(...)
"Gosto de ditados, frases pitorescas passadas por gerações em famílias e coisas afins...
Uma que sempre mexeu comigo de uma forma especial diz: "nós nascemos sozinhos e morremos sozinhos". O impressionante é que nunca me assustou a solidão durante a vida, mas ao morrer, creio que gostaria de ser levada pela mão por alguém conhecido e querido. Na verdade, se houver um plano B, gostaria mesmo de não morrer, mas essa é outra história...rs
As pessoas costumam ter medo da solidão. Talvez por isso, não consigam perceber a diferença entre solidão e, simplesmente, estar sozinho. Eu gosto de estar sozinha sem, no entanto, me sentir solitária. Quando alguém, ao ficar sozinho, sente uma certa melancolia então surge a solidão.
A Rainha de Espadas é conhecida como a Rainha Só. Ninguém disse que ela era solitária. É só. Sente-se sozinha. Pensa suas coisas sozinha, faz o que tem que fazer sozinha. Mas não sei se alguém teve a curiosidade de perguntar porque ela está só, se isso é resultado de uma decisão ou consequência de um abandono.
Eu creio que a Rainha de Espadas optou por estar só porque ela compreende que não há outra pessoa que possa resolver as questões que devem ser resolvidas, não há outra pessoa capaz de compreender o que se passa com ela. A decisão de se fechar é o caminho da lucidez de quem percebe que todo o seu ser fala uma linguagem que não pode ser compreendida fora de seu território, não adianta tentar explicar o que acontece para outra pessoa, ela não será capaz de entender.
Assim, a Rainha de Espadas trava suas guerras interiores com a mesma bravura que enfrentar seus inimigos exteriores. Falante, jamais será possível detectar o tanto que ela reserva dentro de si dos ouvidos alheios. Sua percepção da natureza humana - que nasce e morre só - talvez a deixe testar o isolamento em alguma parte dentro de sua mente e de seu coração. Uma parte inalcançável, onde ninguém pode entrar. Não porque não seja bem-vindo, mas porque ela tem a consciência de que quem ali entrar não conseguirá interpretá-la da forma correta e entre enganos e silêncio, ela fica com a segunda opção.
Este é um aspecto mais suave e pouco falado da Rainha de Espadas. Costuma-se fixar mais na Rainha intelectualmente privilegiada, que traz sempre um discurso afiado pronto para impressionar a platéia. Poucos percebem a mulher que capta de forma quase mediúnica tudo que acontece a sua volta. Sua inteligência não é aquela que serve somente para duelar com palavras, ela é a prova de que a força sutil supera a força bruta (Arcano 11).
Como podemos aproveitar esta energia? Coloquemos nosso senso observador para funcionar e tenhamos a sensibilidade para compreender a maneira com que cada ser funciona. Podemos não saber exatamente a linguagem pessoal de cada um, mas podemos ao menos buscar uma linguagem universal, que se aproxime ao máximo da essência daqueles que amamos. "
Uma que sempre mexeu comigo de uma forma especial diz: "nós nascemos sozinhos e morremos sozinhos". O impressionante é que nunca me assustou a solidão durante a vida, mas ao morrer, creio que gostaria de ser levada pela mão por alguém conhecido e querido. Na verdade, se houver um plano B, gostaria mesmo de não morrer, mas essa é outra história...rs
As pessoas costumam ter medo da solidão. Talvez por isso, não consigam perceber a diferença entre solidão e, simplesmente, estar sozinho. Eu gosto de estar sozinha sem, no entanto, me sentir solitária. Quando alguém, ao ficar sozinho, sente uma certa melancolia então surge a solidão.
A Rainha de Espadas é conhecida como a Rainha Só. Ninguém disse que ela era solitária. É só. Sente-se sozinha. Pensa suas coisas sozinha, faz o que tem que fazer sozinha. Mas não sei se alguém teve a curiosidade de perguntar porque ela está só, se isso é resultado de uma decisão ou consequência de um abandono.
Eu creio que a Rainha de Espadas optou por estar só porque ela compreende que não há outra pessoa que possa resolver as questões que devem ser resolvidas, não há outra pessoa capaz de compreender o que se passa com ela. A decisão de se fechar é o caminho da lucidez de quem percebe que todo o seu ser fala uma linguagem que não pode ser compreendida fora de seu território, não adianta tentar explicar o que acontece para outra pessoa, ela não será capaz de entender.
Assim, a Rainha de Espadas trava suas guerras interiores com a mesma bravura que enfrentar seus inimigos exteriores. Falante, jamais será possível detectar o tanto que ela reserva dentro de si dos ouvidos alheios. Sua percepção da natureza humana - que nasce e morre só - talvez a deixe testar o isolamento em alguma parte dentro de sua mente e de seu coração. Uma parte inalcançável, onde ninguém pode entrar. Não porque não seja bem-vindo, mas porque ela tem a consciência de que quem ali entrar não conseguirá interpretá-la da forma correta e entre enganos e silêncio, ela fica com a segunda opção.
Este é um aspecto mais suave e pouco falado da Rainha de Espadas. Costuma-se fixar mais na Rainha intelectualmente privilegiada, que traz sempre um discurso afiado pronto para impressionar a platéia. Poucos percebem a mulher que capta de forma quase mediúnica tudo que acontece a sua volta. Sua inteligência não é aquela que serve somente para duelar com palavras, ela é a prova de que a força sutil supera a força bruta (Arcano 11).
Como podemos aproveitar esta energia? Coloquemos nosso senso observador para funcionar e tenhamos a sensibilidade para compreender a maneira com que cada ser funciona. Podemos não saber exatamente a linguagem pessoal de cada um, mas podemos ao menos buscar uma linguagem universal, que se aproxime ao máximo da essência daqueles que amamos. "
UM BELO TEXTO DE CLAUDA MELLO
2 comentários:
interessante,nunca tinha pensado neste aspecto da rainha de espadas....
Boa Dia vejo que estas madrugadora como eu
Gaia Lil
É uma prespectiva muito interessante e faz todo o sentido...
um abraço
rleonor
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