segunda-feira, outubro 18, 2021

O SEXO DESTROI A BELEZA





Safo era uma excelsa poetisa, uma mulher de uma sensibilidade hiper-feminina, uma sábia e uma Mestra, considerada a 10ª Musa por Platão e igualada a Sócrates...

Chamar pois sáfica ou lésbica a uma mulher que se veste de homem à partida, que se comporta como um homem e que seduz as mulheres como um macho manqué… QUE NÃO AMA A SUA FEMINILIDADE, é descabido e abusivo para não dizer ignóbil…É, enfim, no mínimo, de mau gosto, além de redutor da grandeza e elevação poética da Grande Musa …diria mesmo, ofensivo e degradante para a Arte e a Poesia, como é redutor colocar grandes autores como Virgínia Wollf e Marquerite Yourcenar, no gueto das prateleiras das livrarias com designação de género: “gay e lésbica”…
Este é um atentado à inteligência e à liberdade de SER ao serviço dos lobbies homossexuais e de mentes pervertidas, como se fosse pornografia. 
Recorrendo a essa estratégia de vendas, meramente comerciais, para serem exactos hoje em dia, teríamos de incluir também quase todos os grandes autores, mesmos os maiores e mais representativos da arte de todos os séculos porque nenhum autor, escritor, escultor ou poeta, de grande calibre ou génio, desde Miguel Ângelo, Da Vince a Shakespeare, William Blak a Goethe, nenhum deles teve uma “persona sexual” definida…variando as suas principais personagens entre travestis, hermafroditas, viragos, andróginos etc..
Rotular um autor e ainda por cima um autor que fez uma época ou uma escola é um absurdo proveniente da obstrução feita à liberdade de ser e da expressão sexual e emocional do Ser humano, através de preconceitos milenares muito católicos e medíocres como os que perduram ainda no nosso tempo…
Grandes poetas da actualidade e de todas as nacionalidades ainda a traduzem…e outros poetas menores que ao longo dos séculos a traduziram e reinventaram…
- Na verdade, as mulheres que viviam nessa época, num período vincadamente apolínio e de rebaixamento da mulher a todos os níveis, social, político e histórico, o facto de haver uma mulher que ao contrário dos homens da época, que elegiam os efebos e o corpo do homem era o eleito e o único esculpido na arte, e faziam a apologia da guerra, haver uma mulher a fazer poesia elegendo a vida e o erotismo entre as mulheres deveria ser um sacrilégio para os poderosos da época.
rlp


A BELEZA CONTRA A MEDIOCRIDADE...


"Em “Natureza” estão presentes as descrições de vários elementos, numa poesia que coincide com a beleza elementar dos Haikus orientais. Deve-se, no entanto salientar que a poesia de Safo não foi originalmente concebida desta forma, uma vez que nos chega em estado fragmentário, pelo que a maior parte destes poemas faria parte de um texto poético de maiores dimensões. Mas a semelhança com a beleza das imagens e metáforas da poesia do extremo oriente é marcante, apesar da distância geográfica e da impossibilidade de haver, na altura, um contacto (a não ser remoto) entre ambas as civilizações, de forma a possibilitar a troca de elementos literários a este nível. A poesia de Safo vem assim demonstrar o carácter universal da sensibilidade a uma beleza de contornos puros, arquetípica.


“Quando a Lua se torna clara
ilumina a terra
e as estrelas em seu redor perdem o seu brilho”.

Uma metáfora dirigida a uma jovem, provavelmente à filha, Cleis(1)."

IN Safo, "O desejo"


Trad. Serafim Ferreira, Editorial Teorema, 2003

REPUBLICANDO

O SEXO DESTROI A BELEZA

"O sexo destrói a beleza: Dionísios subverte o olhar apolíneo. O Goethe romântico seduzia continuamente o Goethe clássico. (…) Goethe considerava o corpo masculino mais belo que o feminino. Talvez isto seja menos um indício de homossexualidade do que de uma idealização apolínea, uma elevação da articulação do olhar, muitas vezes acompanhada de castidade. Tal como Beethoven estava casado consigo próprio.

Os andróginos de Goethe simbolizam adequadamente uma obra titanicamente inclusiva como é a sua. Para Goethe, o sexo é uma acumulação, não uma disseminação. Afirmou ele que não havia vício ou crime do qual não encontrasse vestígios em si mesmo. A Arte romântica é auto-exploratória, auto-estimulante e auto-mutiladora. Goethe disse uma vez que “os génios vivem uma segunda adolescência, enquanto as pessoas normais são jovens apenas uma vez. Goethe conservou o seu acesso a ambos os sexos renovando e prolongando a puberdade, período em que o género se mantém indeterminado. Em tempos, o Romantismo pareceu resumir-se a grandes gestos de rebelião. Mas ainda mal começámos a compreender as suas densas complexidades sexuais e o seu arcaico ritualismo pagão.”

in Personas Sexuais
Camille Paglia

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