quinta-feira, março 21, 2019

SER FEMINISTA OU MULHER APENAS?



O SEXISMO

"O sexismo é uma ideologia homeopática terrivelmente eficaz. Infiltra-se no terreno e assume discretamente a função de qualquer ideologia influente: confortar o dominante justificando o seu domínio, e convencer @ dominad@ que ocupa, de forma perfeitamente justa, o lugar que lhe cabe. Temos assim a confirmação, dia após dia, que os homens não têm culpa e as mulheres não têm capacidade. Desculpabilização para uns, alienação para umas: o Sistema já está rodado. Ego inchado para os primeiros, falta de auto-estima para as eternas segundas."


Isabelle Alonso
in Todos os homens são iguais...mesmo as mulheres.




"MATRISMO SIM, FEMINISMO NÃO" Natália Correia

AS mulheres andam a fazer uma confusão enorme acerca do que é o feminismo. Não que seja fácil perceber ou entender de que feminismo se fala porque há tantos como cada cabeça…E agora, para além de estar na moda, parece que qualquer mulher é forçada a ser feminista senão não é mulher! E que fazer diante de tantas teóricas feministas radicais, lésbicas e transsexuais, tantas teorizações complicadíssimas que se opõem entre si e de todas as suas variantes e com nomes cada vez mais sofisticados?
Parece até que que tenho de afirmar que tudo o que eu sou hoje o devo a uma feminista...porque se não for feminista sou renegada e condenada as novas fogueiras do feminismo fanático e obrigada a reconhecer que tudo o que eu como, se transo ou se me visto assim ou assado, se bebo, se saio à noite ou se uso calças, se trabalhei e se votei ou se escrevo. Não, tudo o que tenho eu devo-o a mim mesma porque eu de facto lutei por isso e serviu para todas as mulheres etc. E não é por isso que eu quero ser reconhecida… é mesmo e só por Ser Mulher e comigo mesma! Eu sei que injustiças e desigualdades, sei que abusos e violações...mas será que o feminismo impediu tudo isso de acontecer pu muito contribuiu para isso mesmo? É preciso olhar os paradoxos e os resultados contrários as ideias que não passam de ideias sem que se vejam objectivamente as causas verdadeiras da alienação da mulher de sim mesma!
No meio desta confusão de cabeças e teorias tão opostas quase há as mulheres (como eu) que se dizem não serem feministas...ou como dizem outras que são só "femininas" - outro estereótipo que é atacado por ser a mulher que se produz e pinta e vezes de dondoca… Na verdade, a mulher não é uma coisa nem outra, não é feminina segundo esse padrão nem tem de ser sapatão ou macho - enfim a mim pouco me interessa todas essas confusões e divisões de ideias e narizes e sexos. A mim interessa-me sim, SER MULHER. E o drama todo é que justamente a mulher que era a Mulher inicial, a Mulher do Principio, perdeu-se nos tempos para dar lugar a essas caricaturas que se contestam e perdeu-se assim como pondo de referência a noção do que é ser mulher-mulher original.
Ser mulher, uma mulher autêntica, responderia a todas as questões de identidade, o problema é que as feministas seguem apenas ideias baseadas no seu vazio existencial (do seu ego masculino, seguindo a máxima de "eu penso logo sou" (cartesianos) e vivem esse vazio existencial (iguais aos homens) porque não se ligam a essência que a liga a Mãe e a Natureza do que é a Mistica da mulher, a sua natureza ontológica, e em vez de SEREM SÓ MULHERES elas inventam designações e recorrem a conceitos por não se SENTIREM nem darem lugar a alma. E quando uma Mulher, qualquer mulher que seja consciente de si e da sua sacralidade ela conhece a sua verdadeira identidade, e consequentemente ela está ligada a todas as mulheres e não tem que se definir de acordo com as cartilhas das feministas, das marxistas e das comunistas ou socialistas - sim as listas são enormes.
Por tudo isto eu compreendo as mulheres que se rebelam  porque tem a intuição de que isto não é bem assim, esta história de ser feminista e não apenas uma Mulher não nos conta tudo da nossa historia. Elas não se sentem nem querem ser chamadas de feministas ou entrar nesses lutas de classes afinal de contas, lutas de proletariado, lutas de ricas e pobres, de inteligentes e cultas e ignorantes, e isso não significa que estejam contra as mulheres…
E ninguém me obriga nesta idade a identificar-me com as feministas (são tantos os tipos de feminismo!) e agora ainda menos porque não posso estar do lado de mulheres que me impedem de me afirmar Mulher e ser apenas Mulher ou que me forcem a ser feminista ou comunista ou transgénera… 
Eu estou do lado de todas as mulheres, das mulheres-mulheres, de mulheres sem artifícios, as mulheres de todas as espécies, gordas magras cultas e analfabetas e até as mais retrógadas mas não de estereótipos nem de seres híbridos… 

Contrariando a ideia feministas tão propalada de que a mulher não nasce mulher, eu digo que qualquer mulher é mulher de nascença e pode atingir a sua plenitude sem ter de passar por esses crivos embora admita que podia ser um caminho inicial - qualquer aprendizagem o é - para as levar mais longe que é sempre elas próprias, não condutas nem comportamentos violentos e agressivos etc.. Sim, a mulher nasce mulher e acontece que desde menina ela é desviada dessa sua natureza intrínseca para ser controlada para viver o padrão que o homem quer e se transformar num objecto sexual e reprodutor. Compreendo que se queira denunciar esta situação, mas não negando que a mulher é Mulher desde logo que nasce... A não ser que tenha algum problema ou deficiência. E mesmo que adulta escolha a sua sexualidade não hétero nem reprodutiva mas seja homossexual ela não deixa de ser mulher biologicamente. 
Sei por experiência própria  que qualquer mulher que se sinta uma mulher plena é naturalmente uma mulher solidária e humana, interessada e empenhada n@s outr@s, sejam homens crianças e todas as minorias, sobretudo das outras mulheres porque essas são as qualidades inerentes ao Principio Feminino quando a mulher está ligada à Fonte e abrange todos os seres humanos. O Sistema patriarcal deforma a mulher e todo o pensamento baseado na ciência materialista, é anti-natural. Não serve a Natureza nem a Mulher. Ele negou a Mãe e a Deusa. Assim, as feministas não deixam de ser Filhas do pai, mesmo ateias… e pensam - são formatadas - pelo pensamento racional masculino exclusivamente.

Eu sou mulher, fiz um longo percurso para me tornar inteira e livre em mim mesma, sou no entanto uma mulher comum e percebo que há muitas mulheres que não tem nem sentem vontade de seguir quaisquer movimentos ditos feministas e as ideias marxistas que agora se impõem a força. Nem defendo - apesar da diferença - que tenham de se associar a grupos do "feminino sagrado" e cumprir ritos e rituais e citar aquelas frases maravilhosas e inspiradoras sobre a deusa etc. Sobretudo se a sua mulher continua infantil e imatura, dependente de qualquer paternalismo.
E finalmente eu não quero entrar no pacote ou na mixórdia das marxistas e politicas que incluem e querem aceitar os transsexuais e os travestis como sendo fêmeas? Não, nem quero entrar nessa aberração de género nem em toda essa celeuma sobre a igualdade sexual seja entre sexos opostos seja entre homossexuais etc. Eu apenas quero saber e sentir-me a mim mesma plena, QUERO SER MULHER e como mulher ser respeitada como tal. Tenho voz própria e tenho útero e ovários. E tenho a certeza de que nenhuma dessas pessoas que na sua idealização e deformação de princípios  e que se dizem "feministas" batalhou e deu mais de si pelas mulheres em termos dessa elevação de consciência do feminino autentico e da sua integridade do que eu...e reitero que tudo o que sou o devo a mim mesma e às muitas mulheres extraordinárias que li e conheci e que fizeram a diferença por si sós e sem ismos.

rlp

GRANDES MULHERES ou Mulheres inteiras não precisam de ser "feministas" - Elas são Mulheres.

Penso como Agustina Bessa-Luis que disse: «Sou muito pouco participante das ideias feministas, desse provincianismo feminista que existe e que se desenvolve por toda a parte, hoje. Considero a mulher um ser muito mais invulnerável que o homem, o homem é muito mais vulnerável. A mulher, até pelo seu grande poder de insignificância, é muito menos vulnerável que o homem. Portanto, sou herdeira dessa linha mas no aspecto que se traduziu pela literatura que é toda uma aventura, todo um estado de aventura e de contributo à imaginação colectiva.»

Sem comentários: