O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

terça-feira, outubro 02, 2018

O BEIJO A VÉNUS


“Percebi que é inútil falar aos outros sobre coisas que não sabem.” *


"Não é por sermos ingénuos que pretendemos convencer o outro de uma ideia que para nós é de relevante significado, mas que para ele, não o tem. No nosso íntimo julgamos que não se trata de uma opinião pessoal. Acreditamos que ela transporta não só o sentido das coisas do mundo, como nos define. Mas o alheamento do outro não consente este ver o mundo de dentro para fora. Por isso insistimos.
Com o tempo, percebemos que mesmo com todas as razões, não merece a pena falar de coisas para as quais os outros ainda não tiveram uma experiencia que os ajudasse a compreender.
Pode ser desconcertante fazer um esforço para retirar o que não é partilhado e consagrar-se ao essencial, mas é bom que seja feito, para bem de todos."


Cristina simões - psicologa
* citação de Jung em Memórias Sonhos e Reflexões

"O nosso anseio paradoxal de intimidade e independência é uma força diamagnética - ela puxa-nos para a união e, ao mesmo tempo, repele-nos como um poderoso imã que, se manipulado de maneira inábil, pode romper o relacionamento e o coração. Sob esse impiedoso magnetismo, torna-se um acto de força sobre-humana e auto-transcendência o dar espaço ao outro quando tudo o que se quer é proximidade. E, no entanto, esse acto difícil pode ser a coisa mesma - talvez a única coisa - que salva repetidamente o relacionamento."  - Maria Popova


UM POEMA 


O AMOR NÃO É TUDO


O amor não é tudo: nem carne nem
bebida, nem é sono, lar da gente,
nem a tábua lançada para quem
se afunda e volta e afunda novamente.

O amor não pode encher o pulmão forte,
pôr osso no lugar, tratar humores,
embora tantos dêem a mão à morte
(enquanto o digo) só por desamores.

Bem pode ser, na hora mais doída,
ou da minha franqueza arrependida,
buscando alívio à dor, seja capaz
de vender teu amor por minha paz
ou trocar-te a lembrança pelo pão.

Bem pode ser que o faça. Acho que não.


Edna St Vincent Millay,

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