sexta-feira, março 29, 2019

É PRECISO



ENFRENTAR A DOR, INTEGRAR A TRISTEZA



"Todos fazemos sofrer quando nascemos e sofremos quando morremos. Mas não é nada que a vida seja atroz; o pior é que seja vã e sem beleza."
Marguerite Yourcenar 

Não sou apologista de que devamos fugir a dor ou à tristeza...passem-se as coisas ao nível do nosso consciente ou não, sejam coisas do passado ou ainda presentes, elas devem ser integradas naturalmente e transformadas é certo, mas só depois de sentidas e compreendidas em nós, indo a sua raiz - embora nem sempre isso seja possível ao nível da razão e da lógica...Há traumas intrauterinos, há traumas de nascença… nem sempre é fácil lá chegar e identificar a nossa ferida cristalizada e na qual reside a origem da nossa dor maior...a dor da encarnação. Nem todas as almas nascem felizes ou contentes de nascer neste plano...
Sinto que, custe o que custar, devemos sempre aprofundar o sentir em si o mais sub-repticio, o mais sinuoso e deixar fluir as sensação em nós, sejam elas boas ou más, sem censura sem as bloquear...deixar vir ao de cima tudo o que nos oprime ou angustia às vezes ou nos revoltam...coisas obscuras, coisas tenebrosas, sejam memórias passadas desta ou de outras vidas, sejam acontecimentos presentes ou vagos pressentimentos...
Não sou daquelas pessoas que pensa que tudo tem de ser curado e que há terapias ou mezinhas para tudo. De maneira nenhuma! Prezo e respeito o sofrimento em si como expressão natural do meu ser face a uma realidade confusa e caótica: uma realidade (tanto interior como exterior) tantas vezes dramática ou trágica onde nada é realmente como sonhamos ou idealizamos e por isso respeito e suporto o meu sofrimento sem medo e olho o sofrimento das outras mulheres quase como uma coisa sagrada. Para mim sofrer/sentir em silêncio é tantas vezes uma forma de oração superior...Penso que é preferivel ir ao fundo da nossa dor do que recitar de cor mantras e rezas...porque há sempre o outro lado que se nos revela quando o fazemos sinceramente e sem medo...não é por acaso que se diz que "o que arde cura…" É aí no enfrentar a nossa sombra, que passa sempre por algum sofrimento oculto pois é ai que nasce o antidoto, a compreensão mais funda, o entendimento… É daí que vem a luz de dentro e nos traz uma serenidade única...inefável...
Esta sociedade de plástico e de consumo que quer tudo feliz e contente, que quer tudo consertado pelo mesmo padrão e nos vende constantemente pacotes de mentira em nome do "amor e da paz"... isso não serve de nada para a nossa evolução.
Quanto a isso, esse discurso do curar e transcender e ascender etc., irrita-me solenemente. Há dias que quase vomito esse tipo de discursos e essa montra de "espiritualidade" com que nos bombardeiam por todo o lado. Sim, prefiro a minha dor e a minha tristeza a essa alegria fictícia que abunda por ai a qualquer preço!
Tenho para mim de que "A sabedoria do amor consiste na aprendizagem pelo sofrimento, do prazer nele contido." parafraseando Ana Hatherly.


rlp

terça-feira, março 26, 2019

A MULHER PERTENÇA DO HOMEM



AS MULHERES DOS HOMENS...

O patriarcado afastou a mulher de toda a interioridade, a sua, de toda a afectividade-sensualdiade que não fosse relacionada com o homem e o filho. O pai e o filho! A relação com as outras mulheres, fossem de cumplicidade ou sororidade, seriam sempre um perigo para esse império do domínio do homem sobre a mulher. Por isso as mulheres que solteiras ou que fogem ao seu domínio são imediatamente apelidadas de lésbicas e putas.
Para além da divisão secular da mulher em duas – a eterna divisão da santa e da prostituta que continua a pairar sobre a cabeça de todas as mulheres na actualidade, mesmo com as feministas a dizer que não – criou-se a grande divisão entre a Mãe e a filha. A filha raramente tem mãe…ou sente na mãe esse afecto, esse amor, essa união, essa cumplicidade de mulheres, porque é na educação das meninas que as mulheres se tornam rivais e antagónicas e começa quase sempre com as mães (luta pela atenção do pai) …Aí começa a raiva, a inveja, a luta psicológica por vencer a “outra” entre mulheres…por isso qualquer entendimento amoroso entre mulheres pode ser pejorativamente classificado de “homossexual” ou de anormal…Mesmo entre irmãs a guerra é instalada ou pelo amor do pai ou mais tarde na luta por namorados, assim desde pequeninas…onde elas podem ver a negação da mulher-mãe no olhar do pai…O desprezo do pai pela mãe ou até a violência doméstica e sexual e por isso ela faz tudo para lhe agradar e ser diferente da mãe. Ela sente-se culpada pois da mãe herdou a ideia/sentimento (ou complexo) de que tudo o que é da mulher em si, é sujo, é inferior, é insignificante e o seu amor-próprio é ridículo. Com as mães as meninas aprendem a ter nojo do sangue e da menstruação, do seu corpo e do seu sexo claro…porque isso é o que quase sempre as mães passam para elas…Medo e nojo. Medo e raiva. Medo e frustração. E assim elas estão cada vez mais longe de si como mulheres e tornam-se “as meninas do papa” ou as eternas meninas, infantilizadas e patéticas, submetidas e feitas para agradar aos homens. São as Atenas, saidas da cabeça do Pai (Zeus, senhor do Olimpo onde as mulheres são engolidas como Métis)...as mulheres que negam a sua feminilidade essencial e se tornam ou mulheres fatais, lolitas ou executivas ou dominadoras ou bem sucedidas na vida...
Quanto às mães, é evidente que sempre houve e há grandes excepções…Há e houve grandes mulheres e Mães que conseguiram, apesar do peso da sua vida e das suas lutas, passar coragem e amor para as filhas, dar-lhes dignidade…ninguém põe em dúvida isso, mas a nós interessa-nos apontar os casos comuns e os mais dolorosos…
Assim, não é de estranhar que muitas mulheres sintam esse nojo ou repulsa pelas outras mulheres, mas esse é o nojo e a repulsa que tem de si mesmas pelo facto de serem mulheres e é em geral inconsciente. Passa por instintivo, mas é apenas uma defesa...
Como nunca foram amadas pelas mães, elas não suportam esse sentimento vindo de outra mulher e isso reflecte-se no espelho de outra mulher que lhe seja próxima, na amizade, por exemplo...e comummente ficam angustiadas pelo carinho dessa amiga, se ele for manifesto, independentemente de ser ou não um interesse sexual, mas é quase sempre interpretado como aberrante, a ternura entre mulheres. Repare-se como a amizade das mulheres em geral (e como se vê nos filmes) é tão exterior, tão fútil, tão brejeira, tão apenas a falar dos homens e nas experiências sexuais com eles e na competição e jogos em que apenas os homens são o foco e a intriga e a competição…
Que outros assuntos tratam as mulheres senão de homens e maneiras de os seduzir, ou ter filhos, etc? Casas e decorações, cosméticos, roupas, modas?
Não, elas não sabem de si mesmas, nem de si como Mulheres verdadeiras porque as mulheres se perderam delas mesmas e da sua alma…As mulheres perderam a sua essência e não são cúmplices entre si nem da natureza Terra Mãe…

rosaleonorpedro
in Mulheres e Deusas

A ACULTURAÇÃO DA MULHER



Na cabeça de cada mulher há um homem pequenino (um patriarca interior) a pensar por ela e a ditar-lhe as leis...

A ACULTURAÇÃO DA MULHER é o equivalente a uma lavagem ao cérebro, a uma programação secular, resultando numa inexistência do ser mulher pelo apagamento do hemisfério direito, reflector da emoção e sentimento, inteligência do coração, o que levou a mulher à negação da sua essência feminina e a sua manifestação no mundo, como Mãe sublime e como mulher sensual ...e por conseguinte à assimilação intelectual única do ego masculino e da prostituta pelo uso exclusivo do hemisfério cerebral direito: "eu penso logo eu sou..." igual a dinheiro e igual ao homem no pensar e no agir, acabando por se alienar completamente nas correntes ideológicas e filosóficas dos! Um novo perigo, vindo dos psicólogos e teóricos gays actuais que implementam agora uma ideia de mulher macho (lésbica ou não) sem qualquer atributo feminino original. Não falo das bonecas insufladas de silicone nem das femmen...
rlp

domingo, março 24, 2019

O coração é o primeiro órgão formado no útero.



O ELETROMAGNETISMO DO CORAÇÃO


"O coração é o primeiro órgão formado no útero.
Recentemente, neurofisiologistas ficaram surpresos ao descobrirem que o coração é mais um órgão de inteligência, do que (meramente) a estação principal de bombeamento do corpo. Mais da metade do Coração é na verdade composto de neurónios da mesma natureza daqueles que compõem o sistema cerebral.

O coração também é a fonte do corpo de maior força no campo eletromagnético. Cada célula do coração é única e na qual não apenas pulsa em sintonia com todas as outras células do coração, mas também produz um sinal eletromagnético que se irradia para além da célula. Um EEG que mede as ondas cerebrais mostra que os sinais eletromagnéticos do coração são muito mais fortes do que as ondas cerebrais, de que uma leitura do espectro de frequência do coração podem ser tomadas a partir de três metros de distância do corpo … sem colocar eletrodos sobre ele!

A freqüência eletromagnética do Coração produz arcos para fora do coração e volta na forma de um campo saliente e arredondado, como anéis de energia. O eixo desse anel do coração estende-se desde o solo pélvico para o topo do crânio, e todo o campo é holográfico, o que significa que as informações sobre ele podem ser lidas a partir de cada ponto deste campo.

O anel eletromagnético do Coração não é a única fonte que emite este tipo de vibração. Cada átomo emite energia nesta mesma freqüência. A Terra está também no centro de um anel, assim é o sistema solar e até mesmo nossa galáxia … e todos são holográficas. Os cientistas acreditam que há uma boa possibilidade de que haja apenas um anel universal abrangendo um número infinito e interagindo dentro do mesmo espectro. Como os campos eletromagnéticos são anéis holográficos, é mais do que provável que a soma total do nosso Universo esteja presente dentro do espectro de freqüência de um único anel.

Isto significa que cada um de nós está ligado a todo o Universo e como tal, podemos aceder a todas as informações dentro dele a qualquer momento. Quando ficamos quietos para aceder ao que temos nos nossos corações, estamos literalmente conectados à fonte ilimitada de Sabedoria do Universo, de uma forma que percebemos como “milagres” entrando nas nossas vidas."



Rebecca Cherry


sábado, março 23, 2019

AS MÁS MÃES...



" Eu saí de casa porque eu ia morrer, ele me colocou uma almofada no rosto dizendo que desta vez eu morreria mas que ele não deixaria traço. E quando você está assim perto da morte, você se defende é só animal, eu o mordi, eu chamei rápido a policia, o médico. Eles chegaram e aí ele apresentou queixa por golpes e feridas." Annie


HÁ MÃES E MÃES E HÁ MÁS MÃES?

Há mães más, sem duvida...há mães desnaturadas, há mães que não queriam ser mães e foram obrigada pelas circunstâncias porque ficaram grávidas ou foram forçadas a casar; há mães pobres e desgraçadas como há mães mal tratadas como se fosse a coisa natural desde sempre…

Há mulheres que não teriam apetência nem natureza nem disponibilidade para serem mães...há mulheres que querendo ter filhos não os amaram porque não sabiam e sobretudo porque se odiavam a si próprias...outras que amaram demasiado e cegamente e tiveram-nos por pura compensação do seu vazio. Outras eram histéricas e loucas.

Como ser boa mãe se ao longo das décadas, quase todas as nossas mães e avós e tias e mulheres pobres e até ricas e rainhas do passado que aturavam maridos violentos e bêbados, impotentes e prepotentes e que sempre se serviram das mulheres para apagar os seus ódios e as suas frustrações...todas essas mulheres sofreram horrores de opressão e dores, humilhações e sevícias como hoje isso acontece e cada dia mais à vista de toda a gente…

É esta humanidade filha - filhos e filhas - dessas mães desrespeitadas, tantas delas espancadas só por serem mulheres, foram as mães de gerações e gerações de homens e mulheres…

Sim, há mães que são apenas mulheres desgraçadas, despojadas de tudo e de essência, sem qualquer consciência de si nem como SERES humanos, esvaziadas de sentido da vida que não seja um homem para as validar sustentar a casa ou dar dinheiro - e os filhos neste caso são como em 80 % dos casos, meros acasos de coitos forçados e mal paridos, instrumentos nas mãos de gente inconsciente incompetente e sem educação...Crianças inocentes na mão de gente miserável e pobre... É fácil pois olhar para essas mulheres desnaturadas, uma vitima de violência doméstica e psicológica e sabe-se la que mais e a outra uma mulher sem alma perfeitamente robotizada pela vida mesquinha e miserável que tem...está na cara! Sim para preservar um homem as mulheres são capazes de tudo. Até sacrificar um filho...fingir que não vê a filha ser abusada pelo pai...

A maternidade é das mulheres mas nem todas têm essa apetência ou predisposição e menos ainda  preparação e capacidade...se olharmos a condições para a maternidade das mulheres pobres e ignorantes ou dos pais abusivos e anormais cujo nível mental é do mais básico, gente primária, bruta e ignorante e analfabeta percebemos como eles podem formar "famílias" completamente desnaturadas e disfuncionais. 
E que podemos esperar de gente que vê lixo todos os dias nos programas televisivos? Que educação ou formação podem ter essas pessoas a assistir todos os dias a programas repulsivos e do mais baixo nível em canais populares em que se difunde e assiste a todo esse lixo humano aviltante, degradante sobretudo para as mulheres? 



rlp

O PATRIACA INTERIOR



QUE MULHERES SOMOS?

Tem as mulheres noção do seu patriarca interior que as domina e controla, mesmo as feministas?

“Vivemos numa sociedade androcêntrica que vê o mundo desde o olho masculino. Basta ver como nos dias de hoje existem culturas que consideram as filhas inferiores aos filhos entre mil outros exemplos. O que a mãe diz... a linguagem da experiência... carece de importância é muito mais apreciada a linguagem de análise do pai. Nem sempre somos conscientes disto pois a nossa voz interior e instintiva foi dopada durante anos e anos. Quando nos impingem uma voz interior que faz o papel de crítico afastamo-nos da voz selvagem e instintiva inerente a mulher (esta voz nas mulheres surge como o Patriarcado Interno) concedendo espaço e realização as ideias e opiniões de orientação tradicionalmente masculinas e retira interesse e importância as tradicionalmente femininas. O Patriarcado interior é o reflexo da sociedade (mas também do teu processo pessoal). O melhor a fazer é identificar a voz desse crítico interior, dar-lhe nome e depois manda-lo de férias! E depois voltares a olhar-te ao espelho!”

Hal Stone


"A MULHER NÃO PRECISA DE SE TRANSCENDER COMO O HOMEM PRECISA. COMPLETA-SE NELA PRÓPRIA."

AGUSTINA BESSA-LUIS


"Pelo não reconhecimento da sua feminilidade (essencial) a mulher se afirma, como indivíduo, muito timidamente diante do homem. Ela procura vestir a máscara da objectividade masculina para ser aceite no seu mundo. E ele se impõe prepotentemente diante dela , exibindo a sua luz solar"

in O casamento do Sol e da Lua - Raissa Calvacanti



quinta-feira, março 21, 2019

SER FEMINISTA OU MULHER APENAS?



O SEXISMO

"O sexismo é uma ideologia homeopática terrivelmente eficaz. Infiltra-se no terreno e assume discretamente a função de qualquer ideologia influente: confortar o dominante justificando o seu domínio, e convencer @ dominad@ que ocupa, de forma perfeitamente justa, o lugar que lhe cabe. Temos assim a confirmação, dia após dia, que os homens não têm culpa e as mulheres não têm capacidade. Desculpabilização para uns, alienação para umas: o Sistema já está rodado. Ego inchado para os primeiros, falta de auto-estima para as eternas segundas."


Isabelle Alonso
in Todos os homens são iguais...mesmo as mulheres.




"MATRISMO SIM, FEMINISMO NÃO" Natália Correia

AS mulheres andam a fazer uma confusão enorme acerca do que é o feminismo. Não que seja fácil perceber ou entender de que feminismo se fala porque há tantos como cada cabeça…E agora, para além de estar na moda, parece que qualquer mulher é forçada a ser feminista senão não é mulher! E que fazer diante de tantas teóricas feministas radicais, lésbicas e transsexuais, tantas teorizações complicadíssimas que se opõem entre si e de todas as suas variantes e com nomes cada vez mais sofisticados?
Parece até que que tenho de afirmar que tudo o que eu sou hoje o devo a uma feminista...porque se não for feminista sou renegada e condenada as novas fogueiras do feminismo fanático e obrigada a reconhecer que tudo o que eu como, se transo ou se me visto assim ou assado, se bebo, se saio à noite ou se uso calças, se trabalhei e se votei ou se escrevo. Não, tudo o que tenho eu devo-o a mim mesma porque eu de facto lutei por isso e serviu para todas as mulheres etc. E não é por isso que eu quero ser reconhecida… é mesmo e só por Ser Mulher e comigo mesma! Eu sei que injustiças e desigualdades, sei que abusos e violações...mas será que o feminismo impediu tudo isso de acontecer pu muito contribuiu para isso mesmo? É preciso olhar os paradoxos e os resultados contrários as ideias que não passam de ideias sem que se vejam objectivamente as causas verdadeiras da alienação da mulher de sim mesma!
No meio desta confusão de cabeças e teorias tão opostas quase há as mulheres (como eu) que se dizem não serem feministas...ou como dizem outras que são só "femininas" - outro estereótipo que é atacado por ser a mulher que se produz e pinta e vezes de dondoca… Na verdade, a mulher não é uma coisa nem outra, não é feminina segundo esse padrão nem tem de ser sapatão ou macho - enfim a mim pouco me interessa todas essas confusões e divisões de ideias e narizes e sexos. A mim interessa-me sim, SER MULHER. E o drama todo é que justamente a mulher que era a Mulher inicial, a Mulher do Principio, perdeu-se nos tempos para dar lugar a essas caricaturas que se contestam e perdeu-se assim como pondo de referência a noção do que é ser mulher-mulher original.
Ser mulher, uma mulher autêntica, responderia a todas as questões de identidade, o problema é que as feministas seguem apenas ideias baseadas no seu vazio existencial (do seu ego masculino, seguindo a máxima de "eu penso logo sou" (cartesianos) e vivem esse vazio existencial (iguais aos homens) porque não se ligam a essência que a liga a Mãe e a Natureza do que é a Mistica da mulher, a sua natureza ontológica, e em vez de SEREM SÓ MULHERES elas inventam designações e recorrem a conceitos por não se SENTIREM nem darem lugar a alma. E quando uma Mulher, qualquer mulher que seja consciente de si e da sua sacralidade ela conhece a sua verdadeira identidade, e consequentemente ela está ligada a todas as mulheres e não tem que se definir de acordo com as cartilhas das feministas, das marxistas e das comunistas ou socialistas - sim as listas são enormes.
Por tudo isto eu compreendo as mulheres que se rebelam  porque tem a intuição de que isto não é bem assim, esta história de ser feminista e não apenas uma Mulher não nos conta tudo da nossa historia. Elas não se sentem nem querem ser chamadas de feministas ou entrar nesses lutas de classes afinal de contas, lutas de proletariado, lutas de ricas e pobres, de inteligentes e cultas e ignorantes, e isso não significa que estejam contra as mulheres…
E ninguém me obriga nesta idade a identificar-me com as feministas (são tantos os tipos de feminismo!) e agora ainda menos porque não posso estar do lado de mulheres que me impedem de me afirmar Mulher e ser apenas Mulher ou que me forcem a ser feminista ou comunista ou transgénera… 
Eu estou do lado de todas as mulheres, das mulheres-mulheres, de mulheres sem artifícios, as mulheres de todas as espécies, gordas magras cultas e analfabetas e até as mais retrógadas mas não de estereótipos nem de seres híbridos… 

Contrariando a ideia feministas tão propalada de que a mulher não nasce mulher, eu digo que qualquer mulher é mulher de nascença e pode atingir a sua plenitude sem ter de passar por esses crivos embora admita que podia ser um caminho inicial - qualquer aprendizagem o é - para as levar mais longe que é sempre elas próprias, não condutas nem comportamentos violentos e agressivos etc.. Sim, a mulher nasce mulher e acontece que desde menina ela é desviada dessa sua natureza intrínseca para ser controlada para viver o padrão que o homem quer e se transformar num objecto sexual e reprodutor. Compreendo que se queira denunciar esta situação, mas não negando que a mulher é Mulher desde logo que nasce... A não ser que tenha algum problema ou deficiência. E mesmo que adulta escolha a sua sexualidade não hétero nem reprodutiva mas seja homossexual ela não deixa de ser mulher biologicamente. 
Sei por experiência própria  que qualquer mulher que se sinta uma mulher plena é naturalmente uma mulher solidária e humana, interessada e empenhada n@s outr@s, sejam homens crianças e todas as minorias, sobretudo das outras mulheres porque essas são as qualidades inerentes ao Principio Feminino quando a mulher está ligada à Fonte e abrange todos os seres humanos. O Sistema patriarcal deforma a mulher e todo o pensamento baseado na ciência materialista, é anti-natural. Não serve a Natureza nem a Mulher. Ele negou a Mãe e a Deusa. Assim, as feministas não deixam de ser Filhas do pai, mesmo ateias… e pensam - são formatadas - pelo pensamento racional masculino exclusivamente.

Eu sou mulher, fiz um longo percurso para me tornar inteira e livre em mim mesma, sou no entanto uma mulher comum e percebo que há muitas mulheres que não tem nem sentem vontade de seguir quaisquer movimentos ditos feministas e as ideias marxistas que agora se impõem a força. Nem defendo - apesar da diferença - que tenham de se associar a grupos do "feminino sagrado" e cumprir ritos e rituais e citar aquelas frases maravilhosas e inspiradoras sobre a deusa etc. Sobretudo se a sua mulher continua infantil e imatura, dependente de qualquer paternalismo.
E finalmente eu não quero entrar no pacote ou na mixórdia das marxistas e politicas que incluem e querem aceitar os transsexuais e os travestis como sendo fêmeas? Não, nem quero entrar nessa aberração de género nem em toda essa celeuma sobre a igualdade sexual seja entre sexos opostos seja entre homossexuais etc. Eu apenas quero saber e sentir-me a mim mesma plena, QUERO SER MULHER e como mulher ser respeitada como tal. Tenho voz própria e tenho útero e ovários. E tenho a certeza de que nenhuma dessas pessoas que na sua idealização e deformação de princípios  e que se dizem "feministas" batalhou e deu mais de si pelas mulheres em termos dessa elevação de consciência do feminino autentico e da sua integridade do que eu...e reitero que tudo o que sou o devo a mim mesma e às muitas mulheres extraordinárias que li e conheci e que fizeram a diferença por si sós e sem ismos.

rlp

GRANDES MULHERES ou Mulheres inteiras não precisam de ser "feministas" - Elas são Mulheres.

Penso como Agustina Bessa-Luis que disse: «Sou muito pouco participante das ideias feministas, desse provincianismo feminista que existe e que se desenvolve por toda a parte, hoje. Considero a mulher um ser muito mais invulnerável que o homem, o homem é muito mais vulnerável. A mulher, até pelo seu grande poder de insignificância, é muito menos vulnerável que o homem. Portanto, sou herdeira dessa linha mas no aspecto que se traduziu pela literatura que é toda uma aventura, todo um estado de aventura e de contributo à imaginação colectiva.»

terça-feira, março 19, 2019

AS FILHAS DO PAI


AS MULHERES ATENAS

As mulheres de hoje são apenas um pálido reflexo das mulheres de outrora…AS grandes mulheres da antiguidade, as mulheres que eram fiéis da Deusa Mãe. O mundo materno e o mundo da sacralidade em que o amor era livre e respeitada a mulher ruiu com a queda da Deusa Mãe há muitos séculos e por isso nas sociedade modernas neste mundo actual, globalizado, não há lugar para o verdadeiro amor e o mistério que ele encerra  tornando-o cada vez mais raro e mais deturpado. 
Ninguém sabe o que é o Amor Mágico. Porque ninguém sabe já quem é a verdadeira Mulher. Porque as mulheres deixaram de ser mágicas…deixaram há muito, muito tempo de ter magia e o dom do amor que vem do seu poder interior, como mulheres iniciadas aos mistérios, como sacerdotisas da Deusa. 
Tudo o que é vivido no domínio do amor hoje é conectado sexualmente a baixos instintos, facilitismo, ligeireza, e por isso a sexualidade está cada vez mais longe da sua essência também e temos cada vez mais nos filmes, retrato deste mundo comercializado e ficcionado, pornografia, pedofilia e abuso sexual de mulheres e crianças e cada vez mais a humanidade está longe de um verdadeiro erotismo.
 As mulheres esqueceram também que o amor verdadeiro nunca é só sexual...é sempre outra coisa...mais além e mais fundo; elas esqueceram que o amor vem de dentro e da alma; ele  pode e deve expressar-se sexualmente se houver reciprocidade, seja em que situação for mas  não é o factor  preponderante. Mas as mulheres de hoje vivem apenas sob o imperativo do sexo pelo sexo e mesmo sem qualquer espécie de amor…quase sempre levadas pela ansia de agradar e de seduzir,  entregam-se e deixam-se possuir e abusar às vezes  sem amor nem elevação, sem dignidade…Hoje em dia, especialmente os jovens, homens e mulheres, nem sequer  deixam  que a atracção nasça ou  que o Amor possa acontecer: antecipam-se as experiências sexuais, em mulheres muito novas, só pela "descoberta" genital e pelo “prazer” aleatório do sexo…ou deixam-se ir no rasto do engates na vertigem do sucesso e da fama ou de uma segurança material, na ambição, e vendem-se por um "bom casamento" como pelo dinheiro apenas…Elas não precisam ser prostitutas sequer,  elas acabam todas por se vender ou dar só para ter um homem e na sua vida nada faz sentido se não tem um homem...E falam de sexo como quem fala de couves… fazem sexo como quem bebe um copo de água...E o Amor...o amor de verdade, embora sonhem com ele, a sua realidade de mulheres é o abuso e violência como nos filmes de Hollywood ou então como nos romances  em que tudo ou quase tudo é pornografia e sadismo, pedofilia, crime e violência, proxenetismo etc.. Não há qualquer profundidade nas relações nem qualquer beleza!

Penso nessas mulheres como AS ATENAS. São as mulheres que nasceram sem Mãe - mulheres saídas da cabeça do Pai-Zeus, mulheres só cabeça e sem emoções sem coração, mulheres que negam a mãe e imitam o pai ... Porque elas não são Afrodites nem são sensuais sequer. Cada vez mais a mulher está longe da sua sensualidade, do seu magnetismo; ela é hoje apenas um subproduto de plástico, de derivados químicos e silicone...

Elas são regra geral as católicas beatas dedicadas aos padres toda a vida, secretárias devotadas aos patrões e chefes, advogadas e catedráticas e deputadas e ministras hoje devotas dos seus lideres; quase todas as mulheres de sucesso neste mundo, sejam as executivas e as politicas, são as Filhas do Pai...prontas a executar as suas ordens e a serví-los sem qualquer dignidade ou consciência de si como mulheres.

" A Menina do papá, passiva, adaptável, respeitadora e temerosa do homem, aceita que ele lhe imponha uma conversa desinteressante e apagada. Isto não é muito difícil, uma vez que a tensão e ansiedade, a falta de calma e de autoconfiança, a insegurança e a incerteza dos seus próprios sentimentos e sensações, que o papá nela instilou, tornaram a sua percepção superficial e incapaz de ver que o blá-blá do homem não passa de blá-blá. Tal como o esteta que “aprecia” o borrão classificado de “grande Arte”, também acredita que está a apreciar o que na realidade a aborrece mortalmente. "*

(...)
Vejamos o Mito: 

"Talvez o maior diferenciação da Deusa Atena está em não ter conhecido e não ter convivido com a mãe, Métis. Na verdade Atena parecia não ter consciência de que tinha mãe, pois considerava-se portadora de um só genitor, Zeus. Na qualidade de tão somente "filha do pai", Atena tornou-se uma defensora dos direitos e dos valores patriarcais.

Ela era o "braço direito" de Zeus, com crédito total para usar bem sua autoridade e proteger as prerrogativas dele. Muitas dedicadas secretárias executivas, que devotam suas vidas a seus patrões, são bons exemplos das convicções da Deusa Atenas.(...)
A Deusa não conheceu sua mãe, Métis."

MANIFESTO DA SCUM” de VALERIE SOLANAS

domingo, março 17, 2019

MATRISMO SIM, FEMINISMO NÃO



"Sou da ilha das línguas de fogo. Com elas aprendi a metrificar o espírito. O indizível”. N.C.



A GRANDE DIFERENÇA: Matrismo sim, e não feminismo...

"Acho que não vale a pena a mulher libertar-se para imitar os padrões patristas que nos têm regido até hoje. Ou valerá a pena, no aspecto da realização pessoal, mas não é isso que vem modificar o mundo, que vem dar um novo rumo às sociedades, que vem revitalizar a vida. Ora bem, a mulher deve seguir as suas próprias tendências culturais, que estão intimamente ligadas ao paradigma da Grande Mãe, que é a grande reserva, a eterna reserva da Natureza, precisamente para os impor ao mundo ou pelo menos para os introduzir no ritmo das sociedades como uma saída indispensável para os graves problemas que temos e que foram criados pelas racionalidades masculinas. E no paradigma da Grande Mãe que vejo a fonte cultural da mulher; por isso lhe chamo matrismo e não feminismo. "

Natália Correia, in 'Entrevista (1983)
 
"ESTAMOS A CAIR NA MEDIOCRIDADE GOVERNATIVA 

Estamos a cair na mediocridade porque estamos muito subservientes aos padrões de eficácia e da racionalidade europeia.

Os tempos festivos da revolução passaram. Teriam naturalmente que passar, mas aplica-se a terapêutica da racionalização tecnocrática e isso mata o sonho. Devia haver outras vias. Vias apropriadas àquilo que somos.

Não somos um País de grandes voos capitalistas. Se o quisermos ser caímos, inexoravelmente, nas garras do monopolismo. Portanto, devíamos cultivar as pequenas e médias empresas. Esta devia ser a lógica da economia portuguesa. Devia dar-se grande valor às pequenas e médias empresas e realmente deixarmo-nos de ambições que nos alcem aos grandes padrões europeus.

(...) Os (partidos políticos têm) os mesmos defeitos e algumas qualidades em comum. Evidentemente que os partidos são um defeito necessário, porque dividem, mas é uma divisão necessária para agrupar, para reunir a ideia da democracia parlamentar que temos.

Agora, o erro das pessoas é adorná-los com méritos extraordinários, porque isso faz-nos cair numa partidolatria, imprópria de espíritos livres!

Não penso que a nossa classe política seja pior do que a classe política de outros países. Ponhamos as coisas neste pé: as minhas exigências estéticas e éticas não tornam muito fáceis as minhas relações com a classe política. São caminhos separados. Não vamos pelo mesmo trilho. Mas a classe política é necessária. Ela existe e tem defeitos. Terá também uma ou outra qualidade.

(...) Agora, eu pergunto-me até que ponto é que hoje os Governos governam?!

Porque hoje ser-se Governo é um absurdo, na medida em que todos os Governos são governados (não me refiro aos Governos das grandes potências, mas de uma nação modesta como a nossa), são governados por um poder económico que imana de forças mundiais sem rosto. Portanto, eu não sei a quem cabe a decisão, não sei quem é que nos governa"

Natália Correia

"Foi Deputada à Assembleia da República (1980-1991), interveio politicamente ao nível da cultura e do património, na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres" 

*( Fernando Dacosta Natália Correia, em O Botequim da Liberdade )

quarta-feira, março 13, 2019

A CULTURA PATRIARCAL


MULHERES ENXERGUEM-SE!


Eu sei que há uma faceta na minha escrita e no meu trabalho que não é bem recebido nem muito popular entre as mulheres que me lêem. Muitas vezes sinto a animosidade ou o medo das mulheres em relação aos aspectos mais radicais ou mesmo contundentes da minha expressão e concepção do feminino sagrado...principalmente quando foco o aspecto psicológico e o trauma básico da identidade da mulher no mundo de hoje…
São séculos de cultura patriarcal de génios, homens em todas as áreas, desde pintores, poetas e escritores a retratarem uma mulher que não sabem…dela fizeram uma Virago, dela fizeram uma prostituta, dela fizeram um travesti, dela fizeram um andrógino, dela fizeram uma boneca insuflada…dela fizeram tudo que quiseram…Profetiza, demente, mãe, cândida donzela, virgem e prostituta, rainha, louca, assassina…

São muitos…todos eles génios ou santos: Miguel Ângelo, Leonardo da Vince, Shakespeare, Balzac, Baudelaire, Voltaire, Santo Agostinho etc. …

O que eles escreveram sobre grandes mulheres…Cleópatra por exemplo, e …como a viu Shakespeare…Meu Deus…que insana criatura ela era…como todas as mulheres fortes eram igualadas a DEMONIOS. E é desses modelos ao longo de séculos de história e cultura que a mulher se deixou moldar sem nunca ser ela mesma a pronunciar-se! Aqui está, houve mulheres famosas na ribalta, mas elas não tinham voz própria…sim, houve Rainhas dizem-me, grandes rainhas….mas sujeitas aos mesmos padrões e aprisionadas pelos mesmos valores em vigor nas épocas em que reinaram, aos mesmos conceitos…e atributos, com que as modelavam os homens da arte e da cultura…Fosse na época Helénica na Renascença ou o no Iluminismo. Nunca até hoje a Mulher foi Ela mesmo!


rlp

AS MULHERES NÃO TEM DE SER FEMINISTAS!



AS MULHERES NÃO TEM DE SER FEMINISTAS! TEM DE SER MULHERES!

EU ACREDITO NAS GRANDES MULHERES QUE FIZERAM HISTÓRIA 

Nestes dias muitas manifestações se fizeram e pela primeira vez em Portugal milhares de mulheres foram para a rua nos dia 7 8 e 9 de Março, muitas mulheres desfilaram e gritaram os slogans contra a violência doméstica. De uma forma geral essas manifestações foram atribuídas a movimentos feministas e a partidos de esquerda, e também se partiu do principio que todas as mulheres que saíram a rua deviam ser feministas, mas para se indignar e lutar pelas mulheres não tem de se ser feminista e creio que a maior parte dessas mulheres não eram partidárias ou feministas. Quero enfatizar esta questão porque me irrita um pouco que agora há esta necessidade de se atribuir todas as acções passadas e todas as "conquistas" e liberdades adquiridas pelas mulheres se tenham devido a feministas segundo alguns dos slogans. Ora eu não sou feminista e lutei sempre pelas mulheres - embora em tempos muito longínquos tenha pensado e agido como tal e me tivesse enquadrado nessa designação, hoje em dia não vejo necessidade alguma de entrar em grupos tão divergentes entre si, pois para o mais importante hoje é sem duvida uma nova CONSCIÊNCIA DA MULHER, uma consciência que não apenas social e politica e económica mas essencialmente ontológica e do domínio do sagrado, e refiro-me aos aspectos da natureza ctónica e telúrica da mulher, aos aspectos associados ao Principio Feminino e a urgência da mulher acordar para essa consciência.

Eu sempre lutei e escrevo desde há muitas décadas para as mulheres sobre essa consciência e a cisão da mulher e penso que Mulher só se emancipa realmente a começar por dentro e por si. E o que eu escrevo e defendo é que a Mulher tem de ser mulher em si, uma mulher plena e isso a maior parte das ditas feministas não são nem tem essa consciência. Elas traem a sua identidade feminina intrínseca negando os aspectos espirituais da sua herança primordial para se tornarem em meros corpos instrumentalizados construídos e por isso se associam as teorias de género aceitando travestis e transsexuais como mulheres. Sim, não só estão de acordo com essas teorias como defendem as ideologias de género. Elas aceitam que um homem transgénero possa ser identificado como mulher.

Elas pensam que a mulher se constrói socialmente e é um produto cultural e isso prova o seu ego masculino mas A MULHER É MULHER E NASCE BIOLOGICAMSNTE MULHER. A Mulher nasce com Utero e Ovários e vagina. A Mulher tem seios. A Mulher é biologicamente mulher e diferente do homem. Por isso ela tem de voltar à sua origem e identidade primordial. Ela tem de acordar para a sua verdadeira natureza e recuperar a sua dignidade de amar livremente com toda a liberdade, mas ela não tem dono nem senhor. Ela não se despe nem se veste para agradar. A essência que brilha nela é a força motriz que dá vida ao universo… ela é a matriz da vida, sua excelência não precisa ser testada. A única coisa que a mulher tem de fazer é reencontrar a sua capacidade inata de unir em si todas as diferenças...todas as facetasm todas as nuances... e assumir o seu magnetismo e a sua totalidade. ELA TEM DE SE AMAR a si mesma. Só assim amará as outras mulheres em sororidade…Elas tem de ser MULHERES apenas - porque foi a identidade do verdadeiro feminino que se perdeu nos tempos, foi isso que o patriarcado lhes roubou...a mulher tem de se encontrar consigo mesma e o Principio Feminino. 
EU ACREDITO NA MULHER mas não nos feminismos sejam eles quais forem...porque ser feminista não garante que a mulher seja de facto uma mulher autêntica, consciente de si e do seu poder interior. Ser Mulher é pois conhecer a sua Essência e expressar a Natureza Mãe em todos os poros…é ser fiel aos seus ritmos e estações, é ser tudo o que se negam as mulheres modernas ser e por isso se digladiam entre catalogações que as divide ainda mais...
Uma mulher que atinja a sua maestria ela é senhora de si e nada a impede de ser ela mesma. Uma Mulher plena não precisa de se definir...ela é tudo em si mesma. Ela não é Hestia nem Afrodite nem Atena. Essas são apenas facetas secundárias. AS mulheres tem uma essência comum e é isso que a liga a partir de dentro não a partir das ideias.
Lutar pelas mulheres, ser fraterna e solidária, empenhar-se em defendê-las não implica ideologias de género nem teorias … Não digo que não fiquei contente por ver tantas e tantas mulheres nas ruas do meu País...gostei muito do que vi, mas eu sei que não é por ai. Digo-vos que gostava de ter esperança nestas mulheres jovens...Isso fez-me lembrar a minha luta há 50 anos atrás. Digo-vos que me comoveu as lágrimas. Que em mim há esta ansia de fraternidade e liberdade e igualdade, que comecei a luta muito cedo e sofri muito com isso e causei muito sofrimento a minha mãe...que vivia em pânica todos os dias com medo que eu fosse presa. Passaram 50 anos - eu podia ter ido a esta Manifestação e deixar-me levar pela força e a convicção da juventude….

Ah A FESTA É LINDA pá... mas infelizmente hoje sei que NADA MUDA. Sei que pouco ou nada mudou em relação a Mulher depois da revolução dos cravos - a não ser que o trabalho e a escravidão da mulher aumentou e que os feminicídio também porque o ódio a mulher e o medo da mulher não são controláveis por leis nem por manifestações porque QUEM MATA é o homem, o homem primário, o agressor está sempre latente no animal humano que não é amado. É o Sistema patriarcal, o culpado da violência e dominação da mulher. A questão sexual foi branqueada e a educação ou a revolução sexual não foi feita. Os tabus e os dogmas da Igreja continuam activos e a mulher é dad como Culpada e pecaminosa e o homem deve açoitá.la e matá-la como fez o juiz que condenou mulheres por adultério e libertou os criminosos. Esta é a realidade dos homens em Portugal e no Mundo.

Foram milhares de mulheres aparentemente unidas, mas quando chegar a hora da Verdade estarão todas umas contra as outras a defender as suas convicções, nas suas ideologias nas suas crenças e credos e os seus lideres...
Lamento não acreditar nesta euforia… lamento não me dar a esta festa de alma e coração, juro que queria...mas não fui porque já sabia que eram só gritos e canções e que a luta a temos de trava cada um de nós dentro de nós e não fora, porque o Sistema nunca estará do nosso lado. Confiamos nos homens em Abril… pensávamos que as mulheres estavam incluídas, como pensaram sécilos antes as mulheres na revolução francesa - e tudo continuou na mesma… Sim, houve mudanças exteriores...liberdades concedidas, uma falsa emancipação que hoje é destruída pelos acontecimentos vividos pelas mulheres no mundo, sempre abusadas e violadas e exploradas assim como a prostituição continuou na ordem dos dias cada vez mais dramática etc.

Isto não vai ser bem recebido publicamente porque a ilusão o idealismo e a cegueira conduzem as massas… e sei que eu seria primeira a ser apedrejada na fogueiras das suas ilusões e construções teóricas do mundo e da mulher. Ser velha tem isto… já não ir com as massas nem com os gritos de ordem…
Mas enquanto a mulher não perceber que ela é mágica e magnética e que tem todo o poder em si, nada podemos fazer pelas milhões de desgraçadas ignorantes aculturadas que se metem na boca do lobo todos os dias iludidas pelo amor...ou que são obrigadas a casar par poder sobreviver. Afinal a causa destes feminicidios e violência doméstica é o sonho do amor a dois e o casamento a que a mulher se submete de livre vontade…

E QUEM VAI MEXER NO TABU?
rlp

quinta-feira, março 07, 2019

AS MULHERES DO MEU PAIS...



PORQUE  NÃO SE UNEM AS MULHERES?

Porque não se unem as mulheres? Porque continuam as mulheres divididas em arquétipos e estereótipos e em luta umas contra as outras através de todas as causas que defendem e em que se tornam empreendedoras? PORQUÊ?

AS feministas estão divididas e umas contra as outras, sejam radicais, moderadas ou lésbicas, como as mulheres da New Age também elas se dividem em seitas e grupos e capelinhas, assim como as mulheres ditas do sagrado feminino e das deusas divididas em faces, tal como as mulheres da esquerda  e igualmente as de direita. Feministas comunistas marxistas e liberais, religiosas e pagãs, ricas pobres instruídas, ignorantes e intelectuais, jornalistas médicas e advogadas; as mulheres estão sempre divididas e umas contra as outras e afirmam-se sempre em OPOSIÇÃO, nunca em união. Sempre em lados opostos de uma qualquer barricada! Menos na morte… porque já não se discute "quem mata quem".
As que se dizem não feministas contra as feministas, as que são pró-vida contra as que defendem a despenalização da interrupção da gravidez, vulgo, aborto, as ateias contra as crentes e as que creem nas deusas e as que creem nos anjos, em suma, as santas e as putas e as vadias, as debochadas e as pudicas ou as senhoras defensoras da igreja e do Papa e as filhinhas do papá contra as mulheres pobres e desvalidas tristes e miseráveis que não tem eira nem beira. ESSAS mulheres são vulgarmente misóginas e machistas e defendem sempre o filho e o macho - padre e o líder e o Papa. Elas são as chiques e superiores, são Opus Dei e de direita. E as de esquerda, as mais avançadas ou de vanguarda, as mulheres mais novas defendem gays, lésbicas, travestis e transsexuais e metem tudo na mesma saco, as minorias por cima e as maiorias sem direitos. Umas defendem a socialite e as outras o socialismos e Soros, o grande "mecenas" negro do apocalipse ou  da nova ideologia de género, a morte anunciada da mulher biológica e da Mãe. etc.

NÃO. As mulheres não se unem porque dentro delas reside a divisão fulcral ou a cisão fundamental que separa cada mulher de si mesma e da outra e as torna antagónicas e rivais desde sempre em luta pelo homem e em defesa do Sistema patriarcal, pois foi o patriarcado e a religião que criou e cimentou essa divisão nas mulheres ao dividi-las entre a santa e a puta. Esse é o cisma. E elas não conseguem sair deste circulo vicioso a que estão presas há séculos. Mudam as leis e mudam os cenários mas a prisão oculta que subjuga as mulheres é a mesma!
Eu podia falar do homens e apontar os seus erros e como eles dominam e abusam das mulheres, mas para mim o importante é que a Mulher se consciencializa ela própria daquilo que a separa e divide em si mesma e em consequência uma da outra porque é o mesmo que a divide e impede de ser una em si. Porque quando a mulher for uma Mulher inteira e senhora da sua verdade, fiel ao Principio Feminino e travar apenas  a sua batalha por ela mesma ela poderá viver na mesma vibração que a outra mulher mas não enquanto estiver em luta a defender a causa do Pai e de Deus seja qual for a sua crença - ela é um produto dessa mesma causa que luta contra e não pode sair sem mudar de rota, sem mudar de rosto.
Penso que quando a mulher for A Mulher, Apenas Mulher, não mais terá necessidade de ser isto ou aquilo por acréscimo para se valorizar ou definir ou aderir a ismos de qualquer espécie. Quando a mulher for a sua própria causa e souber lutar por ela mesma e por uma Consciência de si integral e ontológica ela será naturalmente uma aliada das mulheres em essência, pois não se trata de causas mas da essência primordial. Possa a mulher tocar e viver nessa essência e as batalhas inúteis que trata e em que se desgasta ela fará a diferença e será o elo de mudança através do amor e da harmonia e não do conflito e da guerra.
Quando a mulher atingir esse estadio de plenitude que é ela mesma nada poderá obstaculizar o seu caminho pois ela caminhará imponente e majestosa como uma Rainha que é...não mais vestirá a pele de  uma serva de uma súbdita, de uma escrava em luta pela sobrevivência, rastejando perante o poder e o dinheiro…nem pela igualdade com outros escravos.

Deixo-vos um muito elucidativo trecho de uma entrevista de Natalia Correia hem 1987... Ela disse tudo, mas as mulheres continuaram a perseguir o poder masculino em vez de se buscarem dentro de si...não digo na poesia, mas na sua verdade intrínseca, a sua Natureza feminina que é a essência da própria poesia...
rlp

"Há quem pense, e talvez com certa razão, que a mulher deve entrar no mundo da política para, dentro desse universo, desenvolver as suas ideias e a sua acção. Mas eu penso que quando uma mulher entra nesse mundo, ela própria é obrigada a submeter-se a padrões que ameaçam toda a sua natureza, a natureza da sua cultura. Ela é levada a transigir, torna-se numa cópia daquilo que já é mau nos homens. Eu penso que a acção da mulher deve desenvolver--se fora da política do Poder. Uma acção política de contra-poder. Pela recusa.
O que é a poesia se não uma magia branca, para fazer recuar as forças tenebrosas que querem destruir a vida?! "

LUTO NACIONAL




7 DE MARÇO:
DIA NACIONAL DE LUTO PELAS MULHERES ASSASSINADAS EM PORTUGAL

Até hoje e desde o principio do ano foram mortas 13 mulheres em Portugal pelos maridos e companheiros...

UMA MULHER CONSCIENTE





UMA MULHER SÁBIA QUE NÃO É TIDA EM CONSIDERAÇÃO PELAS FEMINISTAS PORTUGUESAS - ela tocou o amago da questão e pôs em evidência o seu erro de décadas…


"Há quem pense, e talvez com certa razão, que a mulher deve entrar no mundo da política para, dentro desse universo, desenvolver as suas ideias e a sua acção. Mas eu penso que quando uma mulher entra nesse mundo, ela própria é obrigada a submeter-se a padrões que ameaçam toda a sua natureza, a natureza da sua cultura. Ela é levada a transigir, torna-se numa cópia daquilo que já é mau nos homens. Eu penso que a acção da mulher deve desenvolver--se fora da política do Poder. Uma acção política de contra-poder. Pela recusa.
O que é a poesia se não uma magia branca, para fazer recuar as forças tenebrosas que querem destruir a vida?! "

Natália Correia, in 'Entrevista (1983)'

terça-feira, março 05, 2019

SER OU NÃO SER FEMINISTA



O QUE É O FEMINISMO? UM PARADOXO?

" As feministas de hoje fizeram-se desacreditar da mesma forma que as de ontem e gerações anteriores ainda: São " mulheres habitadas pelo ódio dos homens, que querem parecer-lhes ou tomar o seu lugar ", por exemplo. São "Feias, agressivas, burras e perigosas", enumera Clarence Edgard-Rosa. (...)
" Estamos a navegar neste paradoxo. O feminismo é acusado de estar na moda, e, portanto, como que esvaziado da sua substância, enquanto muitas pessoas aderem às ideias sem a reivindicar. Isso mostra-nos bem que é uma luta de palavras ", continua a jornalista. (...)
" Eu não sou feminista mas..." é um discurso que se ouve há anos, destaca Françoise Picg. "Esta é uma maneira de tomar distância em relação a um movimento mas admitindo uma proximidade com este último ". Para desviar a conversa, alguns e algumas vão então dizer-se " Humanista " ou " pela igualdade ".
Mas para Clarence Edgard-Rosa, "substituir esta palavra (feminismo) por outro é o corte em todo o legado político, cultural e militante e de todas as mulheres que lutaram pelos seus direitos", explica ela. "É um erro dar esse sentido porque falar de humanismo é colocar de lado a hierarquia social que existe e perdura hoje, é colocar de lado que as mulheres são realmente os bonecos da farsa", adiciona a editora em Chefe de Maria Claire Digital antes de concluir: "é por isso que é preciso usar esta palavra para o que é e lembrar o que ela quer dizer a qualquer momento" M.C.P.


NÃO É O FEMNISMO QUE ESTÁ DESPROVIDO DE SUBSTÂNCIA, MAS AS MULHERES EM SI...este paradoxo que é o feminismo de hoje, esta confusão geral acerca do feminismo e a sua divisão  corresponde a divisão interior das mulheres, a falta de identidade de um feminino essencial, a falta de consciência que a mulher tem do seu ser ontológico, a sua rendição à ciência e filosofia materialista sem perceber como o Sistema patriarcal a colonizou e dominou e mesmo despois das várias vagas de feminismo,  o mais radical ou mais ideológico ou mais económico, a mulher continua a ser formatada por ele, continua a ser manipulada através das mesmas "conquistas" que afirma ter conseguido. Como diz uma amiga se não se perceber que "O feminismo é o sistema e por isso mesmo é financiado pelo mesmo!... Continuamos presas em termos económicos e sistémicos a um modelo patriarcal que nos Maltrata e ignora como forma de nos manter fora da idealização, construção e evolução das sociedades terrenas!... A lei é a do mais forte e o modelo está mais robusto do que nunca!... As Mulheres, poucas aumentam níveis de consciência mas estamos longe em termos temporais de construir algo novo e integrador!... Será que em algum tempo se conseguirá?"*

Portanto se as feministas e estas mulheres que defendem a palavra FEMINISMO e que estão na frente não perceberem que estão ainda "na boca do lobo", todos os esforços serão vãos, tal como até aqui, tirando um ou outro aspecto em que tem algumas vantagens que as antigamente não tinham. Elas votam, mas votam dentro do sistema. Elas trabalham mas não têm salários iguais. Elas despem-se e exibem-se e curtem parceiros - mas não são RESPEITADAS! Portanto para mim só a consciência individual, e a consciência de cada mulher dessa armadilha do sistema não vamos a lado nenhum exteriormente. Podemos contudo ter voz e falar nos lugares certos... minar as bases…essa é a minha prerrogativa e a das mulheres que buscam a sua Identidade e a sua Essência para lá da economia e do trabalho ou da igualdade de direitos, pois sem consciência de si as mulheres não irão a lado nenhum como está provado em tudo o que se passa neste mundo contra mulher. Se a mulher se tivesse verdadeiramente emancipada e fosse livre não haveria este retrocesso… o feminismo não fez com que as mulheres fossem respeitadas.
rlp

*Ana Ferreira Martins

COMO OS JUIZES JULGAM AS MULHERES EM PORTUGAL




EM PLENO SÉCULO XXI

O INQUISIDOR TORQUEMADA E O SEU "HOMONIMO" PORTUGUÊS - O HOMUNCULO JUIZ NETO MOURA QUE CONDENA AS MULHERES POR ADULTERAS..E LIBERTA E DEFENDE OS CRIMINOSOS.

Estes são alguns dos seus acórdãos...

«... a conduta do arguido ocorreu num contexto de adultério praticado pela assistente. Ora, o adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem. Sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte.
Na Bíblia, podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida com a morte. Ainda não foi há muito tempo que a lei penal (Código Penal de 1886, artigo 372.º) punia com uma pena pouco mais que simbólica o homem que, achando sua mulher em adultério, nesse acto a matasse.
Com estas referências pretende-se, apenas, acentuar que o adultério da mulher é uma conduta que a sociedade sempre condenou e condena fortemente (e são as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras) e por isso vê com alguma compreensão a violência exercida pelo homem traído, vexado e humilhado pela mulher. Foi a deslealdade e a imoralidade sexual da assistente que fez o arguido X cair em profunda depressão e foi nesse estado depressivo e toldado pela revolta que praticou o acto de agressão, como bem se considerou na sentença recorrida.»

AS MULHERES COM VITIMAS DE VIOLÊNCIA





SE EM FRANÇA 80% dos franceses dizem que nada mudou em matéria de igualdade entre homem e mulher, porque se rebelam as feministas quando se diz que de algum modo elas falharam? Elas não quiseram ver que os homens não mudariam nem estavam interessados nessa igualdade-paridade...e ainda bem PORQUE É NA DIFERENÇA que a mulher pode SER ELA MESMA. É no SER MULHER em si que está a sua libertação e não na igualdade com o homem. A igualdade deve ser social e económica, mas não é intrínseca. Ser Mulher em si não significa ser bela e do lar ou calar-se e servir o deus o homem e o filho, como algumas coitadas (a direita) querem ainda continuar a fazer. NÂO! Quando digo que as feministas se enganaram eu refiro-me ao facto de TUDO ESTAR PRATICAMENTE NA MESMA depois de quase um século a nível do respeito e da dignidade da mulher dentro do Sistema e portanto na forma como ela é tratada seja em casa e no emprego. O erro delas foi acreditar que o Sistema patriarcal as pode proteger e ser justo com as mulheres e que podia equilibrar as desigualdades sociais e agora vemos que a Mulher como vitima da violência doméstica e feminicídio é ignorada. PORQUÊ? Ela não vê o seu erro que foi acreditar na igualdade como arma e assim entrou no Sistema pelo modo operandus do homem...e ficou tudo na mesma a nível da sua esência. Ela não fez a DIFERENÇA que a caracteriza como Mulher de poder mas de poder interior. Tudo isto se confunde e sei que também me confundem a mim quando digo que" não sou feminista mas antropologicamente lucida (A.H.)" - eu fui feminista! Eu fiz no meu tempo tudo o que era possível e a risco de vida! Mas percebi que não era apenas ser económica e socialmente liberta que ia ser RESPEITADA. Há uma Mulher essência a resgatar que não é da fábrica nem  do lar nem da rua nem do bordel…

rlp


A UTOPIA FEMINISTA - apesar da razão e apesar da verdade de tudo que aqui está dito neste excelente artigo, o que sabemos é que o Sistema nunca esteve do lado das mulheres e diante deste ataque cerrado as mulheres em todo o mundo se as feminista  não virem o problema ESSENCIAL e se não perceberem QUEM É A MULHER ESSÊNCIA, tudo vai continuar na mesma e a digladiar-se num campo de batalha seja ele qual for…


Enxovalhadas estamos nós!
Não precisamos de Netos Moura e outros/as mais que estão de acordo com as decisões
05 Mar 2019 / 02:00 H.


Veio o Juiz Neto Moura dizer que vai processar todas as pessoas que o enxovalharam, a propósito das suas decisões sobre casos de violência doméstica. É preciso ter muita lata e pensar que, a maioria das pessoas deste País que o contestam, são burras ou estúpidas. Ou então, se calhar, o senhor Juiz ainda pensa que está na época medieval e que pode castigar quem de si discorda, esquecendo-se que vivemos em pleno século XXI, num País que soube fazer uma revolução e correr do poder os “senhores” que pensavam de igual forma e censuravam o direito de opinião.

Quem se sente enxovalhada com as suas decisões somos nós. Nós é que o devíamos processar e exigir o seu afastamento imediato de qualquer processo relacionado com violência doméstica ou sexual. Nós não confiamos em si. Nas suas mãos não está a justiça que procuramos. Na sua cabeça existe um ódio absurdo e insultuoso contra as mulheres. Quando retira a pulseira eletrónica a um agressor, que tinha maltratado e agredido de forma bárbara uma mulher, o que é que pretende? Que sejamos generosas consigo? Compreensivas com a leitura abusiva que faz das leis, que lhe permite decidir tal coisa?

Quando estamos a viver um ano negro de violência contra as mulheres, onde em dois meses 11 foram assassinadas, pelas mãos de alguém que um dia lhes jurou amor, o que pedimos à justiça, no seu todo, é que funcione de forma rápida e eficaz e penalize duramente estes crimes. Não com toda a demora de um processo comum, mas com toda a urgência que estas situações merecem. Quando as vítimas fazem queixa, queremos que a sua proteção se faça de forma imediata. Que os órgãos de justiça não fiquem em “lume brando” com papéis para a frente e para trás, e entretanto, quem agride, continue a fazê-lo com cada vez mais violência, por vezes culminando em assassinato.

Queremos que, quem comprovadamente agride, seja afastado da vítima de forma imediata. Não queremos que sejam as vítimas a terem que sair de casa, como se fossem elas as culpadas por aquilo que lhes está acontecer, muitas vezes com os filhos menores a terem que mudar todos os seus hábitos de vida. Queremos que as casas de abrigo sejam apenas centros de emergência SOS, que continuam a cumprir um papel extraordinário em situações de risco de vida, mas que tem que ser, por natureza, pontual e não duradouro.

Queremos profissionais de justiça, a todos os níveis, devidamente formados para lidarem com estas situações complexas, onde estão em risco muitas vidas. Queremos juízes e juízas preocupados/as com as vítimas e que não brinquem às maquilhagens no dia dedicado à Mulher. Já basta quando muitas mulheres para disfarçarem as nódoas negras das agressões recorrem a esse meio, enganando a si próprias e a todas as pessoas que as rodeiam.

Queremos ter orgulho e respeito pelo poder policial e judicial, pilar fundamental para defender os nossos direitos e as nossas vidas. Não precisamos de Netos Moura e outros/as mais que estão de acordo com as decisões. Não queremos nos sentir enxovalhadas com a justiça do nosso País. É por tudo isto, e mais o que ficou para dizer, que no dia 8 de Março vamos gritar, bem alto que estamos vivas e dizemos BASTA DE VIOLÊNCIA, QUEREMOS SER TRATADAS COM DIGNIDADE!

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DEVEMOS LEMBRAR QUE O SISTEMA REPETE UM PADRÃO:

"Este padrão da honra fálica escapa ao individualismo metodológico. O assassino obedece a um padrão que lhe foi incutido desde a infância e que é partilhado por uma população que espera dele o acto final de se suicidar depois de matar a companheira, se esta o “humilhar”, humilhando a população que espera que ele mantenha o padrão da dominação fálica radical. Neste contexto (existem outros), a honra manda matar a mulher, para apagar a vergonha da incapacidade de manter a dominação fálica, e manda o homem suicidar-se, para recuperar na morte a honra perdida.
O homem de honra não aguenta a perda da face, a humilhação pública, a desonra, que o obriga a reagir de acordo com as expectativas da comunidade que partilha estes valores. Não se trata de ciúme, nem de amor frustrado. O que está em causa é a honra viril, o orgulho fálico. Nestes casos, a relação entre homens, real ou imaginária, é muito mais importante do que a relação com as mulheres supostamente amadas. De facto, as mulheres, neste padrão fálico, não contam. A heterossexualidade, sendo uma ‘obrigação social’, promovida desde cedo pelo bullying sistemático dos ‘maricas’, tornados bodes expiatórios, fragiliza este tipo cultural de homem (existem outros) e o desemprego, a perda de poder económico ou a intenção da companheira recomeçar a vida, procurando outro companheiro, colocam-no numa zona de humilhação pública que o leva a recorrer à solução final – a morte de ambos, devolvendo a honra social ao assassino."