"NÃO SOU FEMINISTA, SOU ANTROPOLOGICAMENTE LÚCIDA" Ana Hatherly

terça-feira, maio 03, 2016

UM SOPRO DE VIDA


Eu Queria uma Liberdade Olímpica


Acordei hoje com tal nostalgia de ser feliz. Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma. Vivo numa dualidade dilacerante. Eu tenho uma aparente liberdade mas estou presa dentro de mim. Eu queria uma liberdade olímpica. Mas essa liberdade só é concedida aos seres imateriais. Enquanto eu tiver corpo ele me submeterá às suas exigências. Vejo a liberdade como uma forma de beleza e essa beleza me falta.


Clarice Lispector, in 'Um Sopro de Vida'

2 comentários:

vania jones disse...

este texto fez me soltar lagrimas. bom dia um beijo.

vania jones disse...

Creio q é Clarice q diz q o q eu quero ainda não tem nome.