quinta-feira, julho 02, 2009

SER OU NÃO SER MULHER, EIS A QUESTÃO...

SER MULHER ?
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"O que leva um homem “normal” escritor, casado, com filhos e sem ser homossexual, à partida, a mudar de sexo?
Que compulsão ou desejo, que anseio interior, poderoso, pode levar um homem inteligente a fazer uma operação, a tomar hormonas femininas, a mudar de pele...só para mudar a sua aparência e ser mulher? E será que será mesmo uma mulher?
E não pode o homem sendo homem e a mulher sendo mulher, cada qual no seu corpo e função e desejos, sejam eles quais forem, exprimir a sua outra polaridade sem uma mutilação, sem o sofrimento inerente aos processos de operação e mudança física hormonal e psicológica?
Porque não pode o homem exprimir toda a sua feminilidade se for o caso dessa polaridade ser extrema e conviver com o seu corpo sem oposição, nem contradição?
Porque não pode um homem ser sensível e ter poses mais delicadas, usar colares e brincos sem se mutilar, sem se transformar? Porque tem o homem de ser duro e inflexível e agressivo e usar a força e a mulher passiva e submissa e aceitar tudo calada?
De onde nasceu esta confusão?
Não foi isso a consequência da repressão do feminino e a exaltação do macho em todo o mundo no patriarcado? Não pagamos a factura do desequilíbrio dos princípios opostos complementares?
A nossa identidade PROFUNDA não é meramente sexual. NÃO É a sexualidade aquilo que nos define como homo-sapiens ou A mulher sábia...

Não sabemos hoje que todo o homem tem uma mulher (anima) dentro e toda a mulher tem um homem (animus)…mas isso não quer dizer que se tenha de mudar de sexo porque depois o problema do outro que se é também prevalece… Não somos todos dois em um, não somos todos machos e fêmeas sendo cada um dentro inversamente ao que é fora? Não é esse o equilíbrio dos opostos?
Já vi vários casos de “operados” fazerem-no por gostarem de pessoas do mesmo sexo e depois da operação casam ou vivem no caso dos “homens” com uma mulher, o que é também o caso da escritora?
E mesmo que fosse por um grande amor… na vertigem dos sentidos, da paixão, por desejo intenso de amar e “possuir” o corpo do outro/a, que é igual, para quê forçar ou mudar a natureza do seu corpo?
Um dos casos cuja entrevista vi era o de um transexual homem (iraniano?) que depois de operado se apaixonou por uma mulher lésbica com quem vivia e que também ia mudar de sexo…não seria a mesma coisa se nenhum tivesse sido operado e se se tivessem amado com os sexos com que nasceram?
Seja qual for o corpo que se tenha é possível amar quem quisermos…e não é a mudança de sexo paradoxalmente para seguir a ordem social, as convenções ou a religião, que mudando de sexo somos melhor aceites ou mais amados…
Experimentar na pele a sensibilidade feminina, segundo a escritora que era homem…será assim tão importante que leve um homem a enfrentar os preconceitos de uma sociedade, a moral religiosa, a confundir os filhos, para continuar a viver com a mesma mulher, divorciar-se e voltar a casar com ela já velha?
Quanto a mim, se fosse mais nova e amasse uma mulher com paixão de morte não creio que ferisse o meu corpo só para ter acesso a esse amor que mais tarde ou mais cedo, como todos os amores, morresse…e a vida não tem como finalidade um sexo…na verdade só sei isso hoje, aos sessentas…
Claro que quando se é jovem sofre-se e acredita-se que se ama para sempre…e que o amor vale tudo…
Não, A Vida e o Ser não são apenas um sexo ou uma aparência… a apetência ou desejo sexual, por mais premente e exacerbado que este seja, dura meia vida…no máximo, mais ou menos, dos quinze aos cinquentas…
Não fosse uma falsa cultura, uma moral caduca e uma falta de “educação” sexual, (todos os conceitos e preconceitos sobre o sexo) a ideia do amor totalmente deturpada no ocidente principalmente e todo o comércio acerca da “vitalidade sexual” e de um prazer (que é quase sempre fictício) a exacerbar a sexualidade - que no caso não passa nunca de uma promessa ou de um estímulo forjado pela propaganda erótica e pornográfica, pelos filmes de má qualidade que põem toda a tónica da vida no prazer e na sexualidade - talvez a pessoa humana fosse mais…humana, maior o seu potencial e mais capaz de abranger a sua totalidade!
Não será a grandeza do ser humano a sua capacidade de ser e de sentir tudo e expressar-se na sua totalidade sem precisar de se travestiar?
Sim, se o ser humano fosse apenas mais humano
e consciente do seu potencial espiritual e da dimensão da sua alma, talvez ele não tivesse necessidade de se mutilar e mudar de sexo para amar ou viver uma aventura diferente…talvez aí ele soubesse que a sua sexualidade, seja qual for sexo e o objecto do seu amor, é muito mais vasta e avassaladora do que umas cambalhotas e uns orgasmos… E mesmo os homossexuais, não são seres do mesmo sexo que se desejam e amam?
Há relatos de que sempre houve eunucos e homens que para servir a Deusa e imitar a mulher se mutilavam também mas faziam-no por devoção à deusa e por sacrifício entregavam a sua virilidade…porque queriam se dar e seguir os seus rituais ou o que quer que fosse realmente, mas agora os homens querem ser mulheres apenas para desfilar na passerelle, para cantar ou vestir a pele das divas… Para vestir roupa e adereços de mulher?
Mas quem inventou esta roupa sofisticada de mulher e criou a mulher fatal foram os homens e os filmes…quem determinou o comportamento "feminino" também foram so estilistas gays…a mulher hoje é apenas uma imagem rebuscada de um sonho masculino...
Nós, há muito que não sabemos como são o verdadeiro homem nem a verdadeira mulher integradas as suas polaridades!
Não será que a Natureza e o Cosmos ao nos conceber tal como somos e nascemos, apesar de às vezes haver “desvios” ou “erros”, não previu isso, independentemente de nascermos numa vida mulher e noutra homem e vice-versa? Esta confusão de narizes não será mesmo derivada da nossa falta de consciência ontológica, primordial, desconhecimento da totalidade do SER?
Juro, por mim, sofrer ainda ou ferir-me de morte, morrer por amor, prefiro o eterno amor impossível de Romeu e Julieta…porque o amor entre humanos sempre foi só isso…uma confusão de narizes…

Quanto à escritora, considerada uma grande escritora, escreve bem, dizem os críticos, mas não sei se é parte da sua genialidade ou da sua loucura esta experiência de dois sexos ou de dois corpos numa só vida... No entanto duvido que se tivesse sido ao contrário, primeiro mulher e depois homem tivesse tido a liberdade e a aceitação que teve…
Um homem pode tudo até “ser mulher”, mas se a mulher se transformasse em homem é porque coitada não tinha pilinha…e vinha logo o raio do complexo do papá Freud à baila…
Há um livro, da autora não traduzido em português, CONUNDRUM em que ela explica tudo por que passou e que eu gostava de ler…mas duvido que mude de opinião...
rlp

2 comentários:

Gaia Lil disse...

Olha Rosa,quanto isso tenho de ser sincera com vc,já pensei em cirurgia uma duas ou três vezes.Mas sempre que penso nisso me vem a voz de minhas antepassdas e aquela força interior:"Se a Mãe Natureza fez assim é porque tem algum proposito maior nisso"
Temosque confiar no proprosito da Mãe,sempre tive gestos e jeito feminino como sabe e quando era pequeno isso me entristecia profundamente aquele olhar sincero que so a mulher pode er aquela risada gostosa e solta aqueles movimentos suaves tão suaves e naturais que pareciam movimentos de bailarina....ou dançarina da Deusa Mãe.Durante anos essa suavidade e beleza diferente(ou indiferente...)sempre fora me um motivo de humilhação e chacota.Por parte de parentes amigos...E as vezes de algumas mulheres.Mas o que mais acho belo é que muita das minhas amigas sempre me dão apoio incondicional...Quando descobri a Deusa e suas varias facetas e forças me senti copleta em mim mesma.Sabe aquele desejo e instinto que desejamos de nos unir a uma pessoa.Este desejo em mim morreu não de uma forma drastica mas agora me preocupo muito mais em me UNIR A MIM MESMa e permitir o poder da Deusa fluir em meu corpo.Se a Mãe me fez do jeito que sou tenho que confiar em seu proprosito seja lá qual for.E agora o que era motivo de dor e tristeza( o meu feminino)é uma dadiva e um milagre porque seu eu fosse um homem(em alma e corpo)não,sei se sentiria todas estas coisas.Sou muito indomada e inconsciente como a minha familia sempre teve o desprazer de me intitular,mas agora ao menos não me sinto mais uma aberração da natureza e sim um ser belo e exotico total em si mesmo.Desejo que todas as mulheres um dia sintam isso realmente e homens tabem sem ter de subjulgar seus corpos e mutilalos.A Vida é a experiencia profunda e a experiencia profunda se passa em nossas almas muitos mais do que em nossos corpos.

Benção Medusiana

Rosa Leonor disse...

EU penso meu querido que a nossa alma se lembra do ser que encarnamos noutra vida... isso é uma das hipótes para quem sente na sua pele a essência do outro que nesta vida não é...Assim acontece com homens e mulheres que não conseguem sentir-se bem na sua pele...mas há mil razões ocultas e desconhecidas que interferem com o nosso ser na manifestação.
calculava que tivesse esse dilemas e esses sentimentos paradoxais e imagino o seu sofrimento e angustia, o desejo desencontrado, o corpo que parece errado...mas aprenda a amar esta encarnação e o seu corpo como ele é...pode ter surpresas. Deixe a vida moldá-lo a si e não queira ser você a moldar o corpo...como dizia não e mudando de sexo que sermso masi amados ou mais respeitados acredite! Lute por ser um Ser Humano d ealma grande e um dia rir-se-à de tudo o que agora o faz sofrer...aceite-se no seu corpo e lute por ser fiel à sua essência porque é ela que perdura. Se for a da DEusa, tenho a certeza que a Grande Mãe um dia o abençoará para lá de tudo o que sonhou!
Com todo o meu carinho!

rleonor