quarta-feira, setembro 12, 2018

SCOTT AND BAILEY



SCOTT AND BAILEY 

Tenho visto e seguido uma Serie inglesa, que se iniciou em Maio de 2011 e foi concluída em Abril 2016. Ela retrata a vida de duas mulheres  detectives  na casa dos quarentas…, que são as protagonistas principais da Série e podemos vê-las na foto a esquerda e a direita da mulher ao centro, a Chefe de ambas que também tem um papel preponderante. Todas elas são mulheres inteligentes e lucidas, livres e desenvoltas, com uma força e personalidades extraordinárias.

Mas o que esta série tem de curioso para mim, muito para além do enredo, é ser o retrato de duas mulheres colegas e amigas e a sua vida privada que se desenrola simultaneamente como pano de fundo entre os crimes vários de trama psicológica bem urdida  e muito bem abordada nas diferentes patologias do crime e as  investigações dos mesmos. E o que me despertou o interesse e mantem a minha atenção é que não sendo propriamente  uma série feminista, julgo eu, embora  realizada por duas mulheres também, nem creia que tenha uma intenção deliberadamente contestatária, está obviamente empenhada  em retratar a vida das mulheres em particular, como uma luta difícil bem urdida na sua ascenção e queda…e sempre na horizontal… sem que elas se apercebam da sua queda…

O facto mais relevante porém é ver como  é justamente a vida das mulheres quer nos crimes de que são maioritariamente vitimas (abuso assedio ou violação-crime), quer seja nas suas vidas privadas com maridos e amantes e filhos, elas sofrem de forma relevante o mesmo tipo de assédio e a manipulação dos homens com quem dormem, que as vitimas dos seus crimes e isso é o que para mim mais sobressai…de forma chocante, porque acho que isso lhes passa ao lado…

Aqui vê-se como claramente cada homem é potencialmente um inimigo da mulher...e não creio que a série tenha a intenção de mostrar isso pois se trata de um trabalho muito objectivo sobre a realidade das mulheres sim, mas em relação aos crime que as mulheres sofrem e as circunstâncias sociais e psicológicas que levam ao crime. Não retrata nem a violência doméstica nem o feminicídio em particular, embora a maior parte dos crimes sejam dentro dessa mesma linha.

É incrível ver como estas mulheres, seja no trabalho, seja nas famílias, sejam constantemente vitimas de abuso e manipulação assim como por parte de colegas e parceiros, tratadas como cabras e putas mal se lhes negam e elas aceitam isso e ao mesmo tempo como todas caiem no conto do vigário e mudam constantemente de par, principalmente uma que mais parece uma espécie de ninfomaníaca - mas em geral o que se vê e é mais relevante para mim é que todas elas tem o foco das suas vidas nos homens e no sexo e sofrem as maiores violências e abusos mesmo sendo policias no trabalho, quer entre colegas como dizia quer com os ex-maridos ou amantes… e elas não percebem que aquela dependência sexual maníaca e obsessiva do sexo e do par as destrói e destrói as suas vidas e as relações de trabalho e mesmo de amizade...sem que nem um minuto parem para pensar que essa falsa liberdade da mulher de viver o sexo sem compromisso e sem qualquer profundidade destrói a sua integridade e a sua capacidade de discernimento.

Eu fico perplexa a ver isto - é o retrato do nosso mundo e de como as mulheres são escravas do sexo sem terem a menor noção de uma identidade, de uma inteireza nelas… boas profissionais, brilhantes, são as mães e filhas e amantes à deriva num mundo que as explora e esgota sem que elas deem por isso e nem sequer se interroguem...
Um bom retrato da nossa sociedade patriarcal onde as mulheres se convencem da sua falsa igualdade e falsa emancipação - ela existe economicamente, mas emocionalmente elas são uns trapos, fracas, carentes… usadas e ofendidas por homens sempre dominadores...


rlp

1 comentário:

Belinha disse...

Recordei a série "Crime, disse ela". Que sorte teve a Jessica Fletcher de ser uma senhora que já tinha vivido uma vida com um marido, que faleceu prematuramente e com o qual não teve filhos.
Parece que só com este tipo de antecedentes é permitido criar uma personagem principal feminina indepedente e livre, sem necessidade de enredos românticos.