um desprezo impercetível pelas outras mulheres, todas elas de uma maneira ou outra são Marionetas do Sistema e dos homens...e não se apercebem sequer como se reduzem a esse segundo lugar...subalterno e muitas vezes até ignominioso.

Eu vejo  mesmo muitas  mulheres que buscam uma verdadeira identidade e sairam dos padrões das feministas que continuam a ser patristas (às vezes mais patristas que o pater), como diria a Natália Correia, uma das poucas e raras escritoras portuguesas que teve consciência de si como mulher e do Paradigma da Deusa e que no seu discurso fazia toda a diferença, raramente  estas mulheres têm plena consciência do seu feminino integrado.  Elas continuam a ser cúmplices do sistema embora se digam participantes de uma nova consciência do mundo enquanto MULHERES, tentando serem fiéis ao Princípio Feminino e a uma Ecologia da Natureza e da Terra,  procurando agir no sentido de o modificar para dar um novo rumo às sociedades e as revitalizar,  e no entanto  em vez disso dedicam-se à politica do vício e do tráfico de influências, a política do medo, aos partidos corruptos, ao esquemas viciados ou escrevem memórias de mulheres frustradas, filhas do papá...obcecadas com os traumas e o sexo, as histéricas dos estudos de Freud e Lacan...e com os quais elas tanto se identificam...

 rosaleonorpedro

"O que sabemos é que, nestes últimos três mil anos, a civilização ocidental e suas precursoras, assim como a maioria das outras grandes culturas, basearam-se em sistemas filosóficos, sociais e políticos 'em que os homens
– pela força, pressão direta, ou através do ritual, da tradição, lei e linguagem, costumes, etiqueta, educação e divisão do trabalho – determinam que papel as mulheres devem ou não desempenhar, e no qual a fêmea está em toda parte submetida ao macho'." (p. 27)


"A noção do homem como dominador da natureza e da mulher e a crença no papel superior da mente racional foram apoiadas e encorajadas pela tradição judaico-cristã, que adere à imagem de um deus masculino, personificação da razão suprema e fonte do poder último, que governa o mundo a partir do alto e lhe impõe sua lei divina." (p. 38)

"Fritjof Capra explica muito bem a queda desse paradigma. Depois de passarmos pela era e queda dos combustíveis fosseis, com a troca de nossa matriz energética arcaica e cara pelo Sol, dai sim a civilização terá amadurecimento e clareza possíveis para essa quebra de paradigma, que pelo jeito esta ai a mais 10.000. Dentro de um milénio se a civilização não acabar (muito por culpa do patriarcado) teremos a chance de vermos um mundo de paz através do matriarcado."** C.L.


*Isabelle Alonso  in todos os homens são iguais ...mesmo as mulheres
**Fritjof Capra, O ponto de mutação. A Ciência, a Sociedade e a Cultura emergente, São Paulo, 26ª Reimpr., Editora Cultrix, 2006, 447 p.

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