quarta-feira, outubro 07, 2009

VOLTAR Á MÃE


Mirella Faur

Quem é


Mirella Faur é iniciadora do movimento da espiritualidade feminina em Brasília, com os rituais públicos dos plenilúnios, as celebrações da Roda do Ano, os grupos de estudos e a realização de ritos de passagem. É autora dos livros “O Anuário da Grande Mãe, Rituais práticos para celebrar a Deusa”, “O legado da Deusa. Ritos de passagem para mulheres” e “Mistérios nórdicos. Mitos. Runas. Magias. Rituais”, bem como de diversos artigos em publicações nacionais e estrangeiras.

Sua formação é em Farmácia Química, com especialização em Farmacodinamia e Microbiologia. Com vasto conhecimento sobre os mais diversificados temas místicos, de reconhecida sabedoria pessoal e com larga experiência em atividades esotéricas, Mirella Faur é respeitada líder espiritual no movimento conhecido como o Ressurgimento do Sagrado Feminino, o retorno da Deusa. Por mais de 15 anos, trabalhou com Círculos de Mulheres na Chácara Remanso, que se tornou um lugar sagrado, nascedouro de mulheres que se descobriram para a totalidade do seu ser feminino e sagrado.
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in teia de thea
copiado de: http://www.teiadethea.org/?q=node/9
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O CHAMADO DE GAIA



Palestra proferida no Festival Internacional da Paz de Florianópolis,
em setembro de 2006

Hoje, mais do que nunca, é bom lembrarmos as comoventes e famosas palavras do Chefe Seattle em sua memorável carta escrita em 1852 ao Presidente dos Estados Unidos. Dizia ele:

“Somos parte da Terra e Ela é parte de nós. A Terra não pertence ao homem, o homem é que pertence à Terra. Todas as coisas são interligadas, assim como o sangue nos une a todos. O homem não teceu a teia da vida, é apenas um de seus fios. O que quer que ele faça à teia, fará a si mesmo.”
Neste século e meio que transcorreu desde este profético alerta a Mãe Terra foi levada aos limites da sua resistência. O caos da nossa civilização atual é a conseqüência do desgaste da ordem patriarcal, que nos seus oito mil anos da supremacia dos sistemas simbólicos masculinos provocou maior destruição da Natureza se comparada aos outros dois milhões de anos que os antecederam. São mais do que conhecidos os problemas que estamos presenciando, que teremos de enfrentar e solucionar antes de esgotar completamente os recursos da Terra e comprometer o futuro das gerações vindouras. Assuntos como a superpopulação e a fome, o aquecimento global, a destruição da camada de ozônio, a diminuição das calotas polares, as crises de energia, a escassez da água, o desmatamento acelerado, a crescente poluição dos rios e do solo, a contaminação do ar, o envenenamento da flora e fauna, a exterminação de espécies de seres vivos – são mais do que divulgados e conhecidos. O equilíbrio físico, químico, biológico e ecológico do planeta é colocado em risco ascendente e a destruição da biosfera está se tornando uma realidade, ameaçando a sobrevivência da humanidade. Isso sem contar com os problemas sociais, o descuido com as crianças, pobres, idosos, mulheres e doentes, o aumento da violência e da miséria, os conflitos entre pessoas e nações, a selvagem competição entre os homens.

Esta destruição globalizada é conseqüência do predomínio das sociedades, culturas e valores patriarcais que instauraram a dominação do homem sobre a Natureza e sobre a mulher. Desde a mais remota antiguidade a Natureza – e principalmente a Terra - era considerada como a expressão máxima do princípio sagrado feminino, Deusa e Mãe dadivosa, criadora, geradora, nutridora e mantenedora da vida e de todos os seres da criação. As antigas religiões perceberam a íntima conexão existente entre a Deusa, a Terra e a mulher e interpretavam o mistério da vida e da morte como um ciclo natural e eterno, visível nos ritmos e padrões cósmicos, na dança das estações e na Roda das reencarnações.
Segundo o historiador e escritor romêno Mircea Eliade, o mito do “eterno retorno” (título de um dos seus livros) era personificado no ciclo biológico de todas as mulheres, em cada gravidez que produzia uma nova vida, em cada menstruação que a negava. A Terra reproduzia no seu relevo as formas femininas e o corpo da mulher era honrado e respeitado pelos povos antigos como um receptáculo sagrado. Identificando a mulher com a Terra e honrando esta como uma divindade, nossos ancestrais concluíram que o poder divino que presidia a criação, que nutria e sustentava a vida, era feminino. Segundo os mais recentes estudos de antropologia, arqueologia e sociologia concluiu-se que “Deus era mulher” durante pelo menos os últimos trinta mil anos, conforme atestam as milhares de estatuetas e gravuras representando mulheres grávidas, dando a luz ou amamentando, oriundas dos períodos paleolítico e neolítico. Foram encontradas em grutas, locais sagrados ou túmulos, junto com ossadas pintadas de vermelho e em posição fetal, para assim representar o seu renascimento, do sagrado sangue da Mãe Terra.

A Fonte Criadora nas culturas matrifocais era a Grande Mãe primordial, chamada por inúmeros nomes e venerada pela multiplicidade dos seus aspectos e atributos como a Mãe Terra, a Senhora dos animais, vegetais e frutos, a Mãe das montanhas, dos rios e da chuva, das pedras e das colheitas, do Sol, da Lua e das estrelas, da noite e do dia, das nuvens, dos raios e dos ventos, Padroeira da vida e Regente de todos os seres vivos, como vemos nesta canção nativa da Colômbia:
“A Mãe das Canções”, a mãe de toda a semente, gerou a todos nós no início.Ela é a mãe de todas as raças dos homens e de todas as tribos. Ela é a mãe do trovão, a mãe dos rios e da chuva, a mãe das árvores, a mãe de todas as coisas. Ela é a mãe das canções e das danças. Ela é a mãe do mundo e de todas as velhas irmãs pedras. Ela é a mãe dos frutos da terra, dos animais e de toda a Via Láctea. Ela, somente ela, é a mãe de todas as coisas, nossa única Mãe.

Mas Ela também era a Mãe Terrível, a Grande Fiandeira e Tecelã, que tramava a vida humana, animal e vegetal, bem como os destinos do mundo na sua tessitura de luz e escuridão, começo, meio e fim, nascimento, vida e morte, como Senhora do Tempo e dos Destinos. A mudança dos ciclos e das estações, a ascensão e o declínio, o nascimento e a morte, a transformação e a renovação eram subordinados à onipotente vontade da Grande Mãe em um grande círculo, o verdadeiro Ouroboros Cósmico. Como “Mãe Negra” a Deusa é a própria Terra, que tudo acolhe e recolhe, em cuja escuridão e silêncio as coisas mortas se decompõem, para onde os mortos vão à espera de cura, repouso e regeneração. O homem nascia do ventre da mulher (o portal da vida), concebido do seu sangue menstrual e alimentado com seu leite, e retornava para o ventre da Mãe Terra (o portal da morte) para aguardar o seu renascimento, na eterna Roda das encarnações.
O ciclo da vida e morte era visto como a peregrinação da alma, da sua mãe terrena de volta à Fonte Criadora, a Grande Mãe.
(...)
Texto copiado de: SÍTIO REMANSO

LER NA ÍNTEGRA EM: http://sitioremanso.multiply.com/journal/item/38

1 comentário:

Anna Geralda Vervloet Paim disse...

Neste domingo,04/10,pela 1ª vez participei de um encontro público pagão,e pude ver o quanto é necessário voltarmos novamente a Mãe,e para isto,precisamos em 1º lugar reencontrar a Alma da Mulher.
Recomendo a leitura
http://wwwjaneladaalma.blogspot.com/2009/10/alma-da-mulher.html

Abraços com carinho