"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

quinta-feira, junho 02, 2016

OS CARTAZES EM NOME DO FEMININO...



QUAL É A CONSCIÊNCIA DO SER MULHER?

Não, nós não somos todas a vadias...

A mulher não é mais a santa do altar é um facto, mas também não é "a vadia" (subentendido a puta)...Ela não é mais a santa do lar mas também não tem de ser ou comportar-se como a prostituta...
O que falta á mulher moderna é uma integração do seu ser ainda dividido em estereótipos e só a consciência do seu valor intrínseco, não fragmentado, lhe poderá dar um dia a integridade e a sua liberdade, não condicionada mas dignificada. A mulher ...não pode continuar a ver-se apenas como um ser social ou produto cultural, digo aculturado...
A consciência social não substitui a consciência psicológica...ou diria mesmo a consciência ontológica da mulher. E sem a consciência psicológica, como no caso do trabalho das feministas, que retiraram à mulher toda a dimensão espiritual, a prova de que algo falhou é que tudo o que conquistaram está em risco ...
rlp


Em nome do feminismo, também se dizem muitas asneiras e as mulheres "feministas" muitas são tão machistas como os machos...doa a quem doer esta é uma verdade! rlp

"As palavras (e atitudes) grosseiras que ontem vi estampadas nas manifestações feministas, a meu ver, nivelaram o feminino com o "macho" que as manifestantes combatem. Se alguém pinçasse as frases borradas nos cartazes, e as reunissem em versos, certamente teria uma letra digna do funk pancadão mais in...fame. Que saudade do escândalo discreto de Simone de Beauvoir, Susan Sontag, Virginia Woolf, Julia Kristeva, Clarice Lispector, Hildegarde Bingen, e tantas outras mulheres que honraram a sacralidade do feminino, e por ele lutaram...
Ah, e podem tascar pedras porque já estou acostumada.


É PRECISO Um caminho de retorno à sacralidade feminina.

"A razão que me faz ser eco e anarco feminista:
No feminismo tradicional o enfoque é o da "igualdade, paridade", ou seja, "nós, mulheres, queremos ser iguais" - aos homens -, quer nas funções de trabalho, quer no exercício existencial. As novas vertentes (no caso da Women's Spirituality, a que sigo) acentuam a DIFERENÇA. Não a diferença óbvia das relações de produção, mas a diferença corpórea, simbólica, e psíquica. O feminismo tradicional (mais próximo dos movimentos sindicalistas) demonstra uma enorme dificuldade em lidar, por exemplo, com a menstruação, com os líquidos femininos, com a doença mental feminina (fruto da negação do próprio corpo e psiquê), com o desejo feminino. Tudo isso é passado em branco, e a mulher (para o feminismo tradicional) passa a ser um simulacro de um "querer ser homem", um querer que a leva a se basear em leis estúpidas, ineficazes, que lhe dão a tosca sensação de direitos obtidos. Starhawk uma ativista que ficou por semanas presa por sua participação na Revolta de Seatlte) sacou isso, Margot Adler, sacou isso, Barbara Walker tb sacou isso, Diane Stein tb sacou isso, Merlin Stone (autora de When God was a Woman), foi uma das primeiras a sacar. Enfim, várias mulheres hj estão trilhando um caminho de volta aos seus mitos, história e reconhecimento do próprio corpo e psiquê. Para mim, esse é o caminho. Talvez um caminho mais longo, mas eficaz. Um caminho de retorno à sacralidade feminina.
OBS: escrevi esse texto há séculos"

Márcia Frazão (escritora brasileira)

1 comentário:

Anónimo disse...

As respostas estão no nosso interior e não no exterior. Vamos mergulhar atrás dessas respostas, buscar no mais profundo mistério a nossa natureza selvagem, aquilo que em palavras por vezes não cabe.