O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

quinta-feira, janeiro 06, 2022

Há mais de cinco mil anos que é proibido ser mulher…



SER MULHER


No início das eras existia a Grande Deusa, e a Deusa era a própria Terra, Gaia, e a Terra era a Deusa. As origens do culto à Grande Deusa são encontradas na penumbra do tempo pré-histórico. A Deusa governou por milhares e milhares de anos, anos em que a Terra vivia os ciclos lunares perfeitamente em harmonia com a vida orgânica da Mãe. Ao longo do tempo a Grande Mãe foi sendo arrasada e relegada à escuridão, e iniciou o triunfo do mais patriarcal dos arquétipos, aquele do Grande Deus Pai, Allah, IHVH, que foi completamente adoptado com o crescimento do judaísmo, do cristianismo e da religião muçulmana. Foi somente na forma atenuada de Maria, Mãe de Deus, que alguns aspectos da Grande Deusa foram deixados subsistir. Várias Madonnas antigas ainda são resquícios do culto à Grande Deusa.
A figura de Lilith – A Lua Negra – representa um dos aspectos da Grande Deusa. Na antiga Babilónia ela era reverenciada como Lilitu, Ishtar ou Lamschtu. A mitologia judia já a colocou nos reinos mais obscuros dos demónios da noite, reino de Satã, capaz de subjugar os homens e matar crianças. O cristianismo fez dela uma prostituta por causa do medo que ela despertava nos homens."


PORQUE SÃO AS RELAÇÕES HOMEM MULHER DOENTIAS…


Parece mentira digo-me, mas há muitas mulheres e jovens ainda com medo de se enfrentarem, de se confrontarem com a sua realidade por vezes dramática de abuso psicológico por parte dos companheiros ou de violência doméstica e algumas, mesmo sendo já bastantes conscientes da sua prisão afectiva/sexual, não o são da sua cisão psíquica e emocional ou mesmo da sua falta de identidade/liberdade de serem inteiras. Elas não sabem o que está na base desse seu pendor para o sofrimento à partida, o porquê da sua sujeição, que vem de mãe para filha, e, apesar de não saberem bem o que as condiciona, nem verem claramente o que as atormenta, elas sentem o peso dessa tradicional e quase “natural” agressão de que são vítimas por parte dos homens em geral, dessa asfixia no casal, essa dor funda que se agudiza, essa ferida, comum às mulheres…mas não têm forças nem capacidade de se libertarem…
É um enorme peso atávico o que as prende a esses automatismos de fraqueza e “aceitação”…
Por mim seria normal pensar que essas mulheres pudessem ou quisessem dar um primeiro passo para se libertarem da prisão das relações doentias de dependência ou de violência psíquica…mas a verdade é que há muitas mulheres válidas e cultas que estão, para além da dependência económica, presas a um companheiro deprimido ou narcísico, dominador ou explorador ou mesmo agressivo, e que são incapazes de se libertarem e darem expressão ao seu ser verdadeiro e mesmo ao ver claramente o que as fere, o que as diminui e faz mal…elas não conseguem sair desses laços!
Normalmente as mulheres vivem relações sufocantes que as aprisionam, e o mais comum é, por medo de perder o amor, repetem esse padrão uma vida inteira, seja por hábito ou por cansaço ou ainda por incapacidade de se libertarem, elas continuam a sofrer todo o tipo de afrontas e ofensas impostas pelos companheiros…elas abdicam de si e da sua liberdade, da sua expressão e identidade por causa de um filho, da casa, marido ou companheiro, as vezes homens-filhos…que buscam uma mãe…e muitos odeiam a Mulher…
(...)
rosaleonorpedro


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