domingo, junho 29, 2003



O SER REAL


"Eu penso que quem não está ou deseja estar na estrada real está perdido. Que o germen desta perdição é a "cultura" profana. Que a estrada real é fascinante. Que só nos podemos aperceber da fascinação de cada coisa que nela circula quando descobrimos a persona que cada coisa esconde debaixo da sua individualidade. Que só a tradição iniciática contem orgânica e intelectualmente a ideia dessa persona puramente interior - base da REALIZAÇÃO, da acção
que conduz o ser "para além de todo o estado condicionado, seja ele qual for para o estado do SER - soterrado debaixo de cada individualidade humana - que ultrapassa todas as contigências e reune em si a integralidade de todos os estados do REAL."


in LUZ CENTRAL- ERNESTO SAMPAIO


(...)"O real é aquilo que não nos deixa maravilhados, que não nos deixa abismados: não é mais do que a terra firme que rodeia o nosso reduzido charco de consciência."

Susan Sontag - América


“É impossível pensarmos nas adjurações da sabedoria alquímica que introduzia igualmente a fisiologia no coração do conhecimento:
Não aprender, mas sofrer. Ou uma formulação latina análoga Non cogitat Qui non experitur “


Marguerite Yourcenar (in Mishima ou a visão do vazio)
MAS EU, ALHEIO SEMPRE, SEMPRE ENTRANDO
O MAIS ÍNTIMO SER DA MINHA VIDA,
VOU DENTRO EM MIM A SOMBRA PROCURANDO.

Fernando Pessoa



AMORES CATIVOS


Era delor e era cólera,
era medo e aversiõe,
era um amor sem medida,
era um castigo de Dios!
Que hai uns negros amores,
de índole peçonhenta
que privam os espritos,
que turvam as concências,
que mordem se acarinham,
que quando miram queimam,
que dãe dores de rávia,
que mancham e que afrentam.
Mais val morrer de friagem
que quentar-se à sua fogueira
.


Rosalia de Castro (1837-1885)



"A vida pode ser sentida como uma náusea no estômago, a existência da própria alma como um incómodo dos músculos. A desolação do espírito, quando agudamente sentida, enjoa, de longe, no corpo, e dói por transferência."

languidez, mareo
y angustioso afán


J.L.S.

sábado, junho 28, 2003



DAME NATURE


Relativamente à obra alquímica exterior, a Natureza é a força motriz de todas as transmutações, a "energia potencial" das coisas. Do mesmo modo, vem também a intervir na alquimia interior em virtude dessa força primitiva maternal que permite à alma libertar-se da sua existência estéril, existência ferida de fragilidade congénita.
(...)

A natureza é sempre mulher, DAME NATURE, inclusive no seu aspecto terrorífico de grande dragão que serpenteia entre todas as coisas.


ALQUIMIA - de TITUS BURCKHARDT


in
A ALQUIMIA DO AMOR


"O texto literário é aquele em que a comunicação não se opera e não actua ao nível só do consciente, mas a outro nível, que podemos chamar de simbólico, proveniente e dirigindo-se ao inconsciente"(...)

Ora o texto será tanto mais literário quanto mais do inconsciente, ou do Todo da personalidade, provier, e quanto mais ao inconsciente, ao todo da personalidade, se dirigir, com ele se encontrando e sobre ele actuando. O eu individual, está em relação com o Eu universal como a parte está com o todo."


Y. K. CENTENO

quinta-feira, junho 26, 2003


LILITH

A Donzela Negra


Lilith, é uma variação hebraica (e não judaica) da deusa sumeriana Lil - que significa "tempestade" -, muitas vezes reconhecida como a outra face de Inanna. Seu nome também parece estar relacionado à "coruja", provavelmente pelos seus
hábitos: uma sinistra ave de rapina que se precipita, silenciosa, na escuridão, e que, não obstante, também simboliza a sabedoria. Por outro lado, o mito hebreu fala de como Lilith foi moldada de terra e esterco, provavelmente querendo refletir o potencial da terra adubada... o que a relaciona, também, com a SEXUALIDADE e FERTILIDADE.
(...)
Hoje, depois desses séculos todos de um patriarcalismo opressor, Lilith volta como uma DEUSA NEGRA, ou seja, a energia feminina trancafiada nos calabouços da psiquê de todas as mulheres e todos os homens. Para os homens, ela é um desafio; para as mulheres, um arquétipo.

O que significa reivindicar os poderes de Lilith para a mulher de hoje? Na literatura mítica antiga havia 3 Liliths - que refletiam as fases de lua crescente, cheia e escura.

A Lilith crescente era Naamah, a donzela sedutora.
Donzela é a mulher indômita, selvagem, livre, vibrante de energia, imprevisível como o vento. Sua resposta à vida é espontânea, vívida. Totalmente objetiva. Por mais bela que possa ser, não anseia por estabelecer relacionamento, mas para avaliar, experimentar e descobrir suas próprias formas de ordem.

A mulher mais velha pode ter sido limitada ou reprimida na juventude, e pode reinvindicar a Donzela, conscientemente, para libertar seu espírito e encontrar a sua direção. Muitas crises de meia-idade são forjadas por uma Donzela enclausurada e confinada, precipitada muito cedo num casamento convencional, se oportunidade de explorar alternativas na sexualidade ou na carreira. Mulheres em motocicletas, em laboratórios, estudando as florestas e matas, dançando num palco, discursando na plataforma política - elas são a Donzela.

A Lilith Mãe era nutridora;
Na primavera ela abre seu corpo-terra para gerar crescimento novo e brilhante. No verão, ela envolve com braços protetores a terra ardente. Na época da colheita ela espalha amplamente sua generosidade, e, à medida que o frio aumenta, ela aconchega os animais em suas tocas no inverno, puxando as sementes para o profundo interior do seu útero até que volte a época do reverdecimento. A Donzela pode inspirar nossos atos criativos, mas a Mãe está presente quando os produzimos.

E havia a Lilith anciã, a Destruidora
Embora a Donzela seja procurada e a Mãe respeitada, a Anciã recebe pouca atenção. É a Anciã que o poder feminino realmente se torna COMPLETO. A Anciã é SÁBIA, observadora, tecelã, conselheira. Conhece os caminhos entre os mundos. Isso pode fazer dela uma personagem desconfortável, mas é um repositório de sabedoria feminina, do conhecimento acumulado da mulher que não menstrua mais, porém MANTÉM DENTRO DE SI O DEPÓSITO DO SEU PODER.

Na primeira, devemos confrontar as maneiras pelas quais nós somos reprimidas, buscando recuperar nossa dignidade. Na segunda, devemos integrar o desespero que vem de nossa rejeição, angústia, medo, desolação, e na terceira descobrimos o poder da transmutação e da cura dela decorrente, uma vez que ela corta nossas falsas retensões, desilusões e nos ajuda a encontrar nossa essência livre e selvagem.


- Parte de um texto enviado por Hecate...
(continua)

terça-feira, junho 24, 2003

NÃO SE DEVE DIZER O AMOR QUE SE TEM.

NÃO SEI SE DIZER LIBERTA
OU SE PRECIPITA

irreflexões - y.k.centeno



O DOM DE SI


“Será que esquecemos que o Dom de si não pode ser senão voluntário? Será que esquecemos que não pode haver responsabilidade senão onde existir liberdade?
Ora nós não somos livres. Somos vítimas de preconceitos, mergulhados nas rotinas que nos prendem, saturados de ideias feitas. E por falta de lucidez, estamos em completo desconhecimento dos verdadeiros problemas que se põem aos seres humanos.

Nós não somos livres. A mulher, particularmente, tornou-se escrava da nossa sociedade que é uma sociedade de escravos que nem sequer se apercebem do seu estado de servidão porque eles apenas gargarejam as palavras. Não, de modo algum é suficiente pronunciar a palavra liberdade e cantá-la em todos os tons para se ser verdadeiramente livre, é preciso sê-lo por actos."


JEAN MARKALE - La Femme Celte

domingo, junho 22, 2003



MARGUERITE YOURCENAR

CENTENÁRIO DO SEU NASCIMENTO

"Não sofremos com os nossos vícios, sofremos tão-só por não nos podermos conformar com eles. Conheci todos os sofismas da paixão, conheci também todos os sofismas da consciência. As pessoas imaginam que reprovam certos actos porque a moral se lhes opõe; na realidade, obedecem (tem a felicidade de obedecer) a repulsas instintivas."

in ALEXIS Ou Tratado do Vão Combate

(..)"E já nem sequer cremos, como Gide, que é com bons sentimentos que se faz má literatura; sabemos que também se fabrica com maus, e que o falso reina tanto no Inferno como no Céu." (...)

in MEMÓRIAS
Souvenir Pieux


Pagã

Sou uma religiosa sem igreja,
Uma reclusa sem convento, amante de uma deusa sem altar.
Vivo na pele o tormento de uma humanidade que ainda não é.
Vivo no mundo sem nele já acreditar.

Sou sacerdotisa de um templo destruido
à procura de um novo amor e uma nova fé.
Olho num único sentido, íntimo, profundo
no centro de mim mesma e espero a luz...

A luz de um outro mundo e a única esperança.
Com ele há-de vir a nova criança e a deusa
Em que ainda descansa e as duas serão um só.
Numa epifania de cores e harmonia, ele virá,
Sem armas nem ódios, o novo Milénio.


PODE ENCOMENDAR O LIVRO NA:



ART FOR ALL


Tanto o homem como a mulher têm de integrar o seu feminino, esse aspecto que a mulher representa mas ao qual nem ela própria é hoje fiel. A mulher é actualmente um ser deformado devido ao facto de o homem a ter subjugado, dividido em duas...

(Do livro, excerto da Entrevista com Mariana Inverno)


Dando autógrafos...

DA SOMBRA...
e das guerras com o parceiro ou com o vizinho!


Quanto mais consciência de si mesmo como um todo o ser humano tiver, e isso passa imprescindivelmente pela integração do seu inconsciente, mormente enquanto SOMBRA, mais fácil será o trabalho do indivíduo no caminho da auto-realização...Contudo, a dualidade vivida ao nível do Bem e do Mal e de uma moral e religião milenar, gerando permanentemente antagonismo entre esses dois lados dentro do nosso ser, sem qualquer compreensão do par de opostos que lutam dentro de si mesmo, na busca do equilíbrio, traz graves distúrbios não só psicológicos, como sociais, porque é comum querermos ser bons ou ver só o lado "bom" das coisas. Ou queremos só um lindo dia de sol e nada do frio e escuro da lua...
Abomino o dito "positivismo" (o pensamento!) tão vulgarizado pelas "alternativas" que exclue o "negativo" - o outro lado de nós que por acaso é o feminino...sendo o masculino o positivo...Como se um pudesse existir sem o outro! O equilíbrio de toda a existência nasce da junção dos dois, embora a luta consciente dos dois seja o caminho para a integração...
Mas o pior é que sem a ligação dos dois em um e dentro de nós mesmo náo há LUZ!
Voltamos à questão das fichas ligadas à corrente elétrica...esta só passa se houver uma ficha macho e uma ficha fêmea...Não era incrível ligar as duas dentro de cada ser sem ter que andar por aí aos tombos (fall in love) para sentir a corrente do Amor e da Vida?



(...)"Mas uma dificuldade diferente e mais decisiva consiste na ignorância generalizada da própria sombra, isto é, do aspecto inferior da própria personalidade, que é constituída, em grande parte de complexos reprimidos. Acontece muitas vezes que a personalidade consciente se volta com todas as suas forças contra tais conteúdos, descarregando-os sob a forma de projecções sobre os seus semelhante. Só vemos perfeitamente o argueiro no olho do nosso irmão e não enxergamos a trave que está no nosso próprio olho.O facto de sermos muitas vezes acometidos por uma cegueira sistemáticaem relação
aos nossos próprios defeitos revela-se extremamente prejudicial (...)


in. Psicologia e Religião Oriental
C.G.JUNG


"Empreender alguma coisa é motivo de infortúnio.
Sem se prejudicar a si mesmo,
É possível ajudar os outros a crescer"


I CHING


COMO CONTINUO SEM COMENTÁRIOS, PODE ESCREVER-ME PARA:
ROSA LEONOR

sábado, junho 21, 2003



De Art Chimica


“... o espírito e o corpo são um mediante a alma que está junto ao espírito e ao corpo. Se a alma não existisse, o espírito e o corpo se separariam um do outro pelo fogo; mas se a alma está unida ao espírito e ao corpo, o todo não é afectado nem pelo fogo nem por outra coisa qualquer no mundo.”



“O corpo é Vénus e feminino, o espírito é Mercurio e masculino; assim sendo, a alma enquanto “vinculum” entre o corpo e o espírito seria hermafrodita, ou seja uma “coniunctio” de “sol e lua”. O hermafrodita por excelência é o Mercurius. Poderiamos concluir desta passagem que a rainha representa o corpo e o rei, o espírito, mas sem a alma eles não se ligam, pois ela é o “vinculum” que a ambos mantém unidos. Assim, enquanto não existir o laço do amor, a alma não está presente neles. O
elemento unificador é, de um lado, a pomba vinda de cima,e, por outro, a água vinda de baixo. Este é o “vinculum”, isto é,
justamente, uma substância meio corpória, meio espiritual, uma “anima media natura” (alma de natureza intermédia), como a
definem os alquimistas, um ser hermafrodita que une os opostos, que no indivíduo jamais é completo sem a relação com outro ser humano. >

> O ser humano que não se liga a outro, não tem totalidade, pois esta só é alcançada pela alma, e esta, por sua vez, não pode existir sem o seu outro lado que sempre se encontra no “tu”. A totalidade consiste em uma combinação do eu e do tu, ambos se manifestando como partes de uma unidade transcendente, cuja natureza só pode ser apreendida, simbolicamnete, como por exemplo pelo símbolo da rosa, da roda ou da “coniunctio solis et luna”. Sim os alquimistas chegaram até a dizer que o “corpus, anima et spiritus” (corpo alma e espírito) da substância arcana são todos três em uma e a mesma coisa, “pois todos vêm do Uno e com o Uno, o qual é a sua própria raiz. Um ser que é fundamento e origem de si mesmo não pode ser outra coisa senão a própria divindade...”

C.G.JUNG


SUB-ROSA TE ENCONTREI...


A VERDADEIRA OBRA...

Carta de um teólogo alquimista a sua soror mystica

(...)
“Se desejardes tornar-vos uma Artista sábia, então procurai com seriedade unificar os vossos próprios Marte e Vénus, a fim de que o laço conjugal seja bem atado, e o matrimónio se consuma. Deveis cuidar para que eles se deitem um com o outro no leito da sua unidade e vivam em doce harmonia. Assim a virgem Vénus dentro de vós entregar-vos-à a sua pérola, seu espírito-água, a fim de acalmar o espírito-fogo de Marte, e o fogo-ira de Marte se abrandará em amor e mansidão de bom grado no fogo-amor de Vénus, e ambas as qualidades, o fogo e o amor se misturarão, se unirão, se confundirão uma na outra. De sua união e concórdia emanará a primeira concepção do nascimento mágico, que se designa por tintura, a tintura-do-fogo-amor. Se bem que a tintura tenha sido concebida no útero de vossa humanidade e nele haja despertado para a vida, ainda persiste um grande perigo: o de a tintura, por encontrar-se ainda no corpo ou no útero, se deteriore antes de amadurecer e de ser trazida à luz. Por esse motivo, deveis procurar uma boa ama que compreenda a sua infância e cuide dela adequadamente: e essa ama deve ser o vosso coração puro e a vossa casta vontade.

O melhor alimento para a criança seria o “fogo-amor de Vénus” e não o “fogo-ira de Marte” o qual a “asfixiaria e a mataria”. (...)

In “AB-REACÇÃO, ANÁLISE DOS SONHOS, TRANSFERÊNCIA "C.G.JUNG

sexta-feira, junho 20, 2003

MARÂNUS

(...)

"Neste íntimo deserto que se estende
Sempre através de mim, apenas vejo
Um delicado vulto de mulher;
Sombra bela e gentil do meu desejo
Indefinido e vago...aparição
Desta melancolia fraternal,
Que me surgiu, à flor do coração;
E beijando, amorosa, as minhas lágrimas,
Dentro delas, espalha o azul do dia..."
(...)

Teixeira de pascoais



"COMPREENDO: AS ALMAS SÃO DISTANTES.
E QUALQUER APARÊNCIA DE UNIDADE É FALSA"

"ESCREVER - FORMA DE FIXAÇÃO
DO QUE INVESTIGO."

Irreflexões...
Y.K.Centeno

quinta-feira, junho 19, 2003

Fernando Pessoa

Como é por dentro outra pessoa


Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Como que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.


"NÃO NOS PODEMOS REPETIR DEMASIADO:
É A ALEGRIA DE SE ULTRAPASSAR A SI MESMO QUE MUDARÁ O DESEJO FUGITIVO DE PRAZER EM ALEGRIA INFINITA."


A Abertura do Caminho - Isha S. de Lubicz




"FASCINA-ME O FOGO PÁLIDO DAS SUAS PUPILAS, CLAROS FARÓIS,
OPALAS VIVAS QUE ME PRESCRUTAM IMÓVEIS."

Charles Baudelaire

"O gato é verdadeiramente aristocrático,
nas atitudes e nas origens"


Alexandre Dumas

"O gato tem beleza sem vaidade, força sem insolência,
coragem sem ferocidade, todas as virtudes do homem
sem os seus vícios."


Lord Byron

quarta-feira, junho 18, 2003

“PROCURO, NÃO AFIRMO, NADA DETERMINO, AQUI NEM DIGO,
CONJECTURO, ESFORÇO-ME, COMPARO, TENTO, INTERROGO...”


Christian K.Von Rosenroth, - 1636-1693

A ALQUIMIA

"Trata-se de entrar em contacto com aquilo que é capaz de nos animar interiormente. Os alquimistas falavam de forma imagética, da Pedra Filosofal, da Fonte de Vida e os orientais da Flor de Ouro. É com efeito do nosso coração vivo que se trata, como o mostra a bela imagem que se segue."



AB-REACÇÃO
C.G.JUNG

Se continuarmos atribuindo valor exclusivo aos livros e ao saber neles, estaremos desrespeitando a vida afectiva e o sentimento humano. Por isso temos de abandonar o ponto de vista puramente intelectual.(...)


Parece que os alquimistas perceberam o perigo de a realização estagnar no âmbito de uma determinada função da consciência.
(...)

Os alquimistas eram de opinião de que a realização da obra não se fazia só com o trabalho de laboratório, com leitura de livros, meditação e paciência, mas que dela também fazia parte o amor.

* * * *

DAME NATURE

Relativamente à obra alquímica exterior, a Natureza é a força motriz de todas as transmutações, a "energia potencial" das coisas. Do mesmo modo, vem também a intervir na alquimia interior em virtude dessa força primitiva maternal que permite à alma libertar-se da sua existência estéril, existência ferida de fragilidade congénita.
(...)

A natureza é sempre mulher, DAME NATURE, inclusive no seu aspecto terrorífico de grande dragão que serpenteia entre todas as coisas.

ALQUIMIA - de TITUS BURCKHARDT

terça-feira, junho 17, 2003




APOIO OS LÁBIOS DOCEMENTE
NO TEU OMBRO
E COMEÇO A LAMBER O TEU CHEIRO,
COMO UMA CRIA,
NO SENTIDO CIRCULAR DA LUA


M. Teresa Horta



UNI+ VERS+ELLE


Il est venu le temps de réhabiliter
la femme Universelle,
dont les cellules sont dans le corps
de chaque femme,
-en Europe, Asie, Afrique, Amérique, Océanie...

Il est venu le temps de réhabiliter
la femme Universelle,
pour que l'on cesse de l'offrir en pâture
a tous les chiens de l'Univers!


ROSARIO/ 15 jUIN 2003
(da minha amiga Rosário que vive em Lyon)

SOMOS SERES "MUTANTES"...

A perda das crenças demasiado caducas face a uma ciência que esclarece dogmas e das ideologia como suportes para uma religião e moral ou ideal respectivamente, ou a simples queda das filosofias que orientavam o mundo e que lhes dava um suporte ético, através de pressupostos democráticos e outros, leva-nos por um lado à consciência do relativo que é a ideia de ordem e civilização a partir das ideias humanas, e por outro à desmistificação das mesmas e o que surge no seu lugar é o instintivo animal à solta e a ordem do mais forte que predomina nas sociedades bárbaras e patriarcais, em que impera a lei do mais forte, desde há milhares de anos.

Retirado o verniz (de ferro!) das culturas democráticas, socialistas ou comunistas voltamos ao domínio absoluto do mais forte que leva aos regimes e governos totalitaristas e bélicos, sem qualquer respeito pelo ser humano homem ou mulher,
estados ou países. Suprimindo a própria cultura no que esta tinha de elevação e procura do belo, como expressão do
esforço humano para se encontrar acima do seu condicionalismo animal-mental, para a por ao serviço dos mercados e do
que é vendável, quer de si próprio como imagem-ego, como o seu produto artístico ou outro. Suprimindo o espírito ou a
essência como origem do ser absoluto, pelo culto do materialismo exacerbado, a humanidade fica à mercê de uma nova barbárie que é a forma como as novas
sociedade bélicas que imperam pelo seu poder económico e armamento sofisticado dominando o mundo pelo consumo agressivo dos seus produtos e a violência das armas.

Acima de qualquer ética, leis e tratados como acaba de acontecer na nossa cara, na invasão dos “países aliados” ao Iraque como uma cruzada inconsciente entre os velhos fantasmas de bem e mal, mas disfarçada ou mascarada de valores de justiça e igualdade e em nome da demagogia da grande democracia que não passa de um cadáver pestilento no rasto dos mortos que deixa em cada guerra que em seu nome se pensa e fabrica ocultando os verdadeiros motivos que são sempre o domínio do mais forte sobre o mais fraco!

(continua)


ENTRETANTO PODE ESCREVER-ME PARA:
ROSA LEONOR


(Continuação de "seres mutantes")

Urge neste caso e neste momento apelar para todos os esforços de cada indivíduo, à sua consciência e criatividade a fim de tentarmos salvaguardar um qualquer princípio de ordem interior e valor intrínseco, humano e inato para chegarmos a um novo ponto de partida neste milénio que começa no meio do caos e de onde emergirão os seres de uma nova espécie - o andrógino - seres “mutantes” em que a mulher e o homem não serão mais e apenas o macho e a fêmea de uma raça primitiva que se julgou muito inteligente e civilizada e que nos precipita - quem sabe mais uma vez - para uma iminente destruição do Planeta e dos valores mais nobres que ainda nos restam e com os quais poderemos chegar a uma união verdadeira do ser humano com a sua componente divina que é uma consciência superior realizada na integração dos dois polos opostos complementares do ser (homem e mulher integrais) e dar lugar a uma nova inteligência baseada no coração! Para isso precisa a Mulher acordar para o seu potencial de maga e curadora das almas, mediadora entre o céu e a terra e novos laços de irmandade serem implantados neste mundo em que a vertente masculina da espécie dominou o planeta destruindo quase toda a fonte de vida poluindo e alterando os ritmos próprios da natureza Mãe. Exaltar a compaixão e a aceitação das diferenças, em vez da competição e da guerra, distribuindo os frutos equalitáriamente e dando de beber a quem tem sede em vez de criar bombas atómicas em defesa de posses de territórios de um Planeta que é de todos e atenuar os conflitos permanentes provenientes desse desequilíbrio ancestral, remover os ódios e todos os velhos cismas que perduram nesta humanidade tão flagelada por ódios raciais e guerras santas com a predominância dos seus deuses de guerra sobre a Mãe Misericordiosa que sempre nos estende a sua Mão quando a chamamos. A mesma mãe que nos dá vida ao nascer e nos acolhe no Útero da Terra quando morrermos.

R.L.P.

segunda-feira, junho 16, 2003




“A Mulher, a Mulher autêntica, reintegrada a sua plenitude e poder faz medo a esses sub-produtos que são os homens numa sociedade paternalista.”

“O amor é destruidor de uma sociedade organizada porque ele isola dois seres, que se bastam a si mesmos e isso reflecte-se contra o quadro jurídico existente.”


O DOM DA MULHER AUTÊNTICA

“Será que esquecemos que o Dom de si não pode ser senão voluntário? Será que esquecemos que não pode haver responsabilidade senão onde existir liberdade?
Ora nós não somos livres. Somos vítimas de preconceitos, mergulhados nas rotinas que nos prendem, saturados de ideias feitas. E por falta de lucidez, estamos em completo desconhecimento dos verdadeiros problemas que se põem aos seres humanos.

Nós não somos livres. A mulher, particularmente, tornou-se escrava da nossa sociedade que é uma sociedade de escravos que nem sequer se apercebem do seu estado de servidão porque eles apenas gargarejam as palavras. Não, de modo algum é suficiente pronunciar a palavra liberdade e cantá-la em todos os tons para se ser verdadeiramente livre, é preciso sê-lo por actos.

Se a mulher ocidental moderna não é livre, Ysolda, Graiane e Deirdre eram mulheres livres. A mulher celta era livre porque ela agia, e fazia-o em plena consciência das suas responsabilidades. E sendo livre, ela era capaz de amar, porque o amor é um sentimento que escapa a qualquer controle e a todas leis impostas pela razão, somente pois os seres livres podem amar. É aí que se pode encontrar talvez a maior de todas as lições e nos é dada na maravilhosa história de Tristão e Ysolda.”

JEAN MARKALE - A MULHER CELTA


NOTA À MARGEM

Porque as mulheres celtas eram livres e, portanto responsáveis, elas podiam amar sendo autênticas, coisa que não acontece nos nossos dias face à estranha caricatura que a mulher é de si mesma, desconhecendo-se por inteiro nessa plenitude de ser que a falta de liberdade lhe tirou para a por ao serviço exclusivo da sociedade patriarcal que a dominou enquanto esposa e mãe e como prostituta nos Bordéis que institui, em paralelo com o casamento e assim perdura há milênios com leves alterações nos nossos tempos modernos...

Será que o novo milênio não vai tocar na ferida e nos vai deixar continuar assim divididas?

domingo, junho 15, 2003

COM AS NOVAS ALTERAÇÕES NO BLOGGER E TAMBÉM NA MINHA PÁGINA, PERDI O CONTACTO COM OS MEUS LEITORES E TAMBÉM O CONTACTO POR EMAIL E AINDA OS LINKS DOS BLOGUES AMIGOS!

QUEM ME SOUBER INFORMAR DIGA-ME POR FAVOR COMO POSSO VOLTAR A TÊ-LOS NA MINHA PÁGINA NOVA...


ENTRETANTO PODE ESCREVER-ME PARA:
ROSA LEONOR


O INSTINTO E A RAZÃO

“(...) O instinto que nós apelidamos de sexual, sensual e erótico, ler “baixos instintos”, não é senão a procura de um estado de beatitude interna a que alguns chamam felicidade. Esta felicidade é a finalidade em que nos fixamos. Como a não conseguimos atingir a acção acaba num efeito no resultado que é o prazer e não um fim em si nem um meio mas o acabar num acto incompleto ou num acto pelo qual todas as causas para o seu sucesso não estavam à partida reunidas. O prazer é de algum modo a forma imperfeita do que nós julgamos ser a felicidade, mas no mundo relativo que é o nosso será possível atingir essa felicidade?
Somos obrigados com isto a chegar a um outra constatação: o prazer é o que resta ao homem (ser humano?) de mais desejável quando ele quer satisfazer o seu instinto.

É este instinto que a “civilização” nos fez esquecer e que os diferentes sistemas de educação colocam deliberadamente sob repressão em detrimento da natureza humana e evidentemente simbolizado nas sociedades paternalistas pela Mulher. Se o instinto é oposto à produção, a Mulher que é Instinto, que é Sensibilidade, que é Intuição, opõe-se fatalmente ao Homem que é Razão, que é Lógica, que é o Construtor, que é o Produtor, que é Organizador. E depois, os antigos terrores face à Mulher ficam bem presentes: a Mulher é também o Amor, e o amor culpado.
(...)

“Pelo seu poder sexual a mulher torna-se perigosa para a colectividade, cuja estrutura social assenta na angústia que, antigamente era inspirada na mãe, hoje em dia tem como fonte o pai.” E se esta mulher é perigosa, ela é afastada, e remetemo-la às cavernas mais profundas, mascaramo-la, ou a masculinizamos por vezes. A Deusa-Mãe tornou-se Deus-Pai. Mas como os homens têm necessidade ainda das mulheres, para quê aborrecer-se? Deus criou o homem à sua imagem, porque não havia o homem de criar a mulher à sua imagem?” (...)

(in JEAN MARKALE – LA FEMME CELTE)

...E ASSIM NASCEU O TRAVESTI...

E porque essa mulher autêntica e inteira os aborrecia, os homens dividiram a mulher em duas, criando o ódio entre a mulher e a serpente. Entre o lado instintivo e a razão...De facto, assim o fizeram os patriarcas desde a Génese em que os próprios documentos originais foram adulterados em função desse interesse que era destituir o poder da Deusa-Mãe e o seu símbolo a Serpente e naturalmente toda a mulher do seu poder natural e instintivo para poderem assim exercer o domínio absoluto e repressivo sobre as mulheres em geral e a nova “economia” local que se foi alargando ao mundo.
Desse modo e paulatinamente todos os lugares ocupados pelas deusas e sacerdotisas ou pitonisas foram neste mundo usurpados pelos sacerdotes guerreiros e mais tarde pelos padres – sendo decorrente o traje feminino e os atavios que usam para a missa! - que impuseram leis em que a mulher seria completamente anulada, escravizada e prostituída e mesmo a mulher casada era usada para entreter os inimigos caso estes atacassem a casa dos homens, ou vizinhos, como consta textualmente na Bíblia no Velho Testamento.
R.L.P.

SE ME QUISER ESCREVER PODE FAZÊ-LO, SEMPRE QUE QUISER.

MEU EMAIL

sexta-feira, junho 13, 2003




ACORDAR EM LISBOA...

(...)
Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem a ama beija.
Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras,
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo
Do que as que vi ou verei.
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca.

Dá-me lírios, lírios
E rosas também.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também,
Crisântemos, dálias,
Violetas, e os girassóis
Acima de todas as flores...

Deita-me as mancheias,
Por cima da alma,
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...

Meu coração chora
Na sombra dos parques,
Não tem quem o console
Verdadeiramente,
Exceto a própria sombra dos parques
Entrando-me na alma,
Através do pranto.
Dá-me rosas, rosas,
E llrios também...



Minha dor é velha
Como um frasco de essência cheio de pó.
Minha dor é inútil
Como uma gaiola numa terra onde não há aves,
E minha dor é silenciosa e triste
Como a parte da praia onde o mar não chega.
Chego às janelas
Dos palác ios arruinados
E cismo de dentro para fora
Para me consolar do presente.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...

Mas por mais rosas e lírios que me dês,
Eu nunca acharei que a vida é bastante.
Faltar-me-á sempre qualquer coisa,
Sobrar-me-á sempre de que desejar,
Como um palco deserto.

Por isso, não te importes com o que eu penso,
E muito embora o que eu te peça
Te pareça que não quer dizer nada,
Minha pobre criança tísica,
Dá-me das tuas rosas e dos teus lírios,
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...

FERNANDO PESSOA
(Fazia hoje 115 anos se fosse vivo...)

quinta-feira, junho 12, 2003


O NOVO ROSTO DE
MULHERES & DEUSAS...


EM EXPERIÊNCIA...


O meu desejo

Vejo-te só a ti no azul dos céus,
Olhando a nuvem de oiro que flutua...
Ó minha perfeição que criou Deu
E que num dia lindo me fez sua!

Nos vultos que diviso pela rua,
Que cruzam os seus passos com os meus...
Minha boca tem fome só da tua!
Meus olhos têm sede só dos teus!

Sombra da tua sombra, doce e calma,
Sou a grande quimera da tua alma
E, sem viver, ando a viver contigo...

Deixa-me andar assim no teu caminho
Por toda a vida, Amor, devagarinho,
Até a morte me levar consigo...

FLORBELA ESPANCA (1894-1930)


"Essa segurança é a mãe, tanto para o homem como para a mulher. "

(...)
"O homem é com efeito um ser incompleto, e ele apercebe-se disso. O seu medo e a sua atracção pela gruta obscura (o vazio de onde vem), o seu medo e a sua vertigem diante da morte(o vazio para onde ele irá), tornam-no um ser frágil que procura a qualquer preço uma segurança. Essa segurança é a mãe, tanto para o homem como para a mulher. (...)


O homem está pois biologicamente sujeito à mulher quer ele queira quer não. E toda a mulher é uma mãe, real ou potencial. Ele é o contido (contenu) enquanto que a mulher é quem contém (contenant): isso constitui um estado de inferioridade muito claro para o homem, que passa por isso o seu tempo a negar esta realidade para se provar a si próprio que é superior. É o que explica a acção masculina, o facto de que os homens sejam dotados para a acção, para a violência, para o combate. Esta acção é o único meio que lhes resta para tentarem se afirmar.
E se o homem é o contido, portanto um ser inferior, ele arroga-se ao direito de ser superior mostrando a todo o preço que a sua força activa é a única capaz de proteger a espécie. Ele soube mesmo convencer a mulher desta superioridade, simbolizada pelo reconhecimento do pénis do rapazinho ao nascer, pela sua mãe, ou por qualquer outra mulher que ajude no parto. O famoso grito: “é um rapaz!”, repetido por gerações, diz bastante do seu significado."

segunda-feira, junho 09, 2003

O MITO DO GRAAL


“A Procura do Graal mistura-se com a Procura da Mulher. Aquele que encontra a Mulher, encontra o Graal. (...) Mulher que segura a Taça, o C?lice ou a Pedra, essa mulher que é a Sacerdotisa de um culto do qual jamais conheceremos o verdadeiro significado.

Uma coisa é certa: mais uma vez, nos encontramos na presença de uma mem?ria do culto da antiga deusa, destronada pelos deuses machos: é o sentido da violaç?o cometida pelo rei Amangon contra uma das donzelas ou fadas do castelo do Graal. Amangon forçou o destino, curvou o poder feminino pela força cega e brutal do macho, derrubando a sua soberania sob a forma simb?lica do seu golpe. Com efeito é o Pai que acaba de instaurar a sua autoridade exclusiva. Desde esse tempo, a sociedade anda à procura de um equil?brio que n?o poder? instaurar sen?o quando o Jovem filho da Deusa M?e, vier matar ou castrar, ou eliminar o Pai, a fim de devolver à M?e a sua Soberania de antigamente. Assim, idealmente e miticamente, e muito antes da cristianizaç?o do mito, a Procura do Graal é, ela, a Glorificaç?o da Eleita, a mulher eterna, divina, de m?ltiplos aspectos, que reina nos subterrâneos do mundo, e que n?o espera sen?o pelo o seu filho mais jovem para reaparecer ao ar livre e retomar o seu t?tulo de Grande Rainha equilibrando de novo a sociedade dos seus filhos desunidos e que se reconciliar?o no amor da M?e.”
(...)
In “A Mulher Celta”

Que Mulher é essa que se confunde com o Graal?
N?o é certamente a Mulher perdida da pr?pria mulher, submetida às instituiç?es e dominada pelos homens como um objecto de uso pessoal e social que nada tem a ver com a Mulher Divina ou a Musa, mulher essencial porque m?gica e fada, detentora de sortilégios e poder de curar, aliada da natureza e dos animais! Nem a mulher violada pelo poder patriarcal que destitui a Deusa M?e e fez da sacerdotisa uma prostituta e da mulher livre “a casada” e portanto, sujeita às suas leis?
Esse Feminino eterno e parte do princ?pio que rege o universo é rechaçado e denegrido ao longo dos séculos destituindo a mulher de identidade por predominância exclusiva do princ?pio masculino da força e do autoritarismo, negando às sociedades esse equil?brio dos dois princ?pios em harmonia que a Deusa M?e impunha como justiça e lei e n?o a força da Espada!




A mulher moderna, perdida da sua origem e essência, é uma espécie de ap?trida sem sentimentos ou consciência pr?pria. Absorve, diz e escreve e sente-se como o homem a fez...é a pol?cia travesti, é a médica inumana, é o soldado que vai à guerra é a m?e sem coraç?o nem amor pela maternidade! ? uma Atenas sa?da da cabeça de Zeus ao serviço do patriarcalismo sem consciência nenhuma de si pr?pria em profundidade. Reflecte-se apenas no homem na sua posse ou possu?da e n?o é sen?o uma sua extens?o, um sexo. Falar de feminino, pela sua ausência de sentido profundo, é falar apenas de sexo e a confus?o estabelece-se. Ou se é feminista ou lésbica...
A mulher n?o é apenas um sexo! Mas como se desconhece e se sente perdida, educada e suportada em sociedades falocr?ticas, n?o têm nenhum sentido em si mesma ou centro e enche-se do valor que os homens lhe d?o que é o de uma mente racional atulhada de conceitos l?gicos onde prevalece tacitamente a superioridade do Homem em nome de quem ela fala.

A MULHER E O GRAAL



A história da Mulher não é a de uma “lavagem ao cérebro” mas uma lavagem às suas entranhas da maneiras como lhe tiraram a Voz de Oráculo da Terra Mãe e agora o Útero sob qualquer pretexto. Anula-se a mulher dos seus valores intrínsecos, da sua intuição e percepção extra-sensorial, da sua sensibilidade tão própria aliada à emoção e reduz-se a sua razão de ser a uma reprodutora com prazo de validade ou a um objecto de luxo e plásticas, o estereotipo do travesti que o homem inventou e que levou a mulher a identificar-se com essa imagem e de que os jornais e revistas e televisão estão cheios até á saturação. A mulher é imbecilizada a cada passo e as próprias mulheres hoje em dia não têm a menos noção ou respeito pelo seu SER Ancestral, por essa Voz secular que lhe foi roubada pelos padres!
A sua cultura ou erudição basea-se toda no princípio masculino que a reduz a um zero à esquerda (e à direita!).

E não tenham esperanças as mulheres que lhes reste ainda alguma verdade e dignidade própria de que serão aceites se se expuserem nesta sociedade machista e falocrática com uma voz genuína senão for para os servir e fazer de figura de estilo, quer como mulheres, quer como políticas, ministras ou executivas ou mesmo escritoras! As polícias são brutais como os machos e as ministras duríssimas e inflexíveis nos seus propósitos rígidos sem qualquer humanismo. Não é pois, desse “Feminismo” que falamos nem o que nos falta a nós mulheres. E muito menos é essa a mulher da Procura do Graal. Ou por outra, a Mulher que se perdeu nos primórdios dos tempos é que tem de se buscar a si mesma dentro do seu coração e como Voz do Útero sendo a Taça que dá a beber e não espera beber do outro para ser ela própria porque a mulher é ela o Cálice.
Só depois da Mulher ser Mulher inteira, o verdadeiro Cavaleiro voltará e o Filho da Deusa a respeitará.
A Mulher em si é a Chave do Mito.

domingo, junho 08, 2003

AMINA LAWAL



AH! AS MUSAS E AS MISSES DESTE MUNDO...

E as mulheres assassinadas por "leis" fundamentalistas...
por maridos e amantes frustrados...
Aqui mesmo ao lado...
Na Nigéria ou no Afeganistão...


... E eu que estúpida, com a praia mesmo aqui em frente da casa podia ir apanhar sol
e não escrever estas coisas tão chatas para os que apenas se distraiem das realidades...
Por favor, vá já para outra página ler uma coisa agradável ou uma anedota engraçada...
Uma página "cultural" também serve...não me veja a mim que sou radical...
Hoje é domingo, vá passear!



LEMBRAM-SE DA INQUISIÇÃO?

É preciso ter cuidade, de tempos a tempos eles aparecem disfarçados...

Eh, eh, eh, eh...POIS É...

"Á força de rejeitar o que a Feminilidade traz como solução à angústia do homem, cria-se em todo o caso uma humanidade perfeitamente neurótica.
(...)
Suprimindo a noção de Mãe-Divina, ou submetendo à autoridade de um deus-pai, desarticulou-se o mecanismo instintivo que fazia o equilíbrio inicial: daí advém todas as neuroses e outros dramas que sacodem estas sociedades paternalistas.
(...)
Esta querela entre o natural-instintivo e a razão, nunca passou de uma falsa questão, sendo responsável pela cegueira desta sociedade que, querendo corrigir o instintivo, castrou o ser humano do que era a sua profunda natureza."

(...)
In LA FEMME CELTE - de Jean Markale


sexta-feira, junho 06, 2003



Como a musa se desvanece, assim se desvanece o poeta.

(...)
A razão óbvia pela qual há tão poucos jovens no nosso tempo que continuam a publicar poesia passando dos vinte anos, não é necessariamente como eu pensava, pelo desaparecimento do mecenato e a impossibilidade de assegurar uma forma de vida decente escrevendo apenas poesia. Há na verdade muitas maneiras de providenciar as necessidades da vida que podem coexistir harmoniosamente com o facto de se escrever poesia e nem é difícil publica-la. A razão é que qualquer coisa morre no poeta. Talvez ele tenha comprometido a sua integridade poética dando mais valor a uma ou a outra das suas diversas experiências, literária, religiosa, filosófica, dramática, política ou social, do que á poética. Ou talvez ainda ele tenha perdido o seu sentido da Deusa Branca: a mulher que ele tinha por Musa ou que era a Musa transformou-se na mulher “doméstica” e podendo mesmo ele estar a em vias de se transformar ele também no homem caseiro: a “fidelidade” impede-o de negligenciar a sua companhia, sobretudo se ela é a mãe dos seus filhos e que se tornou orgulhosa em ser uma boa dona de casa; e como a musa se desvanece, assim se desvanece o poeta.
(...)
in A DEUSA BRANCA de Robert Graves


La Déesse était seule.

Au tout début de l'univers
La Déesse était seule.
D'Elle naquit le désirable
Et tout ce qui a de l'énergie.
D'Elle aussi les êtres
Qu'ils aient pour original
L'oeuf, l'eau, la graine ou la matrice.
Les végétaux, les animaux
D'Elle aussi les hommes.
C'est Elle qui est l'Energie Suprême!


(Bahvricha Upanisad)

quarta-feira, junho 04, 2003

PODE ENCOMENDAR O LIVRO NA:


ART FOR ALL


ANTES DO VERBO ERA O ÚTERO

O porquê deste título:

in A Grande Deusa

(...) mas a antiga detentora da soberania sobre o universo, a causa primeira de toda a existência, e isto muito antes da manifestação do Verbo que, segundo o Evangelho gnóstico de João, era no princípio (e não no começo) do mundo das relatividades concretas. A arte da Idade Média é o reflexo de um pensamento e esse pensamento, apesar do peso do dogmatismo romano, está longe de ser unívoco. Mesmo que ela não cesse de ser consoladora, e mesmo lenitiva, a virgem mediaval transmite mais do que uma mensagem, que remonta à aurora dos tempos e que se manifesta por vezes através de especulações ditas heréticas ou mesmo por meio das aberrações fantasmáticas, a saber: o conceito de uma criação permanente que não pode ser senão de natureza feninina. Se Maria foi realmente a geradora do divino enquanto “mãe portadora”, ela apenas podia ser a incarnação de um conceito preexistente que se tornou incompreensível, incomunicável e indizível, que aparece através dos diferentes mitos referentes à criação do mundo.
(...)
É o que emana da própria tradição cristã, no que ela vai aurir ao Antigo Testamento.
“ Eu fui criada desde o início e antes dos séculos”, segundo o Eclesiastes.

JEAN MARKALE


UMA NOVA CONSCIÊNCIA

Acredito numa nova consciência do ser inteiro, homem ou mulher, mas acredito sobretudo na emergência de uma nova consciência da mulher enquanto ser completo pela integração das duas mulheres cindidas e separadas depois da “Queda”. A “Queda” não é da mulher, mas do homem que cindiu a mulher original em duas para reinar pela força antes do início da nossa História que começa já com essa divisão na sujeição por “inferioridade” da mulher como um dado natural o que não é um facto, uma vez que - nós mulheres - o sabemos e sentimos desde sempre, e que a sociedade patriarcal sempre nos negou essa evidência, mas que uma nova antropologia e uma nova ciência o vem provar. Ler urgentemente “O cálice e a Espada”. Outro livro urgentíssimo é “A Grande Deusa” porque nestes dois livros, os dois aspectos, o histórico e o religioso, que são os responsáveis por todos os equívocos, estão nestas duas excelentes obras sumamente bem tratados e remetem-nos para uma outra consciência e uma outra verdade, oculta nos séculos de obscurantismo quer histórico e religioso, quer ideológico; sim, porque não houve nenhuma ideologia moderna que restituísse à mulher a sua dignidade continuando a aceitar e a conviver com a prostituição, como se de um dado inevitável se tratasse e não é o caso. Para isso era preciso que a mulher tivesse acesso a essa consciência a fim de poder viver a sua totalidade e este é todo um caminho ainda a percorrer pela própria mulher dentro de si mesma ...e no forjar de uma nova sociedade em que a paridade homem mulher não seja um mero decor...

(...) falando agora do meu livro direi apenas que este livro não é para ser lido pela mente ou intelecto, mas pelo coração inteligente e quem não estiver sintonizado com o seu coração terá dificuldade em sentir ou entrar em ressonância com a sua mensagem que é de amor à Mulher e de adoração à Mãe sem equívocos. É o canto da alma que elege o Feminino por excelência como salvação da nossa Mãe Terra. É nesse amor que eu me revejo e identifico e se este pequeno exemplar das ladainhas servir para isso fico grata à vida por me dar esta oportunidade quer de o publicar, quer de dar voz a essa voz antiga que é de todas as mulheres e mães e a que os homens deviam urgentemente dar ouvidos, a risco de o mundo entrar num caos absoluto...

Porque, é Antes do Verbo, no útero, nas águas matriciais, que escutamos os primeiros sons que moldam a matéria, ouvindo o coração da nossa mãe, que palpita com o coração da terra que ela pisa, e se desenvolve mais tarde a nossa capacidade de escutar o nosso próprio coração e o dos seres que nos rodeiam, quando crescermos. Porque todos somos o Verbo que se fez carne.
Amemos, pois a Alma que nos anima. Ela é a capa deste livro lançando “sementes de luz” símbolo da Mulher Eterna que habita no nosso coração, quer sejamos nós homens ou mulheres.


Texto escrito e lido no lançamento do meu livro e que um amigo me pediu para publicar!
Os livros que cito estou constantemente a citar aqui...

terça-feira, junho 03, 2003


LANÇAMENTO DO MEU LIVRO

NO CONVENTO PALÁCIO DA TRINDADE


AS Fotografias que aqui tinha colocado desaparecem todas,
não sei se por defeito meu se do servidor...

Tentarei repô-las logo que saiba como...

No seu lugar deixo um poema do livro...




“Vi, Senhora, dias sombrios, meses tristes e anos de ânsia,
Vi, Senhora, catástrofes, desordens e violências”.


Senhora minha, Mãe misericordiosa,
Neste mundo eu sou todas as mulheres
Que neste planeta sofrem há milénios...
Sou a vagabunda, a prostituta, a estrangeira e a louca...
Sou a inválida, a doente, a desgraçada e a histérica;
Sou a mulher árabe condenada a cobrir o rosto
Proibida pelos homens de falar, sorrir e olhar.
Sou todas as mulheres perseguidas e queimadas
Nas fogueiras da Inquisição, que eu não esqueço!

Senhora dos Oráculos, dá-me a tua Visão de Paz e Amor
Ouve a minha prece: vem a este Mundo e impera!
Ó vem e salva a terra e a nós mulheres, desta barbárie.



in "ANTES DO VERBO ERA O ÚTERO"
O CAMINHO: EXÍLIO
E PEREGRINAÇÃO.


IRREFLEXÕES de Y.K.Centeno



OS PORTAIS DO TEMPO

(...)
Como podemos ainda sorrir, chegar incólumes ao dia seguinte,
ver o nosso rosto nos espelho das manhâs
indiferente ao que se passa em seu redor
pactuando com a ganância, insensíveis à dor
cúmplices,
cúmplices de tamanho herror

(...)
Neste momento histórico somos
gente que perdeu filiação divina
o sentido de eternidade
e até o sentido de humanidade.
Gente que exalta e propaga a violência,
gente que promove o luxo e o recusa,
gente que cala e consente o regresso à barbárie!


(...)
EXCERTOS DO LIVRO
de ANTÓNIA DE SOUSA


* * * *

"Il ne faut pas toucher
aux ténèbres des gens"


Y.K.Centeno

segunda-feira, junho 02, 2003



"A DEUSA NÃO É CITADINA ELA É
A SENHORA DAS COISAS SELVAGENS”


(...)
A frase “invocar a Musa” foi empregue muitas vezes de forma errada, o que obscurece o sentido poético: íntima comunhão do poeta com a Deusa Branca considerada como a fonte de toda a verdade.
Os poetas representaram a verdade como uma mulher nua, uma mulher privada de qualquer artifício que permitiria pela sua visão ligarem-se a um certo ponto do tempo ou do espaço. (...) O poeta é um apaixonado da Deusa Branca da Verdade: o seu coração consome-se por ela e na espera do seu amor.




A MULHER E A POESIA...

Assim que as formas poéticas começam a ser utilizadas por homossexuais e que o “amor platónico” (o idealismo homossexual) se introduz nos costumes, a deusa vinga-se. Sócrates, se bem nos lembramos, teria banido os poetas da sua lúgubre república. A alternativa consistindo a passar sem o amor da mulher é o ascetismo monástico; os resultados que daí advieram foram mais trágicos do que cómicos. No entanto a mulher não é poeta: ela é a Musa ou nada. Isto não quer dizer que uma mulher deveria abster-se de escrever poemas, e sim apenas que ela deveria escrever como mulher, e não como se fosse um homem. O poeta era originalmente o Místico ou o Fiel em êxtase da Musa, as mulheres que participavam nos seus rituais eram suas representantes (...)

(...)
É verdade que a mulher, desde há algum tempo, se tornou o chefe virtual da casa em quase todo o Ocidente, ela agarrou os cordões à bolsa e pode aceder a qualquer carreira ou situação que lhe agrade; mas é pouco verossímil que ela venha a repudiar o sistema apesar da ordem patriarcal dominante. Apesar de todas as suas desvantagens, ela tem agora uma maior liberdade de acção que até o homem não conservou para si próprio; ainda que ela se aperceba intuitivamente que o sistema está maduro para uma mudança revolucionária, parece não se preocupar nem ter pressa para a obter. É-lhe mais fácil fazer o jogo do homem ainda mais um tempo até que a situação acabe por se tornar absurda e inconfortável tanto para uns como para outros se poderem entender.”
(...)
in “A DEUSA BRANCA” de Robert Graves



NOTA À MARGEM:

Este livro foi escrito em 1948, dois anos depois de eu nascer...Passaram sobre esta afirmação cinquenta e quatro anos, e pouco ou nada mudou, embora em Portugal estejamos com cinquenta anos de atraso da Europa e portanto só agora as mulheres têm essa situação visível e não como há 50 anos em França ou em Inglaterra, no entanto nem na Europa nem na América a mulher fez a revolução da sua verdadeira emancipação_ para mim emancipação da mulher significa que no mundo não haja nenhuma mulher sujeita à prostituição ou à burka_ o que significa que houve algum retrocesso ou continua a ser mais fácil fazer “o jogo dos homens” mesmo a custa da sua dignidade e direitos não legais, mas profundos; assim a situação ainda não chegou realmente ao ponto extremo de se tornar de tal modo insuportável que ninguém consiga conviver com este absurdo. A mulher continua a ser morta por lapidação por “adultério” (com o ex-marido) na Nigéria e nas arábias e as mafias exploram raparigas e crianças para prostituição mesmo nas nossas caras aqui mesmo ao lado, em Cascais ou em Bragança e “as mães” ainda se viram contra elas!!!

Odi atque amo (amar é também odiar)