O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

quarta-feira, dezembro 22, 2021

O QUE HÁ DE NOVO SOBRE A TERRA?



QUALQUER COINCIDÊNCIA COM A ACTUALIDADE É PURA SEMELHANÇA...


1530, Genebra,
Quando a peste bubónica regressou, a cidade estava bem preparada, com um novo hospital para acolher as vítimas. Médicos, paramédicos e enfermeiras estavam prontos a actuar e todos haviam contribuído monetariamente para este projecto, desde os magistrados aos comerciantes. Os próprios pacientes usavam fazer doações, e quando um deles morria, sem que tivesse família, os seus bens eram herdados pelo hospital. Quanto maior o número de enfermos, maior o número de subsídios e de possíveis heranças a receber.
Porém, ao contrário do que havia sido propagandeado, a peste parecia estar a desaparecer e não a regressar, mas se a peste dava lucro, havia que prolongá-la, e assim os médicos organizaram-se no sentido de a defenderem. Começaram por envenenar os pacientes de modo a fazer subir a mortalidade, mas como a mortalidade tinha de estar relacionada com a peste e não com outras doenças, experimentaram cortar, secar e triturar em almofariz os bubões linfáticos dos corpos dos defuntos, dando-os como remédio a outros pacientes em estranhas e elaboradas poções, uma vez que acreditavam estar neles os miasmas da peste. Não sendo suficiente, colocavam o mesmo pó nos lenços e nas roupas de todos os que pelos mais diversos motivos procuravam ajuda médica, mas ainda assim a peste parecia estar a regredir incontrolavelmente, pois eram cada vez menos os que recorriam ao hospital. Então, os médicos lembraram-se de pulverizar durante a noite as portas das casas com o dito pó, seleccionando sobretudo as mais ricas, as que poderiam dar-lhes maior lucro. Sem que conseguissem obter os resultados desejados, um dos médicos decidiu lançar o “pó de peste” sobre a multidão. Para seu infortúnio, nela encontrava-se uma rapariga que tinha estado no hospital e que reconheceu de imediato o cheiro. Foi o fim de uma longa narrativa que culminou na tortura, decapitação e esquartejamento dos “profissionais de saúde”.
Já agora, a peste negra nada teve a ver com bactérias, pulgas ou ratos, mas possivelmente com a queda de um ou vários meteoritos que rasgaram os céus desde a Ásia Central à Islândia, deixando um rasto tóxico na atmosfera que inclusivamente envenenou diversos lagos, matando peixes e toda a fauna neles existente. Ainda hoje as marcas do trágico evento podem ser analisadas nos anéis de crescimento das árvores, bem como na estratigrafia terrestre. A Islândia perdeu metade da sua população, contudo os ratos só lá chegaram no século XIX.
 
Bibliografia:
François Bonivard, «Chronicles of Geneva» vol. II, pp. 395-402, 1493-1570.
Mike Baillie, «New Light on the Black Death: The Cosmic Connection», 2006.


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